ENSINO PROFISSIONAL EM PORTUGAL JOAQUIM AZEVEDO. O ensino profissional: uma aposta bem sucedida com quase 25 anos. O passado, o presente e o futuro

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1 ENSINO PROFISSIONAL EM PORTUGAL O ensino profissional: uma aposta bem sucedida com quase 25 anos O passado, o presente e o futuro JOAQUIM AZEVEDO 16 MAR 2012

2 Uma aposta em quê, em particular? Desenvolvimento pessoal e social inscrito na qualificação profissional Cinco elementos centrais do sucesso do ensino profissional: - banda larga, dimensão das escolas Foco no sucesso das aprendizagens (ex. progressão modular, ciclos de aprendizagem) 1. A dimensão - responsabilizar de cada escola mais e a relação os jovens pedagógica pelo seu percurso que ela potencia: (sistema modular) Integração de saberes para uma preparação para a vida (Filosofia, - Acompanhamento psicologia, geografia, ) mais personalizado - Redes Apoio aos de alunos cooperação na sua local progressão entre parceiros/ escolar actores sociais - escolas de iniciativa comunitária - Apoio no desenvolvimento humano e na inserção socioprofissional Perspectiva humanista e construtivista do ensino profissional dos alunos Equivalência de saberes (gerais/ profissionais) - Diferenciação pedagógica JOAQUIM AZEVEDO 2

3 Uma aposta em quê, em particular? Desenvolvimento pessoal e social inscrito na qualificação profissional Cinco elementos centrais do sucesso do ensino profissional: - banda larga, dimensão das escolas Foco no sucesso das aprendizagens (ex. progressão modular, ciclos de 2. O modelo aprendizagem) pedagógico: - responsabilizar mais os jovens pelo seu percurso (sistema modular) -Modelo Integração de progressão de saberes por para módulos uma preparação para a vida (Filosofia, psicologia, geografia, ) -Ciclos de aprendizagem de três anos Redes de cooperação local entre parceiros/ actores sociais -Progressão exigente e contínua - escolas de iniciativa comunitária -Tarefas claras, sequenciais e progressivas Perspectiva humanista e construtivista do ensino profissional Equivalência de saberes (gerais/ profissionais) JOAQUIM AZEVEDO 3

4 Uma aposta em quê, em particular? Desenvolvimento pessoal e social inscrito na qualificação profissional Cinco elementos centrais do sucesso do ensino profissional: - banda larga, dimensão das escolas Foco no sucesso das aprendizagens (ex. progressão modular, ciclos de 3. A aprendizagem) ligação à comunidade local - responsabilizar mais os jovens pelo seu percurso (sistema modular) Integração de saberes para uma preparação para a vida (Filosofia, -Escolas de iniciativa local e comunitária psicologia, geografia, ) Redes -Boa articulação de cooperação com o contexto local entre social parceiros/ e económico actores local sociais - escolas de iniciativa comunitária -Integração dos alunos na sociedade -Construção de projetos que interessam à comunidade Perspectiva humanista e construtivista do ensino profissional -Provas de Aptidão Profissional Equivalência de saberes (gerais/ profissionais) JOAQUIM AZEVEDO 4

5 Uma aposta em quê, em particular? Desenvolvimento pessoal e social inscrito na qualificação profissional Cinco elementos centrais do sucesso do ensino profissional: - banda larga, dimensão das escolas Foco no sucesso das aprendizagens (ex. progressão modular, ciclos de 4. O aprendizagem) regime de administração e gestão - responsabilizar mais os jovens pelo seu percurso (sistema modular) Integração de saberes para uma preparação para a vida (Filosofia, -Regime de mais liberdade e autonomia psicologia, geografia, ) Redes -Autonomia de cooperação pedagógica, local administrativa entre parceiros/ e financeira actores sociais -Maior responsabilização - escolas de iniciativa e uma comunitária exigência contínua em termos de prestação de contas Perspectiva humanista e construtivista do ensino profissional - Confiança nos atores sociais e na sua capacidade de cooperação Equivalência de saberes (gerais/ profissionais) JOAQUIM AZEVEDO 5

6 Uma aposta em quê, em particular? Desenvolvimento pessoal e social inscrito na qualificação profissional - banda larga, dimensão das escolas Cinco elementos centrais do sucesso do ensino profissional: Foco no sucesso das aprendizagens (ex. progressão modular, ciclos de aprendizagem) - responsabilizar mais os jovens pelo seu percurso (sistema modular) 5. O regime de certificação Integração de saberes para uma preparação para a vida (Filosofia, psicologia, geografia, ) Redes -Diploma de de cooperação técnico local entre parceiros/ actores sociais - escolas de iniciativa comunitária -Equivalência ao nível secundário Perspectiva humanista e construtivista do ensino profissional Equivalência de saberes (gerais/ profissionais) JOAQUIM AZEVEDO 6

7 Alunos nas escolas profissionais Evolução do número de alunos inscritos das Escolas Profissionais 1989/ 2012 Parcerias locais para a qualificação Professores/ formadores vindos do mercado de trabalho Obs.: * Números relativos somente ao Continente. Faltam os arquipélagos da Madeira e dos Açores, que contam com 6% da população global do nível secundário do país. JOAQUIM AZEVEDO 7

8 Ensino profissional fora das escolas profissionais, como? Características das escolas secundárias e das escolas profissionais Apoiar escolhas difíceis num ambiente complexo Parâmetros Tipo de Escolas Orientar numa floresta de desemprego juvenil Promotores das escolas Instrumentos de apoio disponíveis são rotineiros e Modelo de administração e gestão adequados Administração a do uma economia que já não existe Boas bases de informação sobre o Mercado de Trabalho e as profissões Escolas Secundárias Estado Direta do Estado Centralizada currículo Contratação de docentes Administração Central Financiamento Estatal e directo Escolas Profissionais Instituições da sociedade civil e privados (1) Autónoma Descentralizada Escola a escola Estatal + Fundo Social Europeu (mediante candidatura anual) Obs.: (1) Com algumas exceções. As escolas profissionais agrícolas são, em geral, estatais e resultam de uma reconversão de anteriores escolas secundárias agrícolas. JOAQUIM AZEVEDO 8

9 Ensino profissional fora das escolas profissionais, como? Características das escolas secundárias e das escolas profissionais Apoiar escolhas difíceis num ambiente complexo Tipo de Escolas Orientar numa floresta de desemprego juvenil Parâmetros Instrumentos de apoio disponíveis são rotineiros e Tipologias curriculares adequados a uma economia que já não existe Componente curricular predominante Boas bases de informação sobre o tecnológica Mercado de Sistema de progressão Trabalho anual e as profissões Escolas Secundárias Uniformes Geral e académica Por disciplinas Escolas Profissionais Diversificadas (mais tarde tendencialmente uniformes) 50% Geral e científica 50% Técnica e Por unidades/módulos. JOAQUIM AZEVEDO 9

10 Ensino profissional fora das escolas profissionais, como? Características das escolas secundárias e das escolas profissionais Apoiar escolhas difíceis num ambiente complexo Escolas Secundárias Orientar numa floresta de desemprego juvenil Parâmetros Dimensão Tipo de Escolas Instrumentos de apoio disponíveis são rotineiros e Número médio de alunos matriculados por escola, pela 1.ª vez, no 10.º ano (1) adequados a uma economia que já não existe Número médio de alunos matriculados no ensino secundário, por escola (2) Boas bases de informação sobre o Mercado de Trabalho e as profissões Escolas Profissionais (1) O número médio de alunos matriculados pela primeira vez no 10.º ano é calculado com base na amostra de escolas incluída no estudo referenciado sobre o rendimento escolar nos vários tipos de cursos (Azevedo, 2003) (2) Fonte: DAPP (www.dapp.min.edu.pt). Resultados do ano 1999/2000. Atualmente, este serviço central do Ministério da Educação chama-se GEPE JOAQUIM AZEVEDO 10

11 Opção pelo ensino profissional, que opção política? Recusar o modelo de ensino geral e liceal como devendo ser o paradigma Fortes ajustamentos na sociedade, na economia e no mercado de do ensino secundário trabalho Proporcionar melhor combinação entre formação sociocultural e Terceirização das actividades profissionais científica e a formação tecnológica e técnica Precarização de elevados índices de desemprego e subemprego Centrar as aprendizagens nos alunos e evitar o abandono precoce Crescente poder da informação dos media Envelhecimento Combinar a regulação contínuo de controlo da população do Estado com a intervenção dos atores sociais, a regulação autónoma O mercado de trabalho contínua a requerer elevadas qualificações Ir de encontro às necessidades concretas dos jovens, das famílias e da Atenção crescente à sustentabilidade social sociedade, propondo valores humanos nucleares A relevância do conhecimento e da inovação (inovação social) JOAQUIM AZEVEDO 11

12 Porque é que esta inovação sobreviveu mais de 20 anos? Criou um novo tipo de escolas para desenvolver um novo tipo de ensino, com a participação e implicação de centenas de instituições sociais Pessoas Acreditou nas virtualidades da regulação sociocomunitária Críticos Respondeu às necessidades reais das famílias e dos adolescentes e jovens Solidários Respondeu à heterogeneidade positiva com diferenciação positiva Criativos Manteve-se devido à resiliência social e à assunção da responsabilidade social de cada instituição Colaborativos na promoção do bem comum. Resilientes Acreditou nos atores sociais, nas suas inteligências, memórias, experiências, e esperanças. Verdes JOAQUIM AZEVEDO 12

13 Como é que hoje podemos andar para trás? Quando criamos administrativamente cursos profissionais (quando impostos a escolas que não os desejam) Quando são criados cursos em antigos liceus, sem cuidado, - Preparar para uma ocupação? num caldo de cultura de desvalorização dos percursos - profissionais Preparar uma profissão? - Preparar um mercado de trabalho? Quando os cursos profissionais são escape/ esconderijo dos - Preparar para uma vida profissional? alunos de insucesso (o quarto escuro da escola) - Promover uma boa inserção socioprofissional? Quando - Promover não se o desenvolvimento articula nem revê a pessoal? rede de oferta local de cursos Sempre que não nos focamos em cada um dos alunos que terminam o 9º ano JOAQUIM AZEVEDO 13

14 O fim do ensino profissional - Voragem político-partidária sobrepõe-se a qualquer racionalidade [20 Criar anos uma de sólida re-dignificação formação sociocultural do ensino Educativa; profissional podem ser destruídos em 3] Garantir competências para a vida e uma qualificação - Urgência sobrepõe-se à consistência e à sustentabilidade; Podemos estar a promover uma destruição de valor. profissional precisa - Os fins justificam os meios?, mas em dinâmicas sociais os processos Há reformas educativas que são reformas destrutivas. são os produtos; Será que finalmente agora está na cara de todos que era este o - A investimento sustentabilidade que deveria das inovações ter sido feito requer em Portugal, cuidado, um orientação, país pequeno e participação, pobre? determinação, tempo; Paradigma betão-alcatrão-vaidade ou paradigma pessoassustentabilidade-humildade? escolaridade universal até aos 18 anos, mas -Uma como? JOAQUIM AZEVEDO 14

15 A escolarização universal até aos 18 anos - Voragem político-partidária sobrepõe-se a qualquer racionalidade De Criar que uma compromisso sólida formação sociocultural estamos a falar? Educativa; Garantir competências para a vida e uma qualificação - Urgência sobrepõe-se à consistência e à sustentabilidade; De encontrar, em cada local, profissional precisa um percurso educativo com - Os fins justificam os meios?, mas em dinâmicas sociais os processos são os produtos; qualidade para cada um dos - A sustentabilidade das inovações requer cuidado, orientação, jovens que terminam o 9º ano participação, determinação, tempo; -Uma escolaridade universal até aos 18 anos, mas como? JOAQUIM AZEVEDO 15

16 A escolarização universal até aos 18 anos - Voragem político-partidária sobrepõe-se a qualquer racionalidade Temos Criar uma sólida formação de sociocultural dizer Garantir competências para a vida e uma qualificação Educativa; - Urgência sobrepõe-se à consistência e à sustentabilidade; não profissional precisa - Os fins justificam os meios?, mas em dinâmicas sociais os processos são os produtos; aos percursos-não - A sustentabilidade das inovações requer cuidado, orientação, participação, determinação, tempo; -Uma escolaridade universal até aos 18 anos, mas como? JOAQUIM AZEVEDO 16

17 A escolarização universal até aos 18 anos Como? Onde? - Voragem político-partidária sobrepõe-se a qualquer racionalidade Criar uma sólida formação sociocultural Educativa; -na escola, no centro de formação, numa empresa,. -no curso geral, profissional, artístico, de aprendizagem, de. - -em Urgência Garantir cada município, sobrepõe-se competências em cada à consistência freguesia, para em a e à suporte vida sustentabilidade; e informático uma qualificação ou em papel, -em profissional redes locais precisa de cooperação e entreajuda, - Os -em fins redes justificam de capacitação os meios?, profissional mas em de dinâmicas professores sociais e formadores os processos são (formação os produtos; na ação) -numa cuidada orientação escolar e vocacional, promovida por psicólogos, por professores e por todos - A sustentabilidade das inovações requer cuidado, orientação, -em boa articulação com todas as organizações que pugnam por participação, concretizar uma determinação, Agenda Local tempo; da Sustentabilidade -Uma Não escolaridade deixar de criar universal oportunidades até aos para 18 cada anos, um/a mas e como? para todos e insistir com cada jovem para que siga por diante na sua formação. JOAQUIM AZEVEDO 17

18 O fim do ensino profissional Sempre que pensamos em criar um curso - Voragem político-partidária sobrepõe-se a qualquer racionalidade Educativa; Criar uma sólida formação sociocultural Sempre que nos reunimos a pensar a rede local de ofertas formativas Garantir competências para a vida e uma qualificação - Urgência sobrepõe-se à consistência e à sustentabilidade; Sempre profissional que precisa organizamos as turmas do 10º - Os fins justificam os meios?, mas em dinâmicas sociais os processos ano na escola são os produtos; Sempre que olhamos com suspeita para os cursos das outras escolas - A sustentabilidade das inovações requer cuidado, orientação, participação, determinação, tempo; Sempre que orientamos e aconselhamos os alunos -Uma escolaridade universal até aos 18 anos, mas como? JOAQUIM AZEVEDO 18

19 - Voragem político-partidária sobrepõe-se a qualquer racionalidade Educativa; Criar uma sólida formação sociocultural Não nos esqueçamos nunca: - Urgência Garantir sobrepõe-se competências à consistência para a e à vida sustentabilidade; e uma qualificação profissional precisa o foco é sempre e só cada - Os fins justificam os meios?, mas em dinâmicas sociais os processos são os produtos; aluno/a - A sustentabilidade das inovações requer cuidado, orientação, participação, determinação, tempo; -Uma escolaridade universal até aos 18 anos, mas como? JOAQUIM AZEVEDO 19

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