PPGECIM - Programa de Pós-Grad. em Ensino de Ciências e Matemática

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1 PPGECIM - Programa de Pós-Grad. em Ensino de Ciências e Matemática Disciplina: Educação Inclusiva Professora Dra. Marlise Geller Alunos: Janaína Godinho, Maria Cristina Schwahn e Márcio Silva

2 Deficiência Visual Educação Inclusiva

3 Conceito Os graus de visão abrangem um amplo espectro de possibilidades: desde a cegueira total, até a visão perfeita, também total. A expressão "deficiência visual" se refere ao espectro que vai da cegueira até a visão subnormal. A diminuição da resposta visual pode ser leve, moderada, severa, profunda (que compõem o grupo de visão subnormal ou baixa visão) e ausência total da resposta visual (cegueira). Fonte:

4 Barraga (1976) Distinguem 3 tipos de deficiência visual: CEGOS Portadores de VISÃO PARCIAL Portadores de VISÃO REDUZIDA

5 Cegos Têm somente a percepção da luz ou que não têm nenhuma visão. Necessidades: Aprendem através do método Braille e de meios de comunicação que não estejam relacionados com o uso da visão.

6 Portadores de Visão Parcial Têm limitações da visão à distância, mas são capazes de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou no máximo a meio metro de distância.

7 Portadores de Visão Reduzida São considerados com visão indivíduos que podem ter seu problema corrigido por cirurgias ou pela utilização de lentes.

8 Indivíduos com Baixa Visão Segundo a OMS (Bangkok, 1992), o indivíduo com baixa visão ou visão subnormal éaqueleque apresenta diminuição das suas respostas visuais, mesmo após tratamento e/ ou correção óptica convencional, e uma acuidade visual menor que 6/ 18 à percepção de luz, ou um campo visual menor que 10 graus do seu ponto de fixação, mas que usa ou é potencialmente capaz de usar a visão para o planejamento e/ ou execução de uma tarefa.

9 Causas da Deficiência Visual As principais causas da cegueira e das outras deficiências visuais têm se relacionado a amplas categorias: Retinopatia da prematuridade causada pela imaturidade da retina, em decorrência de parto prematuro ou de excesso de oxigênio na incubadora. Catarata congênita em conseqüência de rubéola ou de outras infecções na gestação. Glaucoma congênito que pode ser hereditário ou causado por infecções. Atrofia óptica. Degenerações retinianas e alterações visuais corticais. A cegueira e a visão subnormal podem também resultar de doenças como diabetes, descolamento de retina ou traumatismos oculares.

10 O aluno cego Uma proposta didática Estudo de tipos de folhas (conteúdo da disciplina de Biologia - 2 ano do ensino médio) Desenvolvimento da proposta didática: - Organização de 4 grupos - Um integrante de cada grupo fica sem vendar os olhos (responsável pela orientação dos colegas e por anotar as atividades)

11 Quais as habilidades que devemos desenvolver no caso de alunos cegos? As estratégias e as situações de aprendizagem devem valorizar o comportamento exploratório, a estimulação dos sentidos remanescentes, a iniciativa e a participação ativa. Entre essas: Formação de hábitos e de postura; destreza tátil; sentido de orientação; reconhecimento de desenhos, gráficos e maquetes em relevo dentre outras habilidades.

12 Política Nacional de Educação Especial Desde a década de 50 há salas de recursos para a integração de crianças com deficiência visual nas escolas públicas do Brasil, fazendo de nosso país o pioneiro nesse tipo de atendimento na América Latina.

13 Diretrizes Atuais O Ministério da Educação recomenda que se dê prioridade ao atendimento escolar integrado aos portadores de necessidades educativas especiais.

14 Modalidades de Atendimento Em obediência a essas diretrizes, a rede pública oferece diversas modalidades de atendimento: classe comum sem apoio da educação especial; classe comum com apoio de serviços especializados; sala de recursos nas escolas comuns; ensino itinerante; escolas integradoras/inclusivas; classe especial nas escolas comuns; centro de apoio pedagógico para atendimento a pessoas com deficiência visual; escolas e centros especializados.

15 O desempenho visual na escola A baixa visão pode ocasionar conflitos: Emocionais; Psicológicos; Sociais. Todos estes influenciam na conduta do aluno e refletem na aprendizagem.

16 O desempenho visual na escola Conhecer o desenvolvimento global do aluno, o diagnóstico, a avaliação funcional da visão, o contexto familiar e social, bem como as alternativas e os recursos disponíveis, facilitam o planejamento de atividades e a organização do trabalho pedagógico.

17 Onde acontece a integração A integração da criança portadora de deficiência visual não acontece apenas na sala de aula; é desejável que ela aconteça na família, nos ambientes sociais, religiosos e de lazer. Mesmo que não estude em uma sala comum, a criança precisa estar integrada ao ambiente social em que vive na praça, no parquinho, na festa de aniversário, na igreja, na lanchonete

18 Fatores para definição de recursos Necessidades específicas Diferenças individuais Faixa etária Preferências, interesses Habilidades Estes são alguns fatores que auxiliam a determinação das modalidades de adaptações e as atividades mais adequadas.

19 Recursos Ópticos e Não-Ópticos A utilização de recursos ópticos e nãoópticos envolve o trabalho de pedagogia, de psicologia, de orientação e mobilidade e outros que se fizerem necessários. As escolhas e os níveis de adaptação desses recursos em cada caso devem ser definidos a partir da conciliação de inúmeros fatores.

20 Recursos Ópticos Recursos ópticos para longe: Telescópio - Usado para leitura no quadro negro - Restringe muito o campo visual Recursos ópticos para perto: Óculos - Especiais com lentes de aumento que servem para melhorar a visão de perto - Óculos bifocais, lentes esferoprismáticas, monitorais esféricas, sistemas telemicroscópicos Lupas manuais ou de mesa e de apoio - Úteis para ampliar o tamanho da fonte para a leitura, dimensões de mapas, gráficos, diagramas, figuras, etc. - Quanto maior a ampliação do tamanho, menor o campo de visão com a diminuição da velocidade de leitura e maior fadiga visual

21 Recursos Não-Ópticos Tipos ampliados; Acetato amarelo; Plano inclinado; Acessórios; Softwares com magnificadores de tela; Programas com síntese de voz; Chapéus e bonés; Circuito fechado de televisão CCTV.

22 Alfabetização e Aprendizagem As crianças cegas operam com dois tipos de conceitos: 1. Aqueles que têm significado real para elas a partir de suas experiências. 2. Aqueles que fazem referência a situações visuais, que embora sejam importantes meios de comunicação, podem não ser adequadamente compreendidos ou decodificados e ficam desprovidos de sentido. Nesse caso, essas crianças podem utilizar palavras ou expressões descontextualizadas, sem nexo ou significado real, por não basearem-se em experiências diretas e concretas. Esse fenômeno é denominado verbalismo e sua preponderância pode ter efeitos negativos em relação à aprendizagem e ao desenvolvimento.

23 Espaço Físico e Mobiliário A configuração do espaço físico não é percebida de forma imediata por alunos cegos, tal como ocorre com os que enxergam. A coleta de informações se dará de forma processual e analítica através da exploração do espaço concreto da sala de aula e do trajeto rotineiro dos alunos: entrada da escola, pátio, cantina, banheiros, biblioteca, secretaria, sala dos professores e da diretoria, escadas, obstáculos.

24 Comunicação e Relacionamento Desperta curiosidade, interesse, inquietações e não raro, provoca grande impacto no ambiente escolar. Costuma ser abordada de forma pouco natural e pouco espontânea. Os professores manifestam dificuldade de aproximação e de comunicação. Torna-se necessário quebrar tabus, dissipar os fantasmas, explicitar o conflito e dialogar com a situação.

25 O Sistema Braille Criado por Louis Braille, em 1825, na França, o sistema braille é conhecido universalmente como código ou meio de leitura e escrita das pessoas cegas. Baseia-se na combinação de 63 pontos que representam as letras do alfabeto, os números e outros símbolos gráficos. A combinação dos pontos é obtida pela disposição de seis pontos básicos, organizados espacialmente em duas colunas verticais com três pontos à direita e três à esquerda de uma cela básica denominada cela braille.

26 Como escrever? Máquina de Escrever Braille Reglete e Punção

27 O professor aprendendo Braille O domínio do alfabeto Braille e de noções básicas do sistema por parte dos educadores é bastante recomendável e pode ser alcançado de forma simples e rápida, uma vê que a leitura será visual. Os profissionais da escol podem aprender individualmente ou em grupo, por meio de cursos, oficinas, etc. Uma dessas alternativas é o Braille Virtual: curso online, criado e desenvolvido pela USP. Site:

28 Recursos Didáticos Atividades que envolvem expressão corporal, dramatização, arte, música podem ser desenvolvidas com pouca ou nenhuma adaptação. Em resumo, os alunos cegos podem e devem participar de praticamente todas as atividades com diferentes níveis e modalidades de adaptação que envolvem criatividade, confecção de material e cooperação entre os participantes. Atividades predominantemente visuais devem ser adaptadas com antecedência e outras durante a sua realização por meio de descrição, informação tátil, auditiva, olfativa e qualquer outra referência que favoreçam a configuração do cenário ou do ambiente.

29 Recursos Didáticos Os esquemas, símbolos e diagramas presentes nas diversas disciplinas devem ser descritos oralmente. Os desenhos, os gráficos e as ilustrações devem ser adaptados e representados em relevo. O ensino de língua estrangeira deve priorizar a conversação em detrimento de recursos didáticos visuais que devem ser explicados verbalmente. Experimentos de ciências e biologia devem remeter ao conhecimento por meio de outros canais de coleta de informação.

30 Avaliação Procedimentos e instrumentos de avaliação baseados em referências visuais devem ser alterados ou adaptados por meio de representações e relevo. É recomendável valer-se de exercícios orais. Adaptação e produção de material, a transcrição de provas, exercícios e de textos em geral para o sistema braille podem ser realizadas em salas multimeios, núcleos, serviços ou centros de apoio pedagógico. Observar o tempo da avaliação. Utilizar a máquina de escrever em braille ou computador.

31 Recursos Didáticos O uso de recursos didáticos apenas visuais ocasiona uma visão fragmentada da realidade e desvia o foco de interesse e de motivação dos alunos cegos e com baixa visão. Os recursos devem ser inseridos em situações e vivências cotidianas que estimulem a exploração e o desenvolvimento pleno dos outros sentidos. A variedade, a adequação e a qualidade dos recursos disponíveis possibilitam o acesso ao conhecimento, à comunicação e à aprendizagem significativa.

32 Recursos Didáticos Recursos tecnológicos, equipamentos e jogos pedagógicos contribuem para que as situações de aprendizagem sejam mais agradáveis e motivadoras em um ambiente de cooperação e reconhecimento das diferenças. Com bom senso e criatividade, é possível selecionar, confeccionar ou adaptar recursos abrangentes ou de uso específico. A disponibilidade de recursos que atendam ao mesmo tempo às diversas condições visuais dos alunos pressupõe a utilização do sistema braille, de fontes ampliadas e de outras alternativas no processo de aprendizagem.

33 Sugestões

34 Sugestões

35 Sugestões

36 Sugestões

37 Recursos Tecnológicos Os meios informativos facilitam as atividades de educadores e educandos pois possibilitama comunicação, a pesquisa e o acesso ao conhecimento. Entre os programas mais difundidos no Brasil, destacmos: - DOSVOX: - Virtual Vision: - Jaws: e laramara.com.br

38 Considerações O paradigma da educação inclusiva tem alcançado expressão internacional, agregando as agendas de legisladores, governantes e administradores de sistemas de ensino em diferentes âmbitos. Quando se fala em inclusão é necessário adotar-se como básico o currículo geral aplicado a todos os educandos e a flexibilidade curricular e organizacional da escola, particularmente quanto: 1. aos procedimentos e instrumentos de avaliação; 2. aos métodos e técnicas de ensino; 3. ao uso de materiais pedagógicos adaptados; 4. ao acréscimo da simbologia braille; 5. as experiências apoiadas para a mobilidade independente e autonomia na vida diária.

39 Não há uma receita pronta e infalível para educar essa ou aquela criança. O alfabetizador precisa conhecer o aluno que esta sob os seus cuidados.

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