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1 COMMISSÃO EUROPEIA DG Mercado Interno e Serviços DG Saúde e Consumidores Documento de trabalho dos serviços da Comissão Consulta no domínio das contas bancárias A informação contida no presente documento destina-se apenas a fins de consulta, não pretende representar nem prejudica a posição final que a Comissão irá adotar em relação aos três temas abrangidos. Salvo indicação em contrário, (por exemplo, no que se refere às contas bancárias de base), o presente documento tem por objeto as contas correntes. As contas de poupança, as contas de valores mobiliários, os investimentos, o crédito e os seguros não são por conseguinte do âmbito da presente consulta. Commission européenne, B-1049 Bruxelles / Europese Commissie, B-1049 Brussel - Belgium. Telephone: (32-2)

2 INTRODUÇÃO Os mercados de serviços bancários de retalho estão estruturados de forma consideravelmente diferente entre os Estados-Membros e encontram-se ainda fragmentados pelas fronteiras nacionais. O inquérito de 2007 relativo ao setor da banca de retalho 1 veio evidenciar a existência de diversos obstáculos à liberdade de escolha e à mobilidade dos clientes. Trata-se nomeadamente da falta de transparência e comparabilidade das comissões bancárias e dos elevados custos que os consumidores suportam quando mudam de instituição bancária. Um terceiro problema, relacionado com estes últimos, diz respeito às dificuldades com que muitos cidadãos da UE se defrontam no acesso aos serviços bancários de base. Nos últimos anos, diversas iniciativas foram tomadas a nível nacional, para: a) aumentar a transparência das comissões associadas à operação de contas bancárias, b) ajudar os consumidores a mudarem, sem problemas, de instituição bancária, e c) facilitar o acesso dos consumidores às contas bancárias de base. Contudo, estas iniciativas seguiram abordagens diferentes e registaram graus de sucesso variáveis. Por conseguinte, os consumidores dos diferentes países beneficiam de diferentes níveis de proteção e a multiplicidade de regras e códigos de conduta que daí resulta torna mais difícil a mobilidade transfronteiras dos participantes no mercado. Os consumidores devem ter acesso aos serviços bancários em qualquer ponto da UE, independentemente do seu Estado-Membro de residência permanente, e devem poder mudar facilmente de instituição bancária, nomeadamente através das transfronteiras. Para este fim, é necessário que existam informações transparentes e comparáveis sobre as comissões associadas às contas bancárias. O relatório Monti 2 veio sublinhar a necessidade de melhorar a transparência das comissões bancárias para se poder dispor de informações normalizadas e comparáveis sobre os produtos financeiros de retalho, e para facilitar a mobilidade dos clientes dos bancos. Dando seguimento a esta recomendação, a Comissão anunciou, no Ato para o Mercado Único, a sua intenção de prosseguir os trabalhos em matéria de proteção dos consumidores no domínio dos serviços financeiros de retalho e mencionou, em particular, a questão da transparência das comissões bancárias. O presente documento de consulta tem por conseguinte por objeto analisar a necessidade de uma ação a nível da UE e, em caso afirmativo, quais as medidas que poderiam ser adotadas em relação a uma ou todas das três questões acima referidas. 1 2 Relatório sobre o inquérito ao setor da banca de retalho, Documento de trabalho dos serviços da Comissão, 2007, A New Strategy for the Single Market, , p. 42, 2

3 1. TRANSPARÊNCIA E COMPARABILIDADE DAS COMISSÕES BANCÁRIAS É essencial dispor-se de informações claras, facilmente acessíveis e comparáveis sobre as comissões bancárias, para que os consumidores possam fazer uma escolha informada entre as ofertas de contas de pagamento disponíveis no mercado. A Diretiva Serviços de Pagamento (2007/64/CE) introduziu certas obrigações de transparência para os prestadores de serviços de pagamento da UE. Antes de efetuar um serviço de pagamento, o prestador de serviços deve disponibilizar ao utilizador, entre outros elementos, as modalidades e condições pormenorizadas, incluindo informações sobre o próprio prestador de serviços, os diferentes aspetos do serviço de pagamento e os encargos a ele associados. Após cada pagamento, o utilizador deve ser informado do montante do pagamento, da sua data, e dos encargos associados. Todavia, a Diretiva Serviços de Pagamento (DSP) não contém requisitos específicos quanto à forma de apresentação ou à comparabilidade desses encargos. Os elementos factuais recolhidos pelos serviços da Comissão nos últimos anos identificam problemas persistentes no que diz respeito ao nível da informação que é disponibilizada sobre as comissões bancárias e ao modo como é apresentada pelos bancos, na UE. Diferentes estudos demonstram que os consumidores com frequência não sabem quanto pagam de encargos bancários 3. A utilização de estruturas de encargos opacas torna difícil para os consumidores compararem as diferentes ofertas 4. Os elementos apurados apontam para a existência de uma correlação entre encargos mais elevados e falta de clareza na apresentação de informações sobre as comissões bancárias 5. Os organismos de defesa do consumidor identificam a utilização de terminologias bancárias diferentes como uma das razões que explicam a complexidade e a falta de transparência no domínio das comissões bancárias 6. A dificuldade em compreender e comparar as comissões bancárias pode constituir um entrave à mobilidade dos consumidores - tanto a nível nacional como da UE. Um recente inquérito do Eurobarómetro constata que uma das principais razões invocadas pelos consumidores para não adquirirem produtos financeiros (como por exemplo contas correntes) noutro país da UE é a ausência de informações claras Por exemplo, Personal current accounts in the UK, Office of Fair Trading, julho de 2008, Data collection for prices of current accounts provided to consumers, Van Dijk Management Consultants, 2009, Ver nota 4. Cimeira Europeia dos Consumidores 2010, workshop sobre as taxas bancárias, observações da BEUC. Special Eurobarometer on Retail Financial Services, Comissão Europeia, fevereiro de 2012, 3

4 Em consequência, os consumidores podem encontrar-se como que «presos» numa relação com o respetivo banco, pagando preços que são demasiado elevados e «beneficiando» de serviços de que nem sempre necessitam. De acordo com um recente estudo de uma organização francesa de consumidores 8, os consumidores franceses, que recorrem pouco aos serviços bancários, poderiam chegar a pagar, por um pacote de serviços, 195 % mais caro do que se pudessem escolher «à la carte» os serviços que melhor lhes convêm. Para fazer face a este problema, a Comissão pediu em 2010 ao setor bancário europeu (EBIC) que estudasse soluções práticas e de fácil utilização para ajudar os consumidores a aceder às informações sobre as comissões bancárias, a compreendê-las e a compará-las. Diversas iniciativas, tanto na esfera privada como pública, tinham sido empreendidas a nível nacional, saldando-se em diferentes graus de sucesso, e o EBIC foi convidado a extrair ensinamentos destas experiências para apresentar soluções práticas concretas. Infelizmente, no final de 2011, o EBIC não pôde concluir com êxito esta iniciativa de autorregulação. Afigura-se que um certo número de medidas e instrumentos poderiam contribuir para ultrapassar os problemas identificados. Por exemplo, a elaboração de glossários de termos poderia resolver o problema da divergência/complexidade da terminologia utilizada pelos bancos para descrever os mesmos serviços de conta bancária. Foram redigidos glossários numa série de Estados-Membros, mas com formas e metodologias diferentes. Em alguns países são redigidos a nível dos bancos, em outros, por exemplo, na Bélgica, está a ser elaborado um glossário comum, incluindo termos normalizados para todo o setor financeiro. Todavia, os glossários existentes raramente são específicos para as contas correntes e geralmente não foram concebidos nem testados junto dos consumidores. A fim de facilitar a compreensão e a comparabilidade das comissões bancárias, foram também elaboradas listas normalizadas de comissões. Os bancos têm de utilizar o mesmo formato quando disponibilizam aos consumidores informações sobre as comissões bancárias. Em França, por exemplo, os bancos utilizam uma lista normalizada das dez comissões mais comuns. Está atualmente em estudo a extensão dessa lista. Os instrumentos de comparação, como por exemplo sítios Web, podem também ajudar o consumidor a avaliar a melhor oferta no mercado, facultando informações sobre as comissões aplicáveis às contas correntes pelos diferentes bancos. Esses instrumentos existem em quase todos os Estados-Membros. No entanto, alguns consumidores têm dificuldade em avaliar antecipadamente quais as funcionalidades de uma conta que necessitarão de utilizar com maior frequência. Outros podem não ter consciência do montante a que poderão elevar-se os custos ligados à ocorrência de eventos futuros, como por exemplo os descobertos não autorizados ou os cheques sem cobertura. 8 Tarification Bancaire: L'enquête annuelle, CLCV Mieux vivre votre argent,

5 Os exemplos representativos constituem um meio de apresentar estimativas indicativas do custo de detenção de uma conta bancária com base em perfis de utilização, que tentam representar o comportamento de clientes-tipo (por exemplo, utilizador ativo ou passivo. Os bancos, em geral, baseiam-se em diferentes critérios, por exemplo, deter um saldo de conta mínimo mensal, receber o seu salário através da conta, pagar um número mínimo de faturas por mês através de débito direto. Um outro meio de os bancos assegurarem a clareza e a comparabilidade das comissões consiste em fazer simulações de custo personalizadas. A simulação tem em conta as informações prestadas pelo cliente quanto aos seus hábitos bancários. Essas informações permitem estimar o custo provável da detenção de uma conta com base no tipo de serviços a ela associados e na frequência com que o cliente recorrerá a eles. Em alguns países, são prestadas informações ex post, ou seja, o detalhe das comissões taxas bancárias efetivamente pagas. No Reino Unido, por exemplo, os bancos comprometeram-se a introduzir declarações anuais que especificam os montantes pagos pelos clientes pelas suas contas bancárias nos 12 meses anteriores. Por último, as iniciativas de acompanhamento, como por exemplo o observatório das comissões bancárias criado em França ou as medidas de execução, completam o leque de medidas identificadas. Questão 1: Considera que as informações prestadas pelos bancos sobre as comissões bancárias são apresentadas aos consumidores de uma forma suficientemente clara e são fáceis de comparar entre bancos? Que boas práticas tem a assinalar? Que lacunas subsistem? Pensa que estas lacunas podem ser colmatadas através de uma alteração das obrigações de transparência contidas na Diretiva Serviços de Pagamento (2007/64/CE)? Questão 2: Considera que uma normalização da terminologia respeitante às comissões aplicadas às contas bancárias poderia contribuir para fornecer informações mais transparentes e comparáveis sobre essas comissões? A normalizar essa terminologia, entende que a normalização deve abranger todas as comissões ou apenas uma parte delas? Normalizando-se apenas uma parte, qual o critério para a sua seleção? A terminologia deve ser normalizada a nível nacional ou da UE? Questão 3: Considera que a existência de glossários de termos e listas normalizadas de comissões bancárias facilitaria a comparabilidade? Em caso afirmativo, que forma e teor devem ter essas informações? Que organismo/instância considera adequado para elaborar tal glossário/lista normalizada de comissões? Questão 4: A fim de aumentar ainda mais a transparência e a comparabilidade das comissões associadas às contas bancárias, quais dos seguintes instrumentos devem ser considerados: i) sítios Web de comparação, geridos por autoridades públicas ii) iii) simulações de custos normalizadas, a disponibilizar pelos bancos exemplos representativos normalizados, a disponibilizar pelos bancos 5

6 iv) inquéritos efetuados pelas organizações de consumidores/provedor financeiro (financial ombudsman) v) outros instrumentos que considere pertinentes? Algum desses instrumentos deve ser obrigatório? Qual o seu custo provável? Questão 5: Que nível de pormenor deveriam ter as informações sobre as comissões efetivamente pagas, e com que frequência deveriam ser fornecidas ao detentor da conta? Entende que o facto de se dispor de informações comparáveis sobre as comissões efetivamente pagas incentivaria a mobilidade dos consumidores, nomeadamente transfronteiras? Questão 6: Que outras medidas/instrumentos devem ser considerados, a fim de melhorar a transparência e a comparabilidade das comissões bancárias? Por favor descreva-as e indique a que nível (nacional ou da UE) entende que devem ser tomadas. 2. MUDANÇA DE INSTITUIÇÃO BANCÁRIA Em 2007, após o inquérito efetuado junto do setor da banca de retalho ter revelado certos entraves à mobilidade dos consumidores, a Comissão instou o setor bancário europeu (EBIC) a tornar mais fácil para os consumidores a mudança das suas contas de um banco para outro no mesmo país. Em resposta a essa incitação, o setor bancário europeu desenvolveu, em 2008, um «modelo» de mecanismo para processar essa transferência, definido por um conjunto de princípios comuns aplicáveis às mudanças de conta bancária 9, numa perspetiva de autorregulação. Esses princípios foram implementados pelas associações bancárias nacionais em finais de O mecanismo aplica-se às mudanças de conta corrente no interior de um Estado- Membro, ou seja, às mudanças internas, e diz respeito, em especial, à mudança de débitos diretos, de ordens permanentes para transferências de crédito e de transferências de crédito recorrentes. Tal como definido pelo setor bancário europeu, não se aplica a outros produtos ou serviços, como cartões, descobertos, poupança ou crédito. No entanto, algumas associações bancárias decidiram adotar uma cobertura mais vasta, incluindo, por exemplo, a mudança de cartão de débito. Os princípios comuns definem as funções dos dois bancos envolvidos no processo de transferência e fornecem informações sobre as tarefas e passos requeridos por este processo. Os consumidores que pretendem transferir a sua conta bancária podem escolher o novo banco como o ponto de contacto principal. Concretamente, o novo banco deverá obter a informação necessária sobre os pagamentos recorrentes do consumidor a partir do antigo banco e solicitar a este último que cesse esses pagamentos sobre a conta anterior. Reativa estes pagamentos recorrentes na nova conta e transmite às partes terceiras os dados da nova conta do consumidor, ou ajuda-o a fazê-lo. Ajuda também o consumidor a pedir ao banco anterior que feche a conta anterior e transfira o saldo remanescente. O consumidor pode, no entanto, optar por manter aberta a sua conta anterior. 9 6

7 São estabelecidos prazos claros tanto para o antigo como para o novo banco. O antigo banco tem de fornecer todas as informações disponíveis sobre os pagamentos recorrentes do consumidor, no prazo de sete dias úteis após a receção do pedido, quer do novo banco quer do consumidor. O novo banco tem de ativar os pagamentos recorrentes sobre a nova conta no prazo de sete dias a contar da receção das informações necessárias. No mesmo prazo de sete dias, o novo banco transmite às partes terceiras (por exemplo, os fornecedores de serviços de utilidade pública ou a entidade patronal do consumidor) os dados relativos à nova conta do consumidor, ou ajuda-o a fazê-lo fornecendo-lhe modelos de cartas para esse efeito. O fornecimento, por parte do antigo banco ao consumidor e ao novo banco, de informações sobre os pagamentos recorrentes, deve ser gratuito. O encerramento da conta anterior deve também ser gratuito, em conformidade com a Diretiva Serviços de Pagamento. Os eventuais encargos cobrados por outros serviços associados à mudança devem ser adequados e corresponder aos custos incorridos. Para avaliar a forma como os bancos prestam assistência aos consumidores quando estes mudam de conta bancária e em que medida oferecem o serviço de transferência tal como definido nos princípios comuns, a Comissão encomendou um estudo com «clientes mistério» 10 em No total, os «clientes-mistério» 11 efetuaram inquéritos nos 27 Estados-Membros: 945 desses inquéritos referiam-se à disponibilidade e à prestação de informações sobre o serviço de transferência de conta bancária, mas 405 clientesmistério foram mais longe e tentaram efetivamente transferir a sua conta bancária. Relativamente à disponibilidade e à prestação de informações sobre a transferência, o estudo constatou que 86 % dos clientes-mistério que solicitaram informações sobre uma eventual tranferência, quer numa dependência bancária, por via eletrónica ou por telefone, receberam informações de, pelo menos, uma fonte. No entanto, o nível de disponibilidade dessas informações era muito variável: 32 % dos clientes-mistério não conseguiram encontrar informações sobre a transferência no sítio Web do banco. 45 % dos clientes-mistério não obtiveram do pessoal do banco informações pormenorizadas. 80 % não receberam qualquer informação escrita sobre a transferência. 14 % não receberam nenhuma informação sobre o serviço de transferência Estudo de mercado dos consumidores sobre as experiências dos consumidores com a mudança de conta bancária, com referência aos princípios comuns aplicáveis ás mudanças de conta bancária, GfK, fevereiro de 2012, Os «clientes-mistério» são um instrumento utilizado em estudos de mercado para medir a qualidade de um serviço ou o cumprimento de um regulamento. Os clientes-mistério são convidados a realizar tarefas específicas e fornecer informações sobre essas experiências. No âmbito deste estudo, pediu-se aos clientes-mistério que solicitassem informações sobre a possibilidade de mudança, ou que solicitassem a mudança de contas bancárias, através de um contacto direto, on line ou por telefone. 7

8 De entre os clientes que tentaram mesmo transferir a sua conta bancária: 19 % conseguiram abrir uma nova conta bancária e transferir uma ordem permanente (alguns problemas diziam respeito à abertura de uma conta bancária e não ao serviço de transferência tal como definido nos princípios comuns). Em 71 % dos casos, o novo banco não fornecia o serviço de transferência e, por conseguinte, não seguia o procedimento previsto nos princípios comuns para a mudança. Outros problemas com que se depararam os clientes- mistério: Em 7 % dos casos, os bancos não abriram uma conta (e, por conseguinte, não efetuaram a mudança), no prazo de catorze dias úteis. Em 3 % dos casos, o novo banco recusou-se a abrir uma conta bancária normalizada, como solicitado, ou exigiu um pagamento para concluir a abertura da conta e a transferência. De um modo geral, o estudo concluía que 8 em cada 10 clientes enfrentavam dificuldades ao transferir a sua conta bancária. Questão 7: Os bancos, no Estado-Membro onde tem a sua conta bancária, oferecem um serviço de transferência de conta? Em caso afirmativo, esse serviço está em conformidade com os princípios comuns aplicáveis à mudança de conta bancária acima descritos? As informações sobre as condições de transferência são apresentadas de forma acessível aos consumidores? Questão 8: Caso seja oferecido um serviço de transferência conforme aos princípios comuns no Estado-Membro onde tem a sua conta bancária, tal serviço elimina todos os obstáculos à mudança de conta bancária? Em caso negativo, que obstáculos persistem? Apresente exemplos de boas práticas e de obstáculos que persistem. Questão 9: Deverão os princípios comuns continuar a ser de aplicação voluntária? Que vantagens ou desvantagens considera que resultariam de os tornar obrigatórios a nível da UE? Qual seria o custo provável de tal medida? Questão 10: Os princípios/medidas aplicáveis à transferência das contas bancárias deverão abranger também os casos transfronteiras? Questão 11: Na sua opinião, qual a amplitude do risco de os recibos, faturas e pagamentos serem extraviados em resultado da transferência de contas bancárias? Que medidas poderiam ser consideradas para tornar o processo de transferência mais seguro? Questão 12: Quais os eventuais obstáculos com que se defrontam ainda as instituições bancárias que têm menor dimensão ou que estão estabelecidas noutro Estado-Membro, para expandir a sua base de clientela ou para penetrar em novos mercados? Estarão ligados com os problemas associados aos processos de transferência de contas? Questão 13: Que outras medidas deverão ser consideradas com vista melhorar o processo de transferência de conta bancária? Por favor especifique. 8

9 3. ACESSO A UMA CONTA DE PAGAMENTO DE BASE O acesso aos serviços financeiros de base garante que os consumidores beneficiam de todas as vantagens do mercado interno e participam plenamente na vida económica e social da sociedade moderna de hoje. No entanto, um estudo de 2010 estima que mais de 30 milhões de cidadãos europeus com mais de 18 anos não dispõem de uma conta bancária 12. Entre estes cidadãos, é possível que alguns não disponham de uma conta bancária por não terem necessidade, ou por preferirem não a ter 13. De acordo com uma recente investigação da Task Force do Reino Unido para a inclusão financeira, 52% dos inquiridos que não dispunham de conta bancária desejariam tê-la 14. A ausência de conta bancária implica de um modo geral custos mais elevados devido à utilização de numerário, tanto para os consumidores como para as administrações (por exemplo, quando pagam salários ou outras prestações). Além disso, limita igualmente o acesso dos consumidores à maior variedade de bens e serviços disponíveis em linha e aos potenciais descontos, como os que são oferecidos pelos fornecedores de serviços de utilidade pública quando os pagamentos são efetuados por débito direto. Os consumidores podem também enfrentar dificuldades relativamente ao emprego ou arrendamento de propriedade. Embora de um modo geral sejam os chamados consumidores «vulneráveis» que têm mais problemas para aceder a uma conta bancária, as pessoas em mobilidade transfronteiras (por exemplo, estudantes, trabalhadores migrantes, etc.), também enfrentam essas dificuldades, quando lhes é recusado o acesso a uma conta bancária, por exemplo, por motivos de residência. Vê-se assim restringida tanto a liberdade de circulação dos cidadãos como a liberdade de prestação de bens e serviços no mercado interno. A fim de fazer face a esta situação, a Comissão adotou, em de julho de 2011, uma Recomendação 15 aos Estados-Membros, estabelecendo os princípios fundamentais que deverão ser implementados para garantir o acesso dos consumidores a contas bancárias de base em toda a UE. Esta conta de base deverá incluir a possibilidade de depositar e levantar numerário nessa e dessa conta. Deve permitir também ao consumidor efetuar operações de pagamento básicas, como por exemplo a receção de rendimentos ou prestações sociais, o pagamento de contas ou impostos e a compra de bens e serviços, nomeadamente por débito direto, a transferência de crédito e a utilização de um cartão de pagamento. De acordo com a Recomendação, devem também proporcionar ao consumidor a possibilidade de introduzir ordens de pagamento através do serviço em linha do prestador de serviços de pagamento, sempre que tal seja tecnicamente possível. Todavia, o acesso ao crédito bancário não era considerado uma componente automática ou um direito associado à detenção de uma conta bancária de base Study on the costs and benefits of policy actions in the field of ensuring access to a basic bank account, CSES, 2010, O mesmo estudo de 2010, estima que, dos 30 milhões de europeus que não têm uma conta bancária, apenas cerca de 18 milhões (ou seja, 60 %) estavam em risco de exclusão financeira. Banking services and poorer households, Task Force para a inclusão financeira, dezembro de 2010, p. 6, Recomendação 2011/442/EU da Comissão relativa ao acesso a uma conta bancária de base, , 9

10 A Recomendação reafirma o direito de qualquer consumidor residente na União, independentemente da sua situação financeira, a abrir e utilizar uma conta bancária de base, mesmo num Estado-Membro em que não reside de forma permanente. O prazo concedido aos Estados-Membros para tomarem as medidas necessárias era 21 de janeiro de Os serviços da Comissão estão a analisar as informações recebidas até à data sobre as medidas adotadas. No entanto, muitos Estados-Membros devem ainda fornecer informações a este respeito. Além disso, todos os Estados-Membros deverão apresentar, até de julho de 2012, dados estatísticos em relação às contas bancárias de base. Neste contexto, os serviços da Comissão consideram importante colocar as seguintes questões: Questão 14: Dispõe de informações sobre as dificuldades defrontadas pelos consumidores no acesso a uma conta bancária de base? Que tipos de obstáculos são referidos pelos consumidores como impedindo-os de ter acesso a uma conta bancária de base? Questão 15: Tem conhecimento de quaisquer medidas adotadas pelos bancos ou outras instituições no Estado-Membro onde reside para facilitar o acesso às contas bancárias de base? Essas iniciativas tiveram êxito? Questão 16: Essas medidas facilitam também o acesso dos não residentes a uma conta bancária de base? Questão 17: Se os consumidores ainda têm dificuldades em abrir uma conta bancária, quais os motivos? Questão 18: Se é necessário fazer algo mais, que medidas adicionais devem ser estudadas? Este problema deverá ser abordado a nível nacional ou da UE? 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS As partes interessadas podem enviar as suas respostas ao presente documento de consulta até 12 de junho de As contribuições devem ser enviadas para o seguinte endereço eletrónico: Na sua contribuição, as partes interessadas são também convidadas a dizer se entendem que existem outros aspetos que devem ser considerados para assegurar o bom funcionamento e a competitividade do mercado da banca de retalho. As respostas serão publicadas no sítio Web da Comissão Europeia. Pode solicitar-se que as contribuições sejam tratadas como confidenciais. Nesse caso, o autor deverá indicar expressamente, na primeira página da resposta, que não pretende que a sua contribuição seja publicada. Agradecemos-lhe desde já o tempo que consagrar a dar resposta à presente consulta. 10

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