Propostas de luta para tornar nossa. vida melhor. Maio de 2003

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1 Propostas de luta para tornar nossa vida melhor Maio de 2003

2 Companheiros e companheiras A s políticas capitalistas neoliberais, aplicadas com mais força no governo FHC, foram muito duras com os trabalhadores brasileiros da roça e da cidade. Os poderosos concentraram ainda mais riqueza e terras. Mas a grande maioria do povo viu aumentar a fome, a miséria, o desemprego, a violência e a corrupção. Na roça, os agricultores empobreceram mesmo trabalhando mais do que antes e muitos tiveram que abandonar suas terras. Além das conseqüências gerais destas políticas, muitas famílias de atingidos por barragens ainda enfrentaram a expulsão de suas terras devido à construção de barragens. Mesmo frente a esta difícil realidade, nossa luta e organização permitiram a resistência na terra. Impedimos a construção de barragens e conquistamos o direito de ter terra, crédito e moradia.

3 A eleição do Lula trouxe grandes esperanças de que as mudanças necessárias serão feitas. Temos certeza de que a melhor maneira de ajudarmos a fazer estas mudanças é prosseguir melhorando cada vez mais nossa organização e fazendo com mais força nossas mobilizações e lutas. Neste material, estamos trazendo dois grandes motivos para irmos à luta. Estas conquistas ajudarão a melhorar nossas vidas e aumentarão nossa resistência para permanecer na roça. Vamos discutir nos grupos e organizar nossa participação. Boa leitura e bom trabalho! Coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens Sua participação e o envolvimento do seu grupo é fundamental para alcançarmos novas conquistas

4 1 Privatização do setor elétrico e preço da energia O fato mais importante neste momento é o do aumento das contas de energia elétrica, autorizado pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) nos últimos dias. Com índices que chegam a ultrapassar os 30% em diversos estados, os novos preços da luz estão aterrorizando a população. Onde o reajuste ainda não foi aprovado, as notícias apontam que trata-se de uma questão de tempo até que a ANEEL libere o aumento. A questão é assim: na época do Fernando Henrique, ele vendeu muitas empresas de energia e privatizou as barragens. Quem comprou ou ganhou de graça foram grandes empresas e multinacionais - como é o caso da Tractebel, da Votorantim, do Bradesco e da empresa americana

5 AES. Com a privatização, eles criaram a tal de ANEEL, que ficou encarregada de dizer quanto e quando tinha que aumentar o preço da energia. Na verdade, isso foi uma forma de garantir que mesmo mudando o governo, eles poderiam fazer o que quisessem. Dá para dizer que estes aumentos da energia são uma herança maldita do governo de FHC, em conjunto com as grandes empresas. Além de autorizar os aumentos de energia, a ANEEL é responsável pela licitação e concessão de licenças para construção e operação de barragens. Esta agência é responsável pela autorização de operação de muitas barragens que estão cometendo crimes sociais e ambientais em nosso país. Nós, atingidos, sabemos muito bem as conseqüências destes atos. Assim dá para entender Será que porque até o Presidente Lula nós, povo brasileiro, deve- da energia. É porque, de fato, está brabo com os aumentos mos pagar estes o governo não manda novos aumentos neste setor. da energia que até o presidente da república está contra?

6 Será que nós temos que sustentar os enormes lucros das grandes empresas e multinacionais com o pagamento da energia? A energia elétrica, que deveria ser um serviço público essencial para o desenvolvimento, na verdade foi transformada em uma mercadoria que serve para dar lucro aos que, de alguma forma, dominam este setor. Para se ter uma idéia, existem usinas antigas onde o custo de geração de energia é muito baixo, mas na hora de enviar a conta, eles cobram mais de R$ 200,00 o Megawatt. Por outro lado, algumas multinacionais que exploram o alumínio no Brasil pagam somente R$ 20,00 o Megawatt. Toda a diferença do preço é paga pelo governo. Isso dá um prejuízo (eles chamam de subsídio) de 250 milhões de dólares para os cofres públicos, todo o ano.

7 Dá para perceber que este assunto tem potencial de ser um foco de luta se conseguirmos dar alguns passos importantes: 1º. Divulgar esse fato ao máximo, para todo o povo e para todas as entidades. Com os movimentos que são nossos parceiros e aliados de luta, devemos fazer um debate inclusive para a realização de ações conjuntas contra o pagamento dos aumentos da energia. 2º. Conversar com os atingidos no sentido de clarear cada vez mais a importância desta luta. 3º. Incentivar ao máximo ações e mobilizações dos atingidos e de todo o povo contra esta política. Estas tarefas devem ser realizadas agora e para isso precisamos da ajuda e do apoio de todos, pois entendemos que a questão energética é central para o processo de desenvolvimento que queremos para o nosso país. Propomos que cada região discuta que ações práticas poderão ser feitas e como encaminhar os três pontos descritos acima na sua localidade.

8 2 Crédito para melhorar a vida dos agricultores Todos sabemos das dificuldades que os agricultores, de forma especial os atingidos, vivem e entendemos que uma maneira de diminuir os problemas é ter acesso a crédito para plantio das lavouras e para investimentos nas propriedades. Propomos: Que os atingidos possam se organizar nos seus grupos para buscar as linhas de crédito já existentes junto ao Governo. Em especial o Pronaf C (Pronafinho), para as famílias que moram ao redor dos lagos ou dos rios e o Pronaf A, para os reassentados. Estes créditos existem tanto para custeio como para investimento e todos eles possuem um rebate (desconto) na hora de pagar.

9 No Pronaf C para custeio, o agricultor pode pegar de 500 a reais por ano, com juro de 3%. Na hora de pagar, receberá um desconto de 200 reais. No Pronaf C de investimento, o valor vai de a reais, podendo ser pago em oito anos, com juro de 3% ao ano. Na hora de pagar o desconto será de 700 reais. Pagando uma parcela, pode-se contratar novo empréstimo nas mesmas condições, contanto que não ultrapasse os reais. O Pronaf A é um crédito conquistado pelo MST, onde cada assentado pode pegar até.000 reais, para pagar em 10 anos, com 2% de juro. O desconto é de 40%. Este crédito já foi utilizado pelos reassentados do MAB no Paraná. Além de conseguir dinheiro para a lavoura ou para investimentos, os grupos também podem deixar um pouco de dinheiro num caixa para custear as despesas de organização e viagens. Fortalecendo o MAB.

10 Estas linhas de crédito são muito usadas pelos agricultores do MPA e do MST e devemos, em cada região, nos articular e lutar juntos para melhorarmos ainda mais estas condições. Um exemplo é esta proposta que o MPA apresentou para o governo: Crédito de Reestruturação da Agricultura Camponesa Valor de R$ ,00 por família, liberados em quatro anos, com parcelas anuais para investimento nas propriedades. Prazo de pagamento de 15 anos, com três anos de carência. Juro fixo de 2% ao ano. Rebate (desconto) de 50% sobre o valor de cada parcela a ser paga. Aplicação do crédito prioritariamente para garantir a subsistência familiar, fazer a passagem da agricultura química para a agricultura ecológica e produzir produtos prioritários do Programa Fome Zero. Outra forma de conseguirmos dinheiro é com as empresas construtoras, onde as barragens já estão construídas ou ainda em construção. Em vários locais do Brasil conseguimos dinheiro a fundo perdido para ajudar os atingidos a reestruturarem as suas propriedades. Na Barragem de Machadinho e Dona Francisca,

11 no Rio Grande do Sul, foi conquistado R$ 3.000,00 por família. Tem ainda a questão dos royalties, que é um dinheiro pago aos governos estaduais e municipais onde são construídas as barragens. Podemos discutir com as prefeituras e governos estaduais que este dinheiro seja investido nas regiões atingidas ou ameaçadas por barragens. O que devemos fazer para conseguir o que queremos Neste mês de maio de 2003 todos devemos levar e debater com a nossa base estas duas propostas de luta. As Equipes de Negociação do MAB, tanto em nível nacional como as estaduais, deverão apresentar estas reivindicações aos governos estaduais e federal. Devemos exigir que o crédito seja repassado pelas empresas construtoras da barragem nas obras ainda em construção. Possivelmente nos meses de junho e julho teremos que fazer grandes mobilizações, atos e/ou acampamentos para pressionarmos a liberação do crédito.

12 Finalmente perguntamos É possível encaminhar as idéias aqui propostas? Como organizar nosso grupo para participar destas lutas? Que sugestões podemos dar sobre os dois temas apontados? O que vamos fazer em nossa região para conquistar o que queremos?

13 Re/cadastramento de grupos de base: Nome do grupo: Comunidade:... Município:... Telefone para contato:... Integrantes do grupo: 1)Coordenador(a)... 2)... 3)... 4)... 5)... 6)... 7)... 8)... 9)... 10)...

14 Responda e ajude a melhorar nossa comunicação 1. Como você acha que está nossa comunicação? Você tem alguma sugestão? 2. Você escuta o programa de rádio do MAB? ( ) Não ( ) Sim ( ) Todas as semanas ( ) De vez em quando 3. O que você mais gosta no programa do MAB? 3. Qual a emissora de rádio que você mais escuta? 4. Qual o horário que você mais escuta rádio? Você pode usar outro papel para acrescentar os nomes dos integrantes do seu grupo ou complementar as respostas às questões acima.

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