TRANSPORTE ESCOLAR PROGRAMAS DE APOIO DO GOVERNO FEDERAL

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1 TRANSPORTE ESCOLAR PROGRAMAS DE APOIO DO GOVERNO FEDERAL PAULO DE SENA MARTINS Consultor Legislativo da Área XV Educação, Cultura, Desporto, Ciência e Tecnologia MAIO/2008

2 Paulo de Sena Martins Câmara dos Deputados. Todos os direitos reservados. Este trabalho poderá ser reproduzido ou transmitido na íntegra, desde que citados o autor e a Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados. São vedadas a venda, a reprodução parcial e a tradução, sem autorização prévia por escrito da Câmara dos Deputados. Este trabalho é de inteira responsabilidade de seu autor, não representando necessariamente a opinião da Câmara dos Deputados. Câmara dos Deputados Praça 3 Poderes Consultoria Legislativa Anexo III - Térreo Brasília - DF

3 Paulo de Sena Martins 3 TRANSPORTE ESCOLAR PROGRAMAS DE APOIO DO GOVERNO FEDERAL As despesas com transporte escolar são expressamente admitidas como integrantes da categoria Despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino- MDE (art.70,viii,ldb). São despesas que se inserem no âmbito da função própria de Estados, DF e Municípios, sem prejuízo do exercício da função supletiva por parte da União. Esta se dá por meio de dois programas : 1) O PNATE O Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar. Foi instituído pela Lei nº10.880/2004, resultante da conversão da Medida Provisória nº 173/04. Seus beneficiários são os alunos do ensino fundamental público residentes em área rural. O Programa, cujas regras são atualmente definidas pela Resolução FNDE nº10, de 07/04/2008, consiste na transferência automática de recursos financeiros, sem a necessidade da celebração de convênio, para custear despesas com reforma, seguros, licenciamento, impostos e taxas do ano em cursos, pneus, câmaras, serviços de mecânica em freio, suspensão, câmbio, motor, elétrica e funilaria, recuperação de assentos, combustível e lubrificantes de veículos e embarcações. Possibilita, ainda, o pagamento de serviços terceirizados de transporte escolar. Os recursos são repassados em nove parcelas iguais, entre março e novembro. O valor per capita tem por base os valores praticados em 2007, acrescidos do Fator de Correção de Desigualdade Regional-FCDR e do Fator de Necessidade de Recursos do Município-FNR-M. O acompanhamento e controle social são exercidos pelos Conselhos do Fundeb, nos termos da Lei nº11.494/07. Há teto para as despesas com combustível e lubrificantes. 2) Programa Caminho da Escola Instituído em 2007, orienta-se para a renovação e ampliação da frota de veículos de transporte escolar. Consiste na concessão pelo BNDES de linha de crédito especial para a aquisição por estados e municípios, no período de 2007 a 2009, de veículos(ônibus, micro-ônibus e embarcações).trata-se de empréstimo, com financiamento de até 72 meses. A quantidade de composições a ser solicitada leva em consideração o número de alunos da zona rural transportados: Até 200 alunos 1 composição; De 201 a 500 alunos 2 composições;

4 Paulo de Sena Martins 4 De 501 a 1000 alunos 3 composições; De 1001 a 2000 alunos 4 composições; De 2001 a 3500 alunos 5 composições; Mais de 3500 alunos 6 composições. Há propostas no sentido de que a matriz de recursos do PNATE seja fundada sobre as distâncias percorridas. Este mecanismo não é simples. Vários são os elementos de custo operacional: a) combustível, que pode variar diesel, gasolina, álcool; b) terceirização da frota; c) manutenção dos veículos; d) salário dos servidores; e) encargos sociais; f) passes escolares; g) impostos; h) seguros. Ademais, as condições da estrada ou de navegabilidade das vias fluviais podem interferir nos custos. Acredita-se que a adoção das distâncias poderia favorecer a região Norte. Como procuraremos demonstrar, não é bem assim. Há mais distâncias percorridas em estados do Sudeste que em vários da região Norte. Os elementos definidos pelo FNDE para a distribuição com eqüidade fator de necessidade e de correção parecem beneficiar a região Norte. Em 2004 foi produzido o 1º Levantamento do Transporte Escolar, que obteve dados, a partir de informações declaratórias, de 2836 municípios, isto é 51% dos municípios brasileiros. Na Região Norte predomina o transporte de alunos da zona rural para a rural. Assim, a região tem alta possibilidade de ser abrangida pelo PNATE (duas últimas colunas do quadro abaixo).

5 Paulo de Sena Martins 5 ALUNOS TRANPORTADOS 2004 REGIÃO NORTE UNIDADE DA URBANA PARA RURAL PARA RURAL PARA TOTAL FEDERAÇÃO URBANA URBANA RURAL Brasil Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Podem ser feitas, ainda, as seguintes observações: - Dos 6200 alunos transportados pela esfera federal, de zona urbana para urbana na região,5910 eram do estado do Pará; - dos7.108 alunos transportados pela esfera federal, da zona rural para a urbana,7022 eram do estado do Pará; - dos 142 alunos transportados pela esfera federal, da zona rural para a rural na região, todos eram do Pará. - Dos alunos transportados na Região Norte: eram transportados pela esfera federal; eram transportados pela esfera estadual; eram transportados pela esfera municipal. - dos alunos transportados no estado do Pará: eram transportados pela esfera federal; eram transportados pela esfera estadual; eram transportados pela esfera municipal. Assim, se, por um lado, o Pará é o estado que mais apoio recebe da esfera federal, em termos de alunos transportados, também é aquele em que a esfera municipal mais transporta quase o dobro dos alunos transportados por Tocantins, que vem a seguir. As tabelas abaixo indicam os principais indicadores de custo.

6 Paulo de Sena Martins 6 CUSTO POR QUILÔMETRO RODADO UNIDADE DA FEDERAÇÃO NÚMERO DE MUNICÍPIOS QUE RESPONDERAM CUSTO MÉDIO Brasil ,58 Norte 140 1,73 Rondônia 24 1,97 Acre 8 1,69 Amazonas 15 2,11 Roraima 1 1,63 Pará 52 1,69 Amapá 2 1,23 Tocantins 38 1,52 CUSTO-ALUNO UNIDADE DA NÚMERO DE MUNICÍPIOS CUSTO MÉDIO POR FEDERAÇÃO QUE RESPONDERAM ALUNO(R$) Brasil ,30 Norte ,48 Rondônia 24 69,63 Acre 8 46,01 Amazonas 15 61,49 Roraima 1 64,00 Pará 52 65,98 Amapá 2 116,17 Tocantins 38 91,01 As distâncias percorridas são indicadas pelos quadros a seguir. MEDIDAS ESTATÍSTICAS DE MAIOR DISTÂNCIA PERCORRIDA PELOS VEÍCULOS EM NOVEMBRO DE REGIÕES REGIÃO DISTÂNCIA MÉDIA (KM) Brasil 92,4 Norte 100 Nordeste 73,6 Sudeste 96,3 Sul 89 Centro-Oeste 156,4

7 Paulo de Sena Martins 7 MEDIDAS ESTATÍSTICAS DE MAIOR DISTÂNCIA PERCORRIDA PELOS VEÍCULOS EM NOVEMBRO DE ESTADOS DA REGIÃO NORTE ESTADO DISTÂNCIA MÉDIA (KM) Rondônia 126,4 Acre 89,4 Amazonas 67,2 Roraima 75 Pará 72,4 Amapá 98,5 Tocantins 133 Verifica-se que, em termos de distância média, a região Norte é superada pela Centro-Oeste e não se afasta da região Sudeste. Pará, Roraima e Amazonas têm distâncias médias inferiores a todos os estados da região Sudeste. Assim, uma matriz por quilômetros rodados não necessariamente beneficiará a região Norte ou todos os seus estados. Nos termos do Art. 5º, 1º da mencionada Resolução, o Fator de Necessidade de Recurso do Município FNR-M é definido considerando: Percentual da população rural do Município (IBGE 2000), Área do Município (IBGE- 2001), Percentual da População abaixo da linha de pobreza (IPEADATA 2000) e Índice de Desenvolvimento da Educação Básica-IDEB (INEP-2005). O 2º estabelece que o valor per capita do PNATE para 2008 será definido tendo como base o valor per capita do ano de 2007, acrescido do Fator de Correção de Desigualdade Regional, conforme Anexo I da Resolução. QUADRO 1 DISTRIBUIÇÃO DOS ESTADOS POR FAIXA DE NECESSIDADE FAIXAS NECESSIDADE DE RECURSOS ESTADOS Faixa 1 Muito Baixa RJ, SC, RS, PR, SP e DF Faixa 2 Baixa SE, ES, RN, GO, AL, PB, PE e MG Faixa 3 Média TO, MS, RO, MT, MA, PI, CE e BA Faixa 4 Alta RR, AP, AC, AM e PA Fonte :FNDE - Resolução FNDE nº10, de 07/04/2008 Verifica-se que os estados da região Norte estão contemplados nas faixas de alta e média necessidade de recursos. Também os municípios foram inseridos em quatro faixas. Para o ano de 2008, a distribuição é a seguinte:

8 Paulo de Sena Martins 8 FAIXA 1 FAIXA 2 FAIXA 3 FAIXA 4 UF MUITO BAIXA BAIXA MÉDIA ALTA DF 84,54 RJ 81,89 83,79, 85,68 87,58 SC 81,71 83,42 85,13 86,84 RS 81,63 83,27 84,90 86,53 PR 81,56 83,13 84,69 86,26 SP 81,72 83,43 85,15 86,87 SE 82,91 85,82 88,73 91,64 ES 83,02 86,05 89,07 92,09 RN 83,10 86,19 89,29 92,38 GO 83,19 86,38 89,58 92,77 AL 83,14 86,28 89,42 92,56 PB 83,34 86,67 90,01 93,35 PE 83,23 86,45 89,68 92,91 MG 83,26 86,53 89,79 93,06 TO 85,28 90,55 95,83 101,10 MS 85,06 90,11 95,17 100,23 RO 85,24 90,48 95,71 100,95 MT 84,97 89,93 94,90 99,87 MA 85,01 90,01 95,02 100,03 PI 85,43 90,86 96,29 101,72 CE 84,78 89,56 94,34 99,11 BA 85,02 90,05 95,07 100,09 RR 86,44 92,88 99,33 105,77 AP 89,09 98,18 107,27 116,36 AC 86,96 93,91 100,87 107,82 AM 88,75 97,49 196,24 114,98 PA 86,54 93,09 99,63 106,17 Fonte :FNDE - Resolução FNDE nº10, de 07/04/2008 Assim, os municípios dos estados da Região Norte têm os maiores coeficientes. Desta forma, não recomendamos a adoção do critério de distâncias como único elemento definidor dos valores per capita. A questão é complexa e merece debates mais aprofundados a partir de audiências públicas na Comissão de Educação e Cultura. No âmbito do poder executivo realiza-se em 08 e 09 de maio, na Universidade de Brasília, o seminário de Transporte Escolar, organizado pela Centro de formação de Recursos Humanos em Transporte-CEFTRU/UnB e pelo FNDE.

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