Novos caminhos para o turismo

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1 Impresso Especial DR/CE FIEC CORREIOS Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará Ano II N o 18 novembro de 2008 Novos caminhos para o turismo O estado do Ceará conta com R$ 1 bilhão assegurado para, nos próximos anos, incrementar o turismo cearense, oferecendo um novo padrão de qualidade e infra-estrutura ISSN X

2 No SESI/CE, as indústrias do estado têm o suporte necessário para melhorar seu desempenho social Hoje, mais do que bons produtos, a sociedade espera do setor produtivo contribuições efetivas para o desenvolvimento sustentável. Ciente dessa necessidade, o SESI/CE oferece às indústrias do Estado o apoio necessário para atuar de forma socialmente responsável. Ações em saúde, educação, lazer e responsabilidade social auxiliam empresas industriais de todos os Uma publicação do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Ceará NOVEMBRO 2008 N o ENAI O Brasil que queremos 8 Encontro Nacional da Indústria propõe mudanças estruturais para estimular o crescimento do país. Foto: SETUR/CE Capa 20 qualidade Governo do estado prevê investir R$ 1 bilhão nos próximos anos para oferecer um novo padrão de ao turismo cearense. ISSN X portes a qualificar as relações com seus diversos públicos e a melhorar seu desempenho social. Cadeia têxtil Novos tempos 26 Ivan Bezerra Filho assume Sindtêxtil acreditando no surgimento de oportunidades. Moda Atenção e inovação 29 Encontro de profissionais de moda alerta sobre os desafios para conquistar o cliente. Sindsorvetes Central de Compras 34 Com apoio do IEL/CE e do Sebrae, o sindicato consegue economia na compra de insumos. Vira Vida Reescrevendo a história 36 Projeto do SESI ajuda jovens a sair de situação de risco mediante a qualificação profissional. Perspectivas para o turismo no Ceará 12 Crise Oportunidades e riscos Mesmo com dinheiro escasso, há chances de se sair da crise mais fortalecido. 18 ZPE Divisor de águas A implantação das ZPEs sinaliza uma transformação na economia do Ceará. 30 Itataia Exploração da mina A maior reserva de urânio do país vai gerar a partir de 2012 cerca de empregos Foto: Rodrigues SESI, a marca da responsabilidade social FIEC/AIRM... S E Ç Õ E S 5 MENSAGEM DA PRESIDência Avanços na Governança 6 Notas&Fatos Marcantonio Vilaça 25 Inovações&descobertas Borracha que se autoconserta 33 artigo Projeto Cidadania Rural IMAGEM: SETUR/CE

3 Federação das Indústrias do Estado do Ceará fiec DIRETORIA Presidente Roberto Proença de Macêdo 1 o Vice-Presidente Ivan Rodrigues Bezerra Vice-presidentes Carlos Roberto de Carvalho Fujita, Pedro Alcântara Rego de Lima e Wânia Cysne Medeiros Dummar Diretor administrativo Affonso Taboza Pereira Diretor financeiro Álvaro de Castro Correia Neto Diretor administrativo adjunto José Moreira Sobrinho Diretor financeiro adjunto José Carlos Braide Nogueira da Gama. Diretores Verônica Maria Rocha Perdigão, Abraão Sampaio Sales, Antônio Lúcio Carneiro, Cândido Couto Filho, Flávio Barreto Parente, Francisco José Lima Matos, Geraldo Bastos Osterno Júnior, Hercílio Helton e Silva, Jaime Machado da Ponte Filho, José Sérgio França Azevedo, Júlio Sarmento de Meneses, Manuel Cesário Filho, Marco Aurélio Norões Tavares, Marcos Veríssimo de Oliveira, Pedro Jorge Joffily Bezerra e Raimundo Alves Cavalcanti Ferraz CONSELHO FISCAL Efetivos Frederico Hosanan Pinto de Castro, José Apolônio de Castro Figueira e Vanildo Lima Marcelo Suplentes Hélio Perdigão Vasconcelos, Fernando Antonio de Assis Esteves e José Fernando Castelo Branco Ponte Delegados na CNI Efetivos Roberto Proença de Macêdo e Jorge Parente Frota Júnior Suplentes Manuel Cesário Filho e Carlos Roberto de Carvalho Fujita Superintendente geral do Sistema FIEC Paulo Rubens Fontenele Albuquerque Serviço Social da Indústria sesi CONSELHO REGIONAL Presidente Roberto Proença de Macêdo Delegados das Atividades Industriais Efetivos Alexandre Pereira Silva, Carlos Roberto Carvalho Fujita, José Moreira Sobrinho e Marcos Silva Montenegro Suplentes Flávio Barreto Parente, Geraldo Basto Osterno Júnior, Vanildo Lima Marcelo e Verônica Maria Rocha Perdigão Representantes do Ministério do Trabalho e Emprego Efetivo Francisco Assis Papito de Oliveira Suplente André Peixoto Figueiredo Lima Representantes do Governo do Estado do Ceará Efetivo Denilson Albano Portácio Suplente Paulo Venício Braga de Paula Representantes do Sindicato das Indústrias de Frios e Pesca no Estado do Ceará Efetivo Elisa Maria Gradvohl Bezerra Suplente Eduardo Camarço Filho Representante dos Trabalhadores da Indústria Efetivo Aristides Ricardo Abreu Suplente Raimundo Lopes Júnior Superintendente Regional Francisco das Chagas Magalhães Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial senai CONSELHO REGIONAL Presidente Roberto Proença de Macêdo Delegados das Atividades Industriais Efetivos Affonso Taboza Pereira, Álvaro de Castro Correia Neto, Pedro Jacson Gonçalves de Figueiredo e Ricardo Pereira Sales Suplentes José Carlos Braide Nogueira da Gama, Francisco José Lima Matos e Hercílio Helton e Silva Representante do Ministério da Educação Efetivo Cláudio Ricardo Gomes de Lima Suplente Samuel Brasileiro Filho Representante do Ministério do Trabalho Efetivo André Peixoto Figueiredo Lima Suplente Francisco Assis Papito de Oliveira Delegado da Categoria Econômica da Pesca Efetivo Maria José Gonçalves Marinho Suplente Eduardo Camarço Filho Representante dos Trabalhadores da Indústria Efetivo Francisco Antônio Ferreira da Silva Suplente Antônio Fernando Chaves de Lima Diretor do Departamento Regional do SENAI-CE Francisco das Chagas Magalhães Instituto Euvaldo Lodi IEL Diretor-presidente Roberto Proença de Macêdo Superintendente Vera Ilka Meireles Sales Coordenação e edição Luiz Carlos Cabral de Morais DRT/CE Nº 53 Redação Ângela Cavalcante David Negreiros Cavalcante G evan Oliveira e Luiz Henrique Campos Fotografia Sebastião Alves e José Sobrinho Diagramação e coordenação gráfica Ítalo Araújo Endereço e Redação Avenida Barão de Studart, 1980 térreo. CEP Telefones (085) e Fax (085) Revista da FIEC é uma publicação mensal editada pela Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia (AIRM) do Sistema FIEC Coordenador da AIRM Luiz Carlos Cabral de Morais Tiragem exemplares Diagramação - Editora Assaré Ltda/Vladimir Pezzole Impressão Tecnograf Publicidade (85) e e Endereço eletrônico Editoração - Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia (AIRM) RevistadaFIEC Novembro de 2008 Revista da FIEC. Ano 2, n 18 (nov. 2008) - Fortaleza : Federação das Indústrias do Estado do Ceará, v. ; 20,5 cm. Mensal. ISSN X 1. Indústria. 2. Periódico. I. Federação das Indústrias do Estado do Ceará. Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia. CDU: 67(051) MensagemdaPresidência Roberto Proença de Macêdo Avanços na Governança Em estreito alinhamento com o processo de Planejamento Estratégico da CNI, que mobilizou o empresariado nacional para pensar o futuro do país e da nossa indústria, a FIEC vem realizando, há mais de seis meses, o seu planejamento com a atenção voltada para o aumento da competitividade das empresas industriais do Ceará e para o desenvolvimento do nosso estado. Em maio deste ano, realizamos um workshop no qual tratamos as questões relacionadas com o conjunto do nosso Sistema, objetivando aperfeiçoar os mecanismos de integração entre seus componentes, de modo que SENAI, SESI, IEL, INDI, CIN e FIRESO possam estar ainda mais aptos a atender as demandas das nossas empresas, por meio da articulação dos seus sindicatos. No momento em que fechávamos esta edição da nossa revista, mergulhamos no cerne da FIEC como instituição, em um workshop para o refinamento da sua missão, visão, valores e crenças, bem como nos fundamentos do que tenho chamado de Governança Sindical. Com a participação das nossas principais lideranças sindicais e dos gestores da Federação, analisamos o cenário econômico mundial, nacional e local, com suas possíveis implicações em nossas atividades, identificando saídas e formulando objetivos para superar as turbulências produzidas pela atual crise e tirar o melhor proveito das oportunidades que normalmente derivam desse tipo de fenômeno. A análise criteriosa do ambiente interno da Federação, O precioso material produzido naquele sábado, 22 de novembro, nos abasteceu com todos os elementos necessários para avançar agora em direção ao ponto mais fundamental do nosso sistema de representação, que é o fortalecimento da nossa base sindical. ao mesmo tempo em que identificou deficiências relevantes como a desatualização dos nossos estatutos, falhas em processos administrativos e baixo grau de associativismo, apontou também pontos fortes de alta significação para a melhoria do desempenho da nossa entidade, como a sua boa imagem pública, o tratamento equânime a todos os sindicatos, elevada capacidade de articulação e um clima organizacional favorável às mudanças. O precioso material produzido naquele sábado, 22 de novembro, nos abasteceu com todos os elementos necessários para avançar agora em direção ao ponto mais fundamental do nosso sistema de representação, que é o fortalecimento da nossa base sindical. O próximo passo é o planejamento das ações necessárias para intensificar o alinhamento entre a Federação e seus sindicatos, objetivando aumentar a representatividade do nosso Sistema, contribuindo assim para a elevação da competitividade das empresas industriais do Ceará. Ao término de mais uma etapa do nosso processo de planejamento, senti nos participantes do workshop que trabalhou o Plano Estratégico da FIEC a satisfação pela contribuição que deram para a modernização e profissionalização da nossa entidade. A constatação que estamos evoluindo na sedimentação da nossa Governança Sindical, com o empenho crescente de todos que têm se dedicado a construí-la, sinaliza que estamos avançando consistentemente em direção à integração completa de todas as instâncias que constituem o sistema representativo da nossa indústria. Novembro de 2008 RevistadaFIEC

4 Notas&Fatos O q u e a c o n t e c e n o S i s t e m a F I E C, n a P o l í t I c a e n a E c o n o m i a CALÇADOS SENAI/CE realiza ação NO CARIRI O Centro de Formação Profissional Wanderillo de Castro Câmara (CFP WCC), unidade do SENAI/CE em Juazeiro do Norte, realizou em novembro atendimento na área de modelagem a 15 empresas calçadistas do Cariri. A ação, realizada em parceria com o Sebrae e o Sindindústria, consistiu na realização de consultorias, cursos e oficinas para profissionais das empresas, visando capacitá-los a prestar assessoria na área de modelagem de calçados. A idéia é proporcionar melhorias nos produtos fabricados pelas empresas a partir da adoção do conceito da modelagem técnica com medidas e escalas de acordo com as normas de construção de modelos de calçados. Informações: (88) >> Cartas à redação contendo comentários ou sugestões de reportagens podem ser enviadas para a Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia (AIRM) Avenida Barão de Studart, 1980, térreo, telefone: (85) Foto: SETUR/CE Mostra Prêmio CNI/SESI Marcantonio Vilaça chega a Fortaleza Amostra itinerante dos artistas contemplados com Prêmio CNI/SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas 2006/2008 chega a Fortaleza em 27 de novembro, ficando exposta até 1º de fevereiro no Museu de Arte Contemporânea do Centro Cultural Dragão do Mar. A exposição coletiva traz 36 trabalhos em diferentes meios e formatos entre pinturas, desenhos, vídeos, vídeo-instalações, fotografias e objetos. Lançado em 2004, o prêmio possui formato diferenciado. Cada edição contempla artistas com bolsas de trabalho, cujo desenvolvimento é acompanhado por um crítico ou curador de arte. Ao fim da etapa, os trabalhos selecionados são reunidos em exposições que visitam as capitais e cinco dessas obras são doadas ao acervo de instituições culturais. Além de incentivar a produção artística e contribuir para a ampliação das coleções institucionais, o prêmio se insere no conjunto de projetos desenvolvidos pela CNI/SESI para promover a cultura no país. Unigráfica Sindicato reconhece personalidades O Unigráfica realizará em 11 de dezembro, no Ideal Clube, a sua festa de confraternização de final de ano. Na ocasião, serão homenageadas personalidades que contribuíram com o segmento, recebendo o Troféu Prensa Gutenberg e a Comenda Peter Röhl. Um dos homenageados com o Prensa Gutenberg Associativismo Sindiembalagens obtém conquista para filiados O Sindiembalagens conseguiu liminar na justiça reduzindo de 27% para 19% as alíquotas do ICMS de energia elétrica e telefone pagas pelas empresas filiadas. No caso da redução da alíquota do ICMS da energia elétrica, o argumento utilizado pelo sindicato foi de que o imposto não deve incidir sobre a demanda contratada, mas apenas sobre a energia efetivamente consumida pelas empresas. A conquista é um dos primeiros resultados do trabalho de fortalecimento sindical, desenvolvido com o apoio do IEL/CE. O projeto é baseado na oferta de benefícios às indústrias associadas e já resultou no aumento de 25% no número de filiados ao sindicato. será Francisco das Chagas Magalhães, diretor regional do SENAI/CE, pelo empenho na reestruturação da Escola de Artes Gráficas de Fortaleza, viabilizando o atendimento à demanda por capacitação técnica da indústria gráfica das regiões Norte e Nordeste. O sindicato ainda fará homenagem especial ao jornalista Demócrito Dummar. Estágio ArmTEc é destaque em premiação do IEL A empresa cearense Armtec ficou em segundo lugar na etapa nacional do Prêmio IEL de Estágio 2008, categoria Micro e Pequena Empresa. A solenidade de premiação ocorreu em João Pessoa (PB) no dia 19 de novembro. Participaram dessa segunda fase do prêmio empresas e estudantes vencedores da etapa regional, realizada em 15 estados e no Distrito Federal. A iniciativa reconhece estagiários que criaram projetos inovadores e empresas que apresentam as melhores práticas de estágio. AGENDA... O CIN/CE realizará em dezembro dois cursos de capacitação em comércio exterior. De 1º a 3 de dezembro, ocorre o curso Direito Marítimo Aplicado. Já nos dias 4 e 5 é a vez do curso Teoria e Prática da Regulação de Transportes e Portos. Informações: O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e a FIEC promovem em 11 de dezembro, às 17 horas, na Casa da Indústria, o seminário Contribuições Previdenciárias das Agroindústrias Relacionadas e não-relacionadas no Decreto 1.146/70, Sobre a Exportação de Produtos Rurais. Informações: Notas&Fatos Energia Novos parques eólicos inaugurados no Ceará Até junho de 2009, o Ceará será o estado do país com maior potencial eólico instalado, somando uma capacidade de 500 megawatts. A perspectiva das autoridades cearenses é de que em três anos o Ceará atinja a autosuficiência energética. Nesse sentido, foram inaugurados pela empresa Rosa dos Ventos em 17 de novembro, no município de Aracati, os parques eólicos Lagoa do Mato (com dois geradores) e Canoa Quebrada (com cinco geradores. O empreendimento está dduzentas e cinqüenta e duas indústrias de oito municípios do Baixo Jaguaribe estão contempladas no Projeto Extensão Industrial Exportadora (PEIEx), que busca incrementar a competitividade e promover a cultura exportadora em empresas inseridas nos Arranjos Produtivos Locais (APLs) selecionados. A iniciativa engloba os setores alimentício (panificação e avaliado em R$ 72 milhões e pode abastecer uma população de habitantes. IEL/CE Projeto capacita 252 indústrias do interior doces), confecções, redes de dormir, laticínios, metalmecânico e cerâmica vermelha. A idéia é provocar a redução de custos e fomentar a qualificação da mão-de-obra nas empresas, elevando-as a um nível de competitividade padrão. O PEIEx é um projeto do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), executado no estado pelo IEL/CE. CURTAS... A indústria cearense Sanny Confecções conquistou o primeiro lugar na categoria média empresa durante a quarta edição do Prêmio Nacional CEN Aids no Mundo do Trabalho. A comenda é um reconhecimento ao trabalho de conscientização realizado internamente nos colaboradores, bem como pela campanha promovida em etiquetas fixadas nas calcinhas produzidas pela empresa, que trazem o alerta DST/AIDS, use camisinha. Há 40 anos no mercado, a indústria está localizada em Fortaleza e possui 160 funcionários. Pesquisa realizada em outubro pela Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) com 44 empresas do setor, que, juntas, empregam mais de trabalhadores nos segmentos editorial, embalagens, envelopes, impressos comerciais e promocionais, formulários e outros, aponta que o maior efeito sobre os negócios na área devido à crise internacional foi o aumento do custo de insumos, como papel e tintas. Segundo o trabalho, como os preços dos insumos são fixados em dólar, o reflexo maior se origina a partir da desvalorização do real, nem tanto da turbulência econômica. RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC

5 3º ENAI O Brasil que a indústria quer Em outubro, cerca de mil industriais de todo o país estiveram reunidos em Brasília para o terceiro Encontro Nacional da Indústria. OBrasil tem o desafio de minimizar os impactos da iminente recessão mundial, adotando uma agenda emergencial que restabeleça a liquidez e a oferta de crédito na economia. Também é necessário avançar na agenda estrutural de longo prazo, na qual a prioridade é uma reforma tributária que simplifique o sistema de cobrança de impostos e desonere as exportações e os investimentos. Esse foi o alerta dado pela Carta da Indústria, documento que sintetiza os debates e as recomendações de cerca de mil dirigentes sindicais industriais, presidentes de federações e empresários que participaram do 3º Encontro Nacional da Indústria (ENAI). O evento, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi realizado em 27 e 28 de outubro em Brasília. A FIEC esteve presente com uma comitiva de 18 pessoas, entre líderes sindicais, diretores e executivos da federação. O presidente Roberto Proença de Macêdo afirma ter saído do encontro acreditando que o Brasil está no caminho do desenvolvimento, que foi percorrido com sucesso pela China. Segundo ele, o fortalecimento da economia como forma de minimizar os reflexos da crise global foi um dos desafios propostos pelo ENAI, além da necessidade de mudanças estruturais como a reforma tributária e a redução dos juros e do investimento em infra-estrutura, logística e inovação. A CNI assumiu a postura nacional de liderança da economia. O terceiro ENAI reforçou a legitimidade da instituição, considera. Para o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, o Brasil deve, nesse momento de crise, evitar retrocessos institucionais e renovar a confiança na economia de mercado. O nosso potencial de crescimento econômico será ainda mais impactado caso haja ambigüidades em relação ao papel da livre iniciativa, disse o empresário, acrescentando que um setor empresarial uno, organizado e articulado é fundamental para evitar a irradiação de ondas intervencionistas. Refletindo esse posicionamento, a Carta da Indústria indica que o problema no Brasil não é falta de regulação, mas seu Solenidade de abertura do 3º ENAI, realizado em Brasília em 27 e 28 de outubro A ampliação dos prazos de recolhimento de impostos terá impacto positivo, principalmente para as pequenas e médias empresas Armando Monteiro Neto, presidente da CNI Foto: José Paulo Lacerda excesso: As nossas empresas, em suas funções básicas de contratar pessoas, pagar impostos e comercializar produtos enfrentam um ambiente burocrático e de intervenção excessiva. Regras são fundamentais, mas regras em excesso travam a economia e destróem empregos. Propostas cinco ações Na Carta da Indústria, os empresários sugerem cinco ações emergenciais para o Brasil enfrentar a escassez de crédito e as turbulências externas. Uma das propostas foi a ampliação, em caráter excepcional, do prazo de recolhimento dos tributos, reduzindo as necessidades imediatas de capital de giro das empresas. Na semana seguinte ao ENAI, o ministro da Fazenda, Guido Mantega que participou do primeiro dia do encontro anunciou a ampliação, entre cinco e dez dias, dos prazos de recolhimento do IPI, do PIS, da Cofins, do Imposto de Renda Retido na Fonte e da Contribuição Previdenciária. A medida terá impacto positivo, principalmente para as pequenas e médias empresas, disse Armando Monteiro. Ele destacou, no entanto, que o governo deveria estender o prazo de recolhimento da Cofins e do PIS para o último dia do mês, aumentando para dez dias e não apenas cinco como ficou definido o prazo de recolhimento dessas duas contribuições. Mantega anunciou ainda a criação de uma força-tarefa para agilizar a compensação de créditos tributários que o setor produtivo possui com o governo outra reivindicação feita na Carta da Indústria. A promessa do governo é que essa liberação ocorrerá até o fim do ano. As outras três sugestões emergenciais propostas na Carta da Indústria são: reduzir as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito, para evitar maior retração no volume de financiamentos; disciplinar a utilização dos recursos das reservas internacionais do Banco Central, para assegurar o acesso das empresas às linhas de financiamento às exportações, e adequar os instrumentos oficiais de financiamento para exportação às necessidades das empresas. O documento lembra que a economia brasileira está menos vulnerável às crises externas porque o país adotou políticas e fez reformas que garantiram a manutenção da estabilidade e a integração ao mercado internacional. Fortalecer esses ativos é o melhor caminho para ultrapassar esse momento, adverte o texto. Nesse sentido, os industriais sugerem seis ações estruturantes, que permitam aumentar a capacidade de resposta da economia contra crises externas e estimular o crescimento. Dentre as propostas estão aprovar uma reforma tributária que simplifique o sistema de arrecadação de impostos e desonere os investimentos e as exportações; reduzir os gastos correntes do governo e privilegiar os investimentos públicos na área de infra-estrutura; reduzir encargos e a insegurança jurídica nos contratos de trabalho; melhorar a logística e avançar no aperfeiçoamento de marcos regulatórios da infra-estrutura; promover a agenda da produtividade e da inovação, e aperfeiçoar o marco regulatório de meio ambiente, de forma a propiciar condições adequadas aos investimentos Ações estruturantes Enfrentar a questão tributária: reforma, carga e burocracia, com foco na desoneração dos investimentos e das exportações. Privilegiar os gastos públicos em investimentos, notadamente em infraestrutura. Reduzir encargos para contratação e a insegurança jurídica nos contratos de trabalho. Melhorar a logística e avançar no aperfeiçoamento de marcos regulatórios (Lei do Gás e portos). Promover a agenda da produtividade e da inovação. Aperfeiçoar o marco regulatório de meio ambiente de forma a propiciar condições adequadas aos investimentos. 8 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC

6 Foto: Miguel Ângelo Crise traz impactos Segundo a Consulta Empresarial divulgada pela CNI em 20 de novembro, os principais impactos da crise financeira internacional sobre as empresas do país são redução nas vendas, suspensão dos planos de investimentos e escassez de crédito para capital de giro. A consulta foi feita entre 6 e 14 de novembro com 385 empresas. Na pesquisa, 88% dos empresários disseram que a crise afeta os negócios de suas empresas. Entre as atingidas, 57% reduziram as projeções de vendas para A queda na demanda foi apontada como o principal efeito da crise, seguida pelo aumento dos preços dos insumos e dos equipamentos importados. Diante da expectativa de queda nas vendas, os empresários estão adequando seus planos de investimentos, analisa o gerente-executivo da Unidade de Pesquisa Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco. Conforme a pesquisa, 57% das empresas cancelaram ou adiaram por tempo indeterminado os investimentos previstos para o próximo ano. O estudo revela ainda que 61% das empresas enfrentam dificuldades para obter crédito de curto prazo. Dessas, 49% afirmaram que o financiamento para capital de giro, desconto de duplicata e outras é a modalidade mais afetada. Para a maioria das empresas, o principal obstáculo é o aumento dos custos dos empréstimos, seguido pela falta de recursos e pela redução dos prazos de pagamento. Na avaliação das empresas, as medidas adotadas pelo governo para melhorar as condições de financiamento tiveram resultados Prêmio CNI: Cerâmica Dantas é 2º lugar Depois de conquistar o primeiro lugar no Prêmio Finep de Inovação Tecnológica, em 2007, o processo utilizado pela empresa cearense Cerâmica Dantas, localizada no município de Russas, região jaguaribana, a 152 quilômetros de Fortaleza, para produção de tijolos e telhas, obteve a segunda colocação no Prêmio CNI A comenda foi entrega em 28 de outubro, em Brasília, durante o 3º Encontro Nacional da Indústria (ENAI). A tecnologia desenvolvida pela Cerâmica Dantas o forno Cedan reduz em dois terços o volume de lenha utilizado por meio das técnicas convencionais. Com a inovação, a cada mil telhas produzidas são consumidos atualmente 700 gramas de lenha. Antes, o consumo chegava a aproximadamente dois quilos para produzir a mesma quantidade. O produto é composto por 12 fornos, que, acoplados uns aos outros, facilitam a transferência do calor e dos gases necessários para a combustão, com a redução do tempo utilizado para a produção das peças. Com o forno Cedan, são necessárias apenas 18 horas para produzir de a tijolos. Nos fornos convencionais, esse processo pode levar de 30 a 70 horas. O produto final é mais homogêneo, devido à uniformidade modestos. Para 52% dos entrevistados, as medidas são efetivas, mas com resultados moderados. Os empresários apontam a ampliação do prazo de pagamento dos impostos, a facilitação do acesso às linhas de crédito oficial e o aumento de recursos para linhas oficiais de financiamento como medidas indispensáveis para superar a crise. Além disso, 49% dos empresários acreditam que a crise será superada no próximo ano. Outros 40% esperam melhora no cenário a partir de Segundo Castelo Branco, a superação da crise dependerá do cenário internacional e do desempenho das economias dos países desenvolvidos. Ele lembra que, no Brasil, a demanda interna continua forte, impulsionada pelo aumento do emprego e da renda. Com isso, os efeitos da recessão externa sobre a economia brasileira serão menos intensos. da temperatura que circula de um forno ao outro, garantindo uma maior competitividade na comercialização, explica o proprietário da cerâmica, Paulo Sérgio Ramalho Dantas, criador do forno. Para que a inovação fosse possível, o projeto do Forno Cedan Evolução de Queima em Cerâmica Vermelha contou com o apoio técnico do IEL/CE, que coordenou o Projeto de Base Mineral do APL de Cerâmica Vermelha do Baixo Jaguaribe, beneficiando mais de 30 empresas. O APL, que teve a participação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae/CE) e do Sindicato das Indústrias de Cerâmica do Estado do Ceará (Sindcerâmica), foi decisivo para mudar o perfil de um dos maiores segmentos empregadores do interior do estado. Prontos para agir Os novos projetos estruturantes já confirmados para o Ceará, especialmente a siderúrgica, a refinaria e novas termelétricas, mudarão o perfil industrial do estado nos próximos anos. As entidades que fazem o Sistema FIEC SESI, SENAI, IEL, INDI e FIRESO estão preparadas para atender as demandas por mão-de-obra qualificada e serviços tecnológicos que esse panorama de novos investimentos exigirá das indústrias locais. Estamos prontos para entrar nesse novo ciclo de crescimento, fruto de uma atuação integrada do setor produtivo cearense e dos governos estadual e federal. Novos projetos, novas indústrias e uma antiga certeza: o Ceará pode contar com o Sistema FIEC para crescer. Paulo Sérgio Ramalho Dantas exibe a comenda pela segunda colocação no Prêmio CNI A tecnologia desenvolvida pela Cerâmica Dantas o forno Cedan reduz em dois terços o volume de lenha utilizado por meio de técnicas convencionais FIEC/AIRM 10 RevistadaFIEC Novembro de 2008

7 Conjuntura externa O Brasil vive um momento de solidez econômica no cenário interno. O sistema bancário está saudável, o país acumula mais de US$ 200 bilhões de reservas em dólar, a inflação está controlada, a moeda se mostra forte, o país não Crise Oportunidades e riscos Com dinheiro escasso, o dólar ficou caro e os juros dispararam, inibindo novos financiamentos. Mesmo em fase promissora na economia interna, o Brasil já sofre os efeitos da crise financeira mundial, mas há chances e boas de sair dela mais fortalecido tem dívida externa, sua dívida interna não está vinculada ao dólar e a soma de todo o crédito concedido no Brasil não chega a 40% do Produto Interno Bruto (PIB). De repente, em meio a tal calmaria, a conjuntura externa explode numa crise sem precedentes, desencadeada pela concessão indiscriminada de financiamentos no mercado imobiliário dos Estados Unidos da América (EUA), culminando no comprometimento de mais de 100% do PIB norte-americano. O problema já fechou empresas e instituições financeiras respeitadas no mercado internacional. Nos Estados Unidos, mais de dez bancos já faliram este ano. Insegurança instalada na maior economia do mundo, o efeito cascata ou bola de neve no crédito logo atingiu mercados e parceiros, provocando a queda das bolsas em diversos países. Com o dinheiro escasso, o dólar encareceu e os juros dispararam, inibindo novos financiamentos. Mesmo em fase promissora na economia interna, nosso país não está blindado. Ele também está sujeito aos respingos do caos instalado no mercado global. Retração do crédito, elevação dos juros, aumento do dólar, importações mais caras e falta de liquidez no mercado externo, dificultando a aquisição de produtos de outros países, são alguns reflexos que começam a dar sinais em nossa economia. E mais: alguns setores, atualmente, estão sendo atingidos, como bens de consumo duráveis e bens de capital, que tiveram recente queda nas vendas. Entretanto, a crise não traz apenas prejuízos. Setores econômicos, como as indústrias têxtil e de confecções, metal-mecânica, de panificação e a turística apostam que o momento de crise ampliará a oportunidade de crescimento nos negócios. A empresária Verônica Perdigão, vice-presidente da Santana Textiles, uma das maiores indústrias cearenses do setor, afirma que a empresa passa por NÚmeros Dentro de um mês, o preço da sucata metálica que negociávamos no Ceará a R$ 680 por tonelada passou a custar R$ 180/tonelada. Ricard Pereira Silveira, presidente do Simec sua melhor fase. É fato que os bancos estão reduzindo o crédito e que o custo está mais alto. Mas estamos no melhor período para o segmento têxtil. O último mês (outubro) foi o que O país acumula mais de US$ 200 bilhões de reservas em dólar. A inflação está controlada, a moeda se mostra forte, o país não tem dívida externa, sua dívida interna não está vinculada ao dólar e a soma de todo o crédito concedido no Brasil não chega a 40% do Produto Interno Bruto (PIB). mais vendemos. Neste fim de ano, acho que vamos (setores têxtil e de confecções) nos dar bem, até porque os tecidos e confecções importados estão barrados nos portos devido à alta do dólar, observa. O otimismo é referendado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), que vê na crise a oportunidade de a indústria nacional recuperar o espaço perdido no mercado interno. O conselheiro da Abit, Rafael Cervoni, recorda que os preços dos importados aumentaram quase 50% somente nas três primeiras semanas de crise. Alguns importadores estão preferindo deixar as encomendas nos contêineres porque fica mais barato do que retirar as mercadorias, explica. A expectativa também é positiva para o turismo. Com o dólar mais caro, espera-se que, em vez de viajar para fora do país, o brasileiro passe a investir mais nos destinos nacionais. O turista estrangeiro, com a moeda mais valorizada, também poderá estar mais motivado a viajar ao Brasil. O americano e o europeu que visitam nosso país têm poder aquisitivo maior que a média e, portanto, sofreriam menos conseqüências com a crise em seus países e manteriam suas viagens, que já foram programadas e pagas, avalia o ministro de Turismo, Luiz Barreto. O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, estima que alguns investimentos em infra-estrutura e em setores industriais podem ser beneficiados com a crise, por causa da redução de custos das matérias-primas (commodities). Segundo ele, no primeiro semestre deste ano tais investimentos sofreram pressão de custos violenta por causa de preços explosivos do aço e de outras matérias-primas. Para Coutinho, a recessão nos países desenvolvidos deverá reduzir os preços do insumo. Em relação à infra-estrutura, ele assegura que os investimentos permanecerão praticamente inalterados. O investimento é firme, vai continuar firme, a uma velocidade um pouco mais baixa do que a que vinha, que era muito forte, garante. O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas 12 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 13

8 e de Material Elétrico do Estado do Ceará (Simec), Ricard Pereira Silveira, confirma a expectativa do presidente do BNDES, dando o exemplo da queda no preço da matéria-prima utilizada pelo setor siderúrgico. Em um mês, o preço da sucata metálica que negociávamos no Ceará a R$ 680 por tonelada passou a custar R$ 180/tonelada, afirma o empresário, segundo o qual a queda de 73,5% no custo do insumo ainda não foi repassada ao setor metal-mecânico. As siderúrgicas compram a sucata e a transformam em chapas de aço para vender às indústrias do nosso setor, como a Durametal, a Esmaltec e a Aço Cearense. Mas elas só vão se beneficiar quando o preço do aço acabado baixar. Para o presidente do Simec, a redução deve acontecer logo por causa da queda da demanda mundial. A exportação de aços planos praticamente zerou, diz Ricard. M e s m o diante dos prognósticos, o economista e consultor financeiro Delano Macedo de Vasconcellos garante que não há como fi- carmos ilesos à crise, em função da tendência natural de retração da atividade econômica mundial. Segundo ele, a redução de crédito e o seu encarecimento vão afetar, ainda que no médio prazo, a produção. O risco de inadimplência é outra vertente a ser considerada. A equação é simples: o custo do dinheiro para os bancos aumentou e as grandes empresas nacionais passaram a tomar empréstimos no mercado doméstico porque as instituições internacionais estão reduzindo financiamentos para se tornarem mais líquidas, frisa, para arrematar: Tem muita gente querendo e pouco dinheiro para emprestar no Brasil. Para se resguardarem de outro reflexo natural em momentos de crise a inadimplência, os bancos e financeiras estão reduzindo limites de crédito e prazos de pagamento. Considerando a perspectiva da indústria têxtil local, Delano Macedo observa que, embora tenha ficado mais fácil competir no mercado interno com os produtos importados, caso o ritmo das atividades desacelere mais e haja diminuição de empregos a inadimplência tenderá a aumentar, exigindo cuidados do setor têxtil nas vendas internas. O economista também não afasta a hipótese de redução da atividade turística. Com o clima de ameaça pairando sobre os empregos, eles podem optar por não viajar, o que também é reflexo da crise, pondera. A hora é de serenidade oeconomista e diretor do Instituto dos Executivos de Finanças no Ceará (Ibef), Ênio Viana, destaca que o maior problema enfrentado pelo mercado não é a escassez de liquidez, mas a falta de credibilidade. Enquanto a fé não for restabelecida, as empresas não investem e os negócios param de acontecer, observa. Ricard Pereira, do Simec, defende a manutenção da confiança para que a economia possa se reestruturar. O mercado estava Com a crise financeira internacional, a exportação de aços planos praticamente zerou. desestruturado antes da crise. As bolsas estavam operando fora da realidade. Os preços haviam subido demais e por isso estão caindo. Nosso país está estável, nossos bancos não quebraram e as empresas estão bem estruturadas. Isso nos faz crer que vamos sair dessa crise mais fortalecidos, aposta. Confiança também não falta à indústria de panificação do estado. No Brasil, a crise está mais na cabeça das pessoas. Em nosso setor, composto de micro e pequenas empresas, o abalo de crédito tende a segurar o desenvolvimento. O capital de giro se tornou mais caro para nossas empresas. Mas o pequeno abalo que tivemos não deve se manter até o fim de novembro, estima Ricardo Sales, presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado do Ceará (Sindpan). Reflexões à parte, o momento não é para desespero, segundo o presidente da FIEC, Roberto Proença de Macêdo, que aconselha os empresários cearenses a evitarem decisões de grande impacto em seus negócios, reduzindo assim o grau de risco. Apesar das incertezas, confiamos que a economia brasileira está bem menos vulnerável do que as economias centrais, que estão no epicentro da crise. Nossas empresas contam com um mercado interno gigante, uma política econômica bem fundamentada e, por isso, devemos nos precaver no que se refere a decisões que envolvam grandes volumes de produção e de investimentos, mas sem qualquer postura de acomodação. O momento não é de pânico, e, sim, de rígido controle do caixa das empresas e de ação com serenidade, afirma. Em compasso de espera Termômetro da atividade industrial, o setor de embalagem é um importante parâmetro a partir dos meses de setembro e outubro quando se precisa avaliar as vendas da indústria no final do ano. Nem poderia ser diferente. Se as vendas ocorrem em dezembro, normalmente é com 60 dias de antecedência para o Natal que as empresas trabalham suas encomendas. O ano fecha em outubro, no mais tardar na primeira quinzena de novembro, para o setor de embalagem. E só recomeça em abril. Em 2008, porém, com a crise econômica mundial estourando de vez no fim deste terceiro trimestre, surpreendendo a maioria dos segmentos industriais já preparados para auferir bons negócios por conta do período natalino, essa relação de consumo ficou comprometida e gerou um movimento atípico. Para se ter uma idéia desse fenômeno, de acordo com dados de setembro da Associação Brasileira do Papel Ondulado (ABPO), último mês pesquisado, o resultado alcançado apresenta ligeiro aumento na comparação com o ano anterior. Apesar disso, há uma tendência de pessimismo, em virtude Capital de giro Ocupando o quinto lugar na pauta de exportação do Ceará em setembro, com crescimento de 88% na comparação com o mesmo período do ano anterior, o setor de fruticultura espera fechar o ano com cerca de US$ 100 milhões em vendas para o exterior. Segundo Euvaldo Bringel, presidente do Instituto Frutal, essa meta deve ser atingida em novembro porque o segmento vem crescendo mês a mês e a tendência é que haja um aumento no final do ano. Sobre a crise econômica internacional, ele afirma que o maior problema se relaciona a capital de giro, pois até o aumento do dólar colaborou para o Setor de embalagens: importante parâmetro para avaliar a produção industrial no final do ano de muitos setores estarem retraídos, aguardando o desenrolar da crise. No Ceará, o movimento não poderia ser diferente. Para Hélio Perdigão, presidente do Sindicato das Indústrias do Papel, Papelão, Celulose e Embalagens em Geral do Estado do Ceará (Sindiembalagens), as perspectivas para o Brasil apontam um reflexo do que vem acontecendo em nível O segmento começou a sentir uma certa retração no crédito, mas acredito que, do ponto de vista macroeconômico, isso irá se ajustar porque as próprias empresas vão se adequar a esse novo momento. Euvaldo Bringel, presidente do Instituto Frutal mundial. A diferença é que o país agora não tem tantos motivos para embarcar nessa crise com mais intensidade. Ele ressalta: A questão, porém, é a perspectiva de que as coisas possam piorar. Com a crise, os bancos são os primeiros a se retrair. O efeito disso é a diminuição da circulação de crédito e, conseqüentemente, a diminuição do consumo. Mas estamos embarcando de graça. E o nosso estado acaba entrando de carona. Segundo Hélio Perdigão, está quase tudo parado em São Paulo, ao passo que no Ceará as vendas não caíram, mas se realizam abaixo das perspectivas do setor. Estão estáveis e devem se manter assim, não apresentando o crescimento esperado. E arremata: O clima hoje é de espera; para o próximo ano é que os efeitos da crise serão sentidos. setor ganhar mais competitividade. O segmento começou a sentir uma certa retração no crédito, mas acredito que, do ponto de vista macroeconômico, isso irá se ajustar porque as próprias empresas vão se adequar a esse novo momento. Para Bringel, a fruticultura no Ceará continuará crescendo. As empresas estão bem estruturadas e o governo está acompanhando de perto o segmento. E completa confiante: A melhora da infra-estrutura do Porto do Pecém mostra isso, o que aumenta a competitividade. Nos primeiros momentos de crise, é normal que haja uma certa retração. Mas no caso da fruta, um bem de consumo imediato, é a última coisa que as pessoas deixam de comprar. 14 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 15

9 Cauteloso, mas otimista O setor calçadista de Fortaleza avalia 2008 como um ano superior a 2007 Um misto de cautela e otimismo sustenta o setor calçadista de Fortaleza nesse período de crise. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Calçados de Fortaleza (Sindcalf), Jaime Bellicanta, o setor avalia 2008 como um ano superior a O primeiro semestre foi melhor do que o Acertando o passo Alheio à crise econômica mundial e à atual situação dos principais estados produtores de calçados do país, o Ceará acerta o passo e registra crescimento este ano de 13,9% nas exportações, com incremento tanto em volume quanto em faturamento. Enquanto os pólos calçadistas gaúcho e paulista registraram quedas nos volumes de 25,91% e 30,73%, respectivamente, os cearenses exportaram 47,6 milhões de pares de sapatos, tênis e sandálias, 8,92% a mais, de janeiro a outubro último, sobre o mesmo período de Pelo segundo ano consecutivo, o Ceará ultrapassou os gaúchos em volume de pares, mas ficou em segundo lugar no faturamento. semestre anterior e o segundo está no mesmo patamar, garantindo algum ganho. Bellicanta lembra que, em relação a 2007, o segundo semestre é diferente porque não há contratações. Por outro lado, as empresas também não estão demitindo. Ele diz que o comércio varejista mantém atualmente um bom estoque em suas lojas na expectativa do Natal e não quer aumentá-lo temendo possíveis efeitos da crise econômica, que provocou diminuição do crédito ao consumidor. Mas o presidente do Sindcalf não desanima em relação ao quadro atual. Pelo contrário. Ele é o porta-voz do otimismo do setor para Bellicanta acredita que, mesmo não havendo aumento do estoque para o Natal, as empresas irão renová-lo após as festas de final de ano. Mesmo não havendo aumento do estoque para o Natal, as empresas irão renová-lo após as festas de final de ano. Jaime Bellicanta, presidente do Sindcalf As divisas do setor calçadista cearense somaram US$ 290,3 milhões, 14,08% superiores aos R$ 255,4 milhões anotados nos dez primeiros meses do ano passado. No cenário nacional do setor, o Ceará está atrás apenas do Rio Grande do Sul, que se mantém na liderança como o estado que mais faturou com as exportações de calçados. Maior empresa calçadista do Brasil em número de pares e a maior produtora mundial de sandálias, a Grendene, com 13 unidades espalhadas pelo Ceará (Sobral, Crato e Fortaleza) e Rio Grande do Sul, não deve ter seu crescimento afetado pela retração econômica mundial. Segundo o balanço trimestral divulgado em novembro, a empresa deve fechar 2008 com crescimento da receita bruta em torno de 5%. De acordo com a Secex/Abicalçados, Crise pode fortalecer economia tirar vantagem da crise mundial, transformando o momento atual num marco de mudanças que possam garantir o crescimento sustentado do Ceará e do Brasil. É possível? Muitos economistas, empresários e políticos apostam firmemente nesse desafio. Dentre os caminhos para emergir fortalecido da crise, eles apontam a reforma tributária, a redução dos gastos públicos, o fim da política de elevação de juros do Banco Central, o investimento no mercado interno e a melhoria de produtos e processos como formas de ampliar a competitividade da empresa. O economista cearense Cláudio Ferreira Lima acredita que a atual crise proporcionará à nossa economia o fortalecimento do mercado interno, além de abrir espaço para uma presença maior na economia mundial. Segundo ele, sua expectativa é que o Ceará possa aproveitar bem o momento. Crise, todo mundo sabe, é ameaça, sim, mas também é, principalmente, oportunidade. É só dá uma olhada rápida na história, observa. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a reforma tributária dará uma estrutura mais competitiva à economia brasileira. Ele entende que os países emergentes como o Brasil serão os menos afetados com a crise porque se prepararam melhor e possuem sistemas mais conservadores. Já temos um dinamismo maior, o mercado tem mais potencial de desenvolvimento, os fundamentos econômicos são melhores porque ao longo desses anos os países emergentes fizeram o dever de casa, contiveram as contas públicas e acumularam reservas, diz o ministro, apostando que o Brasil sairá do atual momento mais fortalecido. Já o senador Tasso Jereissati (PSDB/CE) entende que somente por meio das reformas estruturais, como a previdenciária e a tributária, o Brasil conseguirá superar a crise econômica internacional. Infelizmente não usamos os momentos certos, que são os de abundância, para fazermos as reformas, critica o senador. Economia e Estatística do Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (INDI), órgão da FIEC, diz que o momento não inspira nem tranqüilidade nem desesperança. A hora, segundo ele, é de arregaçar as mangas e trabalhar. Vivemos num cenário que inclui pontos positivos e outros negativos. O mundo entrou em recessão, a China se volta ao mercado interno, o real está desvalorizado, o sistema financeiro internacional abalado e os juros estão despencando em todo o mundo. Se por um lado perdemos mercado com a recessão mundial e com a política de elevação de juros do Copom, por outro ganhamos mercado diante do afastamento do concorrente asiático da nossa economia, com as exportações mais baratas devido à alta do dólar, e com o fato de o sistema bancário brasileiro estar mais forte que o mundial. Se aproveitarmos essa conjuntura para melhorar nosso produto, vamos conseguir ganhar maior participação no mercado e nos tornaremos mais competitivos lá fora quando a crise acabar, calcula. Segundo o economista e comentarista econômico da Globo News George Vidor, no cenário financeiro que já se apresenta é ingênuo afirmar que algum país possa estar blindado à crise internacional. Entretanto, o Brasil será uma das nações menos arranhadas com a atual conjuntura. A economia brasileira não deverá apresentar recessão, mas terá, sim, um crescimento menor no ano as exportações brasileiras de calçados nos meses de 2008, comparadas ao mesmo período do ano anterior, cresceram 0,3% em dólar, diminuíram 3,7% em volume de pares vendidos e o preço médio subiu 4,2%. Comparativamente, a Grendene, no mesmo período, apresentou alta de 43,6% em sua receita bruta em dólar; 27,6% no volume de vendas e aumento de 12,3% no preço médio em dólar. Com isso, a participação da Grendene nas exportações brasileiras de calçados, em volume de pares, passou de 20,4% nos nove meses de 2007 para 27,1% em igual período de Nos nove primeiros meses do ano, o volume total de vendas foi de 103,9 milhões de pares, um crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período de No mercado interno, a alta foi de 2,6% O economista Pedro Jorge e, no mercado externo, de 27,6%. Viana, coordenador da Unidade de Guido Mantega, ministro da Fazenda A reforma tributária dará uma estrutura mais competitiva à economia brasileira que vem. Para este ano, a previsão é de que o incremento do PIB supere os 5%. Já em 2009, quando os efeitos da crise serão mais visíveis, essa elevação, numa perspectiva das mais pessimistas, deverá chegar aos 3%, diz Vidor. Os investimentos em energia, saneamento básico e com o etanol, por exemplo, não deverão desacelerar. A demanda por isso não irá reduzir, aponta o economista. Segundo ele, o fato de a economia brasileira ser predominantemente voltada para o mercado doméstico o que antes era apontado como um problema acaba por deixar o país numa situação menos temerosa aos maus humores das finanças internacionais. Mas ele ressalta: Isso foi por pura sorte. A diversidade de mercados consumidores dos produtos nacionais também funcionará como um colchão para a crise. Vidor destaca que 40% dos capitais brasileiros vão para economias emergentes, especialmente para a América do Sul. O agronegócio também é uma área próspera. O Brasil é o único país que pode triplicar a sua produção agrícola sem cortar uma árvore, finaliza. 16 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 17

10 ZPE no Ceará O governo do estado e a Abrazpe estimam que até o fim de 2008 seja decretada a medida provisória regulamentando a ZPE no Pecém Divisor de águas A implantação garantirá, entre outras vantagens, a criação de empregos, maior desenvolvimento para a região, competitividade às empresas e acesso a novas tecnologias POR Ângela Cavalcante U m divisor de águas na história econômica do Ceará. É o que sinaliza o projeto da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) para o estado. Além de incentivos e estabilidade de regras para investimentos voltados às exportações, sua implantação garantirá, entre outras vantagens, a criação de empregos, maior desenvolvimento para a região, competitividade às empresas e acesso a novas tecnologias. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Zonas de Processamento de Exportação (Abrazpe), Helson Braga, com a instalação da ZPE cearense no Complexo Industrial e Portuário do Pecém outros equipamentos também impor- Vantagens da ZPE ampliação da geração de empregos maior valor agregado às exportações mais desenvolvimento para a região atração de investimentos estrangeiros aumento da produção industrial local modernização do comércio local aumento da demanda do comércio e serviços mais competitividade às empresas instaladas acesso a novas tecnologias e práticas de gestão isenção de tributos para produção exportada liberdade cambial às empresas exportadoras igualdade de condições face aos concorrentes maior recolhimento de impostos correção de desequilíbrios regionais tantes à economia cearense serão impulsionados em seu entorno, como refinaria, pólo petroquímico, usina de gaseificação, siderúrgica e pólo metal-mecânico. As ZPEs são distritos industriais que abrigam indústrias cuja produção é prioritariamente voltada ao mercado externo. As empresas localizadas numa ZPE operam com suspensão de impostos, liberdade cambial, ou seja, elas não são obrigadas a converter em reais as divisas obtidas nas exportações. Também operam com procedimentos administrativos simplificados. Em contrapartida, tais empresas têm que destinar pelo menos 80% do que produzem ao exterior, vendendo no máximo 20% para o mercado interno. Segundo o presidente da Abrazpe, a rigidez da legislação que regulamenta as ZPEs no Brasil preserva as empresas locais da concorrência desleal em relação àquelas instaladas na área, à medida que não serão isentas dos tributos relativos aos produtos destinados à venda no mercado interno. Benefícios como isenção de impostos e incentivos cambiais serão aplicados exclusivamente à parcela da produção reservada ao mercado externo. Não há o perigo de a ZPE se tornar uma espécie de zona franca, garante Braga. As ZPEs são o instrumento mais utilizado no mundo para atrair investimentos estrangeiros, ampliar as exportações, colocar empresas nacionais em iguais condições com concorrentes de países que dispõem de mecanismos semelhantes, criar empregos, aumentar o valor agregado das exportações, fortalecer o balanço de pagamentos e difundir novas tecnologias e práticas de gestão, além de corrigir desequilíbrios regionais. Com a ZPE, o emprego é gerado aqui dentro. Isso representa uma vantagem superior à isenção de impostos que as empresas têm direito, avalia Braga, para quem a zona deve ser administrada pela iniciativa privada a fim de manter a competitividade frente aos concorrentes internacionais. Regulamentação. O governo do estado e a Abrazpe estimam que até o fim de 2008 seja decretada a medida provisória regulamentando a ZPE no Complexo Industrial e Portuário do Pecém. De acordo com o presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Ceará (Adece), Antônio Balhmann, o estado já dispõe dos recursos necessários para desapropriar a área de implantação da zona. Temos uma verba de R$ 20 milhões para utilizar na desapropriação das áreas da ZPE, da refinaria e da siderúrgica, adianta. Ele acredita que o projeto da ZPE, em processo de tramitação no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), pode sofrer alterações durante a regulamentação. Tal incerteza, explica, dificulta o avanço na estruturação da área. O governo tenta se antecipar, mas com cautela. Ainda é cedo para falar em investimentos, mas sabemos que a área precisa ser cercada, com posto alfandegário, unidades do MDIC e da Secretaria da Fazenda e do Ministério da Saúde, diz Balhmann. Prospecção Aprospecção de empresas para instalação na ZPE cearense está em curso. Balhmann vem fazendo contatos com indústrias de vários setores, como o calçadista, de eletroeletrônicos, de laminadores de chapas e até da indústria pesqueira. São empresas da Europa, Ásia e também do Brasil. A ZPE do Pecém deverá ter características diversificadas, informa, reconhecendo ser a zona uma das prioridades do governo do estado. Uma vez regulamentada, a ZPE do Pecém contará com uma área de hectares para receber indústrias interessadas em produzir no Ceará. Além das vantagens econômicas, o estado terá o meio ambiente preservado com o advento do empreendimento. Teremos um estudo de impactos ambientais para preservar as dunas do local, diz Helson Braga. Para o presidente da FIEC, Roberto Proença de Macêdo, as ZPEs são importantes instrumentos de geração de emprego. E o Ceará precisa gerar emprego e renda para seu povo, pondera. O líder da indústria cearense é um dos principais defensores do empreendimento no estado, tendo sido pioneiro ao colocar a FIEC à frente da luta pelo equipamento, quando a lei de regulamentação da ZPE no Brasil ainda estava em fase de redação. Desenvolvimento Não há o perigo de a ZPE se tornar uma espécie de zona franca. Helson Braga, presidente da Abrazpe Oeconomista e diretor do Instituto Brasileiro de Executivos e Finanças (Ibef), Célio Avelino, enxerga na ZPE a oportunidade de alavancar a modernização do comércio do Ceará, introduzindo novos mecanismos que beneficiem não apenas as indústrias do empreendimento, mas também as tradicionais e em funcionamento. É preciso lembrar, ainda, que um centro de comércio exterior de alto nível depende da oferta de infra-estrutura adequada e eficiente: boas comunicações e meios de transporte abundantes e confiáveis. E o principal motor de toda a máquina: mão-de-obra altamente especializada, alerta. O empresário Carlos Prado, diretor da Itaueira Agropecuária S/A, vê a ZPE como ferramenta de desenvolvimento. O grande crescimento industrial que ocorreu na China, nos últimos anos, deve-se à abertura de várias ZPEs. Essa é uma característica também dos Estados Unidos (EUA), afirma. Prado observa: Caso o Ceará consiga sair na frente do resto do país, instalando logo a ZPE no Pecém, ele levará uma grande vantagem sobre os mercados concorrentes. A localização do estado em relação aos países do primeiro mundo é extraordinariamente privilegiada, especialmente se a ZPE se situar no porto. Mas faz um alerta: É preciso agilizar o aeroporto de cargas para dar suporte à ZPE cearense. A instalação da ZPE, para o empresário, terá uma repercussão grande no estado. Se bem administrada, ela só trará ganhos, inclusive gerando maior recolhimento de impostos, por meio de atividades ligadas ao projeto, frisa. As indústrias locais também ganham com o empreendimento. Sempre que for possível, elas fabricarão produtos demandados pela ZPE. O comércio e o setor de serviços também trabalharão para suprir as necessidades que surgirem nesse pólo industrial. Os impactos ocorrerão em toda a economia cearense, finaliza Carlos Prado. 18 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 19

11 Capa Maquete do Pavilhão de Feiras e Eventos de Fortaleza, que será construido próximo ao atual Centro de Convenções do Ceará. O projeto arquitetônico foi inspirado em aspectos típicos da paisagem cearense A vez do turismo Com milhões de dólares de investimentos em infra-estrutura, equipamentos para captação de eventos e hotelaria, o Ceará deve se consolidar como um dos principais destinos turísticos do país POR GEVAN OLIVEIRA U m bilhão de reais. É com esse dinheiro que o governo do estado espera nos próximos anos colocar o turismo cearense num novo padrão de qualidade, ratificando de vez o Ceará como um dos principais destinos do país, bem como o deixando apto a receber turistas e eventos do mundo inteiro, como a Copa do Mundo de 2014, que Fortaleza ambiciona ser uma das sedes. O dinheiro, oriundo do Prodetur Nacional, Prodetur Nordeste, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e Caixa Econômica Federal (CEF), já está assegurado, segundo o secretário de Turismo, Bismarck Maia, e será gasto em obras de infra-estrutura, reforma de patrimônio histórico, marketing e qualificação profissional. De forma direta, o impacto desse montante beneficiará setores importantes, como o da construção civil, e toda a cadeia do turismo, que envolve 52 atividades. Segundo o secretário, o Ceará se transformará num grande canteiro de obras ligado ao turismo (oriundo do governo do estado e da iniciativa privada), a exemplo do que deve ocorrer com as construções da siderúrgica, refinaria de petróleo e usina de Itataia, garantindo milhares de empregos diretos e indiretos, durante e após as conclusões dessas obras. De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Industrial do Ceará (INDI) da FIEC, a aplicação de R$ 1 bilhão em investimentos gera empregos diretos e um acréscimo de 2,2 O Centro de Convenções será reformado, aumentando a competividade para captar eventos bilhões no PIB estadual, atualmente de 48 bilhões. O coordenador da Unidade de Economia e Estatística do INDI, economista Pedro Jorge Viana, afirma que não é possível prevê a porcentagem de crescimento para cada área envolvida, mas é certo que, durante o processo de construção, poderá haver falta de mão-de-obra, por exemplo, na construção civil, que ainda está aquecida no estado, respondendo por cerca de 4% do PIB local. A previsão do economista leva em conta dados do Ministério do Trabalho e Emprego que revelam o crescimento significativo do número de trabalhadores com carteira assinada na construção civil do Ceará nos últimos meses, tendo passado de em dezembro de 2007 para em julho deste ano. Como recursos assegurados e muitas obras em andamento, esse é um problema que deve ocorrer naturalmente, mas pode ser resolvido com mais investimentos em qualificação, afirma Pedro Jorge. Fotos: setur/ce O presidente do Fortaleza Convention & Visitors Bureau (FC&VB), Colombo Cialdini, também está otimista. Ele acredita que o Ceará entrará de fato, com a concretização dos investimentos previstos, numa nova era de desenvolvimento turístico. Agora é só uma questão de tempo. Quando os empreendimentos estiverem prontos, especialmente o Parque de Feiras, poderemos competir por grandes eventos, em condições de igualdade, com qualquer cidade brasileira, inclusive São Paulo, ressalta. As obras mais esperadas pelo segmento de captação de eventos são, sem dúvida, o Centro Multifuncional de Feiras, também chamado de Parque de Feiras, e a reforma do atual Centro de Convenções. Isso porque tais ambientes são ferramentas importantes na hora de captar um grande evento, sobretudo os internacionais. Cialdine explica que a falta de estrutura em Fortaleza tem feito o estado perder importantes negócios para a Bahia e Pernambuco. No entanto, a construção do novo Parque de Feiras e a provável escolha de Fortaleza como uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 farão a capital cearense ganhar mais visibilidade no Brasil e no exterior, refletindo em mais negócios para os setores envolvidos com eventos na cidade, garante. O mercado de eventos e feiras é responsável pela movimentação de visitantes em Fortaleza nos períodos de baixa temporada turística, aquecendo mais de 50 setores da economia, do hotel à floricultura. Pesquisa do FC&VB aponta que os gastos mais expressivos vêm dos participantes de congressos e convenções. Segundo levantamento, as maiores despesas são com comércio (27%) e diversão (19%). Em todo o país, o impacto do turismo sobre a economia nacional já supera os 10% do PIB. Além do estímulo a atividades típicas do setor como hotelaria, restaurantes, agências, feiras e eventos, a movimentação de turistas pelo país estimula o consumo de uma série de outros produtos, incluindo móveis, eletrodomésticos, artigos de cama, mesa e banho e veículos, dentre outros. Estudos indicam que, para cada emprego formal no setor do turismo, existe 1,7 emprego informal, e que de cada cem empregos de carteira assinada no Brasil, cerca de seis estão ligados ao setor. 20 RevistadaFIEC Novembro de 2008 RevistadaFIEC 21 Novembro de 2008

12 De olho na crise Odiretor de Investimentos Internacionais do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon/CE) e proprietário da Fibra Engenharia, Eugênio Montenegro, mostrase cauteloso quanto ao futuro do setor, apesar dos anúncios de investimentos milionários no segmento turísticoimobiliário. O motivo: a crise econômica mundial. Para ele, se o problema se prolongar por muito tempo os investidores, em sua grande maioria estrangeiros, deverão pisar no freio, desaquecendo toda a cadeia. Esperamos que os três resorts que saíram do papel no estado possam seguir o cronograma de obras. Estamos vivendo uma fase ímpar e não podemos perder essa oportunidade, sobretudo porque o governo estadual está realizando as obras de infra-estrutura, questão fundamental exigida para o andamento dos projetos, diz Eugênio Montenegro. Ele explica que até setembro deste ano o setor da construção civil no Ceará esteve no aperto em relação à mão-de-obra. A falta de pessoal foi generalizada, atingindo desde Foto: Lorenzo S.C Maniva Impactos da turbulência Aeroporto Internacional Pinto Martins Para a presidente do Instituto Brasileiro do Turismo (Embratur), Jeanine Pires, a turbulência financeira mundial deve apresentar ainda este ano os primeiros impactos sobre a vinda de turistas ao Brasil. Efeitos mais fortes, porém, são esperados somente para o ano que vem, dependendo da extensão da crise e da variação do dólar. A expectativa da Embratur é que a entrada de estrangeiros no Brasil este ano cresça até 2% ante 2007, quando o país recebeu pouco mais de 5 milhões de turistas de fora, que gastaram cerca de É na Avenida Beira Mar onde se localiza a maior parte da rede hoteleira de Fortaleza 4,9 bilhões de dólares. A previsão antes da crise era de uma expansão de 3% do turismo internacional, segundo dados da Organização Mundial de Turismo. Jeanine acredita que o aquecimento da economia brasileira e a forte demanda interna podem fomentar o turismo doméstico e, parcialmente, compensar o fluxo menor de turistas estrangeiros. Quando tivermos uma estabilização da taxa cambial, que não deve voltar a um patamar tão baixo, vamos ter um equilíbrio na vinda de estrangeiros para o Brasil e da saída de serventes de pedreiro até engenheiros. Atualmente, há uma enorme expectativa com o cenário econômico mundial, o que já causou uma pausa nas contratações. Não há como prever as consequências nos próximos meses. Nosso grande receio é porque boa parte dos investimentos no turismo cearense vem do estrangeiro, em especial da Europa, também afetada pela explosão da bolha imobiliária norteamericana, alerta Eugênio Montenegro. No caso de a crise não afetar os empreendimentos no Ceará, o empresário afirma que o setor está se articulando com o governo federal e o SENAI/CE para capacitação de mão-de-obra. Em breve, deveremos anunciar uma parceria para ampliar a oferta de trabalhadores da construção civil por meio de pessoas cadastradas no Bolsa Família, informa. brasileiros, diz Jeanine. Na rede hoteleira nacional, o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih), Álvaro de Mello, ratifica a previsão de que a crise só deverá atingir o setor no próximo ano. Ele acredita que a chegada da alta estação, que vai até o carnaval, deve manter os hotéis cheios em função das reservas feitas com antecedência. No entanto, adverte: Ninguém vai ficar livre. O sofrimento na hotelaria e no turismo vai demorar um pouco. Nosso medo é que a baixa temporada seja ainda mais baixa em No ano passado, a balança do turismo ficou negativa em US$ 3,3 bilhões, refletindo uma tendência já registrada em 2006, quando o déficit turístico registrou US$ 1,4 bilhão. Este ano, segundo o Banco Central, ingressaram no país, até agosto, US$ 3,866 bilhões e saíram US$ 7,862 bilhões, representando uma diferença negativa de US$ 3,996 bilhões. Os principais visitantes estrangeiros foram, ano passado, argentinos ( ) e americanos ( ). Foto: setur/ce Investindo milhões Algumas das obras que prometem dar padrão internacional ao turismo cearense já estão em plena execução, como a duplicação da CE-040, trecho de 44,5 quilômetros localizado entre Aquiraz e a cidade de Beberibe, principal acesso às praias do litoral Leste (Costa do Sol Nascente). Também compõem o pacote, a implantação e a reforma de aeroportos construção do aeroporto de Aracati e reforma do Aeroporto de Camocim; urbanização de localidades turísticas, como Camocim, Paraipaba, Cumbuco e Paracuru, e a construção de estradas de acesso, sobretudo em regiões que fortaleçam o turismo religioso, uma vocação já existente no estado. A continuação da CE-085, ou Rodovia Estruturante, que dá acesso às praias do litoral Oeste, também está nos planos orçamentários, assim como a rodovia que ligará Jijoca de Jericoacoara até o município de Granja (já em obras) e de Granja até Viçosa do Ceará, na Serra da Ibiapaba. O percurso unirá praia e serra. Outro benefício dado às estradas será a implantação da sinalização turística em todas as vias de acesso aos pólos turísticos do Ceará, a exemplo do que já vem acontecendo em Fortaleza, que recebeu placas de sinalização turística. Quanto à reforma do patrimônio histórico, já estão em licitação as obras do Centro Histórico de Aquiraz e a reforma do Centro de Turismo em Fortaleza. Mas a obra que promete ser a menina dos olhos do turismo cearense será o Pavilhão de Feiras e Eventos. Localizado na Avenida Washington Soares, próximo ao Centro de Convenções do Ceará, a obra ocupará uma área total de metros quadrados, sendo metros de área construída que possibilitará seis eventos simultâneos, e mais 21,4 mil metros quadrados de área verde. Serão construídos dois blocos subdivididos em módulos estanques e praça de convivência, onde estarão localizados equipamentos gastronômicos e espaços para encontros, lazer Serra de Ibiapaba, região Norte do estado Falésias da Praia do Morro Branco, em Beberibe, litoral Leste e entretenimento. A construção está orçada em R$ 297,8 milhões, provenientes do governo federal, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do estado do Ceará. O projeto arquitetônico do pavilhão foi inspirado em aspectos típicos da paisagem cearense, como falésias e o bordado das rendeiras. De acordo com Bismarck Maia, a obra cria possibilidades de negócios e aumenta a qualidade dos serviços. Com o novo empreendimento, o estado saltará da quarta para a segunda posição em termos de centros para promover eventos e feiras. Atrás da Bahia, Pernambuco e Rio Grande do Norte, o Ceará vem perdendo turistas e receitas por falta de espaço amplo e adequado para a realização de eventos em Fortaleza. Outra novidade que promete chamar a atenção de turistas do mundo inteiro será o oceanário. A idéia é construí-lo no antigo prédio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na Praia de Iracema. Cedida ao estado, a estrutura será reformada para receber o equipamento, que se integrará ao projeto de revitalização do Centro da capital. Para promoção e marketing, Bismarck Maia informa que já foram garantidos, para os próximos três anos, recursos na ordem de 22,5 milhões de dólares oriundos do Prodetur Nacional. Estamos participando de todas as feiras de turismo nacionais e internacionais, promovendo o Ceará com maior intensidade. Mas trabalhamos para trazer um turismo saudável, um turismo de maior poder aquisitivo. E também enfocando que em nosso estado o turismo acontece o ano inteiro, ressalta o secretário. Açude do Cedro, no município de Quixadá Fotos: setur/ce 22 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 23

13 O maior do Brasil Se a atual crise econômica não comprometer os planos dos investidores, o Ceará deverá ter o maior resort do país em quatro anos, superando os paraísos turísticos de Porto de Galinhas, em Pernambuco, e Porto Seguro, na Bahia. Trata-se do Aquiraz Riviera, com investimento total de US$ 350 milhões. Localizado na praia de Marambaia, em Aquiraz, a cerca de 25 quilômetros de Fortaleza, o resort vai ocupar uma área total de 300 hectares, sendo metros de frente para o mar. O espaço hoteleiro, dividido em oito lotes de quatro hectares, terá uma área permanente de proteção ambiental (APA) de 58 hectares para proteger a fauna e a flora locais. O Village Mall será o coração do empreendimento com um mix do qual farão parte um shopping center, open-mall, centros de convenções e de artesanato, bares, restaurantes e serviços diversos, como banco, agências de viagens, clínicas e farmácia, além de alguns apartamentos turísticos. O Riviera deve gerar empregos diretos, sendo no setor hoteleiro e nos setores de golfe, residências turísticas, serviços e comércio. A previsão de empregos indiretos chega a Para capacitar o pessoal, o município de Aquiraz está construindo uma escola de turismo e hotelaria. A primeira fase do complexo turístico Aquiraz Riviera, que prevê a construção do Hotel Pedro Laguna, um campo de golfe e um club house, deverá estar concluída no final de Outro empreendimento de grande envergadura para o incremento da atividade turística será o Cumbuco Golf Resort, da rede portuguesa de hotéis Vila Galé. Em construção desde junho deste ano, na praia do Cumbuco (Caucaia), distante 41 quilômetros de Fortaleza, a obra tem investimento inicial de R$ 95 milhões. Além do hotel Vila Galé, o Cumbuco Golf Resort, que totalizará 480 hectares, Estamos trabalhando para trazer um turismo saudável, um turismo de maior poder aquisitivo. Bismarck Maia, secretário de Turismo No detalhe, o Hotel Pedro Laguna; no quadro acima, o Village Mall, maior centro de entretenimento no Ceará. Todos integram o complexo turístico Aquiraz Riviera ganhará, numa segunda etapa, um campo de golfe com 18 buracos e um condomínio com 900 apartamentos. Posteriormente, virão mais dois hotéis e uma vila comercial. O hotel Vila Galé Cumbuco terá 462 apartamentos e chalés, quatro restaurantes, cinco bares, piscina de 2,2 mil metros quadrados e um spa. Para implantar os demais hotéis do complexo, a rede Vila Galé pretende convidar outros grupos hoteleiros a se instalarem no local. De acordo com o presidente do Conselho de Administração do Vila Galé, Jorge Rebelo de Almeida, cerca de mil pessoas serão capacitadas para trabalhar no empreendimento. Além das obras de infra-estrutura pública disponibilizadas pelo governo cearense (acessos, saneamento e abastecimento de água e energia), a prefeitura de Caucaia concedeu, por um período de sete anos, abatimentos em tributos municipais como o ISS (40%) e o IPTU. Segundo o governo do Ceará, o investimento final previsto para o empreendimento é de R$ 470 milhões. Fazenda Praia Canoé é o nome do terceiro grande empreendimento que está em plena execução no Ceará. Do grupo espanhol Confide, a obra tem previsão de investimento da ordem de US$ 450 milhões e ocupará 300 hectares da praia de Fortim, a 115 quilômetros de Fortaleza. O resort terá quatro hotéis (Hotel Praia da Marina, Hotel do Surf, Hotel do Golf e Hotel do Farol), somando 400 apartamentos e um campo de golfe de 18 buracos. A previsão é que o Fazenda Praia Canoé seja inaugurado em Esse investimento espanhol, de acordo com a assessoria de imprensa do governo do estado, foi fruto de uma prospecção do próprio governador em uma de suas viagens à Europa. Inovaçoes Criado plástico dez vezes mais elástico Pesquisadores chineses descobriram como fabricar um plástico dez vezes mais elástico do que o polioximetileno (POM), matéria-prima mais usada na indústria automotiva e de equipamentos eletrônicos. É a primeira vez que se consegue aplicar uma técnica chamada electrospinning (tecelagem eletrostática) a esse plástico de grande uso industrial. O polioximetileno é leve, forte e resistente a elementos químicos, mas é muito quebradiço, o que limita suas aplicações e reduz a vida útil dos equipamentos. Embora vários outros tipos de plástico já tenham sido fabricados com a técnica de electrospinning, ninguém havia até agora conseguido fazer isso com o POM. Além de melhorar as aplicações atuais desse plástico, inclusive com o aumento da segurança nos automóveis, os cientistas acreditam que a grande resistência do material, agora livre de seu aspecto quebradiço, deverá permitir uma série de novos usos industriais. &Descobertas Borracha que se autoconserta Cientistas franceses criaram um novo tipo de borracha que se estica e contrai da mesma forma que as borrachas tradicionais, mas com uma novidade que mais parece ficção científica: caso se rasgue, basta colocar os dois pedaços juntos para que eles se unam novamente, voltando a formar uma única peça. O processo de autoconserto leva apenas alguns minutos e ocorre espontaneamente, à temperatura ambiente, sem a necessidade de qualquer intervenção e nem da adição de nenhum produto químico. A borracha sintética é produzida com ingredientes tradicionais, basicamente ácidos graxos retirados do milho ou de outras plantas, e uréia, um produto químico largamente utilizado na indústria. A nova borracha poderá ter infinitas utilidades, mas os pesquisadores Metais coloridos sem tinta Alumínio dourado, titânio azul e platina dourada. Essas são algumas cores que esses metais podem ter, sem precisar de tinta ou qualquer tipo de revestimento, apenas aplicando uma nova descoberta de físicos da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos. Eles utilizaram um raio laser para alterar a forma como a superfície dos metais interage com a luz. O método funciona para todos os metais testados, incluindo platina, titânio, tungstênio, prata e ouro. O grupo do Dr. Chunlei Guo chamou a atenção do mundo ao lançar, há pouco mais de um ano, a técnica que permite criar ouro negro. Os cientistas vislumbram uma infinidade de aplicações nos mais diferentes ramos da indústria, como a fabricação, por exemplo, de bicicletas multicoloridas, apenas utilizando um raio lazer, ou a produção de geladeiras personalizadas com uma fotografia colorida dos seus donos. Ou, ainda, colares de ouro com a mesma cor dos olhos de quem irá usá-los. vislumbram a construção, por exemplo, de uma nova geração de pneus que nunca serão trocados, capazes de se autoconsertar em poucos minutos depois de furados. Balões à prova de furos, brinquedos que não se quebram e roupas que nunca se rasgam são outras oportunidades já instigadas pelos pesquisadores. Superpapel tão difícil de rasgar quanto o ferro Tão flexível e leve quanto o papel, mas tão difícil de rasgar quanto uma folha de ferro fundido. Assim é o nanopapel de celulose, criado por uma equipe de pesquisadores do Japão e da Suécia. Construído de partículas submicroscópicas de celulose, o superpapel poderá ter grande utilidade como elemento estrutural na construção civil. De acordo com os pesquisadores, o novo material também poderá entrar como elemento para a fabricação de compósitos para utilização em qualquer aplicação. Embora os compósitos à base de celulose, que já existem, sejam geralmente muito resistentes à tração, eles não são flexíveis, quebrando-se facilmente quando se tenta dobrá-los. Os testes mostraram que o nanopapel atinge uma resistência à tração de 214 MPa, bem acima dos 130 MPa do ferro fundido. O papel de alta resistência mais forte conhecido até hoje havia atingido 103 MPa. 24 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 25

14 Sindicatos Novos tempos para a indústria têxtil Ivan Bezerra Filho inicia sua gestão à frente do Sindtêxtil num cenário econômico pouco acolhedor por causa da insegurança instalada com a crise financeira internacional. A ameaça, no entanto, é vista por ele como oportunidade para o setor têxtil A indústria têxtil cearense quer iniciar uma nova etapa no estado. O setor, que responde por 17,5% do Produto Interno Bruto (PIB) da indústria de transformação e por 4,1% do PIB nacional, está agora, no Ceará, sob a liderança do empresário Ivan Bezerra Filho, presidente da Têxtil Bezerra de Menezes e filho do 1º. vice-presidente da FIEC e titular do Conselho Estadual de Desenvolvimento Econômico (Cede) do governo estadual, Ivan Rodrigues Bezerra. Ele, que presidirá o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Ceará (Sindtêxtil) até 2011, começa sua gestão num cenário econômico pouco acolhedor, resultante da insegurança instalada a partir da crise financeira internacional deflagrada nos Estados Unidos. Mas a ameaça é vista por ele como oportunidade para o setor têxtil. O malefício são a falta de liquidez e o aumento dos juros. No entanto, com o câmbio favorável, muitas empresas vão retomar as vendas externas. Chegou a nossa hora de aumentar o ritmo dos negócios, comprometido pela desvalorização cambial e pela concorrência com os produtos chineses, diz o empresário, apontando ainda a qualidade da indústria cearense como vantagem competitiva sobre a concorrência. Superamos com folga o mercado asiático. O presidente do Sindtêxtil, porém, admite que, embora o aumento do dólar sopre em favor do setor, caso venha uma recessão mundial, virão com ela as incertezas. Por isso, optou por focar sua gestão na ampliação das vendas ao mercado interno e no fortalecimento da cadeia produtiva, por meio do trabalho compartilhado com os sindicatos industriais de confecções no estado (Sindconfecções e Sindroupas), visando, inclusive, atrair empresas que possam complementar a cadeia produtiva local. Queremos fazer o cearense consumir a maior parte da nossa produção. Também vamos buscar trazer empresas para produzirem insumos dentro do estado. No caso das confecções de lingerie, que compram matéria-prima noutras regiões, pretendemos atrair fabricantes de elástico e renda, exemplifica. Para estimular o aumento do consumo interno, o empresário aposta O Ceará ocupa a posição de segundo maior consumidor de algodão no Brasil, maior produtor nacional de índigo e de fios de algodão e, na parte de malharia e tecelagem, é destaque como lançador de moda NÚMEROS da cadeia têxtil são mais de 1,6 milhão de empregos, sendo diretos. possui cerca de empresas. 287 são indústrias têxteis (219 micro, 49 pequenas, 11 médias e oito grandes) existem em torno de 30 indústrias têxteis no estado. na manutenção da parceria com o governo estadual. Ele lembra que uma das mais recentes e importantes conquistas da cadeia têxtil e de confecções, em relação ao governo do estado, foi a obtenção da redução do ICMS dos produtos de confecção de 17% para 7%. Continuaremos a buscar o aperfeiçoamento do nosso sistema tributário a fim de que nossa cadeia possa gerar mais emprego e renda para o Ceará, adianta. Os setores têxtil (fiação e tecelagem) e de confecções geram no estado mais de 1,6 milhão de empregos, sendo diretos, e possui em torno de empresas. Dessas, conforme levantamento de 2008 do Guia Industrial, 287 são indústrias têxteis (219 micro, 49 pequenas, 11 médias e oito grandes), sendo a maioria ligada ao setor de redes de dormir. Considerando também que parte das fábricas já tenha fechado suas portas, estimamos que existam hoje em atividade no Ceará cerca de 30 indústrias têxteis, projeta. A cadeia têxtil e de confecções é considerada prioritária para o estado por ser estruturante, contribuir para a geração de empregos, atrair investimentos, alavancar as pequenas e médias empresas no seu entorno e por impulsionar o aumento das exportações. O Ceará ocupa a posição de segundo maior consumidor de algodão no Brasil, maior produtor nacional de índigo e de fios de algodão e, na parte de malharia e tecelagem, é destaque como lançador de moda. Somos um dos principais players do Brasil. Inclusive, com empresas se internacionalizando, como a Vicunha e a Santana Textiles, ressalta. As pequenas empresas também fazem parte dos planos do líder sindical. Um dos pilares que compõem o tripé sobre o qual ele sedimentará sua administração no sindicato prevê o fortalecimento das pequenas e médias empresas de toda a cadeia produtiva, da fiação à confecção, em parceria com os sindicatos de confecções. Por isso, Ivan Filho vai buscar a 26 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 27

15 Moda organização e a consolidação dos interesses de toda a cadeia industrial têxtil. Nossa cadeia organizada, num ambiente tributário aperfeiçoado, fortalecerá cada empresa individualmente, inclusive as de pequeno e médio portes, responsáveis por grande parte da mãode-obra empregada pelo setor, afirma. Outra prioridade da nova gestão é a ampliação e qualificação da mãode-obra, com base no fortalecimento da relação das indústrias do setor com o público interno, por meio de ações que vão desde o melhor aproveitamento da estrutura educacional e de lazer oferecida pelo SESI e SENAI, até o apoio à implementação de cursos de nível técnico ou superior em engenharia têxtil no estado. Temos certeza ser esse um importante fator de desenvolvimento de nossas indústrias, como também de atração de novos investimentos para o Ceará, avalia Ivan Filho. Pioneiro Com 73 anos de existência e tendo passado por 24 diretorias, o Sindtêxtil foi o primeiro sindicato empresarial a atuar no estado. Atualmente, são 14 indústrias associadas, além de 16 em processo de filiação. Já recebemos a confirmação de sete e estamos em negociação com outras nove, adianta Ivan Filho. Considerando que no estado existem aproximadamente 30 empresas do setor (fiação e tecelagem) em atividade, o sindicato está à beira de concretizar o maior sonho das entidades representativas: atingir 100% de representatividade. O segredo está na própria atuação do sindicato, que oferece estrutura jurídica nas áreas trabalhista, fiscal e tributária, entre outras; mantém rede de informação em permanente conexão com a Abit; é parceiro do projeto Apex (Agência de Promoção de Exportação e Investimentos), que dá incentivo à exportação; faz o link das empresas filiadas com instituições como SESI, IEL e SENAI (englobando o Centro de Tecnologia da Indústria Química e Têxtil Cetiqt) e Fundação Núcleo de Tecnologia Industrial do Ceará (Nutec); proporciona aos associados acesso a taxa diferenciada de armazenamento no cais do porto, bem como de período livre de pagamento, e está presente nos principais Superamos com folga o mercado asiático. Queremos fazer o cearense consumir a maior parte da nossa produção. Ivan Bezerra Filho, presidente do Sindtêxtil pleitos do setor, nos âmbitos municipal, estadual e federal. As empresas que se associarem ao Sindtêxtil nos próximos dois meses pagarão a mensalidade mais baixa, que normalmente é destinada a empresas de menor porte. Com isso, queremos dobrar em 60 dias o número de filiados, planeja Ivan Filho. É também sua intenção contribuir para o fortalecimento dos demais sindicatos representativos O terceiro pilar prevê a redefinição e estruturação das ações do sindicato, intensificando os debates sobre os interesses da classe e promovendo parcerias estratégicas, como a maior aproximação com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), visando levar os anseios regionais para que eles possam sensibilizar e, conseqüentemente, beneficiar-se dos movimentos nacionais promovidos pelo setor. Nos próximos três anos, Ivan Filho planeja impulsionar o desenvolvimento do setor têxtil cearense, facilitando o acesso das indústrias às novas tecnologias e ao aprendizado, estimulando a expansão de mercado e o exercício da responsabilidade socioambiental. Outra meta é reconquistar a posição de referência nacional da moda. O setor têxtil brasileiro e o cearense se modernizaram muito nos últimos dez anos. Com a abertura comercial, o setor percebeu que, se não houvesse máquinas novas e que demandam menos mão-de-obra, não teria como manter a competitividade, recorda o empresário, apostando na continuidade do investimento em tecnologia para que a indústria consiga vencer a atual crise. Ivan Bezerra Filho assume a presidência do Sindtêxtil no lugar da empresária Verônica Perdigão da cadeia têxtil do estado. Nossa idéia é lutar em prol de toda a cadeia, estendendo os benefícios obtidos em nossa gestão também para as confecções. Pretendemos dar continuidade ao trabalho iniciado na gestão da empresária Verônica Perdigão de aproximação com o setor de confecções, antecipa o novo presidente do Sindtêxtil, que aposta na união da cadeia para garantir a força de todo o setor. Atenção e inovação para não perder mercado Os desafios foram lançados pela consultora de marketing de moda Renata Miranda, durante a 33ª edição do VIP Encontro de Profissionais de Moda F icar em vigília para não perder nenhum movimento do mercado. Sair do ambiente comum para fazer diferente e conquistar o cliente. Os desafios foram lançados pela consultora de marketing de moda Renata Miranda, durante a 33ª edição do VIP Encontro de Profissionais de Moda realizada na FIEC em 11 de novembro. Segundo Miranda, provocar inquietações no público, composto de empresários, profissionais e estudantes de moda, é o objetivo proposto há 16 anos pelo evento, que circula duas vezes por ano nos 12 mais expressivos pólos de confecções do país, entre eles, o Ceará, com promoção do Sindicato das Indústrias de Confecção de Roupas e Chapéus de Senhora do Estado do Ceará (Sindconfecções). Nas palestras itinerantes, o VIP apresenta pesquisas de tendências sobre moda, marketing e comportamento. Nesse período, temos inovado constantemente. Fomos o primeiro evento circulante do Brasil, adotamos uma linguagem diferenciada que privilegia a interação com o público, trouxemos discussões sobre marketing e planejamento estratégico nas empresas de moda e criamos o site Berço de Talentos, no qual os currículos dos profissionais podem ser publicados e consultados gratuitamente. Por último, lançamos em 9 de março o programa semanal Café Fashion, produzido em estúdio de TV e veiculado na internet, divulgando inovações no mundo da moda, enumera a consultora. Inovação, segundo ela, é o que não pode faltar nessa área. Pelo menos, para quem se propõe a fazer da vestimenta uma forma viva de comunicação que utiliza o corpo como espaço em movimento para divulgação da arte. Se seu negócio é fazer roupa, seus dias estão contados. Mas se o seu negócio é criar formas de expressão do corpo, então sua iniciativa tem futuro, diz. Aos lojistas, a consultora sugere a adoção de programas de aproximação com o cliente. É preciso A 33ª edição do VIP Encontro de Profissionais de Moda reuniu na FIEC cerca de 300 pessoas criar um relacionamento para conquistar o cliente para a sua marca, sem descartar a pesquisa. A moda é múltipla e dinâmica. Por isso, é preciso pesquisar o movimento da moda, explica. Com o tema O Medo do Mesmo, o VIP apresentou aos profissionais de moda presentes ao encontro as tendências outono-inverno 2009 e o flash preview da primavera-verão Tecidos fantasia em padrões de mosaico, botões quadrados, figurino masculino mais colorido, estilo vintage, estética contemporânea mesclando passado e futuro, espírito romântico, artesanatos e estampas que lembram pele de animais dão o tom das coleções. O rústico também ressurge, com a volta de influências das culturas indígenas e do rock. Fragmentos de couro, malha e lascas de pedra bruta também estão presentes nos detalhes da peças. Cerca de 300 pessoas, entre confeccionistas, estilistas, designers, gerentes de produto e desenvolvimento, diretores de criação, modelistas e equipes de compras e vendas, além de estudantes de moda, participaram da segunda edição do ano do VIP em Fortaleza. A expectativa do evento é reunir no final de 2008, nas 12 cidades integrantes do Giro Vip, em torno de participantes. 28 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 29

16 Mina de Itataia Mina de Itataia, localizada no município de Santa Quitéria, a 215 quilômetros de Fortaleza. No detalhe, uma das galerias da mina, que foi descoberta em 1976 Foto: Rodrigues Autunita mineral, que contém fosfato de cálcio e urânio hidratado. Depois de extraído e purificado, é concentrado sob a forma de um sal de cor amarela, conhecido como yellowcake Características da mina de Itataia Reservas lavráveis de minério: 79 milhões de toneladas Reservas lavráveis de fosfato: 8,8 milhões de toneladas Reservas lavráveis de urânio: 79,3 mil toneladas O corpo da jazida tem 80 metros de extensão e 160 metros de profundidade tem uma história: o urânio de Itataia está associado ao fosfato, minério que não interessa à estatal Indústrias Nucleares do Brasil (INB), ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, detentora do monopólio de exploração do urânio no país. Para ser viável, a extração do urânio precisaria ser feita por uma empresa privada que explorasse o fosfato (os dois produtos estão unidos). A boa notícia é que finalmente o fosfato do semi-árido cearense passou a interessar à indústria nacional. E não era sem tempo. Atualmente, o país importa cerca de 90% do mineral, utilizado na produção de ração animal e fertilizantes. Para a exploração da mina, a INB abriu, no final de 2007, concorrência nacional em busca de um parceiro da iniciativa privada. Depois de oito meses, foi divulgado o nome da empresa com o melhor projeto: a Galvani S/A, que ficou à frente de outros gigantes da mineração como a Vale do Rio Doce e a Bunge Fertilizantes. À Galvani caberá o trabalho de dissociar o fosfato do urânio na reserva, ficando com a comercialização do primeiro e repassando o segundo à estatal. De acordo com o presidente da INB, Alfredo Tranjan Filho, o investimento para fazer Itataia operar é de US$ 377 milhões. O dinheiro será utilizado na construção de três ou quatro unidades de mineração. Para o fosfato, serão consumidos US$ 342 milhões. O restante, US$ 35 milhões, irá para a unidade de beneficiamento do urânio. Apesar de representar apenas 1% do produto explorado, o urânio, depois de separado de outros materiais e concentrado, transforma-se em um pó amarelado, o yellowcake (urânio ainda não enriquecido), cujo valor no mercado internacional chega a US$ por tonelada. Quando estiver em sua produção plena, serão extraídas cerca de toneladas por ano, que renderão US$ 225 milhões. A previsão do consórcio é que a exploração de Itataia quadruplique a produção nacional de concentrado de urânio. Embora com um valor de mercado menor, o fosfato deve render ainda mais, graças à quantidade a ser extraída na exploração. Estima-se que sejam retiradas cerca de toneladas do produto por ano, representando um faturamento de mais de US$ 300 milhões. Com isso, espera-se um aumento de, no mínimo, 10% na produção nacional de fosfatados, atualmente de dois milhões de toneladas anuais. O produto deve abastecer os estados do Piauí, sul do Maranhão, oeste da Bahia e Tocantins. A mina de Itataia permite ainda a exploração de outros produtos, como o mármore. Hoje, o Brasil produz apenas 400 toneladas de urânio, que são retiradas da reserva de Caetité, na Bahia. Essa produção é levada às usinas Angra 1 e Angra 2 (responsáveis por 40% da geração de energia do Rio de Janeiro). A intenção em Itataia é transformar o produto em combustível para produzir energia nuclear na futura usina de Angra 3, com construção prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC.) Exploração começa em 2012 Usina de Itataia, a maior reserva de urânio do Brasil, vai gerar cerca de empregos diretos e indiretos numa das regiões mais carentes do semi-árido nordestino Oestado do Ceará, ao que tudo indica, vive às portas de uma nova era de desenvolvimento, mesmo com a malfadada crise financeira internacional. Depois da garantia da vinda de uma refinaria de petróleo e de uma siderúrgica, as quais, juntas, serão responsáveis por um salto de mais de 50% do PIB local nos próximos anos, agora é a vez de o estado entrar na era da exploração de urânio. Isso será possível com a entrada em operação, prevista para 2012, da maior usina de urânio no país, Itataia, a 215 quilômetros de Fortaleza, no município de Santa Quitéria. Descoberta no ano de 1976, numa das regiões mais carentes do sertão Nordestino, a mina de Itataia, rica em urânio U-235 o único que tem o poder de se fissionar (quebrar-se e gerar energia), passou mais de 30 anos praticamente abandonada em função da inviabilidade econômica para a extração da matéria-prima. A demora para iniciar a exploração Contrapartida Ao assinar o protocolo de intenções para a exploração da mina de Itataia, em solenidade que reuniu os presidentes da INB, Alfredo Tranjan Filho, e da Galvani, Luiz Antônio Bonagura, o governador do Ceará, Cid Gomes, anunciou a disposição de o estado investir R$ 85 milhões para viabilizar a infraestrutura necessária ao fornecimento de água, energia, estradas e capacitação de mão-de-obra para a exploração de Itataia. Desse total, R$ 60 milhões irão para a construção de uma adutora de 52 quilômetros (recursos já assegurados, segundo o governador, pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, por meio do PAC, que levará água do açude Edson Queiroz para a mina; R$ 20 milhões, para instalação de uma linhão de 69 kva* (com extensão de 50 quilômetros) para levar energia elétrica até a jazida; e R$ 5 milhões destinados à construção de 17 quilômetros de estradas a fim de viabilizar o escoamento do urânio e do fosfato extraídos. A construção de uma estrada de ferro, interligando a usina aos municípios de Quixadá e Nova Russas, também está sendo projetada para atender o empreendimento. Em julho de 2010, deverá * kva, Quilovoltampere é uma unidade de medida correspondente a 103 voltamperes, 1 kva = VA. ser entregue um estudo para o desenvolvimento urbanístico no município. O prazo para recuperação e adequação da CE- 366 e implantação de telefonia é julho do próximo ano. Além disso, o governo do estado dará apoio institucional à educação básica e capacitação, além de ajuda tecnológica, viabilização dos licenciamentos ambientais e possibilidade de incentivos fiscais na produção. O impacto da usina de Itataia sobre o Produto Interno Bruto (PIB) cearense é estimado em 2%. O negócio deve gerar cerca de empregos, entre diretos e indiretos. 30 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 31

17 Energia nuclear Em constantes e necessárias buscas por novas fontes de energia, o governo federal já sinalizou a intenção de inaugurar mais quatro usinas nucleares no Brasil semelhantes à Angra 1 e Angra 2 nos próximos anos. Dessas, duas poderão ser instaladas no Nordeste e outras duas no Sudeste. O Ceará, aproveitandose do potencial de Itataia, é um forte candidato a abrigar um desses empreendimentos. De acordo com o presidente do INB, Alfredo Tranjan, a quantidade de urânio a ser produzida no local pode gerar, após beneficiado, megawatts de energia elétrica limpa. Essas toneladas de urânio representam praticamente quadruplicar as 400 toneladas consumidas hoje por Angra 1 e Angra 2, e a possibilidade de alimentar mais oito usinas de mil megawatts, com 200 toneladas cada, sinalizou Tranjan. Atualmente, Angra 1 e Angra 2 produzem apenas megawatts. Angra 3, terceira usina do Complexo Nuclear Almirante Álvaro Alberto, localizada na praia de Itaorna, em Angra dos Reis, estado do Rio de Janeiro, vai produzir, sozinha, outros megawatts por ano. Com Itataia e a instalação de novas usinas nucleares, o Brasil poderá passar a produzir até megawatts de energia nos próximos 20 Reservas brasileiras Segundo dados oficiais da INB, o Brasil ocupa a sexta posição no ranking mundial de reservas (por volta de toneladas) de urânio apropriado para geração de energia elétrica, o U-235, sendo que apenas 30% do território nacional foi prospectado. As duas principais jazidas são as de Santa Quitéria (Ceará) e Caetité (Bahia). Quanto à sua aplicação, antes do advento da energia nuclear, o urânio tinha um leque muito reduzido. Era utilizado em fotografia e nas indústrias de cabedal (fabricação de peças de couro e sola) e de madeira. Os seus compostos eram usados como corantes e fixadores de cor para a seda e a lã. No entanto, atualmente, a aplicação mais importante do urânio é a energética. Na sua produção, há um processo químico denominado de fissão (quebra) auto-sustentada, que ocorre em um reator, normalmente imerso num tanque com uma substância moderadora e refrigerante água. Aquecida, a água é vaporizada pelo reator, passando em seguida por Elementos combustíveis produzidos pelas usinas de angra Os vários elementos combustíveis, inseridos no núcleo do reator, produzem calor que será transformado em energia. Cada elemento combustível supre de energia elétrica residências de porte médio, durante um mês. Elemento combustível Angra 1 Angra 2 quantidade varetas pastilhas 10,5 milhões 17,5 milhões comprimento 4,00m 5,00m peso - urânio 411 kg 543 kg peso - total 600 kg 840 kg Fonte: INB anos, representando 5% da produção nacional de energia elétrica no país. O urânio responde por 47% das reservas energéticas não-renováveis totais do Brasil (atual e estimada), superando o petróleo (30%) e o gás natural (23%). Elas somam toneladas equivalentes de petróleo, o que equivale a 238 anos de funcionamento Edifício do reator Reator Pressurizador Gerador de vapor do Gasbol gasoduto Bolívia-Brasil e o dobro das reservas atuais de gás da Bolívia. O país deverá implementar de quatro a oito novas plantas nucleares nas próximas duas décadas, o que agregará entre a megawatts de energia ao sistema entre 2016 a Até 2030, a energia nuclear deve aumentar em até 68% em todo o mundo. PROCESSO DE produção de energia nuclear Circuito Primário Grânulos de óxido de urânio natural, usados como combustível para a energia nuclear Circuito Secundário Turbina Condensador Gerador elétrico Água de circulação turbinas que acionam geradores, para assim produzir energia elétrica. Os reatores nucleares de fissão podem ser bastante compactos, sendo utilizados na propulsão de submarinos, navios de guerra e em algumas sondas espaciais como as dos programas das sondas Cassini- Huygens, Voyager e Pioneer, podendo utilizar outros rádio-isótopos, como o plutônio-239, em seus reatores de energia. PontodeV ista Ivonisa Holanda Projeto Cidadania Rural Um dos mais bem sucedidos na inserção da família rural no contexto da Previdência Social Oprojeto Cidadania Rural foi elaborado em 1999, pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) Administração Central, em parceria com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), com o objetivo de orientar sobre a legislação previdenciária na área rural custeio e benefícios e propiciar aos produtores rurais o exercício de deveres e o usufruto de direitos, e aos contadores a informação atualizada sobre a legislação em tela, estes que são o público-alvo do projeto, resultando num acréscimo da arrecadação destinada ao SENAR. Com o desmembramento em 2004 do INSS, constituiu-se em um outro parceiro a Secretaria da Receita Previdenciária. Com a sua extinção em 2007, passamos a desenvolver as ações do sobredito projeto com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, Superintendência da 3ª Região Fiscal, e as delegacias de Fortaleza, Sobral e Juazeiro do Norte. As ações do Projeto Cidadania Rural um dos mais bem sucedidos na inserção da família rural no contexto da Previdência Social foram implementadas pelo SENAR Administração Regional do Ceará em 17 de agosto de São parceiros desde à primeira hora, além dos citados acima, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (FAEC), os Sindicatos dos Produtores Rurais e o emérito Conselho Regional de Contabilidade do Estado do Ceará (CRC/CE). A metodologia utilizada na execução das ações é a realização de seminários, com duração de cinco horas, em que são ministradas as palestras abordando os temas: SENAR Missão, Organização e Objetivos, com técnico do SENAR-AR/CE, e a Legislação Previdenciária na Área Rural, por auditores fiscais/instrutores da Receita Federal que exploram os seguintes módulos: O Produtor Rural: Segurado Especial; Pessoa Física (contribuinte individual); Pessoa Jurídica; Agroindústria; Prestador de Mão-Obra Pessoa Jurídica; Cooperativas de Produtores Rurais; Sindicatos, Federações e Confederações Patronais Rurais; Entidade Beneficente com Isenção de Cota Patronal; Empresas Optantes pelo Simples Nacional e os Órgãos do Poder Público Sub-rogação. São abordados também os benefícios previdenciários a que fazem jus os produtores e trabalhadores rurais, pelo chefe de benefício da Agência da Previdência Social (APS) do INSS, do município em que se realiza o seminário. Todos os módulos acima mencionados encontram-se contidos no Manual de Orientação da Previdência Social na Área Rural, distribuído gratuitamente aos contadores por este Serviço. Toda a logística para a realização dos seminários é de responsabilidade do SENAR-AR/CE, que conta, para a tarefa de mobilização do público-alvo, com a valorosa contribuição das delegacias do CRC/CE e dos Sindicatos de Produtores Rurais. Desde 2004, já foram realizados 35 seminários em 28 municípios do estado, para um público participante de pessoas, das quais 962 técnicos/contadores e estudantes concludentes dos cursos de Ciências Contábeis e Direito. Em 2007, os seminários realizados contaram com a parceria da Universidade Federal do Ceará (UFC) e da Universidade do Vale do Acaraú (UVA), Faculdade Metropolitana (Fametro) e da Faculdade Católica Rainha do Sertão, que mobilizaram seus alunos dos cursos de Ciências Contábeis e Direito (pré-concludentes e concludentes) e reconheceram como atividade complementar à participação nos aludidos eventos. A partir de 2007, referido projeto estendeu suas ações também para a área de segurança e saúde no trabalho rural e, em parceria com a Superintendência do Trabalho e Emprego no Ceará (SRTE/CE), já foram realizadas quatro palestras sobre a aplicabilidade da Norma Regulamentadora NR31. Dentro do caráter contínuo do Projeto Cidadania Rural, será realizado no rpóximo dia 11 de dezembro, em parceria com a FIEC, no auditório José Flávio Costa Lima, térreo do Edifício Casa da Indústria Avenida Barão de Studart, 1980, Aldeota, um seminário que abordará, especificamente, as contribuições previdenciárias das agroindústrias relacionadas e não relacionadas no Decreto 1.146/70, sobre a exportação de produtos rurais (direta e indireta) e a sub-rogação. Em 2009, serão captados mais parceiros com a clara intenção de se chegar a outros municípios e de se atuar mais com as universidades e faculdades, propiciando aos concluintes dos cursos já anteriormente mencionados mais informações sobre a legislação previdenciária na área rural, pouco ou quase nada abordada na disciplina de Direito Previdenciário. Para obtenção de mais informações sobre o projeto, ou solicitação de uma visita à sua empresa, entre em contato pelo telefone/fax (85) e , pelo ou acesse o site Ivonisa Holanda é coordenadora do Projeto Cidadania Rural e do Núcleo de Arrecadação do SENAR-AR/CE 32 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 33

18 Sindicatos Na produção de sorvetes, houve redução do custo no leite em pó de 45% Ação compartilhada Com o apoio do IEL/CE e do Sebrae, união das empresas filiadas ao Sindsorvetes já apresenta resultados concretos, como a economia na compra de insumos proporcionada pela central de negócios No mês de abril, 20 empresas filiadas ao Sindicato das Indústrias de Sorvetes do Estado do Ceará (Sindsorvetes) criaram uma central de negócios e passaram a comprar juntas e a barganhar melhores preços dos fornecedores, em negociações realizadas na sede da FIEC. No caso do leite em pó ingrediente que representa cerca de 70% do custo do sorvete, a redução de custo foi de 45%. Na central de negócios, compramos em grande Na central de negócios, compramos em grande quantidade e temos um maior poder de barganha. Roberto Botão de Aquino, presidente do Sindsorvetes quantidade e temos um maior poder de barganha. No geral, alcançamos uma economia de 30%. Desde a criação da central até o fim do ano, deveremos economizar R$ Esse dinheiro que sobra pode ser investido em áreas como marketing e na qualificação dos colaboradores, aponta o presidente do Sindsorvetes, Roberto Botão de Aquino. A central de negócios é um dos muitos resultados positivos obtidos pelo sindicato a partir das ações do Programa de Apoio à Competitividade das Micro e Pequenas Indústrias (Procompi), iniciativa coordenada pelo IEL/CE e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). A união dos associados O site do sindicato está no ar desde outubro, pelo endereço do Sindsorvetes se deu a partir do Procompi. Hoje, nos tratamos como parceiros e não como concorrentes, revela Roberto Botão. Após o início do programa, o número de associados do sindicato praticamente dobrou, passando de 12 para 22 empresas. Segundo a técnica do IEL/CE responsável pelo Procompi no setor de sorvetes, Dana Nunes, já foram realizadas ações de planejamento simplificado de marketing em cada uma das empresas, palestras sobre linhas de crédito, capacitação de gestores, consultorias em áreas de custo, precificação, boas práticas de fabricação, ética e responsabilidade social. Também foram realizadas consultorias visando desenvolver um sistema gerencial específico para atender a indústria de sorvetes. A idéia é informatizar todas as empresas participantes do projeto e melhorar os processos diários, além de cursos de atendimento ao cliente e de venda para os funcionários das indústrias. ANUNCIE NA Outra novidade é o site do sindicato (www.sindsorvetes.com.br), no ar desde outubro. Em setembro, o Sindsorvetes lançou o seu Código de Conduta, um instrumento que delineia os valores essenciais para orientar os relacionamentos das empresas associadas com seus diferentes públicos. Tendo como um dos principais objetivos inibir a prática da concorrência desleal, o código ainda possibilita o aperfeiçoamento das normas de conduta gerencial e baliza a atuação das empresas na busca da excelência dos serviços, na lucratividade, no respeito e na valorização do ser humano, da sociedade e do meio ambiente. Para que todos os itens descritos sejam respeitados, foi criado o Conselho de Acompanhamento de Boas Práticas de Conduta Empresarial, com poder, inclusive, para punir os associados que violarem o código. Desafios e oportunidades Juntas, as 22 empresas filiadas ao Sindsorvetes fabricam cerca de seis milhões de litros de sorvete por ano. O principal destino da produção é o mercado cearense, com algumas indústrias já expandindo sua atuação para estados vizinhos. Segundo o presidente Roberto Botão, o sindicato pretende sensibilizar o cearense de que o sorvete é um alimento rico em nutrientes como o cálcio, mineral fundamental na dieta de crianças e pessoas da melhor idade e não apenas uma sobremesa refrescante, devendo ser consumido durante todo o ano. O consumo per capita de sorvete no Brasil é baixo, de quatro litros por ano, enquanto num país frio como o Canadá chega a 17 litros. É um aspecto cultural que o sindicato vai trabalhar para mudar. Também vamos estimular o consumidor a comprar cada vez mais o sorvete produzido pelas empresas locais, indica. Sobre as dificuldades do setor, o empresário aponta a elevada carga tributária como principal obstáculo. Nesse sentido, foi contratado um profissional da área de tributação para fazer um estudo em todos os estados sobre substituição tributária. A intenção é verificar o percentual cobrado em cada unidade da federação em comparação ao que é aplicado no Ceará. Terminado o trabalho, o consultor elaborará um projeto e dará entrada na Secretaria da Fazenda, buscando diminuir o percentual da substituição. Além disso, todos os empresários filiados ao sindicato foram capacitados na área de tributação e estão recebendo consultoria individualizada para organização geral de seus processos. Outro desafio do setor é a falta de mão-de-obra especializada na área elétrica e mecânica, que faz a manutenção de equipamentos e máquinas produtoras de sorvetes. A intenção do sindicato é capacitar e contratar profissionais para ficarem à disposição das empresas filiadas prestando serviços. Circulação dirigida Editada pelo Sistema FIEC, a publicação mostra sua empresa para um público seleto e formador de opinião. Esteja presente nas próximas edições. Informe-se: Sistema FIEC Assessoria de Imprensa e Relações com a Mídia (AIRM) Avenida Barão de Studart, 1980 Aldeota 34 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Fortaleza Ceará Brasil Telefones: (85) , e Publicidade: Novembro de e 2008 RevistadaFIEC 35

19 Projeto Vira Vida Reescrevendo a história SESI ajuda jovens entre 16 e 21 anos em situação de risco por meio da qualificação profissional, do acesso à educação e à informação e de sua inserção no mercado de trabalho Mais 60 adolescentes e jovens cearenses vão ser beneficiados com o Projeto de Profissionalização para o Enfrentamento da Exploração Sexual e Comercial de Adolescentes, também conhecido como Projeto Vira Vida. A iniciativa do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria (SESI), que visa combater a exploração sexual de meninos e meninas, com idade entre 16 e 21 anos, por meio da qualificação profissional, do acesso à educação e à informação e de sua inserção no mercado de trabalho, acaba de iniciar sua segunda etapa no Ceará, onde foi implementado o programa piloto em junho deste ano. Na primeira fase, reunimos 52 alunos, divididos em dois cursos: Criação & Moda e Produção de Eventos, ambos ministrados pelo SENAI/CE. Agora teremos quatro turmas totalizando 60 jovens, sendo que 20 cursarão comunicação digital básica, 20 serão capacitados em gastronomia, dez farão curso de moda praia e outros dez serão treinados em moda íntima, explica Maria do Carmo Aguiar da Cunha Silveira, gerente do Núcleo de Assessoria Técnica em Educação do SESI/CE, área à qual o projeto está vinculado no estado. Segundo ela, os cursos incluirão módulos nas áreas de empreendedorismo Apresentação do grupo de teatro Sementes do Amanhã, da Sociedade Redenção, fez parte da programação e autogestão e disciplinas transversais que abordam direitos fundamentais e cidadania. O programa garante ainda a formação básica continuada dos participantes. A exemplo do projeto piloto, os alunos terão acompanhamento médico e odontológico, além de uma bolsa, a título de ajuda de custo, no valor de R$ 500 por mês. Nesta nova etapa, além do SENAI/CE, os cursos serão ministrados em parceria com outras instituições, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Ceará (Senac) e a organização não-governamental Iteva. Ao final dos cursos, os jovens serão encaminhados ao mercado de trabalho ou poderão montar seu próprio negócio. Como resultado do trabalho realizado na primeira fase, a aula inaugural da segunda etapa do Projeto Vira Vida foi organizada pelos discentes do curso de Produção de Eventos, que puderam concretizar toda a teoria apreendida ao longo de quatro meses. Decoração, cerimonial e programação elaborada, incluindo a apresentação do grupo de teatro Sementes do Amanhã, da Sociedade Redenção, mostraram que os adolescentes souberam valorizar a oportunidade recebida. Do lado de fora do auditório, uma exposição de modelos exclusivos desenhados pelos alunos do curso de Criação & Moda também comprovou o sucesso da nova geração de profissionais do setor. Depoimentos sobre a mudança que o projeto possibilitou em suas vidas, novas perspectivas e sonhos e a chance de redesenhar a própria história são pontos comuns para todos os alunos do Projeto Vira Vida, que obteve, como principal resultado, o afastamento de 100% dos jovens da prática de comercialização sexual. Estamos conseguindo ampliar o potencial desses jovens e adolescentes. Eles agora têm uma perspectiva de vida com mais dignidade, festeja o presidente do Conselho Nacional do SESI, Jair Meneguelli. A conquista sinaliza também o atendimento dos jovens ao apelo emocionado do presidente da FIEC, Roberto Proença de Macêdo, no lançamento do projeto piloto, em Fortaleza, no dia 30 de junho deste ano. Façam desse projeto a oportunidade Exploração sexual Aexploração sexual, uma das piores formas de violação dos direitos humanos, está presente em todas as capitais brasileiras. Calcula-se que cerca de dois milhões de pessoas no mundo são mantidas em situação de servidão sexual. Na América Latina, o fenômeno envolve aproximadamente um milhão de jovens. A Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para Fins de Exploração Sexual Comercial (Pestraf) confirma a existência de uma estreita relação entre pobreza, desigualdades da vida de vocês. Dediquem-se. Estudem. Pesquisem. Não faltem a uma só aula. Esforcem-se ao limite do sacrifício pessoal. E tenham a certeza de que, em assim agindo, não serão vocês que buscarão o sucesso, mas o sucesso é que irá ao encontro de vocês, declarou Roberto Macêdo, para quem o projeto é de uma dignidade e de um alcance fora do comum. Para Glória Diógenes, presidente da Fundação da Criança e da Família Cidadã (Funci) e assessora do projeto do SESI no Ceará, cada um dos participantes pode se considerar sobrevivente. Eles agarraram a oportunidade oferecida pelo SESI e estão reescrevendo a própria história. Quando alguém abraça uma oportunidade dessa, ela deixa de ser única e passa a ser múltipla. Com o exemplo deles, estamos criando um circulo de Vira Vida no Brasil inteiro, afirma. No Ceará, permanecem parceiros do Projeto Vira Vida a Funci, órgão da prefeitura de Fortaleza; a Associação das Prostitutas do Ceará (Aproce), o Convida (Conselho Nova Vida), formado pelas comunidades do Parque Santa Filomena, Conjunto Palmeiras II e Nova Perimetral; a Sociedade Redenção, ONG que atua na Barra do Ceará, além dos novos aliados: o Senac e a Iteva. Para Meneguelli, o trabalho interligado de parceria de diversas entidades é o principal diferencial do projeto. A rede envolve instituições que têm estrutura e conhecimento técnico e conhecem com profundidade a realidade do nosso público-alvo, observa. regionais e rotas de tráfico de exploração sexual de mulheres e adolescentes brasileiras. Dos 930 municípios brasileiros afetados por redes de violência sexual (pornografia infantil, turismo sexual, prostituição infantil e tráfico para fins sexuais), 292 (31,8%) estão no Nordeste. Cidades como Fortaleza, Recife, Natal e Salvador se tornaram pólos de turismo sexual. Depoimentos Antes do projeto, eu não conseguia estudar porque precisava sustentar meus dois filhos, de 5 e 3 anos. Com a bolsa que o curso dá direito, surgiu a oportunidade de freqüentar a sala de aula. Me senti independente para sonhar e me preparar para conseguir um emprego. Quando o curso terminar, mesmo que eu não saia daqui já empregada, nunca mais vou parar de estudar. Quero criar meus filhos trabalhando honestamente para que eles se orgulhem um dia de mim. Silvana Alves Gabriel, 21 anos, aluna do curso de Criação & Moda O que mais espero do curso é mudar de vida. Moro numa área de risco, no Serviluz, que fica no Cais do Porto. Foi lá que comecei a me prostituir aos 9 anos de idade. Não tive escolha, pedia dinheiro para sobreviver. Meu pai bebia e não tinha emprego e minha mãe se prostituiu e foi embora com meu irmão menor. A Aproce me tirou dessa vida há quatro anos. Hoje, moro com dois irmãos e meu pai nos fundos de uma oficina, no Serviluz. Sonho arranjar um emprego de carteira assinada para sair de lá. Jonathan Marques, 19 anos, integrante da nova turma do curso Comunicação Digital Básica 36 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Novembro de 2008 RevistadaFIEC 37

20 footwear Frases&Idéias T I R A D A S I N S P I R A D A S, F R A S E S C O N C E I T U A I S E O U T R A S No passo certo Ceará lidera no Brasil exportação de calçados. Manchete da primeira página do jornal Diário do Nordeste, edição de 19 de novembro Futuro Em junho do ano que vem, o Ceará será o estado com o maior parque eólico do país. ICMS Cid Gomes, governador do estado do Ceará PIB A cobrança de 4% de ICMS na produção vai gerar briga de 22 estados contra o resto. [estados produtores] Mauro Benevides Filho, secretário da Fazenda do Ceará e coordenador do Conselho Nacional de Política Fazendária Otimismo A perspectiva é de que tenhamos o último trimestre do ano positivo e de que fechemos o ano, também, de uma forma muito satisfatória. Honório Pinheiro, presidente da CDL Desemprego recua A taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do Brasil teve pequeno recuou em outubro, ficando em 7,5%, pouco abaixo dos 7,6% verificados no mês anterior. Índice divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira, 19 de novembro Economia do Ceará cresce 6,23%, mesmo com crise. Manchete do jornal O Povo, de 20 de novembro. O crescimento diz respeito ao terceiro trimestre deste ano, em comparação com igual período de 2007 Petrobras Serão postergados pela estatal projetos relacionados à produção de campos maduros. José Jorge de Moraes Jr., gerente-geral de novos negócios da Petrobras, engolfado por uma marolinha que, por grandiosa, puxou para baixo a cotação do barril de petróleo, compelindo a empresa a ajustar o seu plano de investimentos 38 RevistadaFIEC Novembro de 2008 Oposição Não é que estejamos satisfeitos ou insatisfeitos. Nós somos oposição. Senador Tasso Jereissati (PSDB), sobre posição do partido em relação ao governo Cid Gomes Exportação As exportações cearenses estão desacelerando, mas continuam crescendo. Eduardo Bezerra Neto, superintendente do Centro Internacional de Negócios (CIN) da FIEC Energia O mundo precisa passar por uma transição da economia do carbono para a economia do pós-carbono, talvez para a economia do hidrogênio. Dilma Roussef,ministra chefe da Casa Civil Trem da alegria Emitir os certificados [de filantropia] sem o devido processo administrativo, sem a averiguação das condições reais das entidades prestadoras de serviço, significa grave negligência. Deputado Raul Jungmann (PPS/PE) ao ajuizar na Justiça Federal de Brasília uma ação popular contra a Medida Provisória 446, que pôs nos trilhos o trem da alegria filantrópico FIEC/AIRM Com o apoio do SENAI/CE, as indústrias do estado abrem as portas da inovação ao seu crescimento Para melhorar seu desempenho econômico, produzindo mais e com melhor qualidade, o setor industrial tem um desafio: estar pronto para inovar. No Ceará, o SENAI é um dos principais parceiros da indústria no fomento à inovação. Além de formar e aperfeiçoar mão-deobra para atuar nas empresas, dispõe de serviços técnicos e tecnológicos que auxiliam no desenvolvimento de novos produtos e processos produtivos ou efetuam melhorias nos já existentes. Procure o SENAI/CE e saiba como impulsionar o crescimento de sua empresa. SENAI, parceiro da indústria na inovação

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