Preços. 2.1 Índices gerais

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1 Preços A inflação, considerada a evolução dos índices de preços ao consumidor e por atacado, apresentou contínua elevação ao longo do trimestre encerrado em maio. Esse movimento, embora tenha traduzido com maior intensidade as pressões originadas no segmento de itens alimentícios, em linha com o processo global de elevação nos preços dos alimentos (ver boxe Inflação de Alimentos, páginas 9 a ), esteve influenciado pelo desempenho dos demais preços da economia, conforme evidenciado pelos crescimentos dos núcleos de inflação e do índice de difusão. Nesse ambiente, a política monetária segue sendo conduzida de forma a assegurar as conquistas inerentes ao processo de estabilização da economia..1 Índices gerais Tabela.1 Índices gerais de preços Discriminação Jan Fev Mar Abr Mai IGP-DI 0,99 0,8 0,0 1,1 1,88 IPA 1,08 0, 0,80 1,0, IPC-Br 0,9 0,00 0, 0, 0,8 INCC 0,8 0,0 0, 0,8,0 Fonte: FGV O Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI) da FGV registrou alta de,% no trimestre encerrado em maio, ante,8% no finalizado em fevereiro, aceleração decorrente de maiores altas nos preços ao consumidor e por atacado. Os preços por atacado, medidos pelo Índice de Preços por Atacado Disponibilidade Interna (IPA-DI), com participação de 0% no IGP-DI, aumentaram,8%, ante,% no trimestre encerado em fevereiro, registrando-se aceleração nos preços industriais. A evolução do IPA-DI refletiu o encarecimento de matérias-primas industriais e a ausência de recuos sazonais nos preços agrícolas, que aumentaram,0% no trimestre encerrado em maio, ante,% no finalizado em fevereiro, após haverem recuado,1% no período correspondente de. O resultado do trimestre, nesse segmento, refletiu elevações nos preços de arroz, tomate, carne bovina, leite, trigo, cana-de-açúcar e batata-inglesa, compensadas, em parte, pelos recuos nos relativos a soja, laranja, ovos, mandioca, feijão, café e mamão. Junho Relatório de Inflação 1

2 Os preços industriais elevaram-se,90% no trimestre encerrado em maio, ante,0% naquele finalizado em fevereiro, maior taxa trimestral desde outubro de 00. Essa aceleração traduziu acentuadas elevações nos preços de minério de ferro, adubos, fertilizantes, ferro, arroz beneficiado, farinha de trigo, óleo diesel e óleo de soja. O comportamento dos preços industriais no atacado constitui evidência adicional de um processo inflacionário que vai além de itens relacionados exclusivamente à alimentação. Gráfico.1 Evolução do IPA (10, M e DI) Agrícola e industrial Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan Agrícola Industrial Fonte: FGV Mar Mai O Índice de Preços ao Consumidor Brasil (IPC-Br) e o Índice Nacional da Construção Civil (INCC), com pesos respectivos de 0% e 10% no IGP- DI, apresentaram, na ordem, variações de,0% e,9% no trimestre encerrado em maio, ante 1,9% e 1,% no trimestre finalizado em fevereiro. A aceleração registrada pelo IPC-Br resultou de pressões associadas aos grupos alimentação, vestuário e habitação, enquanto a relativa ao INCC traduziu pressões originadas nos componentes serviços, mão-de-obra e material. A variação do IGP-DI acumulada em doze meses atingiu 1,1% em maio, ante,89% em dezembro de, enquanto, na mesma ordem, o IPA-DI aumentou 1,% e 9,%; o IPC-Br,,9% e,0%; e o INCC, 8,0% e,1%. Ressalte-se que o aumento de,9 p.p. observado na variação em doze meses do IPA-DI, entre os períodos considerados, esteve associado, em especial, ao desempenho dos preços agrícolas, que acumularam expansão de,% nos doze meses encerrados em maio, a taxa mais elevada desde junho de 00. A evolução dos preços no atacado sinaliza aumento de custos e futura pressão sobre os preços ao consumidor. Gráfico. Evolução do IPCA 1,0 0, 0,0-0, Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan Mar IPCA Monitorados Livres Mai. Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo O IPCA acumulou alta de,88% nos cinco primeiros meses de, ante 1,9% e 1,%, respectivamente, nos períodos correspondentes de e de 00. A variação do indicador em refletiu crescimentos de,% nos preços livres e de 1,18% nos monitorados, ante,00% e 1,%, respectivamente, no ano anterior. A variação do IPCA atingiu 1,8% no trimestre encerrado em maio, ante 1,8% naquele finalizado em fevereiro e 0,90% no mesmo período de. A aceleração Relatório de Inflação Junho

3 Gráfico. IPCA Alimentação Variação % em 1 meses Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan Mar Mai Alimentação Industrializados Semi-elaborados In natura Gráfico. Índice de difusão do IPCA Proporção do número de subitens com aumentos 1/ Média móvel trimestral % 1 8 Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan 1/ O IPCA é composto por 8 subitens. Gráfico. IPCA Grupos discriminados Variação % em 1 meses Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan Mar Mai 00 IPCA Livres Monitorados Tabela. Preço ao consumidor Discriminação Pesos Jan Fev Mar Abr Mai No ano IPCA 100,00 0, 0,9 0,8 0, 0,9,88 Livres 0,0 0,9 0, 0,8 0, 1,0, Monitorados 9,9 0,0 0,10 0, 0,1 0, 1,18 Principais itens Energia elétrica, -0, 0,1 1,0-0,9-0,0-0,09 Água e esgoto 1,1 0,00 0,00 1, 0,1 0,,08 Ônibus urbano, 1,19 0,9 0,0 0,10 0,1,1 Passagem aérea 0,8 0,1 0,1 0, 0,1,,9 Gasolina,1-0,8-1, 0, -0,1 0,0-1,1 Gás de bujão 1,1 0,9-0,0-0,1-0,1 1, 1,9 Remédios,8 0,1 0,9 0,1 1,18 0,9,8 Plano de saúde, 0, 0, 0, 0, 0,, Mar Mai na margem registrada mesmo com o final da pressão sazonal exercida pelo item cursos, que não ocorria, nessa base de comparação, desde 00, reflete, em grande parte, as elevações nos preços dos segmentos alimentos, com ênfase no item panificados, vestuário e produtos farmacêuticos. O aumento da variação do indicador entre os trimestres encerrados em maio de e do ano anterior refletiu, principalmente, as acelerações dos preços nos grupos alimentos e bebidas,,18% ante 1,1%; e vestuário,,9% ante 1,9%, compensadas, em parte, pelos recuos registrados nos grupos transportes, 0,0% ante 0,%; e comunicações, 0,0% ante 0,%. O índice de difusão, indicador da proporção do número de itens com variação positiva no IPCA, registrou média de % no trimestre encerrado em maio, ante 1,% naquele finalizado em fevereiro e,% em, evidenciando maior disseminação dos aumentos nos preços.. Monitorados A variação dos preços monitorados, acumulada em doze meses, em trajetória declinante desde o segundo semestre de 00 e em patamar inferior a,00% desde abril de, atingiu 1,0% em maio, menor percentual da série histórica. Os preços monitorados aumentaram 0,88% no trimestre encerrado em maio, respondendo por 0, p.p. da variação total do IPCA no período. As variações mais acentuadas ocorreram nos itens óleo diesel,,%; passagem aérea,,9%; produtos farmacêuticos,,0%; e taxa de água e esgoto,,08%, enquanto, em sentido inverso, se registraram recuos nos preços dos itens ônibus interestadual, 1,%; e telefone público, 0,1%. Os preços da gasolina e do óleo diesel foram reajustados, respectivamente, em 10,00% e 1,00% pela Petrobrás, a partir do dia primeiro de maio. O aumento da gasolina, compensado integralmente pela redução da Contribuição sobre Intervenção no Domínio Econômico (Cide), não exercerá impacto sobre os preços ao consumidor, enquanto o reajuste do diesel atingirá, liquidamente, cerca de 8,00%. Junho Relatório de Inflação

4 . Núcleos As variações dos núcleos de inflação acumuladas em doze meses, repetindo a trajetória iniciada no segundo semestre de, apresentaram aceleração ao longo do trimestre encerrado em maio. A média das variações acumuladas em doze meses dos três indicadores de núcleo calculados pelo Banco Central atingiu,% em maio, ante,9% em dezembro de. Tabela. Preços ao consumidor e seus núcleos Discriminação Jan Fev Mar Abr Mai IPCA (cheio) 0, 0,9 0,8 0, 0,9 Exclusão 0,0 0,9 0, 0, 0,8 Médias aparadas Com suavização 0, 0, 0,9 0,8 0,0 Sem suavização 0,1 0, 0,1 0,1 0, IPC-Br (cheio) 0,9 0,00 0, 0, 0,8 Médias aparadas 0, 0,1 0,1 0,8 0, Fontes: IBGE, Bacen e FGV Gráfico. Núcleos de inflação Variação % em 1 meses Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan Mar Mai Jul Set Nov Jan Mar Mai 00 IPCA Exclusão IPCA Fontes: IBGE, Bacen e FGV IPCA Médias aparadas IPC-Br Médias aparadas O núcleo por exclusão de bens e serviços, cujos preços são monitorados, e de alimentação no domicílio cresceu,0% nos cinco primeiros meses de, ante 1,80% no período correspondente de. O indicador variou 1,8% no trimestre encerrado em maio, ante 1,0% naquele finalizado em fevereiro, período em que a sazonalidade é desfavorável, na medida em que capta o impacto dos reajustes de mensalidades escolares. A variação do indicador acumulada em doze meses atingiu,0% em maio, nível mais elevado desde abril de 00. A medida de núcleo calculada por médias aparadas com suavização registrou alta de 1,8% no trimestre encerrado em maio, ante 1,0% naquele finalizado em fevereiro, variação trimestral mais acentuada desde março de 00. A variação acumulada em doze meses totalizou,% em maio, ante,0% em fevereiro, maior taxa desde dezembro de 00. A variação trimestral do núcleo de inflação por médias aparadas sem o procedimento de suavização atingiu 1,% em maio, ante 1,% em fevereiro, acumulando variações respectivas em doze meses de,9% e,8%, nos meses considerados. O núcleo de inflação relativo ao IPC-Br da FGV, calculado por médias aparadas, variou 1,1% no trimestre encerrado em maio, ante 0,% no trimestre finalizado em fevereiro, maior taxa trimestral desde julho de 00.. Expectativas de mercado As projeções das expectativas de inflação coletadas pela Gerência-Executiva de Relacionamento com Investidores (Gerin) aumentaram desde o final do primeiro trimestre do ano. Segundo o relatório Focus, a mediana das previsões para o IPCA em subiu de,0% para,0% (final de maio). Para 009, as expectativas de inflação também avançaram, passando de,0% para,0%, superando pela primeira vez o centro da meta fixado em,0%. As projeções estão de acordo Relatório de Inflação Junho

5 Gráfico. IPCA Medianas,,1,,,9 Mai Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai 009 Gráfico.8 IGP-M e IPA-DI Medianas Mai Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai IGP-M IPA-DI Gráfico.9 Câmbio Medianas,10,0,00 1,9 1,90 1,8 1,80 1, 1,0 1, Mai Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Fim de período Média com a meta de,0%, com margem de tolerância de dois pontos para cima ou para baixo, estabelecida pelo CMN. A evolução das projeções para o IPCA doze meses à frente confirma a tendência de deterioração das expectativas de inflação no país. Nos últimos meses, as expectativas para o IPCA doze meses à frente deslocaram-se de,0% para,80% (última semana de maio). As altas recentes nas expectativas para a variação dos índices gerais de preços, puxadas pela elevação das cotações de commodities, reforçam a percepção de continuidade das pressões inflacionárias em escala global. Para, as medianas para o IGP-M e o IPA-DI no fechamento de maio atingiram 8,0% e 9,90%, respectivamente, em comparação à projeção de,80% apresentada ao final de março para os dois índices. Para 009, as medianas das projeções do mercado para o IGP-M e para o IPA-DI foram aumentadas de,0% para, respectivamente,,0% e,00%. A expectativa para evolução dos preços monitorados, que representam quase um terço da composição do IPCA, contribui para ajustar as expectativas de inflação futura a patamares mais baixos. Segundo o relatório Focus, a mediana das expectativas projeta uma correção de,0% para os preços monitorados em (final de maio), frente à estimativa anterior de,0% (final de março). Para 009, a projeção de reajuste para os preços monitorados aumentou de,00% para,0% no mesmo período. As projeções de mercado para a taxa de câmbio mantiveram a expectativa de continuidade de um cenário favorável para as contas externas brasileiras. Tanto considerando a taxa média como a de final de período, as medianas para a taxa de câmbio de alcançaram R$1,0/US$ (final de maio), recuando frente às taxas projetadas ao final de março de, respectivamente, R$1,/US$ e R$1,/US$. No mesmo período, a redução da expectativa para a taxa de câmbio média projetada para 009 foi de R$1,80/US$ para R$1,/US$. Considerando a taxa de câmbio de fim de período, a redução foi de R$1,8/US$ para R$1,/US$. A revisão das projeções para a meta da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) acompanhou a tendência de deterioração das expectativas de inflação. Para o final de, o mercado passou a projetar uma Selic em 1,% ao ano (a.a.), em contraste à previsão anterior (ao final de março), de 1,00% a.a. Adicionalmente, Junho Relatório de Inflação

6 Tabela. Resumo das expectativas de mercado IPCA,,0,,,, IGP-M,,,8, 8,, IPA-DI,,0,8, 9,9,0 Preços Administrados,,0,,0,, Selic (fim de período) 10,8 10,0 1,0 10,8 1,8 1, Selic (média do período) 11, 10, 11, 10,8 1, 1,8 Câmbio (fim de período) 1,80 1,90 1, 1,8 1,0 1, Câmbio (média do período) 1,8 1,8 1, 1,80 1,0 1, PIB,,1,,0,8,0 o mercado projeta uma taxa de 1,0% a.a. para a Selic no final de 009, ante a projeção anterior de 10,% a.a. (ao final de março). Nos últimos meses, o mercado revisou sua previsão de crescimento do PIB em de,% para,8%, considerando as medianas ao final de março e de maio. Já para 009, a mediana de projeções para o PIB manteve-se estável em %.. Conclusão O processo de aceleração da inflação iniciado ao final de manteve-se nos primeiros cinco meses de. Essa trajetória resulta da continuidade do dinamismo da demanda interna, em ambiente de crescente elevação do volume de crédito e de ganhos de renda por parte dos trabalhadores, em contexto de choque externo associado à evolução dos preços internacionais das commodities agrícolas e metálicas. Relatório de Inflação Junho

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