Ranking das 100 Melhores Universidades Jovens da Terra: versão 2013

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1 1 Ranking das 100 Melhores Universidades Jovens da Terra: versão 2013 Clóvis Pereira UFPR Recentemente foi divulgado por Times Higher Education THE, da Thomson Reuters, a versão 2013 de seu Ranking com as 100 melhores Universidades jovens do mundo. Isto é, instituições de ensino superior com menos de 50 anos de idade. A primeira versão desse prestigiado Ranking foi divulgada em Chama a atenção da comunidade acadêmica brasileira, mas não dos responsáveis pela gestão do Sistema Brasileiro de Ensino que continuam com visão curta e ouvidos mocos, o fato de que dentre as várias instituições brasileiras, públicas e privadas nessa faixa de idade, somente uma Universidade foi incluída nesse Ranking de 2013, a Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP que foi classificada em 28º lugar, com o total de 253,6 pontos distribuídos em seis itens. O item que recebeu menor pontuação foi international outlook com 20,9 pontos. Na versão anterior que foi divulgada em 2012, a UNICAMP havia sido classificada em 44º lugar entre as melhores Universidades jovens do Planeta Terra. De um ano para outro houve uma substancial melhora na classificação da UNICAMP. Portanto, houve uma melhora em seu padrão de qualidade. De 2012 para 2013 ela avançou 16 posições no contexto mundial. O que é bom para a instituição, para o Estado de São Paulo e, vergonhoso para o Brasil pelo fato de ter classificado apenas uma Universidade jovem entre as melhores do mundo. Para nós a inclusão da UNICAMP nesse Ranking não é um fato novo. Sabemos dos cuidados e zelos, que fazem a grande diferença, com respeito à qualidade de formação de seu corpo docente e à qualidade de sua infraestrutura, que nortearam os trabalhos dos idealizadores e fundadores da UNICAMP, em especial do Prof. Dr. Zeferino Vaz, Presidente da Comissão Organizadora da UNICAMP e seu primeiro Reitor. Cuidados e zelos que foram mantidos por seus sucessores. A UNICAMP foi criada para ser uma instituição de boa/excelente qualidade. Na versão de 2013 do Ranking acima citado a Coréia do Sul ficou com dois dos três primeiros lugares. O 1º e 3º lugares, com respectivamente, a Universidade de Ciência e Tecnologia Pohang e o Instituto Avançado de Ciência e Tecnologia da Korea. A primeira instituição manteve o 1º lugar em relação ao Ranking de 2012 e a outra avançou do 5º para o 3º lugar. Os dirigentes da Coréia do Sul vêm dedicando, desde os anos de 1960, substanciais esforços para criar no país um excelente sistema de ensino,

2 2 básico e superior. Não só modernizaram o sistema de ensino, como também investiram e continuam investindo muitos recursos financeiros no sistema. Também trabalharam para colocar o professor em seu devido e merecido lugar no contexto social. Além de passarem para a sociedade a importância que exerce o professor na formação escolar básica e profissional dos jovens; atribuíram-lhe um salário digno, verbas para apoio a seus treinamentos e atualizações e para seus projetos de pesquisa, quer em nível básico, quer em nível universitário. Atualmente na Coréia do Sul a profissão de professor é uma das mais prestigiadas do país. Na continuação da análise das versões desse Ranking referentes aos anos de 2012 e 2013, constatamos que as Universidades jovens do Reino Unido continuam a ter um bom desempenho, e que há sinais de progressos, traduzidos em melhorias de desempenhos, para as Universidades jovens da Espanha, Canadá, França e Austrália. Isto significa que os dirigentes desses países, inclusive da Coréia do Sul, estão atentos e empenhados em constuir e manter também excelentes Universidades jovens para seus países. Os dirigentes desses e de outros países cujas Universidades jovens constam dessa classificação, exceto os dirigentes do Brasil, sabem da importância do papel para seus países e para o contexto mundial da excelente qualidade de suas Universidades, jovens ou velhas. A excelência do ensino escolar (básico e superior) de um país é um fator muito importante para seu desenvolvimento e bem estar de sua população. A excelência exerce, para esse país, grandes influências na sua soberania, nas suas decisões de acordos comerciais bilaterais, e na competividde científica e tecnológica do mundo globalizado. Portanto, é crucial que a sociedade de um país seja culta, bem esclarecida, bem informada para saber escolher bem os principais gestores públicos, para saber exigir seus direitos, para não se deixar enganar por gestores incompetenes, não comprometidos com o país e corruptos, para saber gerar, criar e usar ciência e tecnologias exponencialmente avançadas. Lamentavelmente o Brasil navega em sentido contrário ao da maré da geração, criação e uso de ciência e tecnologias exponencialmente avançadas que inunda os países desenvolvidos. Em nosso país foram banalizados, pelo Governo Federal e pelos dirigentes de diversos Estados, ao longo dos anos o ensino básico e o sistema de graduação, além de vários outros serviços públicos. Quando introduzimos os resultados do Ranking 2013 no contexto das Universidades públicas federais e estaduais brasileiras não nos causa surpresa o pífio desempenho dessas instituições, que estão na faixa etária supracitada,

3 3 pelo fato de que há vários anos as administrações federais e estaduais esforçam-se por destruir a qualidade do Sistema Nacional de Graduação SNG, que é de má qualidade. Quando analisamos o Ranking geral da Times Higher Education versão 2013 para as 400 melhores Universidades do mundo, independente de sua idade vemos, para o Brasil, a inclusão apenas de duas Universidades: a USP e a UNICAMP classificadas, respectivamente, em 158º e 251º-275º lugares. Nessa versão do Ranking o California Institute of Technology - Caltech, U.S.A. foi classificado em 1º lugar; a Stanford University, U.S.A. e a University of Oxford, United Kingdom, empataram em 2º lugar (ou ficaram em 2º e 3º lugares, respectivamente, com mesma pontuação) e a Harvard University, U.S.A., foi classificada em 3º lugar (ou 4º lugar), se considerarmos as duas anteriores empatadas em 2º lugar. Em nosso país o Governo Federal há muitos anos atrás já deveria ter reformado o Sistema Brasileiro de Ensino (básico e superior). Não fez nem fará. E no contexto de visão curta e de ouvidos mocos para a imprescindível e urgente reforma do Sistema Brasileiro de Ensino, o Governo Federal criou recentemente quatro novas Universidades Federais em duas regiões do país, por meio das Leis nº /2013, nº /2013, nº /2013 e nº /2013. As Regiões são: Norte, uma Universidade no Estado do Pará; Nordeste, três Universidades, duas no Estado da Bahia e uma no Estado do Ceará. São instituições criadas sem infraestruturas físicas dignas, sem corpo docente qualificado, sem laboratórios bem equipados, sem excelentes bibliotecas. Esses fatos são verdadeiros em diversas Universidades Federais existentes. Há muitos anos que a comunidade acadêmica brasileira vem denunciando à sociedade a precarização das Universidades Federais, a má qualidade do Sistema Nacional de Graduação - SNG. Mas ouvidos mocos não ouvem, exceto com auxílio de aparelhos apropriados. Quando mudamos o foco dos resultados do Ranking acima citado para o Estado do Paraná, que possui sete Universidades Estaduais, todas elas com menos de 50 anos de idade, somos assaltados por anseios de vergonha e de angústia pelo fato de que o rico, pujante e próspero Estado do Paraná, que está em construção, não possui nenhuma Universidade incluída no Ranking supracitado. Note-se que em nenhuma das duas versões desse Ranking. Quais as causas do efeito negativo que vivenciamos no Estado do Paraná em relação à ausência de bom ou excelente desempenho das Universidades mantidas pelo Estado no contexto nacional e internacional?

4 4 A resposta óbvia está nos seguintes fatos. 1) Nenhuma das Universidades Estaduais do Paraná foi concebida e criada para ser uma Universidade de boa ou excelente qualidade. 2) A má qualidade, ao longo dos anos, dos responsáveis pela gestão do Sistema de Ensino Superior do Paraná. 3) A ausência, por parte do executivo estadual, de bons e bem definidos projetos e planos visando à boa qualidade e o desenvolvimento das Universidades Estaduais. Essas são ações e metas que passam por: a) elaboração e aplicação de um bom Plano Estadual de Capacitação de Docentes; b) pagamentos de salários dignos aos corpos docente e técnico administrativo das Universidades; c) maior investimento financeiro para as instituições e apoio financeiro para os projetos de pesquisa dos docentes, estímulos para atualizações profissionais dos docentes, boa infraestrutura física, bons e bem equipados laboratórios, excelentes bibliotecas. 4) ausência de marcos legais que balizem o Sistema de Ensino Superior do Paraná, com o escopo de contribuir para que nosso Estado adquira competências em algumas selecionadas áreas, subáreas e especialidades das ciências e das tecnologias. Para que o Estado do Paraná construa, ao longo dos anos, um excelente Sistema de Ensino Superior (graduação e pósgraduação stricto sensu). Os fatos atuais são esclarecedores. O pífio desempenho do Sistema de Ensino Superior do Paraná (graduação e pós-graduação stricto sensu), que vimos denunciando há vários anos, reflete a ausência dos itens acima citados, além de ausência de vontade política por parte de diversas administrações estaduais. Aos responsáveis pela gestão dos negócios públicos do Estado do Paraná têm faltado comprometimento e visão de futuro para construção do Estado no que diz respeito ao planejamento estratégico para C & T e Ensino Superior. Eles serão responsabilizados, pelas pessoas de bem, pela não construção de bases sólidas para a construção de um excelente sistema em C & T e Ensino Superior que será deixado para as próximas gerações de paranaenses. Vimos, há alguns anos, alertando os responsáveis pela gestão do Sistema de Ensino Superior do Paraná para a convergência em futuro próximo,

5 5 de acúmulo de resultados negativos e vergonhosos para o Paraná, levando-se em conta a ausência de vontade política, planos, projetos, marcos legais balizadores, ações e metas bem definidas para o Sistema de Ensino Superior do Paraná. Devemos lembrar que nenhuma administração estadual de quatro anos de duração deve ter a pretensão de elaborar projetos, planos, metas e ações com o objetivo de resolver os sérios problemas existentes no Sistema de Ensino Superior do Paraná em curto espaço de tempo. A administração central do Paraná deve elaborar instrumentos legais para serem aplicados como políticas de estado, ao longo dos anos, com resultados benéficos para sociedade paranaense após 15 anos, no mínimo, de uso continuado. Por esse e outros motivos urge que os atuais responsáveis pela gestão do Estado do Paraná trabalhem nessa direção.

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