INOVAÇÃO E CRESCIMENTO

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1 Ministério da Economia e da Inovação Gabinete do Ministro INOVAÇÃO E CRESCIMENTO O TEMA DESTA CONFERÊNCIA É O ORÇAMENTO. CONTUDO, EU VOU FALAR DE UM TEMA QUE É CARO A TODOS, QUE É O CRESCIMENTO, PORQUE SEM FINANÇAS PÚBLICAS SÃS NÃO HÁ CRESCIMENTO. SEM FINANÇAS PÚBLICAS SÃS, PODERÁ HAVER UNS FOGACHOS DE CRESCIMENTO, MAS NÃO HAVERÁ CRESCIMENTO SUSTENTADO. MAS, TAMBÉM É VERDADE QUE SEM CRESCIMENTO É EXTREMAMNTE DIFÍCIL EQUILIBRAR AS FINANÇAS PÚBLICAS. 1. O CRESCIMENTO DA ECONOMIA PORTUGUESA NO LONGO E NO CURTO PRAZO Portugal pode crescer. Entre 1960 e 2002, Portugal foi a décima segunda economia que mais cresceu em todo o mundo, a uma taxa de 3.8% ao ano. Portugal pode crescer. Contudo, nos últimos anos assistiu-se a uma marcada desaceleração do ritmo de crescimento. Para 2005, prevê-se um crescimento inferior a 0.5%. Esta redução não reflecte apenas factores conjunturais relacionadas com o ciclo económico mundial e a necessidade inalienável de restaurar equilíbrios macroeconómicos fundamentais. Também reflecte condicionantes de carácter estrutural, nomeadamente ao nível da qualidade do capital humano e das instituições, que limitam o potencial de inovação e a adaptabilidade da economia aos choques a que inevitavelmente está exposta.

2 É necessária uma estratégia de crescimento. É necessário criar hábitos de trabalho de cada vez mais rigor. São necessários novos planos de negócio. É necessário um forte compromisso para que a economia portuguesa volte a crescer. Taxa média de crescimento do Produto Interno Bruto per capita País Taxa de Crescimento Botswana 6,32 Korea, Rep. 5,82 China 5,64 Singapore 5,62 Malta 5,28 Hong Kong, China 5,16 Thailand 4,54 St. Vincent and the Grenadines 4,38 Ireland 4,18 Japan 4,08 Malaysia 3,87 Portugal 3,8 Fonte: World Development Indicators (2005) 2. O PLANO TECNOLÓGICO A aposta estratégica do XVII Governo Constitucional para promover o desenvolvimento sustentado em Portugal é o Plano Tecnológico. O Plano Tecnológico visa criar condições para as nossas empresas produzirem mais riqueza num ambiente de cada vez maior competição a nível global. O Plano Tecnológico não é mais um diagnóstico. É um plano de acção para levar à prática um conjunto coerente de medidas que visam estimular a criação, difusão, absorção e uso do

3 conhecimento em Portugal, como alavanca para o aumento sustentado da produtividade a médio e a longo prazo. O Plano tecnológico não é um enunciado vago de medidas. É um compromisso perante os portugueses que se traduz em metas devidamente quantificadas. A filosofia que inspira o Plano Tecnológico respeita o mercado. O mercado tem um papel fundamental como mecanismo orientador e disciplinador das actividades económicas. Contudo, reconhece a existência de falhas de mercado. Nomeadamente, ao nível do investimento em capital humano e nas actividades de Inovação, Investigação e Desenvolvimento (IID). No nosso país, essas falhas são tão mais importantes quanto se reconhece que entre os maiores entraves ao crescimento económico estão precisamente a qualidade dos recursos humanos, a capacidade tecnológica e a permeabilidade à inovação. Portanto, a filosofia do Plano Tecnológico também reconhece o papel das políticas públicas destinadas a qualificar os portugueses e estimular a inovação. Precisamos colocar no terreno políticas que acelerem o actual processo de mudança do padrão de especialização da economia portuguesa, no sentido da produção de bens e serviços diferenciados, apoiados em actividades de investigação e desenvolvimento e cada vez mais vocacionados para os mercados externos. 3. EIXOS DE ACÇÃO O PT está estruturado em três eixos principais de acção: Qualificação dos portugueses; Aproximar Portugal da fronteira da tecnologia e mobilizar o País para a sociedade de informação; Imprimir um novo impulso à inovação.

4 4. DIMENSÕES TRANSVERSAIS Embora esteja centrado nos três eixos acima referidos, o Plano Tecnológico obedece no seu desenho à preocupação de também actuar de forma transversal sobre outros factores essenciais a uma estratégia de crescimento sustentado. Nessa medida, o Plano Tecnológico procura guiar a intervenção, por forma a atingir um conjunto de dimensões transversais, entre as quais se destacam as seguintes: Primeiro, promover o desenvolvimento das instituições; Segundo, explorar economias de rede, essenciais para o desenvolvimento de clusters e pólos de competitividade; Terceiro, criar mecanismos alternativos de financiamento; E quarto, melhorar o funcionamento dos mercados, criar mais concorrência. Mais concorrência protege os consumidores e beneficia as empresas, em termos de eficiência. A credibilidade de uma política mede-se mais pelos actos do que pelas palavras.os passos que já foram dados no âmbito da liberalização do mercado da electricidade e da venda de medicamentos mostram o empenho deste governo em passar das palavra aos actos e em criar mais concorrência.. 5. O PLANO TECNOLÓGICO NO QUADRO DO POLICY MIX A Agenda de Lisboa assenta em três pilares. Num pilar de estabilidade financeira, o PEC; num pilar de emprego e formação, o PNE; e num pilar de crescimento e inovação, o Plano Tecnológico. O Plano Tecnológico era o instrumento que faltava para, oito meses depois do Governo ter tomado posse, o quadro de governação económica ficar completo.

5 Embora ele seja focado nas áreas do conhecimento e da tecnologia, pela sua transversalidade e pelo esforço que constitui no sentido de promover uma coordenação efectiva das políticas, o Plano Tecnológico constitui uma peça fundamental para acelerar a médio prazo o crescimento económico em Portugal. A sua elaboração foi participada. Implicou escutar os agentes envolvidos e formar consensos, quer ao nível das instituições públicas que vão executar a maior parte da medidas, quer ao nível dos agentes a que se destinam. 6. UM PROJECTO EM ANDAMENTO A execução deste plano já está em andamento desde Março de De fcto, o Governo português já lançou um conjunto de medidas anunciadas no seu programa que se inscrevem no Plano Tecnológico, das quais se destacam as seguintes dez:

6 Primeiro, o Sistema de Incentivos Fiscais à I&D Empresarial, repondo e aperfeiçoando o ambiente fiscal favorável à I&D nas empresas; Segundo, o Programa Ligar Portugal, que delineia a política nacional para a sociedade da informação; Terceiro, a adopção da factura electrónica por todos os serviços da administração do Estado, tornando-a obrigatória até final de 2007; Quarto, a iniciativa Empresa na Hora, com o objectivo de reduzir os actos, e assim o tempo, para a criação jurídica de sociedades comerciais, sem diminuir a segurança jurídica; Quinto, a introdução do ensino de inglês no ensino básico, favorecendo uma cultura internacional do cidadão português; Sexto, a iniciativa Novas Oportunidades, que pretende requalificar cerca de 1 milhão de portugueses; Sétimo, a reorientação estratégica do Programa Prime, privilegiando a inovação e a internacionalização; Oitavo, os programas Inov-Jovem e Inov-Contacto, com o objectivo de introdução de competências de gestão, tecnologia, marketing e internacionalização nas empresas; Nono, o concurso para a criação de potência eólica, tendo como contrapartida a criação de um cluster industrial ligado ás universidades e a criação de um fundo para a inovação. E décimo, os Pin s que começaram em oito e já se aproximam das duas dezenas. O Plano Tecnológico consagra estas medidas já tomadas durante os primeiros seis meses de acção governativa, assim como um leque de outras medidas decorrentes do Programa de Governo que serão postas em prática durante a legislatura. Medidas, que incluem tecnicamente Programas, Projectos, Medidas, Iniciativas e Acções e metas para cada um dos três grandes eixos. Como dissea Peter Drucker, um plano só é bom quando é quantificado e degenera em implementação.

7 7. SINAIS DE MUDANÇA A par destas diversas iniciativas, há diversos sinais de mudança. Sinais de mudança que são autónomos das políticas públicas, mas que com ela convergem. Disso são exemplo as seguintes dez, registadas apenas nos últimos doze meses: - Primeiro, as estratégias empresariais mais voltadas para o futuro, que levaram ao aumento dos resultados das maiores 500 empresas portuguesas em mais de 7% e a sua facturação em mais de 40%; -Segundo, a criação de dois importantes centros de serviços partilhados da Solvay e da Siemens no nosso país; -Terceiro, a Autoeuropa e a Continental Mabor atingirem o nível de produtividade mais elevado dos respectivos grupos a nível mundial; -Quarto, os projectos na área das energias renováveis- eólica, solar, biomassa e biodiesel, num montante superior a 5,000 milhões de Euros; -Quinto, o alargamento sustentado das empresas do universo Cotec, cujo mérito nunca é demais sublinahar; -Sexto, o aumento impressivo da carteira de encomenda no estrangeiro das nossas principais empresas de construção, a Mota-Engil e a Teixeira Duarte, que desta forma souberam dar uma resposta inequívoca à retracção do mercado interno; -Sétimo, a vitalidade do sector do turismo, quer em Portugal, onde estão a ser desenvolvidos projectos e grande qualidade, que no estrangeiro, em particular no Brasil; -Oitavo, a criação de uma bilha de gás ultra-leve, fruto de uma colaboração entre a Galp e a Simoldes, que produziram uma estreia a nível mundial; - Nono, na área da banca, um banco português ter criado condições de adquirir o maior banco da Roménia, um país que tem o dobro de habitantes que Portugal.

8 -Décimo, na área da investigação, o lançamento da Fundação Champalimaud vocacionada para a investigação na área da medicina e de um laboratório luso-espanhol com sede em Braga, que irá albergar 300 cientistas de diversas nacionalidades. 8. SINAIS DE MUDANÇA A nossa economia está a crescer muito aquém do que todos desejávamos. Mas há sinais de mudança que permitem antecipar uma mudança de paradigma na economia portuguesa. Há sinais de mudança no comportamento das nossas empresas. O papel do Plano tecnológico é apoiar e acelerar esta mudança de paradigma, com vista a que a nossa economia retome uma trajectória de crescimento sustentado, tal como aquela que já demos prova de estar ao nosso alcance. Portugal pode voltar a crescer.

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