JUVENTUDE RURAL E INTERVIVÊNCIA UNIVERSITÁRIA: CAMINHOS DE UMA CONSTRUÇÃO PARA SUSTENTABILIDADE

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1 JUVENTUDE RURAL E INTERVIVÊNCIA UNIVERSITÁRIA: CAMINHOS DE UMA CONSTRUÇÃO PARA SUSTENTABILIDADE Ana Jéssica Soares Barbosa¹ Graduanda em Ciências Agrárias Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias-UFPB Lucas Kennedy Silva Lima¹ Graduando em Ciências Agrárias Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias-UFPB Jozias Umbelino Leite¹ Mestrando em Tecnologia Agroalimentar Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias-UFPB Alexandre Eduardo de Araújo² Professor do Departamento de Agropecuária Centro de Ciências Humanas Sociais e Agrárias-UFPB RESUMO Um dos grandes problemas da juventude do meio rural é a falta de concepção crítica da realidade em que vive, por isso, se faz necessário os incentivos às práticas educativas que promovam o interesse e a participação dos jovens em suas comunidades para que venham desenvolver melhorias na qualidade de vida das pessoas do campo. O presente trabalho teve por objetivo, avaliar o processo de aprendizagem do Curso de Formação de Agentes de desenvolvimento rural sustentável e observar o processo de contribuição para o desenvolvimento sustentável das comunidades. O projeto se baseia em métodos de ensino de forma participativa nas perspectiva de construção de conhecimento através da interação entre as experiências dos educandos e dos educadores. Na metodologia é verificada a intervivência dentro da universidade a socialização dos conhecimentos adquiridos, além de um monitoramento da execução dos projetos elaborados pelos educandos. Essa iniciativa proporciona incentivos a agricultura sustentável a troca de experiência é construtiva,além dos jovens reconhecerem a grande importância que os mesmos tem com relação a agricultura sustentável. Palavraschave: Juventude, Agroecologia, Educação no campo INTRODUÇÃO Um dos grandes problemas da juventude do meio rural é a falta concepção critica da realidade em que vive, por isso, se faz necessário os incentivos às praticas educativas que promovam o interesse e a participação dos jovens em suas comunidades e que venham desenvolver melhorias na qualidade de vida das pessoas do campo.tomando por bases tais reflexões, o projeto de Formação de Agentes de Desenvolvimento Rural Sustentável acompanha jovens de comunidades rurais, filhos e filhas de agricultores nesse processo de formação que os mantém direcionados a grandes oportunidades e desafios. De acordo com as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica, nas escolas do campo e da educação do campo tratada como educação rural na legislação brasileira tem um significado que incorpora os espaços da floresta, da pecuária, das minas e da agricultura mas o ultrapassa ao acolher em si os espaços pesqueiros, caiçaras, ribeirinhos e extrativistas. O campo nesse sentido mais do que um perímetro não urbano é um campo de possibilidades que dinamizam a ligação dos seres humanos com a própria produção das condições da existência social e com as realizações da sociedade humana.

2 Ribeiro (2002), citado por Vieira (2010) afirma que a escola formadora de homens e mulheres, que não separa o trabalho, e a formação que se articula, com a produção, o meio ambiente, e o mercado, se constitui em polo cultural, em espaço integrado e integrador de experiências, de aprendizados, de participação, de produção de novos conhecimentos, de constituição de identidades indígenas, camponesas, pessoais e coletivas, na luta por direitos e contra a discriminação e a opressão, esta é uma escola estratégica para desenvolver o campo. Será apartir dos espaços voltados para a educação no campo e da experiência vivida pelos educandos na intervivencia universitária que acontece o desenvolvimento do conhecimentos a partir de troca de saberes, que têm se mostrado necessária para a formação de jovens atuantes em seu meio. A identidade da escola do campo é definida pela sua vinculação às questões inerentes à sua realidade, ancorando-se na temporalidade e saberes próprios dos estudantes, na memória coletiva que sinaliza futuros, na rede de ciência e tecnologia disponível na sociedade e nos movimentos sociais em defesa de projetos que associem as soluções exigidas por essas questões à qualidade da vida coletiva no país. A educação do campo não deve ser tida apenas como o direito das pessoas do campo em ter educação no lugar em que vive, essa seria a chamada educação no campo, as pessoas do campo devem ter direito á uma proposta de educação pensada para ser realizada tomando com referência as experiências das pessoas envolvidas nesse contexto (VIEIRA, 2009). Será a partir de uma nova visão da sua realidade, que a juventude pode criar metas em busca de novos caminhos e que estas venham contribuir para estimular as pessoas a fazer parte da construção de uma sociedade para um novo mundo, visando desenvolvimento rural sustentável. Essa quebra de paradigma relatada por Ribeiro e Salamoni (2008) está assentada nos ideais de agroecologia e desenvolvimento local. Entender conceitos relativos ao processo de aprendizagem e os processos produtivos no meio rural, incluindo as relações ecológicas na agricultura é um meio de trabalhar a preservação ambiental entre os jovens. OBJETIVO O presente trabalho teve por objetivo, avaliar o processo de aprendizagem do curso de formação de agentes de desenvolvimento rural sustentável e observar o processo de contribuição para o desenvolvimento sustentável das comunidades MATÉRAL E MÉTODOS O projeto formação de agentes de desenvolvimento rural sustentável é uma iniciativa do Centro de Ciências Humanas Sociais a Agrárias em parceria com instituições de pesquisa, extensão rural, assessoria, ONGs e organizações da sociedade civil. Consiste em dois momentos pedagógicos: O momento de Intervivência Universitária e as visitas de intercambio para monitoramento das atividades do projeto. É uma formação de agentes em desenvolvimento rural com base nos princípios da pedagogia de Paulo Freire pela alternância de momentos pedagógicos integrada aos conceitos da agroecologia. O curso teve duração de 224 horas, divididas em dois módulos de 15 dias de formação intercalados pelos intercâmbios. O primeiro módulo aconteceu no mês de maio. Foram 15 dias de formação técnica na universidade que culminou com a pre-elaboração de projetos de intervenção nas comunidades de cada educando. O segundo módulo ocorreu no mês de outubro, foi conduzido em duas etapas: um momento de formação técnica na Fazenda Experimental do Centro de Ciências Agrárias (CCA/UFPB) localizado no município de São João do Cariri-PB; e outro momento na Universidade Federal da Paraíba CAMPUS III Bananeiras PB e dentro

3 dessa experiência aconteceu a Intervivência na qual 20 jovens saíram de suas comunidades para conhecer uma universidade, além de passar por um processo de formação de cursos voltados para as mais diversas áreas de conhecimentos sobre o meio rural, incluindo a agroecologia e a sustentabilidade como forma de orientação. Dentro dessa metodologia, foi verificado a Intervivência dentro da universidade, a volta dos jovens as comunidades e a forma de socialização dos conhecimentos adquiridos pelos mesmos, além de um acompanhamento da execução dos projetos elaborados pelos educandos. No primeiro módulo foram ministrados os seguintes cursos: Introdução à Agroecologia, Suinocultura Alternativa, Informática, Manejo Ecológico de Pragas de Plantas Alimentícias, Metodologias Participativas, Universidade: Espaço de Construção de Socialização de Conhecimentos, Elaboração e Condução de Projetos I. No segundo módulo foram realizados os seguintes cursos: Desenvolvimento Sustentável e Políticas Públicas na Agricultura Familiar, Uso de Compostagem e Biofertilizante, Uso e Conservação de Forrageiras Nativas na Alimentação Animal, Manejo ecológicos dos solos, Sistemas Agrosilvipastoris, Elaboração e Condução de Projetos Rurais II, Gestão Participativa em Associações Rurais. Todos os cursos abordados tinham como função, mostrar dentro da sala de aula a realidade vivida por eles em seu cotidiano. Após o processo de Intervivência universitária os jovens têm a oportunidade de desenvolver seus projetos em suas comunidades, sendo este monitorado pela equipe pedagógica formada pelo projeto, é nesse momento que eles colocam em pratica tudo que foi desenvolvido durante seu processo de formação. Figura 1: A chegada dos educandos na UFPB CampusIII Bananeiras-PB

4 Figura 2: Aula de Agroecológia RESULTADOS E DISCUSSÃO Foi percebido que com o passar do tempo os educando foram observando o quanto se papel seria importante na contribuição do desenvolvimento de suas comunidades. A timidez vivenciada em sala de aula também foi um dos grandes desafios a serem superados pelos jovens, além de ficar claro o interesse de transformar as idéias colocadas no papel em ações. Foi a partir desta oportunidade de conhecer e vivenciar o que é estar em uma universidade que os jovens saíram com um novo pensamento e com novas metas com a intenção de aprimorar seus conhecimentos e junto com a comunidade a família realizar um grande trabalho. Isso foi notório nos discursos apresentados durante os depoimentos registrados em sala. Durante todo o processo de formação também foi observado o diálogo e a forma de aprendizagem em sala de aula, onde havia a interação e troca de conhecimento entre os educandos e educadores, tratando-se de um método de ensino onde não se tinha um ser superior a outro e sim grandes personalidades que juntos desenvolviam e trocavam saberes. Esse espaço também proporciona o incentivo ás atividades da agricultura sustentável. Como os cursos já são direcionados a esse propósito é uma forma de incentiva e aprimorar os conhecimentos já existentes na bagagem dos educandos. O processo contribui também para que a juventude veja essa iniciativa como uma forma digna, gratificante para com a vida de cada um, bem como para conservar a cultura local. Fica evidente o interesse da juventude de buscar estratégias de socialização dentro dos espaços frequentados por eles, sejam escolas, comunidades e outros locais. Todo esse processo favorece à comunicação pelo diálogo entre educandos e os diversos atores sociais não incluídos nesta formação ajudando formalizar relações sociais a que venham fortalecer esse vinculo que

5 merece ser valorizado e socializado no intuito de quebrar paradigmas existentes. Foto 3: Visita a comunidade Nicolândia/ Massaranduba-PB CONCLUSÃO A troca de experiências entre os educandos e os educadores é construtiva. Esses momento proporcionam grandes encontros de aprendizagem que acontece dentro e fora da Intervivência. O projeto contribuiu para o amadurecimento da juventude no sentido se promoção social no meio rural, além destes jovens valorizarem seu espaço e terem a iniciativa de levar e os conhecimentos adquiridos nesse processo de formação. reconhecem a importância que os mesmos tem em relação ao desenvolvimento sustentável de suas comunidades. REFERÊNCIAS VIEIRA, Ana Maria Trindade de Sousa. Intervivência Universitária: formação de uma juventude rural atuante nos processos de desenvolvimento sustentável de suas comunidades. UFPB, Bananeiras-PB, 2010 (trabalho monográfico). RIBEIRO, Veridiana. Soares; SALAMONI, Giancarla.. A Agricultura Familiar de Base Agroecológica como Estratégia de Desenvolvimento Local e Regional. In: XXVIII Encontro

6 Estadual de Geografia - A Geografia em Transformação, 2008, Bento Gonçalves - RS. XXVIII Encontro Estadual de Geografia- A geografia em transformação. Porto Alegre : AGB - POA, p KOLLING, Edgar Jorge; CERIOLI, Paulo Ricardo; CALDART, Roseli Salete. Educação do campo: identidade e políticas públicas. Brasília-DF: Articulação Nacional por uma Educação do Campo, 2002.

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