GABRIELLA NERCOLINI KARINE MARA PEDRON NÍVEL DE ANSIEDADE AO TRATAMENTO ODONTOLÓGICO: ESTUDO COM ADULTOS EM SITUAÇÃO CLÍNICA.

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1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE CURSO DE ODONTOLOGIA GABRIELLA NERCOLINI KARINE MARA PEDRON NÍVEL DE ANSIEDADE AO TRATAMENTO ODONTOLÓGICO: ESTUDO COM ADULTOS EM SITUAÇÃO CLÍNICA. Itajaí (SC), 2011

2 1 GABRIELLA NERCOLINI KARINE MARA PEDRON NÍVEL DE ANSIEDADE AO TRATAMENTO ODONTOLÓGICO: ESTUDO COM ADULTOS EM SITUAÇÃO CLÍNICA. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de cirurgião-dentista pelo Curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí. Orientadora: Profª. Elisabete RabaldoBottan. Itajaí (SC), 2011.

3 2 GABRIELLA NERCOLINI KARINE MARA PEDRON NÍVEL DE ANSIEDADE AO TRATAMENTO ODONTOLÓGICO: ESTUDO COM ADULTOS EM SITUAÇÃO CLÍNICA. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial para obtenção do título de cirurgião-dentista, Curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí, aos XX dias do mês de setembro do ano de dois mil e onze, é considerado aprovado. 1. Profª MSc Elisabete RabaldoBottan (Presidente) Curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) 2 Profª Dra. Silvana Marchiori de Araújo Curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) 3. Prof. MSc José Agostinho Blatt Curso de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI)

4 3 DEDICATÓRIA A Deus, pela nossa existência e por tudo o que nos rodeia, sobretudo pela prerrogativa que nos foi concedida de estarmos apresentando o conhecimento que adquirimos através do estudo, da observação e da experiência conscientemente realizada. Aos nossos pais, pelo sonho que realizamos agora, por todo amor, carinho, estímulo e compreensão que mesmo distantes acompanharam e torceram juntos para que este dia chegasse. Acreditamos que esta é a hora para dizermos o quanto nós os amamos e é com muito orgulho que dizemos: meu Pai e minha Mãe, obrigada. A vocês dedicamos esta conquista com a mais profunda gratidão. Amamos muito vocês. Aos nossos irmãos, neste momento sabemos que não basta somente agradecermos. Vocês são presença constante em todos os momentos de nossas vidas. As alegrias de hoje também são suas, pois o seu carinho e amor fazem parte desta vitória. Amamos vocês. Aos nossos avós, o nosso profundo respeito, por compartilharem nossos ideais e alimentarem nossos sonhos, pela maneira especial que contribuíram para nosso crescimento e amadurecimento. Nosso carinho é especial por vocês. Muito obrigada, amamos vocês. Aos nossos noivos, companheiros de todos momentos, em vocês encontramos força e incentivo para continuar, ainda que sofrendo com suas ausências, quando o dever dos estudos nos chamavam, e ainda assim souberam respeitar e valorizar nossos esforços. As alegrias de hoje também são suas, pois seu amor foi muito importante nessa vitória. Amamos vocês

5 4 AGRADECIMENTOS À Professora Elisabete RabaldoBottan. Sabemos que a vitória não foi só nossa, porque ao nosso lado caminhava alguém que acreditou, compartilhou nossos ideais, nos compreendeu, incentivou. Hoje, podemos perceber o quanto foi importante cada sorriso, cada beijo, cada abraço que nos foram oferecidos sem esperar nada em troca. Nosso agradecimento verdadeiro a você que não poupou esforços para que o sorriso que hoje trazemos no rosto fosse possível. Aos Professores da Banca Avaliadora, Professora Silvana e Professor José Agostinho Blatt, obrigada por gentilmente nos cederem parte de seus preciosos tempos, avaliando e trazendo importantes colaborações para a melhoria deste trabalho. Aos nossos amigos, Hoje, vibramos juntos, não porque vencemos sozinhos, mas porque juntos conquistamos mais um desafio em nossas vidas. Muito obrigada. Aos funcionários A cada um de vocês, toda a nossa gratidão pela participação em nossa vida acadêmica. Muito obrigada. Expressamos o reconhecimento e gratidão aos que, de um jeito ou de outro, contribuíram para que este trabalho pudesse ser realizado.

6 5 NÍVEL DE ANSIEDADE AO TRATAMENTO ODONTOLÓGICO: ESTUDO COM ADULTOS EM SITUAÇÃO CLÍNICA. Acadêmicas: Gabriella NERCOLINI; Karine Mara PEDRON Orientadora: Profa. Elisabete Rabaldo BOTTAN Defesa: setembro de 2011 Resumo O temor ao tratamento odontológico gera um problema cíclico e influencia no limiar da percepção dolorosa. Consequentemente, a ansiedade e a fuga ao tratamento odontológico se exacerbam, influenciando na qualidade de vida das pessoas. Com o objetivo de conhecer o perfil do paciente em atendimento odontológico quanto ao grau de ansiedade dentária, foi conduzida uma pesquisa descritiva do tipo transversal. A população-alvo foi constituída por pacientes que se encontravam em sala de espera de uma clínica odontológica particular, de Florianópolis (Santa Catarina). A coleta de dados foi efetuada através da aplicação de um questionário constituído por duas partes. A primeira parte caracterizava o paciente quanto ao gênero, idade, grau de escolaridade. A segunda parte constava de uma adaptação da Dental Anxiety Scale. A análise dos dados foi do tipo descritivo, através da distribuição de frequência relativa. Foram avaliados 94 pacientes; a maioria era do gênero feminino e com idade igual ou superior a 51 anos. A pontuação média do grupo avaliado quanto à ansiedade foi 6,2, classificando-o num nível de baixa ansiedade. A frequência de mulheres portadoras de ansiedade foi maior, quando comparada àquela dos homens. Os sujeitos mais velhos apresentaram graus mais elevados de ansiedade quando comparados aos mais jovens. Concluiu-se que o perfil de ansiedade ao tratamento odontológico no grupo investigado é similar ao relatado pela maioria dos estudos em diferentes contextos sócio-culturais. Palavras-chave: Ansiedade ao Tratamento Odontológico; Relações Dentista-Paciente; Saúde Bucal.

7 6 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO REVISÃO DE LITERATURA MATERIAS E MÉTODOS RESULTADOS DISCUSSÃO CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICE... 47

8 7 1 INTRODUÇÃO As reações ansiosas são uma forma fundamental de resposta do ser humano a determinadas circunstâncias que ameacem a integridade física ou a própria sobrevivência. Ansiedade e medo estão intimamente relacionados, diferindo apenas em intensidade. Quando estes sentimentos ocorrem relacionados ao tratamento odontológico recebem o nome de ansiedade ou fobia odontológica. Ir ao dentista, conforme uma investigação conduzida por Malamed, em 1996, (apud ROCHA et al., 2000), foi identificado como sendo o segundo temor mais freqüente na população em geral. O temor ao tratamento odontológico gera um problema cíclico, além do que influencia no limiar da percepção dolorosa. Consequentemente, a ansiedade e a fuga ao tratamento odontológico se exacerbam, influenciando na qualidade de vida destas pessoas. (EITNER et al., 2006; ACHARYA, 2008b; FACCO, ZANETTI; MANANI, 2008; CROFTS-BARNES et al., 2010; OLIVEIRA et al., 2010; HUMPHRIS; KING, 2011) A reversão deste quadro requer intervenções de diferentes enfoques, entre as quais estão as comportamentais, através tranquilização verbal, e os métodos farmacológicos, mediante uso de sedação consciente. Neste sentido, o papel do dentista é fundamental, pois, o tipo de comunicação interpessoal (paciente/profissional) que se estabelece por ocasião da consulta poderá trazer inúmeros benefícios para a saúde bucal. Daí a importância de que, ao longo da formação profissional, os acadêmicos possam conhecer detalhadamente o fenômeno de ansiedade ao tratamento odontológico bem como as estratégias que minimizem os impactos deste fenômeno. Frente à importância da temática e à necessidade de se buscar respostas a estes e outros questionamentos, optamos pela realização de um estudo para investigar a ansiedade ao tratamento odontológico junto a pacientes em situação clínica.

9 8 2 REVISÃO DA LITERATURA Conforme Moraes (2003), os pacientes temem o desconhecido e os procedimentos a que serão submetidos durante o tratamento odontológico. Esse temor poderá ser ameno ou intenso, conforme forem suas antigas experiências. A redução deste temor está vinculada ao modo como o cirurgiãodentista trata seu paciente; ele deve ouvir e compreender. O fato de ser atendido de forma mais calma e humana, já torna o paciente mais cooperativo. Se o próprio cirurgião-dentista concorre para minimizar o medo de seus pacientes frente aos procedimentos clínicos, a valorização da sua imagem vai ser fortalecida, solidificando a sua credibilidade profissional, além de aumentar a confiança entre profissional e paciente. Quando os pacientes medrosos faltam às consultas, especialmente sem avisar, há vários tipos de perdas, tanto nos consultórios privados como nos públicos. Neste sentido, novos recursos, de preferência naturais, que contribuam para a solução desta problemática, são bem vindos. Vários e novos recursos terapêuticos estão sendo experimentados e aplicados para solucionarem o medo depois que este se encontra instalado. Entre eles, estão: as técnicas de relaxamento, a hipnose, as terapias de grupo educativas e a terapia com Florais de Bach. A odontologia não poderá ficar restrita sempre aos parâmetros técnicos ou alopáticos, pois a terapia medicamentosa, com substâncias ansiolíticas, não melhora muito o quadro dos pacientes fóbicos, além do que, pode ter efeitos desagradáveis, como xerostomia. Faria e Medeiros (2004) identificaram a relação entre o grau de ansiedade e as seguintes variáveis: gênero, faixa etária e grau de escolaridade, em indivíduos residentes na região de abrangência da UNIVALI. A populaçãoalvo foi constituída por pacientes em atendimento nas clínicas dos diferentes cursos da área da saúde da UNIVALI (Campus I), pacientes das Unidades de Saúde de Itajaí e de Balnéario Camboriú, professores, acadêmicos e funcionários do Campus I. Os sujeitos da pesquisa foram distribuídos nas seguintes faixas etárias: de 18 a 34 anos; e de 50 ou mais anos. Também, foram classificados segundo o nível de escolaridade. Para a determinação do

10 9 grau de ansiedade adotaram uma modificação da escala Dental AnxietyScale (DAS). A maioria (49,3%) se classificou no nível baixo de ansiedade ao tratamento odontológico. Com relação ao sexo, as mulheres foram mais ansiosas que os homens. Em relação à faixa etária, os indivíduos mais jovens eram mais ansiosos do que os mais velhos. Os resultados apontaram que 81,2% dos sujeitos afirmam ter consultado o dentista nos últimos dois anos. A consulta preventiva foi a mais freqüente em indivíduos mais jovens, independente do sexo e grau de escolaridade. Os autores concluíram que o percentual de sujeitos ansiosos ao tratamento odontológico obtido na investigação foi alto. Gênero, idade e nível de escolaridade, na população pesquisada, foram fatores que exerceram influência no nível de ansiedade. Sujeitos do sexo feminino, mais jovens e de baixo nível de escolaridade são os que mais evidenciam ansiedade ao tratamento odontológico. Para Maniglia-Ferreira et al. (2004), a ocorrência da ansiedade odontológica, independentemente dos aspectos sociais e do comportamento de evitar o tratamento odontológico, apresenta características universais sendo que os indivíduos ansiosos são sensivelmente influenciados pelo sentimento de medo. Os pesquisadores avaliaram a ansiedade ao tratamento odontológico por meio da Escala de Ansiedade Dental (DAS) proposta por Corah e modificado por Rosa e Ferreira. Este estudo transversal foi desenvolvido com a população que busca o tratamento odontológico na Clínica Integrada de Odontologia da Universidade de Fortaleza. Foram aplicados questionários a 300 pacientes, sendo 150 homens e 150 mulheres escolhidos aleatoriamente. Na população estudada, 18% foram considerados ansiosos; não foram encontradas correlações entre aspectos sociais e nível de ansiedade, nem quanto à escolaridade; pacientes ansiosos evitavam frequentemente o tratamento odontológico, independentemente do seu nível social ou escolaridade. Marquez-Rodriguez et al. (2004) afirmaram que medo e ansiedade são sentidos por muitos pacientes, sendo um motivo para não irem ao dentista de forma regular. A ansiedade e os medos dentais devem ser considerados como padrões multidimensionais e comportamentos que resultam numa relação negativa para com o tratamento odontológico. Os fatores mais relacionados com o aumento da ansiedade e do medo são: a conduta de medo apreendida

11 10 do modelo familiar; o sexo feminino parece sentir mais medo e ansiedade; as crianças e jovens são mais ansiosos e medrosos; experiências desagradáveis prévias, especialmente durante a infância; fatores socioeconômicos; tempo de espera prolongado antes da consulta; número excessivo de pacientes na sala de espera, transparecendo ao paciente que o tratamento é realizado com pressa; sessões de tratamentos de longa duração. O conceito universalmente mais aceito de ansiedade se refere a um complexo padrão de condutas associadas a uma ativação fisiológica que ocorre em resposta a estímulos internos e externos que podem aparecer antes e depois dos procedimentos odontológicos. O medo pode ser definido como uma perturbação angustiosa do ânimo perante uma situação perigosa real ou imaginária. A ansiedade se apresenta de maneira antecipada ao tratamento. Os medos têm um caráter contemporâneo ao tratamento, têm uma relação imediata com o tratamento odontológico. A ansiedade e os medos dentais afetam negativamente a viabilidade do tratamento odontológico e repercutem de forma desfavorável na saúde dental da população. A ansiedade ante o tratamento odontológico cria seu próprio ciclo vicioso, em que a evasão do tratamento dental gera um mal estado de saúde bucal, reduzindo a autoestima dos indivíduos e impedindo a obtenção de uma qualidade de vida adequada. Nesse estudo foi analisado o medo ao tratamento odontológico em uma amostra de 399 sujeitos, com idades entre 10 e 80 anos, de ambos os sexos, que procuram a consulta odontológica na Unidade de Saúde Pública de Lepe (Huelva), durante os meses de março a maio de Foi utilizado para coleta de dados um questionário composto por 20 itens abordando atividades e experiências relacionadas com a consulta odontológica. Os itens geradores de medo mais destacadas foram: possibilidade de receber transmissão de infecções pelos instrumentos (57%) e rompimento ou corte dos lábios com algum instrumento (48,2%). Outro aspecto que suscita temor nos pacientes, só que em menor medida, é o tratamento humano inadequado, ou seja, a possibilidade de ser atendido por um dentista que está de mau humor, mal educado ou que seja brusco. As atividades vividas durante o tratamento que provocavam mais medo foram atuações terapêuticas que geram ou possibilitam dano físico ao indivíduo, quais sejam: ver, ouvir ou sentir o motor de alta rotação, a agulha e o sangue.

12 11 Pacini e D el Rey (2005) verificaram a prevalência de fobia ao tratamento odontológico, ao longo da vida das pessoas com, bem como o impacto deste transtorno na saúde bucal. O estudo foi realizado com residentes do bairro de Moema na cidade de São Paulo, de ambos os sexos e maiores de 15 anos. Para todos os entrevistados, independente se preenchiam os critérios para fobia ou não, foi perguntado há quanto tempo eles não iam ao dentista. A pesquisa foi realizada no período de janeiro a março de Foram entrevistados 756 moradores, com idades entre 15 e 76 anos. Vinte e um entrevistados foram classificados cmo portadores de fobia ao tratamento odontológico, específica do tipo sangue-injeção-ferimentos ao longo da vida. Onze entrevistados com fobia relataram que seu medo de ir ao dentista era devido à possível dor causada pela broca odontológica; quatro disseram ter medo da anestesia; seis relataram que o medo da broca e da anestesia juntamente os impedia de ir ao dentista. Em relação à idade do início da fobia ao tratamento odontológico, a idade média foi de 12 anos. Neste grupo, a maior prevalência foi entre as mulheres (76,2%). Em relação às raças, as pessoas negras (42,8%) apresentaram uma maior prevalência em comparação às outras raças. Pessoas casadas (52,3%) com idade entre 25 e 34 anos com ensino fundamental completo e com atividades exclusivamente domésticas também apresentaram maior prevalência no quadro fóbico. Um achado importante deste estudo foi em relação ao tempo que as pessoas com fobia dental demoraram, em média, para realizarem as consultas odontológicas, ou seja, 19 anos. As pessoas não fóbicas demoram, em média, 3 anos para as consultas. É papel da odontologia e da psiquiatria um melhor reconhecimento deste distúrbio, para minimizar os prejuízos que este tipo de fobia impõe à saúde bucal das pessoas acometidas. Lima-Alvarez e Casanova-Rivero (2006) relataram que o comportamento dos indivíduos afeta a saúde oral de modo positivo, ou negativo. Na odontologia, o medo e a ansiedade são praticamente são indistinguíveis. Na literatura, porém, predomina o termo ansiedade dental. A ansiedade dental descreve apreensão mais profunda que interfere com o tratamento rotineiro e requer uma atenção especial. Estima-se que entre 10 e 15% da população tem ou sente ansiedade quando tem que ir ao dentista, o que pode induzir a cancelar ou adiar a consulta, o que pode acarretar efeitos negativos à saúde.

13 12 Estudos mostram que 31,5% dos japoneses preferem atrasar as consultas com os dentistas devido ao medo que provoca o tratamento dental. Alguns autores não têm encontrado diferenças significativas quanto ao sexo, na definição de níveis de ansiedade. Outros indicam alto grau de ansiedade em mulheres, quando comparadas com os homens. A causa destas diferenças pode ser atribuída à alta porcentagem de mulheres que responde aos inquéritos e, também, aos aspectos de aceitação social, que definem que as mulheres expressam de forma mais aberta seus sentimentos. As crianças têm maior sensação de medo que os adultos. O temor e a ansiedade frente ao tratamento odontológico são problemas freqüentes nas crianças e adolescentes. Os adultos entre 40 e 50 anos mostram mais temor que os de outros grupos de idade e à medida que aumenta a idade os pacientes se mostram mais temerosos já que podem ter vivenciado maior número de tratamentos odontológicos. As barreiras à consulta odontológica estão relacionadas às experiências passadas e antecedentes psicossociais do paciente. O medo depende, em grande parte, da preparação e experiência do profissional, porém, também, pode estar condicionado por influências familiares e sociais. Melhorar a relação paciente-profissional e oferecer atenção, competência, serenidade, responsabilidade e fidelidade frente aos pacientes são aspectos importantes na redução dos impactos ocasionados pela ansiedade. O profissional tem enorme responsabilidade na prevenção da ansiedade. O objetivo do estudo de Chaves et al. (2006) foi estimar a prevalência de ansiedade ao tratamento odontológico entre pacientes da Clínica Integrada da Faculdade de Odontologia de Araraquara, UNESP. A amostra foi composta por 60 pacientes tomados de forma não-probabilística. Como instrumento de medida, foi utilizado um formulário com questões para avaliação da ansiedade segundo a escala proposta por Corah, traduzida para o português. Os dados foram descritos em forma de distribuição de frequências e as associações entre nível de ansiedade e sexo, idade, renda e educação foram analisadas pelo testedequi-quadrado (χ2). A prevalência de ansiedade foi observada em 95% dos pacientes; a maioria (53,3%) apresentou nível moderado, 25% ansiedade baixa e 16,7% exacerbada. Pelo teste do qui-quadrado, foi identificada associação significativa entre ansiedade e sexo (p = 0,001) e não-significativa para idade (p = 0,754), renda (p = 0,307) e nível de instrução (p = 0,711). O

14 13 período de retorno ao tratamento odontológico a cada 6 meses foi observado em apenas 2 pacientes (3,3%), enquanto 40% dos pacientes procuraram por atendimento apenas em situações de dor. Entre os procedimentos que mais incomodaram os pacientes estão os que envolvem o motor de alta rotação e o cirurgião, correspondendo a 21,7% em cada situação. Vinte por cento da amostra não se sentiam incomodados com qualquer procedimento odontológico, enquanto 10% referiram desconforto diante de qualquer procedimento a ser realizado. Os autores concluíram que a prevalência de ansiedade ao tratamento odontológico foi de 95% com predomínio do gênero feminino e que, entre pacientes ansiosos, o retorno ao consultório ocorreu por motivo de dor. Cogo et al. (2006) demonstraram o controle da ansiedade através de meios farmacológicos, por via oral, apresentando as características individuais dessas drogas. O Diazepam foi introduzido no mercado farmacêutico, em 1963, e é considerado o fármaco padrão do grupo, sendo ainda o ansiolítico mais empregado em procedimentos ambulatoriais. Sua metabolízação é hepática e sua eliminação é através dos rins. A dosagem usual para adultos varia de 5mg a 10 mg, geralmente, administrada uma hora antes do procedimento. Para crianças, a dosagem varia de 0,2 a 0,5mg/kg. Assim como outros ansiolíticos, o Diazepam pode produzir efeito paradoxal, em pequena quantidade. O lorazepam tem sido empregado como pré-medicação anestésica, nas dosagens que variam de 2 a 3mg em adultos e de 0,5 e 2mg em idosos e crianças. Por não produzir efeitos paradoxais, o lorazepam é considerado, por alguns autores, como o ideal para a sedação de pacientes idosos. Além do efeito sedativo, a administração de lorazepam 2mg, também, pode induzir amnésia anterógrada, definida como o esquecimento de fatos ocorridos a partir de um fato tomado como referência, o que é um benefício para muitos profissionais da Odontologia. O Alprazolam é um derivado dos benzodiazepínicos, sendo comumente empregado no tratamento da ansiedade generalizada e na síndrome do pânico. A dosagem é de 0,5 e 0,75mg, nos adultos, e 0,25 e 0,5mg, em idosos. A sedação consciente de pacientes odontológicos por meio do Alprazolam ainda não foi suficientemente testada; casos encontrados na literatura apresentam-se até certo ponto conflitantes. O Midazolan passou a ser utilizado na sedação pré-cirúrgica, suas doses

15 14 empregadas em odontologia variam de 7,5 a 15mg, em adultos, e 0,2 a 6,0 mg em crianças. O midazolam administrado por via oral, na dosagem de 0,5mg/kg, dez minutos antes do procedimento cirúrgico, também, produz amnésia anterógrada, em crianças. O Triazolam é um benzodiazepínico de curta duração, comparado ao lorazepam, é usado como medicação pré-anestésica, mas com o início mais rápido e menor tempo de recuperação. Os efeitos colaterais mais encontrados são sonolência, tontura, vertigem e problemas de coordenação motora. Com base nesta revisão, os autores concluíram que: o diazepam é indicado quando se deseja uma sedação pós-operatória mais prolongada; o midazolam é a droga de escolha para a sedação de pacientes adultos e pediátricos por produzir rápido início de ação e induzir a amnésia anterógrada; e o lorazepam é a droga mais indicada para a sedação de idosos por produzir menos efeitos paradoxais. De acordo com Eitner et al. (2006), a ansiedade ao tratamento dental pode levar à criação de estratégias de fuga da consulta odontológica. O objetivo deste trabalho foi investigar a prevalência e o relato de padrões de doenças orais de ansiedade ao tratamento odontológico, em militares jovens e adultos. Foram escolhidos aleatoriamente trezentos e setenta e quatro militares que foram submetidos aos exames de condição dental e periodontal. Foram determinados parâmetros psicológicos baseados em um protocolo que integra a Escala de Ansiedade Dental (DAS) e a Escala de Ansiedade Gatchell (GaFS= GatchellFearScale). Trinta e dois indivíduos (8,6%) apresentaram escores de DAS 13 e 14 (ansiosos) enquanto que 4,6% apresentaram escores maiores ou iguais a 15 (altamente ansiosos/fóbicos). Os mais altos valores de DAS foram encontrados entre os militares (262) com idade de 19 a 29 anos. Pacientes ansiosos apresentaram significativamente mais lesões cariosas (p<0,001). Os valores dos índices periodontais mostraram não haver diferenças significativas entre os grupos. A ansiedade resulta em uma anulação comportamental a qual somente pode ser descoberta após exames e está associada com alta morbidade decorrente de lesões cariosas e necessidade de reabilitação oral. Como a ansiedade tem influência direta na saúde oral, ela deve ser detectada e tratada mediante integração do tratamento dental com abordagem terapêutica cognitiva-comportamental.

16 15 Kanegane et al. (2006) verificaram a frequência de ansiedade e medo em um grupo de pacientes, que receberam tratamento de rotina, na Disciplina de Clínica Integrada da FOUSP, no período de novembro de 2002 a maio de Foi aplicado um questionário com perguntas sobre: frequência de visitas ao dentista antes de ser atendido pela Disciplina; motivo para as visitas; existência de algum evento causador de medo ao tratamento odontológico; situação de tratamento que mais provocava ansiedade. A ansiedade ao tratamento odontológico foi medida através da escala Modified Dental AnxietyScale (MDAS)e o medo através da GatchelFearScale (GFS). Foram entrevistados 111 pacientes, sendo 72 mulheres, com idade média de 47,3 anos, e 39 homens com idade média de 50,1 anos. A ansiedade foi encontrada em 12,6% dos pacientes. A prevalência da ansiedade encontrada foi menor que a observada em pacientes que procuravam por atendimento de urgência. Isto reforça a ideia de que pacientes ansiosos demoram mais para ir ao dentista, procurando atendimento somente nos casos de necessidade. Embora estudos demonstrem que mulheres se apresentam com mais ansiedade que os homens, neste estudo não houve diferença. A idade do paciente não influiu no nível de ansiedade e/ou medo. As situações que mais provocaram ansiedade para os pacientes em atendimento de rotina foram ser anestesiado, esperar ser atendido, exodontia e raspagem periodontal. Os autores concluíram destacando que pacientes portadores de ansiedade ou medo necessitam de uma conduta diferenciada, por parte do profissional, de modo a minimizar sua exposição aos estímulos desencadeadores destas alterações e transformar o tratamento em uma experiência positiva, desta forma contribuindo para a melhoria da saúde bucal destes indivíduos. Petry et al. (2006) afirmaram que, devido à ansiedade ao tratamento odontológico, muitas vezes, os pacientes evitam consultar o cirurgião-dentista até o momento em que sentem dor ou desconforto. Assim, a ansiedade pode levar a uma saúde bucal deficiente, perda dos dentes e também ao sentimento de vergonha e inferioridade. Neste artigo foram apresentados os resultados da mensuração dos níveis de ansiedade frente ao tratamento odontológico, em um grupo de pacientes idosos atendidos na disciplina de Odontogeriatria da Faculdade de Odontologia da UFRGS, visando. Foram entrevistados 60 idosos que aguardavam atendimento clínico. O instrumento de coleta de dados foi um

17 16 questionário abordando aspectos sobre sexo, idade, escolaridade, estado civil, local de moradia, regularidade e frequência das consultas, existência de algum cirurgião-dentista na família. Após foi aplicada a Escala de Ansiedade Odontológica (DAS); esta escala mede o nível de ansiedade do indivíduo no momento da entrevista. Foi concluído que, de modo geral, os pacientes entrevistados não foram considerados ansiosos embora se tenha encontrado um pequeno percentual de pessoas altamente ansiosas. Armfield, Stewart e Spencer (2007) realizaram uma pesquisa com base na hipótese de que num ciclo vicioso de medo odontológico existem possibilidades de o medo manter esse ciclo. Nesta pesquisa, a relação entre medo odontológico, estado de saúde oral e o uso de serviços odontológicos foram explorados. O estudo foi feito por entrevista telefônica realizado em Uma amostra aleatória de australianos com idades entre 16 ou mais anos foi selecionada a partir de 13 amostras em todos os estados e territórios australianos. Os dados foram ponderados pelas amostras e prioridade e sexo para obter estimativas da população. Pessoas com maior medo odontológico que visitaram o dentista menos vezes indicaram um maior tempo de espera antes de visitar um dentista. Maior medo odontológico foi associada a maior necessidade de tratamento odontológico, o aumento do impacto social dos problemas de saúde oral e pior autopercepção de saúde bucal. Todas as relações assumidas por um ciclo vicioso de medo odontológico foram significativas. Ao todo, 29,2% das pessoas que estavam com muito medo de ir ao dentista tinham atrasado sua consulta, pobre saúde oral e tratamento dos sintomas orientado em comparação com 11,6% de pessoas sem medo odontológico. Os resultados são consistentes com a hipótese de um ciclo vicioso de medo odontológico em que as pessoas com alto medo são mais propensas a atrasar o tratamento estendendo problemas e sintomas dentários gerando um agravamento do existente medo odontológico. No entender de Camparis e Cardoso Júnior (2007), as condições psicológicas de cada pessoa podem produzir a percepção da dor ou aumentar a estimulação dolorosa. Quando os impulsos atingem o sistema límbico, a dor é influenciada a nível emocional; inicialmente as emoções manifestadas podem ser de medo ou ira, o que representa o instinto de luta ou fuga do indivíduo. A dor pode ser acompanhada de uma sensação de desamparo, que cria um

18 17 quadro psicológico no qual o indivíduo necessita, além dos cuidados técnicos, de uma atenção profissional e familiar que vise o restabelecimento de seu equilíbrio emocional. A tensão é outro fator que influencia na percepção da dor e pode ser definida como uma resposta do indivíduo a mudanças ambientais. O stress é uma resposta do organismo frente a desafios e situações ameaçadoras ou potencialmente ameaçadoras. Se o paciente está calmo e confiante, a experiência é minimizada; se tiver irritado ou agitado, a experiência de dor é aumentada. A ansiedade nem sempre é reconhecida, por isso a compreensão que o indivíduo tem sobre uma situação produtora de dor já ocorrida e o controle que ele tem sobre essa situação são fatores que podem contribuir para aumenta ou diminuir a ansiedade. Durante o tratamento, o profissional deve dar ao seu paciente certo grau de previsibilidade de seu problema de saúde e de sua dor presente ou iminente. A falta de informações contribui para a formação de medos exagerados, que aumentam mais a ansiedade do paciente, levando a um aumento da sensibilidade ao estímulo doloroso. Gonçalves e França (2007) explicaram que ter medo ou ansiedade diante de determinadas situações, dentro de certos limites, é considerado normal. O medo geralmente ocorre diante de objeto ou situação específica ou na eminência de perigo imediato. A ansiedade pode ser caracterizada por uma sensação desagradável de tensão e apreensão. Frente a estes quadros, no consultório odontológico, o paciente pode apresentar xerostomia, taquicardia, sudorese e agitação, dificultando o procedimento para anestesia local, daí a importância do ansiolítico. Os pesquisadores estudaram o efeito de um ansiolítico em cirurgias orais menores. Foram avaliadas 34 cirurgias para implantes osseointegrados ou enxertos ósseos, em 19 indivíduos. Os pacientes foram divididos em dois grupos experimentais, aleatoriamente, sem terem conhecimento sobre qual medicação fariam uso. Para um grupo foi administrada a medicação (Ansiodorom) uma hora antes da cirurgia, por via sublingual; para o outro grupo foi administrado um placebo. Os resultados indicaram que a medicação homeopática Ansiodoron foi capaz de reduzir significativamente a ansiedade no grupo que recebeu este tratamento, quando comparado com o grupo placebo.

19 18 Conforme Possobon et al. (2007), a submissão ao tratamento odontológico tem sido relatada por muitos pacientes como uma condição geradora de estresse e de ansiedade. A sensação de ter parte de seu corpo físico invadida leva o paciente a perceber a situação como ameaçadora. O objetivo deste estudo é evidenciar a importância da aquisição de conhecimentos sobre aspectos psicológicos de interesse do profissional da Odontologia. A principal função do cirurgião-dentista é manter uma boa condição de saúde bucal de seu paciente, entretanto para que o profissional possa implementar estratégias que minimizem o estresse comumente gerado pelo tratamento e pelo ambiente do consultório, é necessário que aprenda a identificar comportamentos indicadores de ansiedade e seja capaz de estabelecer uma adequada relação com o paciente. Segundo os autores, pacientes ansiosos tendem a superestimar a dor que sentiram e a recordar-se das experiências desagradáveis com mais ansiedade do que provavelmente ocorrem. O medo de dentista pode ter contribuído, significativamente, para que os indivíduos considerem suas experiências odontológicas traumáticas e dolorosas. As experiências traumáticas vivenciadas nas primeiras consultas podem levar o indivíduo a tornar-se temeroso em relação a tratamentos subsequentes. Assim a capacitação do estudante de Odontologia para avaliar as reações do paciente e para empregar estratégias psicológicas que minimizem a ansiedade e aumentem a frequência de emissão de comportamentos colaborativos deveria ser considerada tão importante quanto a sua preparação técnica. Santos, Campos e Martins (2007) avaliaram a ansiedade e o comportamento de indivíduos adultos frente às visitas realizadas ao dentista. A amostra foi composta por 984 indivíduos, entre 14 e 93 anos, moradores da cidade de Araraquara (SP) escolhidos aleatoriamente. A idade média do grupo foi de 32 anos. As variáveis estudadas foram gênero, idade, nível de escolaridade, presença de sentimentos de medo e/ou ansiedade, frequência de consultas ao dentista e procedimento odontológico. Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva. Em relação à questão relacionada ao gênero como fator de medo, notou-se que não houve diferença significante entre o sexo masculino e feminino. Quanto ao nível de escolaridade foi observado que a maioria possuía nível médio. Não houve relação direta entre o nível de

20 19 ansiedade e o grau de escolaridade e o gênero. A maioria (74%) afirmou não ter medo de dentista. Dentre os que afirmaram ter medo de dentista, a principal causa referida foi experiências anteriores desagradáveis; outras justificativas foram: o medo pelo barulho produzido pelo motorzinho da alta rotação, medo da agulha para anestesia. Quanto à frequência com que os participantes visitavam o dentista, 30,59% afirmaram que uma vez ao ano, 40,65% a cada 6 meses, 26,73% só quando tinham dor, 0,81% nunca foram e 1,22 uma vez ao mês. A ansiedade ou a fobia podem não somente levar a uma saúde bucal deficiente e perda dos dentes, mas também ao sentimento de vergonha e inferioridade. O tratamento endodôntico e a raspagem e polimento radicular foram considerados como os procedimentos que mais provocam ansiedade. Desta forma, os cirurgiões-dentistas necessitam encontrar formas de reduzir as exposições aos estímulos que desencadeiam a ansiedade e transformar o tratamento em uma experiência positiva. Portanto, uma maior ênfase deve ser dada às manifestações de ansiedade e medo odontológico por parte dos cirurgiões-dentistas no momento de avaliar a maneira como relatar os procedimentos a serem realizados, pois os indivíduos são relutantes e admitem seus medos, descuidando e fugindo assim da prevenção em saúde bucal. Acharya (2008a), com o objetivo de identificar os possíveis fatores e crenças que causam efeito sobre o nível e ansiedade dental, desenvolveu um estudo transversal com 482 pacientes, que estavam sob atendimento numa clínica odontológica, numa universidade da Índia. Os instrumentos de coleta de dados foram uma versão modificada da escala de avaliação da ansiedade dental, a MDAS (Modified Dental AnxietyScale), e da escala Dental BeliefsScale MDBS. Também, foram coletadas informações sobre gênero, idade, grau de instrução, profissão e experiências pregressas em relação ao tratamento odontológico. A análise dos dados demonstrou que há uma relação estatisticamente significativa entre os escores da MDAS e MDBS. Quanto à variável faixa etária, foi detectada uma relação inversa entre idade e escores da ansiedade dental. Indivíduos com baixo nível de escolaridade apresentam índices mais elevados de ansiedade. Os sujeitos que informaram mais experiências desagradáveis com o tratamento odontológico foram os que apresentaram escores altos de ansiedade e negativas crenças relacionadas à consulta odontológica.

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