LEI Nº 1704, DE 15 DE JANEIRO DE 1953 ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA MILITAR

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1 1 LEI Nº 1704, DE 15 DE JANEIRO DE 1953 ORGANIZA A JUSTIÇA MILITAR DO ESTADO E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS. O GOVERNADOR DO ESTADO DE ALAGOAS Faço saber que o Poder Legislativo decreta e eu sanciono a seguinte Lei: ORGANIZAÇÃO JUDICIÁRIA MILITAR Art. 1º - A Justiça Militar compete processar a julgar, nos crimes militares, os oficiais e as praças da Polícia Militar do Estado, e bem assim as pessoas que lhe são assemelhadas (Constituição Federal, art. 124, nº XII; Constituição Estadual art. 64). expressos em Lei. Parágrafo Único - Esse fôro especial poderá estender se aos civis, nos casos Art. 2º - Para os efeitos da administração da Justiça Militar, o território do Estado constitui uma só circunscrição judiciária, com sede em Maceió. DAS AUTORIDADES JUDICIÁRIAS E SEUS AUXILIARES Art. 3º - A auditoria compor-se-á de um Auditor, um Promotor, um Advogado de ofício, um Escrivão, um Oficial de Justiça e um Porteiro das Audiências. a) pelo Tribunal de Justiça; b) pelo Auditor e Conselhos de Justiça. Art 4º - A Auditoria compor-se-á de um Auditor, um Promotor, um Advogado de Ofício, um Escrivão, um Oficial de Justiça e um Porteiro das Audiências. Parágrafo Único - Além desses funcionários, haverá ainda um Suplente de Auditor e um Adjunto de Promotor. DO PROVIMENTO Art. 5º - O Auditor e o Promotor serão nomeados pelo Governador, dentre os habilitados em concurso de provas, e indicados pelo Tribunal de Justiça, em lista tríplice, sempre que possível Art. 6º - Os concursos serão organizados pelo tribunal de Justiça, observadas as normas adotadas para o ingresso na Magistratura Civile no Ministério Público, incluindo-se preferentemente nos programas pontos relativos aos Códigos Penal Militar e da Justiça Militar. Art. 7º - Serão nomeados livremente pelo Governador: I - O Suplente de Auditor, por um quadriênio, dentre os bacharéis em direito de reconhecida idoneidade moral e profissional; II - O Adjunto de Promotor, demissível ad-nutum, dentre os bacharéis que preencham as condições do n. I deste artigo;

2 III - O Advogado de Ofício, dentre os bacharéis inscritos no quadro da Ordem dos Advogados, Secção de Alagoas, desde que preencha as condições e obedeça as condições às normas do n. I deste artigo. Art. 8º - Serão nomeados pelo Auditor, ouvido o comando geral da Corporação: I - O escrivão, dentre os Subtenentes ou Primeiros sargentos; II - O Oficial de Justiça e o Porteiro das Audiências, dentre os Cabos, podendo a mesma Praça, por conveniência do serviço, ocupar as duas funções. 2 DO COMPROMISSO, POSSE E EXERCÍCIO Art. 9º - As autoridades judiciárias e seus auxiliares só entrarão no exercício de seus cargos depois do preenchimento das formalidades seguintes: a) apresentação dos respectivos títulos de nomeação; b) prestação de compromisso legal. Art Prestarão compromisso e tomarão posse de seus cargos, mediante a apresentação dos respectivos títulos: I - O Auditor e seu Suplente, perante o Presidente do Tribunal de Justiça; II - O Promotor, seu Adjunto e o Advogado de Ofício, perante o Procurador Geral do Estado; III - O Escrivão, O Oficial de Justiça e o Porteiro das Audiências, perante a Auditor. Art A posse e o exercício deverão verificar-se no prazo de 10 (dez) dias, contados da publicação do ato de nomeação no Diário Oficial do Estado. 1º - Esse prazo poderá ser prorrogado até 20 (vinte) dias no máximo, pela autoridade que lavrou a nomeação, mediante requerimento do interessado. 2º - Se este não assumir o exercício dentro do prazo regular ou de sua prorrogação, será considerado sem efeito o ato que o nomeou. DA COMPOSIÇÃO DOS CONSELHOS DE JUSTIÇA oficiais. Art Os Conselhos de Justiça serão de duas categorias: I - Conselho Especial para processo e julgamento de Oficiais; II - Conselho Permanente para processo e julgamento acusados que não sejam Art O Conselho Especial de Justiça compor-se-á de Auditor, que será o relator com voto, e de quatro juízes militares de patente superior a do acusado ou de sua graduação militar, sob a presidência de oficial superior, ou do mais antigo, no caso de igualdade de posto. Para esse efeito o Auditor, em presença do Promotor e do Escrivão, procederá ao sorteio dos juízes.

3 3 1º - Quando não for possível a organização do Conselho por juízes militares de patente superior à do acusado, poderão dele fazer parte oficiais de igual patente e mais antigo de posto, sempre que possível. 2º - Não havendo oficial da ativa para presidir o Conselho ou mesmo para completar o número dos juízes, recorrer-se-á à relação dos oficiais da reserva ou reformados. 3º - Quando não houver oficial da ativa nem da reserva ou reformado de patente superior ou igual a do réu, será o fato levado ao reconhecimento do Presidente do Tribunal de Justiça, que designará juízes da capital, e na falta ou impedimento destes, juízes da capital, e na falta ou impedimento destes, juízes do interior, para constituírem o Conselho, presidindo o mesmo, não havendo nenhum juiz militar, o juiz de direito mais antigo, segundo a Lei de Organização Judiciária do Estado. 4º - O Conselho Especial de Justiça será constituído para cada processo e se dissolverá logo depois de concluírem seus trabalhos reunindo-se novamente por convocação do Auditor, se sobrevier nulidade de processo ou do julgamento, ou alguma diligência ordenada pelo Tribunal de Justiça. 5º - No Conselho funcionarão, sempre que for possível, os mesmos juízes sorteados, se não houverem sido substituídos na forma da Lei. Art Além do auditor que será o relator com voto, e de um oficial superior ou capitão, que será o presidente, o Conselho Permanente de Justiça, compor-se-á de três oficiais até a patente de capitão. Parágrafo Único - O Conselho Permanente, uma vez instituído, funcionará durante três meses. Art O Comando Geral da Polícia Militar, de três em três meses, remeterá ao Auditor uma relação dos oficiais em serviço ativo e dos reformados ou transferidos para a reserva, indicando os lugares onde se acham servindo ou residindo. Essa relação servirá para o sorteio dos Conselhos a organizar. 1º - Dessa relação será excluído o Comandante da Polícia Militar, convocado, entretanto, para o Conselho Especial quando tiver o acusado patente igual ao mesmo, ou ainda na falta de oficial superior em condições de presidi-lo. 2º - As alterações que se verificarem no quadro dos oficiais serão comunicados, mensalmente, ao Auditor, para os fins legais. 3º - Entre os dias 20 e 25 do último mês de cada trimestre, o Auditor, na sede da Auditoria, a portas abertas, presentes os juízes do Conselho Permanente do trimestre a terminar, o Promotor e o Escrivão, depois de lançar em cédulas os nomes dos oficiais relacionados e de os recolher a uma urna, sorteará os juízes militares para o Conselho Permanente de Justiça a organizarse. 4º - Concluído o sorteio o Conselho Permanente ou Especial, seu resultado será imediatamente comunicado pelo Auditor à autoridade militar competente, para que esta,

4 fazendo-o publicar em boletim, ordene o comparecimento dos juízes, às 15 horas do quinto dia útil, a contar da data do sorteio, na sede da Auditoria ou no lugar onde tiver de funcionar o mesmo Conselho. Do sorteio lavrar-se-á sempre uma ata, em livro próprio, com o respectivo resultado, certificando o escrivão, em cada processo, o sorteio e o compromisso dos juízes. Art Existindo na relação a que se refere o artigo anterior apenas o número exato de oficiais a sortear, serão estes considerados como sorteados. Art Se a relação de oficiais não for remetida a tempo, servirá de base para o sorteio a relação anterior. A nova relação, quando enviada, aplicar-se-á aos sorteios subsequentes, dentro do trimestre. 1º - Sempre que possível, o oficial que tiver servido em um trimestre ficará isento do sorteio para o trimestre imediato. 2º - O Oficial que estiver funcionando em um Conselho não poderá ser sorteado para outro qualquer antes de findos os trabalhos daquele. Art Os oficiais sorteados para os Conselhos de Justiça só ficarão dispensados do serviço da Polícia Militar nos dias de audiência. Art Quando houver mais de um indiciado no mesmo processo servirá de base à constituição do Conselho a patente mais elevada. Art No caso de falta, absoluta ou insuficiência de oficiais inclusive, reformados, serão sorteados os que estiverem nas unidades, subunidades e destacamentos mais próximo da sede, os quais ficarão à disposição do auditor pelo tempo necessário para julgamento do processo em que tiverem de funcionar. Art O oficial que estiver respondendo a processo, a inquérito, ou se achar preso disciplinarmente, não poderá ser juiz do Conselho. 4 DAS INCOMPATIBILIDADES E SUSPEIÇÕES Art Não podem funcionar cunjuntamente, Juízes, Auditor, Promotor, Advogado, Escrivão e peritos que tenham entre si parentesco consangüíneo a fim de linha ascendente ou descendente, e, na colateral, até o terceiro grau inclusive. 1º - Se a incompatibilidade se der entre o juiz e o advogado, este será substituído. Nos outros casos, deverá funcionar o mais antigo nas funções e, se igualmente antigos, o mais velho. 2º - No caso de nomeação, a incompatibilidade se resolve, antes da posse, contra o último nomeado, ou contra o menos idoso, se a nomeação for da mesma data; depois da posse, contra o que lhe deu causa; e se a incompatibilidade for imputada a ambos, contra o mais moderno. Art O funcionário, inclusive o Advogado de Ofício, que aceitar a nomeação de cargo público incompatível, perderá o cargo e todas as vantagens correspondentes.

5 1º - O Promotor e o Advogado de Ofício sé em comissão poderão exercer cargo ou função pública estranhos a Justiça Militar. 2º - Ao Auditor em efetivo exercício ou licenciado é defeso advogar em qualquer juízo; ao Auditor em disponibilidade, ao Promotor ou Suplente de Auditor, convocado ou não, só o é no fôro militar. Art A suspeição será legítima nos casos estabelecidos no Código de Justiça Militar e nas leis processuais. Art Será ilegítima a suspeição quando o excipiente a provocar, eu, depois de manifestada a sua causa, praticar qualquer ato que importe aceitação do juiz ou autoridade recusada. Art O Juiz que se considerar suspeito deve declará-lo por despacho nos autos, ou oralmente em audiência, positivando sua suspeição. Parágrafo Único - A declaração oral constará do respectivo têrmo. Art Ao Promotor e ao Advogado de Ofício são extensivas as prescrições dos artigos procedentes no que lhes for aplicável. 5 DAS SUBSTITUIÇÕES Art O Auditor e os demais funcionários da Justiça Militar, nas suas faltas e impedimentos serão substituídos: a) o Auditor pelo Suplente; b) o Promotor pelo Adjunto; c) o Advogado de Ofício por um bacharel em direito, designado pelo Auditor; d) o Escrivão, o Oficial de Justiça e o Porteiro das Audiências, por interinos ou ad-hoc, nomeados pelo Auditor nas condições estabelecidas nesta Lei. 1º - Na falta do Suplente efetivo, será o Auditor substituído por um Suplente interino, nomeados pelo Governador, ou por um Auditor an-hoc nomeado pelo Presidente do Tribunal de Justiça, mediante Portaria que se indicarão o processo ou processos em que deva funcionar. pelo Auditor. 2º - Na falta do Adjunto, o Promotor será substituído por um ad-hoc nomeado Art Os juízes do Conselho Permanente ou Especial, serão substituídos mediante sorteio, ou na forma do art º, conforme o caso. DAS LICENÇAS E FÉRIAS Art O Auditor, o Promotor e o Advogado de Ofício terão direito a licença e férias em condições idênticas aos juízes, membros do Ministério Público e funcionários públicos, respectivamente.

6 6 DOS DIREITOS E GARANTIAS - DA DISCIPLINA JUDICIÁRIA Art O Auditor e o promotor gozarão de todas as garantias e vantagens asseguradas aos juízes de direito e aos membros do Ministério Público do Estado, com exceção de remoção ou promoção para os cargos da justiça Civil, ou acesso para o Tribunal de Justiça. Art O advogado de Ofício gozará das vantagens asseguradas aos funcionários públicos, na forma da legislação em vigor. honorárias: Art Os funcionários da Justiça Militar terão as seguintes graduações a) Auditor- Coronel; b) Promotor e Advogado de Ofício - Capitão. Parágrafo Único - Os Juízes de Direito, quando em função na Auditoria ou integração e formação do Conselho Especial, terão também o posto honorário de Coronel. Art 34 - O Auditor, o Promotor e o Advogado de Ofício terão vencimentos iguais aos das patentes que lhes são atribuídas. Art O Auditor, o Promotor e o Advogado de Ofício são passíveis das seguintes penas disciplinares: a) advertência verbal ou por escrito; b) censura constante de provimento; c) suspensão até 90(noventa) dias; d) demissão. Parágrafo Único - Essas penas, observadas as normas da Organização Judiciária em vigor, serão impostas: a) ao Auditor pelo tribunal de Justiça e seu Presidente; b) ao promotor e ao Advogado de Ofício, pelo Governador ou pelo Procurador Geral do Estado, conforme o caso. Art Ao Escrivão, ao Oficial de Justiça, e ao Porteiro, o Auditor poderá aplicar as penas das letras a e b do art. 35. Parágrafo Único - Nos casos mais graves, o Auditor representará ao comando geral da Polícia Militar para a devida punição disciplinar. Art Quando, sem causa justificada, faltar à sessão, o oficial juiz do Conselho perderá a sua gratificação relativa aos dias de falta, tendo-se em vista a parte oficial dada pelo Auditor ao comando geral da Polícia Militar; no caso de reincidência, além desta pena ser-lheá aplicada a de repreensão em boletim, ou a de prisão até 15 (quinze) dias, a menos que a falta não constitua matéria de inquérito. 1º - No caso de moléstia, a falta do oficial à sessão só poderá ser justificada por atestado médico, de preferência do médico da Polícia Militar, apresentando ao Auditor até três dias do término dos trabalhos. 2º - Em qualquer caso, será convocada outro juiz para substituir o faltoso.

7 7 DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS e sêlos. Art Os processos-crimes militares não são sujeitas a custas, emolumentos Art Observar-se-á no processo o julgamento dos crimes definidos no Código Penal Militar, o Código da Justiça Militar, em tudo que couber, adotando-se os formulários oficiais, sempre que possível. Art Esta Lei entrará em vigor a 1º de janeiro de Art Revogam-se às disposições em contrário. Maceió, 15 de janeiro de 1953, 64º da República. ARNON DE MELLO EUSTÁQUIO GOMES DE MELLO ( Transc. Do D.O. nº 14, de 20/01/53).

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