I Carta do Fórum dos Conselhos Municipais de Educação- RS

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1 I Carta do Fórum dos Conselhos Municipais de Educação- RS Os Conselhos Municipais de Educação do Rio Grande do Sul, reunidos no Fórum Estadual de CMEs-RS, nos dias 26 e 27 de Outubro de 1995, após a realização de discussões sobre o Plano de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério do Ministério da Educação e do Projeto de Lei que dispõe sobre a Gestão Democrática do Ensino Público do Governo Estadual, vêm a público manifestar sua posição em relação ao conteúdo destes documentos. Antes de tudo, os CMEs discordam veementemente do caráter não democrático do encaminhamento dado à proposta do Governo Federal - MEC, entregue ao Congresso Nacional sob a forma de emendas à Constituição Federal no último dia 15 de Outubro, desconsiderando toda a discussão que vinha sendo feita no Fórum Permanente do Magistério de Educação Básica, do qual o próprio MEC fazia parte. Semelhante atitude teve o Governo do Estado ao enviar à Assembléia Legislativa e defender publicamente um Projeto de Gestão Democrática do Ensino que altera substancialmente a proposta acordada no Grupo de Trabalho constituído especificamente para este fim, com a participação da própria Secretaria de Educação do Estado, do CPERS-SINDICATO, da ACM-FEDERAÇÂO e da UGES.

2 A proposta do Governo Federal, através da E.M. n.º 273, e do Ante-Projeto de Lei que a regulamenta, estabelece medidas que afetam significativamente a Educação em Estados e Municípios: - prevê a isenção total da União de sua responsabilidade de financiar a educação básica, retirando a obrigatoriedade, de aplicar, pelo menos, 50% (cinqüenta por cento) dos seus recursos oriundos de imposto para eliminação do analfabetismo e universalização do ensino fundamental; - propõe, como alternativa à escassez de recursos para o ensino fundamental, a redistribuição exclusivamente dos limitados valores hoje aplicados por Estados e Municípios, uma vez que, ao propor a criação de Fundos Estaduais, estabelece sua composição financeira a partir da subvinculação de 60% dos recursos vinculados à educação apenas dos Estados e Municípios; - prevê o retorno dos recursos da educação retidos nos fundos Estaduais a Estados e Municípios na proporção do número de matrículas anuais nas respectivas redes de ensino fundamental e no valor de um custo-aluno anual que toma como parâmetro uma média nacional de custo-aluno que hoje, de acordo com os cálculos do próprio MEC, está em R$300,00 (trezentos reais). As medidas propostas pelo Governo Federal significaram, objetivamente, o aumento de atribuições para Estados e Municípios sem qualquer contra partida que preveja a melhoria de recursos para o financiamento da educação como um todo e especificamente do ensino fundamental, neste caso, inclusive, retirando os recursos até então devidos pela União.

3 Estas medidas prevêem, em última instância, uma municipalização perversa do ensino público em nosso país; não aquela que, em regime de colaboração e parceria, redistribui atribuições, poder e recursos, prevendo ainda formas de controle social e melhorias da arrecadação, mas aquela que, ao ser gerada por uma análise das condições atuais de existência da educação básica nacional restrita à constatação de ausência de recurso, atende a lógica de redistribuir a pobreza, punindo os poucos governos, seja estaduais ou municipais, que ainda conseguem garantir um ensino minimamente de qualidade. O Projeto do Governo do Estado sobre Gestão Democrática do Ensino Público encaminha-se no mesmo sentido, na medida em que prevê mecanismos legais claros que provocam a municipalização da Rede Estadual. Este projeto aprofunda ainda mais a lógica global da proposta do Governo Federal, quando, fazendo o discurso da importância da autonomia das escolas, prevê uma sobrecarga de tarefas administrativo-financeiras aos Diretores (as quais, certamente, causarão dificuldades na priorização da questão pedagógica dentro da mesma) e, por outro lado, estabelece a possibilidade de adoção das escolas por pessoas físicas e jurídicas. A lógica de isentar a União da obrigatoriedade de financiar o Ensino Básico repassando exclusivamente para Estados e Municípios esta atribuição, é complementada pela lógica de responsabilizar unicamente os Municípios por todo o Ensino Fundamental (independentemente de suas obrigações com a

4 Educação Pré-escolar), e de estabelecer as bases legais para a privatização da Escola Pública. Esta é a lógica do Estado Mínimo ; desresponsabilização do Poder Público com as demandas sociais (educação, saúde, habitação, emprego) e privatização. Os Conselhos Municipais de Educação do Rio Grande do Sul, presentes no Fórum Estadual dos CMEs-RS, conclamam a sociedade gaúcha, a nação brasileira e, especialmente, os Senhores Deputados Federais e Senadores, que deverão analisar e votar as Emendas e a Constituição propostas pelo Governo Federal para a Educação Nacional, para que não o façam sem antes ouvir a avaliação que delas vem procedendo os diferentes órgãos e entidades afetos à educação neste país e considerem a posição já aqui apresentada pelos Colegiados Municipais responsáveis por zelar pela qualidade do ensino nas menores unidades do Poder Público. Fica a expectativa de que sejam instalados espaços de discussão dentro do Congresso Nacional que viabilizem a manifestação das entidades e órgãos afetos à educação, a fim de que aquela casa continue cumprindo o papel de legítimo domínio de ressonância das demandas da sociedade brasileira. Porto Alegre, 27 de Outubro de Maria Anunciação Cichero Deeczkowski, Presidente da Comissão Diretiva do Fórum

5 CONSELHOS PRESENTES NA PLENÁRIA QUE APROVOU A CARTA DO FÓRUM: CME- Alegrete CME- Alpestre CME- Bom Princípio CME- Bento Gonçalves CME- Barra Funda CME- Carazinho CME- Caxias do Sul CME- Candiota CME- Crissiumal CME- Capão da Canoa CME- Caíçara CME- Cruzeiro do Sul CME- Caçapava do Sul CME- Cachoeirinha CME- Coqueiros do Sul CME - Dona Francisca CME - Estrela CME - Estância Velha CME - Esmeralda CME - Encantado CME - Erechim CME- Espumoso CME- Feliz CME- Farroupilha CME- Fagundes Varella CME - Gaurama CME - Horizontina CME- Iraí CME- Itacurubi CME- Ijuí CME- Ivoti CME- Ibirubá CME- Lajeado CME- Monte negro CME- Monte Belo do Sul CME- Muliterno CME- Monte negro CME- Morro Redondo CME- Rio Grande CME- Santa Maria CME- São Redondo CME- Santa Rosa CME- São Borja CME- São José do Hortêncio CME- Santana do Livramento CME- Santo Augusto

6 CME- Nova Prata CME- Santo Antônio da Patrulha CME- Novo Machado CME- São Sebastião do Caí CME- Osório CME- Soledade CME- Porto Alegre CME- São Sepé CME- Pinhal Grande CME- Seberi CME- Palmeira das Missões CME- Tucunduva CME- Panambi CME- Vista Gaúcha CME- Portão CME- Viaduto CME- Pinheiro Machado CME- Vitor Gref CME- Presidente Lucena CME- Veranópolis CME- Pouso Novo CME- Vanini CME- Pelotas CME- Vista Alegre do Prata CME- Rodeio Bonito CME- Vera Cruz CME- Relvaldo.

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