P R E M I S S A S P A R A E L A B O R A Ç Ã O D E C O N T R A T O D E P R E S T A Ç Ã O D E S E R V I Ç O S D E A R Q U I T E C T U R A

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1 P R E M I S S A S P A R A E L A B O R A Ç Ã O D E C O N T R A T O D E P R E S T A Ç Ã O D E S E R V I Ç O S D E A R Q U I T E C T U R A O Pelouro do Apoio à Prática Profissional entendeu estabelecer um documento orientador para elaboração de um contrato de prestação de serviços de arquitectura, a ser utilizado pelos membros desta instituição. Assim, apresentase uma pequena introdução a este tema, fundamentada nos regulamentos da OA e, seguidamente, surgem as premissas consideradas essenciais para a produção ou análise de um documento que formalizará a contratação dos serviços prestados por um arquitecto. Em jeito de nota prévia, chama-se a atenção que, para a elaboração de um contrato, devemos contar com a ajuda de um especialista nesta matéria, ou seja, um advogado. Será o profissional mais indicado para que possa assistir o arquitecto na elaboração de um documento escrito, que permita assegurar os seus direitos e obrigações de um modo correcto, ou para avaliar um contrato já minutado que é apresentado ao arquitecto para este analisar ou subscrever. Deste modo, a OA-SRN disponibiliza aos membros inscritos e em plenos direitos do exercício da profissão, o acesso directo a consulta de apoio jurídico, através do contacto dos serviços da secretaria. 1

2 1 - Introdução - Estatuto da Ordem dos Arquitectos e Regulamento de Deontologia A alínea a) do n.º 2, do art. 49º, do Estatuto da Ordem dos Arquitectos determina que o arquitecto deve: Definir claramente os termos da sua relação profissional, nomeadamente a natureza, o objectivo, a extensão dos serviços a prestar, responsabilidades, fases e prazos a cumprir, bem como a remuneração e todos os restantes elementos que com ela se relacionem; (...) Por sua vez, o n.º 6, do art.º 7.º, do Regulamento de Deontologia da Ordem dos Arquitectos estabelece: Todo o compromisso profissional do arquitecto deve ser objecto de um contrato ou acordo escrito prévio que cumpra as seguintes condições: a) Definir a natureza e âmbito das funções, tarefas ou intervenções, assim como a respectiva forma de remuneração; b) Ter em conta as disposições do presente Regulamento e conter, explicitamente, as regras fundamentais que definem as relações entre o arquitecto e o seu cliente ou empregador. A Lei 31/2009, de 3 de Julho que aprovou o regime jurídico que estabelece a qualificação profissional exigível aos técnicos responsáveis pela elaboração e subscrição de projectos, pela fiscalização de obra e pela direcção de obra, que não esteja sujeita a legislação especial, e os deveres que lhes são aplicáveis, revogando o Decreto n.º 73/73, de 28 de Fevereiro, estabelece no n.º 1 do seu art. 7º: A elaboração de projecto é contratada por escrito, contendo, sob pena de nulidade, a identificação completa do coordenador de projecto, se for exigido nos termos do artigo seguinte, e dos autores de projecto, a especificação das funções que assumem e dos projectos que elaboram, bem como a identificação dos elementos do seguro, previsto no artigo 24.º, que garante a sua responsabilidade civil. Face ao exposto, verifica-se que o arquitecto, quando assume desenvolver um trabalho para um cliente, tem que definir as suas obrigações de uma forma clara e mediante a elaboração de um acordo ou contrato escrito. 2

3 Trata-se, por um lado de precaver uma relação profissional, passando a escrito todos os seus contornos, obrigações e deveres, mas também, de cumprir uma obrigação legal e deontológica. A formulação de um documento deste tipo deve anteceder a prestação a contratar, devendo-se evitar situações que iniciar o trabalho e depois elaborar o contrato. 3

4 2 Premissas para elaboração de um contrato Chama-se aqui a atenção, resumidamente, para algumas premissas gerais que deverão estar asseguradas quando é subscrito/elaborado um documento deste tipo: A identificação correcta das partes que intervêm. Por exemplo, se estamos perante uma sociedade, ter o cuidado de verificar se o mesmo é outorgado pelo respectivo representante, com poderes para o acto em que intervém. Normalmente, no caso de uma sociedade/pessoa colectiva aparece(m) o(s) gerente(s), nas sociedades por quotas, ou o(s) administrador(es), nas sociedade anónimas a agir em sua representação; Definição clara dos termos do objecto do contrato. Dever-se-á ter o cuidado de ser o mais discriminativo possível, definindo quais as tarefas que vai desempenhar e aquelas que não se encontram abrangidas pelo contrato, permitindo deste modo, a não existência de dúvidas quanto à natureza e âmbito dos serviços a prestar. Por exemplo, se além do projecto de arquitectura o arquitecto vai ter a incumbência da parte administrativa do respectivo licenciamento, se a ele houver lugar; se vai realizar levantamentos de edifícios existentes ou se estes, ou qualquer outro tipo de levantamentos, serão da responsabilidade do dono de obra; etc.; Uma vez que a matéria respeitante a este tipo de actividade é muito específica e o comum das pessoas que recorrem aos serviços de um arquitecto, não conhecem os seus contornos, aconselha-se a aposição de cláusulas que refiram quais os serviços que não são abrangidos. Por exemplo, se o arquitecto não vai assumir a coordenação dos projectos ou responsabilizar-se pela contratação das engenharias das especialidades será útil que o refira para que não existam dúvidas perante o Cliente, que não conhece a envolvente de um processo de construção, permitindo assim evitar conflitos futuros que irão certamente minar a relação entre o projectista e o dono de obra. Atendendo às fases que comporta um processo de construção, principalmente se vai ser sujeito a controlo prévio por parte de uma entidade pública, um bom método de definir as obrigações do arquitecto, será a sua divisão por fases: exemplo - estudo prévio; projecto base, licenciamento, etc. Definição de prazos. Caso sejam impostos prazos, estes terão que estar bem definidos em termos de calendário, sejam parciais, sejam globais. Podem ser definidas multas pelo seu incumprimento. Faz-se notar que, os prazos, podem e devem ser estipulados para ambas as partes. Poderá ficar definida a obrigação do Cliente em entregar ao arquitecto, dentro de determinado prazo, certos elementos que sejam necessários à elaboração ou licenciamento do 4

5 projecto. Claro que na definição dos prazos deverá existir um grande cuidado para que os mesmos possam ser efectivamente cumpridos, nunca estipulando prazo para o cumprimento de obrigações que não são da nossa responsabilidade, como é o caso da apreciação nos processos submetidos à apreciação de entidades públicas. No caso do projecto de arquitectura, o arquitecto, enquanto profissional qualificado, saberá, atendendo às especificidades do serviço contratado, o tempo que vai demorar a elaborar o estudo prévio ou o projecto de execução. Estipular um prazo para a realização destas tarefas vai criar um elevado grau de confiança no Cliente uma vez que lhe permite saber o tempo que vai demorar a ser concretizado o serviço que contratou; Honorário pelos serviços a prestar. Estabelecer correctamente o preço pelo trabalho a desempenhar, com prazos bem definidos para o seu pagamento, seja por data pré-definida ou por actos a praticar (exemplo: aprovação do projecto). O arquitecto pode estabelecer pagamentos parciais, dividindo os honorários totais à medida que vai executando tarefas ou fases de trabalho. Ao valor definido para os honorários deve referir se acresce o imposto sobre o valor acrescentado (IVA) ou se este já está incluído no preço; Definição do âmbito dos honorários. Mais uma vez dever-se-á discriminar quais as tarefas ou serviços que se encontram abrangidos, de modo que não surjam dúvidas à sua execução, ou seja, quais os serviços que o cliente vai usufruir pelo preço que vai liquidar ao projectista. É prática corrente, e saudável, os arquitectos estabelecerem que os honorários abrangem, por exemplo, x cópias de projecto, x visitas à obra, etc. Quanto maior a indefinição maior a possibilidade de existirem conflitos. O cliente por vezes entende serem exigíveis tarefas que não se encontram contratadas, ou mais grave, a indefinição, ou omissão, no texto do contrato podem levar a interpretações que podem acarretar prejuízos para o projectista. Outra questão que sempre se colocou quanto aos honorários é a forma de os calcular, ou seja, qual o método encontrado para obter o valor dos honorários a cobrar ao cliente. Como é sabido, não existe, nem pode existir, tabela de honorários, estabelecida pela Ordem dos Arquitectos, nem a obrigação de observar um método ou forma de cálculo específico. Vigora o princípio da liberdade contratual, sendo que as partes, dentro da Lei, podem estabelecer a forma e preço que entenderem para o trabalho a prestar. Existem múltiplas formas de o arquitecto o fazer que vão desde um valor hora de trabalho, percentagem sobre o valor de obra, valor global do trabalho, etc. Outra situação que importa salvaguardar é a de estipular que em caso de alterações, exigidas pelo Cliente e não previstas no inicio do contrato, os honorários do arquitecto terão que sofrer alterações. Uma coisa são pequenas alterações que acontecem, na maior parte das vezes, durante a obra, outra coisa é o Cliente solicitar 5

6 alterações ao programa pré-definido, que vão exigir do arquitecto um intervenção que não estava prevista no contrato inicial. Definição do pagamento das despesas a que houver lugar cuja responsabilidade caiba ao cliente. Interessa também ter sempre presente a distinção entre honorários e despesas, ou seja, é do interesse do arquitecto clarificar que tipos de despesas se encontram, ou não, incluídas nos honorários. É vulgar os arquitectos esquecerem-se de incluir despesas que caiem fora do âmbito dos honorários. Entre estas estarão as mais correntes como deslocações, certidões, cópias de projecto, etc.; Definição de sanções. Poderão também ser definidas sanções pelo incumprimento ou pelo cumprimento defeituoso do contrato, estabelecendo valores a pagar pelo contraente faltoso. Por exemplo, estabelecer um valor por dia de atraso na entrega do estudo prévio, na entrega de elementos documentais por parte do cliente, etc. Definição dos direitos de autor do projecto. Dever-se-á determinar, por exemplo, se o projecto é alienado patrimonialmente, na sua totalidade ou se apenas é permitida a sua utilização. Outras questões adicionais. Datar sempre o documento e elabora-lo em dois exemplares, ou mais, consoante o número de outorgantes, ficando um exemplar em posse de cada um dos outorgantes depois de devidamente assinado. Recomendações finais: Como já se referiu, são inúmeras as questões que poderão surgir na elaboração de um documento deste tipo e cada situação contratual tem as suas particularidades. O texto que acima se transcreve serve apenas para ajudar a compreender as questões que devem ser abordadas nos contratos com os clientes, especialmente quando somos confrontados com textos já elaborados, onde a nossa intervenção vai ser diminuta. Nunca se deve partir de uma minuta que foi feita para um contrato, por exemplo de um colega, e aplicá-la, sem mais, à situação que se lhe depara. Os riscos são muito elevados. O ideal será recorrer aos serviços de um advogado, que é o profissional habilitado para prestar este tipo de serviços, após obter todos os elementos necessários da tarefa que pretende desempenhar, possibilitando a elaboração de um documento que reúna as condições necessárias a regular uma relação profissional que vai nascer. Decerto que não vamos solicitar a um advogado que elabore um projecto de arquitectura. 6

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