Agenda IGUALAÇORES Projecto Jovens Açorianos 20 Estratégias pela Igualdade MANIFESTO REGIONAL

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1 Agenda IGUALAÇORES 2010 Projecto Jovens Açorianos 20 Estratégias pela Igualdade MANIFESTO REGIONAL Numa altura em que a crise económica é tema predominante e em que Portugal surge como o segundo país com maior índice de desigualdades sociais na Europa, a AJITER (Associação Juvenil da Ilha Terceira) quis reflectir mais sobre esta temática e saber o que pode e deve ser mudado para inverter esta tendência. O projecto Agenda IGUALAÇORES 2010 é uma parceria, para além de outros parceiros, entre a AJITER e a Secretaria Regional do Trabalho e Solidariedade Social, através da sua Direcção Regional de Igualdade de Oportunidades. Este é um projecto que foi desenvolvido a nível regional, envolvendo todas as ilhas dos Açores, tendo como objectivos fundamentais sensibilizar a sociedade civil açoriana para a importância da promoção da igualdade, na medida em promover e investir na igualdade é sinónimo de promover e investir no desenvolvimento. De uma forma específica, este projecto dirigiu-se, sobretudo, aos jovens açorianos e pretendeu, para além de sensibilizá-los, implicá-los na promoção dessa mesma igualdade, o que numa região como os Açores tem particular importância. O projecto consistiu, fundamentalmente, em duas actividades Projecto FotoIgual e Projecto Jovens Açorianos 20 Estratégias pela Igualdade. O projecto Jovens Açorianos 20 Estratégias pela Igualdade consistiu na realização de seminários nas várias ilhas do arquipélago. Nesses seminários, os jovens (desempregados, beneficiários do RSI, representantes das juventudes partidárias e líderes associativos) trabalharam em conjunto e, após um período de discussão naquele que foi caracterizado

2 como sendo um processo consultivo estruturado, dinâmico e completamente participativo, criaram o manifesto de ilha pela igualdade. As estratégias apresentadas nos vários manifestos de ilhas traduzem-se no presente Manifesto Regional pela Igualdade, o qual teve a participação de jovens oriundos de todas as ilhas, seja na forma presencial ou por via electrónica. Assim, os jovens açorianos reunidos na Praia da Vitória, no Seminário Regional do Projecto Jovens Açorianos 20 Estratégias pela Igualdade apresentam o seguinte Manifesto com estratégias para promover a igualdade nos Açores. As estratégias dos jovens agrupam-se em 6 tipos de igualdade: Igualdade étnica, religiosa, de género, de orientação sexual, de emprego e de acessibilidades. No campo da igualdade étnica, os jovens consideram que as discriminações de que as minorias étnicas são alvo resultam, muitas vezes, da falta de informação e de ideias préconcebidas e estereotipadas. Assim, pensam ser necessário tratar esta questão o quanto antes, apostando em diversas dinâmicas nas escolas como a promoção de intercâmbios étnicos (1). Além disso, os jovens também assumem a necessidade de concertação dos esforços de várias instituições que trabalham para o mesmo fim, portanto, a redefinição das informações e apoios aos emigrantes nos postos RIAC, de forma a percepcionar as reais carências dos públicos-alvo e a consequente adopção de boas práticas no âmbito da promoção da igualdade (2). No que respeita à igualdade religiosa, os jovens consideram que é necessário educar a população para que se esclareçam todas as dúvidas em relação às religiões menos conhecidas na região. Assim, propõem que se façam actividades nas escolas, relacionadas com as várias religiões, como por exemplo, festas religiosas (3), de forma a instruir a comunidade mais jovem sobre a interiorização do respeito e tolerância das convicções religiosas de cada um. É ainda de salientar, que para a concepção e implementação desta iniciativa será imprescindível o apoio de uma equipa multidisciplinar de forma a possibilitar um trabalho mais congruente. Nesta lógica, salientaram da mesma forma pertinente, a criação de uma feira religiosa (4), onde se pudesse integrar valores e costumes de cada cultura em particular, podendo estes, serem trabalhados e abordados em actividades como workshops.

3 Segue-se a igualdade de oportunidades. Tendo em conta as crescentes discriminações contra grupos mais vulneráveis, os jovens mencionaram a importância de incluir nos currículos escolares a temática da igualdade de oportunidades, nomeadamente nas disciplinas de cidadania, com carácter obrigatório (5). Ainda no âmbito escolar, os jovens consideram que se devem criar iguais oportunidades de acesso ao ensino superior (6), pois o actual sistema de bolsas é ineficaz e não abrange grande parte dos jovens que realmente necessitam de bolsa. Assim, para combater este facto, os critérios de aprovação e atribuição de bolsa deveriam incidir somente sobre o rendimento líquido da família e não sobre o património não rentável da mesma. De igual relevo, é a divulgação das instituições que apoiam as vítimas de discriminação, bem como a criação de incentivos para os cidadãos e as cidadãs denunciarem as suas experiencias discriminatórias (7). Para tal, é necessário a constante formação dos técnicos que trabalham directamente com a temática, para assim permitir uma óptima familiarização com os conceitos e recursos, e por fim, prestar adequadamente resposta aos que mais precisam. É necessário, também, apostar na sensibilização junto das empresas para promover a contratação de pessoas em risco de exclusão social (imigrantes, repatriados, entre outros), através de benefícios fiscais (8). Outra estratégia direccionada à igualdade no mercado de trabalho, é a assiduidade da inspecção do trabalho em termos da sua acção fiscalizadora no tocante ao cumprimento do princípio da equidade dos salários aquando do desempenho profissional da mesma função (9). Para combater as (des)igualdades existentes na sociedade, é necessário criatividade e ambição na concretização das iniciativas, assim, e na tentativa de dar uma resposta mais exequível, pretende-se reforçar e melhor divulgar o Plano Regional da Igualdade de Oportunidades (PRIO), e sobretudo, estimular a sua implementação e dinamização(10). Na mesma linha, os jovens consideraram que é importante a divulgação do conceito de Igualdade de Oportunidades através dos meios de comunicação social (11). No que respeita à igualdade de género, os jovens afirmam ser necessário combater a discriminação das mulheres no acesso ao mercado de trabalho, daí considerar necessária uma comparticipação do Estado para empresas que contratem mulheres grávidas e responsáveis por famílias monoparentais, para que a mulher consiga ser financeiramente independente (12).

4 Além disso, também se defende que o Estado deve reforçar e integrar mais técnicos no mercado de trabalho, como Mediadores Familiares, Psicólogos e Conselheiros Matrimoniais (13), na tentativa de responder aos problemas decorrentes das questões de igualdade de género. Defendem, também, o estabelecimento de quotas da participação das mulheres na política em 50% (14). Em relação ao campo educativo, também afirmam que é necessário incidir em estratégias que envolvam os mais pequenos, nomeadamente, reforçar e incentivar acções que possam ser implementadas nos colégios e jardins-de-infância (15), no âmbito da promoção da igualdade de género, uma vez que é fundamental reconhecer e valorizar o trabalho doméstico e desmistificar a figura doméstica da mulher, visto que tanto o homem como a mulher têm as mesmas funções familiares (educadores e execução das tarefas domésticas). Por último, também referem a necessidade de criação de ATL s (16) a tempo inteiro (24h), uma vez que a mulher já está, nos dias que correm, bastante inserida no mercado de trabalho. Desta forma, há a probabilidade desta ter de fazer turnos e assim, com a implementação desta iniciativa, já têm com quem deixar os filhos, possibilitando uma resposta eficaz e aprazível a este tipo de carência. No essencial, esta medida, beneficiaria, igualmente, as famílias monoparentais, em geral. Quanto à igualdade de orientação sexual, defendem a promoção de diálogos e acções de sensibilização para toda a população em geral incidindo, sobretudo, em grupos estratégicos (17). Além disso, acham da mesma forma interessante e pertinente a concepção de concursos escolares (18), para a criação de uma bandeira da não discriminação para a RAA, e sua regulamentação para atribuição da mesma. Esta estratégia, é transversal e refere-se à proposta de criação de uma certificação destinada a certificar as entidades que adoptem boas práticas no âmbito da promoção da igualdade, o selo IGUALAÇORES. Tal elemento deve ser factor preferencial no acesso a concursos públicos e na atribuição de apoios a projectos. De seguida, temos a igualdade de acessibilidade, em que os jovens denunciaram várias carências da população com deficiência. Afirmam ser necessário e imprescindível reforçar a aplicação da legislação existente na arquitectura ao nível dos edifícios públicos e privados, transportes públicos e sinalética (19). Por fim, defendem a presença assídua de um tradutor gestual em colóquios, seminários e programas de televisão sem legendas (20).

5 Como ponto final torna-se, pois, fundamental reforçar o carácter puramente construtivo e o sentido positivo deste manifesto. As estratégias nele apresentadas não se dirigem a nenhum actor social em particular mas sim ao conjunto de todos os actores que emanam da nossa sociedade, começando nos cidadãos - com uma especial palavra para os jovens passando pelas instituições da sociedade civil até às organizações governamentais, tendo naturalmente em consideração o papel e a função de cada uma dessas partes. As ideias que integram o Manifesto correspondem àquelas que os jovens açorianos consideram fundamentais para o desenvolvimento da sua região, nesse sentido, em alguns casos, as mesmas são referidas, apesar de já poderem estar implementadas, apenas como forma de reforçar a sua importância estratégica. Esta não pretende ser uma descoberta milagrosa nem a solução para todos os problemas existentes relacionados com as situações das desigualdades, tão só um contributo e um referencial para discussão e orientação de estratégias de desenvolvimento com vista a um objectivo comum, o desenvolvimento dos Açores. Todas as Estratégias que integram este manifesto foram objecto de intensa discussão e são resultado de um processo que teve sempre como objectivo a procura de consensos. Neste sentido foram aprovados por unanimidade dos jovens presentes. Praia da Vitória, 11 de Dezembro de 2010

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