GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NA ILHA DE SANTIAGO

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1 GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS URBANOS NA ILHA DE SANTIAGO O processo de criação de um sistema intermunicipal e o desafio da sua viabilização Gilberto SILVA

2 Sumário 1. O quadro legal e institucional de gestão de resíduos sólidos em Cabo Verde 2. A gestão de RSU a nível municipal na ilha de Santiago: principais características (o caso da Praia) 3. Sistema Intermunicipal de Gestão de R. Sólidos de Santiago em processo de criação 4. A problemática da viabilização financeira do sistema

3 1. Quadro legal e institucional de gestão de resíduos sólidos em Cabo Verde Lei das bases do ambiente (Lei 86/IV/93) consagra o princípio da responsabilidade do produtor pelos resíduos que produz (artigo 24º) Estatuto dos municípios (Lei 134/IV/95 ) responsabiliza as autarquias pela limpeza urbana e estabelecimento dos sistemas municipais de gestão de resíduos sólidos, planeamento e realização de investimentos neste sector

4 Decreto-Legislativo n.º 14/97 de 1 de Julho desenvolve certas normas da Lei da Bases do Ambiente: Introduz os conceitos de resíduos urbanos e industriais; Define algumas competências do Governo: Políticas, planos e directivas nacionais, investimentos em infraestruturas de tratamento, aprovação e assistência à execução de projectos de recuperação de resíduos industriais ;

5 Define algumas competências dos Municípios: Definição e implementação de sistemas municipais de recolha, transporte, armazenagem, tratamento e eliminação final de resíduos sólidos urbanos, elaboração e aprovação de posturas nesta matéria, promoção da implantação de projectos aprovados pela Administração Central; Responsabiliza os detentores de resíduos a darem o destino final aos mesmos, especialmente as empresas no que tange os resíduos industriais e as unidades de saúde em relação aos resíduos hospitalares

6 Decreto-Lei n.º 31/2003, de 1 de Setembro estabelece os requisitos essenciais a considerar na eliminação de resíduos sólidos urbanos, industriais e outros, bem como a respetiva fiscalização, visando a proteção ambiental e da saúde pública (dever de eliminação, responsabilidades de entidades, prevenção e valorização de resíduos, operações de eliminação, licenciamentos ) Regulamento sobre resíduos hospitalares classifica esses resíduos hospitalares e estabelece as regras de sua deposição, recolha, tratamento e destino final; define as responsabilidades dos produtores e outras de entidades nesta matéria.

7 Regulamento sobre resíduos hospitalares classifica esses resíduos hospitalares e estabelece as regras de sua deposição, recolha, tratamento e destino final, definindo as responsabilidades dos produtores e outras de entidades nesta matéria. Lei nº 17/VIII/2012 de 23 de Agosto sobre a Taxa Ecológica que incide sobre as embalagens e alguns produtos com impacto negativo sobre o ambiente; define o destino a dar às receitas resultantes da taxa.

8 Posturas e Regulamentos municipais que estabelecem as regras de gestão de resíduos sólidos, a higiene e a limpeza pública. Define em detalhe os conceitos, classifica os resíduos, define o sistema de resíduos sólidos e as suas componentes, estabelece as contraordenações e as coimas, bem como o tarifário.

9 Em processo de aprovação/publicação: Portaria que estabelece as normas concernentes à gestão dos óleos usados, incluindo a recolha/transporte, a armazenagem, o tratamento e a valorização; Portaria que estabelece as normas, os critérios e os procedimentos de gestão de RCDs Portaria que estabelece os dados essenciais a considerar no licenciamento das diferentes operações de eliminação de resíduos industriais

10 Principais instrumentos que definem as políticas sobre resíduos sólidos Programa do Governo da presente legislatura ( ) Programas de governação municipal PANA II horizonte 2014 Plano Nacional de Saneamento (2010).

11 2. A gestão de RSU a nível municipal na ilha de Santiago: principais características (o caso da Praia) A gestão de RSU resume-se à limpeza pública, recolha e deposição final num vazadouro municipal Os serviços não cobrem 100% do território municipal nem na limpeza pública, nem na recolha de RSU Ainda não se opera nenhuma etapa no processo de transformação e valorização dos resíduos (reciclagem)

12 A gestão de RSU é atribuição de um departamento que integra a estrutura orgânica da câmara municipal normalmente muitos trabalhadores com fraca qualificação Insuficiência de investimentos, a taxa cobrada para a gestão de RSU representam menos de 50% dos custos operacionais dos serviços Os serviços são prestados directamente pela Câmara Municipal, a terceirização é ainda incipiente

13 Limpeza de vias e praças CM Limpeza das ribeiras e encostas Privados Limpeza Pública Limpeza da orla marítima CM + Privados Limpezas de enxuradas nas vias e canais CM + Privados Limpezas especiais Privados

14 Recolha domiciliar de RSU CM + Privados Recolha de RSU em contentores CM Recolha de RSU Recolha de RSU da Limpeza e verdes CM Recolha de monstros CM Recolha de resíduos comerciais Privados Recolha de carcaças de viaturas Privados Recolha de entulhos CM + Privados

15 Tratamento de RSU Depósito e aterro de RSU no vazadouro municipal Em suma: A gestão de RSU a nível municipal é ainda ineficiente e baseia-se, predominantemente, na prestação directa dos serviços por falta de um sistema eficaz de financiamento

16 3. Sistema Intermunicipal de Gestão de R. Sólidos de Santiago em processo de criação Pressupostos essenciais de sua criação Plano de Gestão de RSU para a estabilidade do sector: menos políticas de curto prazo e mais visão de médio e longo prazo. Vontade política para a abordagem intermunicipal na gestão de RSU;

17 Vontade política do Estado para apoiar nos investimentos; Clima de cooperação entre o Governo e municípios para garantir a continuidade do modelo de gestão adoptado; Sistema de monitoramento para a formulação e aplicação tempestiva de estratégias correctivas; Situação económica estável para evitar a degradação ou mesmo a paralisação do sector e dos serviços públicos

18 Princípios para o seu desenho do modelo de gestão de RSU 1. Princípio da Universalização dos serviços - aumento gradual da taxa de cobertura de recolha de RSU, evolução de sistemas simples para as mais sofisticadas 2. Princípio dos 3 R s Reduzir, Reutilizar, Reciclar 3. Princípio do Poluidor Pagador, sobretudo para os grandes geradores de resíduos 4. Princípio da Regionalização dos Serviços (para a economia de escala)

19 5. Princípio de Solidariedade 6. Princípio de Prevenção (cautela: adopção de soluções técnicas ambientalmente aceites) 7. Princípio de Sustentabilidade Financeira - participação financeira da população nos custos de exploração do sistema 8. Princípio de Participação (o cidadão participa porque vê o espaço público como o ambiente que determina o bem estar dele e da sua família)

20 9. Princípio da simplicidade das soluções técnicas e organizacionais 10. Princípio da Cooperação entre as administrações central e local para o bem-estar da população da Ilha de Santiago.

21 Cronologia das decisões/acções para a criação do sistema Plano Nacional de Desenvolvimento , mais tarde PANA II: Melhoria da gestão de RSU como objectivo 2004: avaliação económica e financeira da Gestão de RSU - estudo feito pela HYDEA 2006: Definição e aprovação do Modelo de Gestão dos RSU da ilha de Santiago, consultoria da GOPA

22 2008: Acordo Governo de CV - EU: financiamento do Projecto de Gestão Integrada de Gestão de RSU da Ilha de Santiago, euros, no quadro do IXº FED Acordo Governo de CV Associação dos Municípios de Santiago para implementação do Projecto/Sistema Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos da ilha de Santiago PGIRS (elaborado pela GOPA)

23 2009: A nível dos municípios: aprovação dos regulamentos de resíduos sólidos higiene e limpeza pública + Autorização para a participação na criação da sociedade EIGRS 2010: Aprovação do orçamento programa para a instalação da EIGRS (pelo MITT e Delegação da EU) 2011 Criação formal da Empresa Intermunicipal de Gestão de Resíduos Sólidos - EIGRS (matrícula nº 3232/2011/06/02) : finalização e entrega do A. Sanitário, aquisição de equipamentos, instalação efectiva da EIGRS

24 Modelo institucional de gestão de RSU A C I O N I S T A S (Concedentes) RG PR SD SLO SS M SCZ SCA SM TA - Aprovação de políticas - Aprovação de instrumentos de gestão - Pagamento pelo serviço prestado E I G R S (Concessionário) - Entidade Gestora de RSU - Elaboração/aplicação de instrumentos de gestão - Contratação de operadores privados - Fiscalização de operadores privados Operador Privado 1 Operador Privado 2 - Recolha e transporte de RSU - Gestão do Aterro Sanitário

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27 Conforme Directiva 99/31/CE

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29 4. A problemática da viabilização financeira do sistema Despesas Anual Mensal CVE EURO CVE EURO Funcionamento Despesas de capital Manutenção Total

30 Os custos operacionais do sistema devem ser suportados pelos municípios com base nas receitas advenientes da cobrança da tarifa de resíduos sólidos junto dos utilizadores A Praia deve contribuir com 71% dos custos e os restantes 8 municípios com 29%; O sistema de cobrança da tarifa de resíduos sólidos junto dos utilizadores é ainda bastante ineficaz Os municípios não têm actualmente a capacidade financeira para cobrir o défice financeiro

31 Como solucionar viabilizar financeiramente o sistema? o Reduzir os custos operacionais (!?) o Tornar eficaz o sistema de cobrança da cobrança da tarifa de resíduos sólidos (!?) o Cofinanciar o sistema com recursos provenientes da Taxa Ecológica? Seja qual for a solução, ela deve ser encontrada conjuntamente pelos municípios e pelo Governo

32 Obrigado

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