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1 ISSN ANO 3 - Nº 3 REVISTA DO PROGRAMA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA DO CENTRO UNIVERSITÁRIO UNISEB - RIBEIRÃO PRETO

2 Expediente A Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica é uma publicação anual do Programa de Iniciação Científica do Centro Universitário UNISEB, de Ribeirão Preto, que envolve trabalhos de iniciação científica desenvolvidos nas diferentes áreas de conhecimento. Mantenedora Chaim Zaher Presidente do Sistema Educacional Brasileiro - SEB Adriana Baptiston Cefali Zaher Vice-presidente do Sistema Educacional Brasileiro - SEB Nilson Curti Diretor Superintendente do Sistema Educacional Brasileiro - SEB Rafael Gomes Perri Diretor Executivo do Sistema Educacional Brasileiro - SEB Fernando Henrique Costa Roxo da Fonseca Diretor Executivo do Sistema Educacional Brasileiro - SEB ISSN Centro Universitário UNISEB - Ribeirão Preto/SP Chaim Zaher Reitor do UNISEB Prof. Me. Reginaldo Arthus Vice-Reitor do UNISEB Prof. Me. Jeferson Ferreira Fagundes Pró-Reitor de Ensino à Distância do UNISEB Profª. Ma. Karina Prado Franchini Bizerra Pró-Reitora de Graduação do UNISEB Profª. Ma. Claudia Regina de Brito Diretora Acadêmica de EaD do UNISEB Thamila Cefali Zaher Diretora Executiva do Convênio Pós-Graduação - FGV- do UNISEB Prof. Me. Onivaldo Gigliotti Coordenador Acadêmico do Convênio Pós-Graduação FGV do UNISEB Profª. Claudette Alves Pereira Galati Coordenadora Geral de Ensino-Aprendizagem e Planejamento Educacional do UNISEB Prof. Dr. Romualdo Gama Coordenador Geral de Gestão e Operações Acadêmicas do UNISEB 4 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

3 Profª. Ma. Lilian Silvana Perilli de Pádua Coordenadora Geral de Registros e Informações Acadêmicas do UNISEB Profª. Dra. Elizabete David Novaes Coordenadora do Programa de Iniciação Científica/ Núcleo de TCC e IC do UNISEB Profª. Noemi Olimpia Costa Pereira Coordenadora de Extensão do UNISEB Profª. Drª. Gladis Salete Linhares Coordenadora Pedagógica de EaD do UNISEB Profª. Ma. Alessandra Henriques Ferreira Coordenadora Pedagógica de EaD do UNISEB Profª. Adriana Millo Saloti Coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Secretariado de EaD do UNISEB Profª. Esp. Alessandra Silva Santana Camargo Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis do UNISEB Prof. Me. Alexandre de Castro Moura Duarte Coordenador do Curso de Engenharia de Produção do UNISEB Profª. Drª. Andrea Regina Rosin Pinola Coordenadora dos Cursos de Licenciaturas do UNISEB Profª. Ma. Andréia Marques Maciel Coordenadora do Curso de Ciências Contábeis de EaD do UNISEB Prof. Me. Antonio Nardi Coordenador do Curso de Tecnologia em Gestão Financeira do UNISEB Profª. Ma. Ariana Siqueira Rossi Martins Coordenadora do Curso de Serviço Social de EaD do UNISEB Profª. Ma. Candida Lemos França Maris Coordenadora do Curso de Jornalismo do UNISEB Prof. Dr. Cesar Rocha Muniz Coordenador do Curso de Arquitetura do UNISEB Profª. Drª. Cristiane Soncino Silva Coordenadora do Curso de Fisioterapia do UNISEB Profª. Ma. Daniela Pereira Tincani Coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Marketing de EaD do UNISEB Prof. Dr. Dirceu José Vieira Chrysostomo Diretor da Faculdade de Direito do UNISEB Profª. Ma. Helcimara Affonso de Souza Coordenadora do Curso de Tecnologia de Informação de EaD do UNISEB Prof. Me. João Paulo Leonardo de Oliveira Coordenador do Curso de Administração do UNISEB Profª. Ma. Márcia Mitie Durante Maemura Coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos e Tecnologia em Gestão Comercial de EaD do UNISEB Profª. Drª. Marilda Franco de Moura Coordenadora do Curso de Letras de EaD do UNISEB Profª. Drª. Marina Caprio Coordenadora do Curso de Pedagogia de EaD do UNISEB Profª. Ma. Ornella Pacífico Coordenadora do Curso de Administração e do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Financeira de EaD do UNISEB Prof. Dr. Osmar Sinelli Coordenador do Curso de Engenharia Ambiental do UNISEB Prof. Me. Paulo Cesar Carvalho Dias Coordenador dos Cursos de Ciência e Engenharia da Computação do UNISEB Prof. Dr. Pedro Pinheiro Paes Neto Coordenador do Curso Educação Física do UNISEB Prof. Dr. Ricardo A. M. Pereira Gomes Coordenador do Curso de Engenharia Civil do UNISEB Profª. Ma. Sara Gonzales Coordenadora do Curso de Publicidade e Propaganda do UNISEB Profª. Ma. Vanessa Bernardi Ortolan Riscifina Coordenadora do Curso Superior de Tecnologia em Negócios Imobiliários de EaD UNISEB Laura de Faria Silveira e Silva Design Gráfico e Diagramação Tiago José Guimarães Design Gráfico e Diagramação Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 5

4 Ficha Catalográfica Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica / Centro Universitário UniSEB COC. Ano 1. n. 1 (jan. 2009) -.- Ribeirão Preto, SP : UNICOC, Ano 3. n. 3 (dez. 2011) Anual ISSN: (versão impressa) 1. Educação. 2. Pesquisa Científica. 3. Multidisciplinaridade. 4. Ambiente. 5. Comportamento. I. Centro Universitário UniSEB - COC. II. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica. CDD Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

5 Editorial Revista Multidisciplinar do Programa de Iniciação Científica do Centro Universitário UniSEB - Ribeirão Preto A Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica do Centro Universitário UNISEB expressa, em seu terceiro número, o somatório de esforços coletivos dos professores orientadores e estudantes de graduação dos diversos cursos do Centro Universitário UNISEB, na modalidade Presencial e a Distância. A Revista propõe-se a discutir, divulgar e promover o desenvolvimento da ciência pautada na formação científica, tendo como intenção principal, a publicação dos resultados de pesquisas primárias e/ou secundárias, em temas multidisciplinares, voltados para gestão, recursos humanos, inovação, tecnologia, ANO 3 n meio ambiente, direito, educação e saúde. Com tal publicação buscamos oferecer aos nossos acadêmicos, além de uma formação sólida e atualizada, pautada na necessária articulação entre teoria e prática, também um fundamental estímulo à pesquisa, o que consideramos elemento essencial de qualquer projeto que vislumbre um ensino de qualidade, voltado para as exigências da sociedade contemporânea. Coloca-se assim, como um projeto concebido para expressar o compromisso do Centro Universitário UNISEB com a pesquisa, reforçando a missão desta Instituição de Ensino Superior. Editores Prof. Me. Reginaldo Arthus Prof. Me. Jeferson Ferreira Fagundes Profª. Drª. Elizabete David Novaes Conselho Editorial Prof. Me. Alexandre de Castro Moura Duarte, Prof. Dr. Alexandre Vinicius da Silva Pereira, Profª. Drª. Ana Paula Lazarini, Profª. Ma. Andrea Marques Maciel, Prof. Dr. Antônio Carlos Pacagnella Júnior, Prof. Dr. Antonio Donizetti Gonçalves de Souza, Prof. Dr. Celso Luiz Franzotti, Profª. Drª. Cristiane Soncino Silva, Profª. Drª. Daniela Barbato Jacobowitz, Profª. Drª. Elizabete David Novaes, Profª. Drª. Fabiana Cristina Severi, Prof. Dr. Fernando Scandiuzzi, Prof. Dr. Flávio Marques Vicari, Prof. Me. Giovanni Comodaro Ferreira, Profª. Drª. Gladis Linhares, Prof. Dr. Hélcio de Pádua Lanzoni, Prof. Dr. Jean-Jacques G. S. de Groote, Prof. Me. João Paulo Leonardo de Oliveira, Profª. Drª. Marilda Franco de Moura Vasconcelos, Profª. Drª. Marina Caprio, Prof. Ma. Marilia Godinho, Prof. Me. Paulo Cesar de Carvalho Dias, Prof. Me. Paulo Henrique Miotto Donadelli, Prof. Dr. Ricardo A. M. Pereira Gomes, Prof. Dr. Roberto Barbato Junior. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 7

6 8 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

7 Sumário Artigos Uso da ferramenta web marketing com mineração de dados Desenvolvimento de software para Identificação de úlceras corneanas com base no histograma das cores Pegada ecológica de Ribeirão Preto, SP: Instrumento para avaliação ambiental Análise das propriedades mecânicas de concretos de baixa resistência enriquecidos com fibras PET Processo de homologação das coordenadas dos vértices de apoio base por meio de posicionamento por ponto preciso Efeito da dominância de membros sobre o desempenho dos membros inferiores de atletas em testes funcionais Revisão bibliográfica de estudos sobre o nível de atividade física em adolescentes brasileiros O uso da tecnologia virtual da realidade aumentada (RA) no processo de ensino-aprendizagem A influência do transcurso temporal nas modificações ocorridas no direito civil Um estudo sobre o perfil empreendedor dos alunos de administração de uma Faculdade de Ribeirão Preto - SP 110 Qualidade do serviço interno do centro de serviços e logística de um Banco em Ribeirão Preto As perspectivas da pós-vendas frente às mudanças contemporâneas: um caso de sucesso Análise do capital de giro e da liquidez de uma empresa do ramo de cosméticos O turismo pedagógico como ferramenta de ensino e aprendizagem em geografia e história no ensino fundamental 1 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 9

8 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS Leonardo Meloni ¹ Washington Jorge de Oliveira ² Reginaldo Aparecido Gotardo ³ 1. Resumo Atualmente as pessoas se encontram em situações em que ficam na dúvida sobre qual produto e/ou serviço devem escolher devido à grande quantidade de alternativas disponíveis. Tomar esta decisão pode não ser tão trivial quanto parece principalmente se for algo desconhecido da pessoa ou um produto/serviço novo no mercado. Assim, uma recomendação vinda de outro cliente que conhece determinado produto/serviço, pode influenciar de maneira positiva na decisão de compra, à medida que tal produto/ serviço já foi testado e aprovado por outros consumidores e pode ser indicado. Uma alternativa para auxiliar nesta decisão é o uso de sistemas de recomendação, pois por meio deste uma indicação de compra será apresentada ao consumidor. Estes sistemas possuem a capacidade de analisar não somente o perfil do usuário, mas também analisar um grupo de clientes similares, os produtos mais vendidos, basearem-se no histórico do cliente ou pela sua localidade geográfica. Com isso, o Marketing nasceu como uma ferramenta publicitária por meio da constante evolução da internet. À medida que a internet se populariza e se torna mais acessível a todas as classes, empresas de vários ramos de atividades enxergaram no marketing uma forma mais direta e com menor custo para atingir um maior número de pessoas simultaneamente. Desta forma, neste trabalho foram estudadas técnicas de personalização de conteúdo para clientes e implementada uma ferramenta de marketing direto que se baseia nos perfis dos clientes e às suas necessidades e interesses para auxilio em tomadas de decisões finais. Palavras-Chaves: Marketing, Personalização e Recomendação, Mineração de Dados. 1. Abstract Nowadays people are in situations that are in doubt about which product and / or service must choose due to the large amount of available alternatives. Making this decision may not be as trivial as it sounds especially if an unknown person or a product / service new to the market. A recommendation from another client who knows a particular product / service, you can positively influence the purchasing decision, such as product / service has been tested and approved by other consumers and can be displayed. An alternative to assist in this decision is the use of recommendation systems, because through this an indication of purchase will be presented to the consumer. These systems have the ability to analyze not only the user profile, but also to analyze a group of similar customers, selling products, based on the history of the client or their geographic location. The Marketing began as an advertising tool by means of the constant evolution of the Internet. As the Internet becomes popular and becomes more accessible to all classes, companies of various branches of activity saw the marketing a more direct and less costly to achieve a greater number of people simultaneously. Thus, this paper studied techniques for customizing content to customers and implemented a direct marketing tool that is based on customer profiles and needs and interests to help in final decision making. ¹ ² Bacharel em Ciências da Computação do Centro Universitário UniSEB de Ribeirão ³ Doutorando em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São Carlos, UFSCAR, Brasil, Professor do Centro Universitário UniSEB. 10 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

9 Key Words: Marketing, Recommendation and Personalization, Data Mining. 1. Introdução Atualmente, a internet está cada vez mais presente no dia-a-dia das pessoas. Por meio dela, é possível interagir tanto com um vizinho quanto ultrapassar fronteiras e interagir com uma pessoa de outro país ou continente sem ter que sair do conforto de sua casa. Todas essas facilidades disponíveis ao alcance de um clique permitem um meio de comunicação que evidencia um novo meio de exploração de marketing e proporciona um resultado mais efetivo, rápido e de menor custo, isto é, é possível atingir um maior número de pessoas com a velocidade da internet e sem os custos de contratação de mídias sociais. 1.1 Objetivos Este artigo apresenta a elaboração de uma ferramenta Web que permite disparos de s personalizados, que são enviados para clientes que possuam um perfil com características que determinam um interesse relevante ao conteúdo da publicidade. O método utilizado para esta recomendação personalizada é a Mineração de Dados, que neste projeto tem a função de obter padrões por meio da análise de perfis dos clientes, sugerindo recomendações que atinjam diretamente o interesse do mesmo. As técnicas de mineração de dados empregadas nesta recomendação personalizadas foram o algoritmo de K-Means e o algoritmo de Apriori, capazes de encontrar um padrão e poder sugerir determinada recomendação, fato que não necessariamente deve ser seguido pelo usuário. O algoritmo de K-means é baseado em análises e comparações entre os valores numéricos dos dados, assim fornece uma classificação automática sem a necessidade da supervisão humana, considerado então um algoritmo de mineração de dados não supervisionado. O algoritmo de Apriori é utilizado para resolver o problema da mineração de dados de conjuntos de itens frequentes, fazendo buscas recursivas na base de dados à procura de conjuntos que satisfazem o valor de suporte e de confiança estabelecidos. 2. Marketing O marketing é uma evolução do meio tradicional utilizado por meio da mala direta. A forma de se pensar na prática de marketing foi remodelada, adaptando-se ao novo meio disponibilizado. Com a constante evolução dos meios de comunicações e do seu grande poder de presença no cotidiano das pessoas, o marketing se tornou um candidato natural a assumir esta posição no mercado com maior destaque. Não é uma solução que acabará a princípio com os meios já existentes, mas à medida que a conscientização e a preocupação com o meio ambiente aumentam, evidenciam a busca por novas fontes ecologicamente corretas colocando o marketing neste posto. O Marketing é uma mensagem de correio eletrônico enviada e recebida pela internet com a intenção de divulgar ou ofertar produtos e serviços de determinada empresa, manter o relacionamento com a base disponível de clientes ou ainda, disponibilizar atendimento ao consumidor. 3. Personalização na Web Personalizar é tornar algo adaptável a alguém, adequando os serviços oferecidos à vontade, necessidade e preferências desta pessoa; é apresentar algo de forma diferente a cada pessoa, pois cada uma tem um gosto definido, um perfil formado (GABBER, GIBBONS, MATIAS e MAYER, 1997). Portanto atender aos interesses de um consumidor nem sempre é possível através de uma campanha de interesse voltada a um grupo geral. Para tal, é necessário utilizar uma abordagem adaptativa, onde o conteúdo e as ofertas devem ser feitas de acordo com os interesses e preferências de cada cliente. A personalização na web é um recurso muito útil que permite tomar decisões baseadas no interesse peculiar de cada Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 11

10 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS usuário, com esta abordagem é possível direcionar uma campanha a um cliente ofertando apenas produtos que satisfaçam as necessidades e vontades de cada pessoa. É necessário obter estas informações sobre os clientes de forma controlada e não invasiva. Ao se cadastrar em um site, por exemplo, o cliente pode criar seu perfil, indicando áreas de interesse para que este possa receber s de ofertas, portanto, é necessário o consentimento do cliente para receber tal serviço de mensagens. A personalização de conteúdo é obtida pelo o auxílio da mineração de dados para a análise de uma grande base de dados utilizando técnicas computacionais para extração e obtenção de padrões desejados, é possível auxiliar na tomada final de decisão. 3.1 Mineração de Dados São técnicas que buscam reconhecimentos de padrões dentro de uma grande base de dados, por meio de processos computacionais que extraem conhecimento não trivial e são muito utilizadas para o auxilio de tomada de decisões. A mineração de dados é também chamada de Knowledge Discovery in Databases KDD (em português: Descoberta de Conhecimento em Bancos de Dados). Conforme Berry E Linoff (1997), mineração de dados é a exploração e análise, da maneira mais automatizada possível, de grandes bases de dados com objetivo de descobrir padrões e regras. O seu objetivo principal é fornecer informações úteis que permitam as empresas montarem de forma mais objetiva as estratégias de marketing, vendas e suporte, melhorando assim os seus negócios. 3.2 O Algoritmo K-Means K-means é considerado um algoritmo de classificação cujo objetivo é encontrar modelos de classificação que possam classificar dados em classes distintas, para tal, são analisadas propriedades (atributos) comuns entre objetos em uma base de dados. Segundo Amo (2003), o algoritmo é baseado em análises e comparações entre os valores numéricos dos dados, assim fornece uma classificação automática sem a necessidade da supervisão humana, considerado então um algoritmo de mineração de dados não supervisionado. O método K-means recebe uma base de dados de objetos (tuplas) e um número k que representa o número de classes que se deseja formar entre as tuplas da base de dados. Essas classes são denominadas clusters, coleção de objetos que são semelhantes uns aos outros de acordo com algum critério de semelhança pré-fixado e diferenças entre objetos de outros clusters. A base de dados é dada como uma matriz de dissimilaridade entre os objetos. Nesta matriz são definidos i, j e d(i, j) como sendo respectivamente linha, coluna e a distância entre os objetos i e j. A representação por dissimilaridade é baseada na comparação entre todos os objetos envolvidos, isso nos leva a uma matriz D, na qual cada elemento da matriz representa o valor de dissimilaridade entre dois objetos. Figura 3. 1 Matriz de dissimilaridade FONTE: AMO, Dependendo do tipo de dados presentes no banco de dados, existem técnicas para construir a matriz de dissimilaridade, tais como a distância Euclidiana, distância de Manhattan e a distância de Minkowski. Seja C = {C1, C2, C3..., Ck} uma partição do banco de dados em k clusters e sejam s1,s2,s3,...,sk elementos que ³ Segundo Fábio Konder Comparato, a Constituição Mexicana de 1917 foi a primeira a atribuir aos direitos trabalhistas a qualidade de direitos fundamentais, juntamente com as liberdades individuais e os direitos políticos. A afirmação histórica dos direitos humanos, p Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

11 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS representam o centro dos clusters escolhidos em cada um dos mesmos. O erro quadrático da partição é obtido por meio de: Erro(C) = n = x C x si ². i 1 i O algoritmo de K-means procura construir uma partição P contendo k clusters para a qual o erro quadrático seja mínimo. Segundo AMO (2003) o algoritmo é dividido em 6 passos: 1º Passo: Neste passo são escolhidos k objetos {p1, p2, p3..., pk} da base de dados, geralmente são escolhidos os k primeiros registros da tabela. Esses objetos serão os centros de k clusters, ou seja, os k centróides. Cada cluster C i é formado somente pelo objeto pi. 2º Passo: A distância entre cada ponto e os centróides é calculada, para cada objeto O diferente de cada um dos p i s. Considerase a distância entre O e cada um dos p i s. Considera-se o pi para o qual a distancia é mínima, o objeto então passa a fazer parte do cluster representado por p i. Este processo é o que mais exige processamento de cálculos, pois para N pontos e k centróides o calculo será N x k distâncias. 3º Passo: Os pontos são classificados de acordo com sua distância dos centróides de cada cluster. O centróide que está mais perto deste ponto vai pertencer ao cluster do ponto. 4º Passo: Calcula-se a média dos elementos de cada cluster, isto é, o seu centro de gravidade, este ponto será o novo representado pelo cluster. 5º Passo: O algoritmo volta para o 2º passo, varrendo a base de dados e para cada objeto O a distância é calculada entre este objeto e os novos centros dos clusters. O objeto O será realocado para o cluster C tal que a distância entre O e o centro de C é a menor possível. 6º Passo: O processo fica repetindo iterativamente e o refinamento do cálculo das coordenadas dos centróides, até que nenhuma mudança ocorra, isto é, os clusters se estabilizem. Figura 3. 2 Funcionamento do algoritmo k-means para k = 3 FONTE: AMO, Na primeira iteração os objetos selecionados representam que foram escolhidos aleatoriamente, nas iterações segunda e terceira os centros de gravidade são marcados com o sinal positivo (+). A vantagem do algoritmo é sua eficiência em tratar grandes conjuntos de dados. Sua desvantagem porém, se encontra no fato do usuário ter que fornecer o valor de k clusters e por serem sensíveis à ruídos, já que valores altos podem causar uma grande alteração do cento de gravidade dos clusters, e assim distorcer a distribuição dos dados nos mesmos O Algoritmo Apriori O Apriori é considerado uma ténica de associação que consiste em regras eficazes na busca por associações ou relações em uma transação entre conjuntos de atributos denominadas itens, a regra de associação tem a função de encontrar uma relação entre esses dois produtos e informar o quão confiável é esta relação, isto é, a regra busca Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 13

12 caracterizar quanto um conjunto de atributos na base de dados implica na presença de outro conjunto. De acordo com Amo (2003), é considerado um algoritmo clássico na regra de associação, proposto pela equipe de pesquisa QUEST da IBM em Utilizado para resolver o problema da mineração de dados de itemsets frequentes, fazendo buscas recursivas na base de dados à procura de conjuntos que satisfaçam o valor de suporte e de confiança estabelecidos. Para efetuar o cálculo da confiança C (L C) deve-se apenas dividir o suporte de L pelo suporte de C. O algoritmo de Apriori é divido em 3 diferentes fases: 1. Geração dos candidatos 2. Poda dos candidatos 3. Validação As fases 1 e 2 são realizadas na memória principal e não precisam varrer a base de dados B. A memória secundária é apenas utilizada caso o conjunto de itemsets candidatos seja muito grande e exceda o tamanho da memória principal. Apenas na fase 3 onde ocorre o cálculo do suporte dos itemsets candidatos é que é necessário varrer a base de dados B. Nas fases de geração e de poda (1 e 2) é utilizada a propriedade de Apriori ou antimonotonia: Propriedade de Apriori ou antimonotonia: Segundo Camilo (2010), sejam V e U dois itemsets tais que V U, se U é frequente então V também é. Dada uma sequência de itemset de tamanho k, um k-itemset será freqüente se todos os seus (k-1)-itemsets também forem frequentes. O algoritmo de associação Apriori possui a execução de forma iterativa: os itemsets frequentes são calculados através do seu anterior, ou seja, 2-itemset é calculado a partir do 1-itemset e assim sucessivamente, USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS Considerando, por exemplo, todos os itemsets frequentes com relação à base de dados B e valor mínimo de suporte β. E para cada itemset frequente L, todas as regras candidatas C (L C), onde C L e é verificado para cada uma das regras candidatas se o valor de confiança excede o grau α. Para efetuar o cálculo de confiança de C (L C) não é preciso varrer novamente a base de dados B. Durante a execução do algoritmo de Apriori já foi calculado o valor de suporte para L e C. Veja: total de trans. suportando L conf(c (L-C)) = total de trans. suportando L total de transações total de trans. suportando C = total de trans. suportando C = total de transações Sup (L) Sup (C) não é necessário calcular o suporte de k-itemset, pois basta utilizar a propriedade de Apriori ou antimonotonia e verificar se são frequentes os itemsets anteriores. 1º Fase: Geração dos candidatos Nesta fase ocorre a geração dos itemsets candidatos, não necessariamente frequentes, de tamanho k a partir do conjunto Lk 1. O conjunto C k de itemsets candidatos de tamanho k é construído unindo-se pares de itemsets de tamanho k 1 que tenham k 2 registros em comum. Dessa forma pelo menos dois subconjuntos de tamanho k 1 serão frequentes em um itemset de tamanho k. a b c d e x itemset frequente de tamanho 6 a b c d e y itemset frequente de tamanho 6 Figura 3. 3 Exemplo de construção de itemsets candidatos de tamanho k a partir de itemsets frequentes de tamanho k-1. Para a construção do conjunto C k é utilizado a função de Apriori-Gen, requer como argumento o Lk 1 que consiste no conjunto de todos os conjuntos de itemsets frequentes com (k 1)-itemsets e retorna um conjunto de todos os itemsets frequentes com k-itemsets. 14 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

13 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS 2º Fase: Poda dos candidatos Com base na explanação de AMO (2003). Utilizando a propriedade Apriori é possível descartar subconjuntos de itens de tamanho k 1 que não estiverem em Lk 1, pois não possui chance de ser um item frequente. Nessa fase é calculado o conjunto Ck = C k { V existe U V tal que U = k 1 e U Lk 1 }. A notação U significa numero de elementos do itemset U. Exemplo: Considerando o exemplo anterior da função Apriori-Gen, neste caso o C3 = C 3 { { 1, 4, 5 }, { 1,3, 5 } } = { { 1, 3,4 }, { 2, 3, 4 } }. O itemset { 1, 4, 5 } foi podado mas será descartado pois não possui chance de ser um itemset frequente, pois possui o 2-itemset { 4, 5 } que não aparece em L2. 3º Fase de Validação: cálculo do valor de suporte Nesta fase são calculados o valor de suporte de cada um dos itemsets do conjunto Ck, isso pode ser feito varrendo uma única vez a base de dados B. Para cada transação verifica-se quais são os candidatos suportados por cada transação e para esses candidatos é incrementado uma unidade no valor de suporte. Itemsets frequentes de tamanho 1: São computados todos os itemsets de tamanho 1, a base de dados é varrida uma vez para calcular o suporte de cada um destes conjuntos de tamanho 1, descartando-se aqueles que não possuem suporte β. 4. Ferramenta de Marketing A ferramenta de Marketing tem como objetivo o disparo de s com campanhas publicitárias para vários clientes. Para esse trabalho de conclusão de curso, foi desenvolvida uma ferramenta divida em duas áreas: área pública (cliente) e área restrita (administrador). Na área pública a ferramenta permite o cadastro de usuários a partir dos campos: nome, e áreas de interesse (várias opções que permitem a ferramenta armazenar um perfil inicial do usuário). Este processo é ilustrado na Figura 4.1. Figura 4.1 Cadastro de clientes na ferramenta A área restrita foi desenvolvida para uso do administrador, ou seja, a pessoa que irá gerenciar o disparo dos s. Por ser uma área privada o sistema conta com uma identificação por login e senha para que seja permitido o acesso. Além dos disparos dos s, é possível gerenciar novos administradores, permitindo adicionar, editar e excluir um registro. Inserir, visualizar e excluir clientes cadastrados, gerenciar de forma dinâmica as áreas de interesse que são exibidas para o usuário na hora do cadastro. Permite também configurar o SMTP para envio dos s. Quando o administrador efetua o disparo dos s, a ferramenta realiza esse comando da seguinte forma: verifica no banco de dados onde estão todas as informações do sistema os clientes que estão ativos, ou seja, que desejam receber s, exibe uma listagem de áreas que por meio de algoritmos de mineração de Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 15

14 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS dados mostraram similaridades dando ao administrador liberdade para análise e escolha dessas áreas antes de realizar realmente o disparo da campanha conforme é visto na Figura 4.2. Figura 4.2 Processo de envio de mensagens pelo administrador O cliente possui a opção de cancelar seu cadastro para recebimentos de s, dentro do corpo do existe um link com essa opção, quando o cliente clicar nesse link automaticamente o seu status será desativado, isto é, no próximo disparo de s esse cliente não será selecionado. Quando um é aberto, essa informação é inserida no banco, ou seja, o sistema saberá qual cliente, a data e a hora que o foi aberto, dentro do corpo do contém produtos cadastrados que quando clicados, insere no banco o código do cliente e qual o produto foi de interesse do mesmo, de acordo com a Figura 4.3. Figura 4.3 Disponibilidade de cancelamento do recebimento de s 4.1 Ferramenta Personalizada A ferramenta trabalha com listas de recomendações personalizadas baseadas em perfis formados a partir dos disparos dos s, onde serão armazenados eventos realizados pelos usuários, e regras de associações criadas por meio de semelhanças encontradas entre os perfis dos usuários cadastrados no sistema. A cada nova campanha gerada, os perfis dos usuários são atualizados a partir do momento que o mesmo mostra interesse, abrindo o sobre a campanha enviada. Os algoritmos de mineração de dados são executados off-line, ou seja, são agendados para executar em um horário em que não haja uso da ferramenta e consequentemente atrapalharem o seu uso normal, atualizando as listas de recomendação, com usuários que possuem interesse direto sobre os assuntos enviados, algoritmo de classificação e possíveis novos interesses, gerados pelo algoritmo de regras de associação, conforme Figura Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

15 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS Figura 4.4 Processo de criação de modelos off-line À medida que a base de dados é atualizada pela interação dos clientes com os s disparados, são criados os modelos off-line que sugerem listas de recomendações baseadas nos interesses dos perfis de clientes atualizados. A Figura 4.5, ilustra esta geração dos modelos a partir da nova base de dados que foi atualizada. campanha. Com a conclusão dessas etapas, iniciou-se a elaboração das campanhas para o envio dos s, neste trabalho foram criadas 11 (onze) campanhas contendo produtos categorizados em áreas distintas, que ao serem selecionadas pelos usuários atualizavam o perfil do mesmo. Nota-se que por enquanto ainda não foi utilizada nenhuma técnica de mineração de dados, os registros iniciais de cadastro se dão pela inserção dos dados pelo usuário por meio do cadastro no site e pela interação com os s de campanhas recebidas, na qual, caso um cliente tivesse interesse em algum produto de área que ainda não fazia parte do seu perfil, o mesmo seria atualizado com a nova informação. Desta forma, os perfis individuais são criados e atualizados conforme a necessidade. Figura 4. 5 Processo de envio de mensagens pelo administrador com a base atualizada após a mineração de dados. 4.2 Utilização da Ferramenta para Obtenção dos Dados Com a ferramenta implementada vários usuários acessaram o front-end e realizaram o cadastro com nome, e as possíveis áreas de interesse que foram previamente inseridas, com isso, a base de clientes foi preenchida de acordo com o interesse inicial dos usuários. Paralelamente, foram cadastrados produtos de diferentes categorias alimentando a base de produtos da ferramenta a serem utilizados em cada As personalizações e recomendações se dão pela execução dos algoritmos específicos presentes na ferramenta, os quais serão descritos nos estudos de casos. 5. Avaliações e Resultados Este capítulo de avaliação visa descrever as atividades realizadas para demonstrar a proposta apresentada para este trabalho e a análise dos resultados obtidos apoiados na utilização dos algoritmos de mineração de dados propostos para este fim. As técnicas de mineração de dados para a criação de perfis são obtidas por meio de um algoritmo de associação Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 17

16 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS (algoritmo de Apriori) e por um algoritmo de criação de grupos (técnica do algoritmo de K-Means). Na sequência, serão descritos os resultados adquiridos após a execução de tais algoritmos, uma vez que a base de dados com as informações necessárias para esta análise já se encontram armazenadas no banco de dados após a colaboração dos usuários. 5.1 O Funcionamento dos Algoritmos O propósito da utilização desses algoritmos é obter novas áreas que possam ter algum conteúdo relevante para determinado cliente, de acordo com a análise do hábito de outros que possuam um perfil semelhante. Isto é importante, pois o uso dessa abordagem permite descobrir novas áreas que mesmo não estando no perfil cadastrado inicialmente, possa despertar a atenção deste cliente atualizando assim seu perfil de acordo com a aceitação ou não das novas campanhas publicitárias. Com isso é possível descobrir um novo interesse desconhecido ou esquecido pelos clientes, aumentando assim o número de dados e informações sobre eles A Técnica do Algoritmo de Apriori A técnica do algoritmo de Apriori se baseia na obtenção de regras de associação entre dois itens, desta forma são procuradas regras de associação que possam determinar um grau de relevância entre ambas. Neste trabalho, esta análise se baseia na comparação entre áreas que representam o interesse de um usuário por determinado assunto, mais especificamente sobre áreas de produtos que possam se identificar e gostar, assim, campanhas sobre oferta de produtos podem ser enviados aos clientes de acordo com o seu perfil. Na aplicação do algoritmo de Apriori são utilizados dois parâmetros com os valores desejados para este trabalho. O primeiro representa o fator de suporte mínimo e tem o valor de 30%, o segundo indica o fator de confiança e tem o valor de 70%. O suporte mínimo é o percentual de vezes em que uma área aparece dentro de um conjunto de transações do banco de dados, neste caso, será considerada a área que tiver uma representação mínima de 30% dentro da base. A confiança representa o percentual de ocorrência de uma regra dentro do conjunto de transações obtido pelo suporte mínimo, neste caso, essa regra deverá ocorrer em no mínimo 70% dos casos. O algoritmo cria uma tabela temporária onde são inseridas as áreas e as frequências em que as mesmas ocorram dentro das transações, onde essa frequência deve ser superior ou igual ao valor do suporte mínimo, assim fica garantido que somente serão encontradas associações que possuam um grau de relevância mínima e ao mesmo tempo seja satisfatória para ser apresentada a outros clientes. A execução do algoritmo Apriori como dito anteriormente, cria uma tabela que ao ser visualizada demonstram os resultados baseados nos parâmetros configurados. A partir dessa tabela temporária são criadas associações entre as áreas, obtendo como resultado: áreas cadastradas, áreas associadas, frequência total da área cadastrada e frequência total das áreas associadas dentro da associação criada. O resultado obtido pelo algoritmo de Apriori é inserido em de uma tabela na base de dados e é utilizado para exibição das informações conforme pode ser observado na Figura 5.1. A figura 5.1 demonstra as associações encontradas dentro dos parâmetros de suporte mínimo e de confiança estipulados, ou seja, cada área deve ocorrer no mínimo 30% dentre todas as transações da base de dados e uma regra de associação precisa estar presente em no mínimo 70% das ocorrências neste conjunto de áreas. Analisando estes dados, o sistema exibe outro relatório que demonstra as conclusões obtidas pelo processo de associações geradas, conforme pode ser observado na Figura Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

17 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS Figura 5.1- Informações obtidas por meio do algoritmo de Apriori Figura 5.2 Relatório obtido por meio do algoritmo de Apriori Portanto, quanto maior for o percentual de ocorrência (suporte) de uma área na base dados, assim como, quanto maior for seu percentual de associação (confiança) à outra área distinta, pode-se concluir que existe uma forte relação entre ambas as áreas dentro do cenário estudado. Está análise permite demonstrar como são correlacionados os interesses dos usuários baseados em todo o histórico de abertura de s dos clientes cadastrados, assim, descobrir novos interesses tornase uma forma de sugerir novos temas aos usuários mas também não será uma garantia ou imposição de que este se interessará pelo novo tema A Técnica do Algoritmo de K-Means A técnica do algoritmo de K-Means baseia-se em encontrar grupos cuja distância entre áreas de interesses sejam a menor Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 19

18 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS possível, ou seja, uma vez que é concluído todo o processo da execução do algoritmo, garante-se que os grupos serão formados por cliente, com isso foram gerado três clusters de áreas com interesses similares conforme mostrado na Figura 5.3. Figura 5.3 Classificação das áreas de interesse similares por meio do Algoritmo de K-Means. áreas que estão próximas umas das outras, essa proximidade é dada pelo cálculo da distância Euclidiana. O algoritmo de K-Means é considerado um algoritmo não supervisionado, pois não necessita da supervisão humana, o seu objetivo é fornecer uma classificação de informações de acordo com um conjunto de dados informados, para isso ele utiliza de comparações entre valores numéricos desses dados. Para a aplicação desse algoritmo é necessário informar o valor do parâmetro k que vai representar a quantidade de classes (clusters) ou grupos, que serão gerados. As classes são formadas por meio da distância Euclidiana, para isso vai depender da quantidade de atributos da tabela fornecida, após descobrir as distâncias, o algoritmo calcula centróides de cada classe formada. Neste trabalho foi utilizado para o parâmetro k o valor 3 e passado uma lista contendo todas as áreas de interesse de cada De acordo com a Figura 5.3, são demonstrados 3 grupos, este valor k foi escolhido pois a base de dados com as áreas de interesses não é muito grande, o que não justificaria adotar um valor muito alto. De acordo com a Figura 5.3 e fazendo uma escolha aleatória para melhor explanar, será considerado o Grupo 3 para ser analisada. Segundo este grupo, é visto que ele contém quatro áreas que possuem um algo grau de similaridade dentro deste contexto de estudo. As áreas Vestuário, Bebidas, Entretenimento e Literatura formam um grupo, pois a distância Euclidiana entre elas é pequena, isto demonstra um forte indício de similaridade e proximidade entre ambas. Como o estudo se ampara nos interesses e gostos pessoais dos clientes, a análise desses grupos sugere que os clientes que não possuem alguma destas áreas cadastradas em seu perfil, está suscetível a se interessar em alguma dessas áreas, uma vez que esse grupo destaca pessoas com interesses 20 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

19 USO DA FERRAMENTA WEB MARKETING COM MINERAÇÃO DE DADOS similares. 6. Conclusões Considerando-se estas técnicas de mineração de dados como uma nova abordagem para realização de disparos de s publicitários aos clientes cadastrados, foi possível encontrar uma nova forma de chamar a atenção dos clientes para novos produtos que até então podiam passar despercebidos por este. Esta nova abordagem é uma forma sugerir novos interesses às pessoas sem que se possa tornar uma frustração ou incômodo a ela. Analisar os hábitos de pessoas similares nos remete a algo que possa ser do interesse de todos, mas não necessariamente uma imposição, uma vez que esta pode não se interessar por algo mesmo que muitos outros possam gostar. Utilizar estas técnicas permite analisar os perfis dos clientes e encontrar padrões que possam gerar um novo modelo de recomendação que sugira áreas que aparentemente não tivessem correlação, isto é, não realiza o envio para clientes que não possuem nenhum tipo de interesse pela campanha criada, sendo este um fator preponderante para não invadir a privacidade dos clientes. O uso destas técnicas permite que o administrador faça uma análise mais profunda dos dados que possui na base de dados, com o pré-cadastro dos clientes é possível obter uma formação de um perfil inicial e ao cadastrar as campanhas é possível verificar por meio de análises quais são as áreas com maior relevância, desta forma, a ferramenta de disparo de s é capaz de abranger um novo público alvo que está além do tema original da campanha criada. Utilizar estes novos artifícios demonstrou a relevância destas técnicas de mineração para realização do disparo da campanha, objetivando o auxílio na tomada de decisão do administrador. Com a conclusão deste trabalho, observa-se a capacidade da ferramenta em proporcionar sugestões de novas áreas que possam acrescentar uma abrangência maior ao disparo e ainda assim estar focado em uma similaridade entre os interesses de áreas distintas. Referências AMO, S. Curso de Data Mining. Programa de Mestrado em Ciência da Computação, Universidade Federal de Uberlândia, BERRY, Michael J. A.; LINOFF, Gordon. Data Mining Techniques: For Marketing, Sales, and Customer Support. New York: Wiley Computer Publishing, CAMILO, C. O.Uma Metodologia para Mineração de Regras de Associação Usando Ontologias para Integração de Dados Estruturados e Não-Estruturados - Dissertãção apresentada ao Programa de Pós-Graduação do Instituto de informática da Universidade Federal de Goiás como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ciência da Computação, GABBER, E., GIBBONS, P., MATIAS, Y. and MAYER, A. (1997).How to Make Personalized Web Browsing Simple, Secure, and Anonymous. Bell Laboratories, Information Sciences Research Center, Lucent Technologies. Disponível em: <http://www.bell-labs.com/project/ lpwa/papers.html>. Acessado em: 13 fev Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 21

20 DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA IDENTIFICAÇÃO DE ÚLCERAS CORNEANAS COM BASE NO HISTOGRAMA DAS CORES Luciana F. Almansa ¹ Jean-Jacques De Groote ² 1. Resumo Ulceras corneanas são lesões que envolvem danos em sua camada epitelial. Podem ser causadas por trauma, infecções virais, bacterianas, fungos, pelo uso de substâncias químicas como antibióticos ou cortisona sem acompanhamento médico. Para avaliar seu processo de cura verifica-se a epitelização da área necrosada (migração de células epiteliais vizinhas). O médico geralmente analisa a lesão com o biomicroscópio de uma Lâmpada de Fenda, e o diagnóstico é realizado por meio das conclusões baseadas em sua experiência. Considerando que, via de regra, essas análises são realizadas com base em observações a olho nu, o acompanhamento da evolução da lesão pode ser difícil e impreciso, abrindo espaço para divergência entre diagnósticos de diferentes especialistas. Neste trabalho apresentamos um método semi-automático para identificação e medida da área sem epitélio causada por essas lesões. Foram desenvolvidos algoritmos baseados em técnicas de Processamento Digital de Imagens na linguagem de programação do IDE Delphi. O software permite que o oftalmologista determine uma pequena amostra da região de interesse, e a partir dos parâmetros desta região, o software segmenta de forma precisa a área dominada pela úlcera. Os resultados foram embasados por meio do estudo dos falsos positivos e negativos a partir de imagens de referência. Palavras-Chave: Úlceras corneanas, Processamento digital de imagens, Lâmpada de Fenda. 1. Abstract Corneal Ulcers are open sores on the cornea that involve damage to their epithelial layer. They may be caused by trauma, viral infections, bacterial, fungi, by chemical substance use as antibiotics or cortisone without medical monitoring. In order to evaluate the healing process the epithelization of necrosed area is verified (healing by the growth of epithelium over a denuded surface). Doctors usually look at the damage with a biomicroscope Slit Lamp, and the diagnosis is made by means of observations based on his experience. Since, usually such analyzes are based on observations made bythe naked eye, to monitor the evolution of the lesion can be difficult and imprecise, making room for disagreement between diagnoses of different experts. We present in this work a semiautomatic method for identification and measurement of the area without epithelium caused by such lesions. Algorithms were developed based on techniques of Digital Image Processing and using Delphi IDE programming language. The software allows ophthalmologists to choose a small sample of the region of interest, and based on this region characteristics, the software accurately identify the corneal area dominated by ulcer. The results precision was determined by the analysis of false positives and negatives from reference images. Keywords: corneal ulcers, Digital image processing, Slit Lamp. ¹Luciana Farina Almansa, aluna de graduação em Ciência da Computação UNISEB. ²Prof. Dr. Jean-Jacques de Groote, Coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial e Aplicações- UNISEB Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

21 2. Introdução Úlceras corneanas são lesões oculares graves que podem ser causadas por infecções de bactérias, protozoários, fungos ou vírus, ou também pelo uso contínuo de substâncias químicas como, por exemplo, antibióticos ou cortisona. Essas lesões podem causar um grande impacto, uma vez que podem levar a seqüelas, desde o comprometimento visual parcial à perda total da visão, e mesmo do olho, em alguns casos. O critério de avaliação de cura de uma úlcera corneana é a epitelização da área necrosada (OLIVEIRA et al, 2002). Na prática, o médico realiza um exame clínico simples, onde a lesão é analisada com uma Lâmpada de Fenda e o diagnóstico é feito com base nas conclusões que ele julgue importante. Vale ressaltar, que como essas medições são usualmente realizadas manualmente, a evolução da lesão pode ser lenta e imperceptível aos olhos do médico em um próximo retorno, sem mencionar a divergências de opiniões entre médicos. Este problema foi investigado por outros autores, que desenvolveram um sistema composto por uma câmera CCD acoplada a uma Lâmpada de Fenda, através de um divisor de feixes, onde o olho do paciente previamente submetido a um procedimento clínico é exposto, e a imagem apresentada no monitor de um computador (CHIARADIA, 1999). Neste trabalho, é desenvolvido um método semi-automático para identificação, medida e análise da área sem epitélio na córnea, causada por úlceras. Para isso foram desenvolvidos programas que processam, identificam e analisam a região lesionada em imagens digitais, fornecendo aos oftalmologistas informações sobre a área afetada e o contorno da lesão. Entre os métodos utilizados se destacam a análise de histograma, operadores morfológicos e filtros convolutivos. Para o desenvolvimento deste software foi utilizado a IDE Delphi. 3. Metodologia Para o programa ter um bom desempenho, é importante que nas imagens utilizadas, a úlcera esteja destacada. Para obter-las desta forma, é utilizado um processo clínico onde o oftalmologista pinga no olho do paciente um composto químico conhecido como fluoresceína (RAMALHO, 2011). Trata-se de um colírio na cor amarela, que em contato com a região lesionada, fornece um tom esverdeado e ao restante um tom azul (Fig.1). Em seguida, o oftalmologista examina o olho em um aparelho conhecido como Lâmpada de Fenda (CHIARADIA, 1999). Nele, há uma câmera acoplada a um divisor de feixes, onde as imagens são enviadas para o computador. Essas imagens possuem tamanho médio 500x500 cm, com em média 150 dpi (dots per inch ou pixels por polegada). Normalmente seu formato é JPEG podendo variar para bitmap. O software apresentado neste trabalho foi elaborado utilizando a IDE Delphi versão 7 (CANTU, 2003). Delphi é um compilador, uma linguagem e um ambiente (IDE) de programação, orientado a objetos, que permite a criação de aplicativos desktop para diversos sistemas operacionais, porém, este é mais direcionado a plataforma Windows. Utiliza como dialeto a linguagem Object Pascal. É compatível com a maioria dos bancos de dados do mercado, e sua interação é feita de maneira simples. Para este software, foi escolhida esta linguagem por permitir o desenvolvimento e a implementação de algoritmos especialmente desenvolvidos para os objetivos desta pesquisa. Além disso, o programa executável resultante apresenta melhor desempenho comparado com versões baseadas em linguagens com compiladores virtuais. O processamento da imagem é realizado com auxilio de várias técnicas, e algoritmos são empregados tanto para a melhora, quanto na análise da imagem. Neste trabalho, o processo de análise da mancha foi dividido em duas etapas, pré-processamento e identificação das estruturas. A etapa de pré-processamento Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 23

22 DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA IDENTIFICAÇÃO DE ÚLCERAS CORNEANAS COM BASE NO HISTOGRAMA DAS CORES se estende da aquisição até as correções para melhorar a qualidade da imagem, com o intuito de facilitar a análise da mancha por parte do usuário. Em seguida, realizase a identificação e análise das manchas. Devido aos métodos de aquisição da imagem ou às condições em que esta foi capturada, a produção de regiões com grande quantidade de pontos indesejáveis (ruídos), pode prejudicar a análise do software. Logo, foi também necessária a aplicação de filtros que minimizam esse problema. Eles agem eliminando as altas freqüências, reduzindo flutuações pontuais. Esses filtros são conhecidos como filtros passa-baixa ou filtros convolutivos (ESQUEF, ALBUQUERQUE, ALBUQUERQUE, 2011). Há filtros, responsáveis por segmentar uma imagem, ou seja, separar determinados fragmentos com base em uma característica. As segmentações podem se basear nos formatos (Detecção de Descontinuidades, Pontos, Linhas e Bordas), nas características do pixel (Segmentação de Cores ou Intensidade) ou no histograma. Esses filtros são conhecidos como filtros passa - alta, que destacam bordas e detalhes, antes imperceptíveis sem recursos especiais. Morfologia matemática (SOUZA; SANTOS, 2011) envolve um conjunto de técnicas de processamento digital de imagens, baseadas na geometria e topografia da imagem. Estas técnicas são utilizadas para ressaltar aspectos específicos das formas, facilitando sua identificação, permitindo serem contadas ou reconhecidas. As operações básicas da morfologia são erosão e dilatação. restante da imagem, permitindo sua análise. As técnicas serão demonstradas com base na Fig. 1 e os processos utilizados seguem a sequência descrita a seguir. Figura 1 Imagem original [2]. Inicialmente um algoritmo para análise das propriedades do histograma de cada cor da imagem, e das proporções relativas destas cores foi implementado, com o intuito de definir parâmetros de corte para segmentação da imagem. A úlcera corresponde a uma região bem definida do histograma (Fig. 2). Separando esta parte, o restante da imagem é removido, restando a úlcera e alguns ruídos. 4. Resultados Algoritmos foram desenvolvidos de forma a destacar a lesão ulcerada do 24 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

23 DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA IDENTIFICAÇÃO DE ÚLCERAS CORNEANAS COM BASE NO HISTOGRAMA DAS CORES Figura 2 Histogramas das tonalidades R, G e B A segmentação na imagem é realizada por amostragem. Para evitar que ruídos influenciem o resultado final, o médico escolhe a região de interesse, clicando em qualquer ponto da imagem com o mouse e arrastando, formando um retângulo (Fig. 3), onde é efetuado o cálculo da média aritmética das intensidades de cores, definindo um pixel médio. Figura 3 Selecionando área de interesse Dois limiares são levados em consideração na segmentação da imagem, envolvendo a proporção de cores e a intensidade de brilho. Como o programa deve ser sensível a tonalidade verde, as cores vermelho e azul, que compõe a cor do pixel junto ao verde, são escaladas de forma a facilitar esta análise. Assim são definidos os parâmetros, RG = Vermelho/Verde e BG = Azul/Verde. Outro fator levado em consideração na segmentação é o brilho da imagem. Uma imagem é uma função bidimensional de luz f(x,y), onde x e y denotam coordenadas espaciais e o valor da função f em qualquer ponto (x,y) da imagem é proporcional a intensidade de brilho naquele ponto (MASCARENHAS, VELASCO, 1984). A intensidade de brilho é dada pelo produto entre luminância (quantidade de luz que recai sobre o objeto) e as propriedades de refletância (quantidade de luz refletida pelo objeto). Ajustes manuais podem ser realizados, para melhorar o resultado da segmentação nesses parâmetros (Fig. 4). Figura 4 Ajustes nos limiares de segmentação e intensidade Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 25

24 DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA IDENTIFICAÇÃO DE ÚLCERAS CORNEANAS COM BASE NO HISTOGRAMA DAS CORES Figura 4 Ajustes nos limiares de segmentação e intensidade Após a segmentação, a mancha assume um aspecto irregular (Fig. 5a) devido a pixels que não atendem às condições ideais de segmentação. Para que esses erros de amostragem sejam removidos, e a mancha assuma um aspecto natural, desenvolveu-se um algoritmo baseado em morfologia matemática (abertura e fechamento). Primeiro utilizase abertura para eliminar ruídos causados pela segmentação, em seguida, utiliza-se o fechamento para preencher os lugares onde o elemento estruturante não iria ajustar na imagem (Fig. 5b). Figura 5 Processos morfológicos. (a) Mancha segmentada com erros de amostragem. (b) Úlcera com algoritmo baseado em operadores morfológicos Com base na imagem segmentada, uma imagem binária (branco e preto) é criada (Fig. 6a). A cor branca corresponde à área necrosada, e a cor preta ao restante. Para delimitar a borda, compara-se um pixel branco com seus oito vizinhos, caso um destes seja preto, o pixel pertence à borda, logo, ele é colorido com uma cor diferenciada (fig. 6b). 26 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

25 DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA IDENTIFICAÇÃO DE ÚLCERAS CORNEANAS COM BASE NO HISTOGRAMA DAS CORES Figura 6 Processo para identificação da úlcera. (a) Imagem binária. (b) Úlcera delimitada Para calcular a área da região segmentada, utiliza-se a imagem binária, onde a técnica de flood (GONZALEZ; WOODS, 2010) é aplicada em cada mancha da imagem, uma por vez, inundando-a com uma cor diferenciada e através deste procedimento, coleta-se os dados necessários para sua caracterização. Em seguida, aplica-se o flood novamente, tingindo a mancha com outra cor, para que o programa não a analise novamente (Fig. 7). Figura 7 Processo para identificação da úlcera. (a) Imagem binária. (b) Úlcera delimitada Para calcular a precisão dos resultados do programa, foi criada uma rotina que compara uma imagem de referência com a imagem segmentada, calculando a porcentagem de acerto, o falso positivo (fragmentos da mancha que o programa não deveria identificar, mas identificou) e o falso negativo (fragmento da mancha que o programa deveria marcar e não marcou). A aquisição das imagens de referência é realizada manualmente, onde, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 27

26 DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA IDENTIFICAÇÃO DE ÚLCERAS CORNEANAS COM BASE NO HISTOGRAMA DAS CORES uma cópia das imagens originais é feita e com auxílio de um editor de imagens o desenvolvedor marca toda a área ulcerada com a cor vermelha (Fig. 8). Figura 8 Imagem de referência Após o programa ter analisado uma imagem (Fig. 9), a opção para calcular o erro é habilitada no software. Nela, o algoritmo solicita a inserção da figura de referência (Fig. 8) e realizara uma comparação com o resultado obtido na segmentação da imagem original (Fig. 10). Os resultados para a imagem apresentada mostram uma precisão aproximada de 85.2%, com 11.6% de falsos positivos, e 5.1% de falsos negativos. Figura 9 Imagem original, analisada pelo software Figura 10 Janela Erro 5. Conclusões A proposta deste trabalho foi o desenvolvimento de um sistema para identificação de úlceras corneanas. Os resultados mostram o protótipo desenvolvido e sua aplicação. As regiões das úlceras são identificadas com boa precisão. Para isso, no software foram implementados algoritmos que envolveram técnicas de processamento digital de imagens. Entre estas técnicas se encontram a extração de informações das cores de cada pixel da imagem digital, sua conversão para matrizes de dados, a utilização de algoritmos para remoção de ruídos, operações morfológicas, e um processo para determinação do contorno dos defeitos. As áreas das úlceras determinadas pelo software foram comparadas com imagens de referência, e a precisão analisada de acordo com a determinação de falsos positivos e negativos. A porcentagem de acerto do programa varia entre 85% e 92%, levando em consideração, outros fatores como, a qualidade da imagem, a localização da mancha e quanto ela é bem definida. Para melhorar esta precisão novos estudos estão sendo realizados tendo como base 28 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

27 DESENVOLVIMENTO DE SOFTWARE PARA IDENTIFICAÇÃO DE ÚLCERAS CORNEANAS COM BASE NO HISTOGRAMA DAS CORES a utilização de redes neurais artificiais (CARVALHO, 2007). O programa pode ser testado por oftalmologistas como um instrumento de auxilio a análise das úlceras. Esta interação permitirá a evolução dos algoritmos para atender casos diferenciados que possam surgir ao longo dos testes, o que é possível uma vez que as rotinas principais foram desenvolvidas a partir de primeiros princípios, abrindo a possibilidade de que sejam adaptadas a aplicações futuras. Agradecimentos Os autores gostariam de agradecer ao Dr. Sidney Júlio de Faria e Sousa por importantes discussões sobre a pesquisa. A pesquisa foi financiada por uma bolsa de iniciação científica do Centro Universitário UNISEB. Referências CANTU, M. Dominando o Delphi 7, a Bíblia. Tradução de Kátia Aparecida Roque. São Paulo: Pearson Education do Brasil, CARVALHO, André Carlos Ponce de Leon Ferreira de; BRAGA, Antônio de Pádua. Redes neurais artificiais: teoria e aplicações. 2 ed. Rio de Janeiro: LTC, CHIARADIA, Caio; VENTURA, L. ; SOUSA, Sidney Júlio de Faria e. Automatic Analysis of Corneal Ulcer. Ophthalmic Technologies IX, v. 3591, p , ESQUEF, I. A.; ALBUQUERQUE, M. P.; ALBUQUERQUE, M. P. Processamento Digital de Imagens. Disponível em Acessado em: 15/03/2011 GONZALEZ, Rafael C.; WOODS, Richard C.. Processamento Digital de Imagens [Digital image processing]. 3a ed.. São Paulo: Person Prentice Hall, p. MASCARENHAS, Nelson D. A; VELASCO, Flávio R. D. Processamento digital de imagens. São Paulo: Instituto de Matemática e Estatística, v p. OLIVEIRA, A. D. D.; COSTA, I. C.; SOARES, A. S.; SANTOS, M. S.; ARAÚJO, M. E. X. S.; Correlação clínico-laboratorial de úlceras infecciosas de córnea. Arq. Bras. Oftalmol. 2002; 65: RAMALHO, António. Angiografia Fluoresceínica Ocular. Disponível em: FLUORESCE%C3%8DNICA%20OCULAR.pdf. Acessado em: 20/12/2011 SOUZA, A. I.; SANTOS, C. A. Morfologia Matemática. Disponível em br/~visao/morfologia.pdf. Acessado em: 20/10/2011 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 29

28 PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL Álvaro Gennari Cavallini¹ Felipe Fernandes Pinto¹ Marcel Labadeça Fernandes¹ Raphael Calió Aleixo¹ Tadeu Coghi Roncato¹ Tayla Fernanda Biagi¹ Thaís Vilela Silva¹ Victor Loss Bolfarini¹ Victória Sant Anna de Araujo¹ Wesley Aparecido Saltarelli¹ Analu Egydio Jacomini² 1. Resumo O termo Pegada Ecológica refere-se a um indicador ambiental de sustentabilidade proposto em 1996 por Wackernagel e Rees. O calculo pode ser utilizado em diferentes escalas de análise, podendo ser observada a pegada ecológica individual, de um município ou de uma instituição, por exemplo. O resultado de uma pegada ecológica representa o espaço ecológico necessário para sustentar este indivíduo ou este sistema durante um ano. Neste espaço ecológico são considerados os recursos utilizados e os desperdícios gerados por cada indivíduo, obtendo-se um resultado na forma de hectares por ano per capita. As cidades correspondem a sistemas que não sustentam uma sociedade em equilíbrio com a natureza, uma vez que absorvem recursos de diferentes locais, acelerando o ritmo dos impactos negativos no meio ambiente e geram grande quantidade de resíduos em função da demanda para satisfazer as necessidades de moradia, alimentação, emprego e lazer da população. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi calcular a Pegada Ecológica da cidade de Ribeirão Preto, SP, através da análise das principais variáveis e avaliar os impactos gerados pela cidade, e pelos cidadãos que nela habitam. O valor obtido neste trabalho foi de 2,49 hectares de terra produtiva para cada habitante de Ribeirão Preto no período de um ano, valor este 2,24 vezes maior do que a área do município. Palavras Chave: Pegada Ecológica, sustentabilidade, Ribeirão Preto. 1. Abstract The term Ecological Footprint refers to an environmental indicator of sustainability proposed in 1996 by Wackernagel and Rees. The calculation can be used at different scales of analysis, can be observed the individual ecological footprint, the ecological footprint of a city or the ecological footprint of an institution, for example. The result of an ecological footprint represents the ecological space needed to support this individual or this system for a year. In this ecological space are considered resources used and waste generated by each individual, yielding a result in hectares per year per capita. Cities are systems that do not support a society in balance with the nature, since they absorb resources from different locations, ¹Acadêmicos do Curso de Engenharia Ambiental do Centro Universitário UNISEB Ribeirão Preto. ²Docente do Curso de Engenharia Ambiental do Centro Universitário UNISEB Ribeirão Preto. 30 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

29 accelerating the negative impacts on the environment and generate large amounts of waste due to the demand to housing, food, employment and leisure of the population. In this way, the objective of this study was to calculate the Footprint of Ribeirão Preto city, SP, through the analysis of variables and assess the impacts generated by the city, and by the citizens. The value obtained in this study was 2,49 hectares of productive land for each inhabitant of Ribeirão Preto during the period of one year, and this value is 2.24 times greater than the area of the municipality. Key-words: Ecological Footprint; sustainability; Ribeirão Preto 2. Introdução A Pegada Ecológica (Ecological Footprint), proposta por Wackernagel e Rees (1996), vem sendo utilizada como um importante indicador ambiental e de sustentabilidade em diferentes escalas de análise. Representa o espaço ecológico necessário para sustentar um determinado sistema ou unidade. Trata-se de um instrumento que contabiliza os fluxos de matéria e energia que entram e saem de um sistema econômico, convertendo-os em área correspondente de terra ou água existentes na natureza para sustentar esse sistema (VAN BELLEN, 2005). Segundo os autores, todo indivíduo ou região, ao desenvolver seus diferenciados processos, tem um impacto sobre a Terra, através dos recursos usados e dos desperdícios gerados. Para obter o valor numérico da Pegada Ecológica, calcula-se em hectares a quantidade de terra e água produtivas utilizada para a obtenção dos recursos consumidos, assim como para a absorção dos resíduos gerados, devendo ser, de maneira geral, menor do que sua porção de superfície ecologicamente produtiva. O cálculo da Pegada Ecológica vem sendo utilizado como instrumento de análise, comprovando seu valor como método comparativo que pode ser aplicado em escala individual, regional, nacional e mundial. A medida da pegada de uma cidade, por exemplo, quantifica o território circundante que cada habitante desta cidade necessita para sobreviver. A grande maioria das cidades no mundo não sustenta uma sociedade em equilíbrio com a natureza. Elas absorvem recursos de diferentes locais, acelerando o ritmo dos impactos negativos no meio ambiente. Segundo O Meara (1999), as cidades ocupam 2% da superfície da Terra, mas consomem 75% de seus recursos, o que evidencia o ritmo do consumo de recursos, aliado com o aumento da demanda para satisfazer as necessidades de moradia, alimentação, emprego e lazer destas populações. A Região Administrativa de Ribeirão Preto está situada no nordeste do Estado de São Paulo (Figura 1) e ocupa o quinto lugar em termos de concentração da população paulista. O município de Ribeirão Preto apresenta uma área total de 650,37 Km2, população de habitantes e densidade demográfica de 928,46 hab/ Km2 segundo dados do IBGE (2010). A população urbana corresponde a 99,72% da população do município. A cidade contém domicílios com uma média de moradores por domicílos de 3,07. Segundo dados do Ministério das Cidades, Departamento Nacional de Trânsito DENATRAN, em 2010 a cidade apresentava uma frota total de veículos. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 31

30 PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL Figura 1: Localização do município de Ribeirão Preto no Estado de São Paulo com a indicação do número de habitantes. Fonte: IBGE Este trabalho apresenta algumas análises sobre a sustentabilidade ambiental das cidades utilizando-se o instrumento da Pegada Ecológica para a cidade de Ribeirão Preto, SP, mensurando sua pegada. O método de Wackernagel e Ress (1996), que calcula a biocapacidade média em pegadas na escala planetária foi referência para o trabalho e outros observados na literatura (LISBOA e BARROS, 2010; LEITE e VIANA, 2003). Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar os impactos gerados pela cidade de Ribeirão Preto, SP, e pelos cidadãos que nela habitam, por meio do cálculo da Pegada Ecológica da cidade. 3. Metodologia No presente artigo utilizou-se a Pegada Ecológica para uma análise ambiental urbana, avaliando os impactos gerados pela cidade de Ribeirão Preto, SP, e pelos cidadãos que nela habitam. A pegada foi calculada através de variáveis, qualitativas e quantitativas, analisadas a partir de coleta de dados disponibilizados no site do município, IBGE e valores de referência de outros autores (Tabela 1). Tabela 1: Variáveis calculadas e origens dos dados. (1) IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2) SEADE- Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados 32 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

31 PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL Para o cálculo da Pegada Ecológica da cidade de Ribeirão Preto foi analisado o espaço que cada habitante ocupa e utiliza para consumir os recursos naturais necessários à sua sobrevivência. Os cálculos iniciais estimam a quantidade de área por habitante, dividindo a população urbana pela área do município ( habitantes/ 650,37 Km²), o que resultou em 927,11 hab/ Km². Transformando este valor para hectares e invertendo a fração tem-se 0,0108 hectares para cada habitante de Ribeirão Preto (Tabela 2). No entanto, este valor não corresponde à Pegada Ecológica individual, pois a pegada significa a área necessária e disponível para consumo e desperdício de cada habitante. Esta foi calculada utilizando dados do IBGE (2010) e levantamento bibliográfico, objetivando avaliar os impactos gerados por esta cidade. Os dados do consumo de energia elétrica foram obtidos no site do SEADE (Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados) (Tabela 2). Tabela 2: Dados do município de Ribeirão Preto do ano de 2008 e 2011 segundo dados do IBGE As variáveis utilizadas neste estudo foram área verde, área urbana construída, consumo de alimentos e carne bovina, emissões produzidas pela queima de combustíveis fósseis, consumo de eletricidade e produção de lixo (WACKERNAGEL e REES, 1996). Para cada variável estimouse sua pegada e os valores correspondentes foram então somados a fim de se obter um índice geral para a cidade de Ribeirão Preto. 4. Resultados 4.1 Alimentos Os dados para o consumo de alimentos foram obtidos do IBGE (Pesquisa de Orçamentos Familiares Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil) utilizando-se as informações referentes à região sudeste do país (Tabela 3). Para os cálculos de alimentos de origem vegetal foram utilizados os itens mais representativos da cesta alimentar da região sudeste (arroz, feijão, milho e preparações à base de milho, salada crua, batata, laranja, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 33

32 maçã, mamão, macarrão e farinha de trigo). Os dados de produtividade (Kg/ha) de cada item foram extraídos de Leite e Viana (2003). PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL Tabela 3: Consumo referente à região sudeste durante o período de 2008 e 2009 e respectivos valores dos componentes da pegada que serão utilizados nos cálculos para o município de Ribeirão Preto. 4.2 Florestais não energéticos Para o cálculo da área bioprodutiva requerida por habitante para a produção de papel, foram utilizados os dados apresentados por Leite e Viana (2003), onde considera-se o consumo médio do Brasil, de 51 Kg de papel/ pessoa/ano. Assim, estimou-se o consumo de papel da população em estudo em ,78 t/ ano (51 Kg/pessoa/ano x pessoas). Em seguida utilizou-se o fator de conversão de 1,8 m3 de madeira, produzindo uma tonelada de papel (WACKERNAGEL e REES, 1996) o que resulta em um consumo de ,80 m3 de madeira para a produção de papel utilizado durante um ano na cidade de Ribeirão Preto. Uma vez que um hectare apresenta o rendimento lenhoso de 2,3 m3 de madeira/ano (WACKERNAGEL e REES, 1996), então, foram utilizados ,70 ha/ano e a área anual requerida para a demanda de papel foi de 0,039 ha/pessoa. Segundo Leite e Viana (2003) a madeira está entre os insumos dos ecossistemas urbanos mais significativos em termos de quantidade e extensão da cadeia de impactos negativos, gerados pela sua extração e consumo. De acordo com dados do IBGE, o consumo médio de madeira serrada no Brasil no ano de 2010 é de 0,12 m3/pessoa/ano. Considerando o rendimento lenhoso de 2,3 m3/ha/ano para florestas tropicais (WACKERNAGEL e REES, 1996), a área bioprodutiva para atender a esta demanda é de 0,0521ha/pessoa. 4.3 Energia O consumo de energia elétrica no município de Ribeirão Preto no ano de 2008 foi de MWh segundo os dados do SEADE (Tabela 2). A partir do consumo total de energia da cidade num período de um ano, foi definida a quantidade média de consumo da cidade durante o período de 24 horas (160,18 MW) para dividir pela quantidade produzida 34 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

33 PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL por Itaipu (9,3 MW/ Km2) e assim obter a área utilizada na produção de energia para Ribeirão Preto, que foi 17,2243 Km². Transformando esta área em hectares têm-se 1722,43 ha o qual dividido pela população encontra-se a pegada de energia de 0,00285 ha/pessoa. 4.4 Combustível fóssil Os cálculos das emissões produzidas pela queima de combustíveis fósseis foram realizados de acordo com as informações fornecidas em Lisboa e Barros (2010). Foi considerado o consumo médio de combustível de um carro de 822,1 litros por ano. Considerando que cada litro de combustível libera 2,3 Kg de CO2, e que a frota total de veículos de Ribeirão Preto em 2011 era de , tem-se ,9 litros por ano e ,8 t de CO2 emitidos neste período. Como 1,8 t de CO2 emitido serão absorvidos por cada hectare de área verde, serão necessários ,43 hectares de área verde para absorção do CO2 emitido pela frota de veículos de Ribeirão Preto. É evidente que a área verde disponível na cidade de Ribeirão Preto não é suficiente para absorver o CO2 emitido pela frota de veículos. Dividindo-se esta área pela população urbana obtêm-se 0,6932 ha/ pessoa em relação ao consumo de combustíveis fósseis. ano. Dividindo esta área pela população obtêmse a pegada de 0,1676 ha/pessoa em relação aos resíduos sólidos domésticos. 4.7 Área Verde A partir dos dados obtidos no site da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, o município dispõe de 27m2/hab ou 0,0027ha/ hab. Por ser esta uma variável que representa a área de absorção de CO2, seu valor é negativo na soma da pegada total. 5. Resultados Os resultados obtidos pela metodologia aplicada revelam um valor de Pegada Ecológica para a cidade de Ribeirão Preto, SP de 2,42 hectares por pessoa para obtenção dos recursos consumidos (Tabela 4). A fração mais representativa no cálculo da Pegada Ecológica, como pode ser observado na figura 2, é referente ao consumo de alimentos. 4.5 Área Urbana Construída Para os cálculos para a determinação das áreas construídas foi considerado o valor per capita mundial de áreas construídas de 0,06 ha (WACKENARGEL et al. 1999). 4.6 Resíduos sólidos Para o cálculo da pegada dos resíduos sólidos foram utilizados dados da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto relativos à coleta de lixo doméstico, o qual corresponde a Kg/ dia ( ton/ano). Sabendo que cada 3 Kg de resíduos sólidos domésticos produzem 1 Kg de CO2, foram produzidos ,333 t de CO2 em um ano. Como cada hectare de área absorve 1,8 t de CO2, são necessários ,89 ha para absorção de todo o resíduo sólido doméstico produzido no Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 35

34 PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL Tabela 4: Estimativa da Pegada Ecológica de Ribeirão Preto, SP. Evidentemente, a área necessária para atender às necessidades de recursos energéticos, alimentar, moradia, resíduos sólidos, entre outros, é superior à área produtiva do município de Ribeirão Preto. Considerando que a área necessária para cada habitante do município é de 2,42 ha, a área necessária para a população urbana e rural gerar e absorver os recursos consumidos será de ,44 ha, valor 2,24 vezes maior do que a área do município de Ribeirão Preto ( ha). Estes resultados revelam a necessidade de políticas públicas voltadas à elaboração de programas de reflorestamento de áreas degradadas no município, incremento da arborização urbana, entre outras ações, como de reaproveitamento de resíduos da construção civil e ações de melhor eficiência no consumo de recursos. Os fatores que mais influenciam para esse alto valor encontrado é a dependência da importação de insumos e grande consumo de combustíveis fósseis pelos veículos automotivos. A Pegada Ecológica per capita de Ribeirão Preto assemelha-se à pegada do Brasil, 2,4 ha/pessoa, segundo o Living Planet report 2008 (HAILS, 2008). Estudo divulgado em outubro de 2008 pela organização internacional WWF aponta que a população brasileira já ultrapassou o que seria considerada uma Pegada Ecológica per capita máxima (área necessária para produzir os recursos que utilizamos e para absorver as emissões de carbono). Enquanto o valor calculado para garantir a sustentabilidade da população no planeta é de 2,1 hectares/ano por pessoa, a média brasileira é de 2,4 hectares/ano por pessoa. As cinco maiores pegadas per capita nacionais são dos Emirados Árabes (9,5 ha/ano/pessoa), dos Estados Unidos (9,4 ha/ano/pessoa), do Kwait (8,9 ha/ano/ pessoa), da Dinamarca (8 ha/ano/pessoa) e da Austrália (7,8 ha/ano/pessoa). As cinco menores pegadas ecológicas pertencem a Maláui (0,5 ha/ano/pessoa), ao Afeganistão (0,5 ha/ano/pessoa), ao Haiti (0,5 ha/ano/pessoa), ao Congo (0,5 36 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

35 PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL ha/ano/pessoa) e a Bangladesh (0,6 ha/ ano/pessoa). Figura 2: Gráfico com a distribuição das principais contribuições para a Pegada Ecológica da cidade de Ribeirão Preto, SP, no ano de Comparando-se com outras cidades, a Pegada Ecológica, como indicador, constituiu-se numa ferramenta útil para avaliar o grau de sustentabilidade da área urbana de Londrina. Em Londrina existem apenas 0,55 hectares por cada habitante da sua área urbana e, uma pegada de 1,03 ha, ou seja, existe um déficit de -0,48 de hectares na área urbana do município. Contudo, este déficit é compensado se tomada como base à pegada de toda a área de expansão urbana e não somente da área construída, pois é expressiva a parcela de área rural dentro da área de expansão urbana (LISBOA e BARROS, 2010). Já na cidade de Taguatinga, DF a Pegada Ecológica foi de 2,24 ha/pessoa, com um déficit ecológico de 2,22 ha/ pessoa (DIAS, 1999). Este autor estudou o metabolismo sócio-ecossistêmico urbano desta região analisando as contribuições dessa região para as mudanças climáticas ambientais globais. Foram considerados, no cálculo, os consumos de combustíveis fósseis (gasolina e GPL), energia elétrica, água, madeira, papel, alimentos (carne bovina) e produção de resíduos sólidos. Leite e Viana (2003) analisaram a magnitude da Pegada Ecológica per capita da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), Ceará, obtendo um valor de 2,94 ha/ pessoa no ano de Isto significa que naquele ano a população da RMF requereu ,80 ha de áreas naturais para atender às suas necessidades de alimentação, transporte, água e moradia para absorver seus resíduos sólidos. Propõe-se como perspectiva futura fazer uma avaliação da Pegada Ecológica intra-urbana a partir da interpretação de imagens de satélite delimitando o uso e ocupação do solo e elaboração de cartas temáticas como ferramenta de gestão para a cidade de Ribeirão Preto. Além desta complementação, pode também ser investigado o consumo per capita de recursos Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 37

36 florestais não energéticos como papel e madeira. Os autores também sugerem o cálculo da pegada hídrica para a cidade de Ribeirão Preto, com o objetivo de contribuir para a gestão dos recursos hídricos urbanos, o qual não foi incluído neste trabalho uma vez que a captação da água para abastecimento público é proveniente de poços e não captação de águas superficiais, como na literatura observada. PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL 38 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

37 PEGADA ECOLÓGICA DE RIBEIRÃO PRETO, SP: INSTRUMENTO PARA AVALIAÇÃO AMBIENTAL Referências DIAS, G. F. Estudo sobre o metabolismo sócio-ecossistêmico urbano da Região de Taguatinga - DF e as alterações ambientais globais. 179 p. Tese (Doutorado em Ecologia) Universidade de Brasília, Brasília, HAILS, C. Living Planet Report URL: planet_report_2008.pdf IBGE- Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. URL: default.php LEITE, A. M. F; VIANA, M. O. L. Pegada Ecológica: instrumento de análise do metabolismo do sócio-ecossistema urbano. V Encontro Nacional da ECOECO - Caxias do Sul (RS) Resumo completo. Mesa3/osorrio.pdf LISBOA, C. K.; BARROS, M. V. F. A Pegada Ecológica como instrumento de avaliação ambiental para a cidade de Londrina. Confins [Online], 8, URL : org/6395 O MEARA, M. Explorando uma nova visão para as cidades. Estado do mundo, VAN BELLEN, H. M. Indicadores de Sustentabilidade: uma análise comparativa.rio de Janeiro: Editora FGV, WACKERNAGEL, M.; REES,W. Our ecological footprint. The new catalyst bioregional series. Gabriola Island, B.C.: New Society Publishers, WACKERNAGEL, M.; ONISTO, L.; BELLO, P.; CALLEJAS, A. L.; FALFAN, I. S. L.; MEN- DEZ, J. G.; GUERRERO, A. I. S.; GUERRERO, M. G. S. National natural capital accounting with the ecological footprint concept. Ecological Economics. vol.29, n. 3, p , jun Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 39

38 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET Willian Cle Carvalho¹ Ricardo Adriano Martoni Pereira Gomes² 1. Resumo A utilização de materiais reciclados na construção civil pode se configurar como um importante canal de eliminação de resíduos urbanos que, de outra forma, seriam depositados em qualquer lugar, um fator inevitável que ocorre diariamente nas cidades brasileiras, agredindo o meio ambiente de maneira descontrolada. Um dos materiais mais descartados é o PET (Politereftalato de Etileno), com certa resistência que deve suportar altas pressões e temperaturas no envasamento e transporte de bebidas gaseificadas. A presente pesquisa procurou verificar a influência de diferentes tipos, teores e formatos de fibras PET nas propriedades mecânicas do concreto, melhorando o atrito entre os dois compósitos e observar seu comportamento e suas vantagens. Para desenvolvimento da pesquisa foram utilizados corpos de prova cilíndricos de concreto de cimento Portland e inseridas na mistura fibras PET. Diferentes formatos foram escolhidos a fim de estudar o atrito da fibra com o concreto e garantir que a resistência do PET influenciasse na resistência do concreto. Os corpos de prova foram submetidos então aos ensaios de compressão simples e compressão diametral, com as idades de cura de 07 e de 28 dias. Os resultados da utilização das fibras PET como agregado do concreto mostraram que a resistência não foi elevada, porém a sua utilização pode ser muito favorável quando aplicada em concretos cuja finalidade não exija alta resistência, como é o caso do concreto utilizado para a execução de meio-fio, blocos, pisos, mas que pode trazer vantagens tanto econômicas quanto ecológicas. Palavras-chave: Concreto, fibras, PET, resistência, meio ambiente. 1. Abstract The use of recycled material for building may be an important way to eliminate the urban trash that would be laid up somewhere in the city, that is everyday inevitable fact in many of Brazilian cities. One of the most discarded materials is PET (Polyethylene terephthalate), with can support high pressures and temperatures and commonly use to bottle carbonated drinks. The goal of our study was to observe the influence of different types, content and format of the PET fibers on the mechanic properties on the concrete, by the improvement the friction between the two components. The study was performed using cylindrical specimens composed of Portland cement mixed with PET fibers. Three different size of PET fiber were used in the study. The specimens underwent mechanical compression test seven and twenty eight days after the initial mixture of concrete and PET fibers. The results showed that the addiction of PET fibers to concrete do not increase the resistance. However the use of PET fibers would be advisable in situations that required no high resistance such as curb, blocs and floors, considering the economic and ecologic use of the PET fibers. Keywords: Concrete, fiber, PET, resistance, environment. 2. Introdução Um dos maiores problemas atuais ¹Aluno do curso de Engenharia Civil do Centro Universitário UniSEB- Ribeirão Preto. Bolsista PIBIC UNISEB. ²Docente e Coordenador do Curso de Engenharia Civil do Centro Universitário UniSEB- Ribeirão Preto. 40 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

39 é o destino dos resíduos gerados pelo ser humano. É fato que os espaços reservados para esse armazenamento, projetados ou não, estão a cada dia menores, e consequentemente o desequilíbrio nos ecossistemas e na biodiversidade, por conta da poluição e o desmatamento, tornam-se cada vez mais evidentes. Segundo GRIPPI (2001) o lixo é matéria-prima fora do lugar. A reciclagem do lixo gerado nas cidades, antes de tudo é uma questão cultural, e neste caso, se melhor encaminhado para reaproveitamento nos diversos setores de produção e construção contribui para gerar novos empregos, diminuir a degradação do meio ambiente, e na economia energética do processo industrial (ZANIN, 2001). O crescimento acelerado das cidades no Brasil vem gerando muito lixo, o que poderá se tornar um pesadelo para a humanidade se não reaproveitado ou encaminhado corretamente. Este cenário evidencia ainda mais a necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias e formas de produção, o que vem fazendo muitas instituições de ensino pesquisar alternativas conscientes, pois maior parte desse lixo é desnecessariamente depositada em aterros e lixões. Deve-se, portanto, reciclar e procurar adquirir produtos que possam gerar volumes menores nos aterros. O concreto pode ter em sua composição diversos materiais (dependendo onde será aplicado), e dentre eles vários tipos de fibras, metálicas, sintéticas ou até mesmo naturais. O que pode se observar nestes casos é a redução da retração plástica, aumento da tenacidade, ductibilidade, resistência ao impacto e um possível aumento da resistência à tração (MARANGON, 2004). Segundo Mapel, Barbosa & Azevedo (2007), o PET (polietileno tereftalato) é hoje uma das resinas mais utilizadas, seja na forma de material, ou como embalagem, por possuir excelentes propriedades como elevada resistência mecânica, térmica e química, ser reciclável. Foi descoberto em 1928, nos laboratórios da DuPont, porém somente em 1988 chegou ao Brasil, sendo utilizado primeiramente na indústria têxtil. Nesta pesquisa foi analisado o comportamento estrutural e mecânico do concreto quando adicionado em sua composição fibras provenientes de garrafas PET com formatos e preparos variados. Portanto, torna-se bastante atraente a possibilidade de melhorar as propriedades do concreto utilizando fibras de garrafas PET. Aliando assim, um benefício ambiental com a melhoria de um material importantíssimo nas obras de construção civil. 3. Materiais e Métodos 3.1 Revisão Bibliográfica A fase de revisão bibliográfica foi dividida em três etapas essenciais para a utilização de materiais alternativos na construção civil. A primeira etapa consiste na reciclagem do lixo e as construções sustentáveis e/ou ecológicas. O lixo produzido pelo ser humano ainda é um grande coadjuvante na deterioração do meio ambiente, ao lado dos gases estufa, e necessidade de criar novos locais para o seu armazenamento é limitada pela falta de espaços adequados. Diversos estudos sobre a substituição de agregados minerais convencionais em concreto de cimento Portland estão sendo realizados atualmente como alternativa na construção civil (MODRO, 2009). A Engenharia Civil é uma área que envolve volume extremamente grande de recursos naturais e consequentemente possui grande impacto ambiental, logo pode e deve apresentar potencial para o aproveitamento de resíduos industriais, minerários e agrícolas (MAIA, 2008). Ao lado das peles dos animais, os materiais de construção são a categoria mais antiga de materiais usados pelo homem para manter a sua subsistência e, de fato, o cimento Portland é o material de construção de mais extenso uso no mundo (MODRO apud ANÔNIMO, 2002). Porém o número de pesquisas realizadas ainda é baixo se comparado à quantidade de lixo produzido diariamente. Enquanto que a construção Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 41

40 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET sustentável/ecológica é uma alternativa já utilizada. A maioria dos materiais utilizados é de origem vegetal, como o bambu, utilizado pelo Homem desde a mais remota antiguidade, fibras sintéticas (polímeros e vidro), fibras metálicas, além da utilização de produtos mistos de gesso, madeira e isopor. Quanto à utilização de fibras sintéticas, as fibras mais utilizadas são a de poliéster e vidro. Sua função no concreto é de evitar o fissuramento causado pelo efeito de retração durante o período de cura do concreto. Outra opção de fibra, com função estrutural no concreto, é a fibra metálica. Exerce bom desempenho se aplicada de forma correta, mas seu custo ainda é um pouco elevado. Como visto, existem várias opções disponíveis no mercado de materiais alternativos para serem aplicados na construção civil, porém para sua utilização necessitam de certa industrialização e a maioria não é reciclável. Quando utilizados de forma correta proporcionam um bom conforto térmico e acústico, e bons resultados estéticos, além de que em alguns casos viabiliza economicamente parte da obra. Já na segunda etapa, o objetivo foi o estudo das propriedades e o traço do concreto. Buscava-se definir a quantidade de cada componente do concreto (cimento, água, agregado miúdo, agregado graúdo e/ ou aditivo) visando obter características de trabalhabilidade adequada, enquanto fresco, e de resistência e durabilidade, enquanto endurecido. A trabalhabilidade do concreto é avaliada pelo ensaio de abatimento do tronco de cone (Slump Test), enquanto a resistência em ensaios de ruptura à compressão. O traço pode ser em peso ou em volume, conforme se adote uma unidade de peso ou de volume para medir os componentes do concreto. Há mais precisão quando se adota o traço em peso, no entanto, na maioria das obras, é mais prático se trabalhar com o traço em volume. Por exemplo, o traço em peso 1:2:3 (x=0,5), corresponde a um concreto com 1 kg de cimento, 2 kg de areia, 3 kg de agregado e fator água/cimento igual a 0,5. O concreto só é considerado trabalhável quando apresenta consistência adequada à obra a que se destina (dimensões das peças, espaçamento e distribuição das armaduras) e ao método de lançamento, adensamento e acabamento empregado, sem apresentar segregação ou exsudação, podendo ser adequadamente compactado e envolvendo totalmente as armaduras. No ensaio de abatimento do tronco de cone (Slump Test) o concreto é colocado dentro de um cone de 30 cm, em 3 camadas, sendo cada uma delas compactada com 25 golpes de uma haste padrão. Após a compactação e arrasamento da superfície o molde troncocônico é retirado e o abatimento, ou a medida em mm, que houve em relação à altura original é o valor medido (NBR 7212, 1984). A resistência do concreto depende basicamente do fator água/cimento utilizado. A resistência varia de forma inversa com o fator água/cimento, ou seja, quanto mais seco for o concreto maior sua resistência. Segundo Abrams (1924) a resistência não era mais explicada pela simples interação entre os grãos dos agregados, como se pensava na época, mas sim pelo espaço a ser preenchido pelos produtos da hidratação do cimento. Abrams demonstrou pelo resultado de testes que, para um determinado cimento e conjunto de agregados, a resistência do concreto a uma certa idade é dependente essencialmente da relação água/cimento. Essa proporção é hoje conhecida como Lei de Abrams em função de sua importância e da extensão de sua validade. Em termos simples o que a Lei de Abrams diz é que a resistência do concreto é tanto menor quanto maior for a quantidade de água adicionada à mistura. Atualmente existem vários métodos para o estudo de dosagem do concreto, mas todos eles baseiam-se na Lei de Abrams quando se trata de encontrar a melhor proporção entre os materiais que resulte em um concreto com a resistência especificada em projeto. 42 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

41 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET 3.2 Moldagem dos Corpos de Prova Após o aprofundamento teórico deuse início a fase se moldagem dos corpos de prova. As fibras de garrafa PET foram preparadas com dimensões aproximadas de 1,5x10 cm e nos formatos desejados para estudo (Figura 1, Figura 2 e Figura 3). do formato no atrito, e consequentemente um aproveitamento da resistência do PET no concreto. Os corpos de prova foram moldados com o apoio da empresa Leão Engenharia S/A, que disponibilizou um concreto com resistência desejada e laboratório para parte dos testes. Foram moldados vinte corpos de prova, sendo cinco de concreto puro (como margem de estudo) e cinco corpos de prova para cada tipo de fibra. O concreto utilizado possuía resistência nominal a 15 MPa, e slump test de 10±2 cm. Sua dosagem para cada 1 Kg de cimento segue na tabela 1. Figura 1 Fibra lisa obtida a partir de garrafas PET. Figura 2 Fibra serrilhada obtida a partir de garrafas PET. Figura 3 Fibra ranhurada obtida a partir de tiras de engradados industriais. Lembrando que, os formatos de fibra foram escolhidos para o estudo da influência Tabela 1 - Dosagem do Concreto (Resistência Nominal 15 MPa w = 0%) Os corpos de prova possuíam dimensionamento de 20x10 cm, formato cilíndrico, e foram moldados conforme norma técnica vigente (NBR 6118). Para os corpos de prova com concreto puro a forma foi preenchida até a metade, daí o conteúdo recebeu doze golpes com haste padrão numa trajetória circular dentro da forma, e três golpes para assentamento e eliminação dos vazios. Posteriormente a forma foi preenchida até a superfície, novamente recebendo o mesmo número de golpes e acertado a superfície de modo a ficar plana. Já para os corpos de prova contendo fibras, antes da moldagem, o concreto foi processado junto com as fibras em betoneira por dois minutos. A dosagem de fibra adotada foi a de 1000 g/m³ de concreto. Para a moldagem, os corpos de prova foram submetidos ao mesmo processo citado anteriormente, sem desrespeitar a norma. Dois dias após a moldagem, os corpos de prova foram mergulhados em solução com certa dosagem de cal, por onde permaneceram para o processo de cura, conforme a figura 4. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 43

42 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET Figura 4 - Tanque com solução de cal. 2.3 Coleta e Apuração dos Resultados Após 07 dias, um corpo de prova de cada amostra de concreto foi retirado para o primeiro teste de compressão simples, realizado em prensa devidamente calibrada conforme figura 5 e obtendo-se os resultados expressos na tabela 2. Os resultados obtidos após 07 dias são satisfatórios, porém são realizados para controle, uma vez que o concreto ainda está úmido e nem todos os agregados adquiriram aderência ao cimento, fazendo com que sua resistência máxima só possa ser medida após o período de cura estar completo. Após 28 dias, tempo de cura completo do concreto, o restante dos corpos de prova foi retirado e submetido a novos testes. Com o apoio do Departamento de Geotecnia e o Departamento de Engenharia de Estruturas da Escola de Engenharia de São Carlos (USP), testes de compressão simples e compressão diametral foram realizados. O teste de compressão simples é o representante quase que global da qualidade do concreto, sendo mais sensível às variações intrínsecas de produção, e o mais fácil de ser quantificado. Para tanto foi utilizado um equipamento de compressão servo controlada com uma taxa de deslocamento de 0.3mm/min. e força máxima igual a 3000kN. (Conforme figura 6). Figura 6 - MTS 815 Rock Mechanics Test System e MTS 810 Material Test System. Figura 5 - Teste de compressão simples após 07 dias Para a realização dos ensaios de compressão simples os corpos de prova foram equipados com extensiômetros longitudinais e diametrais. (Figura 7). Tabela 2 - Resistência à compressão simples após 07 dias 44 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

43 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET Figura 9 - Gráfico tensão x deformação do concreto puro com comportamento pós-pico. Figura 7 - Corpo de prova equipado com extensiômetros longitudinal e diametral Após os corpos de prova serem submetidos ao ensaio de compressão simples (Figura 8), os gráficos de tensão x deformação (Figuras 9, 10, 11, 12 e 13) puderam ser elaborados. Figura 10 - Gráfico tensão x deformação do concreto composto por fibras lisas com comportamento pós-pico. Figura 8 Corpo de prova durante o ensaio de compressão simples (comportamento pós-pico). Figura 11 - Gráfico tensão x deformação do concreto composto por fibras serrilhadas com comportamento pós-pico. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 45

44 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET Figura 12 - Gráfico tensão x deformação do concreto composto por fibras ranhuradas com comportamento pós-pico. Figura 13 Gráfico de tensão x deformação comparando os três compósitos em relação ao concreto puro e seus respectivos comportamentos pós-pico. Os corpos de prova foram submetidos ainda ao ensaio de compressão diametral. Para este ensaio foi utilizado um equipamento cuja força máxima chega a 2000kN, e a taxa de carregamento igual a 0.94kN/s (Figura 14). O ensaio brasileiro de compressão diametral para determinação indireta da resistência à tração (RT) foi desenvolvido pelo Professor Lobo Carneiro para concreto-cimento (CARNEIRO, 1943). A aplicação de duas forças concentradas e diametralmente opostas de compressão em um cilindro gera, ao longo do diâmetro solicitado, tensões de tração uniformes perpendiculares a este diâmetro (Figura 15). Obteve-se a partir deste ensaio a tabela Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

45 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET Figura 14 Equipamento utilizado nos ensaios de compressão diametral - Autotest 2000 ELE. Figura 15 Detalhe do posicionamento do corpo de prova no ensaio de compressão diametral. formato, obtiveram valores de resistência à compressão simples inferiores aos valores da mistura de referência. A redução da resistência à compressão deve-se ao fato de que ao adicionar um material inerte na composição do concreto, há o aumento do volume vazios em seu interior, reduzindo a área de contato entre as partículas de cimento, areia e pedrisco. Tal redução também pôde ser observada nos ensaios de compressão diametral, onde a resistência das amostras compostas por fibras foi reduzida em aproximadamente 10%. Porém observou-se nas amostras compostas por fibras lisas e serrilhadas, um valor maior de tenacidade, ou seja, absorção de energia aplicada. Para os mesmos valores de tensão, as amostras compostas por fibras obtiveram uma deformação menor quando comparadas à amostra de referência. Enquanto que as amostras que continham fibras com ranhuras, o mesmo resultado não foi encontrado. Os dados obtidos a partir dos ensaios estavam dentro dos padrões definidos pela NBR 6118 para o Coeficiente de Poisson e Módulo de Elasticidade. Segundo Coró (2002), a alteração nas propriedades mecânicas, e a melhora do desempenho do concreto composto por Tabela 3 - Resistência à compressão diametral 3. Discussão dos Resultados Segundo Mheta e Monteiro (1994), a resistência à compressão não é a mais importante contribuição do reforço com fibras no concreto, isto pôde ser facilmente observado, pois todas as amostras reforçadas com fibras, independentemente do fibras PET estão associadas ao ponto de equilíbrio da relação cimento x agregado e a aderência da fibra ao concreto. A utilização de fibras de diversos tamanhos, aumentando a área de contato é um fator importante quando se trata de aderência em materiais de características diferentes, porém, neste caso, a variação dos comprimentos de fibra Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 47

46 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET não alterou significadamente a aderência do compósito ao concreto. Entretanto, se alterarmos o formato da fibra de maneira a encaixá-la no concreto, assim como barras de ferro utilizadas em concreto armado, a resistência característica do PET será mais bem aproveitada. 4. Conclusão e Considerações Finais É fato que a ausência de atrito entre qualquer material adicionado sem controle na composição do concreto fará com que a sua resistência seja reduzida. Embora o PET possua certa resistência para suportar altas pressões e temperaturas das bebidas gaseificadas, se adicionado aleatoriamente na construção civil não terá o mesmo desempenho. As fibras PET influenciaram nas propriedades mecânicas do concreto reduzindo sua resistência, no entanto aumentaram a sua tenacidade, fazendo com que o concreto composto tenha uma deformação menor para níveis de tensão abaixo da tensão máxima, tal propriedade pôde ser observada também no período pós-pico. Observou-se ainda que dentre as amostras experimentais, a que obteve valor superior de resistência, tanto à compressão quanto à tração indireta são aquelas em que a fibra possuía as extremidades serrilhadas, mostrando que quanto maior a superfície de contato que garanta o atrito entre a fibra e o concreto, maior será a resistência obtida. O concreto composto por este tipo de fibra mostrou também um valor maior de tenacidade e consequentemente diminuição da deformação em comparação a amostra de referência e as outras amostras estudadas. Pode-se concluir que embora os resultados da utilização das fibras PET como agregado do concreto, não tenha elevado a resistência do mesmo, a sua utilização pode ser muito favorável quando aplicada em concretos cuja finalidade não exija alta resistência, como é o caso do concreto utilizado para a execução de meio-fio, blocos, pisos, mas que pode trazer vantagens tanto econômicas quanto ecológicas. Com a finalidade de complementar a pesquisa, bem como dar continuidade a esta linha, sugere-se ainda desenvolver outras matrizes com traços diferentes, alterar a proporção fibra-concreto e utilizar as fibras que apresentaram melhor desempenho, avaliar o comportamento deste composto em relação à resistência ao fogo, desenvolver novos formatos para as fibras PET, preparando-as com frestas em seu interior, permitindo a passagem do concreto e melhorando ainda mais o atrito. 48 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

47 ANÁLISE DAS PROPRIEDADES MECÂNICAS DE CONCRETOS DE BAIXA RESISTÊNCIA ENRIQUECIDOS COM FIBRAS PET Referências ABEPET. Associação Brasileira dos Fabricantes de Embalagens PET. Disponível em: www. abepet.com.br. Acesso em: Março de ABRAMS, Duff A.; Design of Concrete Mixtures. Chicago: Lewis Institute, ANÔNIMO; Boletim Técnico 106: Guia básico de utilização de cimento Portland. 7ª Ed., São Paulo: ABCP Associação Brasileira de Cimento Portland, ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Execução de Concreto Dosado em Central - NBR 7212, Rio de Janeiro, ABNT, ABNT. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS; Projeto e Execução de Obras de Concreto Armado - NBR 6118, Rio de Janeiro, ABNT, CARNEIRO, F. L.; Um Novo Método para Determinação da Resistência à Tração dos Concretos. Comunicação, 5. Reunião Associação Brasileira de Normas Técnicas, Rio De Janeiro: Publ. Inst. Nac. Tecnol., CORÓ, Ângela G.; Investigação das propriedades mecânicas de concretos reforçados com fibras PET. Ijuí: UNIJUÍ, GRIPPI, Sidney. Lixo, reciclagem e sua história: guia para as prefeituras brasileiras / Sidney Grippi. Rio de Janeiro: Interciência, HIBELER, R. C. Resistência dos Materiais. 7ª Edição. São Paulo: Ed. Pearson Education, S/D. MAIA, J. L.; O uso de resíduos em sistemas cimentíceos Aplicação do método físico-químico para otimização de formulações. Rio de Janeiro: UFRJ, MARANGON, Ederli; Aspectos do comportamento e da degradação de matrizes de concreto de cimento Portland reforçados com fibras provenientes da reciclagem de garrafas PET. Ijuí: UNIJUÍ, MEHTA, P. K. & MONTEIRO, P. J. M. Concreto: Estrutura, propriedades e materiais. São Paulo: Pinni, MODRO, N. L. R.; Avaliação do Concreto de Cimento Portland contendo resíduos PET. Revista Matéria, Vol. 14, n. 01, PP , Rio de Janeiro, Programa de Pesquisa em Saneamento Básico. Metodologias e Técnicas de Minimização de Resíduos Sólidos Urbanos. Rio de Janeiro: ABS - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, p. il. SHACKELFORD, James F. Ciência dos Materiais. 6ª Edição. São Paulo: Ed. Pearson Education, S/D. SÜSSEKIND, J. C.; Curso de Concreto. Vol. 1. São Paulo: Ed. Globo, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 49

48 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO Ricardo Alexandre Carmanhan¹ Anderson Manzoli² 1.Resumo Os avanços da instrumentação eletrônica e da informática tem dado um novo dinamismo para a topografia moderna nos campos de aplicação da engenharia e áreas afins. Um dos resultados desse desenvolvimento foi o surgimento do Global Position System, o GPS, cujo conceito básico data de 1973 e foi projetado de forma que qualquer lugar do mundo e em qualquer momento exista um número mínimo de satélites para garantir a condição geométrica necessária à navegação em tempo real, e obtenção de coordenadas do lugar referido. Devido à demanda crescente de usuários e para facilitar a utilização do sistema há a necessidade de utilizar vértices reconhecidos pelo órgão responsável. Portanto, o objetivo principal deste trabalho é apresentar os procedimentos necessários para monumentalizar, medir, ajustar e requerer homologação de um marco geodésico no Centro Universitário UNISEB COC de Ribeirão Preto SP, cumprindo as atuais normas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que é o órgão gestor do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB). Espera se com isto contribuir com as comunidades estudantis e profissionais da área, pondo em prática as normas para implantação de vértices com coordenadas homologadas indispensável no desenvolvimento de projetos topográficos, georreferenciamento de imóveis rurais e urbanos, e trabalhos acadêmicos, entre outros. Palavras chave: Sistema Geodésico, georreferenciamento, coordenadas homologadas. 1. Abstract Advances in electronic instrumentation and information technology have given a new dynamic topography for the modern in the application fields of engineering and related areas. One result of this development was the emergence of Global Positioning System GPS, whose basic concept dates back to 1973 and was designed so that anywhere in the world and at any time there is a minimum number of satellites to ensure the geometric condition necessary for real-time navigation, and obtaining coordinates of the place mentioned. Due to increasing demand of users and to facilitate the use of the system is the vertices need to use recognized by the agency responsible. Therefore, the our main objective is to present the necessary procedures to monumentalize, measure, adjust and apply for approval of a station geodesic in the University Center UNISEB COC Ribeirao Preto - SP, fulfilling current standards of the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE), which is the managing agency of the Brazilian Geodetic System (SGB). Waiting with the communities that contribute to student and professional area, putting in place standards for deployment of vertices with coordinates essential in the development of approved ¹Bacharel em Engenharia Civil Centro Universitário UNISEB Ribeirão Preto. ²Docente do Curso de Engenharia Civil - Centro Universitário UNISEB Ribeirão Preto. 50 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

49 projects topographic, georeferencing of rural and urban properties, and academic papers, among others. Keywords: Geodetic System, georeferencing, coordinate approved. 2. Introdução Desde os primórdios da civilização o Homem tratou de demarcar sua posição e seu domínio. Os babilônios, os chineses, os gregos, os romanos e os árabes foram os povos que legaram instrumentos e processos que foram de extrema importância na descrição, delimitação e avaliação de propriedades tanto urbanas como rurais, com finalidades cadastrais. De lá pra cá foram muitos pensadores que contribuíram de maneira satisfatória para a evolução da topografia convencional à topografia moderna. Marino de Tiro (Século I), Claudio Ptolomeu ( d.c), Erastóstenes ( a. C), o hispânico árabe Azarquiel (Século XI), Jaume Ribes de Mallorca, foram alguns que contribuíram com seus conhecimentos para o desenvolvimento da ciência que é considerada uma das mais importantes da engenharia. Atualmente, com o desenvolvimento da instrumentação eletrônica e da informática que opera neste setor tem dado um novo dinamismo para a topografia moderna nos campos de aplicação da engenharia e áreas afins. Um dos resultados desse desenvolvimento foi o surgimento do GPS (Global Positioning System), cujo conceito básico data de 1973 e foi projetado de forma que qualquer lugar do mundo e em qualquer momento exista um número mínimo de satélites suficientes para garantir a condição geométrica necessária à navegação em tempo real, e obtenção de coordenadas do lugar referido. Devido à demanda crescente de usuários e para facilitar a utilização do sistema há a necessidade de utilizar vértices reconhecidos pelo órgão responsável e que estão incluídos na rede do Sistema Geodésico de cada nação. No Brasil, para realizar a homologação de um vértice e incluí-lo na rede do Sistema Geodésico Brasileiro (SGB) é necessário seguir procedimentos normatizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 2.1 Objetivos Para a homologação das coordenadas cujo objetivo é garantir a precisão e consequentemente a certificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística é necessário seguir as normativas impostas por esta instituição. Portanto, é de extrema importância pesquisar a norma vigente neste momento. Os vértices a serem homologados localizam se na cidade de Ribeirão Preto - SP, mais precisamente no campus do Centro Universitário UNISEB. O trabalho possui os seguintes objetivos específicos: Realizar uma revisão bibliográfica, mostrando os princípios envolvidos. Apresentar a metodologia empregada, baseada nas normas e procedimentos exigidos pelo órgão responsável pelo Sistema Geodésico Brasileiro, o IBGE. Acompanhar, registrar, descrever e apresentar todos os procedimentos realizados para definição do local, implantação e monumentalização dos vértices, observações dos cálculos das baselines e ajustes das coordenadas. Organizar e apresentar todo material para a diretoria de geociência do departamento de geodésica do IBGE. 3. Geodésia Aristóteles foi o primeiro homem a utilizar o termo geodésia. Esta palavra tem origem grega e pode significar tanto divisões geográficas da terra como também o ato de dividir a terra. Refere se do levantamento e da representação da forma e da superfície terrestre, global e parcial, com as suas feições naturais e artificiais e o campo gravitacional da Terra. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 51

50 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO Segundo Friedrich Robert Helmert (1880) geodésia é a ciência da medida e mapeamento da superfície da Terra, que é formada pelo seu campo da gravidade e das observações geodésicas está a ele referida. Para que seus objetivos sejam alcançados a geodésia utiliza diferentes tipos de operações, de onde surgiu a divisão: geodésia geométrica, geodésia física e geodésia por satélite. A geodésia geométrica faz operações geométricas sobre a superfície terrestre (medidas angulares e de distâncias). A geodésia física estuda e realiza medidas sobre o campo de gravidade da Terra ou direção e magnitude das forças que mantêm os corpos na superfície e atmosfera terrestre. Já a geodésia por satélite ou celeste utiliza técnicas espaciais de posicionamento, ou seja, estuda a determinação de posição de pontos na superfície da Terra através da utilização de satélites artificiais. 3.1 Geodésia Celeste: Breve Histórico Foi na década de 70, nos Estados Unidos da América que cientistas propuseram o projeto NAVSTAR GPS, um sistema que vinha a revolucionar praticamente todas as atividades que dependiam da determinação de posições. Porém, não era somente os Americanos que estavam interessados em dominar essa tecnologia. A antiga URSS desenvolveu um sistema parecido com o NAVSTAR GPS chamado de GLONAS (Global Orbitting Navigation Satellite System). Alguns anos depois, mais precisamente na década de 90, a Agência Espacial Européia anuncia o desenvolvimento do Galileo. Esse sistema encontra-se em desenvolvimento até os dias atuais sendo que o primeiro satélite foi lançado em De lá pra cá vários países estão desenvolvendo seus próprios projetos, como: Japão com o MSAS (MSAT Satellite based Augmentation System), Índia com o GAGAN (GPS Aided Geo Augmented Navigation ou GPS and GEO Augmented Navigation), a China com o sistema Beidou/Compas. Na 10ª Conferência de Navegação Aérea, a Associação Internacional de Aviação Civil (ICAO) reconheceu que a utilização desses sistemas de maneira integrada seria a fonte primária para a navegação aérea no século XXI e que essa integração passou a ser rotulada de GNSS (Global Navigattion Satellite System Sistema Global de Navegação por Satélite). O uso integrado desses sistemas também deverá revolucionar ainda mais todas as atividades que necessitam de posicionamento. 3.2 Sistema dos satélites e dos sinais NAVSTAR - GPS O objetivo principal desse sistema é determinar de forma instantânea a posição, velocidade e tempo de um usuário, em qualquer lugar na Terra, independentemente das condições atmosféricas, em um referencial global e homogêneo, com base em medidas e distâncias. Essas distâncias são denominadas pseudodistâncias, em razão do não sincronismo entre o relógio do usuário e o dos satélites, o qual comparece como uma incógnita adicional no problema a ser resolvido. Logo, cada equação de distância (pseudodistâncias) apresenta-se com quatro incógnitas (três posições e o erro do relógio do receptor), requerendo que, no mínimo, quatro satélites estejam disponíveis para a realização de medidas simultâneas pelos receptores (MONICO, 2008). Para a obtenção de posicionamento de melhor qualidade faz se também o uso das medidas de fase de batimento da onda portadora, as quais permitem obter posições com elevado nível de acurácia. O GPS é composto de três segmentos, que são: espacial, de controle e de usuários Segmento Espacial O Segmento espacial consiste de no mínimo de 24 satélites MEO (Medium Earth Orbits Satélites de Órbita Média) distribuídos em seis planos orbitais igualmente espaçados, com quatro satélites em cada plano, em uma altitude aproximada 52 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

51 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO de Km (MONICO, 2008). Os planos orbitais são inclinados 55º em relação ao Equador e o período orbital é de aproximadamente 12 horas siderais. Dessa maneira, a posição dos satélites se repete a cada dia, a cada quatro minutos antes em relação ao dia anterior. Com essa configuração a visibilidade de no mínimo quatro satélites em qualquer local da superfície terrestre e em qualquer hora fica garantida. Quatro tipos de satélites fizeram parte do projeto NAVSTAR GPS, são eles: Satélites Bloco I, II, IIA, e IIR. O Bloco I era composto por onze protótipos e todos eles foram lançados, sendo que o último satélite, denominado SVID 12, foi desativado no fim de Já os Blocos II e IIA ( A significa advanced ) são formados por 28 satélites, os quais se referem, respectivamente, à primeira e à segunda geração de satélites GPS (MONICO, 2008). Os equipamentos do Bloco IIA foram fabricados pela companhia Rockwell International, sendo que o primeiro satélite pesava mais de kg, com um custo estimado em 50 milhões de dólares americanos (HOFMANN WELLENHOF; LICHTENEGGER; COLLINS, 1997). Quando o sistema foi declarado operacional, em 27 de abril de 1995, todos os satélites pertenciam a esses dois blocos. Outros 22 satélites que compõe o Bloco IIR ( R refere se replenishment reabastecimento) estão substituindo os satélites do Bloco II e IIA. Essa nova geração possui duas vantagens que são a capacidade de medir distancias entre eles e calcular efemérides no próprio satélite, além de transmitir essas informações entre os satélites e pra o sistema de controle da Terra. Esses satélites foram fabricados pela companhia Lockheed Martin, seu peso é superior a kg, com custo estimado em 25 milhões de dólares americanos, aproximadamente a metade do custo de um satélite do bloco II. Os equipamentos responsáveis pela modernização do GPS formam a quarta geração de satélites e é denominado de Bloco IIF ( F refere se a Follow on continuação) e será composto por 33 satélites Sinais GPS e suas características Os satélites emitem sinais que são caracterizados por certo número de componentes todas baseadas numa frequência fundamental de 10,23 MHz. Essa frequência, quando multiplicada, respectivamente, por 154 e 120, formam duas ondas portadoras denominadas L1 e L2. Assim, as frequências (L) e os comprimentos de onda (λ) de L1 e L2 são: L1 = 1575,42 MHz e λ = 19 cm; L2 = 1227,60 MHz e λ = 24 cm; Essas frequências permitem corrigir grande parte dos efeitos provocados pela ionosfera. E em um futuro bem próximo, quando o Bloco IIF estiver em operação, uma terceira portadora estiver fazendo parte do sistema, a qual é designada L5, com frequência de 115*fo, ou seja, 1176,45 MHz (L5 = 1176,45 MHz e λ = 25,5 cm). Os códigos que formam o PRN são modulados, em fase, sobre as portadoras L1 e L2. Essa técnica permite realizar medidas de distâncias, a partir da medida do tempo de propagação da modulação (LEICK, 1995). Um PRN é uma sequência binária de +1 e -1, que parece ter característica aleatória. Trata se basicamente dos códigos C/A e P. O código C/A significa coarse acquisition e tem um comprimento de onda por volta de 300 m, é transmitido em uma razão de 1,023 MHz. Ele é modulado sobre a portadora L1, e é o código que os usuários civis utilizam para obter medidas de distâncias. Ele não é criptografado, mas pode ter sua precisão degradada. Já o código P significa precise or protected, ou seja, preciso ou protegido. É reservado para uso militar norte americano e usuários autorizados. É transmitido a uma frequência de 10,23 MHz, o que corresponde a uma sequência de 10,23 milhões de dígitos binários por segundo. Medidas resultantes dessa frequência são mais precisas em relação ao código C/A. Há também o código Y, que trata de uma versão segura do código P. O propósito desse código é evitar que inimigos consigam Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 53

52 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO fraudá-lo. Somente pessoas autorizadas têm acesso a sua estrutura. Com a modernização do GPS o código L2C entrou em cena e passou a ser modulado na portadora L2, visando reduzir os problemas advindos do código Y. Também já é sabido que em breve haverá uma nova portadora denominada L5 que modulará sobre ela um código 10 vezes mais longo eu o C/A, denominado L5C Formato e conteúdo da mensagem Os dados de navegação são modulados em ambas as portadoras, na razão de 50 bps, com duração de 30 segundos. Portanto, a duração de um bit é 20 ms. As informações contidas em uma mensagem perfazem um total de bits, denominado quadro de dados (data frame). Ele é dividido em 5 subquadros, de 6 segundos de duração (300 bits) cada um, contendo, cada um, dez palavras de 30 bits (MONICO, 2008). O conteúdo de cada subquadro é apresentado logo abaixo: Tabela 1 Conteúdo dos subquadros da mensagem de navegação - Fonte: MONICO, No quadro acima, há duas palavras importantes, TLM e HOW, elas referem se a telemetria. A palavra TLM é modificada quando há o envio de mensagens para os satélites. Já a palavra HOW é expresso em unidades de 1,5 segundo, contado a partir do início da semana GPS e com duração de uma semana. Ela contém um número, que multiplicado por 4, proporciona o ToW do próximo subquadro. Enquanto os dados do subquadros 1 a 3 não sejam renovados os dados dos mesmo repetem se nos quadro seguintes. Os subquadros 4 e 5, cada um com 25 páginas, contêm dados distintos em cada quadro. A obtenção do conteúdo completo dos subquadros 4 e 5 levará 12, 5 minutos, pois cada quadro tem duração de 30 segundos. A figura abaixo evidencia a estrutura de um quadro. 54 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

53 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO Figura 2 Estrutura de um quadro de mensagens GPS (WELLS et al., 1986). Os satélites contidos nos subquadros 4 e 5 fornecem informações úteis para calcular posições aproximadas dos satélites. Essas informações são mais simplificadas que as contidas nos subquadros 2 e 3, mas são essenciais para o planejamento de navegação com GPS ou trabalho de posicionamento. Como a duração da transmissão de 1 bit de mensagem é 20 ms, tem se que, durante esse intervalo de tempo, os códigos C/A (1,023 MHz) e P (10,23 MHz) se repetem 20 vezes, e o número de ocorrência de ciclos da portadora L1 é de (WELLS et al., 1986). Com a melhora frequente do GPS, essa estrutura deverá sofrer modificações. 3.3 Detecção de Perdas de Ciclo Quando o sinal é interrompido por algum motivo externo (fatores ambientais, artificiais, etc.) há a ocorrência da perda na contagem do número inteiro de ciclos medidos no receptor. Essa condição é chamada de cycle slip. As causas não estão restritas ao bloqueio do sinal, a aceleração da antena, variações bruscas na atmosfera, interferências de outras fontes de rádio, problemas com o receptor e software podem também resultar em perdas de ciclos. Na maioria das vezes é possível corrigir essa perda. Isso se dá através da localização do instante em que ocorreu o salto e sua dimensão. Esse processo é chamado de cycle slip fixing. Diversas técnicas têm sido desenvolvidas para esse fim. Boa descrição de algumas delas é apresentada em Hofmann Wellenhof; Lichtenegger; Collins (1997, p.208) e Leick (2004, p.223) (MONICO, 2008). Um método que é considerado viável e que apresenta bons resultados consiste na realização de cálculos preliminares com o algoritmo da tripla diferença de fase, que não é afetada por ocasionais perdas de ciclo. Nesse algoritmo, sempre que na observável entra uma leitura anterior à perda de ciclos e outra posterior, ocorre um resíduo grande indicando o local da perda. Os resíduos são de magnitude normal quando as observáveis são determinadas só com observações anteriores ou só com observações posteriores a perda de ciclos. A partir do momento em que é conhecido o instante que ocorreu a perda de ciclos, basta procurar qual satélite teve seus dados corrompidos. Para corrigir o efeito da perda de ciclos é ideal verificar quantos ciclos são necessários acrescentar ou subtrair na Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 55

54 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO última leitura ótima, para que o resíduo da tripla diferença de fase caia para um valor inferior a um ciclo. A detecção e a correção de perdas de ciclo estão intimamente ligadas com o problema de solução das ambiguidades. 4. Metodologia 4.1 Etapas que devem ser obedecidas Para homologação dos vértices, fazse necessário que sejam obedecidos critérios técnicos definidos pelo IBGE Diretoria de Geociências Coordenação de Geodésia. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O processo de homologação será realizado pelo processo de Posicionamento por Ponto Preciso ou Posicionamento Absoluto Preciso. Este processo basea se em um serviço on-line para o pós-processamento de dados GPS (Global Positioning System). Ele permite aos usuários de GPS, obterem coordenadas de boa precisão no Sistema de Referência Geocêntrico para as Américas (SIRGAS2000) e no International Terrestrial Reference Frame (ITRF). No posicionamento com GPS, o termo Posicionamento por Ponto Preciso normalmente refere-se à obtenção da posição de uma estação utilizando as observáveis fase da onda portadora coletadas por receptores de duas frequências e em conjunto com os produtos do IGS (International GPS Service). 4.2 Implantação e Monumentação Foram analisados diversos locais com potencial de receber os procedimentos necessários para oficializar os vertíces. Os locais analisados foram: Caixa d água das UNISEB: Com altura de aproximadamente 30(trinta) metros, laje superior feita de concreto e com uma vista ideal para diversos pontos na cidade de Ribeirão Preto. Parte superior do prédio do Centro Universitário UNISEB. Esquina do quarteirão onde se localiza o estacionamento do Centro Universitário UNISEB. ideal 4.3 Triagem e escolha do ponto Para iniciar as etapas de triagem foram realizadas visitas e análises técnicas dos locais com potenciais para receber os vértices. As dificuldades encontradas em cada uma foram: Caixa d água: Primeiro ponto que foi levado em consideração, mas foi eliminado, pois na parte superior de sua estrutura há uma proteção metálica que impede a captação dos sinais GPS impossibilitando as análises. Parte Superior do prédio da UNISEB: Esse local foi facilmente eliminado, pois sua estrutura não foi construída com uma laje maciça, isso impede a instalação de um vértice. Esquina do quarteirão: Das alternativas disponíveis, essa foi a melhor opção escolhida. Das características positivas pode se destacar o seu fácil acesso, e a facilidade de coleta de dados, pois não há construções próximas que impedem a captação do sinal GPS. A principal desvantagem é que ele não possui altitude suficiente para se ter uma visada ideal de toda a cidade, podendo assim, prejudicar determinados projetos que possam a ser feitos tomando como base os vértices. 4.4 Etapa Final: coleta de dados O local escolhido foi o terceiro ponto citado acima. Foi utilizado um par de GPS L1/L2 da marca LEICA. Os equipamentos ficaram nos pontos pré determinados durante duas sessões, sendo que cada sessão foi composta por 8 (oito) horas sem intervalos. Todos os dados foram salvos, processados e organizados seguindo rigorosamente os critérios para homologação de vértices por posicionamento por ponto preciso (PPP). 4.5 Resultados A partir dos dados coletados foi construído um arquivo tipo RINEX e enviado ao departamento de Geociência do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística para análise e aprovação. Segue abaixo a monografia final evidenciando as principais características dos vértices. 56 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

55 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO Figura 3: Monografia vértice COC 01 Figura 4: Monografia vértice COC 02 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 57

56 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO Foram utilizados 02 vértices (m01 e m02) para o georreferenciamento da(s) propriedade(s) através do Transporte de Coordenadas pelo método de posicionamento GNSS relativo estático (vértices de referência ao georreferenciamento do tipo C1). Para efetuar os cálculos do transporte de coordenadas foi utilizado o método de Posicionamento por Ponto Preciso-PPP do IBGE. a) Informações sobre o transporte de coordenadas: Tabela 2 Tempos de rastreio dos vetores Tabela 3 Informações sobre os equipamentos utilizados 5. Conclusão Conforme mostrado no decorrer deste trabalho, as dificuldades foram muitas. Um dos obstáculos foi ter que estudar outro local para a instalação dos marcos, uma vez que na caixa de água uma placa de metal que a envolve torna a inutilizada por GPS e estações totais, uma vez que impede a captação do sinal dos satélites. No mais, este trabalho atingiu seu objetivo de homologação dos marcos geodésicos, mostrando cada passo necessário para elaboração, organização e envio dos dados ao IBGE. Foi ainda além, pois cria condições para que outros alunos utilizem esses pontos para elaboração de diferentes projetos voltados à topografia, geoprocessamento, etc. 58 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

57 PROCESSO DE HOMOLOGAÇÃO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES DE APOIO BASE POR MEIO DE POSICIONAMENTO POR PONTO PRECISO Referências CANADIAN INSTITUTE OF SURVEYING AND MAPPING. Proceceedings of the Second International Symposium on Precise Positioning with the Global Positioning Sustem GPS 90. Ottawa. 3 a 7 7 de setembro de COSTA, S.M.a. e FORTES, I.P.S.. Ajustamento da Rede Planialtimétrica do Sistema Geodésico Brasileiro. XV Congresso Brasileiro de Cartografia. São Paulo. 28 de julho a 2 de agosto de FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Especificações e Normas Gerais para Levantamentos Geodésicos em Território Brasileiro. Rio de Janeiro. 01 de agosto de FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Padronização de Marcos Geodésicos. Norma de Serviço do Diretor de Geociências nº 029/88. Rio de Janeiro. 22 de setembro de FUNDAÇÃO INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Parâmetros para Transformação de Sistemas Geodésicos. RPR nº 23/89. Rio de Janeiro. 21 de fevereiro de MONICO, João Francisco Galera, 1956 Posicionamento pelo GNSS: descrição, fundamentos e aplicações. 2.ed. São Paulo: Editora UNESP, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 59

58 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS Rafael Mian¹ Caio de Paula Martins¹ Juliana Moraes Santos¹ Carla Paola Ferreira Felipe¹ Mayara Yamamoto¹ Rawane Karyn Oliveira Cardozo1 Cristiane Soncino Silva² Daniel Ferreira Moreira Lobato³ 1. Resumo Os efeitos da dominância de membros sobre o desempenho funcional ainda não está bem estabelecido e a sua correta compreensão é necessária para aprimorar a habilidade do clínico em avaliar as lesões no membro inferior, bem como a sua progressão, especialmente no âmbito esportivo. Deste modo, o presente estudo teve como objetivo avaliar a influência da dominância de membros sobre o desempenho em testes funcionais. Oito atletas recreacionais (20,70±2,19 anos; 75,90±15,3 kg; 1,73±0,07 m) foram avaliados em três testes funcionais: hop test (HP), sixmeter timed hop test (STHT) e square hop test (SHT). O teste t-student para amostras dependentes (α=5%) não evidenciou alteração significativa no desempenho entre os membros dominante e não-dominante, nos três testes funcionais: HT (p=0,27), STHT (p=0,70) e SHT (p=0,23). Deste modo, a dominância de membros inferiores parece não influenciar de forma decisiva o desempenho funcional de atletas. Palavras-chave Dominância de membros, desempenho funcional, testes funcionais. 1. Abstract The effects of limb dominance on functional performance are still unclear and this correct understanding is needed to improve the ability of the clinician to evaluate lower limb injuries and their progression, especially in the sports arena. Thus, this study proposed to investigate the influence of limb dominance on functional tests performance. Eight recreational athletes (20.70±2.19 years; 75.90±15.3 kg; 1.73±0.07 m) were evaluated by three functional tests: hop test (HT), six-meter timed hop test (STHT) and square hop test (SHT). The Student t-test for dependent samples (α=5%) revealed no difference between dominant and non-dominant limbs in the three functional tests performed: HT (p=0.27), STHT (p=0.70) and SHT (p=0.23). Thus, it seems that the limb dominance does not decisively influence the functional performance in athletes. Keywords Limb dominance, functional performance, functional tests. 2. Introdução A avaliação funcional do membro inferior após uma lesão é necessária para que o fisioterapeuta acompanhe e monitore efetivamente o processo de reabilitação (MCCURDY & LANGFORD, 2005). As avaliações de rotina clínica geralmente utilizam o desempenho do membro não ¹Discentes do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário UNISEB ²Professora Doutora do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário UNISEB ³Professor Mestre do Curso de Fisioterapia do Centro Universitário UNISEB 60 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

59 lesionado como uma referência para essa comparação. Contudo, questionase a viabilidade desse procedimento em virtude dos possíveis efeitos relacionados à dominância de membros (HOLFMAN et al., 1998). Neste sentido, a falha em considerar a existência de diferenças bilaterais relacionadas à dominância ou à lateralidade pode ser problemática em situações de teste em que um membro serve de controle para o outro. Alguns autores têm sugerido que as diferenças bilaterais entre membros podem representar uma forma de assimetria funcional, definida como uma discrepância consistente entre os membros dominante e não-dominante na realização de tarefas (SEELEY et al., 2008). Deste modo, esses autores apontam que as diferenças bilaterais podem afetar a habilidade individual durante a realização de tarefas unilaterais e bilaterais envolvendo descarga de peso corporal, o que pode aumentar o risco de lesões no membro inferior (HEWETT et al., GROUIOS, 2005) Contudo, os efeitos da dominância de membros sobre o desempenho funcional ainda não são muito claros. A maioria dos estudos consultados não verificou diferenças entre os membros dominante e não-dominante quanto à força muscular ou quanto ao desempenho em testes funcionais (LOBATO et al., 2011; MCCURDY & LANGFORD, 2005; MASUDA et al., 2003; PETSCHNIG et al., 1998; GREENBERGER & PATERNO, 1995; HAGEMAN et al., 1988). Controversamente, estudos epidemiológicos têm evidenciado que não apenas os desequilíbrios de força existem, mas que eles podem resultar em um aumento no risco de lesões para atletas que apresentem diferenças bilaterais superiores a 10% (KNAPIK et al., 1991). Uma provável razão para a inconsistência entre os resultados dos estudos experimentais e epidemiológicos ocorre em função do fato de que a maioria desses estudos avaliou o desempenho dos membros inferiores apenas considerando a função muscular concêntrica ou isométrica. Sabe-se que a maioria das atividades esportivas apresenta uma grande demanda de ação muscular excêntrica, caracterizada por forças de aceleração e desaceleração de alta intensidade, e que esta ação está diretamente relacionada ao controle de movimentos articulares excessivos, que representam um dos principais fatores para as lesões esportivas (GUSTAVSSON et al., 2006). Contudo, até o momento menor atenção foi destinada ao estudo desse tipo de ação muscular. Além disso, a comparação de déficits bilaterais no desempenho funcional pode apresentar um papel crucial para o fisioterapeuta dada à aproximação desses testes com os gestuais esportivos. Saltos em distância ou que ocorrem em função do tempo são comumente utilizados para avaliar a função do joelho em pacientes com lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) e são designados a refletir a demanda de uma atividade física de alto nível (PETSCHNIG et al., 1998; WILK et al., 1994; NOYES et al., 1991; BARBER et al., 1990). Portanto, supõe-se que pesquisas sobre esse assunto fornecerão melhor suporte às avaliações prévias à participação de um atleta em atividades de alta intensidade, ou ainda em períodos de pré-temporada, com o objetivo de detectar assimetrias funcionais, direcionar intervenções voltadas à correção desses déficits e, conseqüentemente, reduzir os riscos de lesão (MCCURDY & LANGFORD, 2005; ROSS et al., 2004). Considera-se que uma correta compreensão dos efeitos da dominância de membros sobre o desempenho funcional permitirá ao clínico aprimorar as suas habilidades em avaliar as lesões do membro inferior e sua progressão, especialmente no âmbito esportivo. Deste modo, este estudo teve por objetivo investigar a influência da dominância de membros sobre o desempenho dos membros inferiores de atletas amadores em testes funcionais. 3. Metodologia Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 61

60 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS 3.1 Sujeitos Oito atletas amadores recreacionais (20,75±2,19 anos; 75,90±15,35 kg; 1,73±0,07 m), de ambos os gêneros (sendo 5 homens e 3 mulheres), com idade entre 19 e 25 anos, participaram do presente estudo. Um atleta recreacional foi considerado como aquele praticante de atividades físicas regulares com uma freqüência mínima de 3 vezes por semana, no mínimo de 30 minutos por sessão (HEINERT et al., 2008). Foram considerados como critérios de exclusão: a) idade inferior a 18 anos e superior a 26 anos; b) condição de sedentarismo ou de prática de atividade física em nível inferior ao utilizado para classificar os atletas como recreacionais; c) presença de dores ou disfunções relacionadas aos complexos articulares do membro inferior; d) existência de cirurgias prévias no membro inferior e e) presença de disfunções cárdio-respiratórias que limitassem a realização da atividade. Todos os voluntários assinaram um termo de consentimento previamente à participação no estudo, sendo a pesquisa previamente aprovada pelo Comitê de Ética institucional. 3.2 Procedimentos Os voluntários foram submetidos a uma avaliação inicial para a coleta de dados clínicos e físicos, bem como para a verificação dos critérios de inclusão e exclusão no estudo. A dominância de membros foi determinada perguntando aos atletas qual o membro que eles utilizam para chutar uma bola na máxima distância possível (HAGEMAN et al., 1998). O membro inferior direito foi o dominante em seis atletas (75 %). Por fim, foi sorteado qual membro (dominante ou nãodominante) seria primeiramente submetido aos testes funcionais, bem como a ordem de avaliação dos testes, para cada voluntário. O desempenho funcional foi avaliado por meio de três testes de ampla utilização clínica para a avaliação do membro inferior: hop test, six-meter timed hop test e square hop test. Os sujeitos receberam uma breve explicação sobre os testes funcionais e assistiram a uma demonstração de realização dos mesmos. Em seguida, foram submetidos a uma familiarização com cada teste, para garantir a adequada compreensão das ações requeridas e dos procedimentos envolvidos. Além disso, esse procedimento consistiu em uma medida de aquecimento específico para cada tarefa a ser realizada. Para a realização do hop test (HT), os atletas foram instruídos a permanecer em apoio simples imediatamente atrás de uma marcação inicial. Com os membros superiores livres ao lado do corpo, os atletas deveriam saltar a máxima distância horizontal possível, aterrissando unicamente sobre o membro inferior que realizou o salto (Figura 1), com a medida de distância saltada (em centímetros) sendo registrada pelos examinadores por meio de uma fita métrica comum. O teste foi executado em três tentativas válidas, sendo a média dos resultados obtidos utilizada para a análise dos dados. Os critérios para considerar uma tentativa válida foram a manutenção do equilíbrio em apoio unipodal, sobre o membro inferior que realizou o salto, por um período mínimo de 2 segundos sem a perda de equilíbrio, sem tocar com a extremidade inferior contralateral ou com a extremidade superior no solo, ou ainda sem realizar um salto adicional durante a aterrissagem. Foi respeitado um intervalo de repouso de 30 segundos entre cada tentativa. O mesmo protocolo foi repetido para o membro contralateral. Figura 1 Realização do hop test com o membro inferior direito Para a realização do six-meter timed hop test (STHT), os atletas foram instruídos a permanecer em apoio simples imediatamente atrás de uma marcação inicial. Com os membros superiores livres ao lado do corpo, 62 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

61 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS os atletas deveriam percorrer uma distância de seis metros (demarcada no local do exame por cones) saltando na máxima velocidade possível e sem desacelerar ao longo do teste (Figura 2), com a medida de tempo decorrido (em segundos e centésimos de segundo) sendo registrada pelos examinadores por meio de um cronômetro digital. O teste foi executado em três tentativas válidas, sendo a média dos resultados obtidos utilizada para a análise dos dados. Os critérios para considerar uma tentativa válida foram a manutenção do equilíbrio ao longo da atividade, sobre o membro inferior que realizou os saltos, sem tocar com a extremidade inferior contralateral ou com a extremidade superior no solo, bem como a manutenção de um estado de aceleração máxima ao longo do teste. Foi respeitado um intervalo de repouso de 60 segundos entre cada tentativa. O mesmo protocolo foi repetido para o membro contralateral. e para fora desse quadrado (em sentido antihorário para o membro inferior direito e em sentido horário para o membro inferior esquerdo), da forma mais rápida e precisa possível (Figura 3), durante o período de 30 segundos, registrados por cronômetro. O examinador observava a realização do teste e considerava o número de saltos realizados com aterrissagem do pé inteiramente dentro da marcação em quadrado. O teste foi executado em três tentativas válidas, sendo a média dos resultados obtidos utilizada para a análise dos dados. Os critérios para considerar uma tentativa válida foram a manutenção do equilíbrio ao longo da atividade, sobre o membro inferior em avaliação, sem tocar com a extremidade inferior contralateral ou com a extremidade superior no solo. Foi respeitado um intervalo de repouso de 60 segundos entre cada tentativa. O mesmo protocolo foi repetido para o membro contralateral. Figura 2 Realização do six-meter timed hop test com o membro inferior direito Para a realização do square hop test (SHT), os atletas foram instruídos a permanecer em apoio simples imediatamente atrás de uma marcação em forma de quadrado (44 cm X 44 cm). Com os membros superiores livres ao lado do corpo, os atletas deveriam saltar para dentro Figura 3 Realização do square hop test com o membro inferior direito 3.3 Análise dos dados Os dados de desempenho funcional foram analisados por meio do software STATISTICA 5.0 for Windows (StatSoft, Inc, Tulsa, USA). O teste de Kolmogorov- Smirnov foi utilizado para testar a normalidade dos conjuntos de dados e, uma vez tais critérios foram satisfeitos, utilizou- Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 63

62 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS se o teste t-student para amostras dependentes para a comparação do desempenho funcional entre os membros dominante e nãodominante, considerando um nível de significância de 5%. 4. Resultados Não houve diferença significativa entre o desempenho funcional dos membros dominante e não-dominante em qualquer um dos testes funcionais realizados: HT (p=0,27), STHT (p=0,70) e SHT (p=0,23), embora tenha sido observado um melhor desempenho para o membro dominante no HT (membro dominante= 1,78±0,48 m; membro não-dominante= 1,75±0,45 m) Figura 4 e do membro não-dominante no STHT (membro dominante= 2,20±0,48 seg; membro não-dominante= 2,15±0,39 seg) Figura 5 e no SHT (membro dominante= 16,96±7,80 saltos; membro não-dominante= 18,50±6,56 saltos) Figura Discussão Este estudo preliminar surgiu da necessidade em descrever e comparar as diferenças no desempenho funcional entre os membros dominante e nãodominante em atletas. Neste contexto, nenhuma diferença significativa foi encontrada, o que concorda direta (CAFFREY et al., 2009; PETSCHNIG et al., 1998; BARBER et al., 1990) e indiretamente (LOBATO et al., 2011; MCCURDY & LANGFORD, 2005; MASUDA et al., 2003; PETSCHNIG et al., 1998; GREENBERGER & PATERNO, 1995; HAGEMAN et al., 1988) com alguns estudos, porém discorda indiretamente de outros (KONG & BURNS, 2010; ROSS et al., 2004; KELLIS et al., 2001). Greenberger & Paterno (1995) avaliaram o torque concêntrico extensor do joelho Figura 4 Média e desvio-padrão do desempenho funcional (em metros) do membro dominante (MDOM) e não-dominante (MNDOM) no hop test (n=08). Figura 5 Média e desvio-padrão do desempenho funcional (em segundos) do membro dominante (MDOM) e não-dominante (MNDOM) no six-meter timed hop test (n=08). Figura 6 Média e desvio-padrão do desempenho funcional (em saltos) do membro dominante (MDOM) e não-dominante (MNDOM) no square hop test (n=08). 64 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

63 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS a 240º/s e não verificaram diferenças significativas entre a força dos membros dominante e não-dominante, enquanto Hageman et al. (1988) não evidenciaram diferenças significativas nos valores de torque entre os membros dominante e nãodominante durante atividades concêntricas e excêntricas. Além disso, McCurdy & Langford (2005) não encontraram diferenças entre membros dominante e não-dominante na carga utilizada durante o exercício de agachamento unipodal, tanto em homens quanto em mulheres. Ainda, outros estudos (MASUDA et al., 2003; COSTAIN & WILLIAMS, 1984) não encontraram diferenças bilaterais significativas em jogadores de futebol. Em conjunto, esses estudos indicam desempenho similar entre os membros dominante e não-dominante, tanto para atividades realizadas em cadeia cinética aberta quanto em cadeia cinética fechada. Contudo, resultados contrários foram verificados outros estudos, que identificaram maior força no membro dominante de adultos jovens (ROSS et al., 2004) e em jogadores de futebol (KELLIS et al., 2001). Ainda, Kong & Burns (2010) evidenciaram que o pico de torque isométrico e isocinético dos isquiotibiais a 300º/s foi maior no membro dominante. Assim, esses estudos indicam melhor desempenho do membro dominante em relação ao não-dominante, o que não foi verificado pelo presente estudo. Uma possível fonte de diferenças entre os resultados dos estudos supracitados pode ocorrer em função do perfil da amostra utilizada. No presente estudo, foram avaliados atletas amadores em nível recreacional. Neste caso, parece haver um ambiente menos favorável ao desenvolvimento de assimetrias funcionais, uma vez que o trabalho requerido para a maioria das atividades do dia a dia é usualmente bilateral e que o tempo de exposição à prática esportiva desses voluntários pode ser insuficiente para a instalação de diferenças significativas entre o desempenho dos membros dominante e nãodominante. Observa-se que, embora haja diferenças entre os estudos supracitados quanto aos músculos testados, a ação muscular estudada, a velocidade e o tipo de exercício utilizado nos testes, a forma de familiarização dos sujeitos, o tempo de repouso, as variáveis mensuradas e o perfil da amostra avaliada, considera-se que as comparações entre membros continuam sendo de importante indicação, uma vez que os métodos utilizados para avaliar um dos membros, em cada estudo, foram idênticos àqueles utilizados para avaliar o membro contralateral. É importante mencionar que, apesar da importância das medidas de força como uma forma de avaliar se e como a fraqueza muscular pode afetar o recrutamento de unidades motoras, uma avaliação funcional parece necessária para oferecer maiores detalhes sobre o desempenho muscular, uma vez que simula situações que são comuns às atividades esportivas. Neste sentido, os resultados do presente estudo concordam com outros autores (CAFFREY et al., 2009; PETSCHNIG et al., 1998; BARBER et al., 1990). Petschnig et al. (1998) não verificaram diferenças significativas entre os membros dominante e não-dominante no salto vertical em uma perna (one-leg vertical jump), no hop test e no triple hop test, enquanto Barber et al. (1990) não revelaram assimetrias funcionais em cinco testes funcionais utilizados. Com resultados de mesma tendência, Caffrey et al. (2009) sugerem que a dominância de membros não representa um papel relevante no desempenho funcional. Deste modo, os resultados do presente estudo sugerem a existência de uma simetria funcional entre os membros inferiores em atletas amadores, e que a dominância de membros parece não ter efeito sobre essa condição. Esses resultados são úteis na medida em que fornecem informações adicionais sobre o desempenho funcional de atletas, considerando os aspectos relacionados à dominância de membros e, ao mesmo tempo, são necessários ao conhecimento do fisioterapeuta devido ao amplo uso desses testes no ambiente clínico, tanto para avaliação, quanto para a reabilitação de atletas. Clinicamente, outro aspecto que parece relevante diz respeito à possibilidade de eliminação de escores pré-teste como medida de linha de base ou o uso de um grupo controle externo (VAN CINGEL et al., 2006), uma vez que o membro não lesionado Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 65

64 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS poderia ser utilizado para comparação, independente dos efeitos de dominância, desde que os indivíduos não realizem atividade assimétrica repetitiva. Após uma lesão, os sujeitos tendem a mudar a sua preferência de membros inferiores, com ou sem uma mudança funcional de dominância associada. Esta é outra relação em que as informações a respeito das adaptações fisiológicas frente a uma lesão podem ser benéficas para o clínico (HOFFMAN et al., 1998). Quando uma grande assimetria estiver presente, ela pode ocorrer em função de uma lesão aguda ou crônica e não devido à dominância de membros. Este estudo apresenta algumas limitações. Primeiramente, a amostra utilizada foi de conveniência. Como conseqüência, ela pode ser mais saudável do que a população em geral e menos condicionada do que uma população de atletas de elite. Desta forma, esses resultados devem ser analisados com cautela, e não devem ser aplicados a pacientes ou atletas de elite. Além disso, em virtude do reduzido tamanho amostral, esses resultados não podem ser generalizados dentro da população de atletas recreacionais. Por fim, uma consideração em especial deve ser realizada em relação ao método utilizado para classificar a dominância de membros. Os voluntários foram instruídos a indicar com qual perna eles preferencialmente chutariam uma bola, e o membro reportado para o chute foi considerado como o dominante. Contudo, existe a possibilidade de que este membro não represente aquele mais utilizado em tarefas que não envolvam o chute, tais como o salto e a aterrissagem. Enquanto a assimetria funcional em membros superiores parece óbvia, existem diversos testes para avaliar a dominância de membros inferiores. Estas tarefas incluem chutar uma bola, subir degraus de uma escada, e acompanhar com os pés o ritmo de uma melodia, por exemplo. Nestas atividades, o membro não-dominante é geralmente utilizado como suporte de peso corporal, enquanto o membro dominante provê a propulsão para realizar tarefas mais complexas (SEELEY et al., 2008). Uma vez que não há critério claro para validar as medidas adotadas no presente estudo, a seleção de procedimentos para classificar a dominância de membros deve ser guiada por predileção pessoal. Conseqüentemente, um estudo tem variado em relação ao outro na forma de avaliar a dominância de membros inferiores, tornando difícil determinar se as diferenças de resultados encontradas entre os estudos são significativas ou simplesmente conseqüência de uma variação metodológica. Deste modo, os resultados controversos entre os estudos consultados podem ser decorrentes de diferentes desenhos experimentais, bem como do modo de determinação da dominância de membros. Por fim, fatores de cunho psicológico, como o estado de motivação dos voluntários para a execução dos testes e o fenômeno da habituação com os mesmos, sempre devem ser considerados como relevantes ao se avaliar o desempenho muscular. Entretanto, a padronização do comando verbal, a utilização de apenas um examinador para conduzir cada avaliação, bem como a devida familiarização dos voluntários com todas as etapas do teste foram adotadas como estratégias experimentais para reduzir a possibilidade de interferência desses fatores. 6. Conclusão O presente estudo verificou que a dominância de membros parece não alterar de forma significativa o desempenho funcional do membro inferior. Entretanto, destaca-se o seu caráter ainda preliminar que, associado a uma amostra de maior representatividade e ao estudo de outras variáveis do desempenho muscular, poderá levar a resultados mais conclusivos sobre este tema. 66 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

65 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS Referências BARBER SD, NOYES FR, MANGINE RE, MCCLOSKEY JW, HARTMAN W. Quantitative assessment of functional limitations in normal and ACL deficient knees. Clin. Orthop. 1990; 255: CAFFREY E, DOCHERTY CL, SCHRADER J, KLOSSNER J. The ability of 4 single-limb hopping tests to detect functional performance deficits in individuals with functional ankle instability. J. Orthop. Sports Phys. Ther. 2009; 39: COSTAIN R, WILLIAMS AK. Isokinetic quadriceps and hamstring torque levels of adolescent, female soccer players. J. Orthop. Sports Phys. Ther. 1984; 5: GREENBERGER HB, PATERNO MV. Relationship of knee extensor strength and hopping test performance in the assessment of lower extremity function. J. Orthop. Sports Phys. Ther. 1995; 22: GROUIOS G. Footedness as a potential factor that contributes to the causation of corn and callus formation in lower extremities of physically active individuals. The Foot. 2005; 15: GUSTAVSSON A, NEETER C, THOMEÉ P, SILBERNAGEL KG, AUGUSTSSON J, THOMEÉ R, KARLSSON J. A test battery for evaluating hop performance in patients with an ACL injury and patients who have undergone ACL reconstruction. Knee Surg. Sports Traumatol. Arthrosc. 2006; 14: HAGEMAN P, GILLASPIE D, HILL L. Effects of speed and limb dominance on eccentric and concentric isokinetic testing of the knee. J. Orthop. Sports Phys. Ther. 1988; 10: HEINERT BL, KERNOZEK TW, GREANY JF, FATER DC. Hip abductor weakness and lower extremity kinematics during running. J. Sport Rehabil. 2008; 17(3): HEWETT TE, MYER GD, FORD KR. Prevention of anterior cruciate ligament injuries. Curr. Wom. Health Rep. 2001; 1: HOFFMAN M, SCHRADER J, APPLEGATE T, KOCEJA D. Unilateral postural control of the functionally dominant and nondominant extremities of healthy subjects. J. Athl. Train. 1998; 33: KNAPIK JJ, BAUMAN CL, JONES BH, HARRIS JM, VAUGHAN L. Preseason strength and flexibility imbalances associated with athletic injuries in female collegiate athletes. Am. J. Sports Med. 1991; 19: LOBATO DFM, SILVA CS, SANTOS JM, LOPES LO. Efeito do alongamento muscular agudo sobre a força de preensão manual um estudo preliminar. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica / Centro Universitário UNISEB COC. 2011; 2: MASUDA K, KIKUHARA N, TAKAHASHI H, YAMANAKA K. The relationship between crosssectional area and strength in various isokinetic movements among soccer players. J. Sports Sci. 2003; 21: Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 67

66 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS McCURDY K, LANGFORD G. Comparison of unilateral squat strength between dominant and non-dominant leg in men and women. J. Sports Sci. Med. 2005; 4: NOYES FR, BARBER SD, MANGINE RE. Abnormal lower limb symmetry determined by functional hop test after anterior cruciate ligament rupture. Am. J. Sports Med. 1991; 19: PETSCHNIG R, BARON R, ALBRECHT M. The relationship between isokinetic quadriceps strength test and hop tests for distance and one-legged vertical jump test following anterior cruciate ligament reconstruction. J. Orthop. Sports Phys. Ther. 1998; 28: ROSS S, GUSKIEWICZ K, PRENTICE W, SCHNEIDER R, YU B. Comparison of biomechanical factors between the kicking and stance limbs. J. Sport Rehabil. 2004; 13: SEELEY MK, UMBERGER BR, SHAPIRO R. A test of the functional asymmetry hypothesis in walking. Gait & Posture. 2008; 28:24-8. VAN CINGEL REH, KLEINRENSINK G, UITTERLINDEN EJ, ROOIJENS PPGM, MULDER PGH, AUFDEMKAMP G et al. Repeated ankle sprains and delayed neuromuscular response: acceleration time parameters. J. Orthop. Sports Phys. Ther. 2006; 36:72-9. WILK KE, ROMANIELLO WT, SOSCIA SM, ARRIGO CA, ANDREWS JR. The relationship between subjective knee scores, isokinetic testing, and functional testing in the ACL-reconstructed knee. J. Orthop. Sports Phys. Ther. 1994; 20: Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

67 EFEITO DA DOMINÂNCIA DE MEMBROS SOBRE O DESEMPENHO DOS MEMBROS INFERIORES DE ATLETAS EM TESTES FUNCIONAIS Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 69

68 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS Naiara Fernandes Oliveira 1 Pedro Pinheiro Paes 2 1. Resumo A presente revisão teve como objetivo analisar os artigos de 2000 a 2010 reunindo informações mais recentes sobre o nível de atividade física em adolescentes, a partir da análise investigativa dos métodos e resultados obtidos. Foram analisados onze artigos brasileiros, seis da região sul, dois da região sudeste, dois da região nordeste e um que analisou todas as capitais brasileiras. Para a selecão dos artigos foram utilizadas as bases de dados eletrônicas: Google Acadêmico, Scielo e Bireme. Os métodos, em geral, analisaram atividades auto-referidas moderadas e vigorosas nos sete dias anteriores ao estudo. Havendo estudos que se preocupam mais com o tempo e outros com a intensidade. A média de inatividade física obtida foi de 67,4% nos 11 artigos, sendo maior na região nordeste com 88,3% e menor na região sul com 59,5% de inatividade física. Observou-se que todas as referências pesquisadas indicam que é necessário um maior número de investigações científicas para a conscientização dos adolescentes sobre os benefícios da atividade física e os prejuízos à saúde e à qualidade de vida advindos do sedentarismo. Palavras-chave: Adolescentes; Atividade Física; Inatividade Física. 1. Abstract This review aimed to analyze the articles of 2000 to 2010 gathering the latest informations about the level of physical activity in adolescents from the investigative analysis of the methods and results. It were analyzed eleven Brazilian articles, six of the region south, two of the Southeast region, two of the northeast and a which analyzed all Brazilian capitals. For the selection of articles were used databases Electronic: Google Scholar, Scielo and Bireme. The methods in general, analyzed self-reported activities moderate and vigorous in the seven days preceding the study. Some studies were more concerned with time and others with the intensity. The average physical inactivity obtained was 67.4% in 11 articles, being higher in the region northeast with 88.3% and lowest in the southern region with 59.5% of physical inactivity. It was observed that all references surveyed indicate that is necessary a greater number of scientific researchs to raise awareness of adolescents about the benefits of physical activity and damage to health and quality of life arising by sedentary lifestyle. Keywords: Adolescents, Physical Activity, Physical Inactivity. 2. Introdução Com o aumento da tecnologia e da ciência nos últimos séculos, recebemos uma série de benefícios e facilidades; facilidades tais que imitam o movimento humano, ou simplesmente o tiram, como forma de economia de esforços. Num simples click no controle remoto, ou digitar no teclado do computador ou celular; nos jogos que não são mais na rua, mas em frente ao computador ou internet, vemos também o mal que essa ¹ Acadêmica do Curso de Educação Física do Centro Universitário UNISEB. Endereço eletrônico: ² Prof. Orientador, Dr. em Ciências da Saúde EERP/USP, Coordenador e docente do curso de Educação Física do Centro Universitário UNISEB. 70 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

69 tecnologia nos trouxe. Como resultado dessas facilidades temos o sedentarismo, a obesidade, as doenças relacionadas, os hábitos alimentares incorretos, entre outros. Muitos por causa do trabalho não têm tempo para preparar a sua alimentação, e acabam comprando comidas rápidas e práticas, que na maioria das vezes excedem a quantidade de calorias para uma refeição (NUNES et al., 2007). A atividade física faz bem em todas as idades, ajuda a prevenir doenças, ajuda no raciocínio, na saúde mental (ANTUNES et al., 2006), e ainda contribui para uma melhora física, entre outros. A prática de atividade física na adolescência pode ser um estímulo a continuar na vida adulta (AZEVEDO et al., 2007), e aliada a práticas alimentares saudáveis é fator determinante para uma boa saúde. Algumas evidências mostram o aumento da inatividade física em adolescentes, em parte pela diminuição do tempo que normalmente destinam para a atividade física, ou mesmo pela falta de estímulo (HALLAL et al.,2010). Um grande agravante nessa idade é também o período da puberdade, onde passam por alterações físicas, hormonais e emocionais que levam a um desinteresse, tanto nas aulas de educação física, como em atividades físicas fora da escola. Um estudo recente realizado nos jovens brasileiros mostrou que a maior parte dos jovens da região sudeste, centrooeste, nordeste e norte são insuficientemente ativos, apenas no sul a maioria é considerada ativa, e na maioria das vezes as meninas são consideradas mais inativas que os meninos (HALLAL et al.,2010). Vários artigos recentes mostram alguns fatores para o sedentarismo na adolescência, um fato que vem aumentando consideravelmente nas últimas décadas. Como meio de mostrar a realidade atual sobre o nível de atividade física dos adolescentes brasileiros, esse estudo em forma de pesquisa bibliográfica visa analisar os artigos de 2000 a 2010 com o objetivo de reunir informações mais recentes sobre esse assunto, a partir da análise investigativa dos métodos e resultados obtidos. 3. Metodologia Este estudo é de natureza bibliográfica, a partir da busca de artigos científicos, publicados no Brasil, nas bases de dados eletrônicas: Google acadêmico, Scielo e Bireme, utilizando as seguintes palavras chaves: atividade física, inatividade física e adolescentes. Foram selecionados apenas onze artigos brasileiros com data de publicação entre 2000 e 2010 (Quadro 1), que relatassem estudos com adolescentes, medindo nível de atividade física, inatividade física ou sedentarismo. Foi feita análise dos métodos utilizados e respectivos resultados alcançados (Quadro 2 e Gráfico 1). Diversos termos e sinônimos foram empregados nos artigos para definir o baixo nível de atividade física, são eles: inatividade física, sedentarismo, insuficientemente ativos e prática de atividades leves, que nessa revisão foram considerados como sinônimos para melhor entendimento dos resultados, pois haviam termos diferentes citados pelos autores com o mesmo objetivo. *Obs.: 9º ano do Ensino Fundamental compreende de anos Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 71

70 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS 4. Desenvolvimento 4.1 Atividade Física e Saúde Gomes, Siqueira e Sichieri (2001) definem atividade física como os movimentos corpóreos produzidos pelos músculos esqueléticos que resultam em gasto energético. Segundo Matsudo et al., (2002) desde os textos clássicos gregos, romanos e orientais, a atividade física tem sido mencionada como instrumento de repercussão, manutenção e promoção da saúde. Já segundo Gonçalves (2004) a saúde é um estado de relativo equilíbrio entre os organismos e as forças que agem sobre estes no modelo de prevenção de Leavel e Clarck (1976), e ainda conclui que no modelo clássico de prevenção, a atividade física é vista como uma boa escolha pra evitar que o corpo se torne frágil às doenças. No discurso moralizante higienista é de responsabilidade do indivíduo, independente de suas condições sócioeconômicas, hábitos familiares ou cultura, optar por um estilo de vida mais saudável para o seu próprio bem, sendo isso um incentivo aos bons hábitos e as práticas de saudável condicionamento físico (GONÇALVES, 2004). A atividade física é fator determinante para uma boa saúde, ela ajuda no raciocínio (ANTUNES et al., 2006), na memória, na saúde psicológica e prevenção de doenças cardiovasculares (ANDERSEN, 2009), e ainda um estudo com vários autores mostram que indivíduos ativos na adolescência têm uma probabilidade 67% menor de terem osteoporose na vida adulta (SIQUEIRA et al., 2009). Ficou evidenciado também que quanto maior tempo em atividade física menor é o nível de estresse prejudicial à saúde (PIRES et al., 2004). Em um estudo longitudinal de Farias et al. (2009) a atividade física programada resultou em melhoria e manutenção nas variáveis da composição corporal e redução da freqüência de sobrepeso e obesidade. Mesmo com tantos benefícios resultantes da atividade física, hoje em dia o sedentarismo e a inatividade física se tornaram um dos maiores problemas de saúde pública das sociedades modernas, está cada vez mais, afetando jovens e adolescentes (SEABRA et al., 2008). Entre vários fatores de risco, ao longo da última década, o sedentarismo é um dos fatores de risco que podem aumentar a predisposição de um indivíduo ao prejuízo cognitivo. Sedentarismo esse, que engloba 60% da população dos norte-americanos que não se exercitam regularmente e ainda 25% destes que não se exercitam de forma alguma (ANTUNES et al., 2006). Porém recentes revisões com estudos a longo prazo tem mostrado resultados promissores da influência da atividade física na mudança de estilo de vida e, consequentemente, da composição corporal, tanto para a prevenção como para o tratamento do sobrepeso/ obesidade em crianças e adolescentes (FARIAS et al., 2009). Concluímos a partir disso que a atividade física mesmo tendo tantos benefícios, está sendo deixada de lado, às vezes por falta de tempo, devido a uma sociedade marcada pela correria e o estilo fast de tudo acontecer, ou mesmo pela falta de estímulo do meio. Muitos autores têm tentado descobrir as verdadeiras causas para o aumento elevado do sedentarismo. Seabra (2008) destaca que já é consenso que aspectos demográficobiológicos (idade, gênero, estatuto sócioeconômico), psicológicos (motivação) e sócioculturais (família e pares) influenciam na heterogeneidade populacional nos hábitos de atividade física em adolescentes. Já Ceschini et al. (2009) num estudo realizado com adolescentes da cidade de São Paulo associa, além de fatores demográfico-biológicos e região geográfica da cidade, fatores como não participar das aulas de educação física, uso de tabaco, ingestão de bebidas alcoólicas e tempo diário de televisão. E ainda Fermino et al. (2010) mostra que o apoio social da família e dos amigos pode aumentar a chance dos adolescentes praticarem atividade física, porém há muitos fatores socioculturais, biológicos, de gênero e relacionados à 72 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

71 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS educação, que podem influenciar nessa prática dos adolescentes. Porém, Nunes, Figueiroa e Alves (2007) afirmam que o status socioeconômico desempenha uma maior influência na gênese da obesidade do que os fatores étnicos e geográficos. 4.2 Desenvolvimento Motor na Adolescência Segundo Gallahue e Ozmun (2005), a transição da infância para a adolescência é marcada por uma série de eventos significativos, de natureza física e cultural, que contribuem notavelmente para o crescimento e o desenvolvimento motor, sendo o início da puberdade regulado pela hereditariedade podendo ser influenciado pela nutrição, doenças, clima e estresse emocional. A adolescência, segunda fase da maturação, vai da menarca, nas meninas, e da espermarca, nos meninos, até o alcance da maturação total ou maturidade. Ela é caracterizada pela estabilização, diferenciação específica e expressa do sexo, e da progressiva individualização. Essa fase tem uma superação da contradição no comportamento motor, típica da puberdade, e se alcança uma estabilização. As formas de comportamento motor tornam-se constantes, mais equilibradas e estáveis tendo mais solicitações de rendimento esportivo. Há uma evidente diferenciação dos sexos nas capacidades de força e de resistência, nos rendimentos esportivos básicos e em determinadas habilidades de velocidade e coordenação. E também uma progressiva individualização que nota-se cada vez maior em todas as capacidades essenciais do desenvolvimento motor (MEINEL, 1984). Porém, mesmo havendo diferenças entre os sexos, ambos possuem potencial para obter melhorias significativas em atividade física rigorosa regular (GALLAHUE e OZMUN, 2005). As mudanças que afetam o desenvolvimento motor são relacionadas a um aumento na massa corporal e mudanças na composição corporal, principalmente o crescimento muscular e ósseo (GALLAHUE e OZMUN, 2005). 4.3 Avaliação dos Níveis de Atividade Física Existem inúmeros métodos que se propõem avaliar o nível de atividade física da população, principalmente aqueles que utilizam de técnicas não invasivas, a partir da utilização de questionários e entrevistas individualizadas, algumas vezes associadas às técnicas de medidas de alguma variável de composição corporal. Silva e Malina (2000) propondo avaliar o nível de atividade física de adolescentes de Niterói RJ utilizaram o questionário de atividade física PAQ-C desenvolvido por Crocker et al. (1997), que foi traduzido e modificado para excluir algumas atividades não praticadas no Brasil. Esse questionário investiga o nível de atividade física moderada e intensa de crianças e adolescentes nos sete dias anteriores ao preenchimento do questionário, porém, ele não discrimina intensidade, freqüência e duração das atividades e nem estimula o gasto calórico do período, devido a isso os autores destacam que a alta prevalência do sedentarismo, constatado em seu estudo, pode estar relacionada à necessidade de validação do questionário PAQ-C em amostras brasileiras. Guedes et al. (2001) para calcular os níveis de prática de atividade física habitual em adolescentes de Londrina PR, utilizou um instrumento retrospectivo de auto-recordação das atividades diárias, preconizado por Bouchard et al. Onde as atividades são classificadas em nove categorias de acordo com o gasto calórico médio das atividades realizadas por humanos, com o objetivo de identificar o tipo de atividade realizada em cada período de 15 minutos ao longo das 24 horas do dia, realizados em quatro dias por semana (dois no meio da semana e dois no final de semana). Foi utilizado variáveis como: horas assistindo televisão e classe socioeconômica familiar. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 73

72 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS Pires et al. (2004) em seu estudo com adolescentes de Florianópolis SC, tentou obter, além dos hábitos de atividade física, a vulnerabilidade ao estresse dos adolescentes. Para obter informações sobre a atividade física foi utilizado o questionário 3-DPAR, que requer recordar as atividades realizadas em um curto período de tempo (três dias consecutivos), com o propósito de estimular a quantidade e os níveis de esforço em atividades físicas que o adolescente realizou nestes três dias. Silva et al. (2005) num estudo com crianças e adolescentes de Maceió-AL, analisou fatores de risco cardiovascular como: prevalência de hipertensão arterial sistêmica, risco de sobrepeso, sobrepeso, sedentarismo e tabagismo. Para a análise do sedentarismo foi utilizado o questionário PAQ, que foi adaptado a fim de excluir atividades físicas não praticadas no Brasil. Arruda e Lopes (2007) analisaram a gordura corporal, o nível de atividade física e os hábitos alimentares de meninos adolescentes de Lages SC. Para a análise do nível de atividade física foi utilizado uma adaptação do diário de atividades físicas proposto por Bouchard et al. (1983), o qual fornece o gasto energético diário, e para a classificação do nível adotou-se a proposta apresentada por Cale (1994), que vem sendo utilizada em estudos com populações similares. Também foram analisadas variáveis como fatores socioeconômicos e se os adolescentes eram de escolas públicas estaduais/municipais ou privadas. Ceschini et al. (2009) utilizou no seu estudo com adolescentes de escolas estaduais da cidade de São Paulo-SP o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) versão curta, onde se questiona sobre a realização de atividades físicas de intensidade leve, moderada e vigorosa em vários domínios para mensurar a atividade física e ainda utilizou variáveis diferentes como: gênero, idade, nível socioeconômico, região geográfica da cidade, conhecimento do programa Agita São Paulo, participação nas aulas de educação física escolar, uso de tabaco, ingestão de bebidas alcoólicas e tempo diário assistindo televisão, para ver em a influência desses fatores na atividade física. Silva et al. (2009) buscou analisar o nível de atividade física e o comportamento sedentário num estudo com crianças e adolescentes de Aracaju SE utilizando o questionário PAQ-C, o qual contém perguntas sobre o nível de atividade física de crianças e adolescentes realizados nos últimos sete dias anteriores ao estudo, classificando em cinco tipos: muito sedentário, sedentário, moderadamente ativo, ativo e muito ativo. O questionário ainda contém questões que verificam o tempo de assistência à TV. Moraes et al. (2009) num estudo com adolescentes de Maringá PR, tentando estimar a prevalência de inatividade, utilizou o questionário IPAQ na forma curta, que considera a prática de atividade física dos últimos sete dias anteriores ao estudo. O ponto de corte para a classificação foi de 300 minutos/semana de atividade moderada ou vigorosa. Também foram consideradas variáveis independentes como: sexo, idade, nível socioeconômico, tipo de escola, estado nutricional, obesidade central, tabagismo e comportamento sedentário. Fermino et al. (2010) num estudo com adolescentes de Curitiba PR, utilizou uma avaliação da atividade física autoreferida em número de dias por semana em que se realiza atividades de intensidade moderada e vigorosa com duração de 60 minutos. E ainda utilizou variáveis demográfico-biológicas, socioeconômicas, comportamentais e socioculturais. Hallal et al. (2010) num estudo com adolescentes das capitais brasileiras criou um questionário baseado em instrumentos previamente validados e usados em pesquisas nacionais para a investigação da prática de atividade física, que incluía perguntas sobre o modo de deslocamento para a escola e retorno para casa, número de aulas de educação física que tiveram na semana, prática de outras atividades física tanto dentro quanto fora da escola e o número de 74 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

73 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS horas despendidas assistindo televisão. Dumith et al. (2010) tentando estimar a prevalência de atividade física entre adolescentes de Pelotas RS utilizou uma análise por meio de três diferentes abordagens: 1) prevalência de alguma atividade física de lazer, 2) prevalência de algum deslocamento ativo para a escola e 3) prevalência de engajamento em pelo menos 300 minutos/semana de combinação de ambos (1 e 2). E ainda utilizou variáveis diferentes como: características demográficas, socioeconômicas, comportamentais, biológicas. que a prevalência de sedentarismo neste grupo aumenta a probabilidade de adultos sedentários. Guedes et al. (2001) num estudo com adolescentes de uma escola municipal de Londrina-PR, constatou que o grau de inatividade era de 46% nos meninos e 65% nas meninas (média de 55,5%). Os meninos demonstraram ser consistentemente mais ativos que as meninas, independente da idade e da classe socioeconômica familiar considerada. Obs.: Neste artigo os conceitos de inatividade física, sedentarismo, prática de atividades leves e insuficientemente ativos são considerados como sinônimos. 4.4 Níveis de Atividade Física na Adolescência No Brasil, alguns autores avaliaram os níveis de atividade física em adolescentes e crianças e constataram que cada região tem a sua forma e costume quanto à prática de atividade física, porém, não divergem muito entre si, no que diz respeito ao objeto de pesquisa, ou seja, como é o nível de atividade física entre nossos adolescentes. As divergências encontradas são, na maioria das vezes, devido a diferentes métodos utilizados. Silva e Malina (2000), em um estudo com adolescentes da rede pública de ensino de Niterói RJ classificaram 84% dos meninos e 94% das meninas como sedentários (média de 89%), e ainda alertam Pires et al. (2004) em um estudo com adolescentes de Florianópolis SC, constatou que os adolescentes passavam a maior parte do tempo em atividades de intensidade leve como: dormir, assistir TV, ficar sentado na sala de aula, comer e andar de carro ou de ônibus. E ainda os meninos eram mais ativos que as meninas. Silva et al. (2005) avaliando vários fatores de risco em crianças e adolescentes de Maceió AL, identificou que 93,5% dos estudantes da amostra estavam entre sedentários e muito sedentários, tendo uma associação do sedentarismo ao gênero feminino. Arruda e Lopes (2007) num estudo com meninos adolescentes de Lages SC constataram que o percentual de Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 75

74 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS adolescentes classificados como inativos ou muito inativos foi de 29,4%, sendo que nas escolas públicas observou-se maior proporção de adolescentes ativos comparado às escolas privadas. Ceschini et al.(2009), em um estudo realizado com estudantes do ensino médio de escolas públicas estaduais do município de São Paulo SP, constatou uma prevalência geral de 62,5% de inatividade física entre os adolescentes. Silva et al. (2009) em um estudo com crianças e adolescentes de Aracaju SE constatou que o percentual de crianças e adolescentes classificados como sedentários ou muito sedentários chegaram a 78,6%. Sendo que o percentual apenas para adolescentes, isolando-os das crianças, chegou a 83,1%. Moraes et al. (2009) em um estudo com adolescentes de Maringá PR analisando a inatividade física e outras variáveis chegou a um percentual de 56,9% de inatividade física entre os adolescentes, e ainda constatou que adolescentes das escolas públicas são mais inativos do que os das escolas privadas (61,3% versus 47,8%). Fermino et al. (2010), em um estudo transversal realizado com adolescentes do município de Curitiba PR, constatou que mais da metade dos adolescentes praticavam atividade física moderada ou vigorosa em pelo menos um dia da semana, porém, apenas 14,5% atingiram o nível recomendado ( 300 min./semana), tendo então 85,5% de inatividade física. Ele ainda sustenta a afirmação de que os adolescentes do sexo masculino são fisicamente mais ativos. Hallal et al. (2010) num estudo com adolescentes das capitais brasileiras no 9º ano do ensino fundamental de escolas públicas e privadas, constatou que o percentual geral de adolescentes ativos foi de 43,1%, sendo esse percentual maior nos meninos do que nas meninas. A maior parte dos jovens do Centro-Oeste, do Sudeste, do Nordeste e do Norte é insuficientemente ativa. Na região Sul, a maioria dos jovens foi considerada ativa. E ainda foi constatado que alunos de escolas privadas eram mais ativos do que aqueles de escolas públicas (45,1% versus 42,6%). Dumith et al. (2010) num estudo com adolescentes de Pelotas RS chegou a um total de prevalência de atividade física de 48,2%, sendo maior em meninos do que em meninas. 76 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

75 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS 5. Conclusão Analisando os onze estudos citados, observou-se que todos os artigos investigados utilizaram pesquisas de natureza transversal retrospectiva, com variações de 3 a 7 dias como base para analisar o nível de atividade física. Os métodos, em geral, analisaram atividades auto-referidas moderadas e vigorosas nos sete dias anteriores ao estudo. Havendo estudos que se preocupam mais com o tempo e outros com a intensidade. Os questionários PAQ-C, IPAQ curto e o questionário de Bouchard et al., foram utilizados cada um em dois estudos, o PAQ e o questionário 3-DPAR foram utilizados cada qual em um estudo, e ainda três estudos utilizaram questionário próprio. Apenas o questionário de Bouchard et al. analisou a atividade física a partir do gasto energético, os outros questionários utilizaram tempo, freqüência ou/e intensidade. Os autores que utilizaram questionário próprio tiveram como base outros questionários já validados na literatura. A porcentagem de inatividade física ou sedentarismo ficou entre 50% e 90%, apenas no estudo de Arruda e Lopes (2007) a porcentagem foi de 29,4%, divergindo dos outros estudos. A média geral de inatividade física foi de 67,4% nos onze estudos analisados, concordando com recentes revisões na literatura. Foi concordância quase em 100% dos estudos que os meninos são mais ativos que as meninas, mostrando que elas são mais propensas ao sedentarismo e a inatividade física do que eles. Os estudos em grande parte (54,5%) foram realizados na região sul, 18,2% na região sudeste e nordeste, e 9,1% analisou todas as capitais brasileiras. As regiões norte e centro-oeste tiveram uma grande carência de estudos sobre atividade física em adolescentes, não havendo nenhum estudo citado nessa revisão. A região sul foi a mais estudada e a as regiões nordeste e sudeste tiveram poucos estudos sobre o assunto. As médias de inatividade para as regiões foram: sul: 59,5%, nordeste: 88,3% e sudeste: 75,7%. Com o resultado obtido, chegouse a conclusão que faltam mais pesquisas sobre atividade física na adolescência em várias regiões brasileiras. É preciso maior conscientização dos adolescentes brasileiros sobre a importância da atividade física e os devidos prejuízos causados pela sua falta. Referências ALVES, J. G. B. et al. Prática de esportes durante a adolescência e atividade física de lazer na vida adulta. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 11, n. 5, set/out, ANDERSEN, L. B. Physical activity in adolescents. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 85, n. 4, p , jul/ago, ANTUNES, H. K. M. et al. Exercício físico e função cognitiva: uma revisão. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 12, n. 2, p , mar/abr, ARRUDA, Edson L. M; LOPES, Adair da S. Gordura corporal, nível de atividade física e hábitos alimentares de adolescentes da região serrana de Santa Catarina, Brasil. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, v. 9, n. 1, p , março, AZEVEDO, M. R. et al. Tracking of physical activity from adolescence to adulthood: a population-based study. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 41, n. 1, p , fevereiro, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 77

76 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS BOUCHARD, C. et al. A method to assess energy expenditure in children and adults. American Journal of Clinical Nutrition. v. 37, n. 3, p , march, CALE, L. Self-report measures of children s physical activity: recommendations for future development and a new alternative measure. Health Education Journal, v. 23, n. 4, p , December, 1994 CESCHINI F. L. et al. Prevalência de inatividade física e fatores associados em estudantes do ensino médio de escolas públicas estaduais. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v.85, n. 4, p , agosto, CROCKER, P. R. Measuring general levels of physical activity: Preliminary evidence for the physical activity questionnaire for older children. Medicine and Science in Sports and Exercise Journal, v. 29, Issue 10, p , October, DUMITH, S. C. et al. Prevalence and correlates of physical activity among adolescents from Southern Brazil. Revista de Saúde Pública, v.44, n. 3, p , junho, FARIAS, E. S. et al. Influence of programmed physical activity on body composition among adolescent students. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 85, n.1, p.28-34, jan/fev, FERMINO, Rogério C. et al. Atividade física e fatores associados em adolescentes do ensino médio de Curitiba, Brasil. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 44, n. 6, p , dezembro, FRUTUOSO, Maria F. P.; BISMARCK-NASR, Elisabeth M.; GAMBARDELLA, Ana M. D. Redução do dispêndio energético e excesso de peso corporal em adolescentes. Revista de Nutrição, Campinas, v. 16, n. 3, p , jul/set, GALLAHUE, David L.; OZMUN, John C. Compreendendo o desenvolvimento motor bebês, crianças, adolescentes e adultos. 3 ed. São Paulo: Phorte, GOMES, Valéria B.; SIQUEIRA, Kamile S.; SICHIERI Rosely. Atividade física em uma amostra probabilística da população do município do Rio de Janeiro. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 17, n. 4, p , jul/ago, GONÇALVES, Aguinaldo. Conhecendo e discutindo saúde coletiva e atividade física. 1 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, GUEDES, D. P. et al. Níveis de prática de atividade física habitual em adolescentes. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 7, n. 6, p , dezembro, HALLAL, P. C. et al. Evolução da pesquisa epidemiológica em atividade física no Brasil: revisão sistemática. Revista de Saúde Pública, São Paulo, v. 41, n. 3, p , junho, HALLAL, P. C. et al. Prática de atividade física em adolescentes brasileiros. Revista de Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 15, Supl. 2, p , outubro, LEAVEL, H. R.; CLARCK, E.G. Medicina Preventiva. São Paulo: Mc-Graw-Hill do Brasil, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

77 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA DE ESTUDOS SOBRE O NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA EM ADOLESCENTES BRASILEIROS MASCARENHAS, L. P. G. et al. Relação entre diferentes índices de atividade física e preditores de adiposidade em adolescentes de ambos os sexos. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 11, n. 4, jul/ago, MATSUDO, S. M. et al. Nível de atividade física da população do Estado de São Paulo: análise de acordo com o gênero, idade, nível socioeconômico, distribuição geográfica e de conhecimento. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v. 10, n. 4, p , outubro, MEINEL, Kurt. Motricidade II O desenvolvimento motor do ser humano. Vol. 2. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, MORAES, A. C. F. et al. Prevalência de inatividade física e fatores associados em adolescentes. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 55, n. 5, p , NUNES, Marília M. A.; FIGUEIROA, José N.; ALVES, João G. B. Excesso de peso, atividade física e hábitos alimentares entre adolescentes de diferentes classes econômicas em Campina Grande, Paraíba. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 53, n. 2, p , abril, PIRES, E. A. G. et al. Hábitos de atividade física e o estresse em adolescentes de Florianópolis SC, Brasil. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v. 12, n. 1, p , jan/ mar, SEABRA, A. F. et al. Determinantes biológicos e sócio-culturais associados à prática de atividade física de adolescentes. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 4, p , abril, SILVA, R. C. R; MALINA, Robert M. Nível de atividade física em adolescentes do município de Niterói RJ, Brasil. Caderno de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v.16, n. 4, p , out/dez, SILVA M. A. M. et al. Prevalência de fatores de risco cardiovascular em crianças e adolescentes da rede de ensino da cidade de Maceió. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 84, n. 5, p , maio, 2005 SILVA K. S. et al. Associações entre atividade física, índice de massa corporal e comportamentos sedentários em adolescentes. Revista Brasileira de Epidemiologia, v.11, n. 1, p , março, SILVA, D. A. S. et al. Nível de atividade física e comportamento sedentário em escolares. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, v. 11, n. 3, p , SIQUEIRA, F. V. et al. Prática de atividade física na adolescência e prevalência de osteoporose na idade adulta. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, v. 15, n. 1, jan/fev, TASSITANO, R. M. et al. Atividade física em adolescentes brasileiros: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Cineantropometria & Desempenho Humano, v. 9, n. 1, p , TUCKER, L. A. The relationship of television viewing to physical fitness and obesity. Adolescence, v. 21, n. 84, p , Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 79

78 O USO DA TECNOLOGIA VIRTUAL DA REALIDADE AUMENTADA (RA) NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM Helder Grillo de Souza 1 Ivan Curvêlo da Silva1 1 Thiago W. J. de Almeida 2 Luciana A. Rodrigues 3 1. Resumo O propósito deste trabalho foi analisar a viabilidade da aplicação da Realidade Aumentada (RA) no processo de ensino-aprendizagem no Ensino Fundamental, tendo como princípio básico o fato de haver, atualmente, uma larga gama de possibilidades e aplicações das novas tecnologias na educação. Através de pesquisa bibliográfica, este trabalho buscou contribuir teoricamente para o tema, discorrendo acerca da origem da RA, seu desenvolvimento e aplicações, e traçando um panorama da educação na atualidade, as novas tecnologias e as novas formas de comunicação. Na pesquisa de campo, foram aplicados os conceitos de RA como ferramenta de auxílio ao professor, e também pelos alunos, como forma de complemento ao material didático disponível. Palavras-chave: educação, novas tecnologias, realidade aumentada. 1. Abstract The purpose of this paper was to analyze the feasibility of applying Augmented Reality in teaching-andlearning process in elementary school, having as basic principle the fact that there is currently a wide range of possibilities and applications of new technologies in education. Through bibliographic research, this study tried to contribute theoretically to the subject, talking about the origin of AR, its development and applications, and drawing an overview of education nowadays, the new technologies and the new forms of communication. In field research, were applied the concepts of AR as an assistant tool to the teacher, and also by students, as a way to supplement the teaching material available. Keywords: education, new technologies, augmented reality. 2. Introdução Atualmente, na era digital está presente o uso intenso da tecnologia, nas mais diversas áreas do conhecimento (indústria, comunicação, entretenimento, medicina, etc.). Na educação não é diferente, visto que cada vez mais são inseridos novos recursos e técnicas para fins didáticos. O apogeu da internet e a facilidade de acesso a recursos e equipamentos proporcionaram sensível crescimento na utilização das Tecnologias da Informação e Comunicação no setor educacional. O acesso às tecnologias já não está mais restrito a classes sociais e as ferramentas disponíveis são inúmeras. O que falta é saber como utilizar e quais ferramentas são importantes para complementar e auxiliar no ensino educacional. O uso das TIC no processo ensinoaprendizagem tende a promover a potencialização da abstração e visualização dos diversos conteúdos pelos alunos, se aplicado adequadamente, o que justifica o trabalho proposto. No ensino técnico e profissionalizante, a utilização de recursos tecnológicos é mais ampla, uma vez que o 1 Graduados em Licenciatura em Computação pelo UNISEB 2 Prof. Me. em Física Aplicada à Medicina e Biologia, docente do UNISEB 3 Prof.ª Me. Em Distúrbios do Desenvolvimento, docente do UNISEB 80 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

79 foco desse segmento é a preparação direta dos alunos para o mercado de trabalho, que muitas vezes exige o conhecimento e prática em tais tecnologias. Na educação básica, tal prática não ocorre com tanta frequência, é mais recente, e vem sendo inserida gradativamente. Por isso este trabalho irá situar suas atividades em salas de aula do Ensino Fundamental. Dentre os muitos recursos existentes hoje, este trabalho pretende focar-se na aplicação da Realidade Aumentada, tendo por objetivo geral verificar as diversas possibilidades da aplicação desta ferramenta no cotidiano escolar, de forma a promover melhor aproveitamento dos alunos no que diz respeito à assimilação e abstração dos temas trabalhados em sala de aula. Definir de que forma os conteúdos regulares da escola podem ser apresentados em Realidade Aumentada a fim de desempenhar tal papel. Serão apresentados primeiramente os conceitos do uso da tecnologia na educação, trazendo um breve histórico, contextualizando várias ferramentas com a época em que eram utilizadas, e de que forma. As novas tecnologias, o apogeu da internet e as novas formas de comunicação existentes, bem como sua influência no cotidiano das pessoas são pontos a serem discutidos. São apresentados também alguns fundamentos teóricos da Realidade Aumentada, como funciona, e algumas aplicações. Como parte do trabalho, foi feita pesquisa de campo aplicando a técnica da Realidade Aumentada no processo ensinoaprendizagem, avaliando os resultados dessa aplicação, apresentando uma descrição do trabalho feito em sala de aula, detalhando a metodologia de trabalho, de que forma este processo pode ser aplicado à educação e como pode contribuir para um melhor aproveitamento dos alunos em sala de aula, e traz ainda alguns exemplos do material utilizado durante o processo. O artigo traz ainda os resultados obtidos com as pesquisas bibliográficas e de campo, além das discussões acerca da viabilidade do trabalho proposto. 3. Fundamentos Teóricos A história do desenvolvimento humano foi marcada por processos de virtualização. O desenvolvimento das linguagens ao longo dos anos possibilitou ao homem desenvolver uma consciência social, com base nas relações interpessoais. De acordo com Lévy (1996, p.71), a partir do momento em que o ser humano adquire o domínio da linguagem, [...] passa a habitar um espaço virtual, o fluxo atemporal tomado como um todo, que o imediato presente atualiza apenas parcialmente, fugazmente. Nós existimos. Com relação à transmissão e assimilação do conhecimento, pode-se discorrer sobre três fases distintas, conforme define Ramal (2003, p.251): [...] a da oralidade, a das sociedades da escrita, e o momento contemporâneo: a cibercultura. Se inicialmente predominava a oralidade na transmissão dos conhecimentos, o que poderia ser facilmente perdido ou distorcido, o surgimento da escrita foi o marco que delimitou o fim da era em que o conhecimento era algo subjetivo, dependente do autor. O domínio da escrita permitiu às sociedades registrarem e transmitirem de forma integral o conhecimento gerado, sendo responsável por um crescimento intelectual inestimável do ser humano. O conceito de escola, como se vê até os dias atuais, é fruto da mentalidade das sociedades da escrita. O professor é o detentor do conhecimento adquirido dos livros, e cabe a ele transmiti-lo aos alunos. Este modelo predominou até meados do século XX, quando começaram a surgir novas vertentes pedagógicas, tomando o aluno também como produtor de conhecimento, e o processo de ensino-aprendizagem, um processo não mais unilateral. Ainda que hoje em dia essa mentalidade seja a base pedagógica em muitas escolas, já houve mudanças significativas no pensamento geral. Essa escola prepara para um mundo do trabalho que já não existe mais: no qual os saberes Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 81

80 O USO DA TECNOLOGIA VIRTUAL DA REALIDADE AUMENTADA (RA) NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM aprendidos no início da formação valiam para a vida inteira, no qual as pessoas não precisavam trabalhar cooperativamente nem desenvolver novas competências. (RAMAL, 2003, p.253) 3.1 O momento atual: a Cibercultura O processamento de uma imagem não precisao desenvolvimento técnico e tecnológico que se vê nos dias atuais,as novas formas de comunicação, com o advento da internet, contribuiu de forma significativa para a mudança do paradigma da escola. No momento atual, a cibercultura, muda, em primeiro lugar a concepção de tempo.o conhecimento é produzido, transmitido e adquirido de forma quase simultânea, a todo instante. É impossível, portanto, continuar seguindo o mesmo modelo educacional sem perdas significativas na qualidade do ensino. Diante disso, cada vez mais buscase inserir as novas tecnologias no cotidiano escolar, de forma a auxiliar o professor no decorrer do processo ensino-aprendizagem. Para isso, é necessário preparo do professor, para que possa utilizar a ferramenta de forma a enriquecer a aula e contribuir com a assimilação do conhecimento pelos alunos. É preciso, porém, analisar a melhor maneira de aplicar a tecnologia dentro da sala de aula, para que não tenha efeito contrário, uma vez que os alunos, em especial no Ensino Fundamental, já crescem familiarizados com a tecnologia (computador, internet, jogos eletrônicos, etc.), quase sempre relacionando-a com o lazer. Isso pode leválas a encarar uma aula de informática, por exemplo, como um momento de lazer, ao invés de estudo. Deve-se evitar, também, o uso da tecnologia como fim, ao invés de meio, como define Tori (2010): Ao se usar didaticamente uma nova tecnologia apenas porque nos encantamos com ela, só conseguiremos atrair a atenção de nossos alunos pela curiosidade. O problema é que, na segunda vez, já não poderemos contar com esse atrativo e, se o conteúdo e a metodologia pedagógica não tornarem a atividade interessante e significativa para os aprendizes, de nada adiantarão os efeitos especiais. Dentre as ferramentas digitais existentes hoje, este trabalho pretende focarse na Realidade Aumentada, uma tecnologia relativamente recente, e aplicá-la dentro de sala de aula, de forma a exercer esse papel de ferramenta auxiliar ao professor, algo pouco utilizado até então. 3.2 Realidade Aumentada A RA pode ser definida, segundo Azuma (1997), como a inserção de objetos virtuais no ambiente físico, mostrada ao usuário com o apoio de algum dispositivo tecnológico, criando um ambiente misto em tempo real Conceitos e Histórico Os primeiros conceitos de Realidade Virtual e Aumentada aparecem em meados da década de 60, embora esta seja uma tecnologia a firmar-se na década de 90 (KIRNER, 2008). Em 1968, Sutherland (1968) descreveu o desenvolvimento de um capacete estereoscópico que projetava imagens diretamente nos olhos do usuário, estabelecendo o conceito de imersão. Outro ponto importante no desenvolvimento tecnológico que levou às aplicações de RA foi a invenção dos QR Codes (Figura 1), um tipo de código de barras bidimensional com maior capacidade de armazenamento de informações que os códigos de barra convencionais. Os QR Codes (o termo QR varia de Quick Response, resposta rápida, em inglês) surgiram em meados de 1994, com o propósito de substituir os códigos de barras convencionais em tarefas as quais eles não tinham capacidade de processar, que exigiam a transmissão de um número maior de informações. Desta forma, foram criados os QR Codes, que armazenam os dados através da leitura de pontos em um espaço 82 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

81 O USO DA REALIDADE AUMENTADA NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM bidimensional, sendo que cada região do código QR tem sua própria função, tais como posicionamento, alinhamento, versão de produto e outras voltadas para segurança. Figura 1: Exemplos de QR Codes Fonte: Embora essa tecnologia tenha sido criada com o propósito original de identificar carros (HAUTSCH, 2009), foi em pouco tempo incorporada a outro segmento de mercado: a publicidade. Devido à sua maior capacidade de armazenamento de informações, os QR Codes são capazes de guardar URL s de sites na internet, e passaram a ser amplamente utilizados para divulgação de produtos, serviços e eventos. Qualquer pessoa que tenha um prédios, etc. Mas afinal, o que os QR Codes têm a ver com Realidade Aumentada? Tudo. Conforme define Gabriel (2010), realidade aumentada é a coexistência e interação de objetos digitais com objetos físicos [...]. Podemos dizer então, que os QR Codes trazem uma camada digital de informações que interage com o mundo físico. Mas a RA pode ser mais do que do que uma simples identificação de informações digitais, de direcionamento para um site, por exemplo. Essa interação do virtual com o real é mais complexa, mais visual. A RA trabalha com marcadores, os chamados tags ou patterns, que são uma evolução dos códigos bidimensionais. Esses marcadores (Figura 2) trazem uma gama maior de possibilidades, pois podem ser uma figura, um objeto, ou o texto de um anúncio, e têm uma vantagem muito grande sobre os QR Codes: capacidade ilimitada de armazenamento de informações. Isso porque, ao contrário dos códigos 2D, o conteúdo não está gravado no código lido, mas sim no software acionado pelo marcador. celular com câmera e acesso à internet pode ler QR Codes, pois não é necessário hardware dedicado de leitura, como no caso dos códigos de barra lineares, basta instalar um aplicativo simples no celular. No Japão e nos Estados Unidos, onde são mais utilizados, é muito comum encontrar QR Codes em outdoors, placas publicitárias, fachadas de Eles permitem projetar objetos virtuais em uma filmagem do mundo real, melhorando as informações exibidas, expandindo as possibilidades de interação e utilização de novas tecnologias. Portanto, a Realidade Aumentada é utilizada combinando-se um marcador com um programa de computador, acionado por uma Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 83

82 O USO DA TECNOLOGIA VIRTUAL DA REALIDADE AUMENTADA (RA) NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM câmera de vídeo Aplicações Assim como os QR Codes, muitas aplicações de Realidade Aumentada remetem ao mercado publicitário, sendo muito comum em propagandas de carros, imóveis, anúncios em revistas, entre outros. Outras aplicações existentes para a RA são: Apoio a tarefas de montagem e manutenção em indústrias; Dispositivos de navegação em construções, como na manutenção de plantas industriais e em serviços militares; Simuladores de voo; Entretenimento e educação; O uso da realidade aumentada em educação é relativamente recente, e pouco frequente até então. Luz, et al. (2008) e Zorzal, et al. (2008) citam conceitos da aplicação de RA no ensino técnico, por meio de livros contendo códigos que, colocados em frente à câmera, projetavam imagens, objetos em 3D e animações, relacionados a dispositivos mecânicos, simulação de funcionamentos de motores, etc. Não foram encontradas citações da aplicação deste tipo de tecnologia no ensino fundamental, que é o foco deste trabalho. 4. Materiais e Métodos No início da definição do trabalho, foi proposta a aplicação de RA dentro da sala de aula, pelo professor, como ferramenta de auxílio ao material de que já se dispunha. Seriam criadas animações e imagens em 3D que ilustrassem os conteúdos que seriam trabalhados, definidos pelos professores. A ideia era desenvolver o material baseado em conceitos em que os alunos tivessem mais dificuldade em visualizar e abstrair. Foi realizada pesquisa bibliográfica e ferramental sobre o assunto, e assim ficou definido que a melhor forma de aplicar as ferramentas de realidade aumentada na área educacional seria através de conteúdos que os próprios professores utilizariam durante a explicação da matéria. Porém, considerando-se que o aluno é participante ativo do processo de ensino-aprendizagem, e contribui para a produção do conhecimento, sendo o ensinoaprendizagem um processo bidirecional, optou-se por desenvolver um material que o próprio aluno utilizasse como forma de apoio ao material didático utilizado pelo professor em sala de aula. Para preparar o material para uso em sala de aula, definiu-se que o professor seria o responsável por fornecer o conteúdo textual e figuras a serem inseridas no material didático. Para facilitar o andamento do trabalho, foi organizado um cronograma em várias etapas, para cada tarefa a ser realizada durante a elaboração do material, conforme Tabela 1 a seguir: 84 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

83 O USO DA TECNOLOGIA VIRTUAL DA REALIDADE AUMENTADA (RA) NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM 4.1 Definição do conteúdo Para garantir que o trabalho teria o resultado esperado, foi realizada pesquisa de campo com professores da rede pública municipal de Ribeirão Preto, na EMEF Geralda de Souza Espin. Nesta etapa do trabalho foi conversado com os professores de quatro disciplinas (Matemática, Biologia, Química e Língua Portuguesa) para saber quais os conceitos que eles julgavam ser interessantes aplicar com o auxílio da RA, quais assuntos os alunos tem mais dificuldade em abstrair e as possíveis forma de aplicá-los. Os conteúdos definidos foram os seguintes: MATEMÁTICA: Geometria Espacial. Conceitos sobre sólidos geométricos, citando fórmulas de volume e apresentando cada sólido em 3D com auxílio da Realidade Aumentada. BIOLOGIA: O Sistema Reprodutor Humano. Imagens sobre o órgão reprodutor feminino e masculino; ilustrações com cortes, permitindo conhecer a estrutura interna desses órgãos. QUÍMICA: Moléculas. Elaborar imagens em 3D para ilustrar a organização dos átomos em uma molécula, suas ligações e estruturas típicas. PORTUGUÊS: Jogo de Letras. Formação de palavras, utilizando marcadores individuais para cada letra, e estando na sequência correta, forma a imagem do objeto. Auxiliar na alfabetização. 4.2 Definição de Objetos Após definidos os conteúdos que seriam trabalhados, a etapa seguinte foi discutir a melhor forma de elaborar o material. Porém, antes de começar a elaboração propriamente dita, era preciso conhecer o funcionamento do software de RA que seria utilizado, para evitar retrabalho com modelagem de objetos 3D e otimizaras pesquisas. Há diversos softwares que permitem criar aplicativos para RA como o ARToolKit, o FlartoolKit, uma versão do ARToolKit utilizando Flash, o SACRA (KIRNER, 2010), entre outros. Para a elaboração do aplicativo que gera a RA, foi utilizado em primeiro momento o ARToolKit, um software destinado a construção de aplicações para RA, disponível gratuitamente para uso não comercial. Primeiramente foi feito o download do aplicativo no site oficial¹.para sua instalação é necessário seguir alguns passos para que o software funcione corretamente, o que é um pouco complexo, pois é preciso instalar e configurar alguns outros componentes, como o OpenVRML, bibliotecas GLUT e DSVL e algumas DLL s externas na pasta System 32 do Windows. Após a instalação e a realização de alguns testes de funcionamento, é sugerido utilizar uma aplicação que já esta compilada o simplevrml.exe, aplicação esta que permite que sejam trabalhados objetos em 3D. Estes objetos trabalham com linguagem VRML (Virtual Reality Modeling Language Linguagem para Modelagem de Realidade Virtual, em português), através da qual é possível criar objetos e ambientes virtuais. Para a criação de um cubo em 3D, por exemplo, há a possibilidade de usar objetos predefinidos na linguagem VRML, através do modo de texto, utilizando o bloco de notas, ou utilizar um software que modele objetos 3D e os exporte em VRML, definindo cor, mapeando texturas, pontos de luz, etc. No caso da modelagem em 3D, alguns exemplos de softwares que atendem a essa necessidade são: Blender, software open source da Blender Foundation, 3DSMax e Maya, ambos da Autodesk, entre outros. Em alguns softwares existe a necessidade de baixar alguns plugins para gerar arquivos no formato VRML, que podem ser encontrados na internet. A criação desse tipo de arquivo está associada às imagens que serão inseridas no ambiente virtual após o marcador ser focalizado pela webcam. Para a criação dos objetos 3D foi utilizado o software 3DS Max, e Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 85

84 O USO DA TECNOLOGIA VIRTUAL DA REALIDADE AUMENTADA (RA) NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM exportado para linguagem VRML. Todas as características do objeto, como cor, dimensões, posicionamento (eixos x, y e z), mapeamento de texturas, são definidas no próprio programa. Após esta etapa este arquivo deve ser copiado na pasta bin/wrl que se encontra na pasta raiz do ARToolKit. Algumas imagens também podem ser encontradas disponíveis em sites que possuem comunidades de desenvolvedores, nos quais há compartilhamento de modelos neste formato, além da possibilidade de se obter imagens em outros formatos e utilizando software de geração de arquivos 3D, converter para VRML. Arquivos deste tipo possuem a extensão.wrl, que é interpretada pelo ARToolKit. Tendo os objetos construídos e no formato adequado, a etapa seguinte foi definir os marcadores que seriam utilizados e cadastrá-los no aplicativo. 4.3 Definição de Marcadores e do Aplicativo Os marcadores a serem utilizados como referencia de definição de projeção do objeto e posicionamento, devem ser cadastrados no ARToolKit. Cada marcador utilizado na aplicação deve ser único, pois cada um será referenciado a um objeto diferente. Para cadastrar um marcador utilizase uma webcam conectada ao computador e a aplicação mk_patt.exe que se encontra na pasta Bin, na raiz do ARToolKit, devendose colocar o marcador no campo de visão da webcam e seguindo as orientações do prompt de comando. Tendo o objeto em formato.wrl e o marcador cadastrado, o passo seguinte foi a configuração do aplicativo simplevrml. exe, que está associado aos objetos que devem estar na pasta WRL, aos marcadores e ao arquivo object_data_vrml, presente na pasta Data. Todos estes arquivos e diretórios encontram-se na pasta Bin do ARToolKit. A pasta WRL deve conter todos os objetos que serão exibidos sobre os marcadores durante a execução do aplicativo. Para cada arquivo VRML deve ser criado um arquivo.dat, que traz algumas informações acerca das características de cada objeto projetado, conforme mostrado na Figura 3. Na pasta Data são salvos os arquivos de todos os marcadores e o arquivo object_ dat_vrml.dat. Este arquivo fará a associação de qual objeto estará referenciado a qual marcador. Neste exemplo (Figura 4), cada pattern recebe uma numeração, que será o mapeamento de RA. Nas linhas seguintes do código são especificados a pasta na qual está o arquivo.dat do objeto, a pasta e arquivo do marcador. Figura 4: código do arquivo object_data_vrml As outras informações estão relacionadas ao tamanho do marcador e posicionamento de projeção em relação o ao centro do marcador. 4.4 Execução do Aplicativo A execução do aplicativo acontecerá mediante conexão de uma webcam no computador e através do aplicativo simplevrml.exe. 86 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

85 O USO DA TECNOLOGIA VIRTUAL DA REALIDADE AUMENTADA (RA) NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM Figura 5: Exemplo de execução do aplicativo Após todo o processo de elaboração do software, ficou constatado que para executar o arquivo havia a necessidade de ter o ARToolKit instalado na máquina a qual iria processar o aplicativo. Através de alguns testes posteriores constatou-se que o aplicativo chamado SACRA (Kirner, 2010) permitiria a execução do aplicativo a partir de um pen drive, o que facilitaria muito a aplicação do método na escola e até mesmo pelos próprios alunos em casa. Com isto, fezse a ação de migrar as pasta WRL e Data do diretório do ARToolKit para o do SACRA. 5. Aplicação da RA em sala de aula Após o desenvolvimento do aplicativo e a elaboração do livreto de Geometria Espacial e algumas imagens do Sistema de Reprodução Humana, foi realizada uma demonstração desse material na Escola Municipal de Ensino Fundamental Geralda de Souza Espin, com turmas de Ensino Fundamental regular e EJA, de 5º a 8º anos. Começando com a aula de Biologia, o professor utilizou um retroprojetor para exibir o material preparado, algo novo para todos, visto que até mesmo para os próprios professores era o primeiro contato com essa tecnologia. A visualização desse material foi interessante, pois a curiosidade do que seria visto em cada marcador fazia com que os alunos prestassem mais atenção à explicação do professor. Em seguida, utilizando o livreto de Geometria Espacial, novamente os alunos estavam atentos à aula. Neste exemplo, percebeu-se uma boa compreensão dos formatos de cada objeto, visto que quando são desenhados em superfície plana há a necessidade de abstrair alguns pontos da figura que ficam obscuros devido à sua representação bidimensional. Como o livreto foi elaborado com a intenção de ser utilizado diretamente pelos alunos, a aplicação deste exemplo foi diferente do primeiro. Os alunos demonstraram grande interesse em participar, e ficaram bastante satisfeitos com o resultado da aula. 5.1 Resultados e Discussão Como citado anteriormente, foi desenvolvido um livreto sobre Geometria Espacial, contendo informações e fórmulas acerca dos sólidos geométricos, além de marcadores de RA, que exibem imagens tridimensionais de cada sólido ao serem expostos a uma câmera de vídeo. Este livreto (Apêndice A) tem o propósito de auxiliar a compreensão de objetos sólidos geométricos, o usuário poderá ter uma visualização do objeto em 3D, permitindo identificar como Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 87

86 O USO DA TECNOLOGIA VIRTUAL DA REALIDADE AUMENTADA (RA) NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM é a estrutura de cada objeto, suas faces e extremidades, permitindo visualizar os pontos que estão relacionados aos cálculos de suas propriedades (volume, área, etc.). O material textual foi extraído de fontes diversas sobre o tema, e em seu planejamento ficou definido que para cada figura seria associado um objeto em 3D, com a identificação de suas medidas para associação com os cálculos e suas respectivas fórmulas, também presentes nas páginas do livro junto de uma breve teoria sobre cada objeto. Ao aplicar-se o material em sala de aula, verificou-se um aumento sensível na motivação dos alunos em aprender sobre a disciplina, o que já é um grande passo para a melhoria na abstração das informações. Isto porque a maioria deles nunca havia tido contato com a Realidade Aumentada, então a novidade atraiu muito sua atenção. Uma análise estatística poderá medir a eficácia deste método, visto que a proposta deste trabalho foi apenas analisar as possíveis formas e viabilidade da aplicação da ferramenta, efetuando uma breve demonstração prática. 6. Conclusão A pesquisa bibliográfica realizada ao longo do trabalho elucidou vários pontos acerca do funcionamento da Realidade Aumentada, bem como suas aplicações em diversas áreas do conhecimento. Referente à pergunta central do trabalho, quanto à possibilidade de inserção desta tecnologia no cotidiano escolar, constatou-se que a Realidade Aumentada pode sim ser aplicada à educação, de forma a auxiliar o professor e o material didático regular, e potencialmente eficaz se aplicada de forma correta. É fato que na atual situação da educação pública brasileira, as escolas ainda carecem de recursos, incentivo e capacitação de profissionais para que possa haver maior uso das novas tecnologias no processo de ensino-aprendizagem, mas este trabalho mostrou que com recursos simples e potencialmente baratos é possível aplicar a Realidade Aumentada como ferramenta auxiliar nesse processo. Referências ARToolKit. Download Page. s.d. Disponível em Acesso em 10 de agosto de AZUMA, Ronald T. A Survey of Augmented Reality. Teleoperators and Virtual Environments. Los Angeles, p GABRIEL, Martha. QRCodes: realidade aumentada, Internet das coisas e crossmídia. IDG Now! 13 de Setembro de Disponivel em internet-das-coisas-crossmidia-e-rastreamento-com-sustentabilidade/ Acesso em 06 de outubro de HAUTSCH, Oliver. Tecmundo. 19 de maio de Disponivel em com.br/realidadeaumentada/2124-como-funciona-a-realidade-aumentada.htm Acesso em 11 de agosto de HEIDE, Ann. Guia do professor para a Internet: completo e fácil. 2ª Edição. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

87 O USO DA TECNOLOGIA VIRTUAL DA REALIDADE AUMENTADA (RA) NO PROCESSO DE ENSINO - APRENDIZAGEM KIRNER, Cláudio. Evolução da Realidade Virtual no Brasil. X Symposium on Virtual and Augmented Reality.João Pessoa, Funcionamento e Utilização do Sistema de Autoria Colaborativa com Realidade Aumentada SACRA Disponível em Acesso em 02 de outubro de VRML: Conceitos e Instalação. s.d. Disponivel em Acesso em 06 de outubro de VRML: Primeira Modelagem. s.d. Disponivel em Acesso em 06 de outubro de LÉVY, Pierre. O que é virtual. São Paulo: Editora 34, LUZ, Roger A. et al. Análise de aplicações de realidade aumentada na Educação Profissional: um estudo de caso no SENAI DR/GO. UNESP - Universidade Estadual Paulista Disponivel em Acesso em 14 de setembro de MEIRELLES, Fernando de Souza. Informática: novas aplicações com microcomputadores. 2ª Edição. São Paulo: Pearson Education do Brasil, RAMAL, Andrea Cecília. A Hipertextualidade como Ambiente de Construção de Novas Identidades Docentes. Educação & Tecnologia: trilhando caminhos, SETZER, V.W. Meios Eletrônicos e Educação: uma visão alternativa. 2a.ed.São Paulo: Ed. Escrituras, SUTHERLAND, Ivan E. A Head-mounted Three-dimensional Display Fall Joint Computer Conference, AFIPS Conference Proceedings. Cambridge, TAKAHASHI, Tadao (org.) Sociedade da Informação no Brasil: Livro Verde. Ministério da Ciência e Tecnologia, Brasília, set TORI, Romero. Blog do Romero Tori. 14 de maio de Disponivel em blogspot.com/2010/05/realidade-aumentada-na-educacao.html acesso em 14 de setembro de VELLOSO, Fernando de Castro. Informática: conceitos básicos. São Paulo: Editora Campus, ZORZAL, Ezequiel Roberto, Alexandre Cardoso, Cláudio Kirner, e Edgard Lamounier. Realidade Aumentada Aplicada em Jogos Educacionais. Realidade Aumentada Disponivel em Acesso em 26 de agosto de Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 89

88 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL Antonio Dinei Aguiar de Araujo Jr. 1 Angel Tomas Castroviejo 2 1. Resumo Trata-se de um estudo teórico sobre a importância e prejuízo do transcurso temporal na aplicação do Direito Civil Brasileiro. Observa-se que, sem o lapso temporal, teríamos apenas teorias, e poucos direitos esparsos. Palavras-chave: Direito, Civil, Processo, Tempo. 1. Abstract This is a teoric study on the importance of passing time and injury in the application of the Brazilian Civil Law. Noting that, without the delay, we would just theories, sparse and few rights. Keywords: Law, Civil Procedure, Time. 2. O Tempo no Direito Civil O Direito Civil rege todas as manifestações de vontade entre pessoas, portanto, refere-se ao Direito Privado. Este ramo do direito é o reflexo direto da sociedade, das mudanças que nela ocorre no transcurso do temporal. O processo de mudança da sociedade é muito mais rápido que do Direito, sofrendo influências de muitos elementos que a modifica a cada geração. Atualmente, a maior interferência é da tecnologia, que inova e acelera os processos de relação entre as pessoas e que pode provocar conflitos quando utilizada de forma controversa: por exemplo a mídia, que se valendo da tecnologia, nos afoga em informações em uma velocidade cada vez maior e em quantidade também exponencial, podendo violar direitos individuais e coletivos, com câmeras especiais, gravações clandestinas, violação de s, tudo isso sendo divulgado praticamente em tempo real e tendo amplitude mundial com o uso da internet. Segundo Carlos Roberto Gonçalves: A evolução social, o progresso cultural e o desenvolvimento científico pelos quais passou a sociedade brasileira no decorrer do século passado provocaram transformações que exigiram do direito uma contínua adaptação, mediante crescente elaboração de leis especiais, que trouxeram modificações relevantes ao direito civil, sendo o Direito de Família o mais afetado, como a Lei dos Registros Públicos, a Lei de Locação, o código de defesa do consumidor, o código das águas, o código de minas e outros diplomas que transformaram e revogaram vários dispositivos e capítulos do código civil em uma tentativa de atualizar a legislação privada. A própria constituição de 1988 trouxe importantes inovações ao direito de família, especialmente no tocante à filiação, bem como ao direito das coisas, ao reconhecer a função social da propriedade. (GONÇALVES, 2009, p.21) Deste modo, vemos que o transcurso do tempo causou uma modificação intensa no Direito Civil, o surgimento do transporte aéreo, da indústria automobilística massiva, das telecomunicações, da informática, todos ¹ Acadêmico do Curso de Direito- UNISEB. Bolsista PIBIC do Centro Universitário UNISEB. ² Docente do Curso de Direito do Centro Universitário UNISEB. 90 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

89 alteraram os modos de como as pessoas se relacionam, com isso, obrigou, como dito acima, a produção constante de normas especiais. A sociedade também se modificou, enquanto no início do século passado a mulher era dona de casa e o homem responsável pela obtenção de recursos para o sustento da família, no final dos anos 70 as mulheres começaram a trabalhar para obter a independência financeira e maior qualidade de vida para sua família, mas ainda eram tratadas de forma desigual em relação aos homens. Com a Constituição de 1988, isso mudou, segundo seu texto, não é mais admitida nenhuma discriminação entre os dois sexos, e na década de 90, as mulheres conquistaram seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade como profissionais nas mais diversas áreas e como chefes de família. As modificações sociais foram tão intensas que foi necessária a elaboração de um novo código civil, promulgado em Um fato curioso é que a comissão que originou este novo código foi composta em 1967, seu projeto apresentado em 1972 e se tornou projeto de lei em Mas em 2002 mesmo, foi proposta uma nova modificação que afetaria 160 artigos, ainda no período de vacatio legis, buscando aperfeiçoar os dispositivos do novo Código. A maior mudança social amparada pelo Estado é o reconhecimento da relação estável entre pessoas do mesmo sexo. Tal amparo se deu, não por um texto legislativo, mas sim por uma interpretação extensiva, pelo Poder Judiciário, de uma lei já existente. Podemos ver que o próprio Direito se tornou mais ágil às modificações, graças à tecnologia. Hoje, devido à velocidade em que a informação pode percorrer o globo terrestre, é mais fácil observar mudanças sociais ou a necessidade de impor modificações à sociedade. Em relação ao texto do Código Civil, já deparamos com a interferência temporal em sua Lei de Introdução, por exemplo. Nela se determinam as regras de aplicabilidade do código. Toda lei produzida deve ter um período de vacatio legis, que é o período que compreende o intervalo existente entre sua publicação e sua obrigatoriedade. Como regra geral o prazo de 45 dias após sua publicação para sua aplicação no território nacional, mas é aceita a alteração conforme a necessidade entalecida para que a sociedade se adeque às mudanças que deverão ser feitas devido a esta nova lei, podendo ser de vigência imediata no ato de sua publicação ou posterior aos 45 dias, como foi o caso do próprio Código Civil que ficou em vacatio legis por 1 ano após sua publicação. Como o objeto do Direito Civil é o Direito Privado, ele inicia determinando quem são as pessoas, primeiramente as pessoas naturais, sua personalidade e capacidade. Todo aquele que nasce com vida torna-se pessoa, assim vemos que o tempo é elemento crucial para que se saiba se uma nova personalidade jurídica chegou a existir, independente de que seja um segundo ou cem anos, se foram constatados sinais vitais após a desvinculação do ventre materno, aquele individuo, juridicamente, passou a existir: neste momento ele passa a adquirir todos os direitos inerentes a sua personalidade e que se estende a todos os homens, como direito a vida, liberdade e igualdade. É possível também que, este novo indivíduo receba direitos e obrigações relacionados a patrimônio, em caso de herança. Então este momento dita o direito de gozo, mas não a capacidade de fato, ou exercício. Assim, para ser pessoa basta que o homem exista, e para ser capaz o ser humano precisa preencher os requisitos necessários para agir por si, como sujeito ativo ou passivo duma relação jurídica. Eis por que os autores distinguem entre capacidade de direito ou de gozo e capacidade de exercício ou de fato. (DINIZ, 2005, p. 511) Para a capacidade de fato, o código determina outras regras que apenas são possíveis de serem aplicadas devido ao transcurso do tempo. Em regra, aqueles entre zero e 16 anos, são incapazes, por terem sua capacidade de analise e Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 91

90 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL compreensão limitada, necessitam, assim, de outra pessoa para substituir ou completar sua vontade. Os indivíduos entre os 16 e 18 anos são os parcialmente incapazes, estes indivíduos podem adquirir obrigações, mas devem ser assistidos por seus responsáveis, por exemplo, para abrir conta em bancos. Já os indivíduos que ao completarem 18 anos, adquirem capacidade plena para adquirir tanto direitos como obrigações, não precisando de intervenção de nenhuma outra pessoa para manifestar sua vontade em contratar. Não podemos esquecer que a personalidade jurídica, nesse caso, se encerra com o óbito da pessoa natural, que segundo o texto legal determina que Art. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte; presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. Nesse transcurso cronológico de sua existência, a pessoa adquiriu direitos e obrigações, foi parte passiva ou ativa em contratos que demandaram tempo para serem exauridos. Já a Pessoa Jurídica, que é a associação de pessoas naturais organizadas com o intuito de superar limitações individuais e atingir um objetivo comum, o Direito Privado disciplina esta unidade coletiva e lhe confere uma personalidade individual e própria, alheia aos seus fundadores, sendo como o resultado da vontade humana. Diferentemente da pessoa natural, no momento que se inicia sua personalidade, a Pessoa Jurídica adquire capacidade plena de direitos e obrigações, e sua existência é indeterminada, em regra, podendo ser desvinculada totalmente da personalidade de seus sócios. 2.1 A prescrição e decadência Os institutos do direito civil que sofrem influência do transcurso temporal de forma perceptível são a prescrição e a decadência. No direito romano primitivo, as ações eram perpétuas, sendo permitido que o interessado a elas recorresse a qualquer tempo. A ideia de prescrição surge no direito pretoriano, pois o magistrado vai proporcionar, às partes, determinadas ações capazes de contornar a rigidez dos princípios dos jus civile. A prescrição é o modo pelo qual se extingue um direito (não apenas a ação) pela inércia do titular durante certo lapso de tempo; já a decadência é a extinção do direito pela inércia do titular, quando a eficácia desse direito estava originalmente subordinada ao exercício dentro de determinado prazo, corre indefectivelmente contra todos e é fatal, e nem pode ser renunciado (CC, art.209). A prescrição pode ser interrompida ou suspensa, e é renunciável. A prescrição resulta somente de disposição legal; a decadência resulta da lei, do contrato e do testamento. A decadência extingue o direito e indiretamente a ação; a prescrição extingue a ação e por via obliqua o direito; o prazo decadencial é estabelecido por lei ou vontade unilateral ou bilateral; o prazo prescricional somente por lei; a prescrição supõe uma ação cuja origem seria diversa da do direito; a decadência requer uma ação cuja origem é idêntica à do direito; a decadência corre contra todos; a prescrição não corre contra aqueles que estiverem sob a égide das causas de interrupção ou suspensão previstas em lei; a decadência decorrente de prazo legal pode ser julgada, de oficio, pelo juiz, independentemente de arguição do interessado; a prescrição das ações patrimoniais não pode ser, ex oficio, decretada pelo magistrado; a decadência resultante de prazo legal não pode ser enunciada; a prescrição, após sua consumação, pode sêlo pelo prescribente; só as ações condenatórias sofrem os efeitos da prescrição; a decadência só atinge direitos sem prestação que tendem à modificação do estado jurídico existente. (DINIZ, 2003, p. 341) Ainda, segundo a autora: 92 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

91 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL As causas impeditivas da prescrição são as circunstancias que impedem que seu curso inicie e, as suspensivas, as que paralisam temporariamente o seu curso; superado o fato suspensivo, a prescrição continua a correr, computado o tempo decorrido antes dele. (DINIZ, 2003, p. 341) Os artigos 197, I a III, 198, I e 199, I e II, todos, do CC estabelecem as causas impeditivas da prescrição. De acordo com Maria Helena (Curso de Direito Civil, 2003, p. 341) as causas impeditivas da prescrição se fundam no: status da pessoa, individual ou familiar, atendendo razões de confiança, amizade e motivos de ordem moral. Primeiramente não corre prescrição entre os cônjuges, na constância do matrimônio. A propositura de ação judicial por um contra o outro seria fonte de invencível desarmonia conjugal. É provável que a influência do cônjuge impedisse seu consorte de ajuizar a ação, que no qual, se extinguiria pela prescrição (CC, art.197, I).Também não há prescrição enquanto durar o poder familiar do filho sobre influência dos pais, que o representam quando impúberes e assistem quando púbere. Não sendo certo, deixar que preservem seus direitos, se vissem os filhos obrigados à ação judicial, sob pena de prescrição (CC, art.197, II). Ademais não há prescrição entre tutelados e tutores e curatelados e curadores. O tutor e o curador devem zelar pelos interesses de seus representados. Sendo que, a lei suspende o curso da prescrição das ações que uns podem ter contra os outros, para evitar que descuidem dos interesses, quando conflitarem com esses (CC, art.197, III). O artigo 198 do CC também estabelece que não corre prescrição contra: os absolutamente incapazes (CC, art,198, I). Sendo, uma maneira de os proteger. O prazo só começa a fluir depois que acabar a incapacidade absoluta. Outrossim, não corre prescrição contra os que estiverem a serviço público da União, dos Estados e Municípios, estão fora do Brasil (CC, art.198, II) e contra os que estiverem incorporados às Forças Armadas, em tempo de guerra. Suponha-se que estes estejam ocupados com os negócios do País, não tendo tempo para cuidar dos próprios (CC, art.198, III). O artigo 199 do CC igualmente determina que não corre prescrição pendendo condição suspensiva (CC, art.199, I), não estando vencido o prazo (CC, art.199, II), pendendo ação de evicção (CC, art.199, III). Já o artigo 200 do CC estabelece que não deva correr a prescrição antes da respectiva sentença definitiva, quando a ação originar de fato que deva se apurado no juízo criminal. Isso serve para evitar decisões contrapostas. Sendo necessária a apuração do poder judiciário para que seja determinado a responsabilidade e o dever de reparação por um ato criminal, a reparação civil deverá ser imputada somente ao criminoso, sendo necessária a sentença criminal transitada em julgado para indicar o responsável para a reparação civil. Segundo Maria Helena Diniz (2003, p. 339) as causas que interrompem a prescrição são: as que inutilizam a prescrição iniciada, de modo que o seu prazo recomeça a correr da data do ato que a interrompeu ou do último ato do processo que a interromper. O artigo 202 do Código Civil apresenta algumas hipóteses de interrupção de prescrição. A primeira hipótese é quando do despacho do juiz determinando a citação do réu, mesmo sendo o juízo incompetente, caso o interessado a promover no prazo e na forma da lei (CC, art. 219). Mesmo o despacho que a ordena e não a citação propriamente dita, que tem o condão de interromper a prescrição. Sua eficácia fica dependendo de a citação efetuar-se no prazo determinado pela lei. A lei admite que tal efeito se alcance ainda que a citação seja ordenada por juiz incompetente. A regra não beneficia alguém que de última hora queria se salvar da prescrição que está quase consumada, devido a sua negligência, requerendo que a prescrição seja interrompida perante o Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 93

92 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL primeiro juiz que achar. A citação deve interromper a prescrição, porem a prescrição não se interrompe com a citação nula por vício de forma ou por achar perempta a instância ou a ação. A segunda hipótese que interrompe a prescrição é o protesto, nas condições do art. 202, I. Aqui se prescinde de um comportamento ativo do credor, sendo este, desnecessário dado o procedimento do devedor. Se este reconhece, inequivocamente, sua obrigação, seria estranho que o credor se apressasse em procurar tornar ainda mais veemente tal reconhecimento. A hipótese se configura quando o devedor faz pagamento por conta da dívida, solicita ampliação do prazo, paga juros vencidos, outorga novas garantias, e outros. A interrupção operada contra um dos herdeiros do devedor solidário não prejudica os outros herdeiros ou devedores, somente quando se tratar de obrigações e direitos indivisíveis. A interrupção produzida contra o principal devedor prejudica o fiador. Em regra geral a prescrição ocorre em dez anos quando a lei não tenha fixado prazo menor. Sendo este, o prazo máximo da prescrição. Caso o Código Civil não tenha previsto outro prazo, o prazo mencionado vale para todos os casos de prescrição, de modo que, ou a lei impõe um prazo menor, ou a ação prescreve dentro do tempo mencionado. O Código Civil apresenta várias ações e fixa-lhes um prazo diferente de prescrição, que começa de um e vai até cinco anos, atribuído a muitas ações, (CC, Art. 206). Por exemplo, prescreve no prazo de um ano a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes, contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade. Prescreve em dois anos a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que se vencerem. Prescreve no prazo de três anos a a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa (CC, art. 206, 3º, IV). Prescreve em quatro anos a pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas. Por fim prescreve em cinco anos a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular (CC, art. 206, I). Destarte, vemos que o tempo é o instrumento necessário para que a ciência jurídica absorva as modificações ocorridas em seu âmbito jurisdicional, logo o tempo é fundamental na existência do Direito. 3. O Tempo no Direito Processual Civil O Direito Processual Civil é o instrumento de materialização do Direito Civil. O Código de Processo Civil é a lei que trás ao Judiciário, não apenas as regras para o pleito de tutela jurisdicional compreende toda a estrutura que concerne ao exercício da jurisdição civil, a que determina a distribuição de atribuições entre só componentes dos órgãos judiciários, horário de funcionamento dos serviços forenses, competência de juízes e auxiliares e etc. Também cabe à lei processual Civil regrar sobre a forma e a dinâmica do exercício da ação em juízo, o procedimento. E por fim, as normas e princípios gerais ou específicos de interpretação e equacionamento da função jurisdicional e do exercício do direito de ação. Como por exemplo, condições e pressuposto processuais. Para Theodoro (2010), o Código de Processo Civil é o meio de harmonizar o direito processual com outras normas jurídicas estranhas ao código, e de solucionar conflitos intertemporais de normas. Toda lei, como criação humana, está sujeita a um início e a um fim, ou seja, ao começo de sua vigência e ao momento que cessa sua eficácia. A produção normativa relacionada ao Processo Civil não possui um rito especial, como dito no capítulo anterior, as normas estão subordinadas à Lei de Introdução ao Código Civil brasileiro. Em regra, a lei não atinge fatos anteriores a sua entrada em vigência, porém, existe uma discussão sobre as mudanças relacionadas à lei processual pelo fato de seus 94 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

93 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL efeitos incidirem imediatamente também nos processos em andamento. Deste modo, entende-se que as leis processuais são de efeito imediato frente aos feitos pendentes, mas não retroativas, pois só os atos posteriores à sua entrada em vigor é que se regularão por seus preceitos. Tempus regit actum Antes de debater mais sobre o tema deste trabalho, ainda é necessário apresentar os princípios gerais e específicos do direito processual civil, sendo eles relativos ao processo, e outros ao procedimento. 3.1 Princípios Gerais e Específicos do Direito Processual Civil Do devido processo legal: o devido processo legal, no Estado Democrático de Direito, jamais poderá ser visto como simples procedimento desenvolvido em juízo. Seu papel é o de atuar sobre os mecanismos procedimentais de modo a preparar e proporcionar provimento jurisdicional compatível com a supremacia da Constituição e a garantia de efetividade dos direitos fundamentais, sendo elas, o direito de acesso à Justiça, o direito de defesa, o contraditório e a paridade de armas processuais entre as partes, a independência e a imparcialidade do juiz, a obrigatoriedade da motivação dos provimentos judiciais decisórios, e, a garantia de uma duração razoável, que proporcione uma tempestiva tutela jurisdicional. Do dispositivo: tem duas derivações importantes, o da demanda, que determina que cabe apenas à parte o poder de abrir um processo, e não ao juiz, e a congruência, que determina que o juiz deverá ficar limitado ao pedido da parte. Do contraditório: é a garantia do pleno direito de defesa e de pronunciamento durante todo o curso do processo. Do duplo grau de jurisdição: diz a respeito de que todo ato do juiz que possa prejudicar um direito ou um interesse da parte deve ser recorrível, como meio de evitar ou emendar os erros ou falhas que são inerentes aos julgamentos humanos. Da boa-fé e da lealdade processual: a lealdade processual é a consequência da boafé no processo e exclui a fraude processual, os recursos torcidos, a prova deformada, as imoralidades de toda ordem. Da verdade real: o processo civil busca a verdade, porém não sendo possível, o juiz pode se contentar com a verdade formal, baseando-se apenas nos fatos e circunstancias constantes dos autos e a sentença necessariamente deverá conter os motivos que lhe formaram o convencimento. Da oralidade: sendo a identidade da pessoa física do juiz, de modo que este dirija o processo desde seu início até o julgamento, a concentração que é uma ou em poucas audiências para a produção de provas e o julgamento da causa, e, irrecorribilidade das decisões interlocutórias, evitando a cisão do processo ou a sua interrupção contínua, mediante recurso, que devolvem ao tribunal o julgamento impugnado. Da publicidade: a justiça não deve ser secreta, assegurada por preceito constitucional(cf, art. 93, IX) Da economia processual: o processo deve-se apoiar-se em proporcionar às partes uma Justiça a mais barata possível e a mais rápida possível. Da eventualidade e da preclusão: determina que o processo tem determinados momentos para determinadas manifestações, como por exemplo, Nos termos do art. 300 do Estatuto Adjetivo compete ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa..., não havendo meios de se retornar a fase anterior quando terminado o prazo para tal ato, obrigando o processo seguir sempre um sentido único. Apresentado estes requisitos fundamentais que devem ser observados no Direito Processual, há condições de se iniciar da discussão sobre a influência do tempo no Processo Civil. O tempo é algo natural, é uma constante universal, porém a contagem do tempo é uma invenção humana, é um interesse social em se medir dias, meses e anos, e suas frações ou suas conglomerações. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 95

94 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL Desta forma, a tramitação do processo não poderia ficar ausente a influência temporal, tanto que durante a produção normativa, o legislador determinou que a tutela jurisdicional fosse sempre prestada pelo Estado dentro de um limite razoável de tempo, com a finalidade de tornar o processo idealmente instrumentalizado, a fim de que pudesse ter duração razoável. Conforme descrito no texto da Constituição Federal em seu art. 5º, LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Assim, o juiz é impossibilitado de retroagir a atos praticados anteriormente, com exceção da das matérias de ordem publica. Muitas vezes se diz que o tempo é um inimigo do processo, que seus operadores devem batalhar contra este elemento, porém, deve-se observar que esta frase corre em omissão e contradição, primeiro, o tempo não é um inimigo do processo, o que é um inimigo do processo e da própria tutela jurisdicional é o excesso de tempo, o transcurso temporal é necessário para que as partes, o juiz e seus auxiliares atendam todos os princípios processuais. Em segundo, a luta contra o tempo é uma batalha que se for travada de forma descuidada pode vir a prejudicar o exercício do direito e a resolução definitiva da lide. Não basta apenas solucionar a lide entre as partes, deve buscar a solução da lide social. Para isso, é necessário tempo, na quantidade certa, não se tendo uma receita, pois o processo é relacionado a um caso especifico, a para cada caso, existe uma demanda temporal necessária. Ocorrem atualmente discussões para que se torne o processo mais dinâmico e breve, entretanto, não se pode querer acelerar os procedimentos, pois se corre o risco de prejudicar a solução da lide. Para a maioria dos processos, as soluções dos litígios podem ser buscadas fora do judiciário, mas não contrárias à lei. No procedimento processual temos três tipos de prazos: prazos legais, prazos judiciais, e prazos convencionais. O primeiro é determinado pela lei, como o de resposta do réu e o dos diversos recursos. Já o segundo é determinado pelo próprio juiz, no caso da designação de data para audiência, o de fixação do prazo do edital, o de cumprimento da carta precatória e etc, podendo ser pelo prazo que seja razoavelmente necessário para atender alguma determinação judicial. Por fim, o terceiro, refere-se aos prazos ajustados, de comum acordo entre as partes, como o de suspensão do processo, ou de concessão pelo credor ao devedor na execução, para que a obrigação seja voluntariamente cumprida. O processo caracteriza-se pelo constante diálogo travado entre as partes, no mais das vezes por meio de uma cognição plena e exauriente, tornando necessário estabelecer prazos para que isso ocorra racionalmente, sob pena de não se ter o mínimo de parâmetros para determinar o tempo e a forma com que será solucionado o conflito de interesses. Como a prestação da tutela jurisdicional não é marcada pelos traços do automatismo, procura-se fazer o possível para abreviar o tempo entre a lesão ao direito e a sentença judicial, ou entre a ameaça ao direito e a decisão que visa impedir a sua ocorrência. (NUNES, 2010, p. 132) Segundo a natureza dos prazos, eles podem ser considerados dilatórios ou peremptórios. Os prazos dilatórios são aqueles que embora fixados na lei, admitem ampliação pelo juiz ou por convenção das partes, podendo ser reduzidos ou ampliados, conforme o art. 181 Código Processo Civil. Já os prazos Peremptórios são aqueles que a convenção das partes e ordinariamente, o próprio juiz, não podem alterar, porém, é permitida, em casos excepcionais, a ampliação de todo e qualquer prazo, mesmo os peremptórios, desde que seja difícil o transporte na Comarca, ou tenha ocorrido caso de calamidade pública. Por regra, o curso do prazo é contínuo, 96 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

95 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL uma vez iniciado não sofrerá interrupção em seu curso pela superveniência de feriado ou dia não-útil. Porém, as férias forenses, terão efeito suspensivo sobre o prazo ainda em andamento, sem distinguir entre sua natureza. Suspendendo sua contagem e continuando pelo prazo restante já no primeiro dia útil seguinte ao termino das férias, art. 179, CPC. Não atingindo o prazo decadencial, restringindo apenas aos atos processuais. Outro instituto que interfere no prazo processual são os Recursos, que no sentido amplo implica em todo meio empregado pela parte litigante a fim de defender o seu direito. Porém, em uma acepção técnica e restrita, o recurso pode ser definido como o meio ou remédio impugnativo apto para provocar dentro da relação processual ainda em curso, o reexame de decisão judicial, pela mesma autoridade judiciária, ou por outra hierarquicamente superior visando obter sua reforma, invalidação, esclarecimento ou integração. Apenas os atos do juiz são sujeitos a recursos, e de acordo com o art. 162 do CPC, apenas as sentenças, decisões interlocutórias. Aos despachos, que são atos judiciais que apenas impulsionam a marcha processual, não cabe recurso algum. De acordo com o texto do art. 508, o prazo para recurso será de 15 dias para interpor os recursos de apelação, embargos infringente, recurso ordinário, recurso especial e recurso extraordinário. Os outros recursos sujeitam-se a prazos menores. Cada espécie de recurso tem um prazo particular, que é comum para ambas as partes, começando sua contagem a partir da intimação do conteúdo do ato judicial. Os recursos podem ser apreciados pelo próprio magistrado que proferiu a decisão recorrida, ou, pelo tribunal hierarquicamente superior. Entretanto, ao interpor um recurso, acaba-se prolongando a vida do processo. Infelizmente, a vasta gama de recursos que podem ser apresentados, é utilizada apenas como meio de postergar uma obrigação judicial. 4. Conclusão Como apresentado, o Direito se materializa com o auxílio do transcurso temporal. Sem a aplicação desta variável no Direito, se tornaria impossível sua aplicabilidade. Pois sem delimitar prazos não existiria segurança jurídica. Normalmente quando se relaciona processo e tempo, logo associamos a ideia de demora, de lentidão, de justiça tardia. Porém existe uma relação muito mais profunda e intrínseca. Assim, devemos separar a influência do tempo no Direito, do tempo do procedimento processual. O primeiro está relacionado aos critérios específicos e objetivos que instruem o aprimoramento da tutela judicial. Já o segundo, reflete como tal tutela é prestada pelo Estado. A busca por meios para deixar o processo mais célere e seu tempo de vida menor não pode ser focada apenas na mudança legislativa. Os juízos abarrotados de processos, a falta de infraestrutura, servidores capacitados com quantidade e qualidade necessária, são os principais fatores para prolongar e perpetuar e lentidão judiciária. Para que os magistrados possam, assim, exercer sua função de membro do poder judiciário de forma adequada, que atenda as necessidades locais, afim de proporcionar a tutela jurisdicional no menor tempo possível para aquele caso específico, será necessária uma reforma administrativa e gestora dos Tribunais. Enquanto não ocorrer isto, veremos constantemente o quadro de servidores e membros insuficientes, infraestrutura arcaica e um baixo nível de renovação de funcionários, afetando diretamente a satisfação de um direito desejado. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 97

96 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL Referências BARROS MONTEIRO, Washington de. Curso de Direito Civil. 38.ed. São Paulo: Saraiva, DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil. 20. ed. rev. aum. São Paulo: Saraiva GONÇALVES, Carlos Roberto, Direito Civil Brasileiros. Volume I. 7. ed. São Paulo: Saraiva NUNES, Gustavo Henrique Schneider, Tempo do Processo Civil e Direitos Fundamentais. 1ª ed. São Paulo: Letras Jurídicas, RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. 34. ed. São Paulo: Saraiva, SAID CAHALI, Yussef. Código Civil. 6.ed. São Paulo: RT, THEODORO JR., Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 51ª ed. Rio de Janeiro: Forense, TUCCI, José Rogério Cruz e. Tempo e Processo. São Paulo: Revista dos Tribunais, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

97 A INFLUÊNCIA DO TRANSCURSO TEMPORAL NAS MODIFICAÇÕES OCORRIDAS NO DIREITO CIVIL Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 99

98 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP Luiz Guilherme de Paula Madeira¹ João Paulo L. de Oliveira² 1. Resumo O empreendedorismo é um assunto que ganhou considerável importância no Brasil nas últimas décadas. A grande importância das micro e pequenas empresas para a economia brasileira e o alto índice de mortalidade destas empresas, motivaram a criação de órgãos de apoio e institutos de ensino e pesquisa na área de empreendedorismo. Atualmente, o ensino de empreendedorismo faz parte de muitos cursos de administração de empresas. O presente estudo tem como objetivo analisar o perfil empreendedor dos alunos de uma faculdade de administração na cidade de Ribeirão Preto - SP, comparando os alunos ingressantes com os alunos concluintes e medindo o nível de evolução do perfil empreendedor ao longo do curso. Foi realizado um levantamento junto a 85 alunos de primeiro e último ano deste curso, com a utilização de um questionário envolvendo perguntas sobre a vida empresarial do aluno e um teste de perfil empreendedor. Os resultados obtidos mostraram que há uma evolução do perfil empreendedor destes alunos ao longo do curso, já que o percentual de alunos do último ano que afirmaram serem bons ou excelentes na maioria das características empreendedoras pesquisadas foi maior que o percentual dos alunos do primeiro ano. A pontuação final atribuída a cada aluno após a soma das notas de cada característica mostrou uma nota média maior dos alunos concluintes em relação aos ingressantes, e também maior presença no grupo dos alunos classificados como de perfil empreendedor mais desenvolvido. Palavras chave: Empreendedorismo, comportamento empreendedor, pequenas empresas. 1. Abstract Entrepreneurship is a topic that has gained considerable importance in Brazil in recent decades. The great importance of micro and small enterprises for the Brazilian economy and the high mortality rate of these companies, led to the creation of support agencies and institutes of education and research in the field of entrepreneurship. Currently, the teaching of entrepreneurship is part of many courses of business administration. The present study aims to analyze the entrepreneurial profile of students at a business school in the city of Ribeirão Preto SP, comparing the first and final year students, and measuring the level of entrepreneur profile development along the course. It was performed a survey with 85 students from the first and final year of this course, using a questionnaire involving questions about the business life of the student and an entrepreneur profile test. The results showed that there is an evolution of the entrepreneur profile of students along the course, since the percentage of final year students who said to be good or excellent in most of the entrepreneurs characteristics surveyed was higher than the percentage of first year students. The final grade assigned to each student after the sum of the scores of each characteristic, also showed a greater average score of final year students in ¹ Acadêmico do Curso de Administração do UNISEB ² Docente e Coordenador do Curso de Administração do UNISEB 100 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

99 relation to new students, and also greater presence in the group of students classified as more developed entrepreneur profile. Keywords: entrepreneurship, entrepreuner behavior, small businesses. 2. Introdução Este trabalho discorrerá sobre o perfil comportamental do empreendedor de sucesso, fazendo uma análise comparativa da evolução deste perfil ao longo de um curso de administração de empresas de uma faculdade de Ribeirão Preto. Segundo Dornelas (2008), o empreendedorismo é um conceito muito difundido e estudado há várias décadas em países como os Estados Unidos da América, onde o capitalismo já tem bases mais sólidas. No Brasil, o conceito de empreendedorismo começou a ganhar popularidade no final da década de 90, com a crescente preocupação em criar pequenas empresas longevas, dadas as altas taxas de mortalidade de novos negócios registrada no país até então. A grande preocupação do governo e das entidades de classe era o fato de as grandes empresas, procurando aumento na competitividade e redução de custos, provocarem um alto índice de desemprego. E a conseqüência desse desemprego foi a criação de diversos pequenos negócios por parte dos ex-funcionários das grandes empresas, mesmo não tendo grande experiência no ramo em que escolheram. Nos últimos anos, o índice de sobrevivência das MPE (Micro e Pequenas Empresas) tem aumentado substancialmente. (SEBRAE, 2007). Porém, para Dornelas (2008), mesmo com esta melhora no índice de sobrevivência das MPE, deve-se atentar ao fato de que a concorrência aumentará conforme aumenta a estabilização da economia e a capacitação dos empreendedores. Por isso os empreendedores devem sempre buscar mais conhecimentos e se desenvolverem nas habilidades necessárias para gerir o negócio com sucesso. Por ser o empreendedorismo um assunto que gerou interesse nos brasileiros de forma tardia, este ainda é pouco abordado dentro das universidades. Segundo Tachizawa (2004), tradicionalmente os alunos entram nas universidades com o objetivo de obterem uma graduação e conseguirem um emprego em uma grande empresa. São raros os casos em que alunos universitários obtêm seu diploma, e abrem seu próprio negócio O objetivo geral deste trabalho é estudar e comparar o perfil empreendedor dos alunos ingressantes e concluintes de administração de uma faculdade privada de Ribeirão Preto. 3. Revisão teórica 3.1 Conceituação de empreendedorismo Para Dornelas (2008), o empreendedor pode ser definido como o indivíduo que tem as habilidades necessárias para transformar simples idéias em oportunidades reais de negócio, e abre uma empresa para explorar o retorno financeiro advindo desta oportunidade. Há um consenso entre os estudiosos de empreendedorismo de que os empreendedores têm algumas características em comum, tais como: coragem de empreender em um novo negócio, gosta do que faz, tem habilidade para alocar recursos de forma inteligente, é um agente transformador do ambiente, não tem aversão ao fracasso e aos riscos de o negócio não prosperar. Hisrich e Peters (2004) consideram o empreendedorismo como um processo que engloba quatro pontos principais. O primeiro diz respeito à novidade (criação de algo valioso para o empreendedor e seu público). O segundo aborda o tempo e o esforço exigidos em um novo empreendimento. O terceiro aspecto é o risco que o empreendedor deve assumir ao iniciar um negócio. E o quarto diz respeito às recompensas de ser um empreendedor, tais como: independência, satisfação pessoal e retorno financeiro. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 101

100 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP De acordo com Filion (1999), o empreendedor é aquele que tem capacidade de: estabelecer e atingir metas de uma forma criativa; detectar tendências e oportunidades, por entender com facilidade o contexto em que está inserido; admitir riscos controláveis e aprender continuamente, confirmando assim sua condição de empreendedor. De acordo com Filion (1991, apud FILION, 1999, p. 19) Um empreendedor é uma pessoa que imagina, desenvolve e realiza visões. Segundo Bernardi (2010), um indivíduo pode lançar-se ao empreendedorismo de diversas formas. Uma delas é efetivamente montando uma nova empresa. Também pode comprar uma empresa já em funcionamento. Além disso, existem as sociedades, ou seja, o empreendedor pode se associar a uma empresa em criação, ou que já existe há algum tempo. E finalmente, existem as franquias, que por terem modelos formalizados de negócio, reduzem os riscos para aqueles empreendedores que não conhecem bem o mercado em que pretendem atuar. Conforme Dornelas (2008), há um processo empreendedor que compreende quatro etapas, que não seguem necessariamente uma seqüência, já que o empreendedor pode ter que realizar alguma etapa mais de uma vez. As etapas do processo empreendedor consistem em identificar uma oportunidade, elaborar um plano de negócios, obter os recursos financeiros necessários e por último, gerenciar o negócio. 3.2 Análise histórica do empreendedorismo Segundo Hisrich e Peters (2004), o termo empreendedorismo deriva da expressão francesa entrepreneur, que significa intermediário ou aquele que está entre. Um dos primeiros exemplos de empreendedorismo é de Marco Polo, que atuava como um intermediário assinando um contrato de risco com uma espécie de capitalista da época, para vender suas mercadorias em rotas comerciais entre a Europa e o Extremo Oriente. Assim, em caso de sucesso na operação, Marco ficava com um pequeno percentual da venda e o capitalista com a maior fatia do faturamento. Na Idade Média, era chamado de empreendedor aquele que gerenciava ou participava de grandes projetos, tais como construção de prédios públicos e grandes igrejas. No século XVII, empreendedor era visto como aquele que assumia riscos ao fazer um contrato de valor fixo com o governo para o fornecimento de serviços ou produtos estipulados. O escritor e economista Richard Cantillon, observando esta forma de empreendedorismo, escreveu uma das primeiras teorias classificando como empreendedor aquele que trabalhava com risco em suas atividades. Filion (1999) ressalta que de acordo com os manuscritos de Cantillon, ele poderia ser comparado aos atuais capitalistas de risco, pois procurava obter retorno sobre o capital investido, através das oportunidades de negócios que encontrava. Cantillon também era uma pessoa que acreditava na gestão inteligente e eficiente para obter os rendimentos esperados. Para Hisrich e Peters (2004), no século XVIII ficou clara a distinção entre capitalista de risco e empreendedor. Um dos exemplos é Thomas Edison, que contou com capital de terceiros para concluir seus experimentos com química e eletricidade. Uma das causas para essa distinção foi a industrialização, onde surgiu a necessidade de que capitalistas de risco financiassem projetos de empreendedores, em troca de altas taxas de retorno. Filion (1999), ao falar da visão comportamentalista do empreendedorismo (aquela dos psicólogos, psicanalistas e sociólogos), destaca a contribuição do psicólogo americano David McClelland, que em seu estudo percebeu que existem muitos heróis na literatura, e que as gerações seguintes tentavam seguir o comportamento destes heróis, criando um grande desejo de realizar e este desejo era associado aos empreendedores. Entretanto, como McClelland considerava qualquer 102 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

101 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP executivo de uma grande corporação como um empreendedor, não se encontrou em seus escritos qualquer ligação entre desejo de auto-realização e desejo de possuir um negócio próprio. Os comportamentalistas ainda dominaram os estudos sobre o empreendedor, até o início da década de 80, na tentativa de descrever os traços e características dos empreendedores de sucesso. Apesar destas tentativas, os resultados foram muito contraditórios, o que leva a conclusão de que não é possível predizer se um futuro empreendedor terá sucesso, mas é possível detectar se ele possui as características mais encontradas normalmente nos empreendedores de sucesso. (FILION, 1999) 3.3 Panorama do empreendedorismo no Brasil De acordo com Dornelas (2008), no Brasil, os estudos no campo do empreendedorismo se popularizaram em meados dos anos 90, com a criação de entidades e programas que apóiam o micro e pequeno empreendedor, tais como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e a Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software). Segundos dados do Sebrae (2007), a taxa de sobrevivência das MPE brasileiras com pelo menos dois anos de existência, saltou de 56% em 2002 para 78% em Esta evolução pode ser creditada à melhoria das condições da economia brasileira (redução dos juros, controle inflacionário, aumento do consumo) e ao melhor preparo dos empresários. Neste mesmo período, o percentual de empresários que tiveram habilidade para detectar oportunidades no mercado passou de 15% para 43%. De acordo com dados do Sebrae e Dieese (2010), em 2008 o Brasil contava com estabelecimentos formais, sendo que destes, (94%) eram micro empresas, (5,1%) eram pequenas empresas, (0,6%) eram médias empresas e (0,3%) eram grandes empresas. Para Degen (2009), houve certa liberalização da economia brasileira após a eleição de governos democráticos e a conseqüente privatização de muitas empresas, entretanto, o Brasil está distante de estar totalmente integrado à economia globalizada. Uma das conseqüências é o chamado custo Brasil, que é o fator que onera o produto brasileiro, gerando falta de competitividade. O custo Brasil nada mais é que o reflexo da infra-estrutura precária e da alta carga de impostos praticada no país, dificultando o desenvolvimento do empreendedorismo. Segundo Maximiano (2011), apesar dos obstáculos impostos aos empreendedores brasileiros, hoje existem diversos órgãos que apóiam o desenvolvimento do empreendedorismo, além dos órgãos governamentais, tais como escolas superiores que oferecem cursos e programas voltados ao ensino empreendedor, incubadoras de novas empresas e também os sites de organizações especializadas que disponibilizam informações aos empreendedores na internet. 3.4 O perfil do empreendedor de sucesso e as implicações em sua vida Para Bernardi (2010) há um consenso na literatura de empreendedorismo acerca das características e traços de personalidade do empreendedor. O empreendedor tem facilidade para encontrar e desenvolver oportunidades, é enérgico e realizador, confia em si mesmo e é otimista, se sujeita a riscos, sabe se relacionar e construir networking, é dinâmico, sabe criar e inovar, é independente e persistente. Segundo Maximiano (2011), os estudos indicam que o perfil empreendedor engloba algumas características essenciais, tais como criatividade e capacidade de implementação, disposição a correr riscos, perseverança, otimismo e independência. Degen (2009) se baseia nas definições de Joseph Schumpeter, David McClelland e Bernard Shaw para definir o comportamento do empreendedor. O empreendedor é aquele Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 103

102 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP que não se conforma com o status quo, faz parte de uma minoria que se sacrifica por um objetivo desafiador, demonstrando uma grande necessidade de realização e disposição a correr riscos, e por fim, tenta superar tudo o que já existe no mercado, introduzindo novos produtos e/ou serviços. Ainda segundo Degen (2009), o empreendedor se sujeita a trabalhar muito além do que um empregado comum, sacrificando uma grande parte de sua vida em prol do sucesso de seu negócio. O empreendedor tem noção do quanto valioso é o seu tempo e trabalho, e assim procura maximizar sua utilização, sempre com o objetivo de obter o sucesso empresarial. Para Dornelas (2008), os empreendedores devem possuir além das características pessoais, habilidades técnicas e gerenciais. Ter habilidades técnicas significa saber se comunicar e gerenciar informações de forma eficaz, ser organizado, ter habilidades de liderança e trabalho em equipe e principalmente conhecer muito bem tecnicamente a área em que atua. Ter habilidades gerenciais significa ter uma boa base de conhecimentos em todas as áreas da administração (marketing, operações, finanças e administração geral), ser um bom negociador e tomador de decisões. Para Filion (2000), os empreendedores são indivíduos experientes no mundo dos negócios, trabalham exaustivamente e são envolvidos, são visionários, têm capacidade de liderança e de controle do comportamento alheio, se relacionam com seus empregados de maneira única, e normalmente são influenciados ainda na juventude, por algum modelo empreendedor, algo ou alguém que serviu de guia para a formação de sua cultura empreendedora. Para Drucker (2005), o espírito empreendedor é uma característica que pode ser encontrada em indivíduos das mais diversas personalidades e temperamento, portanto não deve ser considerado como um traço de personalidade e sim um comportamento. Tais indivíduos devem aceitar a incerteza, dado que são tomadores de decisão. Para o empreendedor, a mudança é algo natural e inevitável, ao qual ele deve reagir e explorar todas as oportunidades recorrentes. 3.5 A comparação entre o empreendedor e o administrador tradicional Segundo Dornelas (2008) existem muitas discussões acerca das características dos administradores (gerentes) tradicionais e dos empreendedores. Ambos compartilham algumas características, mas o empreendedor possui outras que o diferem. Os bons empreendedores devem dominar as técnicas da administração para obterem o sucesso empresarial, entretanto existem muitos bons administradores que não apresentam características empreendedoras. Para Filion (2000) os gerentes tradicionais baseiam seu trabalho em uma estrutura preexistente, criada por outra pessoa. Seu trabalho consiste em atingir objetivos organizacionais, através da utilização de recursos de forma racional e eficiente. Os empreendedores trabalham em estruturas normalmente criadas através de seu conhecimento de um mercado ou produto específico, têm a capacidade de visão do futuro, do que desejam fazer e qual resultado esperam obter. A ação dos empreendedores está ligada a maneira como interpretam o que está acontecendo em determinado contexto. Para Dornelas (2008), conhecer profundamente o mercado em que atua, com considerável dispêndio de tempo e experiência, é uma habilidade única do empreendedor. Outra forte característica do empreendedor é a capacidade de enxergar algo no futuro, se baseando nisso para fazer um plano. Como o planejamento é uma função da administração, presume-se que o empreendedor é aquele que incorpora as características do administrador de forma complementar, utilizando o melhor das várias abordagens e tomando suas decisões a partir de sua visão do contexto em que vive. Para Lemes Júnior e Pisa (2008), 104 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

103 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP os empreendedores são aqueles que detectam oportunidades em forma de necessidades, criando assim demanda por um produto ou serviço, e capitalizam sobre esta oportunidade, criando uma empresa e assumindo todos os riscos ligados a ela. Assim são agentes de mudança e inovação. Já os gerentes tradicionais têm a função de gerir pessoas e informações. Com estas habilidades, os gerentes conseguem atingir os objetivos organizacionais, extraindo o melhor das habilidades e competências de cada funcionário. 3.6 Considerações sobre o ensino de empreendedorismo Segundo Dornelas (2008), as faculdades de administração formavam gestores de grandes empresas e não empreendedores, criadores de suas próprias empresas. Isso ocorria devido à estabilidade oferecida por estas grandes organizações e por empresas públicas, além de salários, status e possibilidades de ascensão profissional animadores. Com a mudança de contexto, os jovens profissionais e as faculdades de administração se depararam com um cenário para o qual eles não haviam se preparado e por isso o ensino de empreendedorismo passou a ter a importância merecida tardiamente. Durante muito tempo acreditouse que as características empreendedoras eram fruto de predestinação, ou seja, o empreendedor já nascia assim e não podia se preparar alguém para desenvolver estas características. Entretanto, hoje se sabe que é possível o ensino do empreendedorismo. Um curso de empreendedorismo deve abordar as características e habilidades do empreendedor de sucesso e sua importância para o desenvolvimento da economia e o processo empreendedor como um todo, desde a avaliação de idéias e oportunidades até a conclusão do plano de negócios, e seus desdobramentos práticos. Para Filion (2000), o ensino de empreendedorismo não deve ser pautado exclusivamente pela transmissão de conhecimento, mas pelo desenvolvimento de know-how e do conceito de si. Desenvolver o know-how significa entender profundamente o mercado, saber lidar com idéias e oportunidades, saber como criar uma estrutura, uma organização, a partir de uma visão de futuro. Também significa conhecer as técnicas administrativas. Já o conceito de si, implica no desenvolvimento da autonomia, autoconfiança, criatividade, capacidade de liderar, determinação, entre outras características consideradas fundamentais para o empreendedor de sucesso. Filion (2000) ainda ressalta que é necessário o devido cuidado para que o programa de ensino empreendedor não se torne um curso tradicional de gerenciamento, caso o conteúdo não seja adaptado à realidade do empreendedor e das pequenas empresas. O know-how e o autoconhecimento são desenvolvidos através de situações que levem o aluno a definir contextos, através do uso de estudos de caso, depoimentos e contato direto com empreendedores. Para Degen (2009), atualmente existem centros de ensino de empreendedorismo, tanto em faculdades como em escolas técnicas, que oferecem condições para o desenvolvimento do empreendedorismo através de instrumentos como incubadoras e treinamentos. Entretanto, a maioria desses cursos faz parte do currículo regular de cursos de graduação, onde a maioria dos alunos ainda é inexperiente no que diz respeito às habilidades do empreendedor, tais como a detecção de oportunidades. Além disso, os cursos são muito focados em tecnologia e gestão da empresa, excluindo outras disciplinas igualmente importantes que ajudariam na formação de empresas voltadas para a melhoria das condições ambientais, econômicas e sociais, ou seja, a criação de oportunidades com base na sustentabilidade. 4. Metodologia Este trabalho desenvolve uma pesquisa quantitativa, tipo descritiva, que Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 105

104 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP utiliza como técnica o levantamento (ou survey). Segundo Malhotra (2006), pesquisa quantitativa é aquela que através de algum tipo de análise estatística, busca quantificar dados de uma amostra, generalizando-os para uma população-alvo. Segundo Cervo, Bervian e Silva (2007), as pesquisas descritivas buscam observar, registrar e analisar a ocorrência de fenômenos e fatos, a freqüência com que ocorrem e sua correlação com outros. Tem como objetivo descrever aspectos e características do comportamento humano e a correlação entre suas variáveis, e justamente por isso, as pesquisas descritivas são largamente utilizadas nas ciências sociais e humanas. Para Malhotra (2006), levantamento é um método que utiliza um questionário para obter certos dados e informações de indivíduos que fazem parte de uma amostra da população. Através do questionário, é possível entrevistar estes indivíduos, e obter informações sobre suas características, comportamentos, entre outros dados que sejam importantes para o objetivo do estudo. As principais vantagens do levantamento são: a facilidade de aplicação, a confiabilidade das informações obtidas (devido ao fato de as respostas serem fixas, predeterminadas) e a análise final mais simples. A principal desvantagem é o fato de alguns dados apresentarem mais dificuldades para serem conseguidos, seja por relutância ou incapacidade dos indivíduos que participam do levantamento. Para Kotler e Keller (2006), questionário é um instrumento de pesquisa com perguntas para os entrevistados, para a coleta de dados primários. Dados primários são aqueles coletados para uma pesquisa específica, ao contrário dos secundários que são aqueles que foram colhidos para outra finalidade e estão disponíveis em algum lugar. Em relação ao tipo de perguntas contidas no questionário, os autores destacam que podem ser abertas ou fechadas. As perguntas fechadas, como já oferecem um conjunto de respostas predeterminadas, oferecem mais facilidade na tabulação e análise das respostas. Já as perguntas abertas, como são respondidas com as palavras do entrevistado, são mais reveladoras. Foi realizado um levantamento dentro de um curso de administração de uma Faculdade privada de Ribeirão Preto, para avaliar a evolução do perfil empreendedor dos alunos, comparando os ingressantes com os concluintes. O curso tem 134 alunos de primeiro e quarto, ano sendo 76 do primeiro e 58 do quarto. Deste total, entrevistouse 85 alunos, sendo 48 ingressantes e 37 concluintes. O questionário utilizado foi dividido em duas partes, sendo a primeira uma série de sete perguntas para levantar dados básicos dos alunos tais como idade, se o aluno é ingressante ou concluinte, e alguns dados sobre a vida empresarial do aluno. A segunda parte envolveu um teste de perfil empreendedor, elaborado por Dornelas (2008), onde os alunos se auto-avaliaram, dando notas de 1 a 5 para cada uma das 30 características empreendedoras. A soma das notas de cada característica resulta em uma nota global de 0 a 150, que define o grau de desenvolvimento do perfil empreendedor dos alunos. 5. Resultados e Conclusões Foram listadas 30 características empreendedoras, e os alunos classificaram cada uma de 1 a 5, onde 1 significa Insuficiente, 2 Fraco, 3 Regular, 4 Bom e 5 Excelente. As características foram divididas em seis grupos, sendo eles: 1) Comprometimento e determinação, 2) obsessão pelas oportunidades, 3) tolerância ao risco, ambigüidade e incertezas, 4) Criatividade, autoconfiança e habilidade de adaptação, 5) Motivação e superação e 6) Liderança. A soma das notas atribuídas a cada uma das 30 características pesquisadas leva a uma nota global de 0 a 150, que segundo Dornelas (2008) define o perfil empreendedor de uma pessoa, neste caso os 106 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

105 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP alunos. a)120 a 150 pontos: O aluno já é um empreendedor, possui as características comuns aos empreendedores e tem tudo para se diferenciar no mundo dos negócios. b)90 a 119 pontos: O aluno possui muitas características empreendedoras e às vezes se comporta como um, porém pode melhorar ainda mais, se equilibrar os pontos ainda fracos com os pontos já fortes. c) 60 a 89 pontos: O aluno ainda não é muito empreendedor e provavelmente se comporta, na maior parte do tempo, como mais evoluídos em termos de habilidades e características empreendedoras, se situaram 27% dos alunos ingressantes e 46% dos concluintes, mostrando uma importante evolução do perfil empreendedor dos alunos, conforme mostra o gráfico 18. Um total de 71% dos ingressantes e 54% dos concluintes se situou na segunda faixa, demonstrando ter muitas características empreendedoras, e se comportando como um às vezes, mas necessitando de desenvolvimento em algumas habilidades. um administrador e não um fazedor. Para se diferenciar e começar a praticar atitudes empreendedoras ele deve procurar analisar os seus principais ponto fracos e definir estratégias pessoais para eliminá-los. d)menos de 59 pontos: O aluno não é empreendedor e, se continuar a agir como age, dificilmente será um. Isto não significa que não tem qualidades, apenas que prefere seguir a ser seguido. Se ele pretende ter um negócio próprio, deve reavaliar sua carreira e seus objetivos profissionais. Com base nessa classificação, e na análise dos resultados tem-se que: A média de pontuação dos alunos ingressantes foi de 112,27 pontos, enquanto que a média dos concluintes foi de 120,59 pontos. Na primeira faixa, que indica os alunos Na terceira faixa, observou-se a presença de apenas um aluno, ingressante, demonstrando possuir poucas características empreendedoras. E nenhum aluno se situou na última faixa, que representa aqueles que não possuem as características comuns aos empreendedores de sucesso. Esta análise mostra que a grande maioria dos alunos, no mínimo, possui a maioria das características e habilidades necessárias para se empreender com sucesso. Supõe-se que além da experiência acadêmica adquirida ao longo dos quatro anos de curso, outros fatores talvez possam influenciar no desenvolvimento empreendedor dos pesquisados, tais como formação familiar, idade, sexo etc. Algumas características como disposição ao sacrifício para atingir metas e capacidade de imersão Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 107

106 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP total nas atividades que desenvolve, mostraram grande evolução e talvez tenham sido influenciadas pela simples experiência de vida dos estudantes, ou seja, são características que possivelmente são influenciadas pelo avanço da idade. Em relação ao sexo, por exemplo, os alunos homens do 4º ano apresentaram média de pontuação geral superior às mulheres. Já no 1º ano a média masculina também foi superior, porém a diferença entre homens e mulheres foi menor. Uma das características que mostrou maior disparidade entre os ingressantes e concluintes foi a obsessão por criar valor e satisfazer os clientes, o que supostamente mostra que estes conceitos foram corretamente absorvidos pelos alunos durante o curso de administração de empresas. O perfil empreendedor dos alunos concluintes (último ano de curso) entrevistados apresentou mais desenvolvimento do que o perfil dos alunos ingressantes. A análise individualizada de cada característica demonstrou que em 26 das 30 características analisadas, o percentual de alunos concluintes que afirmaram ser bons ou excelentes foi maior do que o de ingressantes. Quando foi analisada a nota global, que determina em qual faixa de desenvolvimento se encontra o perfil empreendedor dos alunos, a nota média dos concluintes foi superior à dos ingressantes. Além da média, o percentual de concluintes que se concentraram na faixa de maior desenvolvimento do perfil empreendedor, foi maior que o percentual de ingressantes. A partir destas constatações, podese afirmar que houve evolução do perfil empreendedor dos alunos durante o curso de administração, com os alunos concluintes demonstrando maior desenvolvimento nas características, comportamentos e habilidades empreendedoras cruciais, tais como maior disposição a sacrifícios e riscos, maior preocupação com a satisfação dos clientes, disciplina e dedicação. 108 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

107 UM ESTUDO SOBRE O PERFIL EMPREENDEDOR DOS ALUNOS DE ADMINISTRAÇÃO DE UMA FACULDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP Referências BERNARDI, Luiz Antonio. Manual de empreendedorismo e gestão: fundamentos, estratégias e dinâmicas. São Paulo: Atlas, CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino; SILVA, Roberto da. Metodologia científica. 6 ed. São Paulo: Prentice Hall, 2007 DEGEN, Ronald Jean. O empreendedor: empreender como opção de carreira. São Paulo: Pearson Prentice Hall, DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, DRUCKER, Peter. F. Inovação e Espírito Empreendedor (entrepreneurship): prática e princípios. São Paulo: Pioneira Thomsom Learning, (obra original publicada em 1986) FILION, Louis Jacques. Empreendedorismo e gerenciamento: processos distintos, porém complementares. RAE Light- Revista de Administração de Empresas - FGV, São Paulo, v. 7, n.3, p.02-07, jul./set., FILION, Louis Jacques. Empreendedorismo: empreendedores e proprietários-gerentes de pequenos negócios. Revista de Administração, São Paulo, v. 34, n.2, p.05-28, abr/jun, HISRICH, Robert D.; PETERS, Michael P. Empreendedorismo. 5 ed. Porto Alegre: Bookman, KOTLER, Philip; KELLER, Kevin Lane. Administração de Marketing. 12 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, LEMES JUNIOR, Antonio Barbosa; PISA, Beatriz Jackiu. Administrando micro e pequenas empresas. Rio de Janeiro: Elsevier, MALHOTRA, Naresh K. Pesquisa de marketing: uma orientação aplicada. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, MAXIMIANO, Antonio Cesar Amaru. Administração para Empreendedores: fundamentos da criação e da gestão de novos negócios. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, SEBRAE (Org.); DIEESE. Anuário da micro e pequena empresa. 3 ed. Brasília; São Paulo: SEBRAE; DIEESE, SEBRAE. Fatores condicionantes e taxas de sobrevivência e mortalidade das micro e pequenas empresas. Brasília: SEBRAE, Disponível em: < br/bds/bds.nsf/8f5bde79736cb cbad3/$file/nt pdf >. Acesso em: 10 out TACHIZAWA, Takeshy; FARIA, Marília de Sant Anna. Criação de novos negócios: gestão de micro e pequenas empresas. 2 ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 109

108 QUALIDADE DO SERVIÇO INTERNO DO CENTRO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA DE UM BANCO EM RIBEIRÃO PRETO Ana Laura Dalpian 1 Carla Junqueira Tavares Jacomo 1 Alexandre de Castro Moura Duarte 2 1. Resumo O setor de serviço é o setor mais representativo da economia. Para que a entrega do serviço ocorra, existem varias etapas a serem executadas até o serviço final. A essas etapas intermediárias dá-se o nome de serviço interno, as quais são realizadas pelos clientes internos. A importância dos clientes internos está na qualidade do serviço executado e na sua interação com os clientes externos, pois um serviço com qualidade é percebido de maneira diferente pelos clientes. Para que haja qualidade em serviço, os clientes internos precisam estar motivados e satisfeitos, o que os leva também a aumentar a sua produtividade e consequentemente o crescimento da empresa. Este fato está diretamente ligado as políticas de Recursos Humanos praticadas pelas empresas: os benefícios oferecidos aos funcionários, as condições e ambiente de trabalho, o relacionamento com colegas e gerencia e etc. Este estudo se propõe a analisar a qualidade do serviço interno do setor Centro de Serviços e Logística, de um Banco do município de Ribeirão Preto. A instituição financeira do estudo existe a mais de 200 anos e vêm crescendo no decorrer dos anos, assim, o estudo foi realizado para se analisar a relação entre a qualidade do serviço interno deste setor com o desempenho e satisfação dos seus funcionários, o que reflete diretamente na empresa. O estudo analisou a satisfação dos funcionários referente a cinco critérios da qualidade em serviço. Para atingir o objetivo proposto, utilizou-se um referencial teórico que abrangesse a importância do serviço interno, a qualidade em serviço e políticas de Recursos Humanos, optou-se pela realização de um estudo de caso descritivo do tipo qualitativo e quantitativo, utilizandose como ferramenta o levantamento do tipo survey.os resultados sugerem que os clientes internos estão satisfeitos, variando conforme cada critério analisado, porém, percebeu-se que para se realizar uma analisa mais profunda, será necessário comparar o crescimento da instituição financeira com pesquisas anuais de satisfação do setor. Constatou-se também que o que dificulta uma analise mais profunda do estudo é a falta de índices de produtividade. Palavras chave: Serviço interno, Qualidade e Políticas de Recursos Humanos. 2. Abstract The service sector is the most representative sector of the economy. To occur a service delivery, there are several stages to be executed until the final service. These intermediate stages are called internal service, which are conducted by internal customers. The importance of the internal costumers are the quality of service performed and its interaction with external customers, because a quality service is differently perceived by customers. To ensue the quality of service, internal customers must be motivated and satisfied, so they increase their own productivity and then the growth of the company as well. This fact ¹ Acadêmicas do Curso de Administração do Centro Universitário UNISEB Ribeirão Preto. ² Docente do Curso de Administração e Coordenador do Curso de Eng. De Produção, do Centro Universitário UNISEB Ribeirão Preto. 110 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

109 is directly related to the Human Resources policies practiced by the companies: benefits provided to employees, the conditions and working environment, relationship with coworkers and manages and so on. This study aims to analyses the quality of internal service of the sector Center of Services and Logistics, of Bank of Ribeirão Preto city. The financial institute of the study has more than 200 years and has been growing over the years, therefore, the study was conducted to analyze the relationship between the internal service quality in this sector with the performance and satisfaction of its employees, which directly reflects in the company. The study analyzed the satisfaction of the employees regarding the five criteria of quality in service. To reach the goal of the study, was utilized a theoretical framework that encompasses the importance of internal service, quality in service and Human Resource policies, it was decided to carry out a descriptive case study of qualitative and quantitative types, using survey as a tool. The results suggest that the internal customers are satisfied, ranging according to each examined criterion, however, it was realized that to perform a deeper analysis will be necessary to compare the growth of the financial institute with annual surveys of satisfaction in the sector. Besides, it was also found that what hinders a deeper analysis of the study is the lack of productivity rates. Keywords: Internal Service, Quality and Human Resources Policies. 2. Introdução A importância do serviço juntamente com a globalização evoluiu nos últimos anos. Segundo Lovelock e Wright (2001) vivemos hoje em uma economia de serviços e não em uma economia agrícola ou industrial. Para Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005), os serviços estão no centro da atividade econômica de qualquer sociedade e representam a força vital de transição ruma a uma economia globalizada. Os clientes estão tornando-se cada vez mais críticos em relação aos serviços que recebem, por isso, a qualidade dos serviços é um assunto tão importante (DENTON, 1990). Empresas de serviço, bem como as de produto, têm se preocupado em manter e/ou melhorar a qualidade que oferecem, pois além de refletir externamente na imagem da organização, o gerenciamento da qualidade atua internamente influenciando os funcionários. As organizações cada vez mais tendem a reconhecer a importância estratégica da qualidade e a tomar medidas para a sua melhoria, pois a qualidade tem assumido maior destaque no ambiente atual de negócio, uma vez que permite agregar valor aos produtos e serviços oferecidos pelas empresas (SOBRAL, 2008). Quando se fala em qualidade, os funcionários são o aspecto mais visível nos serviços com qualidade inferior, porém, segundo Denton (1990) o culpado é o sistema em que os funcionários desempenham suas funções. Para Sobral (2008) a liderança é um dos papéis do administrador que está intimamente ligada com a direção e a motivação dos membros organizacionais. Segundo o autor, liderar é saber dirigir e influenciar o comportamento dos membros da organização, para conduzi-los à realização de determinados objetivos. Quando os benefícios oferecidos pela empresa são percebidos pelos funcionários, estes trabalham mais motivados e a qualidade dos seus serviços aumenta e conseqüentemente, os clientes a percebem em seus momentos da verdade. Com isso, muitas empresas já estão tirando o foco dos clientes externos e passando a olhar mais para seus clientes internos. Seguindo ainda o pensamento de Sobral (2008), uma série de fatores deve ser analisada quando se fala na satisfação dos funcionários que executam os serviços internos. Para que os trabalhadores sejam comprometidos com a organização, esta deve criar condições para que a força de trabalho se sinta satisfeita e motivada. Além do salário e a participação no lucro, existem outros fatores, os fatores não-monetários, que são Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 111

110 QUALIDADE DO SERVIÇO INTERNO DO CENTRO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA DE UM BANCO EM RIBEIRÃO PRETO benefícios concedidos pela empresa e que não são mensuráveis, mas que interferem no bem estar dos funcionários. 3. O Setor de Serviços O setor de serviço é considerado a parcela mais dinâmica da economia. Além de ser responsável pela maior participação do PIB mundial, segundo Lovelock e Wright (2001) o setor de serviço no Brasil corresponde a 55% do seu PIB, é o setor que possui a taxa mais elevada de crescimento no número de empregados em relação aos outros setores da economia. Segundo Côrrea e Caon (2006), nas estatísticas brasileiras, 60% da população se dedicam as atividades de serviço. Na economia brasileira, conforme dados do Governo do Estado de São Paulo, o Estado de São Paulo representa 31% do PIB do país, sendo a mais rica das unidades federativas, com melhor infraestrutura, mão de obra qualificada, fabricar produtos de alta tecnologia, além de abrigar o maior parque industrial, a maior produção econômica e maior população do Brasil (formada por mais de 40 milhões de habitantes). Assim, São Paulo recebe o status de motor econômico. 3.2 Importância do Serviço Interno Toda organização possui diversas subdivisões funcionais gerências, departamentos ou seções. Dentre essas subdivisões, algumas executam atividades de apoio e são consideradas serviços. Para atingir seus objetivos internos, a organização precisa integrar essas diversas funções e manter uma boa relação entre as pessoas, pois nessa interface supervisor-subordinado ambos têm que se apoiar. E é dessa interface que se origina o conceito de cliente interno (CORREA; CAON, 2006). Os clientes internos não são aqueles que pagam, estes são indivíduos ou grupos de indivíduos que fazem parte da mesma organização, mas que pertencem a uma unidade ou operação diferente (JONHNSTON; CLARK, 2008). A qualidade dos serviços internos, juntamente com outros fatores, para Heskett et al. (1994 apud SALOMI et al., 2005) influencia a fidelidade dos clientes gerando uma relação de causa e efeito. Assim, Salomi et al. (2005) sugere que ações gerencias que se baseiam na satisfação dos clientes internos venham a proporcionar aumento na satisfação dos clientes externos, o que gera a base de um diferencial competitivo. O encontro entre o prestador de serviço e o cliente é chamado de ponto de contato, isso se refere a qualquer ocasião em que o cliente tem contato com a marca ou com o produto e essa comunicação podem ser pessoais ou em massa (KOTLER; KELLER, 2006). Um problema que ocorre na maioria das empresas de serviço, segundo Albrecht (1994), é que o pessoal menos qualificado, mais jovens, mais novos na empresa, com menos experiência e treinamento são colocados na linha de frente em contato direto com o cliente. Para se criar um encontro de serviço benéfico, Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) cita que existe uma interação entre três partes: organização de serviço, pessoal da linha de frente e o cliente, conhecida como a tríade do encontro em serviço. Essas três partes ganham ao trabalharem juntas, pois o bom gerenciamento cria funcionários motivados, os quais, transmitem essa mensagem aos clientes, que satisfeitos geram feedback positivo para a empresa. 3.3 Qualidade e Produtividade em Serviço As organizações que querem ser bem sucedidas no fornecimento de um serviço com qualidade devem pensar também em produtividade e esquecer a separação que existe entre elas. Para isso, Denton (1990) propõe o termo qualitividade, onde a prática de um gerenciamento efetivo reflete conjuntamente na qualidade e na produtividade. Segundo o autor, as duas juntas significam a satisfação dos clientes e o sucesso do negócio. 112 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

111 QUALIDADE DO SERVIÇO INTERNO DO CENTRO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA DE UM BANCO EM RIBEIRÃO PRETO Pensando no cliente, para uma empresa de serviço, é cada vez mais um desafio melhorar a qualidade dos serviços oferecidos juntamente com o aumento de sua produtividade, segundo Lovelock e Wright (2001), ser eficiente na transformação de insumos em produto pode afetar negativamente a satisfação do cliente. O autor explica que a maioria das empresas pensa em reduzir custos da força de trabalho, assim, os funcionários passam a trabalhar mais, porém, após algum tempo, estes começarão a se esgotar, cometer erros e tratar os clientes de modo desinteressado. Pensando na produtividade dos funcionários, Robbins (2005) afirma que embora haja uma relação entre a satisfação do funcionário e sua produtividade, o autor sugere que as organizações também se preocupem com a qualidade de vida da organização, afinal, embora não se possa dizer que um funcionário feliz é mais produtivo, pode-se afirma que as organizações felizes são mais produtivas. Heskett et al. (1994 apud FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005) sugere uma relação entre a lucratividade, a lealdade do cliente e o valor do serviço prestado pelo empregado sobre três perspectivas: satisfação, capacidade e produtividade, a qual da o nome de cadeia de lucro dos serviços. Para Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) a satisfação do cliente em relação à qualidade do serviço é obtida comparando a percepção do serviço prestado com a expectativa do serviço desejado pelo cliente. Quando a expectativa do cliente se excede, o serviço prestado é visto como excepcional, como uma agradável surpresa, porém, quando o serviço prestado não atende a expectativa do cliente, passa a ser visto como inaceitável. Já quando a expectativa confirma percepção, o serviço é considero satisfatório (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). As diferenças entre expectativa e percepção dos clientes geram os GAPS da qualidade do serviço, os quais totalizam cinco falhas, sendo a última o resumo das quatro falhas anteriores, assim, a satisfação do cliente depende de minimizar as quatro falhas (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005). Com base no modelo de falha na qualidade em serviço, originou-se a ferramenta SERVQUAL, que segundo Fitzsimmons e Fitzsimmons (2005) é uma ferramenta valiosa na pesquisa da satisfação dos clientes. A ferramenta SERVQUAL é apropriada para avaliar a qualidade de qualquer empresa prestadora de serviços. Utilizando as cinco dimensões da qualidade com relação às expectativas e as percepções, mede-se as pontuações obtidas nos itens que formam cada dimensão para depois comparar a performance da empresa prestadora do serviço frente ao esperado pelo cliente e verificar qual das dimensões requer maior atenção. 3.4 Serviços Internos e Gestão de RH Até certo tempo atrás, as pessoas eram vistas como recursos humanos da organização, pois realizavam tarefas repetitivas e que exigiam esforço físico ou muscular. Segundo Chiavenato (2008) com a evolução da Era da Informação, o que era recurso tornou-se capital, pois o trabalho está se tornando cada vez mais criativo e inovador e na medida em que as pessoas conseguem desenvolver suas competências, elas geram mais valor a organização. A valorização pessoal de hoje está ligada, segundo Dutra (2002), a complexidade da sua entrega na organização. Para Denton (1990) os funcionários precisam entender que seus papéis são importantes na sobrevivência da empresa no longo prazo, afinal, empregados motivados e bem treinados mantêm a satisfação dos clientes. Além da interação entre os clientes e o pessoal da linha de frente, o relacionamento interpessoal e um ambiente de trabalho agradável também são importante, pois segundo Chiavenato (2004) podem melhorar a produtividade do pessoal, bem como reduzir acidentes, doenças, absenteísmo e Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 113

112 QUALIDADE DO SERVIÇO INTERNO DO CENTRO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA DE UM BANCO EM RIBEIRÃO PRETO rotatividade. Na visão de Robbins (2005), existem quatro variáveis dependentes que impactam o comportamento organizacional: produtividade, absenteísmo, rotatividade e satisfação no trabalho. Existem antigas e importantes teorias desenvolvidas sobre a motivação dos funcionários e que enfocam suas necessidades internas, como a Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow e a Teoria dos Dois Fatores de Herzberg (SOBRAL, 2008). Robbins (2005) afirma que a forma de interagir do indivíduo em cada situação é diferente, da mesma forma, as pessoas se diferem quanto à tendência do que as motiva. Hoje existem opções mais flexíveis de trabalho para torná-lo mais motivador. Robbins (2005) propõe algumas: rodízio de tarefas; ampliação de tarefas; horário flexível e telecomutação. Com essas diversas formas de tornar o trabalho motivador aos funcionários, tornase difícil estimar o valor da contribuição, em função das atividades de cada pessoa, para a organização. Segundo Chiavenato (2004) o desempenho varia de pessoas para pessoa e de situação para situação, pois depende das habilidades e capacidades da pessoa, da percepção do papel a ser desempenhado e sua recompensa. 4. Metodologia Este estudo teve como ponto de partida investigar a satisfação e produtividade dos funcionários do setor Centro de Serviços e Logística da instituição financeira Banco do Brasil do município de Ribeirão Preto em relação à qualidade dos serviços internos oferecidos. Assim buscou-se encontrar conclusões a respeito do desempenho dos funcionários e seus reflexos na instituição. O estudo foi classificado como descritivo, considerando-se que o tema de estudo já foi consideravelmente explorado e o problema de pesquisa está objetivamente definido. Foi realizado um estudo de caso, com dados coletados a partir do método de levantamento survey, do tipo qualitativo e quantitativo. Para o cálculo do estudo, foi utilizada a fórmula para variáveis qualitativas e população finita. Para determinar o tamanho de amostras empregadas em estudos com variáveis qualitativas, ordinais ou nominais, a estimativa do tamanho da amostra a ser analisada dependerá das proporções estudadas e do nível de confiança do estudo. (BRUNI, 2008, p. 205). Segundo o autor, se a população for considerada finita de tamanho N, utiliza-se a seguinte equação: n = 2 N p q( Zα / 2) 2 p q( Z ) + ( N 1) E α / 2 Assim, considera-se: E= Margem de erro Z= Confiança N= Tamanho da população p e q= proporção amostral No estudo foi utilizado erro de 4%, confiança de 95%, proporções amostrais de 50% e tamanho da população de 170, resultando uma amostra de 133. Não foi levado em consideração erro de 5%, pois a amostra do trabalho seria menor, tornando o trabalho menos preciso. Referente às proporções amostrais, p e q, segundo Bruni (2008, p. 204) Quando não for possível estimar os valores de p e q, ambos devem ser assumidos como iguais a 50% ou 0,5. Esse fato possibilita maximizar o valor do produto (p.q) e do tamanho da amostra a ser analisada. 5. Conclusões O estudo de caso foi realizado em um setor específico da instituição bancária, conhecido como CSL (Centro de Serviços e Logística). O CSL é uma Unidade Organizacional do Nível Operacional, pertencente à Rede de Apoio aos Negócios e à Gestão, destinada à prestação de serviços de logística para as unidades do Banco localizadas em sua área de abrangência. Tem Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

113 QUALIDADE DO SERVIÇO INTERNO DO CENTRO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA DE UM BANCO EM RIBEIRÃO PRETO como responsabilidade assegurar a satisfação das necessidades dos clientes do CSL, no que se refere a serviços de infraestrutura e apoio geral em logística de material, de bens, serviços, engenharia, processamento e suporte aos negócios e serviços de apoio ao funcionamento do Banco e responder pela qualidade, confiabilidade, adequabilidade e integridade dos controles internos, nos processos, produtos e serviços a cargo do CSL. O questionário aplicado foi estruturado em oito questões, sendo as três primeiras referentes ao gênero, masculino o cálculo das médias da satisfação de cada dimensão, considerou-se que o valor de cada item selecionado pelo entrevistado correspondia ao valor da escala Likert: 1, 2, 3, 4 e 5. Dentre as 5 dimensões, a dimensão Condições e Ambiente de Trabalho totalizou 11 itens; a dimensão Políticas de Benefícios,13 itens; a dimensão Sistema de Trabalho, 5 itens; a dimensão Relacionamento, 8 itens; e a dimensão Carreira, 6 itens. A partir da análise dos resultados, foi elaborado o gráfico 1 onde pode-se verificar as médias gerias das satisfações referente as cinco dimensões da qualidade em serviço, as e feminino; tempo de casa, até 5 anos, de 5 a 10 anos, de 10 a 15 anos, de 15 a 20 anos e acima de 20 anos; e cargo, escriturário, assitente B, analista B, analista engenheiro A Treinamento, analista engenheiro A e gerente; respectivamente. Para manter a privacidade dos funcionários, os cargos gerente de grupo em UA, gerente de setor em UA, gerente de área em UA e gerente geral foram classificados de uma forma geral como gerente. As cinco questões restantes referente à satisfação dos funcionários em relação a cinco critérios: condições e ambiente de trabalho, políticas de benefícios, sistema de trabalho, relacionamento e carreira. As questões referentes à satisfação dos funcionários foram medidas seguindo a escala de Likert de cinco pontos, sendo 1 muito insatisfeito e 5 muito satisfeito. Para Gráfico 1 - Médias Gerais Satisfação quais foram adequadas ao estudo. Dentre as cinco dimensões verificouse que a dimensão relacionamento é a melhor avaliada, tendo como satisfação média 79,74%, por outro lado, a menor avaliação foi dada a dimensão políticas de benefícios, com a satisfação média de 53,21%. Conforme verificado entre os anos de 2010 e 2011, o crescimento da instituição financeira bancária pode ser justificado pelo fato da qualidade nos serviços por ela realizados, pois conforme Denton (1990) afirma organizações que querem ser bem sucedidas e satisfazer seus clientes, não podem pensar separadamente em qualidade e produtividade, e sim nelas juntas, e também têm que reconhecer que os serviços são pessoas clientes e empregados e que empregados bem treinados passam a Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 115

114 QUALIDADE DO SERVIÇO INTERNO DO CENTRO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA DE UM BANCO EM RIBEIRÃO PRETO mensagem aos clientes. Assim, com a pesquisa realizada neste trabalho, foi percebida a relação existente entra o crescimento da instituição com a satisfação e qualidade do serviço realizado pelos funcionários do setor em questão. Porém, devido à falta de dados de pesquisa sobre satisfação interna do setor, de desempenho dos funcionários do setor e de informações sobre o crescimento do setor de anos anteriores não foi possível realizar uma correlação entre os dados, assim, foi proposto à criação de indicadores da satisfação interna, indicadores de desempenho dos funcionários e indicadores de crescimento do setor para que seja possível verificar se essa relação de crescimento é verdadeira no decorrer dos anos. Foi sugerido como indicadores de desempenho dos funcionários individualizar o cálculo do número de aberturas de novas agências, do número de novos clientes adquiridos pelas agências, entre outros aspectos que são medidos de forma geral no setor. Outro ponto analisado no estudo foi à falta de indicadores internos de produtividade para analisar a relação entre o crescimento da empresa e sua lucratividade com a produtividade e satisfação dos funcionários e clientes, conforme proposto por Heskett et al. (1994 apud FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2005) na cadeia de serviço lucro. À instituição também foi sugerida realizar pesquisas com os funcionários das agências quanto à satisfação do serviço recebido do CSL, além de realizar algumas modificações para melhor servir seus clientes internos, abrindo meios de comunicação para os funcionários exporem suas críticas e sugestões, e ao mesmo tempo, que a instituição divulgue e incentive seus funcionários a conhecerem e utilizarem os benefícios disponíveis. Referente a algumas alterações, é sabido que por ser uma grande instituição existem normas e padrões a serem seguidos, inviabilizando algumas mudanças, como por exemplo, nas condições e ambiente de trabalho, onde se verificou insatisfação. Referências ALBRECHT, K. Serviços internos: como resolver a crise de liderança do gerenciamento de nível médio. São Paulo: Pioneira, BRUNI, A L. Estatística aplicada à gestão empresarial. 2. ed. São Paulo: Atlas, CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: e o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, CHIAVENATO, I. Recursos humanos: o capital humano das organizações. 8. ed. São Paulo: Atlas, CORRÊA, H. L.; CAON, M. Gestão de serviços: lucratividade por meio de operações e satisfação dos clientes. São Paulo: Atlas, DENTON, D. K. Qualidade em serviços: o atendimento ao cliente como favor de vantagem competitiva. São Paulo: Makron; Mcgraw-hill, DUTRA, J. S. Gestão de pessoas: modelo, processos, tendências e perspectivas. São Paulo: Atlas, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

115 QUALIDADE DO SERVIÇO INTERNO DO CENTRO DE SERVIÇOS E LOGÍSTICA DE UM BANCO EM RIBEIRÃO PRETO FITZSIMMONS, J. A.; FITZSIMMONS, M. J. Administração de serviços: operações, estratégia e tecnologia da informação. Porto Alegre: Bookman, GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO. Uma potência chamada São Paulo Disponível em: < Acesso em: 03 out JONHNSTON, R.; CLARK, G. Administração de operações de serviço. São Paulo: Atlas, KOTLER, P.; KELLER K. L. Administração de marketing. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, LOVELOCK, C.; WRIGHT, L. Serviços: marketing e gestão. São Paulo: Saraiva, ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, SALOMI, G. G.; CAUCHICK, P. A.; ABACKERLI, A. J. SERVQUAL x SERVPERF: comparação entre instrumentos para avaliação da qualidade de serviços internos. Gestão & Produção, São Carlos, v. 12, n. 2, p , maio/ago SOBRAL, F. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 117

116 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO Antonio Aparecido Meneghini 1 Juliana Rocha Fernandes 1 Marcos Antonio Kerges de Menezes 1 Patrícia Tietz Vieira Granja 1 Marco Antonio Nicotari 2 1. Resumo Trata-se de um estudo teórico sobre a impoo sucesso empresarial depende de uma série de estratégias adotadas, com destaque à liderança, motivação e marketing. O presente artigo tem por objetivo analisar as opções que podem ser utilizadas para conseguir garantir a satisfação e lealdade de clientes. Nesta conjuntura a metodologia adotada constituise de pesquisa bibliográfica através de livros, artigos e revistas sobre o assunto, bem como em informações reais de uma empresa onde os pesquisadores trabalham e que não fora identificada a pedido de sua direção. Os resultados demonstram que a combinação de diversos fatores pode justificar o crescente interesse nas questões relacionadas à pósvenda, assim como a viabilidade de planos e ações. Palavras-chave: Pós-vendas, satisfação, clientes. 1. Abstract The business success depends on a number of strategies adopted, with emphasis on leadership, motivation and marketing. This article aims to analyze the options that can be used to ensure satisfaction and achieve customer loyalty. At this juncture the adopted methodology consisted of literature through books, articles and magazines on the subject, as well as on real information of one company where the researchers work that will not be identified at the request of its leadership. The results show that the combination of several factors may explain the growing interest in issues related to post-sale as well as the feasibility of plans and actions. Keywords: post-sales; satisfaction; customer. 2. Introdução A sociedade contemporânea, e, por consequência a rotina empresarial, tem assistido a uma série de mudanças, sobretudo nas duas últimas décadas, tanto nos aspectos sociais e políticos, quanto econômicos, técnicos, trabalhistas, todos resultados da globalização, dos avanços tecnológicos, da reestruturação produtiva, o que tem exigido das empresas, em uma conjuntura geral, valorização do cliente, assim como a elaboração de estratégias capazes de garantir o alcance das metas e a maximização dos resultados. No cenário organizacional, seja nas grandes corporações, nas microempresas ou nas empresas familiares, liderança, motivação e fidelização do cliente constituem pilares para a elaboração de estratégias, relevantes para o sucesso. Além disso, é significativo que se incorporem as novas tecnologias e valorize o conhecimento, aprimorando serviços e produtos, e mantendo uma linha de comunicação eficiente no cotidiano organizacional, possibilitando que se acompanhem as tendências de mercado e ¹ Acadêmicos do Curso de Administração do UNISEB Interativo Centro Universitário UNISEB- Ribeirão Preto. ² Docente do Curso de Administração do UNISEB Interativo; orientador do presente artigo. 118 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

117 as necessidades dos clientes. Com base nestas perspectivas o presente artigo objetiva verificar as tendências características no contexto empresarial contemporâneo, tendo como propostas a necessidade de elaboração de estratégias, tendo a pós-venda como uma delas. Para tanto, além dos referenciais teóricos a pesquisa contou com a análise prática, cuja empresa é identificada como X, por solicitações de seus diretores, sendo possível identificar que a mesma busca a excelência no relacionamento com os clientes, através da pós-venda. O mundo dos negócios, dinâmico e competitivo, tem exigido das empresas metas, objetivos e visão que se enquadrem na busca de qualidade dos produtos e serviços, cuja inovação, dinamismo e criatividade devem fazer parte da rotina. Em razão de tal conjuntura, torna-se necessária a elaboração de estratégias que contemplem a ocorrência, possibilitando a captação, satisfação e fidelização do cliente. 3. Empresa e Contexto: Perspectivas de Atuação A sociedade contemporânea tem apresentado significativas transformações nos últimos anos, em escala sem precedentes, deixando de ser eminentemente industrial e se tornando uma sociedade do conhecimento. Em razão disso, o valor deixou de se concentrar na capacidade de produzir um bem industrializado, tangível, passando a valorizar o intangível, produzindo bens que sejam intensivos em conhecimento. O conhecimento necessário e a resultante tecnologia empregada na produção do bem ou serviço valem muito mais do que o produto em si. (MIRANDA, 2003, p. 5). Disso resultam diversas mudanças nas relações sociais e nas conjunturas empresariais, possibilitando quebra de paradigmas e reestruturações nos mais variados aspectos, como destaca Costa (2009). Além disso, tais situações têm proporcionado alterações nas relações entre empresa e cliente, uma vez que este tem se tornado cada vez mais exigente, a concorrência mais acirrada e o mercado mais competitivo. Os fenômenos apontados exigem das empresas elaborações de estratégias [...] para melhorar seus produtos e processos e manter sua competitividade. Uma destas alternativas é a implantação de programas de gestão da qualidade, que combinem fatores humanos e técnicos (RODRIGUES; WERNER, 2011, p. 823). Segundo Valente et al. (2010), as mudanças também foram percebidas nos processos decisórios e no gerenciamento dos indivíduos, os quais são sentidos não somente na organização, mas no contexto em que ela se encontra, cuja necessidade de se lidar com pessoas passou a ser o foco das estratégias desenvolvidas. Por conta desta realidade o sucesso empresarial passou a encontrar forças na liderança eficaz e na motivação dos colaboradores, os quais passam a sentir e fazer parte da equipe de maneira integral e positiva. Gradativamente tal constatação foi fortalecida por uma postura mais ética, empreendedora, visionária, engajada com as mudanças evidentes na rotina, onde a sociedade do conhecimento passou a exigir organizações mais comprometidas com o seu entorno, com seu cliente, e, em particular, com seu colaborador, onde, como destacam Silva, et al. (2009), para que alcancem os objetivos empresariais, é preciso canalização dos esforços das pessoas, a sinergia entre os agentes na rotina de trabalho, para que anseios individuais e coletivos se complementem para o bem de todos. De maneira moderada a solução encontra-se no tipo ganhar-ganhar, para que os interesses dos envolvidos sejam buscados e atingidos, apresentando-se como solução que exige negociação, participação e sinergia dos esforços, tanto do trabalhador quanto da empresa. Empresas existem para gerar valor. Essa é a missão primordial, a razão de ser de qualquer negócio. É para isso que seus líderes armam Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 119

118 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO estratégias, seus funcionários trabalham duro, seus acionistas investem. É para gerar valor, e se perpetuar por meio dele, que companhias de todo o mundo se reinventam quase que diariamente, a fim de se adaptarem a um mercado cada vez mais exigente, global e mutante que, nos últimos anos, vem cobrando de maneira obsessiva uma transformação no modo como as empresas fazem negócios e se relacionam com o mundo que as rodeia. (DIAS, 2004, p. 68). Em razão disso se identifica em Borges e Baylão (2011) que as pessoas passaram a constituir o ponto fundamental para o sucesso da organização, deixando de serem meras fornecedoras de mão-de-obra para fornecedoras de conhecimento. Como apresentado, esta condição é decorrente de uma nova cultura e de uma nova estrutura das empresas, as quais passaram a se dar conta desta premissa, passando a privilegiar o capital intelectual, sendo que este somente pode ser proporcionado pelas pessoas. Destaca-se ainda, que elas são responsáveis por criar, inovar, produzir, vender, atender o cliente, tomarem decisões, liderarem, motivarem e gerenciarem. Sob este prisma o talento humano passa a ocupar grau de importância na rotina, igualando-se ao próprio negócio, constituindo elemento essencial para sua preservação, consolidação e o sucesso organizacional. Ciente disso, a organização vem buscando um melhor relacionamento entre as pessoas, dispondo de incentivos para o trabalho em equipe, valorizando a harmonia no grupo e tendo como ênfase o significado dos líderes para o desenvolvimento das competências. Não poderia ser diferente, já que, como Ramos (2009) apresenta, o enfrentamento da constante concorrência e da acirrada competitividade mercadológica, é possível graças a existência de pessoas competentes e criativas, na medida em que o colaborador na empresa passa a se tornar mais valias, representando o diferencial que esta é capaz de oferecer ao mercado, mostrando-se competitiva e engajada na elaboração de estratégias eficientes. Para tanto, não se pode ficar somente no discurso, sendo latente a integração das pessoas, sua formação, lideranças atuantes, grupos motivados, avaliações constantes, para que os agentes se sintam participantes das decisões. É relevante a existência de planos de treinamento, benefícios adequados, desenvolvimento das necessidades da empresa e das pessoas envolvidas no contexto, tendo por resultado minimizar o impacto das mudanças necessárias, como destacam Rodrigues e Werner (2011). Situação de destaque na rotina é a comunicação, a qual assume papel estratégico na organização, responsável por unificar conceitos, difundir objetivos e metas, propiciar o compartilhamento de informações e conhecimentos, integrar equipes e departamentos, e ouvir o cliente. Desta forma é fundamental que se reduzam as dificuldades que se relacionam ao envolvimento e comprometimento de todos os agentes, assim como se desenvolvam canais eficientes que atinja o todo, melhorando a comunicação entre a alta direção e demais colaboradores, e, por sua vez, o cliente. Clareza e comunicação dos objetivos e dos negócios estratégicos da organização são fundamentais para a maximização dos resultados. É interessante destacar que a empresa deve ter propostas inovadoras de valorizar seu colaborador, transmitindo seriedade, comprometimento e ética com este e com o cliente externo, considerando e revendo constantemente as estratégias, definindo a missão organizacional como centro do sistema de gestão, relacionando-a com a orientação e execução do plano estratégico. Definido os objetivos e contando com a participação de todos, a empresa, 120 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

119 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO nas mais variadas situações, cria um diferencial no contexto, possibilitando sua permanência no mercado e cumprindo as exigências do consumidor que atende. Assim, esta conjuntura tem por função permitir a integração entre o nível individual e organizacional, na medida em que a colaboração eficaz das partes possibilita a obtenção dos objetivos, lançando estratégias a curto, médio e longo prazo. 4. Estratégias e Ações para Cativar o Cliente A gestão empresarial não se limita no espaço físico da empresa, sendo responsável em atender ao mercado e ao consumidor que utilizam de seus produtos e serviços, pois, contrário ao observado na economia tradicional em que o lucro é a preocupação primária, atender os clientes, nas mais diversas instâncias, de maneira ética e com qualidade tornou-se uma exigência. Neste contexto de mudanças marketing, qualidade, comunicação constituem estratégias fundamentais frente ao concorrente, pois transmitem os valores e as posturas adotadas pela empresa, tendo intrínseco cativar o cliente, fortalecendo a marca e transmitindo as verdadeiras propostas organizacionais. Em Machado e Pereira (2009) é possível identificar que as empresas contemporâneas têm enfrentado constantes desafios, seja por parte da concorrência, ou internamente, resultado de comportamentos e necessidades das pessoas, sendo fundamental que mantenham uma visão futura, sob pena de sucumbir caso permaneçam estáticas. Por conta disso torna-se essencial que se desenvolvam estratégias, se tracem objetivos para a conquista e permanência no mercado. Para tanto se torna relevante avaliar o entorno em que a empresa encontrase inserida, assim como dados referentes ao mercado de atuação, o concorrente, deixando transparentes os objetivos, os valores e as metas, ideias estas compartilhadas por Yoshizaki (2009); entre as ações mais significativas que possibilitam a elaboração de estratégias e ações é a medição do potencial do mercado onde a empresa atua, já que tanto a introdução quanto o continuísmo do processo de atuação precisa ser seguido ou interrompido quando for o caso, avaliando o real potencial mercadológico e absorção do produto ou serviço disponível. Gradativamente, a eficácia tem sido somada à preocupação com a identidade moral e cultural da organização, sendo que o conhecimento tem-se tornando um grande diferencial, como destacado anteriormente, tornando-se um conceito integrante de um conjunto de questões técnicas, vinculadas aos interesses concretos. Interessante apresentar que, com a reestruturação do capitalismo, a construção da identidade institucional é resultado da organização do corpo administrativo e operacional vinculado aos interesses da comunidade, tendo o gestor como importante estrategista, lançando mão de recursos que buscam garantir a qualidade do processo. Atualmente diversos conceitos têm feito parte da rotina, as quais se apresentam como diferencial, com destaque à gestão de talentos, clima organizacional, desenvolvimento sustentável, concepções estas compartilhadas com os estudos de Gerheim (2008). Com base nesses pressupostos Machado e Pereira (2009) destacam que a empresa, para ter sucesso, deve se preocupar, além do lucro, com seu crescimento de maneira organizada e permanente, tendo por preocupação buscar inovação e conquista cada vez maior de seu público-alvo. Para formalizar a proposta de planejamento estratégico torna-se necessária a elaboração e aplicação de pesquisas junto aos clientes, fornecedores, colaboradores, gestores, objetivando melhoria dos produtos e serviços, assim como a utilização do marketing como forma de desenvolver propostas formais e ações para um planejamento estratégico, diagnosticando o ambiente interno e externo, identificando vantagens competitivas e propondo um roteiro formal para execução das propostas. Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 121

120 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO O marketing, para tanto, tem por desafio criar marcas fortes que convergem nas necessidades e desejos dos clientes, sendo uma política da empresa que apresenta por objetivo gerar a satisfação, o bem-estar e a lealdade do consumidor. Sob tal prisma ele constitui planejamento, análise, implementação e controle de programas e metas, as quais se destinam a provocar trocas voluntárias dentro de alvos mercadológicos definidos, concretizando a razão de existência da organização, seja ela uma grande corporação ou uma empresa de pequeno porte. Para o sucesso da mensagem do produto ou serviço é significativa a definição clara dos objetivos de marketing, assim como das estratégias definidas pelo gestor. Em razão disso, definir os objetivos é relevante durante a campanha do marketing e o sucesso da empresa, servindo como base comparativa com os resultados obtidos e servindo de parâmetro para as etapas de desenvolvimento da campanha de propaganda, ficando explícita a necessidade do estabelecimento claro das metas, para realizá-las. No dinâmico contexto do mercado contemporâneo surgem diversas oportunidades de ação, tornando excelentes oportunidades de negócios, sendo necessário que se desenvolvam decisões estratégicas conscientes com estas questões, analisando tendências e contando com a participação de uma equipe atuante, utilizando das ferramentas disponíveis. Aperfeiçoamento da mão-de-obra, utilização de canais de comunicação, atendimento eficaz nos processos de venda e pós-venda, contratações, soluções novas e condizentes às necessidades, utilização da tecnologia, do marketing e de uma propaganda condizente com os ideais da empresa proporcionam crescimento substancial, agilidade no processo, perspectivas reais de trabalho, qualidade e demais benefícios que geram situações positivas no mercado. Nesta conjuntura, a rotina da empresa influencia significativamente nos resultados esperados e obtidos, onde aspectos como preço, localização, público-alvo, produtos e serviços servem como canalizadores de resultados e estratégias. Analisando a prática que envolve o marketing, escolher diversos canais de distribuição e veiculação constitui aspecto significativo, além de que, envolvendo produtos, transporte e armazenamento do gênero constituem outros aspectos que precisam ser analisados, avaliando e mensurando aspectos que resultem em ganhos aos envolvidos no processo, como se verifica em Martins (2000). Nota-se, sob estes aspectos, que o gestor precisa levar em consideração tais fatores para a elaboração de planos e ações, analisando constantemente as necessidades dos clientes. Utilizando-se do marketing e da pesquisa contínua ele é capaz de determinar o segmento ao qual se dirige, necessitando de uma análise fidedigna, assim como uma extensa planificação. Além disso, outros fatores são responsáveis na elaboração de estratégias, com destaque à intensificação da concorrência, resultante do aumento do número de empresas similares, os movimentos em defesa do consumidor, assim como a preocupação com o meio ambiente, situações estas que afetam o desenho do produto e das técnicas empregadas pelo marketing. Buscar oportunidades concretas utilizando-se do marketing e aproveitandose das mudanças evidentes na rotina requer ousadia, perspicácia, dinamismo, proatividade, aperfeiçoamento, qualificação dos colaboradores, além de um trabalho em parceria com o gestor, necessitando de um referencial que fundamente a construção do projeto empresarial. Para tanto, é preciso se alicerçar em pressupostos de uma teoria crítica viável, personificada em uma prática compromissada em solucionar problemas que venham ocorrer e atender os clientes com primor e qualidade. Segundo Antunes e Rita (2008), a filosofia de marketing cria uma relação de aprendizagem com os clientes, por meio de uma grande interatividade, obtendo 122 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

121 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO informações necessárias para oferecer produtos e serviços de qualidade, de acordo com as necessidades do mercado, buscando a construção de relações duradouras e resultados positivos ao nível da satisfação e fidelização. Realizando um trabalho com estas considerações é possível elucidar a realidade que atende e a rotina do empreendimento, onde o contexto empresarial, tido como complexo, apresenta praticidade de manutenção quando se adotam ações de maneira ordenada, reais para serem atingidas e atentas às exigências do mercado. Por conta disso, agregar lucratividade com a realidade do mercado resulta em vencer as dificuldades e disponibilizar recursos para o sucesso da empresa, tendo sempre como premissa o contexto que atua, pois este é o maior responsável pela manutenção da organização, na medida em que as estratégias e as ações personifiquem a intenção de permanecer atuando na rotina. 5. Empresa X: Pós-Venda Como Estratégia Com base das considerações apresentadas nos tópicos anteriores é possível destacar a relevância da elaboração de estratégias para captar, cativar e garantir a fidelização dos clientes, situações estas percebidas na Empresa X, desta maneira caracterizada a pedido dos diretores, para que não haja identificação. Empresa de Bens de Capital, considerada de grande porte e líder mundial no fornecimento de equipamentos e plantas completas para usinas de açúcar e álcool, possui tecnologia de ponta para fabricação de equipamentos tanto em aço carbono como de aço inox; possui um sistema de reposição de peças e serviços, para atender de forma personalizada às necessidades de seus clientes e também ao mercado sucroalcooleiro. Por diversos anos a empresa atuou como uma das principais fornecedoras de plantas para fabricação de etanol e essas plantas estavam começando a escassear-se. Todo o atendimento para fornecimento de peças de reposição para as unidades mais tradicionais do setor competia fortemente com o fornecimento de equipamentos novos. As pesquisas realizadas sinalizavam certa insatisfação dos clientes tradicionais na medida em que se sentiam preteridos em suas necessidades de peças de reposição e atendimento de emergência em função dos novos equipamentos. Com a incerteza de atender a todos os clientes com satisfação, a empresa optou por procurar novas técnicas no mercado, buscando um plano estratégico que apresentasse resultados e conseguisse atender de forma uniforme seus clientes, visto que, como apresenta Abreu (1996), as empresas devem ser flexíveis para permanecer atuando. Segundo Miyashita (2007), neste cenário dinâmico a pós-venda configurase como extremamente relevante, já que, mesmo depois de implantado o sistema e que dê tudo certo e as vendas ocorram, o trabalho não termina com os negócios realizados. Pelo contrário, começa. Ainda segundo o consultor, muitos empresários pensam que depois de implantado os sistemas de vendas o restante é consequência: a satisfação, a fidelização e o boca a boca do cliente. Isso explica porque muitas estratégias terminam nas vendas e não se preocupam com sua manutenção. A empresa X, para cumprir uma pós-venda eficiente, utiliza-se do Sistema de Reposição de Peças e Serviços, criado de forma a integrar todas as atividades empresariais, inicialmente buscando a plena satisfação de seus clientes. Tendo como principal objetivo oferecer aos clientes o melhor preço, prazo de entrega, qualidade e o atendimento satisfatório, busca com intensidade a personalização. Além disso, o sistema dá ênfase a um sério trabalho de pós-vendas e à inter-relação das diversas atividades, abrangendo quase todas as áreas da empresa. Conforme o Manual Sistema de Gestão da Qualidade Procedimento Sistêmico Avaliação da Satisfação de Clientes adotado Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 123

122 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO pela empresa X, os clientes são classificados de formas diferentes, de A a C, envolvendo poder técnico, saúde financeira, parceria e número de visitas anuais, sendo que as conceito A apresentam maiores potenciais. A empresa X possui uma equipe de consultores de vendas composta por profissionais qualificados e treinados periodicamente para melhor atender os clientes, também possui, em contrapartida, um consultor interno para cada um externo, visando um melhor atendimento ao cliente final. O consumidor moderno busca constantemente novos produtos e serviços, neste sentido, é preciso que as organizações acompanhem as mudanças desse novo mercado e ofereçam um atendimento de qualidade, causando satisfação aos clientes e se fortalecendo perante a concorrência. (KOTLER; ARMSTRONG, 2003). Para isso a empresa X mantém os consultores internos responsáveis por darem apoio permanente aos assuntos relacionados à regional, atender clientes que visitam a empresa, atender aos clientes via telefone e eletrônica, fazer as intermediações das propostas comerciais colocadas no mercado e disponibilizar ao consultor externo todas as informações durante sua ausência. Para cada visita ao cliente, o consultor de vendas externas emite o Relatório de Visita (conforme modelo em anexo) onde escreve todas as informações referentes aos mesmos, sendo estas mercadológicas, da concorrência e a todos os assuntos tratados durante a visita. O referido relatório, além de fornecer informações importantes, para a implementação de ações corretivas e preventivas, pode também fornecer indicativos para a prospecção de novos negócios, atuação da concorrência, atualização cadastral, comportamento do mercado, bem como, alimentar o banco de dados da empresa. Mensalmente, são realizadas reuniões, com todos os consultores, na área comercial, gerências e superintendência, onde são analisados todos os assuntos pertinentes ao desempenho de vendas e análise crítica sobre os resultados alcançados por cada regional. As equipes de vendas, os consultores, têm suporte técnico das áreas de engenharia do produto e detalhamento, estrutura de campo e pós-vendas (administração de contratos), bem como mantém estreito relacionamento com o cliente, transmitindo informações relevantes sobre o andamento da encomenda. Porque só o ato de vender não é garantia de satisfação. Há de se lembrar de que a competição é enorme e que o cliente sempre tem opção comparável. Comprar, para o cliente, é o início de uma experiência, um teste mesmo. Será na condição de usuário que comprovará a qualidade prometida do produto e os serviços disponibilizados pela empresa e seus parceiros. Daí poderá surgir a verdadeira satisfação. Só o ato de adquirir e de possuir não mantém cliente satisfeito. (MIYASHITA, 2007). A empresa disponibiliza também serviços de plantões de emergência que funcionam 24 horas inclusive finais de semana e feriados em todas as unidades fabris. Os plantonistas, devidamente treinados são orientados a tomar todas as providências no sentido de resolver todos os problemas do cliente, seja ele técnico, de fabricação, reformas ou mesmo uma simples orientação via telefone. O sucesso do sistema de emergência está suportado pela disponibilização pela empresa, de estoque estratégico mínimo onde os plantonistas têm condições de atender de imediato a maior parte das emergências com ocorrência principalmente à noite e finais de semana. Em função do aumento de custos para a realização de uma visita de vendas, algumas alternativas começam a aparecer. É comum a substituição das visitas por outros 124 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

123 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO mecanismos de comunicação, como telemarketing ou mala direta, e pensar na otimização dessas visitas. (CASTRO, 2008, p. 141) Outro instrumento do sistema de gestão da qualidade, regularmente utilizado como fonte de informações para a tomada de decisões de marketing, é a Pesquisa de Avaliação da Satisfação do Cliente, que periodicamente, é enviado via mala direta onde os clientes podem dar seu parecer e sugestões sobre os atendimentos de emergência (conforme modelo em anexo). Este documento fornece elementos para avaliar o nível de satisfação e expectativas, bem como, o grau de importância do cliente, desde a fase inicial de abordagem do processo de vendas, passando pelas condições de atendimento ao cliente, suas necessidades, seu pedido, aos produtos e serviços solicitados, aspectos gerais do fornecimento e campo para sugestões de melhorias. O gerente/vendedor deve informar o cliente sobre o objetivo da pesquisa e de sua importância para a empresa, no sentido de resolução dos problemas internos, bem como para aprimoramento da qualidade dos bens e serviços fornecidos. A empresa deve medir a satisfação com regularidade porque a chave para reter clientes está em satisfazê-los. Em geral, um cliente altamente satisfeito permanece fiel por mais tempo, compra mais à medida que a empresa lança produtos ou aperfeiçoa aqueles existentes, fala bem da empresa e de seus produtos, dá menos atenção a marcas e propaganda concorrentes e é menos sensível a preço. (KOTLER; KEVIN, 2006, p. 144). O procedimento de avaliação da satisfação do cliente é anualmente executado pela Superintendência de Negócios, por meio de pesquisa via meio eletrônico ( ). Os dados são tabulados pela área de administração de vendas e divulgada internamente aos setores envolvidos e analisada criticamente nas reuniões mensais de desempenho. Para os casos em que a avaliação já reflete uma reclamação/insatisfação do cliente, é necessário tomar as providências aplicáveis para resolução do problema, levando o caso ao conhecimento da Diretoria, se necessário. No que se refere à área de vendas, esta tem responsabilidades emitir a Confirmação de Pedido; emitir o Contrato Legal da Confirmação de Pedido, quando solicitado pelo cliente; encaminhar ao administrador, todos os documentos válidos para projetos aplicáveis; destinar documentos internos para determinação das verbas de compra para Suprimentos. A área de Administração de Contratos é responsável pela Fase Pós-Vendas. Com a documentação em mãos, o administrador deverá proceder à análise crítica do contrato, certificando-se de que os dados norteadores para os usuários estão definidos. Durante esta análise, o administrador deverá comparar todos os requisitos estabelecidos, certificando-se de que: todos os requisitos do cliente correspondem plenamente aos ofertados na proposta consolidada e/ou negociações acordadas; todos os documentos enviados pelo cliente a serem considerados, correspondem àqueles utilizados na elaboração de proposta técnicocomercial ou nas ofertas de venda; os dados divergentes estão devidamente acordados com o cliente; os eventos financeiros registrados na Confirmação de Pedido estão devidamente considerados no Fluxo de Caixa. A satisfação das necessidades do comprador quase sempre envolve a coordenação de atividades ligadas. Por exemplo, o tempo de entrega frequentemente é determinado não apenas pela logística externa, mas também pela velocidade do processamento de pedidos. (PORTER, 1990, p. 116). Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 125

124 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO Durante a Gestão de Contratos, o administrador deve trabalhar para estreitar os laços com o cliente, primeiramente apresentando-se como representante da empresa, colocando-se à disposição para assuntos relacionados aos itens requeridos e, depois realizando visitas periódicas durante o processo de fabricação dos produtos. Todas as fases do fornecimento passaram a ter um acompanhamento mais adequado e melhor documentado, cabendo ao administrador registrar e manter o arquivo atualizado com as ocorrências, de modo a resguardar a empresa contra possíveis ações futuras, multas ou penalizações. Para as Confirmações de Pedidos onde o desenvolvimento do projeto depender dos dados do cliente ou seu representante deve-se monitorar as datas de entrega, dados e, em caso de atraso, informar o cliente da prorrogação automática do prazo de fornecimento dos itens relativos, sem quaisquer multas, de acordo com cada contrato. Durante o processamento dos equipamentos a serem fornecimento, o administrador deve monitorar periodicamente a evolução do contrato seguindo o cronograma e demais condições contratuais, evidenciando-se as divergências e ações necessárias a serem tomadas através de atas, s ou outros documentos, sempre acompanhando de maneira eficiente para evitar qualquer atraso. Monitorar o cumprimento das datas de envio de documentos ao cliente e retorno dos mesmos, quando em caráter de aprovação. Em caso de demora pelo cliente, pleitear prorrogação de prazo de entrega. Monitorar as datas de convocação do órgão inspetor externo e datas de atendimento, registrando com destaque, as situações onde o prazo de atendimento for maior que o acordado contratualmente. Cuidar para que o cliente seja informado. Havendo atraso no fornecimento dos itens, esta informação poderá auxiliar na negociação de prorrogação do prazo de entrega. Para o cliente ficar satisfeito, o Administrador de Contratos tem que estar atento a cada fase em andamento, pois uma fase depende da outra. O resultado final depende do cuidado dispensado no decorrer de todo o contrato. Os problemas e dificuldades devem ser detectados e solucionados dentro do prazo estabelecido ou o prazo ser prorrogado de comum acordo com o cliente, para eliminar a insatisfação e penalidades futuras. Desta forma, o planejamento e as ações precisam se basear em conceitos e práticas de atuação, ocorrendo resultados esperados e positivos, avaliando e reformulando constantemente as estratégias, justificando e tornando claras as verdadeiras intenções da empresa no contexto, já que, desta forma, o corpo administrativo, operacional, produtivo e o cliente encontram-se em energia, possibilitando ganhos a todos os envolvidos. 6. Conclusão Ao término do presente artigo que integrou levantamento teórico e observação prática na empresa X tornou-se possível verificar as significativas transformações que o mercado consumidor vem atravessando, resultando na necessidade de entender o cliente, estudar o concorrente, quebrar paradigmas tradicionais e elaborar estratégias responsáveis por possibilitar à organização maximização dos resultados, integrando expectativas individuais e coletivas, na medida em que, cliente satisfeito e leal possibilita à empresa o alcance de resultados positivos. Com base nas informações estudadas, pode-se perceber que a função de pós-vendas exerce influência na satisfação do cliente, além de influenciar diretamente na lealdade dos clientes e construir a sua fidelização. Na teoria, se todos os procedimentos forem respeitados e cumpridos, a probabilidade de sucesso é grande, resultando em clientes satisfeitos. Na prática, e o decorrer da rotina da empresa, há uma realidade diferente, mas que, por conta disso, não pode deixar o cliente em 126 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

125 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO segundo plano, refém da falta de estratégias empresariais. O engajamento e o comprometimento das pessoas precisam ter objetivos comuns e metas que direcionam ao sucesso no mercado. Ao abordar marketing, vendas, pósvendas, comunicação, motivação nota-se que tais situações são capazes de proporcionar ganhos em diversas circunstâncias, pois, quando utilizados em prol da empresa resultam em captação, satisfação e fidelização dos clientes, sobretudo por se sentirem valorizados, consumindo produtos e serviços de qualidade. Desta forma, é fundamental que as intenções reflitam as ações, na medida em que se prime o mercado consumidor, o colaborador, o cliente e práticas condizentes aos propósitos da sociedade contemporânea, condições estas que precisam fazer parte da rotina empresarial, para que, por meio de tal conjuntura todos se beneficiem com o processo. Referências ABREU, C. B. Serviço pós-venda: a dimensão esquecida do Marketing. ERA Revista de Administração de Empresas, São Paulo, v. 36, n. 3, p , jul./set ANTUNES, J.; RITA, P. O marketing relacional como novo paradigma: uma análise conceptual. Revista Portuguesa e Brasileira de Gestão, v. 7, n. 2, p , abr./jun BORGES, A. F.; BAYLÃO, A. L. S. Liderança em tempo de mudanças. Disponível em: <http:// Acesso em: 10 ago CASTRO, L. T. E. Administração de vendas: planejamento, estratégia e gestão, São Paulo, Editora Atlas, COSTA, A. F. Qual é o papel do líder no ambiente organizacional? Disponível em: <http://revista.newtonpaiva.br/seer_3/index.php/revistapsicologia/ article/viewfile/81/90>. Acesso em: 10 ago DIAS, M. O desafio da Gestão de Pessoas diante da necessidade de conciliação entre competitividade e humanização. Revista de Administração da UNIMEP, Piracicaba, v. 2, n. 2, p , maio/ago GERHEIM, A. C. M. Sutentabilidade empresarial: um mapeamento do movimento da gestão de sustentabilidade empresarial. São Paulo: FGV, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 127

126 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO KOTLER, P.; ARMASTRONG, G. Princípios de Marketing. 9. ed. São Paulo: Prentice Hall, KOTLER, P.; KELLER, K. L. Administração de Marketing. 12. ed. São Paulo: Editora Pearson Prentice Hall, MACHADO, M. M.; PEREIRA, R. M. Proposta de planejamento estratégico: pet shop Clean Dog. Revista Interdisciplinar Científica Aplicada, Blumenau, v. 3, n. 4, p , MARTINS, E. Avaliação de empresas: da mensuração contábil à econômica. Caderno de Estudos, São Paulo, FIPECAFI, v. 13, n. 24, p , jul./dez MIRANDA, J. F. P. Balanced Scorecard em uma indústria da velha economia. Projeto (Especialização) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, MIYASHITA, M. A importância do pós-vendas. Mundo do Marketing, jun Disponível em <http://www.mundodomarketing.com.br/3,1353,a-importancia-do-pos-venda.htm>. Acesso em 16 jun PORTER, M. E. Vantagem competitiva: criando e sustentando um desempenho superior da concorrência. Rio de Janeiro: Editora Campos, RAMOS, A. F. S. A influência da liderança na motivação: um estudo sobre o programa de trainees 2008 da Galp Energia. Dissertação (Mestrado de Gestão) - Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, cidade, RODRIGUES, J. T. M. C.; WERNER, L. A Gestão de Pessoas contribuindo com o Programa Seis Sigma: multi-casos de empresas instaladas no Rio Grande do Sul. Revista Produção Online, Florianópolis, v.11, n. 3, p , jul./set SILVA, C. C.; et al. Gestão do administrador na visão dos funcionários da empresa Refritec Refrigeração do município de São Gabriel da Palha ES, ano Monografia (Graduação em Administração de Empresas) - Faculdade Capixaba de Nova Venécia, Nova Venécia, VALENTE, J. B.; et al. Análise dos estilos de liderança e a sua relação com os resultados: um estudo de caso numa simulação gerencial. Revista LAGOS UFF, Volta Redonda, v. 1, n. 1, p. 1-15, nov./abr YOSHIZAKI, R. Gestão empresarial/planejamento empresarial e empreendedorismo: recursos humanos. Diadema: Centro Paula Souza, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

127 AS PERSPECTIVAS DA PÓS-VENDAS FRENTE ÀS MUDANÇAS CONTEMPORÂNEAS: UM CASO DE SUCESSO Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 129

128 ANÁLISE DO CAPITAL DE GIRO E DA LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO DE COSMÉTICOS Benedito França de Souza 1 Lineia Soares Lincho Dias 1 Marcelo Rodolfo Siqueira 1 Regiane de Fátima Freitas Ramos 1 Vanessa Anelli Borges 2 1. Resumo A análise do capital de giro líquido e da liquidez representa um diagnóstico da empresa, que possibilita ao gestor identificar as necessidades operacionais envolvidas nos processos do seu ciclo operacional, bem como maximizar a eficiência das decisões a serem tomadas para evitar descontrole operacional e financeiro, uma vez que este descontrole pode prejudicar a saúde financeira da entidade, provocando sua descontinuidade. O estudo apresentado neste artigo analisa a evolução do capital de giro líquido e dos indicadores de liquidez de uma empresa do ramo de cosméticos, empresa de grande importância no setor de cosméticos, que a partir de teve seu capital aberto, integrando o Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, para o período compreendido entre e A empresa apresenta folga financeira em todos os períodos analisados, bem como ótimos indicadores de liquidez, que permitem constatar sua boa saúde financeira. Palavras-Chave: capital de giro líquido, diagnóstico, ciclo operacional. 1. Abstract The analysis of net working capital and liquidity is a diagnostic company, which enables the manager to identify the operational needs of the processes involved in its operating cycle as well, as maximize the efficiency of decisions to be taken to prevent uncontrolled and financial performance, a since this lack may undermine the financial health of the company, leading to its discontinuation. The study presented in this paper analyzes the evolution of net working capital and liquidity indicators of a branch company of cosmetics, a company of great impact on the cosmetics industry, which since 2004 had its publicly traded integrating the new market of the Bolsa de Valores de São Paulo - BOVESPA, for the period between 2005 and The company has financial slack in all periods analyzed, as well as good indicators of liquidity, which help determine their financial health. Keywords: working capital, diagnosis, operating cycle. 2. Introdução Este estudo analisa o desempenho do capital de giro líquido e dos indicadores de liquidez de uma empresa do ramo de cosméticos, com o objetivo de demonstrar a saúde financeira da empresa no decorrer do período analisado e verificar como seus gestores deram andamento na administração destes indicadores. A empresa do ramo de cosméticos é uma empresa originalmente brasileira de grande importância no mercado de cosméticos que, no decorrer dos anos, vem atingindo as diversas classes sociais, e que alavanca seu desenvolvimento por ¹ Acadêmicos do Curso de Ciências Contábeis UNISEB Interativo - Centro Universitário UNISEB. ² Mestre em Ciências Docente do Uniseb Interativo Centro Universitário UNISEB. 130 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

129 meio da eficiência dos seus processos produtivos e pelo investimento em pesquisa e aprimoramento de seus produtos. Entre os diferenciais que oferecem competitividade à empresa do ramo de cosméticos estão: a oferta de produtos de qualidade e de grande aceitação pelo mercado consumidor, bem como o desenvolvimento de um modelo de vendas diretas, que aproxima o cliente da empresa pelo intermédio de consultores. Outro destaque é a disponibilização de ações para investidores por meio da qual a empresa pode aumentar seu capital, utilizando esses recursos para novos investimentos, gerando melhores produtos e, também, maior liquidez. Segundo Hoji (2008, p. 107), o capital de giro é também conhecido como capital circulante e corresponde aos recursos aplicados em ativos circulantes, que se transformam constantemente dentro do ciclo operacional. Já os indicadores de liquidez são utilizados na análise da capacidade que uma empresa tem de cumprir com as obrigações assumidas. O ciclo operacional consiste no prazo que vai desde a compra de matérias-primas até o recebimento pela venda de produtos, a partir de onde se inicia o processo novamente, que se repete ao longo da vida da empresa, muitas vezes até mais de uma vez dentro de um mesmo período. A figura a seguir ilustra o ciclo operacional de uma empresa: Figura 1 Ciclo Operacional. Fonte: Assaf Neto e Silva (2009, p. 21) Considerando o exposto e diante da importância que o tema tem para a manutenção da saúde financeira da empresa, o presente trabalho propõe uma análise do comportamento do capital de giro líquido e da liquidez de uma empresa do ramo de cosméticos para o período compreendido entre e 2.009, utilizando-se indicadores de liquidez: Capital Circulante Líquido (CCL), Liquidez Imediata (LI), Liquidez Seca (LS), Liquidez Corrente (LC) e Liquidez Geral (LG), que possibilitam mensurar a folga financeira da empresa e sua liquidez; com o objetivo de responder à seguinte questão: A empresa do ramo de cosméticos apresenta capacidade de cumprir com as obrigações assumidas no período compreendido entre 2005 e 2009? Tal estudo será realizado por pesquisa bibliográfica, tendo aspecto descritivo e analítico, extraído de material relacionado com o assunto em questão, sustentado por demonstrações financeiras publicadas na CVM Comissão de Valores Mobiliários e tópicos essenciais dos relatórios de desempenho dos exercícios em análise. A seguir serão apresentados aspectos importantes da história da Natura. 3. Um Pouco de História da empresa Fundada em 1.969, com uma pequena loja e laboratório em São Paulo, na Rua Oscar Freire. Em 1.974, optou pelo método de vendas diretas, efetuadas através de consultoras sem vínculo empregatício. Em foi uma das primeiras fábricas de cosméticos a comercializar produtos com refil, dando início a sustentabilidade ecológica. Em busca aprimorar a governança corporativa. Em inaugura centro integrado de pesquisa e produção, um dos mais modernos da América Latina, além de manter centro comercial e de distribuição nos seguinte estados: São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco e Rio Grande do Sul, sempre produzindo produtos de alta qualidade e de baixa necessidade de investimentos para futuras expansões. Em 2.004, teve abertura de capital, quando passou a integrar o novo mercado da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA, Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 131

130 ANÁLISE DO CAPITAL DE GIRO E DA LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO DE COSMÉTICOS com registro na Comissão de Valores Mobiliários CVM. Em inicia suas atividades e divulgação no exterior, dando ênfase no trabalho de sustentabilidade social onde a globalização fez uma sociedade comprometida com recursos naturais, economia verde, buscando idéias inovadoras para obter negócios bem sucedidos em longo prazo, como a reciclagem de suas embalagens e utilização de vegetais em suas fórmulas, com destaque ao desenvolvimento de seus produtos sem testes em animais. Em 2.006, inaugura a primeira Casa do ramo de cosméticos no Brasil em Campinas São Paulo, espaço de relacionamento e visitação para consultoras e clientes; expande o centro de distribuição em Mathias Barbosa Minas Gerais; e também inicia testes do modelo de vendas diretas e inauguração do laboratório de pesquisas em Paris França. Em começa a operar na Venezuela e na Colômbia. Passou a fornecer a seus consumidores produtos de carbono neutro graças ao seu Programa Carbono Neutro destinado a reduzir e compensar as emissões de gases geradores do efeito estufa (GEEs) desde a atividade de extração de matéria prima até a disposição final do produto no meio ambiente. Em já prepara as mudanças de acordo com a Lei /2.007, para possibilitar o processo de convergência das práticas contábeis adotadas no Brasil com as normas internacionais. Em houve evolução no modelo de gestão da empresa do ramo de cosméticos apoiado em três pilares: gestão por processos, fortalecimento da cultura organizacional e desenvolvimento de liderança de forma a apoiar a implantação das unidades regionais e das unidades de negócio do Brasil; continuidade dos investimentos em inovação e manutenção de investimentos competitivos em marketing. Também em 2.009, as demonstrações contábeis foram apresentadas antecipadamente conforme orientações do Comitê de Pronunciamento Contábil CPC, com previsão para A partir do exercício 2.010, os comentários e demonstrações financeiras serão apresentados unicamente em conformidade com as Normas Internacionais de Contabilidade IFRS. 4. Capital de Giro e os Indicadores de Liquidez 4.1 Capital de Giro O capital de giro, também conhecido como capital circulante, corresponde ao montante destinado à aplicação de recursos (ativos circulantes) para que a empresa complete seu ciclo operacional, ou seja, ara a aquisição de matéria-prima, gastos com o processo produtivo e com vendas, de maneira que o produto seja disponibilizado para o atendimento da demanda do mercado consumidor (BERTI, 1999, p. 15). Assaf Neto e Silva (2009, p. 15) afirmam que o capital de giro ou capital circulante é representado pelo ativo circulante, isto é, pelas aplicações correntes, identificadas geralmente pelas disponibilidades, valores a receber e estoques. Num sentido mais amplo, o capital de giro representa os recursos demandados por uma empresa para financiar suas necessidades operacionais identificadas desde a aquisição de matériasprimas (ou mercadorias) até o recebimento pela venda do produto acabado. O estudo do capital de giro é fundamental para a administração financeira, pois a empresa precisa recuperar todos os custos e despesas, inclusive financeiras, que vão se despontando durante o ciclo operacional, para então obter o lucro desejado, por meio da venda do produto ou prestação do serviço (HOJI, 2008, p. 107). Pode-se verificar que as afirmações indicam que a análise do capital de giro é de suma importância para a empresa, pois os gestores conseguem identificar o caminho a ser seguido de acordo com um planejamento estratégico, levando em consideração os valores de seu ativo circulante e seu passivo circulante, além de permitir a mensuração 132 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

131 ANÁLISE DO CAPITAL DE GIRO E DA LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO DE COSMÉTICOS dos valores que devem ser aplicados e quais as aplicações devem ser feitas para que o ciclo operacional funcione bem, em termos de melhores prazos e menores custos. 4.2 Capital (de giro) circulante líquido e indicadores de liquidez O capital circulante líquido é medido pela diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. Quanto maior for esse valor, melhor será a posição de liquidez de curto prazo da empresa, ou seja, maior se apresenta sua folga financeira (ASSAF NETO E SILVA, 2.009, p. 29). A fórmula utilizada para o cálculo do CCL é apresentada a seguir: CCL = Ativo Circulante - Passivo Circulante No entanto, segundo Assaf Neto e Silva (2.009, p. 29) é importante destacar que a avaliação da liquidez com base no valor do CCL não é suficiente para conclusões mais definitivas, o que é explicado principalmente por seu volume depender das características operacionais de atuação da empresa (política de estocagem, prazo de produção e venda etc.), das condições de seu setor de atividade e da sincronização entre pagamentos e recebimentos. Berti (1.999, p. 35) afirma que uma das razões para se calcular o capital de giro é a necessidade de recursos para saldar as obrigações, e os indicadores de liquidez mostram exatamente a capacidade de pagamento. Diante disso, na sequência, são apresentados os principais indicadores de liquidez, por meio dos quais é possível apurar se os bens e direitos da empresa (ativo) são suficientes para liquidação das obrigações (passivo). O ciclo operacional deve partir de uma estratégia eficaz para que seja o mais breve e rentável possível, alternativa que deve ser almejada pelas empresas de um modo geral. Com essa estratégia há a possibilidade das empresas atingirem com êxito uma folga financeira considerável, podendo evitar dívidas desnecessárias de longo prazo, que custam mais caro Liquidez corrente Identifica quanto a empresa mantém em seu ativo circulante para cada $1 de dívida de curto prazo (ASSAF NETO E SILVA, 2009, p. 31). A liquidez corrente pode ser obtida por meio da fórmula a seguir: Liquidez seca Mensura o percentual das dívidas de curto prazo em condições de serem liquidadas mediante o uso de ativos monetários de maior liquidez: basicamente, disponível e valores a receber (ASSAF NETO E SILVA, 2009, p. 31). Calcula-se a liquidez seca por meio da seguinte fórmula: Liquidez imediata Identifica a capacidade da empresa em saldar seus compromissos correntes utilizando-se unicamente de seu saldo de disponível. Em outras palavras, revela o percentual das dívidas correntes que podem ser liquidadas imediatamente (ASSAF NETO E SILVA, 2009, p. 30). A fórmula utilizada para o cálculo da liquidez imediata é apresentada a seguir: Liquidez geral Mostra quanto a empresa possui de recursos a curto e longo prazo para o pagamento das obrigações também a curto e longo prazos (BERTI, 1999, P. 36). A liquidez geral pode ser obtida por meio da fórmula a seguir: Giro Ativo Circulante LC = Passivo Circulante Ativo Circulante - Estoques - Despesas Antecipadas LS = Passivo Circulante LI= Disponível Passivo Circulante Ativo Circulante + Ativo não Circulante LG = Passivo Circulante + Passivo não Circulante Indicadores de Capital de Este índice demonstra quantas vezes Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 133

132 ANÁLISE DO CAPITAL DE GIRO E DA LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO DE COSMÉTICOS a empresa recuperou o valor de seu ativo por meio das vendas no período de um ano. Segundo Gitman (1997, p. 115) indica a eficiência com a qual a empresa usa todos os seus ativos para gerar as vendas. O indicador de capital de giro, também chamado de giro do ativo total, é calculado com a seguinte fórmula: ICG= Vendas Líquidas Ativo Quanto maior for o valor absoluto mais eficientemente a empresa parece utilizar os seus ativos. Os resultados da análise do CCL, dos indicadores de liquidez e de capital de giro na da empresa do ramo de cosméticos serão apresentados no Capítulo Análise dos Indicadores da empresa do ramo de cosméticos 5.1 Análise do CCL O CCL apresenta-se positivo em todos os períodos analisados, denotando folga financeira, que varia conforme o ciclo operacional. A tabela a seguir apresenta os dados referentes ao CCL da empresa do ramo de cosméticos: A evolução do CCL é apresentada no gráfico a seguir: O gráfico demonstra as variações do ativo circulante e do passivo circulante, utilizados para a análise do CCL; montantes que afetam diretamente os resultados financeiros no curto prazo, gerando uma importante fonte de informação para as decisões de seus gestores, investidores, credores, entre outros. Percebe-se que o passivo circulante sofre variação positiva considerável no período de para 2.006, e de para 2.009, provocando uma diminuição no CCL. As contas do passivo circulante que mais influenciaram nesses resultados foram: fornecedores, salários, empréstimos e financiamentos e obrigações tributárias. Tabela 1 Capital Circulante Líquido da empresa (em milhares de reais) Fonte: Elaborado pelo autor 134 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

133 ANÁLISE DO CAPITAL DE GIRO E DA LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO DE COSMÉTICOS 5.2 Análise dos Indicadores de Liquidez Na Tabela 2 são apresentados os indicadores de liquidez da empresa do ramo parte dos períodos o indicador apresentase acima de 1,00, o que é muito bom, pois qualquer variação que a empresa apresente com a venda de seus estoques não interferirá rapidamente sua capacidade de pagamento Tabela 2 Indicadores de liquidez da empresa Fonte: Elaborado pelo autor de cosméticos: Os índices expostos na tabela acima avaliam a capacidade de pagamento da empresa. As variações devem ser estudadas pelos gestores para tomada de decisões em relação ao cumprimento de suas obrigações, com foco no seu impacto para a continuidade da empresa. e, portanto, seu custo de captação. Quanto à liquidez imediata, observase que suas disponibilidades (caixa, bancos, aplicações financeiras de curto prazo) que podem ser utilizadas imediatamente não são suficientes para saldar suas dívidas. Nota-se que no período analisado esse valor Gráfico 2 - Indicadores de liquidez da Natura Fonte - elaborado pelo autor Por meio da liquidez corrente observa-se que a empresa possui bens e direitos no ativo circulante suficientes para saldar suas dividas no curto prazo. A liquidez seca demonstra que a empresa consegue cobrir suas dívidas apenas com os ativos correntes sem precisar vender os estoques. Observa-se que na maior permanece próximo dos 0,43, significando que só consegue saldar cerca de 40% de seus compromissos no curto prazo. Isso mostra que grande parte de seus investimentos se mantêm em outras contas do ativo circulante, como clientes e estoques. Em relação à liquidez geral, a empresa mostra ter capacidade de pagamento de suas Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica 135

134 ANÁLISE DO CAPITAL DE GIRO E DA LIQUIDEZ DE UMA EMPRESA DO RAMO DE COSMÉTICOS dívidas no curto e longo prazo, fato que remete boa saúde financeira de longo prazo, e que justifica seu alto índice de liquidez em todos os anos. 5.3 Análise do indicador do capital de giro O índice do capital de giro da empresa do ramo de cosméticos para o período compreendido entre e demonstra quantas vezes a empresa recuperou o valor de seu ativo por meio das vendas de cada período. Houve um crescimento nas vendas líquidas, porém houve queda neste indicador devido ao crescimento do seu ativo, como demonstra a tabela a seguir: Com esse estudo foi possível verificar a evolução econômico-financeira positiva da empresa, que se continuar assim tem grandes chances de garantir sua continuidade no mercado, bem como sua expansão por meio de investimentos tanto na área tecnológica para desenvolvimento de novos produtos, quanto na política de recursos humanos, buscando atingir o topo no setor de cosméticos. Tabela 3 Indicador do capital de giro da empresa Fonte : elaborado pelo autora O indicador do capital de giro da empresa do ramo de cosméticos demonstra que os ativos da empresa têm sido utilizados de maneira eficiente, em consequência da boa administração, que é provada pela boa margem do capital de giro. 6. Considerações Finais Pela análise das demonstrações financeiras da empresa do ramo de cosméticos, constata-se o avanço efetivo em melhorias na estratégia para o aumento de sua liquidez. O CCL se mantém positivo ao longo do período analisado, demonstrando sua folga financeira, e permitindo que a empresa consiga manter sua boa capacidade de pagamento como grande atrativo para o mercado, investidores e credores, que utilizam informações dessa natureza, entre outras, para tomar decisões estratégicas do dia-a-dia. 136 Revista Multidisciplinar de Iniciação Científica

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