DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO O REGIME INTERNACIONAL DOS ESPAÇOS. Sumários Desenvolvidos

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO O REGIME INTERNACIONAL DOS ESPAÇOS. Sumários Desenvolvidos"

Transcrição

1 DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO O REGIME INTERNACIONAL DOS ESPAÇOS Sumários Desenvolvidos Patrícia Jerónimo 2009, Patrícia Jerónimo Nenhuma parte deste trabalho pode ser copiada, reproduzida ou transmitida sem prévia autorização do autor

2 2

3 1. Considerações introdutórias 1.1. A relevância do tema A utilização dos espaços internacionais (ou seja, os espaços subtraídos à soberania estadual) e sua articulação com os espaços integrados no território dos Estados, é uma matéria de grande interesse para a comunidade internacional globalmente considerada, como demonstra a crescente regulamentação internacional que tem vindo a verificar-se em domínios como os transportes (incluindo a navegação marítima, aérea e espacial) e comunicações (hertziana, cabo, satélite), a exploração dos recursos biológicos e minerais, como a pesca, a prospecção do petróleo e gás natural, a investigação científica, a protecção do ambiente e a utilização da energia. Esta intensa regulamentação decorre, sobretudo, da necessidade de resolver conflitos de interesses, de grande complexidade, nomeadamente entre a protecção do ambiente e a actividade piscatória, entre esta e a navegação internacional, entre utilizações civis e utilizações militares dos espaços e entre a exploração da plataforma continental e colocação de condutas e cabos submarinos. Expressão do cuidado posto pela comunidade internacional na gestão dos espaços internacionais é a recente tendência para confiar a entidades reguladoras internacionais independentes a função de fazer aplicar as normas internacionais relevantes, contrariando as pressões dos Estados e dos grupos de interesses internacionais (aviação civil, petrolíferas, armadores). Isto porque, sendo estes espaços do domínio público internacional, a sua preservação pode ser usufruída de forma indivisível por todos, sem qualquer exclusão, o que cria nos Estados fortes incentivos para minimizarem a respectiva contribuição para esse objectivo e maximizarem a contribuição dos outros. O enquadramento fundamental que serve de base à conceptualização da gestão dos espaços internacionais tem sido dado, desde a década de 80 do século XX, pela noção organizadora de desenvolvimento sustentado. A partir dela a doutrina procurou desenvolver alguns modelos teóricos, sem lograr um consenso. Entre os modelos avançados avulta o que assenta na ideia de património comum da humanidade e, em conformidade, subordina a utilização dos espaços a obrigações de interesse geral, tendo em conta preocupações de coexistência pacífica e de justiça distributiva, defendendo uma gestão internacional dos espaços e proibindo a sua apropriação unilateral. Este modelo recebeu acolhimento em textos internacionais (nomeadamente na 3

4 Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982) mas, segundo Jónatas Machado, ainda é cedo para se considerar que se trata de uma noção de jus cogens 1. As regras aplicáveis aos espaços internacionais são, na realidade, extremamente diversificadas e dependem largamente das relações de força internacionais, das prioridades defendidas pelas grandes potências, mas também das concepções jurídicas dominantes em cada época quanto aos interesses públicos (protecção do ambiente, necessidade de pesquisa científica, exploração optimizada dos recursos naturais, segurança das comunicações). Por outro lado, não existe uma separação clara e estanque entre os espaços insusceptíveis de apropriação nacional e os dependentes da soberania do Estado entre uns e outros existem espaços de estatuto misto, sobre os quais um Estado exerce competências alargadas, mas que não são exclusivas ou totais Espaços dentro da jurisdição nacional o território estadual O território é um dos elementos constitutivos do Estado. A doutrina caracteriza-o como o marco físico em que opera o ordenamento jurídico de um Estado. Neste sentido, o território é um pressuposto material do exercício válido, efectivo e exclusivo da soberania, funcionando como condição da independência política relativamente a outros Estados e da autonomia e da independência económica. O respeito da soberania territorial dos Estados é uma das bases essenciais das relações internacionais, como sublinhou o Tribunal Internacional de Justiça num acórdão de A delimitação precisa das fronteiras (ou seja, dos limites exteriores do território) dos Estados constitui matéria do máximo interesse para o Direito Internacional. A fronteira é um limite de carácter internacional, pelo que não podem considerar-se fronteiras as linhas que separam as colectividades territoriais de um Estado (mesmo quando se trate dos limites dos Estados membros de um Estado federal). A coexistência de vários Estados obriga a precisar o seu campo de aplicação territorial. A demarcação das fronteiras assume geralmente carácter convencional, sendo confiada a tarefa a comissões de limitação e demarcação. Do ponto de vista da soberania territorial, importa sublinhar o princípio da soberania nacional sobre os recursos naturais, do qual resultam algumas refracções extra-territoriais. Sustentado 1 Cf. Jónatas E. M. MACHADO Direito Internacional. Do Paradigma Clássico ao Pós-11 de Setembro, 3.ª ed., Coimbra, Coimbra Editora, 2006, pp Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p

5 desde os anos 50 do século XX pelos países em vias de desenvolvimento e afirmado pela Assembleia Geral da ONU, o princípio da soberania nacional sobre os recursos naturais assume um lugar central na chamada nova ordem económica internacional, especialmente preocupada com a situação económica e social dos países em vias de desenvolvimento, e encontra consagração expressa na Carta dos Direitos e Deveres Económicos dos Estados, aprovada pela Assembleia Geral da ONU em A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar consagra o princípio, mas subordina-o ao dever de proteger e preservar o meio marinho 4. A Constituição da República Democrática de Timor-Leste (CRDTL) enuncia o princípio da soberania nacional sobre os recursos naturais entre os princípios norteadores do Estado timorense nas suas relações internacionais (artigo 8.º, n.º 1) 5 e, em conformidade, estatui no seu artigo 139.º, n.º 1, que os recursos do solo, do subsolo, das águas territoriais, da plataforma continental e da zona económica exclusiva, que são vitais para a economia, são propriedade do Estado e devem ser utilizados de uma forma justa e igualitária, de acordo com o interesse nacional. O artigo 158.º, n.º 3, esclarece que Timor-Leste não reconhece quaisquer actos ou contratos relativos àqueles recursos naturais que tenham sido celebrados ou praticados antes da entrada em vigor da CRDTL, sem que sejam confirmados pelos órgãos competentes, uma salvaguarda que se compreende em vista, nomeadamente, do Tratado do Timor Gap, celebrado entre a Austrália e a Indonésia em 11 de Dezembro de Os elementos constitutivos do território são a superfície terrestre lato sensu, o mar territorial e o espaço aéreo. Nos termos do artigo 4.º, n.º 1 da CRDTL, o território da República Democrática de Timor-Leste compreende a superfície terrestre, a zona marítima e o espaço aéreo delimitados pelas fronteiras nacionais, que historicamente integram a parte oriental da ilha de Timor, o enclave de Oe-Cusse Ambeno, a ilha de Ataúro e o ilhéu de Jaco. O território nacional e os direitos de soberania sobre ele exercidos são inalienáveis (artigo 4.º, n.º 3) 7. A Constituição remete para a lei ordinária a fixação e definição da extensão e do limite das águas territoriais, da zona económica exclusiva e os direitos de Timor-Leste na zona contígua e plataforma 4 Os Estados têm o direito de soberania para aproveitar os seus recursos naturais de acordo com a sua política em matéria de meio ambiente e de conformidade com o seu dever de proteger e preservar o meio marinho (artigo 193.º da Convenção). 5 A República Democrática de Timor-Leste rege-se nas relações internacionais pelos princípios da independência nacional, do direito dos povos à autodeterminação e independência, da soberania permanente dos povos sobre as suas riquezas e recursos naturais, da protecção dos direitos humanos, do respeito mútuo pela soberania, integridade territorial e igualdade entre Estados e da não ingerência nos assuntos internos dos Estados. 6 Idêntica ressalva, agora por referência directa ao Tratado Timor Gap, é feita no instrumento de troca de notas entre Timor-Leste e a Austrália que acompanha o Tratado do Mar de Timor. Pode ler-se no seu ponto 8.º: Ao concordar em continuar com as disposições de 19 de Maio de 2002, até à entrada em vigor do Tratado, o Governo da República Democrática de Timor-Leste não reconhece por este meio a validade do Tratado entre a Austrália e a República da Indonésia na Zona de Cooperação numa Área entre a Província Indonésia de Timor-Leste e o Norte da Austrália (o Tratado Timor Gap ) ou a validade da integração de Timor-Leste na Indonésia. 7 O Estado não aliena qualquer parte do território timorense ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras. 5

6 continental (artigo 4.º, n.º 2) 8, o que foi feito pela Lei n.º 7/2002, de 20 de Setembro. Interessa notar que este diploma veio definir em termos mais amplos (e abertos) o território de Timor- Leste, acrescentando à definição constitucional outras ilhas e formações naturais que constituam dependências susceptíveis de apropriação (artigo 1.º, alínea d) da Lei n.º 7/2002). Numa aparente confusão conceptual entre território e espaço terrestre, o artigo 10.º, n.º 1, da Lei n.º 7/2002, afirma ainda que a soberania de Timor-Leste abrange, para além do seu território e águas interiores, o mar territorial e o espaço aéreo sobre o mar territorial, bem como o leito e o subsolo deste Espaços fora da jurisdição nacional Espaços fora da jurisdição nacional são o alto mar e os fundos marinhos, o espaço aéreo internacional, o espaço extra-atmosférico e a Antártida. 2. O espaço terrestre 2.1. Elementos Na superfície terrestre em sentido amplo estão incluídos o solo, o subsolo e as águas interiores (ou seja, as baías, os lagos, os rios e todas as águas que ficam aquém da linha de base do mar territorial 9 ). O princípio geral admitido para as águas interiores é o da soberania nacional exclusiva, mas frequentemente temperada pela concessão de direitos de acesso ou de exploração a Estados terceiros, pela via convencional ou consuetudinária. Não se garante, todavia, contrariamente ao que se verifica para o mar territorial, um direito de passagem inofensiva a estrangeiros 10. Os navios privados (ou navios de Estado utilizados para fins comerciais) e os navios de guerra estrangeiros só podem aceder às águas interiores de um Estado se este o autorizar, salvo, por razões humanitárias, se os navios se encontrarem acidentados ou em perigo. Uma vez admitidos 8 Os limites das águas territoriais e da zona económica exclusiva e os direitos de Timor-Leste à zona contígua e plataforma continental, bem como, em geral, as fronteiras da República Democrática de Timor-Leste, são matéria da competência exclusiva do Parlamento Nacional, de acordo com o artigo 95.º, n.º 2, alíneas a) e b) da CRDTL. 9 A Lei n.º 7/2002, de 20 de Setembro, estabelece que o limite exterior das águas interiores do território de Timor-Leste é a linha de base a partir da qual se mede a largura do mar territorial de Timor-Leste (artigo 4.º). 10 Cf. Jónatas E. M. MACHADO Direito Internacional. Do Paradigma Clássico ao Pós-11 de Setembro, 3.ª ed., Coimbra, Coimbra Editora,

7 às águas interiores, os navios privados estrangeiros encontram-se inteiramente submetidos à soberania do Estado ribeirinho, cuja jurisdição prima sobre a do Estado do pavilhão, ao passo que os navios de guerra permanecem submetidos à jurisdição do Estado do pavilhão durante a sua estadia 11. Questão diferente é a posta pelos canais 12 e rios 13 internacionais, que fazem parte integrante do território do Estado ou dos Estados que atravessam, mas que devem servir a navegação internacional. Dois princípios fundamentais entram aqui em concorrência: o da soberania territorial do Estado ribeirinho e o da liberdade das comunicações proveniente das necessidades do comércio internacional. A conciliação consegue-se, não sem dificuldades, um pouco como no mar territorial, pelo reconhecimento de um direito de livre passagem admitido, pelo menos em tempo de paz, em favor de navios (mas não das aeronaves) hasteando o pavilhão de qualquer outro Estado. Os Estados ribeirinhos não admitem facilmente estas limitações às suas competências, pelo que, em cada caso particular, o regime jurídico dos canais e dos rios é definido com precisão por um ou vários instrumentos convencionais Processos de fixação de fronteira. Contestação e prova do traçado fronteiriço. Regime das zonas fronteiriças. A operação completa de determinação da linha fronteiriça compõe-se de várias fases. A primeira é a fase da delimitação, operação jurídica e política que fixa a extensão espacial do ou dos poderes estatais. A segunda é a demarcação, operação técnica de execução que transfere para o terreno os termos de uma delimitação estabelecida. A terceira e última fase consiste na implantação das extremas, operação que materializa a fronteira no terreno por referências acordadas (marcos, estacas, etc.). O traçado da fronteira pode ser estabelecido no seguimento de uma negociação, de uma regulamentação unilateral ou colectiva de um concerto de potências, em virtude de uma regra consuetudinária ou de uma decisão jurisdicional ou arbitral. Estabelecer uma fronteira é um compromisso para o futuro, pelo que os Estados, preocupados 11 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, pp Os canais internacionais são vias de comunicação marítima e internacional que ligam mares livres, com a particularidade de serem vias artificiais escavadas sobre o território de um Estado. Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p Os rios são internacionais quando, no seu curso, tocam os territórios de mais do que um Estado. Podem distinguir-se os rios fronteira, ou contíguos, e os rios sucessivos. Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p Timor-Leste tem em comum com a Indonésia vários rios (ou bacias hidrográficas), razão pela qual a Comissão Fronteiriça Conjunta (ver infra) activou, em Maio de 2009, um sub-comité técnico sobre gestão de água e rios comuns, incumbido de preparar o terreno para a celebração, a breve prazo, de um ou mais acordos bilaterais sobre esta matéria. 14 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p

8 com a estabilidade jurídica do traçado definido, tomam múltiplas precauções ao longo das sucessivas etapas da operação e frequentemente optam por firmar o compromisso mútuo sob a forma de um tratado 15. O Direito Internacional não impõe qualquer técnica particular para o estabelecimento da fronteira. Os Estados, fazendo prevalecer as considerações de oportunidade mais diversas, podem livremente decidir considerar pertinentes dados naturais e delimitações anteriores, como podem fazer tábua rasa do passado ou apoiar-se em pontos ou linhas inteiramente artificiais. A escolha entre fronteiras naturais e fronteiras artificiais é ditada pelo conhecimento mais ou menos exacto que os negociadores têm da zona atravessada pela fronteira e pela existência de pontos de referência naturais. Na maior parte dos casos, os Estados preferirão utilizar indícios geográficos ou geológicos, que oferecem maior segurança jurídica do que linhas artificiais e facilitam a operação de demarcação. Se as referências são constituídas por um maciço montanhoso, dever-se-á escolher entre a linha de crista e a linha se separação das águas a primeira assegura uma certa igualdade dos Estados limítrofes em termos de segurança militar; a segunda responde muitas vezes melhor às necessidades concretas da população local e evita a multiplicação de fricções entre colectividades vizinhas mas dependentes de Estados diferentes. A demarcação é sempre delicada, em particular para a linha hidrográfica, e impõe-se a assistência de peritos. Se se tratar de um rio ou de uma ribeira, a linha de fronteira situar-se-á ora numa das margens (o que é uma solução não igualitária, visto que um dos Estados dispõe inteiramente da via de água), ora no meio do rio (sistema da linha mediana). Esta última tem sido a solução dominante, sobretudo nos casos de vias de água navegáveis 16. Para a delimitação das fronteiras dos Estados saídos da descolonização, a regra geral tem sido a que decorre do princípio uti possidetis juris, segundo o qual o direito dos povos coloniais à autodeterminação deve exercer-se no quadro dos limites administrativos fixados pela potência administrante ou das fronteiras coloniais. Este princípio não fixa, no entanto, para sempre as fronteiras dos novos Estados, que permanecem livres de as modificar mediante acordos. Por outro lado, a invocação do princípio revela-se inútil sempre que a delimitação fronteiriça seja estabelecida pela via convencional e não obsta à incerteza sobre o traçado das fronteiras, fonte 15 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, pp Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p

9 de um contencioso internacional importante, na medida em que as delimitações coloniais nem sempre tiveram uma grande precisão 17. Por aplicação do princípio uti possidetis juris, Timor-Leste herdou as fronteiras terrestres definidas pela Administração colonial portuguesa, designadamente as fixadas por dois acordos firmados entre Portugal e os Países Baixos: o Tratado de demarcação e troca de algumas possessões portuguesas e neerlandesas no arquipélago de Solor e Timor, assinado em Lisboa em 20 de Abril de 1859, e a Convenção para a demarcação das possessões portuguesas e neerlandesas na ilha de Timor, assinada na Haia em 1 de Outubro de Em Julho de 2000, a Administração Transitória das Nações Unidas em Timor-Leste (UNTAET) celebrou com a Indonésia um acordo internacional sobre a constituição de uma Comissão Fronteiriça Conjunta. Timor-Leste e da Indonésia levaram a cabo uma pesquisa conjunta do traçado fronteiriço que conduziu à demarcação de 96% da extensão total da fronteira terrestre. O estabelecimento da fronteira internacional entre a Indonésia e Timor-Leste resultou de um mandato conjunto dos dois Governos, baseado na Convenção de 1904 e na decisão arbitral de 1914 (relativa a Oecusse-Ambeno), que foi executado através de actividades de reconhecimento do terreno (incluindo o levantamento das características geomorfológicas e a condução de inquéritos às populações), da construção de uma base de dados de referência comum (CBDRF) e da condução de pesquisas de delimitação e demarcação. Importava, nomeadamente, estudar as características dos rios (configuração morfológica das margens, localização de ilhas fluviais e de pontos salientes para aplicação da mediana) e a utilização socio-económica dos rios pelas populações locais 19. No dia 8 de Abril de 2005 foi assinado, pelos ministros dos negócios estrangeiros de ambos os países um Acordo Provisório sobre a delimitação da fronteira terrestre, prevendo a continuação das operações de delimitação da fronteira no tocante aos segmentos de fronteira ainda controversos (cerca de 4% da totalidade do traçado fronteiriço) e a celebração de um acordo autónomo em matéria de gestão dos rios comuns (o que se compreende, atenta a circunstância de 75% da fronteira terrestre ser marcada por rios). 17 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, pp Cf. Miguel Galvão TELES Timor Leste, Separata do II Suplemento do Dicionário Jurídico da Administração Pública, pp Cf. Sobar SUTISNA e Sri HANDOYO Delineation and Demarcation of the Land Borders in Timor: Indonesian Perspective, in 9

10 Em processos de contestação do traçado fronteiriço, quando não existe um diploma convencional ou legislativo, ou quando este dá apenas indicações gerais e ambíguas sobre o dito traçado, a jurisprudência internacional tem feito prova de grande empirismo. Os juízes e os árbitros determinam o traçado das fronteiras contestadas combinando e pesando as provas cartográficas com os elementos de prova que lhe são submetidos pelos Estados em litígio sobre o respectivo exercício de uma autoridade efectiva nas parcelas litigiosas, inspirando-se, sendo caso disso, em juízos de equidade 20. Se, em virtude da delimitação, o território dos Estados termina obrigatoriamente na linha de fronteira, já não sucede o mesmo com a vida económica no espaço contíguo denominado zona fronteiriça. Mesmo que existam obstáculos naturais, as regiões limítrofes de um lado e de outro de uma fronteira formam frequentemente uma única unidade sociológica, étnica e económica, unidade que não pode ser artificialmente negada pelos recortes territoriais. Em qualquer hipótese, são inevitáveis contactos entre os habitantes das fronteiras. Apesar de a noção de fronteira-zona não se tenha imposto em Direito positivo, a contiguidade dos 20 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p

11 territórios estatais impõe o respeito por alguns princípios de boa vizinhança, favorecendo processos de cooperação mais densos do que os habituais nas relações interestatais. A cooperação voluntária é um fenómeno frequente que ocorre através de decisões unilaterais paralelas, através da conclusão de tratados ou de acordos entre as colectividades locais respectivas. Tradicionalmente, estas medidas de cooperação organizam a colaboração dos serviços públicos fronteiriços (polícia, luta contra incêndios, serviços hospitalares, comunicações rodoviárias e ferroviárias) e facilitam as deslocações dos trabalhadores fronteiriços (abrandamento dos regimes aduaneiros e de polícia dos estrangeiros). Mais recentemente, a protecção do ambiente foi considerada como de interesse comum, em particular para a prevenção da poluição dos rios e lagos fronteiriços 21. Um exemplo da cooperação entre a Indonésia e Timor-Leste em prol das zonas fronteiriças deuse em 2006 quando o Governo indonésio teve de proceder à reparação de um reservatório de água construído em 1991, ao tempo da ocupação indonésia de Timor-Leste, e parcialmente situado em território timorense. Atenta a circunstância de o reservatório servir as populações de ambos os lados da fronteira, o Governo timorense autorizou a entrada dos técnicos indonésios e os trabalhos de reparação do reservatório 22. Outro exemplo é o Acordo sobre passagem fronteiriça tradicional e mercados regulados, firmado em Outubro de 2007, que impõe a administração por Timor-Leste e pela Indonésia de um sistema aduaneiro, nos termos do qual os nacionais dos dois países, com domicilio nas respectivas áreas de fronteira, poderão entrar e viajar livremente dento da área de fronteira do outro país, para fins tradicionais ou costumeiros. 3. O espaço marítimo Conjugando as definições de geógrafos e de juristas, poderemos dizer que mar é o conjunto dos espaços de água salgada que estão em comunicação livre e natural sobre toda a extensão do globo. Apesar da salinidade das suas águas, o Mar Morto e o Mar Cáspio não podem ser juridicamente considerados como fazendo parte do mar, porque essas massas de água se encontram fechadas. O Mar Cáspio, que banha diversos Estados, pode ser objecto de relações regidas pelo Direito Internacional, mas porque não tem comunicação com o resto dos oceanos, não é uma dependência do mar face às regras gerais do Direito do Mar. O Direito do Mar, por 21 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p Cf. Sobar SUTISNA e Sri HANDOYO Delineation and Demarcation of the Land Borders in Timor: Indonesian Perspective, in 11

12 outro lado, respeita não apenas à água, mas também ao solo e subsolo marítimos e, para alguns aspectos, o espaço aéreo sobrejacente 23. O essencial da disciplina do Direito do Mar encontra-se hoje contida na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, realizada em Montego Bay a 10 de Dezembro de 1982 (entrada em vigor em 16 de Novembro de 1994), um instrumento que não foi ainda subscrito por Timor- Leste, apesar da recomendação nesse sentido feita pelo artigo 12.º da Lei n.º 7/2002, de 20 de Setembro 24. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar não deixa, no entanto, de inspirar muitas das soluções adoptadas pela lei timorense e de ser tomada como referência em acordos internacionais subscritos pelo Estado timorense nesta matéria, nomeadamente no Tratado do Mar de Timor firmado com a Austrália em Maio de , que assume expressamente o propósito de cumprir as obrigações decorrentes da Convenção de Montego Bay no que toca à exigência de que os Estados com costas opostas ou adjacentes envidem todos os esforços para aderirem a disposições provisórias de natureza prática até chegarem a um acordo sobre a delimitação final da plataforma continental entre eles, em harmonia com o Direito Internacional 26. A regulação da utilização do mar internacional encontra-se dependente da Organização Marítima Internacional, uma agência das Nações Unidas criada em 1948, cujas funções consistem em prestar apoio técnico e cooperar no desenvolvimento de standards de navegação e segurança, de protecção da vida humana no mar e de combate à poluição marinha; cabendo-lhe, ainda, a supervisão e coordenação da navegação e do comércio marítimos e da implementação da MARPOL 27. Timor-Leste ratificou, em 2004, a Convenção da Organização Marítima Internacional 28, tornando-se membro da Organização. 23 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p Os órgãos de soberania competentes promoverão, em prazo razoável, através dos mecanismos constitucionais e legais apropriados, a aprovação, adesão e ratificação dos tratados, convenções, acordos e protocolos existentes em matéria de Direito do Mar, sobretudo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar celebrada, a 10 de Dezembro de 1982, em Montego Bay (México) e o Acordo relativo à Aplicação da Parte XI da mesma Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 10 de Dezembro de Ratificado pela Resolução do Parlamento Nacional n.º 2/2003, de 1 de Abril. 26 Artigo 2.º, alínea a) do Tratado do Mar de Timor: Este Tratado confere executoriedade ao direito internacional relativamente à Convenção das Nações Unidas sobre Direito Marítimo, realizada em Montego Bay a 10 de Dezembro de 1982, o qual, ao abrigo do artigo 83.º, requer que Estados com costas opostas ou adjacentes envidem todos os esforços para aderirem a disposições provisórias de natureza prática até chegarem a um acordo sobre a delimitação final da plataforma continental entre eles, em harmonia com o direito internacional. Este Tratado tem a intenção de cumprir tal obrigação. 27 Cf. Jónatas E. M. MACHADO Direito Internacional. Do Paradigma Clássico ao Pós-11 de Setembro, 3.ª ed., Coimbra, Coimbra Editora, Resolução do Parlamento Nacional n.º 10/2004, de 9 de Dezembro. 12

13 3.1. O mar territorial A delimitação do mar territorial é feita unilateralmente pelos Estados 29, mas o Direito Internacional regula a respectiva validade em face de outros Estados, pelo que, na prática, os Estados devem sujeitar-se nesta matéria ao Direito Internacional. O regime instituído pela Convenção de Montego Bay assenta na premissa de que se trata aqui de uma parte integrante do domínio territorial do Estado, sobre o qual este é soberano 30, ainda que deva exercer essa soberania em conformidade com a Convenção e as demais normas de Direito Internacional (artigo 2.º da Convenção). No respectivo mar territorial, o Estado costeiro exerce competências exclusivas do ponto de vista económico (pesca, exploração de recursos minerais) e em matéria de polícia (navegação, alfândega, saúde pública, protecção do ambiente, segurança) 31. Um limite importante à soberania estadual sobre o mar territorial resulta do dever internacional de garantia, sem quaisquer restrições ou encargos, do direito de passagem inofensiva 32 pelo mar territorial aos navios de qualquer Estado, costeiro ou sem litoral (artigo 17.º da Convenção). Os navios estrangeiros que exerçam o direito de passagem inofensiva pelo mar territorial deverão, no entanto, observar todas as leis e regulamentos adoptados pelo Estado costeiro em matéria de segurança da navegação e regulamentação do tráfego marítimo, protecção das instalações e dos sistemas de auxílio à navegação, protecção de cabos e ductos, conservação dos recursos vivos 29 Veja-se o artigo 4.º, n.º 2 da CRDTL e a Lei n.º 7/2002, de 20 de Setembro, que fixa as fronteiras marítimas do território da República Democrática de Timor-Leste. 30 A soberania do Estado costeiro estende-se além do seu território e das suas águas interiores e, no caso de Estado arquipélago, das suas águas arquipelágicas, a uma zona de mar adjacente designada pelo nome de mar territorial (artigo 2.º, n.º 1 da Convenção). Esta soberania estende-se ao espaço aéreo sobrejacente ao mar territorial, bem como ao leito e ao subsolo deste mar (artigo 2.º, n.º 2 da Convenção). Corolário desta soberania é, nomeadamente, o direito exclusivo do Estado costeiro de regulamentar, autorizar e realizar investigação científica marinha no seu mar territorial. A investigação científica marinha no seu mar territorial só deve ser realizada com o consentimento expresso do Estado costeiro e nas condições por ele estabelecidas (artigo 245.º da Convenção). 31 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p A passagem significa a navegação pelo mar territorial com o fim de atravessar esse mar sem penetrar nas águas interiores nem fazer escala num ancoradouro ou instalação portuária situada fora das águas interiores, bem como de se dirigir para as águas interiores ou delas sair ou fazer escala num desses ancoradouros ou instalações portuárias (artigo 18.º, n.º 1, da Convenção). A mesma deverá ser contínua e rápida, embora compreenda o parar e o fundear, na medida em que os mesmos constituam incidentes comuns de navegação ou sejam impostos por motivos de força maior, por dificuldade grave ou pela intenção de prestar auxílio a pessoas, navios ou aeronaves em perigo ou em dificuldade grave (artigo 18.º, n.º 2, da Convenção). A passagem é inofensiva desde que não seja prejudicial à paz, à boa ordem ou à segurança do Estado costeiro, o que, de acordo com a Convenção de Montego Bay, não se verifica quando: o navio leve a cabo qualquer ameaça ou uso da força contra a soberania, a integridade territorial ou a independência política do Estado costeiro ou qualquer outra acção em violação dos princípios de Direito Internacional enunciados na Carta das Nações Unidas, exercício ou manobra com armas de qualquer tipo, acto destinado a obter informações em prejuízo da defesa ou da segurança do Estado costeiro, acto de propaganda destinado a atentar contra a defesa ou a segurança do Estado costeiro, o lançamento, pouso ou recebimento a bordo de qualquer aeronave ou dispositivo militar, o embarque ou desembarque de qualquer produto, moeda ou pessoa com violação das leis e regulamentos aduaneiros, fiscais, de imigração ou sanitários do Estado costeiro, um acto intencional e grave de poluição, actividade de pesca, a realização de actividades de investigação ou de levantamentos hidrográficos, um acto destinado a perturbar quaisquer sistemas de comunicação ou quaisquer outros serviços ou instalações do Estado costeiro, outra actividade que não esteja directamente relacionada com a passagem (artigo 19.º da Convenção). 13

14 do mar, etc. (artigo 21.º da Convenção). Para além disso, o Estado costeiro pode, quando for necessário à segurança da navegação, exigir que os navios estrangeiros que exerçam o direito de passagem inofensiva pelo seu mar territorial utilizem as rotas marítimas e os sistemas de separação de tráfego que esse Estado tenha designado ou prescrito para a regulação da passagem de navios (artigo 22.º, n.º 1, da Convenção). O Estado costeiro pode tomar, no seu mar territorial, as medidas necessárias para impedir toda a passagem que não seja inofensiva (artigo 25.º, n.º 1, da Convenção) 33, podendo mesmo suspender temporariamente, em determinadas áreas do seu mar territorial, o exercício do direito de passagem inofensiva dos navios estrangeiros, se esta medida for indispensável para proteger a sua segurança (artigo 25.º, n.º 3, da Convenção). O Estado costeiro não pode, porém, exercer a sua jurisdição penal a bordo de navio estrangeiro que passe pelo mar territorial para deter pessoa ou realizar investigação relativa a infracção criminal cometida a bordo (artigo 27.º, n.º 1, da Convenção) 34. E também não deve parar nem desviar da sua rota um navio estrangeiro que passe pelo mar territorial a fim de exercer a sua jurisdição civil em relação a uma pessoa que se encontre a bordo (artigo 28.º, n.º 1, da Convenção). Os Estados têm o direito de fixar a largura do seu mar territorial até um limite que não ultrapasse 12 milhas marítimas 35, medidas a partir de linhas de base determinadas em conformidade com a Convenção de Montego Bay (artigo 3.º da Convenção). A linha de base normal para medir a largura do mar territorial é a linha da baixa-mar ao longo da costa, tal como indicada nas cartas marítimas de grande escala, reconhecidas oficialmente pelo Estado costeiro (artigo 5.º da Convenção). Para resolver os problemas colocados pela instabilidade da linha costeira, a Convenção de Montego Bay estabelece regras especiais de delimitação do mar territorial, podendo recorrer-se a linhas de base rectas, nos casos em que a linha costeira seja perturbada pela existência de ilhas, atóis, cadeias de recifes, recortes profundos e reentrâncias, franjas de ilhas, deltas, acidentes naturais e outras causas de instabilidade (artigo 7.º da Convenção). Se um rio desagua directamente no mar, a linha de base é uma recta traçada através 33 O Estado costeiro pode exercer poderes de coacção sobre o navio mercante estrangeiro a fim de o obrigar a respeitar as suas leis e regulamentos, bem como as regras de Direito Internacional, podendo mesmo, se necessário, perseguir o navio até ao alto mar (hot pursuit). O Estado costeiro encontra-se muito mais desprotegido face às infracções cometidas por um navio de Estado utilizado para fins não comerciais, que beneficia das imunidades do Estado estrangeiro e que ele não pode vistoriar nem desviar. Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, pp Ainda assim, se um navio de guerra não cumprir as leis e regulamentos do Estado costeiro e não acatar o pedido que lhe for feito para o seu cumprimento, o Estado costeiro pode exigir-lhe que saia imediatamente do mar territorial (artigo 30.º da Convenção). 34 Salvo se a infracção penal tiver consequências para o Estado costeiro; se a infracção criminal for de tal natureza que possa perturbar a paz do país ou a ordem no mar territorial; se a assistência das autoridades locais tiver sido solicitada pelo capitão do navio ou pelo representante diplomático ou funcionário consular do Estado de bandeira; ou se estas medidas forem necessárias para a repressão do tráfico ilícito de estupefacientes ou de substâncias psicotrópicas. O Estado costeiro pode, além do mais, tomar as medidas autorizadas pelo seu direito interno a fim de proceder a apresamento e investigações a bordo de navio estrangeiro que passe pelo seu mar territorial procedente de águas interiores (artigo 27.º, n.º 2, da Convenção). 35 Uma milha marítima é igual a 1852 metros. 14

15 da foz do rio entre os pontos limites da linha de baixa-mar das suas margens (artigo 9.º da Convenção). Para efeitos de delimitação do mar territorial, as instalações portuárias permanentes mais ao largo da costa que façam parte integrante do sistema portuário são consideradas como fazendo parte da costa (artigo 11.º da Convenção). Os ancoradouros utilizados habitualmente para carga, descarga e fundeio e navios, os quais estariam normalmente situados, inteira ou parcialmente, fora do traçado geral do limite exterior do mar territorial, são considerados como fazendo parte do mar territorial (artigo 12.º da Convenção). Quando as costas de dois Estados são adjacentes ou se encontram situadas frente a frente, nenhum desses Estados tem o direito, salvo acordo de ambos em contrário, de estender o seu mar territorial além da linha mediana cujos pontos são equidistantes dos pontos mais próximos das linhas de base, a partir das quais se mede a largura do mar territorial de cada um desses Estados (artigo 15.º da Convenção) 36. A definição do espaço marítimo de Timor-Leste impõe-se praticamente em todas as direcções, pela presença contígua do território indonésio de Timor Ocidental, assim como pela presença, face a face e a distância relevante, de ilhas indonésias, a norte (designadamente, Alor, Lirori, Wetar e Kisar) e a leste (em particular, Leti), e da Austrália, a sul 37. O diploma que fixa as fronteiras marítimas de Timor-Leste a Lei n.º 7/2002, de 20 de Setembro acompanha, em boa medida, as normas contidas na Convenção de Montego Bay. Nos termos do artigo 5.º, o limite exterior do mar territorial de Timor-Leste é definido por uma linha em que cada um dos pontos se situa a uma distância de doze milhas náuticas do ponto mais próximo da linha de base. A linha de base normal para medir para medir a largura do mar territorial de Timor-Leste é a linha da baixa-mar 38 ao longo da costa do território de Timor-Leste (artigo 2.º, n.º 1). Se um rio desaguar directamente no mar, a linha de base é uma recta traçada através da foz do rio entre os pontos limites da linha de baixa-mar das suas margens (artigo 3.º, n.º 1). Se a sinuosidade da costa formar uma baía, a linha de base será um segmento de recta traçado entre os pontos naturais da entrada da baía na linha de baixa-mar (artigo 3.º, n.º 2), excepto se se tratar de uma baía histórica 39, caso em que o Ministro competente, que declare uma baía como baía histórica, definirá os limites exteriores da baía em causa (artigo 3.º, n.º 3). As instalações 36 Quando, por motivo da existência de títulos históricos ou de outras circunstâncias especiais, for necessário delimitar o mar territorial dos dois Estados de forma diferente, esta regra não se aplica. 37 Cf. Miguel Galvão TELES Timor Leste, Separata do II Suplemento do Dicionário Jurídico da Administração Pública, p Linha de baixa-mar significa a linha de baixa-mar das costas do território de Timor-Leste, tal como é revelada nas cartas oficiais de maior escala reconhecidas oficialmente pelo Governo de Timor-Leste (artigo 1.º, alínea g)). 39 Baías históricas são as tradicionalmente consideradas como dependentes da plena soberania do Estado costeiro e submetidas por esse facto ao regime jurídico das águas interiores. Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p

16 portuárias permanentes mais ao largo da costa, que façam parte integrante do sistema portuário, são consideradas como fazendo parte da costa (artigo 2.º, n.º 2) 3.2. A zona contígua, a plataforma continental e a zona económica exclusiva Embora situadas fora do marco territorial a que se estende o exercício da soberania estadual, a zona contígua, a plataforma continental e a zona económica exclusiva traduzem-se num alargamento limitado da jurisdição estadual. Em causa está o objectivo de satisfazer as diferentes pretensões dos Estados, em matéria de segurança e preservação e exploração dos recursos, sem comprometer o princípio da liberdade de navegação em alto mar 40. A zona contígua corresponde à extensão de mar adjacente ao mar territorial até a um máximo de 24 milhas marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir a largura do mar territorial (artigo 33.º, n.º 2, da Convenção). Diferentemente do que sucede relativamente ao mar territorial, a zona contígua deve ser expressamente reclamada 41. No interior da zona contígua o Estado costeiro pode tomar as medidas de fiscalização necessárias a evitar as infracções às leis e regulamentos aduaneiros, fiscais, de imigração ou sanitários no seu território ou no seu mar territorial, bem como a reprimir as infracções às leis e regulamentos no seu território ou no seu mar territorial (artigo 33.º, n.º 1, da Convenção). Seguindo, uma vez mais, a norma internacional, a Lei n.º 7/2002, de 20 de Setembro, estabelece que o limite exterior da zona contígua de Timor-Leste é definido por uma linha em que cada um dos pontos se situa a uma distância de vinte e quatro milhas náuticas do ponto mais próximo da linha de base (artigo 6.º); adiantando que, na sua zona contígua, o Estado de Timor-Leste exerce a fiscalização necessária para evitar as infracções às leis e regulamentos aduaneiros, fiscais, de imigração ou sanitários no seu território ou no seu mar territorial, bem como para reprimir as infracções às leis e regulamentos no seu território ou no seu mar territorial (artigo 10.º, n.º 2). A plataforma continental de um Estado costeiro compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas que se estendem além do seu mar territorial, em toda a extensão do prolongamento natural do seu território terrestre, até ao bordo exterior da margem continental 42 ou até a uma 40 Cf. Jónatas E. M. MACHADO Direito Internacional. Do Paradigma Clássico ao Pós-11 de Setembro, 3.ª ed., Coimbra, Coimbra Editora, Cf. Jónatas E. M. MACHADO Direito Internacional. Do Paradigma Clássico ao Pós-11 de Setembro, 3.ª ed., Coimbra, Coimbra Editora, A margem continental compreende o prolongamento submerso da massa terrestre do Estado costeiro e é constituída pelo leito e subsolo da plataforma continental, pelo talude e pela elevação continentais. Não compreende 16

17 distância de 200 milhas marítimas das linhas de base a partir das quais se mede a largura do mar territorial, nos casos em que o bordo exterior da margem continental não atinja essa distância (artigo 76.º, n.º 1, da Convenção) 43. Apesar da complexidade do regime da plataforma continental, a doutrina considera serem regras consuetudinárias geralmente aceites o direito a uma plataforma de 200 milhas, qualquer que seja a morfologia do leito do mar e do seu subsolo, e a possibilidade da sua extensão para além das 200 milhas 44. Relevante para as considerações a tecer infra sobre a plataforma continental de Timor-Leste afigura-se, entretanto, a regra do artigo 83.º da Convenção, segundo a qual a delimitação da plataforma continental entre Estados com costas adjacentes ou situadas frente a frente deve ser feita por acordo a fim de se chegar a uma solução equitativa. Em princípio, cada Estado delimita unilateralmente a sua plataforma continental, sob a única reserva da intervenção da Comissão de Limites e da obrigação de dar à sua decisão a publicidade requerida; mas isto é impossível no que respeita aos Estados cujas costas são adjacentes ou fazem face. Segundo o Tribunal Internacional de Justiça, nenhuma delimitação marítima entre Estados cujas costas são adjacentes ou fazem face pode ser efectuada unilateralmente por um destes Estados, devendo a delimitação ser procurada e realizada por meio de um acordo concretizado após uma negociação conduzida de boa fé e com a intenção real de obter um resultado positivo; onde um tal acordo não seja realizável, a delimitação deve ser efectuada recorrendo a uma terceira instância dotada da competência necessária para o fazer. O princípio da delimitação pela via do acordo não resolve a questão das regras de fundo aplicáveis à delimitação. O artigo 6.º da Convenção de Genebra sobre a Plataforma Continental, de 1958, prevê que, na falta de acordo, convém salvo circunstâncias excepcionais aplicar a regra da linha mediana no caso de uma plataforma adjacente a dois ou vários Estados cujas costas fazem face e a da equidistância dos pontos mais próximos das linhas de base no caso de uma plataforma adjacente aos territórios de dois Estados limítrofes. Contudo, sustenta Nguyen Quoc Dinh, esta regra não tinha um carácter consuetudinário no momento da sua adopção e não o adquiriu desde então, pelo que a regra da nem os grandes fundos oceânicos, com as suas cristas oceânicas, nem o seu subsolo (artigo 76.º, n.º 3, da Convenção). Pode ir até a um máximo de 350 milhas náuticas (artigo 76.º, números 5 e 6, da Convenção). 43 Nos casos em que a margem continental se estender para além das 200 milhas, o respectivo bordo exterior deve ser estabelecido pelo Estado costeiro (artigo 76.º, n.º 4, da Convenção). As informações sobre os limites da plataforma continental, além das 200 milhas, devem ser submetidas pelo Estado costeiro à Comissão de Limites da Plataforma Continental, cujo funcionamento é regulado no Anexo II da Convenção (artigo 76.º, n.º 8, da Convenção). O Estado costeiro deve ainda depositar junto do Secretário-Geral das Nações Unidas mapas e informações pertinentes que descrevam permanentemente os limites exteriores da sua plataforma continental (artigo 76.º, n.º 9, da Convenção). 44 Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, p O limite das 200 milhas é significativo, desde logo, para o dever que impende sobre os Estados costeiros de, junto da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, efectuarem anualmente pagamentos ou contribuições em espécie relativos ao aproveitamento dos recursos não vivos situados para além desse limite, os quais deverão ser distribuídos pelos Estados equitativamente, tendo em atenção os interesses e as necessidades dos Estados em vias de desenvolvimento (artigo 82.º da Convenção). Cf. Jónatas E. M. MACHADO Direito Internacional. Do Paradigma Clássico ao Pós-11 de Setembro, 3.ª ed., Coimbra, Coimbra Editora,

18 equidistância não é aplicável aos Estados que não sejam partes da Convenção. A Convenção de Montego Bay não faz qualquer referência à equidistância, centrando-se unicamente no carácter equitativo do acordo alcançado. Daqui resulta que não existem na matéria regras gerais aplicáveis. Cada caso é único e deve ser regulado em função de circunstâncias próprias, o que confere ao juiz ou ao árbitro uma larga margem de apreciação, inevitavelmente subjectiva. Quando muito podemos encontrar certos factores a tomar em consideração, como a configuração geral das costas, a estrutura física e geológica da plataforma, a unidade da jazida e os recursos naturais das zonas da plataforma continental em causa. Estes factores devem ser apreciados e combinados em função de vários métodos e princípios que não são, em si mesmos, obrigatórios e cuja conformidade com o Direito depende unicamente do carácter equitativo da solução que permitem alcançar. Neste contexto insistem juízes e árbitros a equidistância é um método como os outros; não é obrigatória nem prioritária, mesmo que lhe deva ser reconhecida uma certa qualidade intrínseca devido ao seu carácter científico e à facilidade relativa com que pode ser aplicada. Ainda assim, a equidistância é frequentemente tomada como ponto de partida da decisão, sendo o resultado da sua aplicação corrigido num segundo momento por aplicação de outros critérios equitativos em concreto pertinentes 45. Mais do que pelo seu relevo geográfico, geológico ou geofísico, a plataforma continental interessa ao Direito Internacional pelo seu valor económico de aproveitamento de recursos naturais, como o petróleo e o gás natural 46. Os direitos do Estado costeiro sobre a plataforma continental abrangem a exploração e extracção de recursos naturais minerais ou organismos vivos sedentários e a autorização de perfurações independentemente do fim, constituindo direitos soberanos, exclusivos e inerentes ope legis ao Estado costeiro. Nos termos do artigo 77.º da Convenção, o Estado costeiro exerce direitos de soberania sobre a plataforma continental para efeitos de exploração e aproveitamento dos seus recursos naturais, direitos que são exclusivos (no sentido de que, se o Estado costeiro não explora a plataforma continental ou não aproveita os recursos naturais da mesma, ninguém pode empreender estas actividades sem o expresso consentimento desse Estado) e independentes da ocupação, real ou fictícia, da plataforma continental ou de qualquer declaração expressa. Diferentemente do que se passa com a zona contígua e a zona económica exclusiva, a plataforma continental não necessita de ser expressamente reclamada. O Estado costeiro tem o direito exclusivo de autorizar e regulamentar as perfurações na plataforma continental, quaisquer que sejam os fins (artigo 81.º da Convenção), bem como de construir, sobre a sua plataforma continental, ilhas artificiais, instalações e outras obras, e de estabelecer em torno delas zonas de segurança de um raio de Cf. Nguyen Quoc DINH, et al. Direito Internacional Público, 2.ª ed., Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, 2003, pp Cf. Jónatas E. M. MACHADO Direito Internacional. Do Paradigma Clássico ao Pós-11 de Setembro, 3.ª ed., Coimbra, Coimbra Editora,

19 metros no máximo (artigos 60.º e 80.º da Convenção). Para além disso, a investigação científica marinha na plataforma continental deve ser realizada com o consentimento do Estado costeiro (artigo 246.º da Convenção). Os direitos do Estado costeiro sobre a plataforma continental não afectam o estatuto jurídicointernacional das águas sobrejacentes ou do espaço aéreo acima dessas águas, do mesmo modo que não põem em causa as liberdades de navegação e sobrevoo dos demais Estados (artigo 78.º da Convenção). Para além disso, todos os Estados têm o direito de colocar cabos e ductos submarinos na plataforma continental, não podendo o Estado costeiro impedir a colocação ou a manutenção desses cabos e ductos (artigo 79.º, números 1 e 2, da Convenção) 47. O regime internacional da plataforma continental interessa sobremaneira a Timor-Leste, pela riqueza dos seus recursos petrolíferos e pelas controvérsias geradas a seu respeito, nomeadamente as que opõem Timor-Leste e a Austrália, países separados por uma extensão de mar inferior a 400 milhas náuticas. Num breve apontamento histórico, refira-se a interpretação que do conceito foi dada pelos Governos da Austrália e da Indonésia no quadro do infame Tratado do Timor Gap, um acordo manifestamente favorável à Austrália, que pôde explorar a meias uma extensa área a norte da linha mediana (ao tempo o preço, para a Indonésia, do reconhecimento de jure, pela Austrália, da anexação de Timor-Leste). Como explica Miguel Galvão Teles, o que há de particular, a sul de Timor-Leste é a presença, próximo das costas, de uma profunda depressão, que se estende desde a zona fronteira à ilha Roti, a oeste de Timor, até à zona fronteira à ilha de Babar, a leste. Ao passo que, do lado australiano, o leito do mar apresenta, durante uma larga extensão, profundidades que não ultrapassam os 200 metros, do lado de Timor desce abruptamente, ultrapassando a isóbata dos 200 metros ainda bem dentro das 12 milhas correspondentes à extensão máxima do mar territorial. No artigo 1.º da Convenção de Genebra sobre a Plataforma Continental, de 1958, esta era definida como o leito do mar e o subsolo das regiões submarinas adjacentes às costas mas situadas fora do mar territorial até uma profundidade de 200 metros ou, para além deste limite, até ao ponto onde a profundidade das águas superjacentes permita a exploração dos recursos naturais das ditas regiões. Nesse quadro, e enquanto a evolução tecnológica não permitisse a exploração a grandes profundidades, provavelmente Timor-Leste pura e simplesmente não disporia de plataforma continental a sul. Em 1969, o Tribunal Internacional de Justiça introduziu, no que toca à caracterização da plataforma continental, a ideia de prolongamento natural do território terrestre, o que foi aproveitado pela Austrália para sustentar que haveria, no mar de Timor, duas plataformas continentais, separadas pela depressão de Timor. A depressão de Timor situa-se no 47 O traçado da linha para a colocação de tais ductos na plataforma continental fica, no entanto, sujeito ao consentimento do Estado costeiro (artigo 79.º, n.º 3, da Convenção). 19

20 interior das 200 milhas contadas a partir de Timor-Leste e, na maior parte, para além das 200 milhas contadas a partir da Austrália. Com o novo regime introduzido pela Convenção de Montego Bay, a tese australiana das duas plataformas continentais perdeu inteiramente sentido e a depressão não pode tão pouco valer como critério de delimitação 48. Em 2000, por troca de notas entre a UNTAET e o Governo australiano, o Tratado do Timor Gap foi mantido em vigor a título provisório. Timor-Leste independente celebrou com a Austrália, em 20 de Maio de 2002, o Tratado do Mar de Timor, que pretende ser o acordo para delimitação da plataforma continental entre Estados com costas opostas ou adjacentes a que se refere o artigo 83.º da Convenção de Montego Bay. O carácter equitativo da solução obtida é, todavia, muito contestado, desde logo, por não ter sido adoptada como regra de delimitação das plataformas continentais dos dois Estados a regra da mediana 49. Muito criticado tem sido, ainda, o facto de o Tratado do Mar de Timor ter vindo continuar algumas das situações geradas ao abrigo do Tratado do Timor Gap, nomeadamente através da atribuição à Austrália da esmagadora maioria dos rendimentos provenientes do depósito Greater Sunrise 50 e da manutenção dos contratos celebrados pela empresa ConocoPhilips com a Autoridade Conjunta Austrália/Indonésia 51. O Tratado estará em vigor até que seja feita uma delimitação permanente do fundo marinho entre a Austrália e Timor-Leste ou por um período de 30 anos, podendo ser renovado mediante acordo entre os dois países (artigo 22.º do Tratado). O Tratado estabelece uma Área Conjunta de Desenvolvimento Petrolífero (ACDP), sob controlo e administração conjunta de Timor-Leste e da Austrália. Ambos os países, conjuntamente, facilitam a exploração e o desenvolvimento e tiram partido dos recursos petrolíferos da ACDP para benefício dos respectivos povos (artigo 3.º, alíneas a) e b) do Tratado). A Austrália e Timor-Leste têm direito a todo o petróleo produzido na ACDP, sendo que, deste, 90% pertence a Timor-Leste e 10% pertence à Austrália (artigo 4.º, alínea a), do 48 Cf. Miguel Galvão TELES Timor Leste, Separata do II Suplemento do Dicionário Jurídico da Administração Pública, pp Cf. Dionísio Babo SOARES Timor-Leste Maritime Boundary Case, in East Timor Law Journal, n.º 1, 2005, 50 O Anexo E ao Tratado do Mar de Timor esclarece que a Austrália e Timor-Leste concordam com a unificação dos depósitos do Sunrise e Troubadour (conhecidos colectivamente por Greater Sunrise ) baseado no facto de 20.1% do Greater Sunrise se encontrar situado dentro da ACDP. A produção do Greater Sunrise será distribuída na proporção de 20.1% atribuído à ACP e 79.9% atribuído à Austrália. A fórmula da divisão da produção pode ser alterada por acordo entre a Austrália e Timor-Leste. No caso de uma delimitação permanente do fundo marinho, a Austrália e Timor-Leste reconsiderarão os termos do acordo de unificação. 51 Sobre a acção intentada, junto dos tribunais americanos, em Março de 2004, pelas empresas Oceanic Exploration e PetroTimor contra a empresa ConocoPhillips e a Autoridade Nomeada do Mar de Timor (entre outros), veja-se o sítio web The Timor-Leste for Development Monitoring and Analysis (La o Hamutuk), 20

Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Diário da República n.º 238/97 Série I-A, 1.º Suplemento de 14 de Outubro de 1997

Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. Diário da República n.º 238/97 Série I-A, 1.º Suplemento de 14 de Outubro de 1997 Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar Diário da República n.º 238/97 Série I-A, 1.º Suplemento de 14 de Outubro de 1997 Resolução da Assembleia da República n.º 60-B/97 SUMÁRIO: Aprova, para

Leia mais

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE PARLAMENTO NACIONAL. Lei n. o 7/2002

REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE PARLAMENTO NACIONAL. Lei n. o 7/2002 REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE PARLAMENTO NACIONAL Lei n. o 7/2002 de 20 de Setembro FRONTEIRAS MARÍTIMAS DO TERRITÓRIO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR-LESTE A Constituição da República Democrática

Leia mais

SUPLEMENTO. Série I, N. 4 SUMÁRIO. Jornal da República PUBLICAÇÃO OFICIAL DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR - LESTE

SUPLEMENTO. Série I, N. 4 SUMÁRIO. Jornal da República PUBLICAÇÃO OFICIAL DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR - LESTE Série I, N. 4 $ 6.75 PUBLICAÇÃO OFICIAL DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE TIMOR - LESTE SUPLEMENTO SUMÁRIO GRÁFICA NACIONAL DE TIMOR-LESTE : Declaração de Rectificação N o. 02/2012 de 27 de Dezembro Republicação

Leia mais

DECRETO Nº 1.530, DE 22 DE JUNHO DE 1995. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art.84, inciso VIII, da Constituição, e

DECRETO Nº 1.530, DE 22 DE JUNHO DE 1995. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art.84, inciso VIII, da Constituição, e DECRETO Nº 1.530, DE 22 DE JUNHO DE 1995. Declara a entrada em vigor da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, concluída em Montego Bay, Jamaica, em 10 de dezembro de 1982. O PRESIDENTE DA

Leia mais

resoluções acima referidas e ainda as responsabilidades que a Portugal incumbem enquanto potência administrante do território em causa; 6) Portugal

resoluções acima referidas e ainda as responsabilidades que a Portugal incumbem enquanto potência administrante do território em causa; 6) Portugal Resolução da Assembleia da República n.º 60-B/97 Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar e o Acordo Relativo à Aplicação da Parte XI da mesma Convenção Aprova, para ratificação, a Convenção

Leia mais

PROPOSTA DE LEI N.º 58/X. Exposição de Motivos

PROPOSTA DE LEI N.º 58/X. Exposição de Motivos PROPOSTA DE LEI N.º 58/X Exposição de Motivos Portugal é parte da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, assinada em 10 de Dezembro de 1982, e do Acordo Relativo à Aplicação da Parte XI da

Leia mais

CONVENÇÃO SOBRE O MAR TERRITORIAL E A ZONA CONTÍGUA. Os Estados partes na presente Convenção acordaram nas disposições seguintes:

CONVENÇÃO SOBRE O MAR TERRITORIAL E A ZONA CONTÍGUA. Os Estados partes na presente Convenção acordaram nas disposições seguintes: Decreto-Lei n.º 44490 Convenção sobre o mar territorial e a zona contígua, aprovada na 1.ª Conferência de Direito do Mar, realizada em Genebra em 1958, e assinados em 28 de Outubro do mesmo ano Usando

Leia mais

CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O DIREITO DO MAR

CONVENÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE O DIREITO DO MAR DECRETO Nº 1.530, DE 22 DE JUNHO DE 1995 Declara a entrada em vigor da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, concluída em Montego Bay, Jamaica, em 10 de dezembro de 1982. O PRESIDENTE DA

Leia mais

28. Convenção sobre os Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crianças

28. Convenção sobre os Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crianças 28. Convenção sobre os Aspectos Civis do Rapto Internacional de Crianças Os Estados signatários da presente Convenção, Firmemente convictos de que os interesses da criança são de primordial importância

Leia mais

14. Convenção Relativa à Citação e à Notificação no Estrangeiro dos Actos Judiciais e Extrajudiciais em Matéria Civil e Comercial

14. Convenção Relativa à Citação e à Notificação no Estrangeiro dos Actos Judiciais e Extrajudiciais em Matéria Civil e Comercial 14. Convenção Relativa à Citação e à Notificação no Estrangeiro dos Actos Judiciais e Extrajudiciais em Matéria Civil e Comercial Os Estados signatários da presente Convenção, desejando criar os meios

Leia mais

ACORDO SOBRE PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES CELEBRADO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA E A ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES.

ACORDO SOBRE PRIVILÉGIOS E IMUNIDADES CELEBRADO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA E A ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL PARA AS MIGRAÇÕES. Resolução da Assembleia da República n.º 30/98 Acordo sobre Privilégios e Imunidades Celebrado entre o Governo da República Portuguesa e a Organização Internacional para as Migrações, assinado em Lisboa

Leia mais

23. Convenção sobre o Reconhecimento e Execução de Decisões relativas a Obrigações Alimentares

23. Convenção sobre o Reconhecimento e Execução de Decisões relativas a Obrigações Alimentares 23. Convenção sobre o Reconhecimento e Execução de Decisões relativas a Obrigações Alimentares Os Estados signatários da presente Convenção, Desejando estabelecer disposições comuns para regulamentar o

Leia mais

Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados

Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao Envolvimento de Crianças em Conflitos Armados Os Estados Partes no presente Protocolo, Encorajados pelo apoio esmagador à Convenção

Leia mais

NAÇÕES UNIDAS SOBRE O DIREITO DO MAR. 1. Termos utilizados e âmbito de aplicação

NAÇÕES UNIDAS SOBRE O DIREITO DO MAR. 1. Termos utilizados e âmbito de aplicação Índice PREFÁCIO CONVENÇÃO DAS PREÂMBULO NAÇÕES UNIDAS SOBRE O DIREITO DO MAR 27 29 29 PARTE I. INTRODUÇÃO Artigo 1. Termos utilizados e âmbito de aplicação 31 33 PARTE II. SECÇÃO 1. SECÇÃO 3. MAR TERRITORIAL

Leia mais

OS TRIBUNAIS E O MINISTÉRIO PÚBLICO

OS TRIBUNAIS E O MINISTÉRIO PÚBLICO OS TRIBUNAIS E O MINISTÉRIO PÚBLICO Art.º 202º da Constituição da República Portuguesa «1. Os tribunais são órgãos de soberania com competência para Administrar a justiça em nome do povo. (...)» A lei

Leia mais

27. Convenção da Haia sobre a Lei Aplicável aos Contratos de Mediação e à Representação

27. Convenção da Haia sobre a Lei Aplicável aos Contratos de Mediação e à Representação 27. Convenção da Haia sobre a Lei Aplicável aos Contratos de Mediação e à Representação Os Estados signatários da presente Convenção: Desejosos de estabelecer disposições comuns sobre a lei aplicável aos

Leia mais

ACORDO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA ROMÉNIA SOBRE PROMOÇÃO E PROTECÇÃO RECÍPROCA DE INVESTIMENTOS

ACORDO ENTRE O GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA ROMÉNIA SOBRE PROMOÇÃO E PROTECÇÃO RECÍPROCA DE INVESTIMENTOS Decreto n.º 23/94 de 26 de Julho Aprova o Acordo entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da Roménia sobre Promoção e Protecção Recíproca de Investimentos Nos termos da alínea c) do n.º 1 do

Leia mais

Convenção Europeia da Paisagem Florença 20.X.2000

Convenção Europeia da Paisagem Florença 20.X.2000 Convenção Europeia da Paisagem Florença 20.X.2000 Preâmbulo Os membros do Conselho da Europa signatários da presente Convenção, Considerando que o objectivo do Conselho da Europa é alcançar uma maior unidade

Leia mais

VERSÃO APROVADA Tradução de cortesia ANEXO 4

VERSÃO APROVADA Tradução de cortesia ANEXO 4 ANEXO 4 RELATÓRIO PRELIMINAR DO CEED AO CONSELHO DE DEFESA SUL- AMERICANO SOBRE OS TERMOS DE REFERÊNCIA PARA OS CONCEITOS DE SEGURANÇA E DEFESA NA REGIÃO SUL- AMERICANA O é uma instância de conhecimento

Leia mais

Lei de Minas REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Lei nº 14/2002, de 26 de Junho

Lei de Minas REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE. Lei nº 14/2002, de 26 de Junho Lei de Minas REPÚBLICA DE MOÇAMBIQUE ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA Lei nº 14/2002, de 26 de Junho Os recursos minerais da República de Moçambique, quando racionalmente avaliados e utilizados, constituem um factor

Leia mais

ARTIGO 29.º - Grupo de Protecção de Dados Pessoais

ARTIGO 29.º - Grupo de Protecção de Dados Pessoais ARTIGO 29.º - Grupo de Protecção de Dados Pessoais 12054/02/PT WP 69 Parecer 1/2003 sobre o armazenamento dos dados de tráfego para efeitos de facturação Adoptado em 29 de Janeiro de 2003 O Grupo de Trabalho

Leia mais

Decreto n.º 45/92 Emendas de 3 de Maio de 1990 ao anexo da Convenção sobre Facilitação do Tráfego Marítimo Internacional

Decreto n.º 45/92 Emendas de 3 de Maio de 1990 ao anexo da Convenção sobre Facilitação do Tráfego Marítimo Internacional Decreto n.º 45/92 Emendas de 3 de Maio de 1990 ao anexo da Convenção sobre Facilitação do Tráfego Marítimo Internacional Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 200.º da Constituição, o Governo decreta

Leia mais

Convenção nº 146. Convenção sobre Férias Anuais Pagas dos Marítimos

Convenção nº 146. Convenção sobre Férias Anuais Pagas dos Marítimos Convenção nº 146 Convenção sobre Férias Anuais Pagas dos Marítimos A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho: Convocada para Genebra pelo conselho administração da Repartição Internacional

Leia mais

10. Convenção Relativa à Competência das Autoridades e à Lei Aplicável em Matéria de Protecção de Menores

10. Convenção Relativa à Competência das Autoridades e à Lei Aplicável em Matéria de Protecção de Menores 10. Convenção Relativa à Competência das Autoridades e à Lei Aplicável em Matéria de Protecção de Menores Os Estados signatários da presente Convenção, Desejando estabelecer disposições comuns relativas

Leia mais

PROTECÇÃO DO CONSUMIDOR. Desde 2004 a Informar os Consumidores de Jogos de Fortuna ou Azar. Responsabilidade Social: www.jogoresponsavel.

PROTECÇÃO DO CONSUMIDOR. Desde 2004 a Informar os Consumidores de Jogos de Fortuna ou Azar. Responsabilidade Social: www.jogoresponsavel. PROTECÇÃO DO CONSUMIDOR Desde 2004 a Informar os Consumidores de Jogos de Fortuna ou Azar Responsabilidade Social: www.jogoresponsavel.pt Transparência e Segurança: www.jogoremoto.pt A REGULAÇÃO EM PORTUGAL

Leia mais

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA COMISSÃO DE ASSUNTOS EUROPEUS PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 557/X/4.ª

ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA COMISSÃO DE ASSUNTOS EUROPEUS PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 557/X/4.ª PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 557/X/4.ª Iniciativa Europeia Proposta de Decisão - Quadro COM (2007) 654 final SEC (2007) 1422 e 1453, relativa à utilização dos dados do Registo de Identificação de Passageiros

Leia mais

Acordo entro e Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil sobre Transporte e Navegação Marítima.

Acordo entro e Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil sobre Transporte e Navegação Marítima. Decreto n.º 53/79 de 12 de Junho Acordo sobre Transporte e Navegação Marítima entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil O Governo decreta, nos termos da alínea

Leia mais

ÓR GÃO OFI CI AL DA RE PÚ BLI CA DE AN GO LA

ÓR GÃO OFI CI AL DA RE PÚ BLI CA DE AN GO LA Quarta-fei ra, 14 de Julho de 2010 I Sé rie N.º 131 DI Á RIO DA RE PÚ BLI CA ÓR GÃO OFI CI AL DA RE PÚ BLI CA DE AN GO LA Pre ço des te nú me ro Kz: 280,00 To da a cor res pon dên cia, quer ofi ci al,

Leia mais

Aprovado pelo Decreto Legislativo nº 41, de 10 de junho de 1980 - DOU de 13.06.80

Aprovado pelo Decreto Legislativo nº 41, de 10 de junho de 1980 - DOU de 13.06.80 Acordo entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República Portuguesa sobre Transportes e Navegação Marítima Assinado em 23 de maio de 1978 Aprovado pelo Decreto Legislativo nº 41,

Leia mais

Decreto n.º 48/88 Acordo sobre Segurança Social entre Portugal e os Estados Unidos da América

Decreto n.º 48/88 Acordo sobre Segurança Social entre Portugal e os Estados Unidos da América Decreto n.º 48/88 Acordo sobre Segurança Social entre Portugal e os Estados Unidos da América Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 200.º da Constituição, o Governo decreta o seguinte: Artigo único.

Leia mais

COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE)

COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) COMITÊ INTERAMERICANO CONTRA O TERRORISMO (CICTE) DÉCIMO PERÍODO ORDINÁRIO DE SESSÕES OEA/Ser.L/X.2.10 17 a 19 de março de 2010 CICTE/DEC.1/10 Washington, D.C. 19 março 2010 Original: inglês DECLARAÇÃO

Leia mais

18. Convenção sobre o Reconhecimento dos Divórcios e das Separações de Pessoas

18. Convenção sobre o Reconhecimento dos Divórcios e das Separações de Pessoas 18. Convenção sobre o Reconhecimento dos Divórcios e das Separações de Pessoas Os Estados signatários da presente Convenção, Desejando facilitar o reconhecimento de divórcios e separações de pessoas obtidos

Leia mais

Entidade Visada: ANACOM Autoridade Nacional de Comunicações; PT Comunicações, S.A.; EDP Distribuição de Energia, S.A.

Entidade Visada: ANACOM Autoridade Nacional de Comunicações; PT Comunicações, S.A.; EDP Distribuição de Energia, S.A. Processo: R-36/04 Entidade Visada: ANACOM Autoridade Nacional de Comunicações; PT Comunicações, S.A.; EDP Distribuição de Energia, S.A. Assunto: Ordenamento do território servidões administrativas propriedade

Leia mais

Direito Ambiental. Prof. Fabrício Ferreira Aula III

Direito Ambiental. Prof. Fabrício Ferreira Aula III Direito Ambiental Prof. Fabrício Ferreira Aula III 1 Direito Internacional NOÇÕES PRELIMINARES CONCEITO: É o conjunto de normas jurídicas que regulam as relações mútuas dos Estados e, subsidiariamente,

Leia mais

www.juristep.com Lei n.º 7/2008, de 27 de Agosto

www.juristep.com Lei n.º 7/2008, de 27 de Agosto Lei n.º 7/2008, de 27 de Agosto CÓDIGO DE INVESTIMENTOS Este texto tem carácter meramente informativo e não dispensa a consulta dos diplomas originais, conforme publicados no Diário da República. Quando

Leia mais

ASSEMBLEIA NACIONAL. Lei n.º 14/91 de 11 de Maio

ASSEMBLEIA NACIONAL. Lei n.º 14/91 de 11 de Maio ASSEMBLEIA NACIONAL Lei n.º 14/91 de 11 de Maio A criação das condições materiais e técnicas para a edificação em Angola de um Estado democrático de direito é um dos objectivos a atingir, na actual fase

Leia mais

Conselho de Segurança

Conselho de Segurança Nações Unidas S Conselho de Segurança Distribuição: Geral S/RES/1267 (1999) 15 de Outubro de 1999 RESOLUÇÃO 1267 (1999) Adoptada pelo Conselho de Segurança na sua 4051ª sessão, em 15 de Outubro de 1999

Leia mais

Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia e, nomeadamente, o n. o 1 do seu artigo 175. o,

Tendo em conta o Tratado que institui a Comunidade Europeia e, nomeadamente, o n. o 1 do seu artigo 175. o, 25.6.2003 L 156/17 DIRECTIVA 2003/35/CE DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO de 26 de Maio de 2003 que estabelece a participação do público na elaboração de certos planos e programas relativos ao ambiente

Leia mais

CONVENÇÃO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA A REPÚBLICA DA TUNÍSIA

CONVENÇÃO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA A REPÚBLICA DA TUNÍSIA CONVENÇÃO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DA TUNÍSIA DE COOPERAÇÃO NO DOMÍNIO DA DEFESA A República Portuguesa e a República da Tunísia, doravante designadas conjuntamente por "Partes" e separadamente

Leia mais

CONVENÇÃO SOBRE O ESTATUTO DOS APÁTRIDAS

CONVENÇÃO SOBRE O ESTATUTO DOS APÁTRIDAS CONVENÇÃO SOBRE O ESTATUTO DOS APÁTRIDAS Aprovada em Nova Iorque, em 28 de Setembro de 1954 Entrada em vigor: 6 de Junho de 1960, em conformidade com o artigo 39.º As Altas Partes Contratantes, PREÂMBULO

Leia mais

Para ser presente á Assembleia Nacional.

Para ser presente á Assembleia Nacional. Decreto-Lei n.º 286/71 Tratado sobre os Princípios Que Regem as Actividades dos Estados na Exploração e Utilização do Espaço Exterior, Incluindo a Lua e Outros Corpos Celestes, assinado em Washington,

Leia mais

Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis

Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo à venda de crianças, prostituição e pornografia infantis Os Estados Partes no presente Protocolo, Considerando que, para melhor realizar

Leia mais

ACORDO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ENTRE O JAPÃO E A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

ACORDO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ENTRE O JAPÃO E A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL ACORDO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL ENTRE O JAPÃO E A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL O Japão e a República Federativa do Brasil, Desejosos de regular suas relações mútuas na área de Previdência Social, Acordaram

Leia mais

ASSEMBLÉIA NACIONAL CAPÍTULO I

ASSEMBLÉIA NACIONAL CAPÍTULO I ASSEMBLÉIA NACIONAL Lei n.º 3/94 de 21 de Janeiro O Regime Jurídico dos Estrangeiros na República de Angola é parcialmente regulado pela Lei n.º 4/93, de 26 de Maio e pelo Decreto n.º 13/78, de 1º de Fevereiro.

Leia mais

Artigo 1.º Imunidade de jurisdição e insusceptibilidade de busca, apreensão, requisição, perda ou qualquer outra forma de ingerência

Artigo 1.º Imunidade de jurisdição e insusceptibilidade de busca, apreensão, requisição, perda ou qualquer outra forma de ingerência Resolução da Assembleia da República n.º 21/2002 Decisão dos Representantes dos Governos dos Estados- Membros da União Europeia, reunidos no Conselho, de 15 de Outubro de 2001, Relativa aos Privilégios

Leia mais

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1

PRINCÍPIOS DO RIO. Princípio 1 PRINCÍPIOS DO RIO António Gonçalves Henriques Princípio 1 Os seres humanos são o centro das preocupações para o desenvolvimento sustentável. Eles têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia

Leia mais

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA SOBRE PROTECÇÃO MÚTUA DE MATÉRIAS CLASSIFICADAS.

ACORDO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA FEDERAL DA ALEMANHA SOBRE PROTECÇÃO MÚTUA DE MATÉRIAS CLASSIFICADAS. Decreto n.º 13/2005 Acordo entre a República Portuguesa e a República Federal da Alemanha sobre Protecção Mútua de Matérias Classificadas, assinado em Lisboa em 22 de Dezembro de 2004 Atendendo ao desenvolvimento

Leia mais

1 - Aprovar, para ratificação, a Convenção sobre Assistência em Caso de Acidente Nuclear ou de Emergência Radiológica, adoptada pela

1 - Aprovar, para ratificação, a Convenção sobre Assistência em Caso de Acidente Nuclear ou de Emergência Radiológica, adoptada pela Resolução da Assembleia da República n.º 72/2003 Convenção sobre Assistência em Caso de Acidente Nuclear ou Emergência Radiológica, adoptada pela Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atómica,

Leia mais

Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras

Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras CONVENÇÃO DE NOVA YORK Convenção de Nova Iorque - Reconhecimento e Execução de Sentenças Arbitrais Estrangeiras Decreto nº 4.311, de 23/07/2002 Promulga a Convenção sobre o Reconhecimento e a Execução

Leia mais

CONCORDATA ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A SANTA SÉ

CONCORDATA ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A SANTA SÉ Resolução da Assembleia da República n.º 74/2004 Concordata entre a República Portuguesa e a Santa Sé, assinada em 18 de Maio de 2004 na cidade do Vaticano Aprova, para ratificação, a Concordata entre

Leia mais

M1 DIRECTIVA DO CONSELHO de 10 de Setembro de 1984 relativa à publicidade enganosa e comparativa. (JO L 250 de 19.9.1984, p. 17)

M1 DIRECTIVA DO CONSELHO de 10 de Setembro de 1984 relativa à publicidade enganosa e comparativa. (JO L 250 de 19.9.1984, p. 17) 1984L0450 PT 12.06.2005 002.001 1 Este documento constitui um instrumento de documentação e não vincula as instituições B M1 DIRECTIVA DO CONSELHO de 10 de Setembro de 1984 relativa à publicidade enganosa

Leia mais

Proposta de alteração do regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho Posição da CAP

Proposta de alteração do regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho Posição da CAP Proposta de alteração do regime jurídico da promoção da segurança e saúde no trabalho Posição da CAP Em Geral Na sequência da publicação do novo Código do Trabalho, aprovado pela Lei n.º 7/2009, de 12

Leia mais

Proposta de DECISÃO DO CONSELHO

Proposta de DECISÃO DO CONSELHO COMISSÃO EUROPEIA Bruxelas, 7.4.2015 COM(2015) 150 final 2015/0075 (NLE) Proposta de DECISÃO DO CONSELHO relativa à assinatura, em nome da União Europeia, do Protocolo de Alteração do Acordo entre a Comunidade

Leia mais

L 68/44 Jornal Oficial da União Europeia 15.3.2005. (Actos adoptados em aplicação do título VI do Tratado da União Europeia)

L 68/44 Jornal Oficial da União Europeia 15.3.2005. (Actos adoptados em aplicação do título VI do Tratado da União Europeia) L 68/44 Jornal Oficial da União Europeia 15.3.2005 (Actos adoptados em aplicação do título VI do Tratado da União Europeia) DECISÃO 2005/211/JAI DO CONSELHO de 24 de Fevereiro de 2005 relativa à introdução

Leia mais

ACORDO DE COOPERAÇÃO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DE CABO VERDE NO DOMÍNIO DA DEFESA

ACORDO DE COOPERAÇÃO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DE CABO VERDE NO DOMÍNIO DA DEFESA ACORDO DE COOPERAÇÃO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E A REPÚBLICA DE CABO VERDE NO DOMÍNIO DA DEFESA A República Portuguesa e a República de Cabo Verde, doravante designadas por Partes : Animadas pela vontade

Leia mais

AULA 03 e 04: NAVIO E NAVEGAÇÃO. Navio: Conceito e regime jurídico. Navegação. Espécies.

AULA 03 e 04: NAVIO E NAVEGAÇÃO. Navio: Conceito e regime jurídico. Navegação. Espécies. AULA 03 e 04: NAVIO E NAVEGAÇÃO. Navio: Conceito e regime jurídico. Navegação. Espécies. Navio: deriva do latim navigium; o navio é juridicamente uma coisa; no estaleiro, já possui existência real; reconhecido

Leia mais

DIÁRIO DA REPÚBLICA SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE S U M Á R I O. Terça-feira, 11 de Setembro de 2007 Número 44 ASSEMBLEIA NACIONAL

DIÁRIO DA REPÚBLICA SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE S U M Á R I O. Terça-feira, 11 de Setembro de 2007 Número 44 ASSEMBLEIA NACIONAL Terça-feira, 11 de Setembro de 2007 Número 44 SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE DIÁRIO DA REPÚBLICA S U M Á R I O ASSEMBLEIA NACIONAL Lei n.º 13/2007. Lei de Base de Segurança Marítima e de Prevenção contra a Poluição

Leia mais

CAPÍTULO I Disposições gerais

CAPÍTULO I Disposições gerais Resolução da Assembleia da República n.º 1/2001 Aprova, para ratificação, a Convenção para a Protecção dos Direitos do Homem e da Dignidade do Ser Humano face às Aplicações da Biologia e da Medicina: Convenção

Leia mais

Acordo sobre o Aquífero Guarani

Acordo sobre o Aquífero Guarani Acordo sobre o Aquífero Guarani A República Argentina, a República Federativa do Brasil, a República do Paraguai e a República Oriental do Uruguai, Animados pelo espírito de cooperação e de integração

Leia mais

PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO ENTRE O CONSELHO DISTRITAL DE LISBOA DA ORDEM DOS ADVOGADOS E A. Considerando que:

PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO ENTRE O CONSELHO DISTRITAL DE LISBOA DA ORDEM DOS ADVOGADOS E A. Considerando que: PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO ENTRE O CONSELHO DISTRITAL DE LISBOA DA ORDEM DOS ADVOGADOS E A ADMINISTRAÇÃO DA REGIÃO HIDROGRÁFICA DO TEJO Considerando que: Compete ao Conselho Distrital de Lisboa da Ordem

Leia mais

CONVENÇÃO COMPLEMENTAR À CONVENÇÃO DE PARIS DE 29 DE JULHO DE 1960 SOBRE A RESPONSABILIDADE CIVIL NO DOMÍNIO DA ENERGIA NUCLEAR.

CONVENÇÃO COMPLEMENTAR À CONVENÇÃO DE PARIS DE 29 DE JULHO DE 1960 SOBRE A RESPONSABILIDADE CIVIL NO DOMÍNIO DA ENERGIA NUCLEAR. Decreto do Governo n.º 24/84 Convenção de 31 de Janeiro de 1963 Complementar da Convenção de Paris de 29 de Julho de 1960 sobre Responsabilidade Civil no Domínio da Energia Nuclear O Governo decreta, nos

Leia mais

EX.MO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO E FISCAL DE PONTA DELGADA ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL. contra

EX.MO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO E FISCAL DE PONTA DELGADA ACÇÃO ADMINISTRATIVA ESPECIAL. contra EX.MO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DO TRIBUNAL ADMINISTRATIVO E FISCAL DE PONTA DELGADA SINDICATO DEMOCRÁTICO DOS PROFESSORES DOS AÇORES, Pessoa Colectiva n.º 512029261, com sede na Rua Arcanjo Lar, n.º 7,

Leia mais

O ENVOLVIMENTO DOS TRABALHADORES NA ASSOCIAÇÃO EUROPEIA

O ENVOLVIMENTO DOS TRABALHADORES NA ASSOCIAÇÃO EUROPEIA PARECER SOBRE O ENVOLVIMENTO DOS TRABALHADORES NA ASSOCIAÇÃO EUROPEIA (Proposta de Regulamento sobre o Estatuto da AE e Proposta de Directiva que completa o estatuto da AE no que se refere ao papel dos

Leia mais

REGULAMENTO DO SERVIÇO DE PROVEDORIA DO CLIENTE

REGULAMENTO DO SERVIÇO DE PROVEDORIA DO CLIENTE REGULAMENTO DO SERVIÇO DE PROVEDORIA DO CLIENTE ARTIGO 1º SERVIÇO DE PROVEDORIA DO CLIENTE DE SEGUROS 1. O Serviço de Provedoria do Cliente de Seguros é criado por tempo indeterminado e visa a disponibilização

Leia mais

MINUTA. Contrato de Mandato de Alienação

MINUTA. Contrato de Mandato de Alienação MINUTA Entre: Contrato de Mandato de Alienação 1. [Firma da empresa notificante da Operação de Concentração], (doravante denominação abreviada da empresa ou Mandante ), com sede em [morada], com o n.º

Leia mais

ACORDO QUADRO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA REPÚBLICA DA TURQUIA SOBRE COOPERAÇÃO MILITAR

ACORDO QUADRO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA REPÚBLICA DA TURQUIA SOBRE COOPERAÇÃO MILITAR ACORDO QUADRO ENTRE A REPÚBLICA PORTUGUESA E O GOVERNO DA REPÚBLICA DA TURQUIA SOBRE COOPERAÇÃO MILITAR A República Portuguesa e o Governo da República da Turquia, doravante designados individualmente

Leia mais

Sistema de Informação Schengen - acesso pelos serviços de emissão de certificados de matrícula dos veículos ***II

Sistema de Informação Schengen - acesso pelos serviços de emissão de certificados de matrícula dos veículos ***II P6_TA(2005)044 Sistema de Informação Schengen - acesso pelos serviços de emissão de certificados de matrícula dos veículos ***II Resolução legislativa do Parlamento Europeu referente à posição comum adoptada

Leia mais

PROTECÇÃO DE RECURSOS MARINHOS PERSPECTIVA JURÍDICA INTERNACIONAL DECISÕES DO TRIBUNAL INTERNACIONAL DO DIREITO DO MAR

PROTECÇÃO DE RECURSOS MARINHOS PERSPECTIVA JURÍDICA INTERNACIONAL DECISÕES DO TRIBUNAL INTERNACIONAL DO DIREITO DO MAR PROTECÇÃO DE RECURSOS MARINHOS PERSPECTIVA JURÍDICA INTERNACIONAL DECISÕES DO TRIBUNAL INTERNACIONAL DO DIREITO DO MAR Comunicação apresentada pela Dra. Cristina Lança, em 30 de Junho Introdução Tem havido

Leia mais

Os Estados Partes no presente Protocolo:

Os Estados Partes no presente Protocolo: Resolução da Assembleia da República n.º 32/98 Protocolo de 1988 para a Repressão de Actos Ilícitos de Violência nos Aeroportos ao Serviço da Aviação Civil Internacional, complementar à Convenção para

Leia mais

Convenção n.º 87 CONVENÇÃO SOBRE A LIBERDADE SINDICAL E A PROTECÇÃO DO DIREITO SINDICAL

Convenção n.º 87 CONVENÇÃO SOBRE A LIBERDADE SINDICAL E A PROTECÇÃO DO DIREITO SINDICAL Convenção n.º 87 CONVENÇÃO SOBRE A LIBERDADE SINDICAL E A PROTECÇÃO DO DIREITO SINDICAL A Conferência Geral da Organização Internacional do Trabalho, convocada em S. Francisco pelo conselho de administração

Leia mais

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre Brasil University of New South Wales Sydney Austrália Universidade do Povo Macau - China

Universidade Federal do Rio Grande do Sul Porto Alegre Brasil University of New South Wales Sydney Austrália Universidade do Povo Macau - China CONVENÇÃO SOBRE A LEI APLICÁVEL AOS CONTRATOS DE COMPRA E VENDA INTERNACIONAL DE MERCADORIAS (Concluída em 22 de dezembro de 1986) Os Estados-Partes da presente Convenção, Desejando unificar as regras

Leia mais

Acordo de Promoção e Protecção Recíprocas de Investimentos entre a República Portuguesa e a República de Angola. Diploma Legal

Acordo de Promoção e Protecção Recíprocas de Investimentos entre a República Portuguesa e a República de Angola. Diploma Legal Acordo de Promoção e Protecção Recíprocas de Investimentos entre a República Portuguesa e a República de Angola Diploma Legal O texto que se segue é um documento não oficial, preparado pelo ICEP Portugal,

Leia mais

PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 121/XII/1.ª

PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 121/XII/1.ª PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 121/XII/1.ª Proposta de REGULAMENTO DO PARLAMENTO EUROPEU E DO CONSELHO que altera o Regulamento (CE) n.º 562/2006 para estabelecer regras comuns sobre a reintrodução temporária

Leia mais

PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 28/IX SOBRE A REVISÃO DA POLÍTICA COMUM DAS PESCAS

PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 28/IX SOBRE A REVISÃO DA POLÍTICA COMUM DAS PESCAS PROJECTO DE RESOLUÇÃO N.º 28/IX SOBRE A REVISÃO DA POLÍTICA COMUM DAS PESCAS A Assembleia da República, reunida em Plenário para um debate de urgência sobre as propostas da Comissão Europeia de reforma

Leia mais

Convenção de Viena sobre sucessão de Estados em matéria de Tratados

Convenção de Viena sobre sucessão de Estados em matéria de Tratados Direito Internacional Aplicado Tratados e Convenções Direito dos Tratados Convenção de Viena sobre sucessão de Estados em matéria de Tratados Conclusão e assinatura: Viena Áustria, 23 de agosto de 1978

Leia mais

ASSEMBLEIA NACIONAL. Lei n 5/02 de 16 de Abril

ASSEMBLEIA NACIONAL. Lei n 5/02 de 16 de Abril ASSEMBLEIA NACIONAL Lei n 5/02 de 16 de Abril o amplo debate político e académico desenvolvido a partir de meados da década de 80 do século XX, no âmbito da implementação do Programa de Saneamento Económico

Leia mais

O Ministério da Justiça da República Portuguesa e o Ministério da Justiça da República democrática de Timor - Leste:

O Ministério da Justiça da República Portuguesa e o Ministério da Justiça da República democrática de Timor - Leste: Protocolo de Cooperação Relativo ao Desenvolvimento do Centro de Formação do Ministério da Justiça de Timor-Leste entre os Ministérios da Justiça da República Democrática de Timor-Leste e da República

Leia mais

Preâmbulo. Preocupados com o facto de, na ausência desse instrumento, as pessoas vulneráveis ao tráfico não estarem suficientemente protegidas,

Preâmbulo. Preocupados com o facto de, na ausência desse instrumento, as pessoas vulneráveis ao tráfico não estarem suficientemente protegidas, Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra a Criminalidade Organizada Transnacional relativo à Prevenção, à Repressão e à Punição do Tráfico de Pessoas, em especial de Mulheres e Crianças

Leia mais

Ministério das Finanças

Ministério das Finanças Ministério das Finanças Lei n 5/97 de 27 de Junho Lei Cambial PREÂMBULO Considerando que como consequência da reorganização do sistema financeiro, torna se indispensável actualizar princípios e normas

Leia mais

CARREIRAS DIPLOMÁTICAS Disciplina: Política Internacional Prof. Diego Araujo Campos Tratado Sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares

CARREIRAS DIPLOMÁTICAS Disciplina: Política Internacional Prof. Diego Araujo Campos Tratado Sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares CARREIRAS DIPLOMÁTICAS Disciplina: Política Internacional Prof. Diego Araujo Campos Tratado Sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares MATERIAL DE APOIO MONITORIA Tratado Sobre a Não Proliferação de Armas

Leia mais

1. United Nations Conference on Environment and Development UNCED (ECO-92) DECLARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO

1. United Nations Conference on Environment and Development UNCED (ECO-92) DECLARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO VEJA RIO+20 1. United Nations Conference on Environment and Development UNCED (ECO-92) DECLARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO Abstract: A declaração final da ECO-92 acenou para

Leia mais

Estrutura Legal e Regulatória para a Implementação da GIRH. Aspectos Legais da Gestão de Recursos Hídricos Compartilhados

Estrutura Legal e Regulatória para a Implementação da GIRH. Aspectos Legais da Gestão de Recursos Hídricos Compartilhados Estrutura Legal e Regulatória para a Implementação da GIRH Aspectos Legais da Gestão de Recursos Hídricos Compartilhados Meta e objetivos do capítulo Meta A meta deste capítulo é rever o papel e a relevância

Leia mais

Decreto n.º 101/78 Acordo de Base entre a Organização Mundial de Saúde e Portugal, assinado em Copenhaga em 12 de Junho de 1978

Decreto n.º 101/78 Acordo de Base entre a Organização Mundial de Saúde e Portugal, assinado em Copenhaga em 12 de Junho de 1978 Decreto n.º 101/78 Acordo de Base entre a Organização Mundial de Saúde e Portugal, assinado em Copenhaga em 12 de Junho de 1978 O Governo decreta, nos termos da alínea c) do artigo 200.º da Constituição

Leia mais

ASSEMBLEIA DO POVO. Lei n.º 19/91 De 25 de Maio

ASSEMBLEIA DO POVO. Lei n.º 19/91 De 25 de Maio ASSEMBLEIA DO POVO Lei n.º 19/91 De 25 de Maio A grande maioria dos imóveis existentes no país constitui propriedade estatal, quer por reversão, ao abrigo do artigo 1.º, n.º 1 da Lei n.º 43/76, de 19 de

Leia mais

LEI N.º /2007 Lei reguladora do Direito Fundamental de Associação Sindical

LEI N.º /2007 Lei reguladora do Direito Fundamental de Associação Sindical LEI N.º /2007 Lei reguladora do Direito Fundamental de Associação Sindical A Assembleia Legislativa decreta, nos termos conjugados dos artigos 27.º, 36.º, 40.º, 43.º e 71.º alínea 1, da Lei Básica da Região

Leia mais

Convenção Multilateral de Segurança Social da Comunidade de Países de Língua Portuguesa - CPLP

Convenção Multilateral de Segurança Social da Comunidade de Países de Língua Portuguesa - CPLP Convenção Multilateral de Segurança Social da Comunidade de Países de Língua Portuguesa - CPLP A República de Angola, a República Federativa do Brasil, a República de Cabo Verde, a República da Guiné-Bissau,

Leia mais

CONVENÇÃO PARA A REDUÇÃO DOS CASOS DE APATRIDIA

CONVENÇÃO PARA A REDUÇÃO DOS CASOS DE APATRIDIA CONVENÇÃO PARA A REDUÇÃO DOS CASOS DE APATRIDIA Feita em Nova York, em 30 de agosto de 1961 Entrada em vigor: 13 de dezembro de 1975, em conformidade com o Artigo 18 Texto: Documento das Nações Unidas

Leia mais

CONDIÇÕES GERAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ACESSO À "INTERNET" Minuta

CONDIÇÕES GERAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ACESSO À INTERNET Minuta I CONDIÇÕES GERAIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE ACESSO À "INTERNET" Minuta O PRESENTE CONTRATO FOI APROVADO PELO INSTITUTO DAS COMUNICAÇÕES DE PORTUGAL, NOS TERMOS E PARA OS EFEITOS DO ARTIGO 9/2 DO DECRETO

Leia mais

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR. A responsabilidade dos navios que arvoram bandeira de conveniência

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR. A responsabilidade dos navios que arvoram bandeira de conveniência A responsabilidade dos navios que arvoram bandeira de conveniência Claudia Ligia Miola Lima O navio quando obtém o registro de propriedade está submetido às leis inerentes à bandeira e pode gozar dos benefícios

Leia mais

CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA ACERCA DO PATRIMÓNIO CULTURAL.

CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA ACERCA DO PATRIMÓNIO CULTURAL. CADERNOS DE SOCIOMUSEOLOGIA Nº 15-1999 309 CONSTITUIÇÃO PORTUGUESA ACERCA DO PATRIMÓNIO CULTURAL. Artigo 9.º (Tarefas fundamentais do Estado) São tarefas fundamentais do Estado:. a) Garantir a independência

Leia mais

ACORDO MARITIMO_ ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A UNIÃO ECONOMICA BELGO-LUXEMBURGUESA

ACORDO MARITIMO_ ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A UNIÃO ECONOMICA BELGO-LUXEMBURGUESA ACORDO MARITIMO_ ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A UNIÃO ECONOMICA BELGO-LUXEMBURGUESA ACORDO MARITIMO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A UNIÃO ECONOMICA BELGO-LUXEMBURGUESA O GOVERNO

Leia mais

21. Convenção sobre a Administração Internacional de Heranças

21. Convenção sobre a Administração Internacional de Heranças 21. Convenção sobre a Administração Internacional de Heranças Os Estados signatários da presente Convenção, Desejando estabelecer disposições comuns a fim de facilitar a administração internacional de

Leia mais

Declaração de Lima sobre as linhas mestras de controlo das Finanças Públicas. Prefácio

Declaração de Lima sobre as linhas mestras de controlo das Finanças Públicas. Prefácio Declaração de Lima sobre as linhas mestras de controlo das Finanças Públicas Prefácio Quando a Declaração de Lima, das directivas sobre os princípios do controlo, foi adoptada por unanimidade pelos delegados

Leia mais

REGULAMENTO SOBRE INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE VIDEOVIGILÂNCIA

REGULAMENTO SOBRE INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE VIDEOVIGILÂNCIA REGULAMENTO SOBRE INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTO DE VIDEOVIGILÂNCIA Aprovado na 14ª Reunião Ordinária de Câmara Municipal, realizada em 13 de Julho de 2006 e na 4ª Sessão Ordinária de Assembleia Municipal,

Leia mais

Lei n.º 66/98 de 14 de Outubro

Lei n.º 66/98 de 14 de Outubro Lei n.º 66/98 de 14 de Outubro Aprova o estatuto das organizações não governamentais de cooperação para o desenvolvimento A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 161.º, alínea c), 166.º,

Leia mais

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014 FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2014 Disciplina: Direito Internacional Departamento IV Direito do Estado Docente Responsável: Fernando Fernandes da Silva Carga Horária Anual: 100 h/a Tipo: Anual

Leia mais

Resolução da Assembleia da República n.º 56/94 Convenção n.º 171 da Organização Internacional do Trabalho, relativa ao trabalho nocturno

Resolução da Assembleia da República n.º 56/94 Convenção n.º 171 da Organização Internacional do Trabalho, relativa ao trabalho nocturno Resolução da Assembleia da República n.º 56/94 Convenção n.º 171 da Organização Internacional do Trabalho, relativa ao trabalho nocturno Aprova, para ratificação, a Convenção n.º 171 da Organização Internacional

Leia mais

ESTATUTO DA ASSEMBLEIA PARLAMENTAR DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

ESTATUTO DA ASSEMBLEIA PARLAMENTAR DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA ESTATUTO DA ASSEMBLEIA PARLAMENTAR DA COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA Nós, representantes democraticamente eleitos dos Parlamentos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné- Bissau, Moçambique, Portugal,

Leia mais

Decreto n.º 24/95 Acordo Internacional sobre Cumprimento de Medidas de Conservação e Gestão de Recursos no Alto Mar

Decreto n.º 24/95 Acordo Internacional sobre Cumprimento de Medidas de Conservação e Gestão de Recursos no Alto Mar Decreto n.º 24/95 Acordo Internacional sobre Cumprimento de Medidas de Conservação e Gestão de Recursos no Alto Mar Nos termos da alínea c) do n.º 1 do artigo 200.º da Constituição, o Governo decreta o

Leia mais

A República Federativa do Brasil. A República Argentina (doravante denominadas as Partes ),

A República Federativa do Brasil. A República Argentina (doravante denominadas as Partes ), ACORDO DE COOPERAÇÃO ENTRE A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL E A REPÚBLICA ARGENTINA RELATIVO À COOPERAÇÃO ENTRE SUAS AUTORIDADES DE DEFESA DA CONCORRÊNCIA NA APLICAÇÃO DE SUAS LEIS DE CONCORRÊNCIA A República

Leia mais