DINÂMICA DEMOGRÁFICA E SUA RELEVÂNCIA ECONÔMICA E SOCIAL NO BRASIL: IMPLICAÇÕES PARA O PROGRAMA UNFPA fevereiro, 2011

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1 DINÂMICA DEMOGRÁFICA E SUA RELEVÂNCIA ECONÔMICA E SOCIAL NO BRASIL: IMPLICAÇÕES PARA O PROGRAMA UNFPA fevereiro, 2011 (Versão Preliminar) George Martine José Eustáquio Diniz Alves

2 ÍNDICE 1) Introdução...2 2) Panorama econômico e político...2 3) Panorama Sócio-Demográfico...3 a. Fecundidade, Saúde Sexual e Reprodutiva...5 b. Mudanças na estrutura etária, bônus demográfico e mudanças nos arranjos familiares...10 c. Migração, urbanização e desenvolvimento regional ) Panorama social: redução da pobreza e da desigualdade de renda...19 a. Pobreza e Desigualdade...19 b. Mercado de trabalho e renda...21 c. Crescimento da classe média ) A dinâmica demográfica e as desigualdades de gênero no Brasil...25 a. Saúde...25 b. Educação...29 c. Mercado de trabalho...30 d. Uso do tempo...35 e. Espaços de poder ) População, desenvolvimento e ambiente ) Considerações Finais e Sugestões ) BIBLIOGRAFIA

3 1) Introdução O Brasil passou por grandes transformações demográficas, econômicas, sociais, ambientais e culturais nas últimas décadas. Depois do fracasso da década perdida e do baixo dinamismo da década de 1990, o país voltou a apresentar crescimento econômico na primeira década do século XXI, desta vez com redução da pobreza e diminuição das desigualdades sociais. A atual década se inicia com um novo governo, inserido num contexto favorável, mas que também enfrenta novos e velhos reptos. O objetivo deste texto é de situar o programa do UNFPA dentro do contexto destas transformações, enfocando os desafios e as oportunidades que delas decorrem para o terreno de população e desenvolvimento. O texto começa traçando um breve panorama da economia internacional e de como o Brasil se posiciona atualmente diante da conjuntura mundial. Em seguida, aborda a dinâmica demográfica crescimento, composição e distribuição assim como suas influências sobre o processo de desenvolvimento. Analisa a evolução das políticas de saúde sexual e reprodutiva e o quadro de mudanças nas relações de gênero no país. Apresenta o quadro de redução da pobreza no Brasil e de melhoria do mercado de trabalho. Discute as principais políticas sociais de proteção social. Trata dos desafios colocados ao meio ambiente. Apresenta algumas considerações sobre os avanços e desafios para a próxima década, em especial para o quinquênio Por fim, o texto sugere algumas iniciativas para a programação do UNFPA nos próximos quatro anos no que se refere ao seu diálogo político e às suas ações dentro do contexto dos temas colocados na CIPD do Cairo, de 1994, e da metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Em síntese, considera-se que o Brasil apresenta condições demográficas e econômicas favoráveis para a redução do peso da sua tradicional pobreza e desigualdade e para melhorar a qualidade de vida das pessoas e a sustentabilidade ambiental. A compreensão da trajetória dos fenômenos demográficos é crucial para a orientação das políticas sociais e econômicas que possam contribuir para a contínua elevação dessa qualidade de vida dos segmentos desfavorecidos da população brasileira. 2) Panorama econômico e político Depois da crise econômica e social da década perdida (anos 1980) e do baixo crescimento da década de 1990, a economia brasileira voltou a apresentar um ritmo mais acelerado de aumento do PIB na primeira década do século XXI, particularmente na média dos anos , quando cresceu a 4,5% ao ano. O novo cenário da economia internacional tende a reduzir as disparidades internacionais de renda entre as nações. Essa nova dinâmica tem impacto nas taxas de crescimento interna, na reconfiguração da estrutura produtiva do país e na capacidade do Estado brasileiro de manter suas políticas sociais. Ao contrário das anteriores, a crise econômica de teve efeitos diferenciados, atingindo com mais severidade as economias mais ricas. As projeções para o Brasil são positivas, no que se refere à próxima década. Do ponto de vista populacional, o país terá, nos próximos anos, as menores taxas de dependência demográfica da sua história. O desempenho econômico favorável cria sinergia com os avanços políticos e sociais, possibilitando a superação dos principais entraves ao desenvolvimento sustentável e inclusivo. Se, por um lado, as perspectivas econômicas brasileiras geram um otimismo moderado, por outro, persistem problemas preocupantes relacionados, por exemplo, com a dimensão da dívida interna, as deficiências de infraestrutura, o peso das desigualdades sociais e as mazelas do processo democrático. 2

4 Paralelamente, o aumento do mercado interno tem atraído capitais externos, o que provoca valorização cambial e agrava os problemas da chamada desindustrialização. Também traz desafios maiores para a proteção do meio ambiente e da biodiversidade. A persistência de grandes bolsões de pobreza, conjugado com a persistência de altos níveis de desigualdade, constituem uma obstáculo formidável para o takeoff do desenvolvimento sustentável. Apesar de avanços recentes, o Brasil ainda tinha 39,6 milhões de pessoas com renda domiciliar per capita inferior às linhas de pobreza em Isto é um montante equivalente a toda população da Argentina. O país também contabilizava 13,5 milhões de pessoas indigentes, um montante equivalente a toda a população do Equador. Recentemente, celebrou-se, pela primeira vez, uma redução nos níveis de desigualdade no país, mas o Índice de Gini de 0.543, calculado em 2009, ainda coloca o Brasil como um dos mais desiguais do mundo. O crescimento econômico só traz benefícios para o país se vier acompanhado de desenvolvimento social e ambiental, numa perspectiva de direitos. A partir de 1994, o Brasil entrou em uma rota de consolidação da democracia com desenvolvimento econômico e redução da pobreza e das desigualdades sociais. As eleições de 2010 consolidaram os 25 anos de democracia formal do país. Mas, se é inegável que houve melhorias quantitativas na administração democrática do país, o mesmo não aconteceu em termos qualitativos. Os constantes casos de corrupção, a multiplicação de partidos sem ideologia ou programa e a consequente rifa de cargos administrativos essenciais, sem priorização da competência executiva, mostram que o Brasil ainda tem um longo caminho para aperfeiçoar a democracia. Porém, não resta dúvida de que a atual situação de estabilidade política e econômica é rara na história do Brasil. A principal promessa do novo governo é dar prosseguimento ao processo democrático, com ampliação das políticas sociais e erradicação da pobreza extrema. A consideração das diversas dinâmicas demográficas é crucial no planejamento e na realização destas propostas. 3) Panorama Sócio-Demográfico A dimensão, assim como o estagio atual da trajetória de crescimento da população brasileira, conjuntamente com a sua composição e sua distribuição espacial, representa um trunfo potencial importante para o país no momento histórico atual. O Brasil é, sem dúvida, um pais grande, não somente em sua dimensão física e seus recursos naturais, mas também em termos demográficos. O Gráfico 1 mostra que a população brasileira passou de 52 milhões de habitantes em 1950, para 191 milhões em Ou seja, a população quase quadruplicou em 60 anos, devido à disparidade entre suas Taxas Brutas de Natalidade (TBN) e suas Taxas Brutas de Mortalidade (TBM). Na década de 40, o incremento decenal de população era em torno de 10 milhões. No período entre 1970 a 2000, esse número girava em torno de um aumento de 26 milhões de pessoas a cada década. Mas, entre 2000 e 2010, esse incremento intercensitário diminuiu para 20 milhões de habitantes. Nas próximas duas décadas, esse número tende a diminuir rapidamente e deve passar a ser negativo a partir de A população rural tem diminuído em termos absolutos desde A população urbana teve, na última década, o seu crescimento menor desde a década de 70. As regiões Sudeste, Nordeste e Sul, as três mais populosas, perderam ligeira participação relativa entre 1970 e 2010, enquanto as regiões Norte e Centro-Oeste, as duas com menores densidades demográficas, ganharam participação relativa. O censo 2010 também mostrou que foram as cidades entre 100 mil e 2 milhões de habitantes que apresentaram os maiores ganhos relativos, enquanto as cidades com menos de 3

5 100 mil habitantes e as megacidades do Rio de Janeiro e São Paulo perderam participação relativa na população total. Ou seja, detecta-se certa tendência ao reequilíbrio das tendências anteriores marcadas pela concentração progressiva nas maiores cidades do Sudeste. Gráfico 1: Evolução da população, por situação de domicílio, e das Taxas Brutas de Natalidade (TBN) e Taxas Brutas de Mortalidade (TBM), Brasil, Fonte: Censos demográficos do IBGE e UN/ESA. World Population Prospects: The 2008 Revision Em retrospecto, ainda se discute o peso relativo dos efeitos dinamizadores e das conseqüências negativas do crescimento demográfico acelerado experimentado durante o século XX. Nesse momento, entretanto, o que mais interessa é o seguinte: 1) O Brasil é atualmente o quinto maior país do mundo em termos populacionais, o que lhe proporciona dimensões invejáveis de mercado interno, base tributária, força de trabalho, etc.. Por outro lado, a persistência de altos níveis de pobreza e desigualdade reduz essa vantagem potencial; 2) O ritmo de crescimento vegetativo da população total já caiu de maneira extraordinária e deve ficar negativo a partir de mais duas décadas, devido à rápida queda da fecundidade. No passado, o crescimento populacional elevado temperava as taxas de crescimento econômico; na corrente década, porém, a população deve crescer a apenas 0,8% ao ano. Entretanto, a redução da fecundidade é apenas parte da história: persistem problemas significativos de acesso à saúde reprodutiva de qualidade para uma parcela significativa da população; 3) A atual fase de maior estabilidade populacional apresenta novos desafios, nos quais a preocupação com quantidade cede espaço a considerações de composição e qualidade; 4) A estrutura da população por sexo e idade encontra-se atualmente em condições muito favoráveis. Bem aproveitada essa conjuntura, pode facilitar o takeoff do desenvolvimento, mas a falta de políticas adequadas para aproveitar esse momento histórico único pode, na realidade, ter efeitos contrários; 5) O país experimentou um processo de urbanização precoce, acelerado e doloroso. Entretanto, nesta etapa, o país se encontra numa situação privilegiada frente à maioria dos outros países em desenvolvimento, os quais estão apenas iniciando sua transição urbana. Entretanto, na prática, as condições sociais e ambientais urbanas das cidades brasileiras, produto de políticas inadequadas no passado e no presente, reduzem essa vantagem comparativa. 4

6 Em suma, o país está sendo, pelo menos em potencial, beneficiado de diversas maneiras pelo momento demográfico. A combinação dessas dinâmicas já foi elemento essencial das melhorias sócio-econômicas experimentadas pelo país nos últimos anos e poderia representar uma contribuição extraordinária para os esforços de desenvolvimento atualmente em curso no país. Entretanto, para aproveitar plenamente essas conjunturas, é necessário entender as dinâmicas em jogo e ajustar algumas políticas estratégicas. Os próximos segmentos oferecem maiores detalhes a respeito das tendências demográficas e suas interfaces com processos sócio-econômicos. Também apontam para lacunas remanescentes nas políticas públicas que obstaculizam o pleno aproveitamento das tendências demográficas. a. Fecundidade, Reprodução e Políticas de Saúde Sexual e Reprodutiva As transformações econômicas e sociais ocorridas no Brasil, especialmente durante as décadas 50 e 60 do século XX, provocaram o início de um rápido declínio na Taxa de Fecundidade Total (TFT). O processo de desenvolvimento foi consubstanciado na urbanização, industrialização, assalariamento em substituição à economia de subsistência, monetarização da economia, ampliação da cesta de consumo, redução da pobreza, diminuição da mortalidade infantil, inserção da mulher no mercado de trabalho, aumento dos níveis de educação formal e maiores exigências de qualificação da força de trabalho. Todos esses processos estão entre as transformações estruturais que possibilitaram a reversão do fluxo intergeracional de riqueza e induziram a redução do número médio de filhos por mulher. Entre as transformações institucionais que contribuíram para a queda das taxas de fecundidade encontram-se também os seguintes: a ampliação das políticas públicas na área da saúde e da medicalização da sociedade, a extensão da educação e da previdência (inclusive BPC e aposentadoria rural), a expansão do crédito, o desenvolvimento das telecomunicações, a ampliação do processo de secularização, a diversificação dos arranjos domiciliares, o progresso na legislação familiar e as mudanças nas relações de gênero e o empoderamento das mulheres. Por sua vez, a redução da fecundidade possibilitou a maior inserção feminina nos níveis superiores de educação e no mercado de trabalho, além de viabilizar a arrancada do desenvolvimento e a redução da pobreza, ao reduzir a razão de dependência demográfica em nível micro e macroeconômico. O Gráfico 2 mostra que a TFT passou de 6,3 filhos por mulher, em 1960, para 2,4 filhos no ano 2000, chegando ao nível de reposição (2,1 filhos por mulher) em 2005 e ficando em torno de 1,9 filhos por mulher no final da década. Como aponta a linha de tendência (exponencial), pode-se prever a continuidade dessa queda. O Gráfico também mostra que o número anual de bebês (nascidos vivos) havia aumentado até atingir o máximo de pouco mais de 4 milhões de nascimentos em1984, quando se iniciou uma redução do número anual de nascidos vivos no Brasil. Na segunda metade da primeira década do século XXI, esse número é menor do que aquele referente a A redução na quantidade de nascidos vivos no Brasil é ainda mais significativa se considerarmos que o número de mulheres em período reprodutivo continua aumentado ano a ano, devido às altas taxas de fecundidade do passado; essa coorte de mulheres em idades reprodutivas só deve apresentar redução a partir de As estimativas apontam para o início do declínio absoluto da população brasileira para a década de 2030, a menos que houver um fluxo de migração internacional que compense a reversão das taxas brutas de mortalidade e natalidade. 5

7 Gráfico 2: Taxa de Fecundidade Total (TFT) e número anual de nascidos vivos Brasil, Fonte: Censos demográficos, PNADs e projeção da população do IBGE, revisão 2008 Embora a taxa de fecundidade média esteja em torno de 1,9 filhos por mulher, como indicou a PNAD/2009, os diferenciais no padrão de fecundidade por nível sócio-econômico ainda são muito grandes. O Gráfico 3 mostra que a fecundidade é mais elevada nas parcelas da população de baixa renda, embora os diferenciais estejam se reduzindo à medida que a fecundidade atinge taxas reduzidas. O quintil mais baixo de renda apresentava fecundidade de 4,9 filhos por mulher em 1992, passando para 3,4 filhos por mulher em Já o quintil mais alto de renda, apresentava fecundidade de 1,5 filhos por mulher em 1992, caindo ainda mais para 1,0 filho por mulher em Gráfico 3: Taxa de Fecundidade Total (TFT) por quintil de renda (com correção), Brasil, 2009 Fonte: IPEA, Comunicado da Presidência nº 64. PNAD de outubro de 2010 Mesmo com fecundidade abaixo do nível de reposição, o padrão da fecundidade brasileira segue uma estrutura rejuvenescida. Ou seja, enquanto as mulheres com maiores níveis educacionais apresentam fecundidade mais tardia, as mulheres com menores níveis de escolaridade apresentam fecundidade 6

8 bastante precoce. Assim, ao contrário da segunda transição demográfica da Europa, a transição no Brasil se deu com um grande rejuvenescimento das taxas de fecundidade. No país nasciam em média mais de 600 mil crianças (20% do total) de mães menores de 20 anos (Berquó e Cavenaghi, 2005). Entretanto, a tendência de aumento da fecundidade destas mulheres, apresentada na década de 90, se inverteu na primeira década do século XXI, segundo os dados de várias fontes (PNAD, SINASC e Registro Civil). Embora os diferenciais de fecundidade tenham se reduzido, ainda existem diferenças significativas entre grupos sociais, e a fecundidade desejada não coincide com a fecundidade observada. O Gráfico 4 mostra que, em 2006, o número ideal de filhos para o total de mulheres em período reprodutivo era de 2,1 filhos por mulher. Para as mulheres com zero ou um filho, o número ideal estava abaixo de dois filhos e para as mulheres com dois ou mais filhos nascidos vivos, entre 2 e 3 filhos. A comparação dos Gráficos 3 e 4 sugere que a fecundidade observada das mulheres dos quintís mais altos de renda está abaixo da fecundidade desejada; enquanto isso, a fecundidade observada das mulheres do quintil mais baixo de renda está acima da fecundidade desejada. Portanto, o caso do Brasil apresenta fecundidade indesejada, não somente por excesso, mas também por falta. Gráfico 4: Número ideal de filhos para o total de mulheres por número de filhos vivos, Brasil, Fonte: Berquó, E., Lima, L.P., PNDS-2006, Relatório final, p A mídia e os formuladores de políticas públicas, comumente, têm dado muito destaque à questão da gravidez indesejada e da fecundidade em excesso ao número desejado, fato que ocorre com mais frequência entre a população pobre e nos grupos com baixos níveis educacionais. Mas pouca atenção tem sido dada para a fecundidade indesejada por falta, isto é, o número cada vez maior de mulheres que estão tendo menos filhos do que o número desejado. A última projeção do IBGE (2008) mostra que o número de mulheres no período reprodutivo vai começar a declinar por volta de 2025 e a TFT deve estar em 1,5 filhos por mulher na década de Este fato coloca a perspectiva de um rápido declínio populacional a partir da década de 2030, o que é reforçado por projeções do IPEA (Camarano e Kanso, 2009). Diversos autores já mostram preocupação com os supostos efeitos negativos do decréscimo populacional a partir de A validez dessa preocupação é discutível e vai ser afetada, tanto pelo comportamento 7

9 da migração internacional em direção ao Brasil e é legítimo esperar um aumento desses movimentos se o Brasil lograr a trajetória econômica e social positiva que as próprias entidades governamentais estão projetando como pela experiência dos países desenvolvidos em lidar com seus processos de envelhecimento populacional e crescimento negativo. 1 Desde agora, os estudos demográficos devem jogar um papel essencial, tanto no acompanhamento dos processos em curso naqueles países, como na projeção de tendências e na preparação de políticas proativas adequadas ao caso brasileiro. De qualquer forma, a fecundidade indesejada por falta é um problema de efetivação dos direitos reprodutivos. Muitas mulheres passam a ter menos filhos do que o desejado pelas dificuldades de garantir uma vida de qualidade para as crianças e pela dificuldade de conciliar o trabalho produtivo e reprodutivo. Neste sentido, as políticas sociais em geral e, em particular, as políticas de conciliação trabalho e família vão ser cada vez mais importantes para a recuperação da fecundidade, caso chegar a níveis muito abaixo da reposição. Já a fecundidade indesejada por excesso reflete o tradicional problema da falta de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva e de acesso aos métodos contraceptivos no momento, na quantidade e na forma demandada pela população de baixa renda. A falta de acesso aos serviços de saúde sexual e reprodutiva é tipicamente um problema de classe social, pois as parcelas mais abastadas da população podem suprir suas necessidades nesta área via o mercado privado, que trata este direito como uma transação econômica comum, dentro das regras da oferta e procura por serviços. O Brasil já avançou bastante na legislação que trata do planejamento reprodutivo. O Planejamento Familiar passou a ser tratado numa perspectiva de direitos com o lançamento do Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), em 1983, que concebia a questão da saúde da mulher de forma integral, não se detendo exclusivamente nas questões de concepção e contracepção. Em 1988, foi aprovada a Constituição Federal, em cujo 7º, do artigo 226 esta escrito que o planejamento familiar é livre decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou privadas. Em 1996 foi aprovada a Lei n , que regulamenta o 7º do art. 226 da Constituição Federal, o qual trata da questão do planejamento familiar no Brasil. Em 1999, foi publicada a Portaria nº 048, do Ministério da Saúde, para estabelecer normas de funcionamento e mecanismos de fiscalização para execução de ações de planejamento familiar pelas instâncias gestoras do Sistema Único de Saúde. Em 2005, já no governo Lula, o Ministério da Saúde e a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) lançaram a Política Nacional de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos cujos objetivos eram: a) Ampliação da oferta de métodos anticoncepcionais reversíveis no SUS o Ministério da Saúde se responsabilizando pela compra de 100% dos métodos anticoncepcionais para os usuários do SUS (até então, o Ministério era responsável por suprir de 30% a 40% dos contraceptivos - ficando os outros 70% a 60% a cargo das secretarias estaduais e municipais de saúde); b) Ampliação do acesso à esterilização cirúrgica voluntária no SUS, aumentando o número de serviços de saúde credenciados para a realização de laqueadura tubária e vasectomia, em todos os estados brasileiros; c) Introdução de 1 Até 1980, o Brasil era um receptor líquido de migração internacional e passou a ser um país com saldo líquido negativo nas últimas décadas. De acordo com dados do Ministério de Relações Exteriores, um total de brasileiros vivia no exterior em Porém, a redução do ritmo de crescimento da população economicamente ativa e o crescimento da economia e do emprego podem fazer o fluxo internacional se inverter mais uma vez. 8

10 reprodução humana assistida no SUS (Brasil, 2005 e 2006). Em 2007, o governo Federal lançou a Política Nacional de Planejamento Familiar, que tem como meta a oferta de métodos contraceptivos de forma gratuita para homens e mulheres em idade reprodutiva e estabelece também que a compra de anticoncepcionais seja disponibilizada na rede Farmácia Popular (UNFPA, 2008). Segundo balanço do Ministério da Saúde (período ), as compras de pílulas anticonceptivas passaram de 8,1 milhões de cartelas em 2003 para 50 milhões de cartelas em A compra de DIU passou de 41,7 mil unidades para 300 mil unidades, no mesmo período. O número de vasectomias passou de 19,1 mil, em 2003, para 34,1 mil em A distribuição anual de preservativos passou de 119,7 milhões de unidades no período para 465,2 milhões entre Foram instaladas máquinas de preservativos em escolas para oferecer meios de prevenção aos jovens. Em termos de valores, o investimento em pílulas e contraceptivos alcançou R$ 72,2 milhões em 2010, comparado com R$ 10,2 milhões em Inegavelmente, houve avanços na oferta de serviços de saúde sexual e reprodutiva no Brasil. Mas os problemas de logística ainda atrapalham a adequada disponibilidade dos meios de regulação da fecundidade e de acesso à saúde reprodutiva. A universalização dos serviços de saúde sexual e reprodutiva continua sendo tarefa imprescindível para reduzir a gravidez não desejada e não planejada e para libertar a sexualidade dos constrangimentos da reprodução intempestiva, especialmente para as mulheres mais pobres e das regiões mais distantes dos grandes centros urbanos. O número de atendimentos pré-natal no SUS passou de 8,6 milhões em 2003, para 19,4 milhões em A proporção de gestantes que realizaram 7 ou mais consultas de pré-natal passou de 43,7% para 55,8%, entre 2000 e Esta ampliação possibilitou a redução da mortalidade materna, embora provavelmente sem conseguir atingir a meta do quinto Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM), de 35 óbitos por 100 mil nascidos vivos, em O Gráfico 5 mostra a razão de mortalidade materna que estima a frequência de óbitos femininos ocorridos até 42 dias após o término da gravidez, atribuídos a causas ligadas à gravidez, ao parto e ao puerpério em relação ao total de nascidos vivos. Gráfico 5: Razão de mortalidade materna (por 100 mil nascidos vivos) ajustada, Brasil, Fonte: IPEA. Relatório Nacional de Acompanhamento ODM, Brasília, março

11 A razão de mortalidade materna havia sido estimada em 140 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 1990 e para 75 óbitos em Entretanto, um estudo recente realizado por um consórcio de organismos internacionais sugere que a mortalidade materna no Brasil teria caído ainda mais, pois estimou a mortalidade materna do Brasil em 58 por 100 mil nascidos vivos em 2008 (WHO, 2010:23). O certo é que, no período de 1990 a 2007, houve redução significativa em todas as principais causas de morte materna. Os óbitos maternos por hipertensão foram reduzidos em 62,8%; por hemorragia, 58,4%; por infecções puerperais, 46,8%; por aborto, 79,5% e por doenças do aparelho circulatório complicadas pela gravidez, parto e puerpério, 50,7%. Reduções adicionais da mortalidade materna, a níveis de um dígito como nos países desenvolvidos, exigiria não somente melhorias na extensão e qualidade dos serviços de saúde, inclusive de saúde reprodutivo, mas também reduções significativas nos níveis de pobreza e desigualdade e a melhoria das condições de vida da população, especialmente daqueles setores mais pobres concentrados em favelas urbanas. A questão do aborto legal no Brasil foi bastante discutida na campanha das eleições presidenciais de Certamente, o tema da discriminação do aborto e do atendimento ao aborto legal devem voltar à discussão pública no próximo quinquênio. Na verdade, existe uma forte relação entre a meta de universalização dos serviços de saúde sexual e reprodutiva e a redução do número de abortos, que acontecem por conta do alto número de gravidezes não desejadas. A redução da gravidez indesejada pode contribuir para a redução do número de abortos, além de reduzir o custo do sistema de saúde com as sequelas provocadas pelo aborto inseguro. b. Mudanças na estrutura etária: bônus demográfico, juventude e arranjos familiares O rápido descenso da fecundidade descrito no item anterior gerou conseqüências que vão muito além da redução do ritmo de crescimento populacional. Os impactos desse declínio na estrutura populacional mudaram radicalmente a composição da sociedade brasileira, trazendo benefícios potenciais e algumas inquietações no curto prazo, assim com responsabilidades adicionais no médio prazo. O Gráfico 6 apresenta a distribuição por sexo e idade da população brasileira no último Censo Demográfico. Gráfico 6: Distribuição por sexo e idade da população brasileira, 2010 Fonte: Censo demográfico de 2010, do IBGE 10

12 O Gráfico mostra que o Brasil passou de uma população jovem para uma população que está mais concentrada nas idades adultas. Inevitavelmente, a estrutura vai evoluir com certa rapidez para uma população envelhecida. Essas mudanças na estrutura etária da população, provocadas pela transição demográfica do país constituem uma das principais forças que tem atuado no sentido de propiciar um ambiente favorável ao crescimento econômico e à redução das desigualdades e da pobreza. O principal impacto dessa mudança no curto prazo é refletido na razão de dependência. O Gráfico 7 mostra que a razão de dependência demográfica no Brasil vem caindo desde 1980, enquanto a percentagem da população em idade ativa PIA (população de anos) sobre a população total vem aumentando. Segundo Alves (2008), o chamado bônus demográfico ocorre no período em que a PIA (em percentagem) é maior do que a Razão de Dependência (em percentagem). Desta forma, o que se nota é que a diferença entre as duas curvas vem aumentando desde meados da década de 1990 e deve continuar aumentando até 2020, abrindo a janela de oportunidade demográfica. A menor razão de dependência demográfica tem efeitos macroeconômicos e microeconômicos. No plano macro, a menor razão de dependência possibilita a melhora da relação entre o número de pessoas em idade ativa e pessoas em idades dependentes. Havendo crescimento econômico e geração de emprego no país, esta situação favorece o aumento da poupança agregada e a geração de recursos disponíveis para o aumento das taxas de investimento, condição essencial para a decolagem (takeoff) econômica. Quanto maior o crescimento econômico e a geração de emprego em termos quantitativos e qualitativos (trabalho descente), maior é a formação de capitais e recursos necessários para o crescimento econômico, o investimento em infra-estrutura física, social e humana. Gráfico 7: Razão de dependência demográfica e percentagem da População em Idade Ativa (PIA), Brasil: Fonte: Projeção da população do Brasil por sexo e idade: , IBGE, 2008 No plano micro, ocorre algo semelhante, pois a menor razão de dependência no seio da família permite que os adultos acumulem recursos para investimento em capital humano, em si próprio e nos filhos, melhorando as condições de procura por trabalho produtivo e melhores condições de renda e consumo, rompendo com o ciclo intergeracional de pobreza. O crescimento econômico (com geração de emprego) 11

13 e o bônus demográfico, quanto ocorrem juntos, formam um círculo virtuoso capaz de romper com o círculo vicioso das armadilhas da pobreza (poverty trap). Existem diversos estudos sobre as mudanças na estrutura etária e o bônus demográfico no Brasil e na América Latina, mostrando como os processos demográficos contribuem para o desenvolvimento econômico (Martine, Carvalho e Árias, 1994; Carvalho e Wong, 1995; Rios-Neto, 2005; Turra e Queiroz, 2005; Hakkert, 2007). Por exemplo, o crescimento da PIA e a redução da Razão de Dependência contribuíram para o crescimento dos segmentos de renda média, conforme mostrado mais adiante neste texto. Dentre os fatores que contribuíram para a redução da pobreza e o aumento da classe média estão as mudanças na dinâmica familiar e o aumento da entrada da mulher no mercado de trabalho. A diminuição do tamanho das famílias, o crescimento do número de casais sem filhos e de casais de dupla renda, como a família DINC (Duplo Ingresso, Nenhuma Criança o Double income, no kids ) fazem com que exista maior parcela de renda disponível para o investimento e o consumo das famílias. Na verdade, o Brasil está passando por grandes mudanças nas famílias e nos domicílios, que potencializam mudanças sociais importantes. O Gráfico 8 mostra que a família hegemônica, constituída por um casal com filhos, diminuiu de 62,8% para 49,9% entre 1992 e Cresceram as famílias constituídas pelos casais sem filhos de 11,7% para 16,2% - e as monoparentais femininas que passaram de 12,3% para 15,4% no mesmo período. Também houve um aumento dos arranjos unipessoais, tanto femininos quanto masculinos. Gráfico 8: Distribuição dos arranjos familiares brasileiros pelo tipo de arranjo, 1992 e 2009 Fonte: PNADs 1992 e 2009, segundo Comunicado da Presidência IPEA Nº 64, outubro de 2010 As transformações nas famílias foram acompanhadas pela redução do número de pessoas por domicílios e pelo aumento do número de cômodos nos domicílios (mostrando que existe mais disponibilidade de cômodos por pessoa). A percentagem de domicílios com 5 ou mais cômodos passou de 52%, em 1970, para cerca de 70%, em Já o número médio de moradores por domicílio passou de 5,3 pessoas, em 1970, para 3,8 pessoas, em 2000 e chegou a 3,3 pessoas, segundo o censo Os dados iniciais do 12

14 censo 2010 também indicam que enquanto a população brasileira cresceu 12,3%, na última década, o número de domicílios particulares aumentou em 25%, o que deve ter contribuído para a redução do déficit habitacional (somente com a divulgação dos resultados da amostra se poderá calcular o tamanho do déficit de moradias). O censo 2010 também indicou a existência de mais de 6 milhões de domicílios vagos, além de quase 4 milhões de domicílios para uso ocasional. No curto e médio prazos, portanto, o desafio econômico é investir em recursos humanos e gerar atividades produtivas num ritmo compatível com a expansão da PIA durante o período do bono demográfico. Por sua vez, essa preocupação com a inclusão produtiva da população jovem se insere dentro de um contexto social mais amplo a transição para a vida adulta. No Brasil, como no resto da América Latina, observa-se a iniciação de certos comportamentos a uma idade mais jovem, junto com o retardamento de diversas etapas da transição da juventude para a vida adulta. Por um lado, a iniciação sexual tende a ser mais precoce que em gerações anteriores. Isto tem sido acompanhado, no passado, por aumentos significativos na gravidez de adolescentes, fato que inevitavelmente alterou a trajetória de muitas jovens na sua transição à vida adulta. Nos últimos anos, a maior incidência de gravidez entre adolescentes tem se restringido mais às populações de baixa renda e com menos acesso à educação sexual e à saúde reprodutiva. Por outro lado, os jovens de hoje saem mais tarde da escola, entram mais tarde no mercado de trabalho, custam mais a sair da casa dos pais e se casam mais tarde do que as gerações anteriores (Camarano, 2006). A postergação desses eventos críticos no caminho em direção à vida adulta, assim como o crescimento da participação simultânea na escola e no trabalho tornou esse processo de transição mais complexo e heterogêneo. A maior escolaridade das mulheres e a maior participação no mercado não as liberou completamente dos moldes tradicionais de comportamento. A postergação da vida adulta centrada no binômio trabalho/família, e as dificuldades do exercício da cidadania no contexto de grandes desigualdades sociais, pode ser um dos fatores que leve os jovens, particularmente do sexo masculino, a buscar sua identidade na associação com gangs e com a criminalidade violenta. Estes fatores estariam na base das elevadas taxas de mortalidade de jovens analisadas em outro segmento deste texto. Observa-se, portanto, que o aproveitamento da janela de oportunidade representado pelo bônus demográfico não depende apenas de investimentos produtivos e de melhoria da situação educacional, mas também de uma re-adequação da transição social para a vida adulta. É fundamental que existam oportunidades de trabalho, empregos decentes e inserção produtiva dos jovens. É preciso ter maior articulação entre a universidade, a sociedade e as empresas para que os jovens não desperdicem os melhores anos da juventude. A médio e largo prazos, porém, o desafio é outro como conviver com a expansão acentuada da população idosa, a elevação da razão de dependência e as mudanças no perfil da demanda por serviços de saúde e de seguridade social? Como mostram os problemas enfrentados pelos países desenvolvidos, onde a população idosa já constitui de 15 a 25% da população total, não se pode esperar até que esta situação se concretize para começar a tomar as providências necessárias. É preciso ir criando, desde agora, os ativos e os mecanismos que vão permitir fazer essa transição etária de maneira harmoniosa. Em primeiro lugar é fundamental garantir o pleno emprego para que as pessoas possam ter renda e criar ativos na idade produtiva, que possam servir de base para uma vida saudável e ativa na terceira idade. 13

15 Em segundo lugar, o sistema de proteção social do país precisa garantir mecanismo de apoio à população mais carente que não tem mecanismos de capitalização via mercado. No atual momento, os recursos transferidos no âmbito da seguridade social no Brasil vêm apresentando uma participação crescente na formação da renda das famílias. O crescimento da cobertura e o aumento do valor dos benefícios da seguridade social têm tido um papel cada vez mais destacado no sistema de proteção social no país, especialmente para a população idosa e para as pessoas portadoras de deficiência. A expansão da cobertura e o aumento do valor dos benefícios do BPC/LOAS têm um impacto considerável sobre a redução da pobreza, pois beneficia pessoas e famílias de baixa renda e principalmente dos municípios pequenos das regiões menos desenvolvidas do Brasil. Ao mesmo tempo, muitos destes beneficiários do BPC passam a ser arrimos das suas famílias, possibilitando um acesso mínimo à renda monetária que também desempenha um papel de dinamizador relevante (via efeito multiplicador) da atividade econômica em localidades menos desenvolvidas (Barros, 1999; Beltrão, 2005; Camarano, 2005). Entretanto, a médio e longo prazo, o crescimento acelerado do contingente de idosos e de inválidos vai inviabilizar esse tipo de ação assistencial na escala requerida se não forem adotadas, desde já, políticas visando aumentar a contribuição e não se fizerem os ajustes atuariais necessários no sistema previdenciário. Ampliar a base dos contribuintes é um mecanismo essencial para elevar as receitas previdenciárias. Mas também é preciso reduzir as fraudes do sistema, a falta de controle das aposentadorias especiais e a generosidade que possibilita aposentadorias precoces. c. Migração, urbanização e desenvolvimento regional No início do século XX, apenas uma pequena fração da população brasileira residia nas cidades. Mas a população urbana chegou aos 50% do total em meados da década de 1960, ultrapassou os 80% no ano 2000 e chegou a 84,4% no ano A migração interna e a urbanização representaram alguns dos principais componentes e dinamizadores das transformações sociais, econômicas, demográficas, culturais e políticas vividas pelo Brasil no século XX. Durante o período 1930 a 1980, os movimentos migratórios no Brasil foram marcados por duas tendências opostas de dimensões diferenciadas. Por um lado, o país experimentou três movimentos sucessivos de migração rural-rural em direção às fronteiras agrícolas do momento. Assim, nas décadas de 30 e 40, observaram-se movimentos em direção à fronteira do Paraná; nas décadas de 50 e 60, os movimentos se dirigiram mais para o Centro-Oeste e o Maranhão enquanto que, nas décadas de 70 e 80, a direção preferencial era a fronteira amazônica. Nos três casos, a migração rural-rural era composta por uma maioria de homens movidos pela vontade de ter acesso a terras agrícolas. Enquanto isso, os movimentos rural-urbanos foram estimulados pela adoção de um modelo de industrialização via substituição de importações, depois da crise econômica mundial de Em seguida, foram intensificados pelo aumento do crescimento vegetativo que resultou da redução progressiva da mortalidade e pelos resultados de outras políticas públicas visando beneficiar o crescimento industrial e a melhoria das condições de vida nas cidades. O número de localidades urbanas e a proporção da população total residente nelas cresceram rapidamente. Os fluxos se concentraram no Sudeste, e particularmente em São Paulo, centro do novo dinamismo industrial. A adoção de um modelo de modernização agrícola conservador pelo governo militar que tomou o poder em 1964, visando 14

16 aumentar a produtividade sem alterar a estrutura social predominante, utilizando para isso o crédito subsidiado, resultou na expulsão massiva do campo de pequenos produtores de todo tipo, provocando uma aceleração da migração rural-urbana, conforme mostrado na Tabela 1. Um total de 41 milhões de migrantes rural-urbanos foi buscar novas oportunidades de emprego e sobrevivência nas localidades urbanas entre Este número equivale a mais da metade do crescimento populacional do país no período. Tabela 1: Estimativas da migração rural urbana líquida (em milhões), por sexo, Brasil Sexo * * # # º º Homens Na Na Mulheres Na Na Total Migrantes rural-urbanos como % da população rural no início da década 10% 21% 35% 42% 24% 27% Fonte: Calculado com base nos dados dos diversos Censos Demográficos do IBGE * Martine (1987: 60 61); #Carvalho e Garcia (2002), tabelas 92, 185 e 284 ; º Rodriguez e Busso (2009: 120) Como resultado dessas transformações, conforme pode ser observado no Gráfico 9, o Brasil em 1950 já tinha avançado para um nível de urbanização (i.e. - % da população total residindo em áreas urbanas) que somente hoje foi conseguido pelos continentes da Ásia e da África. Gráfico 9 Evolução do Nível de Urbanização, Brasil, África e Ásia, % 80% 60% 40% 20% Brasil África Ásia 0% Fonte: United Nations, 2010a Assim, na segunda metade do século 20, o Brasil experimentou uma das mais aceleradas transições urbanas da história mundial. Esta transformou rapidamente um país rural e agrícola em um país urbano e metropolitano, no qual grande parte da população passou a morar em cidades grandes. Uma das características mais marcantes do processo de urbanização ao longo do período foi justamente a concentração progressiva da população urbana em cidades cada vez maiores. Hoje, dois quintos da população total residem em uma cidade de pelo menos um milhão de habitantes. 15

17 Em suma, o período foi marcado principalmente por um processo constante de crescimento urbano e de concentração da população em cidades cada vez maiores. Em termos regionais, esse aumento se concentrava na região Sudeste, especialmente nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo que foram ganhando participação relativa na população total do país. Ao longo do período econômico marcado pela industrialização via substituição das importações ou seja, de 1930 até a década de 80 a migração rural-urbana no Brasil registrou saldos líquidos negativos do Nordeste e saldos positivos da região Sudeste, em especial, do estado de São Paulo. As mulheres predominavam nessa migração, tornando as áreas urbanas fortemente femininas e as áreas rurais fortemente masculinas. Esse processo era movido por diferentes etapas do processo de desenvolvimento nacional e nutrido pelo crescimento demográfico que alimentava o estoque de migrantes-em-potencial nas áreas rurais. Nas últimas décadas, porém, na medida em que a população urbana vem aumentando de tamanho, o crescimento vegetativo da população residente nas próprias cidades passou a representar uma parcela maior do aumento demográfica nas localidades urbanas do que a migração rural-urbana. Atualmente, o crescimento vegetativo representa mais de dois terços de todo o crescimento urbano. Esse fato é de grande importância política, pois realça a futilidade de políticas que, até hoje, pretendem impedir ou retrasar o crescimento urbano via medidas que tentam dificultar o assentamento de migrantes. Depois de meio século de urbanização concentradora, o Censo Demográfico de 1991 revelou uma interrupção significativa dessa tendência que parecia, até então, inexorável. Assim, a taxa de crescimento urbano caiu de 4,2% a.a. na década de 70 para 2,6% na de 80. Todas as categorias de tamanho de cidades sofreram uma redução, mas a queda foi mais significativa nas cidades metropolitanas. Na década de 70, as dez maiores aglomerações tinham se responsabilizado por 41% de todo o crescimento urbano nacional; na de 80, essa proporção caiu para 30%. O ritmo frenético de urbanização e de metropolização que tinha perdurado ao longo de meio século havia finalmente sido interrompido, para surpresa de todos. Essa queda na velocidade do crescimento e da concentração urbana persistiu também durante a década de 90 e deve continuar no século XXI, embora os dados pertinentes ainda não estejam disponíveis. Ao mesmo tempo, observou-se uma redução da tendência da concentração de atividade econômica e população na região Sudeste. A partir dos anos 80, a urbanização passou a apresentar uma tendência de desconcentração regional, com o Sudeste perdendo posição para o Centro-Oeste e o Norte. Na atualidade, esses fluxos tradicionais se modificaram. Inclusive, observa-se um refluxo importante da migração partindo agora do Sudeste para o Nordeste. A região metropolitana de São Paulo perdeu participação para o interior do estado de São Paulo e para o resto do país. Entre os diversos fatores que podem ter contribuído para essa mudança no padrão de urbanização brasileira, três merecem ser destacados: a queda acelerada da fecundidade, a crise econômica que assolou a região na década de 80 e em parte da década de 90, e a culminação de um processo natural de desconcentração da atividade produtiva (Martine e McGranahan, 2010). Por outro lado, o processo de desconcentração relativo observado nas décadas de 80 e 90 não deve ofuscar a continuação do predomínio das grandes metrópoles no cenário urbano nacional. Mesmo nessas duas décadas de crescimento reduzido, as nove Regiões Metropolitanas tiveram um aumento populacional absoluto maior que o aumento verificado nas próximas 52 cidades juntas, conforme mostra a Tabela 2. 16

18 Tabela 2: Crescimento absoluto e relativo das Regiões Metropolitanas e outras aglomerações urbanas, Brasil e Tipo de Grande Concentração Urbana Taxa de crescimento Incremento absoluto (em Anual 000s) Regiões Metropolitanas (9) 2,00 1, Núcleos das RMs 1,36 1, Periferia das RMs 2,79 3, Outras aglomerações metropolitanas (17) 3,31 2, Outras aglomerações não-metropolitanas (35) 3,21 2, Fonte: IBGE, Censos Demográficos, apud Baeninger (2004), tabela 2, e Torres, 2002, tabela 1, p. 149 Vale observar também que o arrefecimento do crescimento metropolitano foi basicamente um fenômeno de estagnação nos municípios-núcleos, pois as periferias das grandes metrópoles persistiram num ritmo acelerado de crescimento. Esses subúrbios continuam atraindo migrantes de baixa renda até hoje, inclusive aqueles vindo de outras áreas da própria cidade. Não surpreende o fato de que as periferias concentram os maiores problemas de favelização, assentamentos informais, infra-estrutura precária, conflitos ambientais, desorganização social e violência. Na média, a população das periferias das nove Regiões Metropolitanas tem uma renda equivalente a 56% da renda dos habitantes do município núcleo (Torres, 2002). Julgado em termos do número e tamanho de cidades, do peso das cidades na geração do PIB e do desenvolvimento da rede urbana, pode-se dizer que a urbanização brasileira já atingiu um grau elevado de maturidade. A maioria da sua população vive em cidades grandes que compõem uma rede urbana extensa e diversificada. São cidades que já não crescem a ritmos apressados como no passado, mas que geram 90% do PIB nacional. No contexto da economia mundial globalizada, na qual as cidades, especialmente as maiores, levam uma vantagem competitiva, essa concentração deveria representar um ganho comparativo importante. Entretanto, essa vantagem pode estar sendo prejudicada pelas dificuldades sociais e ambientais que caracterizam muitas cidades brasileiras. A maioria da população urbana de baixa renda no Brasil vive em lugares e moradias inadequados, devido à ausência de medidas apropriadas para preparar e acomodar o crescimento urbano. Esse descaso caracteriza a expansão urbana das últimas oito décadas e ainda persiste nos dias de hoje. Apesar de muitas décadas de crescimento rápido e da proliferação de favelas em quase todas as cidades, os assentamentos informais têm sido tratados como problemas transitórios de ordem pública que vão desaparecer sozinhos com o desenvolvimento, ou que precisam ser eliminados. Na maioria dos casos, o poder público somente se intromete para tentar impedir esse crescimento. Muitos anos depois da instalação dos assentamentos, porém, são frequentemente geradas pressões para tentar resolver esses cancros e/ou para angariar os votos da população que vive nele. Essas atitudes negativas em relação aos 17

19 assentamentos informais são coerentes com as normas e valores de uma sociedade desigual que, historicamente, raramente tem priorizado as necessidades e os problemas de sua população mais pobre. Parte do problema reside na oposição ideológica e política tradicional ao crescimento urbano. As iniciativas governamentais, seja em nível federal, estadual ou local, sempre tenderam a retardar ou impedir o crescimento urbano em vez de ordená-lo. Estudos recentes sugerem que, em muitos lugares, a ausência de uma atitude proativa em relação às necessidades de moradia dos pobres representa muito mais que apatia. Tem sido parte de um esforço explícito e sistemático por parte de tomadores de decisão locais para obstruir o assentamento e a permanência de pobres, especialmente migrantes, nas suas cidades. Nesta linha, diversos municípios têm adotado a prática de dificultar o acesso à compra de lotes, inclusive impondo regulamentos utópicos e irrealistas com relação ao tamanho mínimo do lote, com a clara intenção de afastar compradores de baixa renda. Outras medidas, como recusar o acesso à água, saneamento, transporte e outros serviços são utilizadas para impedir a vinda de migrantes e o crescimento urbano (Feler e Henderson, 2008). Esse tipo de iniciativa de parte do poder público local tem implicações que extrapolam os seus efeitos imediatos sobre a migração. No curto prazo, os pobres têm que se virar para encontrar um espaço para morar: na melhor das hipóteses, a população de baixa renda é obrigada a comprar terrenos a preços mais elevados de provedores informais. Os outros menos afortunados estabelecem suas residências precárias em lugares ilegais, inadequados ou perigosos, tais como em áreas de proteção ambiental, encostas de morros, terrenos contaminados ou à beira de rios, sempre sujeitos à instabilidade ou ao despejo e vulnerável às intempéries climáticas. A falta de uma moradia fixa num lugar adequado está na raiz da incapacidade de se beneficiar de tudo que a cidade pode oferecer em termos de emprego, serviços e bem-estar. Práticas como essas que limitam a acesso da população mais pobre à cidade infringem os direitos básicos desse grupo, mas também têm outras implicações notáveis de maior alcance. Favorecem o crescimento de bairros marginalizados e insalubres em qualquer parte da cidade. Isto contribui para a vulnerabilidade e para a multiplicação de ambientes insalubres, ao mesmo tempo em que favorece a desorganização social e a criminalidade. Também contribui para a degradação ambiental e está na raiz das grandes calamidades públicas, como esta que acaba de destruir a região serrana próxima ao Rio de Janeiro. Tudo isto afeta a capacidade das cidades para competir por investimentos e, portanto, acaba reduzindo a geração de emprego e a base fiscal nessas localidades. Para reverter as tendências atuais que favorecem a continuada expansão de setores informais, teriam que ser adotadas duas iniciativas que são difíceis de implementar numa sociedade marcada pelo privilégio e pela desigualdade e na qual se trata os bairros pobres como cancros. Primeiro, teriam que ser abolidas essas medidas que discriminam explicitamente contra o assentamento de populações mais pobres. Ao mesmo tempo, os mercados de terra distorcidos que caracterizam as áreas urbanas teriam que ser regulados e a população pobre protegida de maneira positiva contra as práticas abusivas de especuladores imobiliários e de empresários do setor informal. Segundo e ainda mais importante, o setor público precisaria tomar uma atitude proativa em relação às necessidades futuras de solo urbano para a população mais pobre. A maioria das cidades dispõe de terras aptas que estão sendo mantidas em reserva por especuladores. Medidas enérgicas teriam que ser tomadas para taxar essas propriedades especulativas e viabilizar a sua integração ao mercado formal. 18

20 Em suma, muitos dos problemas ambientais enfrentados pelas cidades brasileiras são intimamente ligados com questões sociais e os dois têm suas origens na falta de uma postura proativa da sociedade brasileira e do poder público com relação ao crescimento urbano. Reverter a postura histórica de descaso com a situação do contingente mais numeroso no crescimento urbano do país e adotar políticas mais adequadas visando a acomodação do crescimento urbano inevitável tornaria as cidades brasileiras mais humanas, mais sustentáveis e mais competitivas. Tal reversão exige a realização de um processo de conscientização junto a políticos e administradores urbanos para que eles passem a aceitar e aproveitar o dinamismo do crescimento. Por sua vez, isto exige análises e informações atualizadas referentes à forma, localização e composição do crescimento urbano. No atual momento, a atenção deve ser concentrada no ordenamento e na humanização do crescimento nas periferias urbanas das maiores cidades. 4) Panorama social: redução da pobreza e da desigualdade de renda a. Pobreza e Desigualdade A pobreza sempre fez parte da história brasileira. Sendo um fenômeno multidimensional e complexo, a pobreza pode ser medida de diversas maneiras. O Gráfico 10, que mostra o percentual de pessoas com renda domiciliar per capita igual ou inferior à linha de pobreza e igual ou inferior à linha de indigência ou extrema pobreza, para o Brasil, entre os anos de 1976 e Gráfico 10: Percentual de pessoas com renda domiciliar per capita inferior às linhas de pobreza e indigência, Brasil: Fonte: IPEADATA, 2009, com base nos dados das PNADs do IBGE Nota: não houve aplicação da PNAD nos anos de 1980, 1991, 1994 e Observa-se que o percentual de pobres no país se manteve em torno de 40% até Somente após o Plano Real de 1994 é que houve uma queda mais consistente do nível de pobreza, o qual perdurou com níveis pouco abaixo de 35% entre 1995 e Contudo, a queda mais consistente da pobreza aconteceu nos anos recentes, pois o nível caiu para menos de 30% em 2006 e atingiu o recorde de baixa de 21,4%, em Uma queda consistente em relação à proporção de indigentes também aconteceu a partir de 2004, e, pela primeira vez, o percentual ficou abaixo de 10%, em 2006, chegando a 7,3% em Ou seja, a pobreza e a indigência continuaram caindo, mesmo com os impactos da crise econômica mundial 19

21 e com a redução do PIB per capita no Brasil. Em grande, isto se deve às políticas sociais adotadas e sugere que esta tendência deva continuar no quinquênio Em termos absolutos, o número de pobres no Brasil passou de 49,2 milhões em 1995, para 58,3 milhões em 2003, e só a partir desta data passou a apresentar redução absoluta, chegando a 39,6 milhões de pessoas em 2009, montante equivalente à população da Argentina. O número absoluto de indigentes era de 20,8 milhões em 1995, passou para 24,3 milhões em 2003 e baixou para 13,5 milhões em 2009, montante equivalente a toda a população do Equador. Portanto, a pobreza e a indigência estão se reduzindo em termos relativos e absolutos, mas os números ainda representam um obstáculo grave para o desenvolvimento sustentável no país. Os avanços econômicos e sociais descritos acima no Brasil também tiveram seu significado prático diminuído por um grau muito elevado de desigualdade. Os dados apresentados no Gráfico 11 mostram que, pela primeira vez, o país apresentou algum progresso nesse terreno durante os últimos anos. O coeficiente de Gini, que mede o grau de concentração da renda, sempre foi muito alto no Brasil, em torno de 0,60. Contudo, a partir do ano 2001, observa-se uma queda contínua da desigualdade até atingir um coeficiente de 0,543 em 2009, o menor nível desde o início da série. Gráfico 11: Coeficiente de Gini da renda domiciliar per capita, Brasil: Fonte: IPEADATA, 2010, com base nos dados das PNADs do IBGE Os dados referentes à queda da concentração da renda por domicílios apresentam tendências similares. A parcela da renda apropriada pelo estrato de 1% mais rico da população (em torno de 14% da renda total domiciliar) era superior à parcela apropriada pelos 50% mais pobres (em torno de 12%) na segunda metade da década de Já na atual década, diminuiu um pouco a parcela apropriada pelo estrato 1% mais rico de 13,9% em 2001 para 12,1% em 2009 enquanto subiu a parcela apropriada pelos 50% mais pobres de 12,6% para 15,5% no mesmo período. Essa queda recente da desigualdade surpreendeu os estudiosos do assunto, já que a desigualdade parecia um fato impossível de se mudar no Brasil. Entretanto, já surgem estudiosos otimistas com o processo de redução da desigualdade de renda (Soares, 2008:5). De qualquer forma, a desigualdade brasileira continua sendo uma das mais altas do planeta e o desenvolvimento nacional somente poderá ser atingido com uma diminuição drástica deste indicador. 20

22 b. Mercado de trabalho e renda O crescimento econômico, juntamente com a transição demográfica, possibilitou um aproveitamento maior do potencial produtivo da força de trabalho brasileira. O Gráfico 12 mostra que a População Economicamente Ativa (PEA) passou de 43,2 milhões em 1980 (representando 36,3% da população total) para 101,1 milhões em 2009 (representando 53% da população total). Nota-se que o percentual de pessoas ocupadas ou procurando trabalho (PEA) cresceu bastante nas últimas décadas, representando uma elevação do percentual dos produtores e uma redução dos dependentes no conjunto da população. Isto significa que o mercado de trabalho está contribuindo para a geração de riqueza e para a redução da pobreza. Segundo o Ministério do Trabalho, com base nas informações do Cadastro Geral de Emprego e Desemprego (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), o número de empregos formais no Brasil passou de 28,7 milhões, em 2002, para 43,5 milhões, em Nos últimos 8 anos, houve a criação de cerca de 15 milhões de empregos com carteira de trabalho. O crescimento do emprego, especialmente aquele com carteira assinada ou com contribuição à previdência, foi responsável pelo aumento da massa salarial que se manteve estagnada entre 1998 a 2002 (com valor aproximado de R$ 36 bilhões), mas passou a crescer ano a ano a partir de Sem dúvida, a trajetória de crescimento do emprego e da massa salarial foi um dos motivos que contribuiu para a redução da pobreza e da desigualdade no chamado qüinqüênio virtuoso ( ) brasileiro. Após a crise de 2009, o nível de emprego e renda voltou a subir em 2010, reforçando o processo de inclusão social. Gráfico 12: População total e População Economicamente Ativa (PEA) como percentagem da população total, Brasil: Fonte: IBGE, Censos demográficos 1980, 1991 e 2000 e PNAD, 2009 Outras informações complementares indicam uma grande redução da PEA de menor escolaridade (analfabetos até 3 anos de estudo) e também uma pequena redução do grupo de 4 a 10 anos de estudo. Ao mesmo tempo houve um crescimento significativo da PEA com maior escolaridade (11 anos e mais), que passou a ser o maior grupo da PEA a partir de Sem dúvida, uma força de trabalho mais educada é essencial para uma economia mais produtiva e com melhor qualidade de vida para todos. Resta, porém, a questão da qualidade da educação brasileira; a posição ocupada pelo Brasil nos testes 21

23 internacionais de leitura, ciência e matemática mostra repetidamente o fosso que ainda existe nesse particular, em relação a muitos outros países, desenvolvidos ou em desenvolvimento. Os últimos anos da década passada foram marcados pelo crescimento do emprego formal (ganho de direitos legais) e redução do desemprego. Considerando as taxas médias anuais, a queda no desemprego foi de 12,3% em 2003, para 7,9% em 2008, e para 6,7% em Embora o Brasil ainda esteja longe de atingir o pleno emprego decente, o novo quinquênio ( ) começa com o melhor cenário dos últimos 30 anos. Já existem diversos líderes empresariais reclamando da escassez de mão-de-obra (FSP, 27/12/2010). Porém, embora o Brasil possa apresentar apagão de mão-de-obra em alguns setores específicos da produção que precisam de alguma força de trabalho mais especializada ou em regiões que contam com investimentos elevados para projetos especiais, o país ainda conta com crescimento absoluto da PIA e tem uma grande parcela da população fora da PEA ou em situação de informalidade (isto é especialmente válido para a força de trabalho feminina). Uma escassez relativa desse fator de produção, a mão-de-obra, pode contribuir para a elevação da produtividade do trabalho e melhorar a renda média do país. Para administrar o país em situação de pleno emprego, o atual governo precisa garantir uma gestão macroeconômica adequada, com responsabilidade fiscal, o que poderia acelerar o processo de erradicação da pobreza, sem grandes pressões sobre a inflação. c. Crescimento da classe média O crescimento do emprego e da renda, conjugado com a redução do desemprego e das desigualdades sociais tem permitido a formação de um mercado de consumo de massas e o crescimento do poder de compra de parcelas cada vez maior da população brasileira. A pesquisa A Nova Classe Média", da FGV, coordenada por Néri (2008), mostra a emergência da nova classe média como um fenômeno que aconteceu paralelamente à redução da pobreza. Em 1993, a classe média (ou classe C) representava pouco menos de um terço da população brasileira (30,9%), ficou em torno de 36,5% entre 1995 e 2003, passando, entre 2004 e 2008, de 42,26% para 51,89% do total de famílias. Pela primeira vez, o Brasil pode ser definido como um país de classe média. O fato é que houve uma aceleração do processo de mobilidade social ascendente durante os últimos anos no Brasil, o que possibilitou o crescimento das classes A, B e C e uma diminuição das classes D e E. A ampliação do consumo tem uma relação com a dinâmica demográfica, pois a redução da pobreza e o crescimento da classe média contribuem para reduzir o tamanho das famílias. Arranjos familiares menores e com menor razão de dependência, por outro lado, contribuem para a maior inserção da mulher no mercado de trabalho, o que aumenta o poder de consumo das famílias. Existe, pois, uma dupla determinação, com o crescimento do poder de consumo das famílias contribuindo para a redução da fecundidade e o menor número de filhos (especialmente aqueles de 0 a 14 anos) colaborando para maior renda per capita da família. Os programas sociais têm sido importantes nesta mobilidade social. Com a crise econômica e a perda de dinamismo do mercado de trabalho ocorrida na chamada década perdida, e sua prolongação durante a década de 1990, os diversos governos brasileiros do período foram ampliando seus programas sociais, visando mitigar as condições de pobreza do país. Para unificar os diversos programas existentes e responder às questões de segurança alimentar previstas no Programa Fome Zero, foi criado no Brasil, em 2003, durante o primeiro governo Lula, o Programa Bolsa Família (PBF). 22

24 O PBF é um programa de transferência direta de renda com condicionalidades (TRC), desenhado para favorecer famílias em situação de pobreza e exclusão social, buscando garantir o direito básico à alimentação e o exercício da cidadania, por meio do reforço ao acesso aos direitos elementares à educação e à saúde, visando contribuir para que as famílias consigam romper o ciclo da pobreza entre as sucessivas gerações. Ao contrário do BPC que beneficia mais as pessoas idosas e as pessoas com deficiência, o PBF beneficia mais as famílias com filhos até 17 anos. Contudo o valor do benefício é bem menor do que o do BPC e os reajustes não seguem o reajuste do salário mínimo. No ano de 2008, o benefício médio mensal do PBF foi de R$ 80,00, o que representa cerca de 20% do valor do salário mínimo (R$ 415,00), prevalecente na maior parte do ano. O Gráfico 13 mostra a evolução do número de famílias beneficiadas pelo PBF e o montante de recursos aplicados. Nota-se que já em 2003, ano da unificação dos diversos programas anteriores e de criação do PBF, foram beneficiadas 3,6 milhões de famílias. Este número chegou a 12,9 milhões de famílias em Os recursos aplicados passaram de R$ 3,4 bilhões, em 2003, para R$ 13,1 bilhões em O crescimento no número de famílias foi de 458% e o crescimento dos recursos de 485%, entre 2003 e Gráfico 13: Número de famílias beneficiadas e recursos aplicados pelo PBF, Brasil: Fonte: MDS, Para o Brasil como um todo, 19,5% dos domicílios recebia o benefício. De modo geral, pode-se dizer que os Estados menos desenvolvidos são os que apresentam os maiores percentuais de beneficiários do PBF, enquanto os Estados mais desenvolvidos apresentavam os menores percentuais, sendo que São Paulo tinha 8% dos domicílios com famílias beneficiárias. O Estado de Santa Catarina é o que apresentava o menor percentual de domicílios com famílias beneficiárias (6,9%), enquanto o Maranhão apresentava um percentual de 47,6%. Os benefícios do Programa Bolsa Família são transferidos preferencialmente para as mulheres, sejam elas as responsáveis pelo domicílio (em famílias monoparentais femininas) ou na condição de cônjuge. Segundo avaliação do Cedeplar (2007) a transferência dos recursos para as mulheres aumenta o seu empoderamento, mais no sentido de maior autonomia decisória quanto à alocação e uso de determinados recursos domiciliares do que no sentido de maior igualdade de relações de gênero, com 23

25 efeito sobre a alocação dos recursos para os filhos residentes no domicílio. Considera-se que existe uma relação positiva entre o poder de barganha das mulheres e uma melhor alocação de recursos para os membros mais vulneráveis dos domicílios: as crianças. Segundo Cunha (2007): Ao optar pela mulher como responsável por receber o benefício, o Bolsa Família se transformou num importante instrumento de autonomia e empoderamento das mulheres. Esse gesto simples representa independência, autonomia e cidadania para muitas delas. Contudo, diversos estudos sobre programas de transferência de renda mostram que privilegiar a mulher como titular do benefício, ao invés de promover a autonomia feminina, pode fortalecer o papel tradicional da mulher como dona de casa e cuidadora do lar, jogando nas costas da família a principal responsabilidade pelo combate à pobreza: Los programas refuerzan la división social de género en donde las mujeres tienen que ser antes de todo buenas madres. La mujer esta considerada de manera muy tradicional, sirviendo a su familia, guardiana de los valores de virtud moral, altruismo, sacrificio: es un ser para otros (Arriagada e Mathivet, 2007, p. 30). Uma avaliação do Impacto do Programa Bolsa Família feita pelo Cedeplar (2007) considerou que as famílias beneficiárias do PBF aumentaram seus gastos com alimentação, vestuários e educação infantil, apresentando menor probabilidade de desnutrição infantil. As crianças têm menor evasão escolar e maior tempo dedicado ao estudo; entretanto, o estudo não encontrou menores taxas de reprovação. A cobertura de vacinação e de atendimento ao pré-natal não apresentou diferenças significativas para o Brasil entre beneficiários e não beneficiários. Quanto à participação laboral, os resultados apontaram diferenças positivas em termos da proporção de adultos ocupados no domicílio, indicando uma maior participação no mercado de trabalho dos beneficiários do Programa, não confirmando a hipótese de desincentivo ao trabalho ( efeito preguiça ). Contudo, foi constatada menor participação das mulheres beneficiárias na força de trabalho. Outra avaliação realizada pelo IBASE (2008), teve como foco a Segurança Alimentar e Nutricional das Famílias Beneficiadas. A pesquisa confirmou também que os entrevistados declaram que o dinheiro do PBF é gasto principalmente com alimentação, material escolar, vestuário e remédios. Na alimentação, cresceu principalmente o consumo de proteínas de origem animal, leite e seus derivados, e no geral, aumentou a dieta de alimentos de maior densidade calórica e menor poder nutritivo, fato que contribui para a prevalência do excesso de peso e a obesidade. A constatação dos efeitos positivos do PBF é geral, mas a criação de portas de saída para a população pobre ainda é uma expectativa que não foi contemplada de forma adequada. Para que haja a verdadeira erradicação da pobreza é preciso que se articulem as políticas de transferência de renda com a formação de capital social e com uma política de pleno emprego produtivo e decente, articuladas com medidas de conciliação entre trabalho e família, justiça de gênero e a universalização da educação brasileira. Só assim a população pobre deixará de ser tutelada, atingirá a maioridade na vida social e conquistará a emancipação individual e familiar, produzindo os seus próprios meios de vida, se construindo como sujeito autônomo e solidário (Alves e Cavenaghi, 2009). O PBF foi criado e ampliado em uma época marcada por altas taxas de desemprego, na qual a parcela da população vivendo em condições de insegurança alimentar era muito alta. Contudo, para o próximo quinquênio, a economia brasileira deverá manter níveis de atividade próximos do pleno emprego e o problema da fome e da desnutrição tem se tornado menos grave do que o problema da obesidade. Nesta 24

26 situação é preciso repensar uma forma de articulação entre o PBF e a qualificação profissional e a intermediação do emprego. 5) A dinâmica demográfica e as desigualdades de gênero no Brasil A transição de uma sociedade patriarcal para uma sociedade pós-patriarcal, caracterizada por mudanças significativas nas relações de gênero, assim como pelo crescimento da autonomia e o empoderamento das mulheres, se situa entra as maiores transformações ocorridas na história brasileira recente. Durante a maior parte do século XX, o país conviveu com os princípios discriminatórios e patriarcais do Código Civil de Somente com a Constituição Federal de 1988 consagrou-se a igualdade entre homens e mulheres como um direito fundamental. O princípio da igualdade entre os gêneros foi endossado no âmbito da sociedade e da família. Estes avanços possibilitaram não apenas a redução das desigualdades de gênero, mas como mostraram Alves e Correa (2009), já se registram no país desigualdades reversas de gênero, além de crescentes desigualdades intra-gênero. Para formular políticas adequadas visando a equidade de gênero, é preciso considerar não apenas os aspectos que mantém a mulher em situação de desvantagem social, mas também as desigualdades em sentido contrário, ou seja, aquelas que desfavorecem o sexo masculino, além das desigualdades entre homens e entre mulheres. a) Desigualdades de gênero na saúde O aumento da esperança de vida, para ambos os sexos, é uma pré-condição para o desenvolvimento econômico e social de qualquer país. A realização do potencial dos indivíduos só poder ocorrer plenamente quando se supera a mortalidade precoce que ceifa a vida de homens e mulheres. O Gráfico 14, mostra os dados sobre a esperança de vida ao nascer, por sexo, no Brasil. Para ambos os sexos, a esperança de vida passou de 70,5 anos no ano 2000 para 73,2 anos em No mesmo período, os homens passaram de 66,7 anos para 69,4 anos e as mulheres de 74,4 anos para 77 anos. Gráfico 14: Esperança de vida ao nascer, por sexo, Brasil Fonte: Ministério da Saúde/Datasus. IDB

27 Portanto, a diferença de cerca de 7,5 anos a favor das mulheres tem se mantido na última década. Estas diferenças de gênero prevalecem também em termos regionais, embora tenha se notado, para ambos os sexos, um processo de convergência entre a esperança de vida das diferentes regiões, ainda que o Nordeste continue bem abaixo das demais. O Norte segue a média nacional e as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul apresentam as taxas mais elevadas, sendo que esta última mantém a dianteira por todo o período. As mulheres do Nordeste, em 2006, mesmo estando atrás das demais mulheres do país, tinham esperança de vida maior do que a dos homens de todas as regiões do Brasil (Alves e Correa, 2009). Segundo o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos SINASC do Ministério da Saúde, a razão de sexo dos nascidos vivos no país tem permanecido em torno de 105 meninos para cada 100 meninas. Ou seja, nascem 5% a mais de homens do que mulheres. Porém, a sobremortalidade masculina no Brasil diferentemente do que acontece na Ásia se manifesta desde o primeiro ano de vida. Seria preciso realizar estudos mais aprofundados para saber se essas diferenças se devem a fatores biológicos ou a fatores sociais, como a negligência no cuidados dos bebês e crianças. O Gráfico 15 mostra que a mortalidade infantil, do sexo masculino, em , era de 38,6 mortes no primeiro ano de vida para cada nascimentos de meninos e, para o sexo feminino, de 29,4 mortes por meninas nascidas vivas. Estes números caíram, respectivamente, para 26,9 por mil e 19,9 por mil, no quinquênio Gráfico 15: Mortalidade infantil (0-1 ano) e na infância (0-5 anos), por sexo, Brasil, a Fonte: UN/ESA. World Population Prospects: The 2008 Revision. Visitado em 27/12/2010 A sobremortalidade masculina continua ao longo do ciclo de vida e tem se acentuado, de tal forma que a razão de sexo tem se tornado cada vez menor, criando um superávit crescente de mulheres no Brasil. O Gráfico 16 mostra que, até 1980, existia certo equilíbrio na razão de sexo no país (próxima de 100). A partir dos anos 80, porém, o superávit de mulheres no país iniciou um processo de ampliação, o que contrasta com o superávit de homens no mundo (razão de sexo acima de 100). Em grande parte, a feminização da população brasileira pode ser explicada pelo aumento das mortes por causas externas (acidentes de trânsito e violências) que atinge, em maior proporção, os homens e tem afetado a dinâmica demográfica do Brasil a partir dos anos de O Gráfico 17 mostra o número de óbitos por causas externas, por sexo, entre 1991 e Nota-se que o número de mortes masculinas ficou acima de 100 mil por ano na última década e o número de mortes femininas ficou acima de 20 mil 26

28 a partir de Nos 20 anos em questão, morreram homens contra apenas mulheres, uma proporção de 5 para 1. Gráfico 16: Razão de sexo no Brasil e no mundo e superávit de mulheres no Brasil, Fonte: UN/ESA. World Population Prospects: The 2008 Revision. Visitado em 27/12/2010 Segundo dados dos censos demográficos, o Brasil possuía um superávit de 1,86 milhões de mulheres em 1991, 2,67 milhões em 2000 e 3,95 milhões em Portanto, o superávit feminino aumentou em 2,1 milhões entre 1991 e Neste período, o número de mortes por causas externas foi de 2,01 milhões para os homens e de 400,9 mil para as mulheres. Portanto, a sobremortalidade masculina por causas externas foi de 1,6 milhões entre 1991 e 2010, o que representa 77% do aumento do superávit feminino na população brasileira, no período. Estima-se que o superávit de mulheres chegue a 7 milhões no ano Depois da Rússia, o Brasil é, entre as grandes nações, o país mais feminino do mundo. O excesso de mulheres está concentrado nas áreas urbanas e é crescente com o avanço das idades. Gráfico 17: Número de óbitos por causas externas, por sexo, Brasil, Fonte: Ministério da Saúde - Sistema de Informações sobre Mortalidade SIM. Visitado 28/12/2010 Nota: 2009 = dados preliminares; 2010 = estimativa. 27

29 No ano de 2008 (últimos dados desagregados disponíveis), o sexo masculino representou 83% do total de mortos em acidentes, homicídios e outras causas externas. Os acidentes mataram homens (42,6%), as violências homens (47,1%) e as mortes de intenção indeterminada e demais causas ceifaram a trajetória de outros homens (10,4%). Os homicídios eliminaram a vida de homens em As mortes entre o sexo masculino se concentravam na faixa dos 20 aos 39 anos (50,4%) e entre os homens de cor parda (48,1%), segundo dados do Ministério da Saúde (2010). No caso das mulheres, a maioria ( mortes, o que representou 57,8% do total de mortes femininas das mortes por causas externas) deveu-se aos acidentes. As violências vêm em segundo lugar, com óbitos, representando 25,8% do total de mortes femininas. O perfil etário e étnico das mulheres que perderam a vida por causas externas é diferente. Do total de vítimas femininas, 33,8% tinham 60 anos ou mais, sendo a maioria (53,3%) de cor branca. Os óbitos por causas externas não são fatalidades biológicas, mas sim mortes que poderiam ser evitadas com ações de infra-estrutura e educação para prevenir acidentes e políticas públicas para diminuir a violência. O custo social destas mais de 130 mil mortes anuais por causas externas no Brasil é incalculável. Os pais perdem os filhos que criaram com sacrifício e carinho. Esposas e maridos perdem seus cônjuges. Filhos perdem seus pais. Famílias são dilaceradas e colocadas em situação de vulnerabilidade. Empresas perdem seus empregados e a sociedade perde seus cidadãos quando estão nas idades mais produtivas em termos econômicos, sociais e culturais. Além disto, existem outros custos para a sociedade e para o sistema de saúde, pois as internações por causas externas representaram cerca de 8% do total de internações em 2008, o quinto maior motivo de hospitalizações. Isso significa que, para cada morte, outras sete pessoas são internadas. São muitos anos de vida perdidos pela mortalidade ou morbidade. Os orçamentos dos ministérios da saúde e da previdência são os mais afetados. Portanto, existe uma desigualdade reversa de gênero, com os homens sendo as principais vítimas das mortes por causas externas. Mas o desequilíbrio também acontece, mesmo que em menor proporção, devido à sobremortalidade masculina por AIDS. O Gráfico 18 mostra o número de óbitos por AIDS, por sexo, e a percentagem de mortes femininas, no Brasil, entre 1991 e Nota-se que o número de mortes masculinas atingiu o máximo em 1995, com óbitos e começou a cair até chegar em óbitos em 2009/2010. O número de mortes femininas passou de óbitos em 1991, para 3.828, em 1996, caindo ligeiramente nos anos seguintes e atingindo o máximo de óbitos, em 2009/2010. Nos vinte anos em questão, morreram homens e mulheres, por causa da AIDS. O percentual de óbitos femininos dobrou ao longo do período, passando de 17%, em 1991, para 34%, em Mesmo assim, ainda morrem 2 homens para cada mulher e, nas duas décadas referidas no Gráfico, morreram no total quase 100 mil homens a mais do que mulheres. Nota-se que no Brasil existe uma inversão no excedente populacional nos grupos etários quinquenais. Até os 24 anos, a pirâmide populacional mostra um superávit de homens. A partir dos 25 anos passa a existir um superávit crescente de mulheres. Esta inversão também ocorre nos EUA, mas as mulheres passam a ser maioria apenas após os 40 anos de idade. No caso da China, o superávit feminino só acontece depois dos 70 anos. Esta inversão precoce no caso brasileiro se deve às mortes por causas externas. 28

30 Gráfico 18: Número de óbitos de AIDS, por sexo, percentagem de mortes femininas, Brasil, Fonte: Ministério da Saúde - Sistema de Informações sobre Mortalidade SIM. Visitado 28/12/2010 Nota: 2009 = dados preliminares; 2010 = estimativa. Este desequilíbrio na razão de sexo da população adulta brasileira traz diversas conseqüências ainda não suficientemente estudadas. Um desequilíbrio que já pode ser notado acontece no mercado matrimonial, especialmente nas áreas urbanas que concentram maior percentual da população feminina. A chamada pirâmide da solidão 2 é uma constatação de que o número de mulheres sozinhas (sem cônjuge) cresce com o avanço da idade e se deve à sobremortalidade masculina. b) Desigualdades de gênero na educação A educação é outra área em que houve um grande avanço no posicionamento das mulheres e hoje existe uma desigualdade reversa contundente, com o sexo feminino apresentando maiores níveis educacionais do que o sexo masculino em todos os níveis educacionais. Embora a educação brasileira esteja abaixo da média e da qualidade daquela de outros países com o mesmo nível de desenvolvimento, os dados mostram uma evolução geral positiva, com redução das desigualdades regionais, raciais, situação de domicílio, e outras. Em termos de desigualdades de gênero, os homens tinham 5,1 anos médios de estudo em 1992 e passaram para 7,4 anos em 2009 (aumento de 44%). Já as mulheres tinham 5,2 anos de estudo em 1992, e passaram para 7,7 anos em 2009 (aumento de 47%). Portanto, as mulheres possuem níveis médios de instrução maiores do que os dos homens e esta diferença está aumentando. Isto é o exemplo clássico de desigualdade reversa, pois as mulheres tiveram maiores dificuldades de acesso à escola na maior parte dos 500 primeiros anos da história do Brasil, mas ultrapassaram os homens e estão ampliando a vantagem conquistada. O processo de reversão das desigualdades de gênero no Brasil aconteceu ao longo de décadas (Beltrão e Alves, 2009). As mulheres brasileiras ainda são maioria entre a população analfabeta, mas isto se 2 Expressão cunhada pela Dra Elza Berquó ao identificar a tendência ao crescimento da proporção de mulheres sós nas idades mais avançadas. 29

31 explica pelo peso das gerações mais idosas, nas quais as mulheres eram fortemente discriminadas em termos educacionais. Nas gerações mais jovens, as mulheres conseguiram superar os homens no ensino fundamental e, especialmente, no ensino médio e superior. Neste último, 60% dos formandos são do sexo feminino. Mais recentemente, a partir de 2004, as mulheres são maioria também entre os titulados dos cursos de doutorado no Brasil. Em síntese, os dados mostram que as mulheres tiveram ganhos educacionais inequívocos nas últimas décadas. A despeito da qualidade da educação brasileira, a análise dos diferenciais de educação entre homens e mulheres, mostra que o sexo fraco está cada vez mais forte, quando o assunto é níveis de escolaridade. Em outras dimensões sociais e econômicas da sociedade, particularmente no mercado de trabalho, os diferenciais de gênero ainda são grandes, com as mulheres em desvantagem. Mas quando se trata de observar o hiato de gênero na educação, o Brasil já superou as metas estabelecidas na CIPD do Cairo/1994 e nos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio. Hoje, nesta área, as desigualdades são reversas. O desafio atual é incrementar a educação dos homens e melhorar a qualidade da educação para ambos os sexos. c) Desigualdades de gênero no mercado de trabalho Embora as mulheres tenham revertido as desigualdades de gênero na educação, ainda não conseguiram eliminar as desigualdades de gênero no mercado de trabalho, mesmo que os hiatos de atividade e rendimento tenham se reduzido. O desenvolvimento econômico e social de um país depende do pleno emprego dos insumos produtivos disponíveis e do crescimento da produtividade dos fatores de produção, especialmente das mulheres que são mais da metade da população e possuem dificuldades para uma inserção de qualidade no mercado de trabalho. O Brasil apresentou um grande crescimento da População Economicamente Ativa (PEA) nas últimas 6 décadas. A PEA total passou de 17,1 milhões de pessoas, em 1950, para quase 101,1 milhões de pessoas, em 2009 (aumento de 5,9 vezes). A PEA masculina passou de 14,6 milhões para 56,7 milhões (incremento de 3,9 vezes), enquanto a PEA feminina teve uma elevação extraordinária, passando de 2,5 milhões, em 1950, para 44,4 milhões, em 2007 (crescimento de 17,8 vezes). Parte desta expansão devese a mudanças metodológicas nos instrumentos de coleta do censo e das pesquisas domiciliares, mas a tendência de aumento de longo prazo é inegável e são as mulheres a principal força por detrás do crescimento da força de trabalho no Brasil. O Gráfico 19 mostra o comportamento das taxas de atividade, para homens e mulheres, entre 1950 e Observa-se redução das taxas masculinas, que passaram de 80,8% em 1950, para 72,3% em 2009, e o aumento das taxas femininas, que passaram de 13,6% para 52,7%, no mesmo período. A linha do Gráfico mostra a tendência de decréscimo do hiato de gênero, já que existe um processo de convergência no nível de inserção de ambos os sexos na população economicamente ativa. Evidentemente, o aumento da participação feminina no mercado de trabalho não eliminou os problemas de segregação ocupacional e discriminação salarial, embora estes tenham sido abrandados, como será visto mais adiante. Alguns estudiosos consideram que este aumento da participação feminina no mercado de trabalho ocorreu em função da necessidade de uma complementação da renda familiar por parte das mulheres (cônjuges ou filhas), em uma situação de redução do rendimento per capita. Contudo, como mostraram 30

32 Alves e Correa (2009), esta argumentação não considera que as mulheres continuam se inserindo no mercado de trabalho nos momentos de aumento da renda domiciliar e são, principalmente, aquelas com maior nível educacional (e com salários acima do salário mínimo) que possuem as maiores taxas de atividade, inclusive as que moram sozinhas. Gráfico 19: Taxas de participação na PEA, por sexo, Brasil Fonte: IBGE. Censos Demográficos de 1970, 1980, 1991 e 2000 e PNAD 2009 O Gráfico 20 mostra que, na última década, houve significativa melhora do nível educacional da população ocupada. Para a força de trabalho feminina, o grupo de mulheres com 11 ou mais anos de estudo é maioria, empatando em termos absolutos e relativos com os homens de mesmo nível educacional. Um fato que merece destaque é que, para o conjunto da PEA com 11 anos ou mais de estudo, as mulheres superaram os homens neste segmento mais escolarizado, sendo que, em 2009, já existiam mais de 20 milhões de mulheres com mais de 11 anos de estudo na PEA. Gráfico 20: Percentagem da PEA por grupos de anos de estudo, por sexo, Brasil, Fonte: PNADs 2001 a

33 Em termos de remuneração, entretanto, as mulheres continuam muito atrás dos homens, embora existam diferenças regionais significativas. O Gráfico 21 mostra o valor do rendimento médio mensal das pessoas de 10 anos ou mais de idade (em Reais), por sexo e segundo as 5 regiões do Brasil, entre 2001 e Nota-se, pelas colunas, que o hiato de gênero do rendimento mensal (diferença do rendimento de homem e mulher sobre o rendimento total) diminuiu um pouco ao longo da década em questão. Os maiores rendimentos são encontrados entre os homens do Sul, Sudeste e Centro-Oeste e os menores entre as mulheres do Norte e Nordeste. Mas as mulheres do Sudeste e Centro-Oeste ganhavam mais, em nível agregado, do que os homens do Norte e Nordeste. Isto mostra que as desigualdades de gênero são perpassadas por desigualdades regionais e devem ser consideradas para se entender as desigualdades intra-gênero. Por exemplo, as desigualdades, em termos de rendimento, são maiores entre homens e mulheres do Sudeste do que no Nordeste. Porém, as mulheres do Sudeste, ganham mais do que os homens do Nordeste, a despeito das maiores desigualdades de gênero na região Sudeste. Gráfico 21: Valor do rendimento médio mensal de todos os trabalhos das pessoas de 10 anos ou mais de idade (em Reais), ocupadas na semana de referência, por sexo e região, Fonte: PNADs 2001 a Os diferenciais de rendimento entre homens e mulheres precisam considerar o efeito da menor jornada de trabalho remunerado das mulheres (em função da maior jornada de trabalho não remunerado na economia do cuidado). O Gráfico 22 mostra a relação entre rendimento-hora da população feminina em relação à masculina, segundo classes de anos de estudo. Observa-se que as mulheres ganham menos do que os homens, porém esta diferença tem diminuído. Em 1998, as mulheres recebiam 81,9% do rendimento dos homens e passaram a receber 84,1% em Nota-se que os diferenciais de rendimento por gênero aumentam com o nível de escolaridade, o que pode estar relacionado com a dificuldade das mulheres ocuparem ou manterem os postos de decisão e administração e também ao fato de que estes diferenciais são maiores nas gerações com mais tempo de ocupação. Outro fator que contribui para as desigualdades de gênero é que o grau de informalidade e o desemprego das mulheres tem se mantido mais elevado do que o dos homens durante a década passada, embora a População Economicamente Ativa (PEA) feminina tenha crescido mais rapidamente do que a masculina. Um dos fatores que contribui para o desequilíbrio entre oferta e demanda é a segregação ocupacional que torna o leque de profissões femininas mais estreito do que o masculino. Assim, ao oferecer mais 32

34 opções para os homens, o mercado atingiria um equilíbrio em um nível mais baixo de desemprego para os homens, enquanto a disputa pelas poucas ofertas de emprego feminino torna o desemprego das mulheres e a informalidade um fenômeno mais frequente. Gráfico 22: Relação entre rendimento-hora da população feminina em relação à masculina, segundo classes de anos de estudo - Brasil, 1998 e 2008 Fonte: IPEA. Relatório Nacional de Acompanhamento ODM, Brasília, março 2010 Este quadro poderia mudar na medida em que houvesse um quadro de pleno emprego na economia. De fato, como mostra o Gráfico 23, o grau de informalidade no mercado de trabalho e o desemprego vinham diminuindo de 2004 a A crise do ano 2009 não aumentou o grau de informalidade, nem de homens e nem de mulheres. Neste sentido, para o período em questão, não tem fundamento a afirmação de que a entrada da mulher no mercado de trabalho é acompanhada por perda de direitos legais. Porém, houve uma elevação da taxa de desemprego para ambos os sexos. Gráfico 23: Grau de informalidade: percentagem de pessoas de 10 anos e mais de idade, ocupadas na semana de referência e que não contribuíram para a previdência, por sexo, Brasil, Fonte: PNADs 2001 a

35 O nível de inserção da força de trabalho masculina chegou próxima do pleno emprego no final de Se a economia continuar crescendo e gerando emprego no ano de 2011, haverá pouco espaço para redução do desemprego masculino, o que tenderá a favorecer a força de trabalho feminina que será a reserva de mão-de-obra disponível nos próximos anos. Se houver crescimento econômico no próximo quinquênio ( ), as mulheres tendem a ganhar com a melhoria do mercado de trabalho, podendo haver redução do desemprego e da informalidade da PEA feminina (especialmente das jovens), além de redução das disparidades salariais. Portanto, um novo ciclo de crescimento econômico pode ser fundamental para a redução das desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Os dados acima mostram que, embora ainda persistam desigualdades que desfavorecem as mulheres no mercado de trabalho, as diferenças de gênero têm diminuído ao longo dos anos. Para completar esta análise é preciso considerar a política de previdência social que pode ter o poder de amenizar as desigualdades do mundo do trabalho. A Tabela 3 mostra que, mesmo sendo um contingente minoritário no mercado de trabalho, as mulheres predominam entre a população coberta pela previdência social. Considerando-se somente os aposentados, os homens são maioria, passando de 7,6 milhões em 2001, para 9,3 milhões em Entre os pensionistas, as mulheres são ampla maioria, passando de 3,7 milhões em 2001, para 4,3 milhões em Somando-se os aposentados e pensionistas, as mulheres eram 10,2 milhões em 2001 e passaram para 13,1 milhões em 2009, enquanto os homens correspondiam a 8,1 milhões e 10,2 milhões, no mesmo período. Entre as pessoas que acumulam aposentadoria e pensão, o sexo feminino também predomina e as mulheres já somavam 1,6 milhões de pessoas nesta situação, em Pode-se considerar que a política previdenciária brasileira tem um desenho pró-mulher, já que as meulheres, em média, contribuem por menos tempo e passam mais tempo na situação de beneficiárias, quer seja como aposentadas ou pensionistas. Tabela 3: Número de pessoas aposentadas e/ou pensionistas (em mil), segundo sexo, Brasil Categorias Sexo Total de Total aposentados e Homem pensionistas Mulher Total Somente Homem aposentados Mulher Total Somente Homem pensionistas Mulher Total Aposentados e Homem pensionistas Mulher Fonte: IBGE/. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNAD 2001 a

36 d) Desigualdades de gênero no uso do tempo A literatura mostra que as mulheres estão inseridas em menor número do que os homens nas atividades produtivas remuneradas e possuem jornadas mais curtas de trabalho (Alves e Correa, 2009). Mas o contrário acontece com as atividades não remuneradas e os afazeres domésticos. Quando se trata dos trabalhos realizados na esfera da reprodução, mas que não são contabilizados na população economicamente ativa, as mulheres são ampla maioria. Segundo a PNAD/2005, 109,2 milhões de pessoas de 10 anos ou mais de idade declararam exercer atividades relacionadas com os afazeres domésticos, no Brasil; deste conjunto, 71,5 milhões eram mulheres. Em termos absolutos, é a população adulta de 25 a 49 anos de idade que mais realiza afazeres domésticos. Não obstante, considerando a população em cada grupo etário, observa-se que é a população de 50 a 59 anos de idade que despende maior parte do seu tempo em afazeres domésticos (24,3 horas semanais). As desigualdades de gênero na realização dessas atividades são ainda mais visíveis quando se considera a população total de acordo com o sexo e os grupos de idade. Verificou-se que somente 51,1% dos homens realizam afazeres domésticos enquanto que, entre as mulheres, esse percentual é de 90,6%. É no Nordeste que se observa a menor participação dos homens nos afazeres domésticos (46,7%), enquanto que no Sul se evidencia a maior taxa (62%). Uma possível explicação para esta participação um pouco mais baixa dos homens nordestinos nos afazeres domésticos pode estar ligada aos aspectos culturais locais, que valorizam o machismo já que existe uma forte correlação positiva entre a realização de afazeres domésticos e sexo feminino (Soares e Sabóia, 2007). No Gráfico 24, verifica-se que, no total, as mulheres dedicavam 25,1 horas semanais aos afazeres domésticos, contra 10,2 horas dos homens, em A análise por grupos etários mostra que o tempo dedicado aos afazeres domésticos cresce à medida que aumenta a idade para ambos os sexos. Isto porque os filhos que moram com os pais dedicam menos tempo aos afazeres domésticos. Mas o destaque mais contrastante é a grande diferença no tempo dedicado aos afazeres domésticos, por sexo. Além disto, apenas 49% dos homens contra 88,2 das mulheres fazem trabalhos domésticos. Gráfico 24: Número médio de horas semanais gastas em afazeres domésticos das pessoas de dez anos ou mais de idade, por sexo, segundo grupos de idade, Brasil 2009 Fonte: IBGE, PNAD 2009 (microdados) 35

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