UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA FACULDADE DE VETERINÁRIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS VETERINÁRIAS

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1 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA FACULDADE DE VETERINÁRIA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS VETERINÁRIAS LUANA AZEVEDO DE FREITAS ULTRASSONOGRAFIA BIDIMENSIONAL E DOPPLER DO TRATO REPRODUTOR DE CÃES FORTALEZA

2 LUANA AZEVEDO DE FREITAS ULTRASSONOGRAFIA BIDIMENSIONAL E DOPPLER DO TRATO REPRODUTOR DE CÃES Dissertação apresentada no Programa de Pós- Graduação em Ciências Veterinárias da Faculdade de Veterinária da Universidade Estadual do Ceará, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Ciências Veterinárias. Área de concentração: Reprodução e Sanidade Animal Linha de pesquisa: Reprodução de Carnívoros, Onívoros, Herbívoros e Aves. Orientadora: Profa. Dra. Lúcia Daniel Machado da Silva FORTALEZA

3 F862u Freitas, Luana Azevedo de. Ultrassonografia bidimensional e doppler do trato reprodutor de cães. / Luana Azevedo de Freitas CD-ROM : 94 f.: il. (algumas color.); 4 ¾ pol. CD-ROM contendo o arquivo no formato PDF do trabalho acadêmico, acondicionado em caixa de DVD Slin (19 x 14 cm x 7 mm). Dissertação (Mestrado) Universidade Estadual do Ceará, Faculdade de Veterinária, Curso Pós-Graduação em Ciências Veterinária, Fortaleza, Orientação: Profª. Drª. Lúcia Daniel Machado da Silva. Área de concentração: Reprodução e sanidade animal. 1. Próstata. 2. Testículos. 3. Doppler. 4. Boxer. 5. Buldogue Francês. I. Título. CDD: dade Animal. Orientação: Profa. Dra. Lúcia Daniel Machado da Silva. 1. Próstata. 2. Testículo. 3. Ultrassonografia. 4. Doppler 5. Cães. I. Título. CDD: xxx.xxxx 3

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5 DEDICATÓRIA Aos alicerces de minha vida, cujo amor é alimento para continuar trilhando pelos caminhos da vida: Deus, meus pais, meu filho e meu marido. Aos$ anjos$de$quatro$patas $que$se$submeteram$ a$este$$trabalho,$por$ter$permitido$a$realização$ deste$estudo.$ Dedico. 5

6 HOMENAGEM O cão é a virtude que, impedida de tomar formas humanas, fez-se animal Victor Hugo $ $ 6

7 AGRADECIMENTOS A Deus, acima de tudo, por me amparar nos momentos difícies, me dar força interior para superar as dificuldades, mostrar os caminhos nas horas incertas. Estar presente na minha vida nas alegrias e nas tristezas e me permitir minhas conquistas com o aprendizado dos erros. À instituição de fomento, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), pelo apoio financeiro concedido para a execução deste trabalho. À Universidade Estadual do Ceará (UECE), ao Programa de Pós Graduação em Ciências Veterinárias (PPGCV), `a Faculdade de Veterinária (FAVET) e ao Laboratório de Reprodução de Carnívoros (LRC) por me conceder a oportunidade de contribuir com a minha formação e profissionalização e por conceder o espaço físico para a execução deste trabalho. Aos meus pais, Ernane Carneiro de Freitas e Maria Lucimar Azevedo de Freitas por me daram a vida e me ensinarem a vivê-la com dignidade, por me terem dado o mais precioso tesouro: amor, educação, dignidade e oportunidade de conhecimento. Agradeço pelos conselhos, pelas broncas, pelo carinho, pela compreensão, a vocês que se doaram por inteiro e renunciaram aos seus sonhos, muitas vezes, estas palavras são poucas para definir o que significam para mim. Amo vocês. À família que constituí. Meu esposo, Rafael de Sá Cruz, pelo amor, compreensão, carinho, conversas, paciência, incentivo e apoio financeiro. Meu companheiro, meu amor, meu amigo, meu parceiro de todas as horas. Ao meu filho, João Rafael Azevedo de Sá, que esta chegando e já esta enchendo minha vida de felicidade. Aos meus filhos de quarto patas, Meg e Frederico, que me ensinaram o que é o amor incondicional, me proporcionaram alegria depois de um dia cansativo, algumas vezes, tristezas, falta de dinheiro, raiva e preocupações, mas que valem a pena ter para tê-los ao meu lado. À minha irmã Ludimilla Azevedo de Freitas por me dar ajudinhas extra experimentais na minha mudança de vida e pela companhia. À minha orientadora Profª. Dra. Lúcia Daniel Machado da Silva por acreditar em mim, me mostrar o caminho da ciência, me orientar durante esta jornada, contribuir para o meu crescimento profissional, ser um exemplo a ser seguido de 7

8 profissional e de pessoa, fazer parte da minha vida e me compreender quando mais precisei. Ao José Nicodemos Pinto, meu IC (iniciação científica) querido. Aturou-me com paciência, sempre calmo mesmo quando quase foi mordido, insistindo quando muitas vezes eu desistia. Ajudou-me do início ao final do experimento, tendo que me aguentar lamentando, reclamando, brigando, cansada, mandando, feliz, alegre por conseguir os animais, triste por ser enganada pelos proprietários, e tudo sem reclamar, mesmo quando os animais não colaboravam. Pelas nossas longas conversas, muitas vezes fofocas, durante as avaliações. Pelos aromas sentidos e longas viagens feitas juntos só tenho a agradecer. Ao Herlon Victor Rodrigues da Silva, grande figura, vulgo IC nº 01. Agradeço por me ajudar na avaliação seminal, algumas vezes reclamando, mas sempre fazendo de forma correta, pelos momentos engraçados, pelas viagens. Obrigado cabeça de maçã À Henna Roberta Quinto, amiga e ex-companheira de carona. Sempre me ajudando, me aguentando reclamar e se preocupando comigo e com os pedidos de material em cima da hora. Aos ICs Gabriella Guedelha de Carvalho, Carmen Vládia Soares de Sousa, Jorge Luís Vidal de Lima Alencar, Luma Morena Passos Freire e ao agregado Thalles Gothardo Pereira Nunes, pela ajuda durante a fase experimental e pelos momentos de descontração. À dupla Antônio Cavalcante Mota Filho e Cynthia Levi Baratta Monteiro companheiros de ponto no laboratório hehehe.por me ajudarem durante o experimento, pela disposição em me ajudar a completar meu n experimental, por me ajudarem muito quando estava preocupada com meus cães, em cirurgias, nas minhas dúvidas, com medicamentos Ao Daniel Couto Uchoa (Canil Grande Canafístula) por me confiar e conceder seus cães e por meio de seus contatos, me ajudar a completar meu n experimental. Ao Daniel Viana de Araújo e ao Laboratório Biociência pela realização de exames. Às minhas colegas de laboratório: Cláudia da Cunha Barbosa, Mirley Barbosa de Souza e Ticiana Franco Pereira da Silva pelo convívio durante essa jornada. Aos muitos proprietários que conheci no decorrrer deste experimento: Roberta, Gustavo, Gustavo Brígido; Hanrry e Roberto Studart (Canil Bull & Bulls), Tereza, Leonardo (Canil La Dogue Vita Bulls), Juliana, Sara, Edson, Wagner, 8

9 Wilson.. e a pessoa que se empenhou bastante em me ajudar, Fabio Castro, me concedendo seus cães sem mesmo me conhecer e sem recomendação de ninguém me indicou para a maioria dos proprietários dos animais deste experimento. Muito obrigada E finalmente aos animais que fizeram parte deste trabalho, pois afinal, tudo isso não poderia ter sido concretizado sem eles Essas criaturas que quem vê de longe acha feio, mas que tem um coraçãozinho que conquista a todos e me conquistou tanto que me apaixonei pelas raças e por todos que passaram por mim mesmo os que fizeram sujeira no meu carro e no laboratório; os que quiseram fugir; os que quiseram morder Os meus fedidos que sempre aromatizavam o laboratórios e nos contemplava com suas fungadas e seus roncos um muito obrigado 9

10 RESUMO Este trabalho foi dividido em duas partes com o objetivo geral de caracterizar e mensurar a próstata e os testículos da raça Boxer e Buldogue Francês por meio da ultrassonografia bidimensional e Doppler. Na primeira parte foram utilizados 33 cães da raça Buldogue Francês saudáveis, sendo estes divididos em 3 grupos de acordo com a faixa etária: grupo 1 de 8 meses a 19 meses; grupo 2 de 24 a 36 meses e grupo 3 de 48 a 72 meses. Foram avaliados ultrassonograficamente uma única vez para as características ultrassonográficas, mensuração prostática e características Doppler colorido e espectral. Foi observada uma alta correlação positiva entre a idade e o volume prostático. Os parâmetros dopplervelocimétricos diferiram de acordo com a localização avaliada da artéria prostática. E foi encontrada diferença estatística entre os grupos 1 e 3. Na segunda parte, foram avaliados ultrassonograficamente a próstata e os testículos de 5 cães da raça Boxer de 4 a 7 anos saudáveis. Foi empregada a mesma metodologia do trabalho 1, acrescentando a avaliação testicular para os mesmos parâmetros. A próstata e os testículos direito e esquerdo apresentaram um volume médio de 18,20 ± 0,14; 10,89 ± 0,27 e 10,70 ± 0,41, respectivamente. Os parâmetros Doppler colorido e espectral diferiram em todas as localizações de ambos os vasos, exceto quanto aos valores das velocidades de pico sistólico e diastólica final em todas as localizações da artéria prostática e os índices de pulsatilidade e resistência das localizações cranial e caudal da artéria prostática. Não foi encontrado diferença estatística nos dados avaliados entre o testículo direito e esquerdo. Conclui-se que a ultrassonografia bidimensional associada a Doppler pode servir como uma ferramenta a mais na avaliação reprodutiva de cães e que a localização, tanto da artéria prostática, como testicular irão influenciar os resultados encontrados. Além disso, a idade é uma variável importante na avaliação prostática. Desta forma, estudos adicionais devem ser realizados com o intuito de entender o comportamento das efermidades prostáticas e assim poder se utilizar desta técnica. Palavra chave: Próstata. Testículos. Doppler. Boxer. Buldogue Francês. 10

11 ABSTRACT This study was divided into two parts with the overall objective of characterizing and measuring the prostate and testes Boxer and French Bulldog through two-dimensional and Doppler ultrasound. In the first part we used 33 dogs breed healthy French Bulldog, which are divided into 3 groups according to age: group 1 from 8 months to 19 months, group 2 of 24 to 36 months and group 3 of 48 to 72 months Were evaluated sonographically once for the sonographic features, prostatic measurement, color and spectral Doppler features. We observed a high positive correlation between age and prostate volume. The Doppler parameters differ according to the location evaluated prostatic artery. And statistical difference was found between groups 1 and 3. In the second part, were evaluated sonographically the prostate and testes of 5 Boxer dogs 4-7 healthy years. The same methodology was employed labor 1, adding testicular evaluation for the same parameters. The prostate and testicles right and left had an average volume of ± 0.14, ± 0.27 and ± 0.41, respectively. The color and spectral Doppler parameters differed in all locations from both vessels, except for the values of peak systolic velocity and end diastolic in all locations prostatic artery and the pulsatility and resistance indices of the locations cranial and caudal artery prostatic. No statistical difference was found in the data evaluated between right and left testicle. We conclude that the associated two-dimensional ultrasound Doppler can serve as an additional tool in assessing reproductive dogs and that the location of both the artery prostate, testicular as will influence the results. In addition, age is an important variable in assessing prostate. Thus, further studies should be conducted in order to understand the behavior of prostate efermidades and thus able to use this technique. Keyword: Prostate. Testicles. Doppler. Boxer. French Bulldog. 11

12 LISTA DE FIGURAS Pág Figura 1: Anatomia dos órgãos reprodutivos do cão Figura 2: Molde de corrosão canina da artéria testicular (em vermelho), do plexo pampiniforme (em azul) e o ducto deferente (em amarelo).. 22 Figura 3: Origem vascular da artéria prostática Figura 4: Mensuração testicular. (A) Plano longitudinal. (B) Plano transversal. (C) Comprimento, (L) Largura e (E) Espessura Figura 5: Sonograma prostático. (A) Plano longitudinal. (B) Plano trasversal. (C) Comprimento, (P 1 ) Profundidade ou altura na longitudinal, (P 2 ) Profundidade na transversal e (L) Largura Figura 6: Ilustração esquemátca das localizações testiculares: cordão espermático (vermelho), marginal ou capsular (azul) e intracapsular (amarelo) 35 Figura 7: Anatomia vascular da artéria prostática canina nas localizações: cranial (vermelha), capsular (amarelo), intracapsular ou parenquimal (laranja) e caudal (azul). 37 Capítulo 1 Figura 1: Gráficos de regressão linear para as variáveis idade e peso em relação ao volume prostático Figura 2: Morfologia espectral dos vasos estudados nas suas diferentes localizações. (A) Artéria próstatica cranial. (B) Artéria próstatica subcapsular. (C) Artéria prostática intracapsular. (D) Artéria prostática caudal Capítulo 2 Figura 1: Morfologia espectral dos vasos estudados nas suas diferentes localizações. (A) Artéria próstatica cranial. (B) Artéria próstatica subcapsular. (C) Artéria prostática intracapsular. (D) Artéria prostática caudal. (E) Artéria testicular no cordão espermático (F) Artéria testicular marginal

13 LISTA DE TABELAS Pág Capítulo 1 Tabela 1: Divisão dos grupos e seus respectivos pesos, idades e volumes prostáticos (cm 3 )... Tabela 2: Média ± desvio padrão da quantidade de pixels da artéria prostática nas localizações cranial, subcapsular, parenquimal e caudal dos grupos avaliados de cães da raça Buldogue Francês... Tabela 3: Média ± desvio padrão do diâmetro da artéria prostática nas localizações cranial, subcapsular, parenquimal e caudal dos grupos avaliados de cães da raça Buldogue Francês... Tabela 4: Média ± desvio padrão do índice de resistência da artéria prostática nas localizações cranial, subcapsular, parenquimal e caudal dos grupos avaliados de cães da raça Buldogue Francês... Tabela 5: Média ± desvio padrão do índice de pulsatilidade da artéria prostática nas localizações cranial, subcapsular, parenquimal e caudal dos grupos avaliados de cães da raça Buldogue Francês Capítulo 2 Tabela 1: Média ± desvio padrão do diâmetro e a quantidade de pixels da artéria prostática nas localizações cranial, subcapsular, parenquimal e caudal de 5 cães da raça Boxer Tabela 2: Média ± desvio padrão do diâmetro e a quantidade de pixels da e artéria testicular nas localizações marginal e de cordão espermático de 5 cães da raça Boxer Tabela 3: Valores das velocidades de pico sistólico (VPS) e diastólica final (VDF) e dos índices de resistência (IR) e pulsatilidade (IP) das artérias prostática e testicular nas diferentes localizações

14 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CAPES cm FAVET FSH HCG IC IP IR LRC LH ml PPGCV UECE VDF VPD VPS 5α -DHT : Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior : Centímetros : Faculdade de Veterinária : Hormônio Folículo Estimulante : Hormônio Gonadotrofina Coriônica Humana : Iniciação científica : Índice de pulsatilidade : Índice de de resistência : Laboratório de Reprodução de Carnívoros : Hormônio Luteinizante : Milímetros : Programa de Pós Graduação em Ciências Veterinárias : Universidade Estadual do Ceará : Velocidade Diastólica Final : Velocidade de Pico Sistólico : Velocidade de Pico Diastólico : 5 alfa Diidrotestosterona 14

15 SUMÁRIO Pág. 1. INTRODUÇÃO REVISÃO DE LITERATURA Sistema reprodutor masculino Anátomo fisiologia Irrigação artério venosa Avaliação diagnóstica da próstata e dos testículos caninos Ultrassonografia bidimensional Ultrassonografia Doppler JUSTIFICATIVA HIPÓTESES CIENTÍFICAS OBJETIVOS Objetivo geral Objetivos específicos CAPÍTULO CAPÍTULO CONCLUSÕES PERSPECTIVAS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

16 1. INTRODUÇÃO O estudo ultrassonográfico é, atualmente, um procedimento comum de diagnóstico por imagem bastante difundido na Medicina Veterinária, por ser considerado uma técnica não invasiva, segura para o paciente, acessível e que fornece diagnósticos, muitas vezes, precisos, principalmente na avaliação reprodutiva de pequenos animais (DAVIDSON; BAKER, 2009). Desta forma, com o aumento da expectativa de vida da população canina (PETER; STEINER; ADAMS, 1995), a grande incidência de problemas reprodutivos, o perfil crescente de criadores pets de cães e a busca pela seleção de animais comerciais com a melhor genética tem-se tido a necessidade da realização de exames completos que atestem e avaliem preventivamente a sua sanidade (DAVIDSON; BAKER, 2009). Pesquisas indicam que mais de 90% dos estudos aplicados à reprodução dos animais domésticos estão concentrados na fisiologia reprodutiva. Sendo a maioria destinada à pesquisa do sistema reprodutor feminino, pela complexidade na reprodução e da anatomia interna. Trabalhos abordando a reprodução de machos são escassos na literatura, podendo ser mais frequentes os relacionados à avaliação e preservação espermática, fato este, que impulsiona novas pesquisas direcionadas à anatomia, fisiologia e métodos atuais de diagnóstico (HAHN et al., 1999; KING, 2006). Em cães, a próstata é a glândula sexual mais importante e os testículos são a unidade funcional de produção espermática (DYCE et al., 2010). A avaliação destes órgãos por meio da ultrassonografia convencional permite a mensuração e caracterização das suas estruturas de forma acurada e fiel. No entanto, por esta espécie apresentar uma variedade de raças com portes e pesos diversificados, tem-se a dificuladade de se obter parâmetros de normalidade para o tamanho destes órgãos (NYLAND; MATTOON, 2005), já que o cão sofre influências hormonais ao longo da vida que modificam o tamanho prostático (DYCE et al., 2010), desenvolve espontaneamente a hiperplasia prostática fisiológica (BARSANTI; FINCO, 1992), e o dimensionamento normal, tanto da próstata, como dos testículos variam com fatores como o peso (BARSANTI; FINCO, 1992; GREEN; HONCO, 1996; ATALAN et al., 1999b; JOHNSTON; KUSTRITZ; OLSON, 2001). Além disso, a caracterização 16

17 anatômica normal juntamente com a avaliação da fisiologia do macho permitem atestar o potencial de fertilidade destes animais (MITTERBERGER et al., 2010). Aliado a esta técnica, a ultrassonografia Doppler, surge como uma nova modalidade diagnóstica empregada na Medicina Humana (FORESTA et al SHIRAISHI et al.,2009), e mais recentemente na Medicina Veterinária, que permite a avaliação da dinâmica do fluxo sanguíneo e a detecção da neovascularização (FLEMMING FORSBERG, et al., 2002). Em cães, a maior parte dos seus estudos e emprego estão voltados principalmente para a caracterização da hemodinâmica dos grandes vasos e de vasos periféricos de diversos órgãos (CARVALHO; ADDAD, 2009). Porém, para os órgãos reprodutivos, próstata e testículos caninos, esta técnica ainda é pouco estudada e os trabalhos que existem utilizam pequenas e variadas amostras (NEWELL et al., 1998; GÜNZEL-APEL et al., 2001; VIGNOLI et al., 2001; FLEMMING FORSBERG, et al., 2002; GUMBSCH et al., 2002; RUSSO et al., 2009; BIGLIARDI; FERRARI, 2011 CARRILLO et al., 2012). Além disso, é importante que se conheça a hemodinâmica normal dos vasos que irrigam estes órgãos a fim de se detectar mais precocemente possíveis alterações patológicas (GÜNZEL-APEL et al., 2001; SZATMÁRI; SÓTONYI; VÖRÖS, 2001). Para uma melhor compreensão do presente trabalho, far-se-á uma revisão de literatura, enfocando os principais aspectos referentes à anatomia e fisiologia do sistema reprodutor do macho canino bem como a técnica de ultrassonografia bidimensional e Doppler no estudo testicular e prostática de cães. 17

18 2. REVISÃO DE LITERATURA 2.1 SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO CANINO Anátomo fisiologia O trato reprodutor do macho canino é composto por: escroto, testículos, epidídimos, ductos deferentes, funículo espermático, ampolas, próstata, uretra, pênis e prepúcio (DYCE et al., 2010). PRÓSTATA' AMPOLA' MÚSCULO' RETRATOR' DO'PÊNIS' DUCTO'DEFERENTE' URETER' URETRA' BEXIGA' EPIDÍDIMO' BULBO'PENIANO' PREPÚCIO' TESTÍCULO' OSSO'PENIANO' GLANDE'DO'PÊNIS' CORPO'CAVERNOSO'DO'PÊNIS' CORPO'ESPONJOSO'DO'PÊNIS' Figura 1: Anatomia dos órgãos reprodutivos do cão. Fonte: Os testículos caninos localizam-se externos a cavidade abdominal, dentro de sexta-feira, 5 de outubro de 12 uma bolsa pendular membranosa derivada da pele e da fáscia da parede abdominal, denominada de escroto, localizados aproximadamente em posição intermediária entre o períneo e a virilha (ELLENPORT, 1986; HAFEZ, 2004). O escroto é recoberto por uma pele delgada pigmentada e escassamente por finos pelos, suprida abundantemente por glândulas sudoríparas e é dividido em duas cavidades por um septo mediano não muito evidente, denominado de rafe. Cada cavidade comportando um testículo, seguido do epidídimo e da parte distal do funículo espermático (ELLWNPORT, 1986; DOGRA et al., 2003; DYCE et al., 2010). O escroto 18

19 desempenha um importante papel na regulação da temperatura testicular, por meio dos mecanismos de troca de calor contra-corrente e por meio da atividade dos músculos cremáster e da túnica dartos (STABENFELDT; EDQVIST, 1996). Os cães possuem um par de testículos relativamente pequenos e de formato redondo ovalado, sendo o seu eixo longo oblíquo direcionado dorsal e caudalmente. Relata-se que o tamanho médio do testículo canino, independente da raça, é de: 3,63 cm de comprimento, 2,67 cm de diâmetro dorsoventral e 2,67 cm de diâmetro látero medial (PUGH; KONDE; PARK, 1990). Os testículos são recobertos pelas túnicas vaginal, visceral e albugínea. A túnica albugínea forma uma cápsula densa e fibrosa de tecido conjuntivo, que adentra o interior do parênquima testicular formando uma estrutura bastante desenvolvida, o mediastino, que por sua vez, emite septos de tecido conjuntivo dividindo os testículos em lóbulos incompletos compostos de 1 a 3 túbulos seminíferos. (ELLENPORT, 1986). Têm como funções principais produzir células germinais, os espermatozoides; e produzir andrógenos e outros hormônios, que dão ao indivíduo as características que incluem o impulso e os meios para liberar as células germinais para a fêmea (SWENSON; REECE, 1996; DYCE et al. 2010). O período em que os cães atingem à puberdade é dependente da raça, ou seja, as raças pequenas atingem a puberdade mais precocemente do que raças de porte maior, que em alguns casos a atingem após 12 meses de idade (JOHNSTON; KUSTRITZ; OLSO, 2001) A puberdade indica que estão aptos a se reproduzirem, ou seja, estão produzindo gametas. A produção de espermatozoides se dá por influência neuroendócrina (STABENFELDT; EDQVIST, 1996). Após a produção dos espermatozoides estes são liberados na luz dos túbulos seminíferos que formam um sistema coletor que, por sua vez, formam uma rede testicular, localizada no mediastino. A rede testicular drena para os ductos eferentes, que se unem para formar a cabeça do epidídimo (ELLENPORT, 1986). O funículo espermático tem início no ânulo inguinal profundo, onde suas partes constituintes se reunem e estendem-se obliqua e ventralmente através do canal inguinal, passando sobre o lado do pênis e terminando na borda inserida do testículo. Consiste das seguintes estruturas: artéria testicular, as veias testiculares que formam o plexo pampiniforme ao redor da artéria, o plexo testicular de nervos autônomos, os ductos deferentes, feixes de tecido muscular liso ao redor dos vasos e a camada visceral da tunica vaginal (ELLENPORT, 1986). A glândula prostática pode ser encontrada em quase todos os mamíferos, e 19

20 está presente em todas as espécies domésticas (ELLENPORT, 1986). No cão, as ampolas e, principalmente, a próstata são as glândulas genitais acessórias que fornecem todo o complemento seminal (DYCE et al., 2010). A glândula prostática é do tipo lobulada e composta por tecido músculoglandular produtor de secreções exócrinas que constituem o líquido prostático (ELLENPORT, 1986; EVANS; CHRISTENSEN, 1993; SOUZA; TONIOLLO; TRINCA., 2002; KUSTRITZ; KLAUSNER, 2004), importante para a sobrevivência e transporte dos espermatozoides (DORFMAN; BARSANTI, 1995; GARTNER; HIATT, 2002). Anatomicamente, a próstata canina é um órgão relativamente grande, de coloração esbranquiçada a amarelada, (EVANS; CHRISTENSEN, 1993; SOUZA; TONIOLLO; TRINCA, 2002; KUSTRITZ; KLAUSNER, 2004), inervada pelos nervos hipogástricos e pélvico. Tem um formato de ovoide a globular (ELLENPORT, 1986) bilobulado simétrico pela presença de um proeminente sulco dorsal e ventral (FOSSUM, 2005) acompanhado por um evidente septo medial interno fibroso que divide a próstata em lobos direito e esquerdo, e que são subdivididos em lóbulos por finos septos de tecido conjuntivo que se irradiam para trabeculações oriundas da cápsula (ELLENPORT, 1986; DYCE et al., 2010). Possui uma espessa cápsula que a circunda completamente de tecido fibromuscular homogêneo infiltrado por moderada quantidade de tecido gorduroso em sua superfície ventral (BARSANTI; FINCO, 1992; GREEN; HONCO, 1996). Sendo que tanto a cápsula, quanto o estroma contêm uma grande quantidade de músculo liso (ELLENPORT, 1986). A próstata canina se origina de um brotamento epitelial, a partir da uretra pélvica, por volta da sexta semana de gestação. Esta permanece no abdome do nascimento até aproximadamente dois meses de idade, e a partir daí, ou seja, após a degeneração do úraco remanescente, assume uma posição pélvica (BASINGER et al., 2003). Em animais pré-púberes é um órgão pequeno, localizado em torno da uretra proximal, medindo não mais de um centímetro de diâmetro em cães da raça Beagle (JAMES; HEYWOOD, 1979; BERRY et al., 1986). Estudos relatam que cães com menos de quatro anos, a próstata se localiza usualmente na cavidade pélvica na margem do púbis, no entanto, ao passar desta idade metade da glândula já se encontra no abdome (BASINGER et al., 2003). Na puberdade, por ser um órgão androgênico dependente, há um crescimento 20

21 fisiológico e a próstata adquire proporções maduras de tamanhos variáveis devido a ação da testosterona e da 5α-diidrotestosterona (5α-DHT) atuante ao longo da vida do cão. Estes hormônios causam proliferação dos componentes glandulares e do estroma e aumento no tamanho e número das células epiteliais prostáticas resultando em hiperplasia e hipertrofia da parte parenquimatosa da próstata (ZIRKIN; STRANDBERG, 1984; BARSANTI; FINCO, 1992; LEE, 1996). Nesta fase, a próstata esta normalmente localizada no espaço retroperitoneal delimitada caudalmente à vesícula urinária, ventralmente ao reto e dorsalmente à sínfise púbica e a parede abdominal ventral (EVANS; CHRISTENSEN, 1993; SOUZA; TONIOLLO; TRINCA, 2002; KUSTRITZ & KLAUSNER, 2004). Entre os quatro e dezesseis meses de idade, cães da raça Beagle apresentam crescimento da glândula constante e duplicado, correspondendo ao período em que a testosterona sérica aumenta até alcançar o nível adulto (JAMES; HEYWOOD, 1979; BERRY et al., 1986). Em um estudo de O Shea (1962) foi descrito que em cães adultos da raça Scottish Terrier a próstata apresentava um tamanho quatro vezes maior comparado com a próstata de cães de outras raças de pesos e idades similares. Com o avançar da idade, em animais maduros não castrados, a próstata canina continua a crescer em tamanho por um processo denominado de hiperplasia fisiológica ou mesmo, patológica, que pode afetar os lobos de forma desigual (LEE, 1996; DYCE et al., 2010) e deslocar a próstata cranialmente (DORFMAN; BARSANTI, 1995; ATALAN et al., 1999c). O peso, o comprimento, a altura, a largura e o volume da próstata são positivamente correlacionados com a idade até os 11 anos, após este tempo, na senilidade, ocorrem processos de involução, alterações fibróticas e de retração (O SHEA, 1962; ZIRKIN; STRANDBERG, 1984; LEE, 1996; RUEL, et al., 1998). Desta forma, a glândula prostática do cão apresenta três fases de atividade distinta durante a vida: crescimento normal (de 1 a 5 anos), desenvolvimento da hiperplasia fisiológica ou patológica (de 6 a 10 anos) e atrofia prostática (cães com idades superiores a 10 anos) (O SHEA, 1962; BERRY, 1986). Desta forma, o seu tamanho e suas relações anatômicas podem variar de acordo com a idade, estado patológico, distensão da vesícula urinária (BARSANTI; FINCO, 1992; GREEN; HONCO, 1996; ATALAN et al., 1999b), a raça, o tamanho do animal (O SHEA, 1962; ATALAN et al., 1999b), a influência hormonal e a variação do tamanho da parte compacta da próstata (DYCE et al., 2010), tornando difícil o sugestionamento normal prostático nessa espécie. 21

22 2.1.2 Irrigação artério-venosa Os testículos e epidídimo tem seu suprimento sanguíneo fornecido pela artéria testicular. A artéria testicular direita e esquerda compõem a vascularização primária dos testículos e tem origem dos ramos da artéria aorta abdominal dorsal próximo ao local de origem embrionária dos testículos, surgindo distalmente às artérias renais (DOGRA et al., 2003; HAFEZ, 2004). Figura 2: Molde de corrosão canina da artéria testicular (em vermelho), do plexo pampiniforme (em azul) e o ducto deferente (em amarelo). Fonte: DYCE et al., 2010 Após entrar no cordão espermático, a artéria testicular segue a superfície posterior do testículo e penetra a túnica albugínea, formando, desta forma, a artéria capsular que corre marginalmente ao testículo. Ramos dessa artéria, penetram o parênquima testicular fornecendo suprimento sanguíneo em direção ao mediastino, se ramificando para o interior dos testículos (DOGRA et al., 2003). Os principais vasos sanguíneos que formam a vascularização da glândula prostática são as artérias prostáticas, e as veias prostáticas e uretrais (EVAN; CHRISTENSEN, 1993). As artérias prostáticas se originam de duas ou três ramificações dos ramos 22

23 principais da artéria ilíaca interna que por meio de ramos das artérias pudenda interna e urogenital a formam (SIMOENS et al., 1983; STEFANOV et al., 1996). Podem também se originar das artérias vesicais inferiores (SUZUKI et al., 1991), e também das artérias uretrais e retal média (BARSANTI; FINCO, 1992; WAKUI et al., 1993; MUZZI et al., 1997; VANNUCHI, et al., 1997; DYCE et al., 2010). A vascularização da glândula consiste de um suprimento sanguíneo independente, para cada lobo, proveniente da artéria prostática homolateral (STEFANOV, 2004) que penetra a cápsula na superfície dorsolateral ou caminha lateralmente a glândula, fornencendo, desta forma, suprimento sanguíneo para a bexiga urinária após derivar os ramos prostático vesical e prostático uretral (STEFANOV et al., 1996; BASINGER et al., 2003). ARTÉRIA PUDENDA INTERNA NERVO SACRO NERVO PÉLVICO NERVO PUDENDO NERVO HIPOGÁSTRICO ARTÉRIA UROGENITAL ARTÉRIA URETRAL ARTÉRIA UMBILICAL PRÓSTATA BEXIGA NERVO PUDENDO (RAMO URETRAL Figura 3: Origem vascular da artéria prostática. Fonte: FOSSUM, 2005 A artéria prostática é uma estrutura pequena que tem um diâmetro médio de µm (STEFANOV; MARTIN-ORTI, 1997; GARTNER; HIAT, 2002). Sua parede é constituída da mesma forma que a das artérias musculares, ou seja, com sexta-feira, 5 de outubro de 12 grande quantidade de músculo liso, no entanto, com o diferencial de possuir um evidente desenvolvimento das suas túnicas (íntima, adventícia e muscular) (GARTNER; HIAT, 2002) e possuir estruturas em seu interior similares as valvas presentes nas veias (STEFANOV, 2004). De acordo com sua localização, pode ser classificada como prostática cranial, prostática medial ou lateral, prostática parenquimal ou intracapsular e prostática caudal (STEFANOV, 2004; DYCE et al., 23

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