A EVOLUÇÃO DA CULTURA DO CAFÉ E DA CANA-DE-AÇUCAR NO MUNICIPIO DE FRANCA: UM ESTUDO NOS ANOS DE 1990 A 2007

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1 344 A EVOLUÇÃO DA CULTURA DO CAFÉ E DA CANA-DE-AÇUCAR NO MUNICIPIO DE FRANCA: UM ESTUDO NOS ANOS DE 1990 A 2007 Jordanio Batista Maia da Silva (Uni-FACEF) Hélio Braga Filho (Uni-FACEF) 1 INTRODUÇÃO Vivemos em um mundo em constantes mudanças na tecnologia, no pensamento e na economia. A agricultura não podia deixar de lado essas mudanças. Sabendo que a agricultura sempre foi um dos fatores que influencia a economia do Brasil, deve ser dada uma atenção a ela. A agricultura no Brasil viveu vários ciclos que se podem destacar, os ciclos da cana-de-açúcar e do café e outro ciclo muito importante para a economia foi o ciclo do ouro em Minas Gerais. Com a chegada dos portugueses ao Brasil, eles tinham que ter uma maneira de explorar esse território, foi onde começou a exploração agrícola. Essa exploração começou com a cultura da cana-de-açúcar sendo que a produção era para a fabricação de açúcar, pois os portugueses conheciam bem essa técnica e durante muitos anos o açúcar foi o principal produto de exportação do Brasil. Porém, outros países começaram a produzir açúcar fazendo com que aumentasse a produção mundial, ocasionando assim um aumento na oferta e uma redução nos preços. Era preciso encontrar outro produto que substituísse o açúcar nas exportações, foi onde entra em cena na agricultura brasileira, o café. O café que foi trazido para o Brasil no século XVIII, começou a se destacar no século XIX até então ele era cultivado em toda parte, porém, somente para o consumo interno, e em pouco tempo o café tornou-se o produto agrícola com maior volume de exportação, e assim foi durante muito tempo. A partir de meados do século XIX o café chega à região noroeste do estado de São Paulo, desde então ganhando destaque nas exportações agrícola do estado paulista. A produção de café com o passar dos anos foi crescendo de uma maneira em que mercado consumidor desse produto não conseguiu absolver a

2 345 crescente oferta, começando as crises. Em 1929 com a quebra na bolsa de Nova York, o café chegou a um preço muito baixo e o governo brasileiro se viu obrigado a intervir e compra um excedente e regulamenta a produção. Nos anos de 1970 ouve grandes impactos no preço do petróleo fazendo com que se elevasse em até quatro vezes. E então, foi pensado em criar 3 uma nova matriz energética, e em 1975 foi criado o Programa Nacional do Álcool conhecido apenas por PROÁLCOOL. Esse programa visava incentivar com financiamentos a produção agrícola da cana-de-açúcar para a produção do álcool combustível, e em 1995 com a redefinição do Proálcool a cana-de-açúcar chega à cidade de Franca. A partir dessa data a zona rural da cidade de Franca começa a mudar da cultura do café para a cultura da cana-de-açúcar, pois a redefinição do Proálcool visava financiar ainda mais o plantio e a industrialização da cana-de-açúcar. Apesar do incentivo de financiamento do plantio da cana-de-açúcar, tinha outro problema para o plantio do café; ele tinha que ser plantado e havia uma espera de 4 a 6 anos para começar a colher. O fato de ter que ficar esperando para colher fez com que muitas propriedades agrícolas cafeeiras fossem arrancadas para se tornar canaviais, pois os fazendeiros não precisavam de se preocupar com o plantio, cultivo e com a colheita do café, ocasionando assim uma mudança na agricultura do município de Franca. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Entender a evolução dos ciclos da cana-de-açúcar é do café e ver como começaram e como terminaram cada ciclo é de extrema importância para fazer uma comparação nos dias atuais. A cana-de-açúcar que foi trazida pelos portugueses, começa a ver que o preço do açúcar na era colonial sofreu uma forte queda fazendo que os portugueses perdessem boa parte daquilo que tinham ganhado nos séculos anteriores. (FURTADO, 1987, p. 26). Depois que o Brasil começou a ter concorrência na produção do açúcar, os preços começam a cair fazendo com que haja necessidade de um novo produto para fortalecer as exportações brasileiras.

3 346 Com a necessidade de um novo produto para a exportação brasileira começa a expansão cafeeira no Brasil, de acordo com Celso Furtado essa expansão faz com que se modifiquem as bases do sistema econômico, constituindo uma etapa de transição econômica. (FURTADO, 1987, p.38) Sabendo que o cafezal tem um tempo muito demorado para começar a colher, Gorender diz que: é uma cristalização de renda da terra: aquela renda da terra que não foi recebida durante quatro a seis anos está ali no cafezal. (GORENDER, 1987, p. 39). Essa cristalização da renda como é chamada por Gorender em 1987 o tempo de cultivo do cafezal antes de começar a colher, é um motivo que faz com que muitos produtores de café mudem para o plantio da cana-de-açúcar. Os recursos financeiros na lavoura de café eram importante por duas razões. Primeiramente, por se tratar de uma cultura permanente que exige um período relativamente longo para sua formação. A segunda razão refere-se às elevadas exigências do trato do café. (LACERDA, 2000, p. 33) Esse recurso financeiro é de alta necessidade, pois o agricultor tem que esperar por um longo tempo para começar a produzir, e o custo desse tempo de espera é alto, o que faz muitas vezes o agricultor não conseguir se manter sem que sejam arrancadas as lavouras de café para serem plantadas outras culturas que da um retorno do capital investido mais rápido. As lavouras do café, e, portanto, a produção possuía amplas condições de crescimento no estado. O estado de São Paulo ainda tinha muita terra improdutiva foi onde ajudou a expansão dessa cultura no estado. Outro fator foi à malha ferroviária que vinha sendo implantada no estado. (LACERDA, 2000, p.32) As grandes áreas improdutivas no estado paulista ajudou a expansão da cultura cafeeira no estado, pois para plantar o café tem a distância de um pé de café a outro e isso requer uma grande área. A malha ferroviária que vinha sendo implantada no estado também ajudou a expansão cafeeira, essa malha ferroviária ajudava a escoar o café. O capitalismo no Brasil teve seu começo com a cultura cafeeira, LACERDA diz que: a utilização em massa do trabalho assalariado representou a primeira fase de desenvolvimento do capitalismo no Brasil. 4

4 347 A crise de 1929 deu início mais uma vez na mudança dos ciclos econômicos no Brasil, a grande acumulação de estoques de 1929, a rápida liquidação das reservas metálicas brasileiras e as precárias perspectivas de financiamento das grandes safras previstas para o futuro, aceleraram a queda do preço internacional do café. (FURTADO, 1987, p. 187) Sendo assim o Brasil se via mais uma vez obrigado a encontra outro produto para ser exportado e também tinha que regulamentar a produção do café, foi onde o governo criou uma política de defesa do setor cafeeiro. ELEUTERIO diz que a cultura do café passou por diversos fatores políticos, econômicos e naturais, os quais fizeram com que os hectares plantados em café oscilassem bruscamente, (2007, resumo) os fatores políticos também influenciaram outras culturas agrícolas entre elas a da cana-de-açúcar. Com o surgimento de uma nova matriz energética, o Brasil começou a exportar álcool fazendo com que muitos produtores de café mudassem para o plantio de cana-de-açúcar. As novas formas de atuação do Estado e de modelos de gestão dessa agroindústria, os temas ligados ao comercio internacional e barreiras protecionistas no mercado de açúcar, o desenvolvimento de um mercado internacional para o álcool combustível e a inserção do produto brasileiro, novas formas de comercialização dos produtos dessa cadeia produtiva, bem como as oportunidades que se apresentam no mercado de carbono e na co-geração de energia elétrica. (SHIKIDA; MORAIS, 2002, p. 19) O Estado teve que atuar mais uma vez na agricultura, está vez ele atuou no cultivo da cana-de-açúcar fazendo assim a regulamentação do cultivo e da produção de seus derivados. 5 3 JUSTIFICATIVA Estudo divulgado pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola) mostra que a região da mogiana, que inclui propriedades de Franca, é a que apresenta maior vantagem para os cafeicultores. Segundo o estudo, a região é favorecida por boas condições climáticas e por utilizar melhor tecnologia no manejo da cultura. (Folha de São Paulo 18/10/2009)

5 348 Esse estudo mostra as vantagens que a região de Franca tem para o cultivo da cultura cafeeira, fazendo com que o custo de produção da saca de café seja baixo. Mesmo com essas vantagens a região de Franca tem uma grande oscilação na área plantada de café e nos últimos anos a região perdeu boa parte das lavouras de café. Com a redefinição do PROÁLCOOL (1995) a zona rural da cidade de Franca sofreu uma forte migração da cultura cafeeira para a cana-de-açúcar. Mesmo tendo uma serie de vantagens para o cultivo do café, este, vem perdendo espaço para a cana-de-açúcar. Sabendo que a região de Franca é favorável para o cultivo do café, este projeto de pesquisa procura entender as mudanças ocorridas na cultura do café e analisar se é vantajoso para a cidade de Franca trocar o cultivo do café para o cultivo da cana-de-açúcar, pois a zona rural da região de Franca é somente para o plantio da cana-de-açúcar, pois depois de colhida ela vai para outras cidades para ser transformada em etanol e açúcar e ter um maior valor agregado 7 4 OBJETIVO O objetivo dessa pesquisa é identificar e analisar as mudanças ocorridas na cultura do café com a vinda da cana-de-açúcar e analisar se foi vantajoso a cana-de-açúcar vir para a zona rural da cidade de Franca. 4.1 OBJETIVOS ESPECIFICOS Analisar as mudanças ocorridas em relação: Área cultivada: ver as mudanças ocorridas nas áreas cultivadas de café e de cana-de-açúcar e analisar se tem relação quando uma área cultivada cresce outra área irá diminuir. Safras: quantidade colhida (toneladas) das culturas de café e cana-deaçúcar. Valor de cada produção e valor total das produções de café e cana-deaçúcar.

6 349 Ocupação de mão-de-obra: quantidade de trabalhadores empregados no cultivo da cana-de-açúcar e do café. 5 PROBLEMA DA PESQUISA região de Franca? A cultura da cana-de-açúcar provocou mudança na cultura do café na 6 METODOLOGIA A metodologia a ser utilizada para a realização dessa pesquisa será de caráter bibliográfico e será usado o método de abordagem dedutivo e o método de procedimento estatístico. Será feito o levantamento da bibliografia teórica e será lida a mesma, para compreender a evolução das variáveis do tema e como os autores as explicam. E com o método dedutivo que é o conhecimento geral das variáveis do tema, será analisado o caso particular da temática da pesquisa a ser feita para ver como as variáveis estão se evoluindo. A pesquisa empírica terá como período a ser analisado os anos de 1990 a 2007, será feita com levantamento de dados estatísticos de fontes secundarias, essas fontes serão os sites do IBGE e da Fundação SEADE, e serão usados também jornais e revistas especializadas para o levantamento desses dados, e a partir desses dados será usado o método estatístico para analisar as possíveis relações das culturas agrícolas a serem pesquisadas. 7 CRONOGRAMA ETAPAS Levantamento Bibliografia Leitura da Bibliografia da 2010 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

7 350 Levantamento Dados Análise dos Dados Redação Pré- Eliminar Revisão de Redação Redação Final ETAPAS Levantamento Bibliografia Leitura da Bibliografia Levantamento Dados Análise dos Dados Redação Pré- Eliminar Revisão de Redação Redação Final da de de 2011 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

8 351 8 BIBLIOGRAFIA FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil, 22 edição. São Paulo, Editora Nacional, LACERDA, Antônio Correia de; BOCCHI, João Ildebrando; REGO, José Márcio; BORGES, Maria Angélica; MARQUES, Rosa Maria. Economia brasileira. São Paulo, Saraiva, GORENDER, Jacob. Gênese e desenvolvimento do capitalismo no campo brasileiro. Porto Alegre, Mercado Aberto, Série Revisão, livro 27. CANO, Wilson. Ensaios sobre a formação econômica regional do Brasil. Campinas, SP. Editora UNICAMP, ELEUTÉRIO, Adriana Peres. Influências da cultura cafeeira na economia brasileira e nas regiões de Franca/SP e Guaxupé/MG: um estudo sobre os custos de produção do café tradicional (monografia em Ciências Econômicas). Centro Universitário UNI-FACEF, Franca, MORAIS, Márcia Azanha Ferraz dias de; SHIKIDA, Pery Francisco Assis (organizadores). Agroindústria canavieira no Brasil: evolução, desenvolvimento e desafios. São Paulo, Atlas, PARRA FILHO, Domingos; SANTOS, João Almeida. Metodologia cientifica. São Paulo, Futura, Jornal Folha de São Paulo dia 18/10/2009

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