Retrospectiva 2012 / Tendências 2013

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1 Retrospectiva 2012 / Tendências 2013 TERCEIRO SETOR, CULTURA E RESPONSABILIDADE SOCIAL 19/02/2013 Prezados clientes, Selecionamos os acontecimentos mais marcantes no campo jurídico no ano de 2012 sobre os quais vislumbramos desdobramentos em 2013 e gostaríamos de compartilhar com vocês. Confiram abaixo! Acesso à informação e transparência A Lei de Acesso à Informação (Lei n /2012), que entrou em vigor em 16 de maio de 2012, representa um novo paradigma a ser observado pelo Terceiro Setor. A lei visa assegurar o direito fundamental de acesso à informação e amplia os instrumentos de participação cidadã, estabelecendo condutas a serem adotadas pelo Poder Público que garantam maior transparência em suas ações. Em nosso entender, a lei caracteriza uma iminente demanda da sociedade por transparência da gestão pública e de aplicação adequada de verba pública. No caso das entidades privadas sem fins lucrativos, as verbas públicas a elas destinadas seja com a contribuição direta no orçamento ou por meio de subvenções sociais, contrato de gestão, termo de parceria, convênios, acordo, ajustes e outros instrumentos foram inseridas no rol de informações de interesse coletivo. As entidades do Terceiro Setor que recebem recursos públicos devem, portanto, observar as determinações da lei. Considerando que a promulgação da lei releva uma preocupação da sociedade com os temas de

2 transparência, ética, combate à corrupção, regularidade de atuação, lisura nos trâmites internos, imaginamos que a demanda por informações seja cada vez mais constante, independente dos ditames legais. Nesse sentido, vislumbramos a adoção de uma postura mais transparente como uma tendência para o ano de 2013 a ser observada por todas as entidades do Terceiro Setor, não só as receptoras de recursos públicos. Dentre as informações de interesse coletivo que devem ser prestadas pelas organizações estão (i) os endereços e telefones das unidades e horários de atendimento ao público; (ii) dados gerais para acompanhamento de programas, ações, projetos e obras; e (iii) respostas às perguntas mais frequentes da sociedade. A Lei Federal já foi regulamentada nos âmbitos estadual e municipal (respectivamente, Decreto n.º /2012, e Decreto n / 2012) que reforçam a obrigatoriedade do cumprimento dessas normas nas três esferas de poder público. A Lei de Acesso à informação (e os Decretos regulamentadores) constitui, portanto, não somente um novo paradigma ao Terceiro Setor como também uma tendência: trata-se da convergência da cultura de segredo para a cultura de participação popular e cooperação entre Governo, Organizações da Sociedade Civil e a própria sociedade per si, a fim de combater a corrupção e destinar adequadamente os recursos públicos. Incentivos fiscais para a área de Saúde Em 2012 foram instituídos os primeiros programas que contemplam incentivos fiscais para a área da Saúde: o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (PRONON) e o Programa Nacional de Apoio à Atenção da Saúde da Pessoa com Deficiência (PRONAS). Os programas têm como objetivo a captação e destinação de recursos para a prevenção e combate ao câncer e para a prevenção e reabilitação da pessoa com deficiência, respectivamente. A principal forma de financiamento desses programas é mediante a concessão de incentivos fiscais a doações e patrocínios para ações e serviços desenvolvidos por entidades sem fins lucrativos cuja finalidade social seja a atuação nessas áreas.

3 Os programas foram instituídos pela Medida Provisória (MP) n.º 563/2012, que foi posteriormente convertida na Lei n.º /2012, a qual foi publicada com alguns vetos ao texto da MP. Por conta dos vetos, foi necessária a edição de uma nova MP de n.º 582/2012 para tratar dos limites nas deduções do Imposto de Renda (IR) objeto do veto da Presidência. A MP n.º 582/2012 impôs o limite autônomo de 1% (um por cento) para as deduções do IR às doações ou patrocínio aos projetos do PRONON e do PRONAS. Isso significa que as doações e patrocínios em prol tanto do PRONON como do PRONAS não concorrem entre si, nem tampouco com os valores destinados a projetos de outra natureza. A referida lei demonstra a preocupação do Poder Público com a área da Saúde que passa a contar com importantes incentivos fiscais, assim como já ocorria nas áreas de Cultura e Esporte. Todavia, é fundamental que a lei seja regulamentada ainda esse ano para que, de fato, as entidades possam ser efetivamente beneficiadas. Alterações nas doações ao FUMCAD Tendo em vista as dificuldades em arrecadar recursos para o Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente FUMCAD, foi promulgada em janeiro de 2012 a Lei n.º /12, que altera os procedimentos referentes a doações incentivadas ao FUMCAD. Como forma de incentivar as doações, o contribuinte do Imposto de Renda (IR) pessoa física agora pode doar diretamente em sua Declaração de Ajuste Anual até 3% (três por cento) do total devido na apuração e doar os 3% (três) restantes após fazer os cálculos na declaração e saber o valor real do imposto a pagar. A dedução, portanto, permanece sujeita ao limite 6% (seis por cento) sobre o valor do imposto devido (IR), mas a alteração do procedimento visa simplificar e fomentar a cultura de doar. Em relação às pessoas jurídicas, a inovação mais importante foi a alteração da Lei /2010, que criou os Fundos do Idoso, para consignar que o limite de dedução das doações realizadas a estes fundos não será compartilhado com o limite das doações ao FUMCAD. Ou seja, a pessoa jurídica poderá deduzir valores doados ao FUMCAD, em até 1% do imposto apurado, e mais as doações realizadas aos Fundos do Idoso, também limitadas a 1% do imposto, somando, assim, 2% de potencial de dedução. A iniciativa procura alinhar a necessidade das organizações que atuam com crianças e adolescentes em se capitalizarem com a crescente vontade e necessidade da sociedade de contribuir de maneira

4 eficiente e transparente por meio de benefícios fiscais que se configuram também como uma doação indireta por parte do Governo. Fiscalização das entidades que gozam da isenção das contribuições sociais pela RFB Durante o ano de 2012, observamos um aumento na fiscalização da Receita Federal do Brasil (RFB) quanto ao cumprimento dos requisitos para a obtenção da dita isenção das contribuições sociais pelas entidades beneficentes de assistência social. Em 1º de outubro de 2012, a RFB iniciou o Programa Alerta, oferecendo a oportunidade a alguns contribuintes, sobretudo às entidades sem fins lucrativos, para que realizem a autorregularização das informações declaradas e utilizadas na apuração de tributos. Em 1º de dezembro de 2012, já foram iniciados os procedimentos de fiscalização, por meio dos quais o Fisco averigua se as entidades fazem jus à isenção das contribuições sociais e, particularmente, se possuem o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS) vigente. Diante desse cenário, é provável que, no ano de 2013, a RFB continue realizando mencionados procedimentos de fiscalização direcionados às entidades beneficentes de assistência social. Sendo assim, reafirmamos nossa orientação para que nossos clientes confiram os dados transmitidos ao Fisco e, constatando equívocos, promovam a autorregularização de modo a evitar eventuais transtornos com o órgão fiscal. Novas normas de contabilidade para as entidades do Terceiro Setor O Conselho Federal de Contabilidade CFC expediu em 2012, a Resolução n.º 1.409, que trata de novos parâmetros dos relatórios de auditoria a serem apresentados pelas entidades sem fins lucrativos. A norma em referência aprovou a ITG norma internacional que estabelece critérios e procedimentos específicos de avaliação, de reconhecimento das transações e variações patrimoniais, de estruturação das demonstrações contábeis, além das informações mínimas a serem divulgadas em notas explicativas de entidade sem finalidade de lucros o que significa que o CFC incorporou os parâmetros internacionalmente usados e aceitos na área.

5 A Resolução foi um importante marco nos campos jurídico e contábil para as entidades no ano passado, e certamente será muito relevante esse ano, uma vez que suas determinações são aplicáveis já aos documentos contábeis do exercício de Solicitamos a atenção dos nossos clientes aos novos critérios (sobretudo às entidades certificadas como beneficente de assistência social), para que seus documentos contábeis sejam elaborados em conformidade com as regras vigentes visando evitar questionamentos pelo Poder Público. Responsabilidade socioambiental das instituições financeiras Por meio do Edital nº 41/2012, publicado pela Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil, foram colocadas em audiência pública duas minutas de resoluções que dispõem sobre a implementação de política de responsabilidade socioambiental por parte das instituições financeiras e das demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. A primeira minuta do Edital dispõe sobre a política interna de responsabilidade socioambiental (PRSA) das instituições financeiras e demais instituições, que devem ser implementadas de acordo com seu porte, natureza do negócio, complexidade de serviços e produtos oferecidos, bem como com as atividades, processos e sistemas adotados. A necessidade da política interna é justificada por meio da necessidade de relação ética e transparente das empresas tanto para com os seus clientes e comunidade interna quanto para com a sociedade em que se insere. Tem-se também na primeira minuta os mecanismos necessários para a mitigação de riscos para atividades econômicas de maior impacto ambiental, como forma de identificação e prevenção de riscos para cada atividade exercida pelas instituições. A segunda minuta do Edital, por sua vez, diz respeito ao cumprimento do disposto na primeira: ou seja, a elaboração e divulgação anual do Relatório de Responsabilidade Socioambiental relativo ao cumprimento da PRSA. Divulgando o relatório anual, o Banco Central espera que as instituições financeiras exerçam uma política transparente, bem como que a sociedade tenha maior consciência ambiental, e exija dos atores no mercado que se submetam e de fato cumpram a PRSA.

6 A preocupação em atribuir responsabilidade socioambiental às empresas, incluindo as instituições do setor financeiro é crescente em todo o mundo. Assim, é possível que nos próximos anos aumente a pressão dos órgãos públicos e da sociedade para que os agentes econômicos e financeiros, incluindo os financiadores de obras possivelmente poluidoras e causadoras de impacto social negativo, efetivamente implementem uma robusta e adequada política de responsabilidade socioambiental. As inscrições nos Conselhos Municipais de Assistência Social De acordo com a Resolução do Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS nº 16/2010 (e das respectivas Resoluções dos Conselhos Municipais de Assistência Social CMAS ou COMAS), que determinou novos parâmetros para a inscrição das entidades de assistência social e de projetos assistenciais nos Conselhos locais, as entidades inscritas em momento anterior à publicação da referida Resolução, deveriam solicitar sua nova inscrição, nos termos dos novos parâmetros, até 30 de abril de Tendo em vista a interpretação atual, mais restritiva, da legislação da assistência social pelos Conselhos Municipais, algumas entidades (especialmente aquelas com atuação secundária em assistência social) tiveram dificuldades em manter sua inscrição. Nesse sentido, 2013 é um ano importante para as entidades assistenciais e aquelas que prestam serviços, programas ou projetos de assistência social: é o momento de refletir sobre sua atuação, seus propósitos e definir uma estratégia a ser adotada, seja como entidade de assistência social (devidamente inscrita nos Conselhos locais), seja como entidade com atuação em outras áreas. Tramitação do Procultura Considerando as reflexões e críticas acerca da Lei Rouanet (como ficou conhecida a Lei n.º 8.313/1991- que instituiu instrumentos de financiamento da Cultura), foi apresentada pelo Poder Executivo proposta legislativa pelo poder Executivo para uma nova Lei Rouanet, por meio da propositura do Projeto de Lei para Instituição do Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura, denominado Procultura, em trâmite desde 2010, como PL n.º 6.722/2010. A lei em vigor teve um papel muito importante no desenvolvimento da Cultura no país, pela garantia de transparência de todas as fases dos projetos culturais e pela profissionalização do setor, tendo

7 sido responsável pela constituição de um mercado profissional para atuar por meio do incentivo fiscal. As críticas referem-se à falta de aperfeiçoamento dos instrumentos de financiamento e sua precária utilização nas regiões mais carentes do Brasil. Ademais, o papel equalizador do sistema de financiamento idealizado pela Lei tornou-se frágil, visto que os recursos não são destinados ao desenvolvimento da cultura regional e do fazer artístico de caráter não comercial, mas sim ao desenvolvimento de uma indústria cultural. Segundo o MinC, o projeto em comento tem como objetivos centrais ampliar os recursos na área de Cultura, e diversificar os mecanismos de financiamento, sem privilegiar um número ínfimo de proponentes e regiões brasileiras. Como principais modificações trazidas pelo projeto citam-se: (i) os critérios de análise baseados nas dimensões simbólica, econômica e social como parâmetros para o percentual de renúncia fiscal; (ii) o fortalecimento do Fundo Nacional de Cultura; (iii) o financiamento direto simplificado (bolsas e prêmios); (iv) a existência de faixas de renúncia; (v) o fortalecimento da produção independente; e (vi) a contrapartida mínima das empresas. O projeto tem sido muito debatido com produtores e gestores culturais, além da sociedade civil, em diversas capitais brasileiras, de modo que as sugestões de todos os atores da sociedade serviram de base para diversas modificações na proposta original. Atualmente em avaliação na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, a expectativa é de que a nova lei seja aprovada em 2013 e entre em vigor a partir do exercício seguinte. Para mais informações, favor contatar: Flavia Regina de Souza Oliveira Juliana Gomes Ramalho Monteiro T T

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