O ENSINO DE MATEMÁTICA PARA ALUNOS COM DIFICULDADE DE APRENDIZADO - SISTEMA DE APRENDIZAGEM MÚTUO UNIFICADO

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1 O ENSINO DE MATEMÁTICA PARA ALUNOS COM DIFICULDADE DE APRENDIZADO - SISTEMA DE APRENDIZAGEM MÚTUO UNIFICADO MASSILÂNIA BEZERRA DE OLIVEIRA 1, CAIO ALVES DE MOURA 1, CAIQUE AUGUSTO CAMARGO DE ANDRADE 1, MARINA MARTINI 1, JULIANA DE ARAUJO SILVA 1, GABRIEL ADLER MANDONE DE SOUZA 1, SAMUEL ZANATTA 1 1 Escola Estadual Prof. Dr. João Chiarini RESUMO: o SAMU Sistema de Atendimento Mútuo Unificado foi uma maneira de criar maior interesse dos alunos pelas aulas de matemática. Cada sala do 9 o ano do Ensino Fundamental e dos 1 os e 2 os anos do Ensino Médio, possuem alunos com dificuldades, tratados como se fossem pacientes, e, alunos monitores, no caso enfermeiros. Essa metodologia foi adotada uma vez que muitos alunos não conseguem entender o que o professor articula logo o aluno enfermeiro, com palavras mais simples e de maneira clara consegue argumentar e fazer com que o paciente entenda do que se trata os exercícios. Muitos alunos não conseguem entender o conceito, pois não desenvolveram certas habilidades em anos anteriores, como se nota em algumas salas do ensino médio, e é nessa lacuna que os enfermeiros atuam, tirando dúvidas de exercícios e de operações simples, as quais eles sentem vergonha de perguntar ao professor, com medo de serem motivo de gozação. Dessa maneira, conseguimos retirar alguns alunos do estágio grave e os colocarem em um patamar mais tranqüilo, onde ele saiba que pode contar com a ajuda de outros alunos. PALAVRAS CHAVE: Matemática, Ensino, Ensino Mútuo INTRODUÇÃO: as dificuldades encontradas por alunos e professores no processo ensino-aprendizagem da matemática são muitas e conhecidas. Evidências dessas dificuldades podem ser verificadas pelos índices de reprovação e as estatísticas dos sistemas de ensino, como o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), o Sistema de Avaliação e Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (SARESP) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Desta forma acabam carregando deficiências num campo do saber fundamental para a plena inserção no mercado de trabalho e o exercício da cidadania. O professor, por outro lado, consciente de que não consegue alcançar resultados satisfatórios junto a seus alunos e tendo dificuldades de por si só repensar satisfatoriamente seu fazer pedagógico procura novos elementos - muitas vezes meras receitas de como ensinar determinados conteúdos - que, acredita, possam melhorar este quadro, conforme nos indica FIORENTINO (2011). Buscando novas estratégias de ensino-aprendizagem de Matemática e uma maneira de auxiliar alunos que sentem dificuldade em tal disciplina, resgatamos experiências anteriores, sobretudo com o método de Ensino Mútuo, amparado nas diretrizes de Comenius (1592/1670). Assim, criamos na Escola Prof. Dr. João Chiarini o Projeto SAMU (Sistema de Aprendizagem Mútuo Unificado), no qual alunos com dificuldade são considerados pacientes que precisam se recuperar, e cada paciente ou um grupo deles, possui um monitor denominado enfermeiro, que o ajuda tirando dúvidas. Os alunos enfermeiros, com seu linguajar mais simples e próximo dos colegas pacientes, conseguem transmitir o conteúdo da disciplina de maneira mais clara e passam concisamente o que os pacientes necessitam aprender. Tal maneira de ensino faz-se necessária, devido aos problemas que podem surgir durante a aula, entre eles destacamos a falta de didática, quando os objetivos do professor não é atingido devido as expressões do mesmo em sala de aula; a presença de alunos desinteressados, que acabam chamando a atenção pra si, prendendo a atenção do seu colega e desnorteiam a explicação do professor. MATERIAL E MÉTODOS: Tendo em vista a necessidade de um acompanhamento individualizado no ensino de Matemática e a dificuldade de se fazer isso no atual sistema de ensino público paulista, recorremos ao método do Ensino Mútuo. Em sua Didática Magna, Comênius ensina como um único professor pode ser suficiente para qualquer número de alunos fazendo uso de monitores. No nosso caso, os monitores são os enfermeiros, alunos com maior facilidade e domínio de habilidades na disciplina, identificados pelos professores por uma avaliação diagnóstica. O SAMU foi desenvolvido com os alunos do 9 o Ano do Ensino Fundamental e dos 1 os e 2 os Anos do Ensino Médio, tendo como responsáveis os professores de Reforço em Matemática e de Matemática.

2 Identificados os participantes e suas funções, durante as aulas de Matemática formaram trios, com um enfermeiro e dois pacientes, nos quais havia a troca de idéias e orientações para a resolução de atividades, supervisionado pelo professor. Para avaliar os resultados, tomamos como base as notas dos 2 primeiros bimestres nas áreas das Ciências Exatas e da Matemática. RESULTADOS E DISCUSSÃO: as atividades do SAMU se iniciaram no segundo bimestre de Assim, é possível fazer uma comparação com o primeiro bimestre do ano para verificar se essa metodologia de ensino foi eficaz nas salas que estavam envolvidas. Quando nos referimos a área de Ciências Humanas englobamos o ensino de Historia, Geografia, Filosofia e Sociologia, na área de Linguagens e Códigos engloba-se o ensino de Língua Portuguesa, Língua Estrangeira Moderna, Arte e Educação Física e, na área de Ciências da Natureza temos a Biologia, Física e Química. No primeiro bimestre, no 1 o Ano A do Ensino Médio a média de matemática da sala encontrava-se em torno de 5,5 como é demonstrado na Figura 1, sendo que cada cor presente no gráfico representa um bimestre no ano de 2011: cor azul representa a média da sala no primeiro bimestre de 2011, a cor vermelha representa a média do segundo bimestre, quando o SAMU foi colocado em operação, e as cores verde e lilás representam respectivamente, o terceiro e quarto bimestre que ainda estão em andamento no ano letivo. Figura 1: Médias de notas por área do 1 o Ano A do Ensino Médio Nota-se que, dentre todas as áreas, a do ensino de matemática é a que apresentava a menor média, demonstrando certa dificuldade dos alunos perante o assunto tratado. Porém, quando analisamos o segundo bimestre, vê-se que a média da sala passou a ser 6,0 (Figura 1). Ainda, que o número de notas abaixo de cinco reduziu consideravelmente, bem mais do que as outras áreas (Figura 2). Figura 2: Número de notas abaixo de 5 por área no 1 o Ano A Também houve um aumento da média de notas de Matemática no 1 o ano B (Figura 3). Figura 3: Médias de notas por área do 1 o Ano B do Ensino Médio Porém, houve uma pequena redução na quantidade de notas abaixo de 5 (Figura 4), sendo que neste caso encontramos uma forte indisciplina durante o Ensino de Matemática.

3 Figura 4: Número de notas abaixo de 5 por área no 1 o Ano B Quando comparado com outras áreas, nota-se que apenas em Matemática houve uma melhora tanto de média como de notas abaixo de 5, pois nas outras áreas tem-se um aumento consideravel do primeiro para segundo bimestre. Ao afrontarmos os 2 os Anos, encontra-se uma diferença nos resultados. Enquanto o 2 o Ano A obtevese em quase todas as áreas uma decaída de média e um aumento de notas abaixo de 5 (Figura 5 e 6), o 2 o Ano B observa-se uma pequeno mas apreciável aumento nas médias e um decréscimo nas notas abaixo de 5 (Figura 7 e 8). Figura 5: Médias de notas por área do 2 o Ano A do Ensino Médio Matemática Ciências Humanas Ciências da Natureza Linguagens e Códigos Figura 6: Número de notas abaixo de 5 por área no 2 o Ano A Matemática Ciências Humanas Ciências da Natureza Linguagens e Códigos Figura 7: Médias de notas por área do 2 o Ano B do Ensino Médio Figura 8: Número de notas abaixo de 5 por área no 2 o Ano B Consideramos assim que o SAMU surtiu maior efeito quando encontramos alunos mais motivados e alunos que se permitem serem ajudados, ou seja, caso haja rejeição perante a sala, nenhum projeto ou linha de pesquisa consegue seguir em frente. No nosso caso, o 2 o Ano A apesar de ser uma sala mais disciplinada, teve vários casos de rejeição ao apoio dos enfermeiros. Já o 2 o Ano B, mesmo com mais casos de indisciplina e dificuldades na aprendizagem, os alunos se mostraram mais dispostos e gostaram de possuir um enfermeiro

4 junto de si, podendo tirar dúvidas, que muitas vezes não tira com o professor por vergonha do que o colega pode achar. Em relação ao Ensino Fundamental, tem-se que ambas as salas tem muita indisciplina, porém quando reunidos em grupos com seus monitores, este problema foi drasticamente reduzido, ampliando a concentração e assim a aprendizagem em tal matéria, como demonstra as Figuras 9 e 10. Quanto as notas abaixo de 5, houve pouca mudança, mas o diferencial está que, enquanto matemática se manteve ou diminui, as outras áreas aumentaram apreciavelmente o número de notas abaixo de 5 (Figura 11 e 12). Figura 9: Médias de notas por área do 9 o Ano A do Ensino Fundamental Figura 10: Número de notas abaixo de 5 por área no 9 o Ano A Figura 11: Médias de notas por área do 9 o Ano B do Ensino Fundamental Figura 12: Número de notas abaixo de 5 por área no 9 o Ano B Segundo o Relatório Pedagógico do SARESP (2009), a maioria das questões de Matemática em tal avaliação são de carater aberto, avaliando as habilidades para operar com números (ordenação, contagem, comparação), solucionar pequenos problemas e realizar tarefas envolvendo informações expressas em gráficos e tabelas. É neste ponto que o SAMU também se faz de extrema importancia uma vez que muitos alunos considerados pacientes não possuem dificuldade para entenderem a matéria do seu respectivo ano, e sim em atingirem seus objetivos, pois tem deficit em certas habilidades dos anos anteriores, e um enfermeiro pode e sabe muito bem explicar claramente como se resolve pequenas operações, ou como se interpreta um gráfico/tabela. Quanto mais apoio se dá aos alunos, maior é sua autoestima e assim a vontade dele de aprender e de querer de destacar em sua escola, e é com esse intuito que o SAMU atua, promovendo a valorização da pessoa, possibilitando igualdade de oportunidades e resultados para aos diferentes tipos de alunos.

5 CONCLUSÃO: por meio dos resultados do 2 o bimestre, pode-se dizer que uma metodologia de ensino diferenciada no ramo de exatas é de importância para os alunos e para o professor, pois uma vez que os alunos possam contar com a ajuda de monitores, o professor dedica-se exclusivamente para alunos que necessitem de atenção, e que, quando reunidos em grupos, facilita o entendimento do conceito explicado. Baseado nessa experiência nota-se que algumas salas tiveram uma estimável melhora devido a promoção da autoestima que resultou em maior vontade de adquirir conhecimento. No entanto, deve-se estar atento a recepção da sala, pois nenhuma receita é infalível, visto que, onde houve rejeição ao projeto este não conseguiu resgatar os alunos com dificuldades, mantendo o desafio para o professor. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FIORENTINI, D. MIORIN, M. A. Boletim SBEM-SP. Ano 4, n. 7. Faculdade de Educação da UNICAMP. Disponível em <http://www.matematicahoje.com.br/telas/sala/didaticos/recursos_ didaticos.asp?aux=c>. NEVES, Fátima Maria. O Método Lancasteriano e o Projeto de Formação disciplinar do povo (São Paulo, ). 2003, 293f. Tese (Doutorado em História) UNESP, Assis, SARESP, Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo. Relatório Pedagógico, Matemática, Secretaria da Educação, Governo do Estado de São Paulo, 2009.

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