Adolescentes em conflito com a lei

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1 Série Jornalista Amigo da Criança Adolescentes em conflito com a lei Guia de referência para a cobertura jornalística Realização: ANDI Apoio: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

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3 Série Jornalista Amigo da Criança Adolescentes em conflito com a lei Guia de referência para a cobertura jornalística Realização: ANDI Apoio: Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

4 EXPEDIENTE Copyright 2012 ANDI Comunicação e Direitos e Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Dilma Rousseff Presidenta da República Federativa do Brasil Michel Temer Vice-presidente da República Federativa do Brasil Maria do Rosário Nunes Ministra de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Patrícia Barcelos Secretária-Executiva da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República Thelma Oliveira Coordenadora do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) Carmen Silveira de Oliveira Secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente SCS B, Qd. 9, Lt. C, Ed. Parque Cidade Corporate Torre A, sala 805-A Brasília DF Telefone: (61) ANDI Comunicação e Direitos Presidenta do Conselho Diretor Cenise Monte Vicente Secretário Executivo Veet Vivarta Gerente de Articulação Institucional Miriam Pragita Gerente do Núcleo de Qualificação Suzana Varjão SDS Ed. Boulevard Center Bloco A Sala Brasília DF Telefone: (61) Esta publicação é resultado de convênio entre a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República e a ANDI Comunicação e Direitos. A reprodução do todo ou parte deste documento é permitida somente para fins não lucrativos e com a autorização prévia e formal da ANDI e da SDH/PR. Título original: Adolescentes em conflito com a lei Guia de referência para a cobertura jornalística; Conteúdo disponível também nos sites da SDH/PR (www.direitoshumanos.gov.br) e da ANDI (www.andi.org.br).

5 Sumário 04 Apresentação Conhecendo o assunto Marcos legais e processo judicial O atendimento socioeducativo O papel da imprensa Construindo uma cobertura de qualidade Assessorias de imprensa: papel estratégico Guia de fontes

6 Apresentação Este guia integra uma série de publicações editadas pela ANDI Comunicação e Direitos ao longo da última década, com o objetivo de contribuir para o aprimoramento da cobertura jornalística sobre assuntos relacionados ao universo das crianças e dos adolescentes brasileiros. Diferentemente da tendência geral do noticiário sobre a maioria dessas temáticas, que vem registrando significativos avanços, as narrativas de imprensa sobre os adolescentes em conflito com a lei encontram-se nos mais baixos patamares qualitativos, como atestam diversas análises de cobertura realizadas pela ANDI. Excessivamente factual, descontextualizado e pleno de lacunas, mitos e estereótipos além de centrar-se nas violências contra a pessoa, em prejuízo da discussão sobre as políticas públicas relacionadas, o noticiário produzido no País acaba por construir representações distorcidas do segmento em questão, pouco contribuindo para o enfrentamento da problemática a ele associada. Por esses motivos, a ANDI, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República, construiu uma série de estratégias voltadas para o fortalecimento do debate público sobre o tema, entre as quais destacam-se um seminário, uma análise de mídia e a presente publicação. Em síntese, estão aqui contemplados: Uma visão geral sobre a problemática, com um apanhado dos principais avanços e desafios no âmbito dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e das três esferas da administração pública (municipal, estadual e federal); Um apanhado das principais estratégias, mecanismos e ferramentas construídos para enfrentar o fenômeno, tanto no âmbito normativo (marcos legais) quanto no administrativo (sistema de atendimento); Um panorama geral da cobertura jornalística sobre o tema, apontando desafios, potencialidades e recursos para a melhoria desse tipo de noticiário; Uma relação dos principais atores públicos, fontes de financiamento e experiências estruturantes, desenvolvidas em diferentes unidades da federação. Tenham todos uma boa leitura! Veet Vivarta Secretário Executivo ANDI Comunicação e Direitos Maria do Rosário Nunes Ministra de Estado Chefe Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

7 Guia de referência para a cobertura jornalística 5 Conhecendo o assunto Uma breve introdução São considerados adolescentes em conflito com a lei pessoas na faixa etária de 12 a 17 anos de idade que cometeram atos infracionais de pequenos furtos a delitos graves, como homicídios. Totalizam indivíduos, número correspondente aos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas no Brasil, segundo recente levantamento da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República 1. É um segmento frequentemente associado à prática de crimes hediondos, mas as estatísticas contrariam o senso comum, demonstrando a prevalência de ações contra o patrimônio (62,8%), sendo o roubo (34,7%) e o furto (22%) as modalidades mais recorrentes 2. Os crimes contra a pessoa e os costumes representam 13,6% dos atos que geraram aplicação de medida socioeducativa, sendo que os homicídios respondem por 4,1%. 1 SDH, ILANUD, 2007.

8 6 Adolescentes em conflito com a lei É importante observar, ainda, que o número de assassinatos atribuídos a esse segmento da população foi levantado no momento da apreensão dos adolescentes. Antes, portanto, da aplicação da medida socioeducativa o que significa dizer antes de as denúncias terem sido efetivamente apuradas e os acusados serem sentenciados. Observando-se informações colhidas após esta fase, a proporção diminui significativamente. Este tipo de dado, associado a outros, ajuda a compreender um fenômeno complexo, que tem entre os seus vetores a desigualdade socioeconômica e étnico-cultural 3. INDÍCIOS O relatório Situação da Adolescência Brasileira, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) 4 de 2011, articula indicadores sociais que evidenciam a situação de vulnerabilidade a que está submetida parcela significativa dos adolescentes brasileiros. E atesta que essas vulnerabilidades não afetam da mesma forma seus 21 milhões de indivíduos, sendo agravadas por diferentes desigualdades: 3 O termo cultural, aqui, é usado no sentido sociológico, de modo de vida. 4 UNICEF, [...] nascer branco, negro ou indígena, viver no Semiárido, na Amazônia ou em comunidades populares de grandes centros urbanos, ser menino ou menina, ter ou não deficiência são fatores que ainda determinam as oportunidades na vida desses adolescentes. Entre os indicadores relacionados no estudo, está a situação de extrema pobreza em que vivem milhões de garotas e garotos com idades entre 12 e 17 anos: 17,6% dos adolescentes brasileiros, pela metodologia usada pelo Unicef, ou 7,6% deles, de acordo com os parâmetros recentemente estabelecidos pelo governo federal, no Plano Brasil sem Miséria (ver nota sobre o assunto na próxima página ). 5 Vinculado à informação de que os adolescentes em conflito com a lei somam menos de 4% dos jovens brasileiros nesta faixa etária, o indicador evidencia a impropriedade de se estabelecer uma relação direta entre pobreza e criminalidades. Mas sinaliza para o fato de que esta condição leva a outras vulnerabilidades, que incluem a ultrapassagem da linha que leva à inserção de garotos e garotas no Sistema de Justiça Juvenil. 5 MDS, 2012.

9 Guia de referência para a cobertura jornalística 7 Em outras palavras, informações colhidas em diferentes setores e esferas de poder indicam que nem todos os que vivem em condições socioeconômicas adversas são impelidos a cometer infrações, mas a maioria dos que as cometeram estão vinculados a baixos índices de desenvolvimento humano, o que aponta para uma sucessão de falhas institucionais que os expõem a violências e criminalidades seja como vítimas, seja como autores. ENGRENAGENS A baixa escolaridade é parte da engrenagem que gera pobreza e limita o desenvolvimento da pessoa. O acúmulo de repetências e o abandono escolar fazem com que a escolaridade média dos brasileiros de 15 a 17 anos seja de 7,3 anos de estudos. Isso quer dizer que os indivíduos nessa faixa etária sequer completaram o nível fundamental de ensino, que abarca nove anos de dedicação 6. Outro indicador da extensa cadeia de falhas e vulnerabilidades à qual está atrelada grande parte dos adolescentes brasileiros é a exploração do trabalho infanto-juvenil. Ainda que a legislação do País proíba o trabalho formal até os 16 anos, exceto como aprendiz, e a partir dos 14 anos, o trabalho de crianças e adolescentes, associado ou não aos estudos, é uma realidade no Brasil. Realidade, aliás, construída e que constrói condições socioeconômicas desfavoráveis. Isso porque grande parte dos adolescentes que trocam a escola por atividades re- Parâmetros diferentes A discrepância entre os dados do Unicef e do governo federal sobre extrema pobreza deve-se ao uso de diferentes parâmetros de classificação. O organismo internacional considera nesta condição as pessoas que sobrevivem com ¼ do salário mínimo por mês. Já pelo índice oficial, os extremamente pobres são os que dispõem de menos de R$ 70,00 no mesmo período. Em ambos os casos, a situação de vulnerabilidade socioeconômica de parte significativa dos adolescentes brasileiros é evidente. 6 MEC/Inep, 2009.

10 8 Adolescentes em conflito com a lei muneradas, geralmente informais, o faz para contribuir para a renda familiar uma decisão que leva à baixa escolaridade, a qual, por sua vez, limita a ascensão do indivíduo, que acaba por reproduzir o ciclo de miséria no qual estiveram inseridos seus pais. Além da baixa escolaridade e da exploração do trabalho, o relatório Situação da Adolescência Brasileira aponta diversas outras falhas e vulnerabilidades, como a privação da convivência familiar e comunitária, os homicídios e a exploração e o abuso sexual a que são expostos cotidianamente garotos e garotas em condições desfavoráveis em termos socioeconômicos e étnico-culturais. SEM SONHOS Apesar de raros, há levantamentos sobre o perfil do adolescente envolvido em atos infracionais, como o realizado pelo Ministério Público do Distrito Federal, a partir de extratos de auscultas informais e plantões de atendimento 7. No estudo, 18,2% desse público revelaram não frequentar escola e 90,5% disseram ter sofrido reprovação escolar. E, um dado chocante e revelador: 29% afirmaram não ter sonhos, ou, em outras palavras, projetos de vida. 7 MPDF, Assim, a partir da análise e articulação de dados objetivados, é possível recompor e dar visibilidade ao caminho da negligência, do abandono, da ausência de oportunidades, da desesperança, enfim, das violências simbólicas além das físicas que permeiam o universo da maioria dos garotos e garotas colhidos pelas malhas do Sistema de Justiça Juvenil do Brasil. São estatísticas que denunciam falhas graves nos sistemas encarregados de promover o desenvolvimento e o bem-estar dos adolescentes. E a sistemática violação dos seus direitos demonstra que a prioridade absoluta com que família, poderes públicos e sociedade deveriam agir para garanti-los, por imposição da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ainda é um ideal a ser alcançado. DESAFIOS Na busca deste ideal, uma das questões que devem nortear o debate público é como trabalhar pela promoção integral dos direitos de todos os brasileiros em formação, independentemente de sua condição socioeconômica e étnico-cultural, sem perder a perspectiva daqueles que, não tendo sido suficientemente protegidos, su-

11 Guia de referência para a cobertura jornalística 9 Os mais vulneráveis A desigualdade construída a partir dos parâmetros de raça e etnia faz dos adolescentes negros e indígenas os que mais sofrem os impactos das vulnerabilidades de pobreza extrema, de baixa escolaridade e de violências sexual e letal. Se comparados à média nacional, os adolescentes indígenas são três vezes mais vulneráveis ao analfabetismo que o total do grupo de meninos e meninas. E os índices de homicídios de adolescentes negros são duas vezes maiores que os dos adolescentes brancos. Comparação dos índices de analfabetismo, extrema pobeza e incidência de homicídios, por raça/etnia % Anafalbetos* % Extrema pobreza Homicídios** Média nacional 1,8 17,6 43,2 Brancos 1,2 10,3 22 Negros 2, Indígenas 6,5 38,8 30,4 Fonte: PNAD 2009 e MS/SVS/DASIS *Dados da Pnad de 2000 **Na faixa etária de 15 a 19 anos em cada grupo de 100 mil habitantes entre 15 e 19 anos

12 10 Adolescentes em conflito com a lei cumbiram a vulnerabilidades e cometeram atos infracionais. Para isso, é imperioso ultrapassar as barreiras dos mitos, das mentiras e dos estereótipos, norteando-se por horizontes técnicos e éticos para estruturar narrativas sempre estruturantes de realidades e executar as ações que afetam esse segmento. E entre as problemáticas que merecem atenção acurada (e serão abordadas neste Guia) estão o encarceramento dos adolescentes em conflito com a lei e a redução da maioridade penal. Como será exposto nesta publicação, o sistema que deveria ressocializar esse grupamento está longe de ser o ideal, o que se pode perceber, dentre outros rastros, pelos altos índices de reincidência registrados nas unidades de internação como os 30% verificados em São Paulo 8. Significa dizer que, no âmbito do Poder Executivo, sequer a última rede da teia protetiva do Estado está conseguindo cumprir a contento o seu papel. AVANÇOS É no âmbito normativo que se observam os avanços mais significativos no 8 PASSAMANI, enfrentamento do fenômeno. Com a mudança de paradigma sobre o atendimento, o adolescente que inflige a lei, ao invés de ser privado de direitos e punido como adulto, é submetido a medidas socioeducativas, que têm por objetivo ressignificar as atitudes que o levaram àquela prática e promover sua reinserção social. Essa transformação no atendimento destinado a crianças e adolescentes envolvidos em prática infracional se deu com a formulação da Doutrina da Proteção Integral, no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU), por ocasião das discussões para adoção da Convenção sobre os Direitos da Criança. O documento foi oficializado como lei internacional e ratificado pelo Brasil em Em plena sintonia com a Convenção e trazendo claros benefícios para a população brasileira, também em 1990 foi instituído o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que afirma o valor destes dois segmentos populacionais como seres humanos plenos de direitos; a necessidade de atenção especial à sua condição de pessoa em desenvolvimento; e o reconhecimento de sua situação de vulnerabilidade.

13 Guia de referência para a cobertura jornalística 11 SINASE Outro grande avanço na esfera normativa foi a recente promulgação da lei , instituindo o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). Estruturado no âmbito do Executivo, a partir de resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), o Sinase regula o processo de apuração de ato infracional e execução de medidas destinadas aos adolescentes em conflito com a lei (ver tópico específico sobre o assunto no capítulo 2). Em outras palavras, a legislação brasileira absorveu o entendimento mundial de que o adolescente, independentemente de sua eventual condição de autor de ato infracional, é merecedor de proteção integral por parte da família, da sociedade e do Estado, e que estes setores devem priorizar políticas públicas e sociais que os protejam e promovam seus direitos. Portanto, mudar a lei com base no senso comum e no clamor público pode significar grandes retrocessos. IMPRENSA Os jornalistas têm papel relevante no trabalho de esclarecimento sobre esta grave questão. Ainda excessivamente factual, descontextualizada, plena de lacunas e centrada no ato infracional, como veremos em capítulo específico, a cobertura sobre adolescentes em conflito com a lei também precisa ser repensada, com vistas ao efetivo enfrentamento do fenômeno. É a partir de tal perspectiva que, neste e nos próximos capítulos, serão oferecidos elementos que visam favorecer a compreensão sobre as diferentes facetas da problemática dos adolescentes em conflito com a lei. Conhecer melhor estes garotos e garotas e o caminho percorrido por especialistas de todo o mundo para esboçar os atuais parâmetros da legislação e dos sistemas de atendimento é um bom começo. Quem são A maior parte das pesquisas que buscam traçar o perfil dos adolescentes em conflito com a lei é baseada nos indivíduos que cumprem medidas socioeducativas em unidades de internação. Significa dizer que a representação de um universo amplo de atores suas experiências, motivações e atos é construída a partir de um grupo específico, ou seja, de uma minoria que cometeu delitos graves contra a pessoa, como homicídios. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelece a adoção de outras cinco

14 12 Adolescentes em conflito com a lei medidas, que devem ser aplicadas de acordo com a gravidade da infração praticada: Advertência; Obrigação de reparar o dano; Prestação de serviços à comunidade; Liberdade assistida; Semiliberdade. Em todos os casos, leva-se em conta a capacidade do adolescente em cumprir as medidas, as circunstâncias e a gravidade da infração. RISCOS A gradação desse sistema de responsabilização sinaliza para a necessidade de observância dos perfis dos adolescentes e da gravidade do ato infracional cometido, quando da adoção de providências ressocializantes e sancionatórias. Chama a atenção, também, para os riscos inerentes à defesa e à construção de soluções extremas para este grupamento, tendo como elementos norteadores parâmetros baseados no comportamento de apenas uma parcela desses jovens. A temática da maioridade penal, por exemplo, ganha força quando da ocorrência de um homicídio de grande repercussão, como o que vitimou o garoto João Hélio 9. E a maioria dos 9 João Hélio Fernandes, de seis anos, foi vitimado durante argumentos em defesa de sua redução é baseada neste universo recortado (ou seja, o dos adolescentes que cometem crimes graves contra a pessoa), sem levar em conta a diversidade do segmento que seria atingido pela medida. Mais: como será exposto no capítulo que trata especificamente do sistema de atendimento socioeducativo, há evidente descumprimento dessa progressividade na aplicação de medidas socioeducativas nas diferentes unidades da Federação, muitas vezes submetendo garotos e garotas a tratamento mais severo do que demandaria o ato praticado além de forçar a convivência cotidiana de indivíduos com graus diversos de delinquência e criminalidade. Associada às lacunas flagradas no processo de acompanhamento e orientação desses adolescentes desprovidos de efetivas oportunidades de lazer, estudo e profissionalização, tal convivência aponta para efeito inverso ao desejado pelo sistema, tornando eventuais infratores vulneráveis à incidência em práticas delituosas mais graves. Esse conum assalto ao carro em que estava com a mãe, no Rio de Janeiro, em Retirada do veículo, ela não conseguiu soltar o cinto de segurança do garoto, que acabou sendo arrastado pelo lado de fora do automóvel.do grupo que cometeu o assalto participava um adolescente de 16 anos.

15 Guia de referência para a cobertura jornalística 13 texto claramente sinaliza para uma prioridade no debate e na ação pública: o esforço para fazer valer a legislação que trata do atendimento aos adolescentes em conflito com a lei. CONTEXTO GERAL Números oficiais ajudam a compreender outra perspectiva do fenômeno brasileiro, ao relativizar a participação dos adolescentes no quadro geral de violências e criminalidades no País. De acordo com levantamentos de órgãos do Ministério da Justiça, os adolescentes sob restrição e privação de liberdade em 2010 representavam 3,6% do total de adultos presos no mesmo período: foram cerca de 18 mil adolescentes em restrição e privação de liberdade 10 e aproximadamente 500 mil adultos presos (ver quadro) 11. É um dado que corrobora com informações sobre o quadro internacional. Segundo estudo das Nações Unidas (Crime Trends, ou Tendências do Crime, em tradução livre), a média mundial de participação de jovens na criminalidade é de 11,6% 12. Ou seja, a contribuição dos adolescentes na criminalidade no Brasil está abaixo da média mundial e corresponde, 10 SDH, CNJ, KAHN, S/D. há décadas, a menos de 10% do total de crimes. Resumindo, a análise dos dados disponíveis desautoriza a adoção de medidas com o propósito de barrar explosões ou aumento da criminalidade relacionada a adolescentes. No entanto, este é o principal argumento usado nos pedidos de redução da maioridade penal e de extensão do tempo das medidas socioeducativas o que aponta, mais uma vez, para a necessidade de ampliação e aprofundamento do debate sobre o tema (leia mais sobre o assunto no capítulo 2). Onde estão A região Sudeste é a que concentra maior número de adolescentes cumprindo medidas socioeducativas, seguidas das regiões Sul, Nordeste, Centro-Oeste e Norte. É importante destacar, no entanto, que apenas o estado de São Paulo possui adolescentes em tal condição, representando 26,9% do total deste público no País. Levantamento de 2007 do Ilanud 13 indicou que a liberdade assistida é a medida socioeducativa mais aplicada nas diferentes unidades da Federação (41,8%), seguida de prestação de serviços à comunidade (PSC, 24,5%), 13 ILANUD, 2007.

16 14 Adolescentes em conflito com a lei Região * Adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas por regime e por região1 Privação de liberdade (MSE) Privação de liberdade (outros) Meio aberto Total % Norte ,55 Nordeste ,22 Centro-oeste ,63 Sudeste ,36 Sul ,24 Total * Privação de liberdade (MSE) equivale a internação, internação provisória e semiliberdade. Outros são, por exemplo, apreensão em delegacia e espera de oitiva, internação em unidade emergencial de Saúde, etc. internação (15,5%), semiliberdade (10%), cumulação de PSC com liberdade assistida (7,4%) e reparação de danos (0,5%). Esta mesma pesquisa verificou que há considerável prevalência de cumprimento de medidas em meio aberto nas varas de interior em relação às das capitais: 88%, contra 62,6%. Um dos motivos da discrepância aponta a pesquisa seria a concentração dos estabelecimentos de internação nas capitais. A maior diferença está na aplicação da medida de prestação de serviços à comunidade, que representa 41,5% das medidas em cumprimento no interior e apenas 11,3% nas capitais. Rumo à proteção integral A forma como a sociedade enfrenta a questão da infância e da adolescência envolvidas em atos infracionais alterou-se ao longo do tempo, transitando de uma postura de absoluta repressão para o sistema protetivo que se tem hoje. Jurista argentino e uma das maiores referências em direitos da criança e do adolescente, Emilio Garcia Mendez 14 identifica três fases principais pelas quais passaram as normas relativas a esse grupamento: 14 Emilio Garcia Mendez, atual presidente da Fundación Sur Argentina -

17 Guia de referência para a cobertura jornalística 15 Sexo masculino é maioria Dentre as especificidades que precisam ser observadas no enfrentamento da problemática dos adolescentes em conflito com a lei está a questão de gênero. Segundo o levantamento da Secretaria de Direitos Humanos, dos adolescentes que cumprem medidas socioeducativas, (31%) estão em regime de privação de liberdade e (60%) estão em meio aberto. E a representação feminina dos que se encontram em meio fechado é muito pequena: são 5% de mulheres, contra 95% de homens. Nas medidas em meio aberto esta proporção aumenta um pouco: 6% de mulheres. Um detalhe chama a atenção no universo feminino. As garotas são minoria absoluta, dentro do quadro geral de autores de atos infracionais, e, como os garotos, cometem mais crimes contra o patrimônio. Entretanto, o percentual de crimes contra a pessoa e os costumes é maior neste segmento (24,7%) do que no grupamento masculino (12,6%), conforme evidencia o gráfico. Ato infracional cometido pelo adolescente, por gênero Outros crimes/delitos/ contravenções Crimes/delitos relacionados ao 10,3% 12,6% 12,9% 16,3% Masculino Feminino Crimes contra o patrimônio 46,4% 64,2% Crimes contra a pessoa/ costumes 12,6% 24,7% Fonte: ILANUD, 2007

18 16 Adolescentes em conflito com a lei Fase 1. Tratamento penal indiferenciado Vigente especialmente no século XIX, não fazia distinção entre crianças, adolescentes e adultos. Todos eram punidos, independentemente da idade, sendo que para crianças e adolescentes, às vezes havia uma redução do tempo da pena. No entanto, todos cumpriam o castigo imposto em um mesmo local. A indignação com o encarceramento conjunto deu espaço para o surgimento da segunda fase. Fase 2. Tutelar Neste período, compreendido entre o fim dos séculos XIX e XX, a população com menos de 18 anos era tratada de acordo com a Doutrina da Situação Irregular, segundo a qual os jovens em risco ( expostos, abandonados ou delinquentes ) deveriam ser tutelados pelo Estado leia-se, recolhidos e encarcerados. E os juízes de menores, como eram chamados, agiam de ofício, isto é, sem a necessidade de provocação externa. Crianças e adolescentes pobres e abandonados poderiam ser presos sem que praticassem qualquer conduta identificada como delituosa ou criminosa, e aqueles envolvidos em tais práticas não tinham que passar por um procedimento acusatório e um julgamento. Essa estrutura acabou por criar um sistema de controle sociopenal das populações vulnerabilizadas 15. CÓDIGOS É importante destacar que o direito tutelar no Brasil foi inaugurado pelo Código Mello Matos (Decreto A), em 1927, que previa internação em estabelecimentos oficiais para os menores entre 14 e 18 anos e outros tipos de intervenção para os menores de 14 anos. Em 1964, a Lei instituiu a Política Nacional do Bem Estar do Menor, prevendo a criação das Funabem (Fundação Nacional do Bem Estar do Menor) e das Febem (Fundação Estadual do Bem Estar do Menor), responsáveis pelo encarceramento dos menores em situação irregular. O Código Mello Matos foi revogado pela Lei 6.697/79, chamada de Código de Menores. O novo documento, entretanto, acabou mantendo a mesma linha de intervenção do anterior, normatizando a categoria menor em situação irregular 16 e ampliando os poderes dos juízes e da polícia no exercício do controle sociopenal. 15 MENDEZ, RIZZINI, 1997

19 Guia de referência para a cobertura jornalística 17 O tratamento tutelar e a Doutrina da Situação Irregular só foram extintos com a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), aprovado em Esses documentos inauguraram a fase da proteção integral e da responsabilização penal dos adolescentes. Fase 3. Doutrina da Proteção Integral Sob influência dos preceitos da Convenção sobre os Direitos da Criança, nesta atual fase há uma diferenciação significativa no atendimento aos adolescentes em situação de abandono e aqueles que cometeram delitos, representando uma real ruptura em relação aos modelos anteriores. A Doutrina da Proteção Integral estabelece que crianças e adolescentes são sujeitos plenos de direitos, e não mais objetos de intervenção por parte do Estado. Além disso, firma sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento, que demanda, portanto, proteção especial. À família, ao Estado e à sociedade em geral cabe a corresponsabilidade pela proteção e respeito aos direitos destes grupamentos. Com o advento da adoção da Doutrina da Proteção Integral, houve também uma mudança de foco relevante: a responsabilidade sobre a situação de irregularidade, que recaía sobre a criança e o adolescente, passou a ser dos atores encarregados de zelar pelo respeito aos direitos deste público. Para Emílio Garcia Mendez, a Doutrina da Proteção Integral trouxe três elementos novos para o enfrentamento da problemática: a separação do tratamento destinado a crianças e adolescentes que praticaram delitos daquele destinado aos que se encontram em situação de exclusão e carência; a participação ativa das crianças e adolescentes nas decisões e ações que afetam suas vidas; e a responsabilidade penal por cometimento de crimes.

20 18 Adolescentes em conflito com a lei Marcos legais e processo judicial Um marco legal é resultado de um consenso entre os vários atores políticos envolvidos no debate sobre determinada questão. Seu estabelecimento compromete o Estado e a sociedade, que se veem obrigados a observar princípios acordados em seus instrumentos, levando-os em consideração quando da implementação de políticas públicas. É também um mecanismo que fundamenta as cobranças dos cidadãos e das organizações da sociedade civil. A partir da Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada no ano de 1948, a comunidade internacional, por intermédio da Organização das Nações Unidas (ONU), vem construindo uma série de instrumentos normativos, nos quais são registrados mecanismos de controle e cooperação, visando assegurar a não-violação dos direitos fundamentais do ser humano. Nesse esforço de estruturação de marcos legais que guiem a concretização dos direitos universais, verificou-se a necessidade de medidas dirigidas àqueles segmentos mais vulneráveis às violações. Para

21 Guia de referência para a cobertura jornalística 19 atender a tais demandas específicas, criou-se um sistema especial de proteção, que destaca alguns grupamentos, como negros, mulheres, crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiências, e se materializa nos diversos documentos firmados pelas Nações Unidas. Duas dessas ferramentas são os pactos internacionais de Direitos Civis e Políticos 1 e de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais 2, adotados pela Assembleia Geral das Nações Unidas em No artigo 10 deste último, por exemplo, é acordado que medidas especiais de proteção e de assistência devem ser tomadas em benefício de todas as crianças e adolescentes, sem discriminação alguma derivada de razões de paternidade ou outras. Já no pacto sobre os Direitos Civis e Políticos (artigo 10), há referência explícita aos adolescentes em conflito com a lei, sendo firmadas as bases do tratamento destinado aos acusados e sentenciados: Jovens sob detenção serão separados dos adultos e o seu caso será decidido o mais rapidamente possível [...]. O regime penitenciário comportará tratamento dos reclusos, cujo fim essencial é a sua emenda e a sua recuperação social. De- 1 ONU, Idem. linquentes jovens serão separados dos adultos e submetidos a um regime apropriado à sua idade e ao seu estatuto legal. Mas o instrumento-base do corpo normativo construído pela comunidade internacional para proteger esse público é a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança 3. Adotada pela Assembleia Geral da ONU em 1989 e ratificada pelo Brasil em 1990, dispõe sobre a Doutrina da Proteção Integral, demandando a observância dos princípios da excepcionalidade e brevidade da privação de liberdade de adolescentes e a instituição da justiça juvenil. Em relação, especificamente, aos garotos e garotas autores de ato infracional, há outros documentos que servem de referência para o atendimento e a aplicação da justiça. Nas Regras Mínimas das Nações Unidas para Administração da Justiça da Infância e da Juventude 4, por exemplo, são detalhadas as diretrizes para a instalação de justiças especializadas e as garantias mínimas que devem ser conferidas ao adolescente acusado de prática infracional. Diretrizes das Nações Unidas para a Prevenção da Delinquência Juvenil 5 ; e Regras 3 ONU, ONU, ONU, 1990.

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