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1 SAÚDE NO TRABALHO: UMA REVOLUÇÃO EM ANDAMENTO EVOLUÇÃO NO BRASIL A história é como um facho de luz que se projeta do passado para iluminar os caminhos do futuro. Arnold Toynbee Esta apresentação está, dividida em 3 partes: Saúde Trabalho Revolução Disciplina Legal Relato Histórico

2 SAÚDE NO TRABALHO: UMA REVOLUÇÃO EM ANDAMENTO Saúde do Trabalhador Uma Revoluçã ção o em Andamento é uma visão o panorâmica sobre um ideário que nos fala de mudanças as e de esperanças, as, e também m de iniciativas malogradas e de sacrifícios cios como um apelo de incentivo a uma luta em permanente andamento, por uma idéia ia concebida pela razão, que as geraçõ ções passadas nos enviam para criaçã ção o do amanhã.

3 SAÚDE NO TRABALHO: UMA REVOLUÇÃO EM ANDAMENTO Eu sou eu e as minhas circunstâncias. Se não as salvo, como me salvo eu?. Ortega y Gasset

4 A SAÚDE Interesse do Homem O homem sempre se interessou por sua saúde, os registros revelam que ao longo de toda a história, já mesmo milhares de anos antes de Cristo. Dizer por exemplo que o trabalhador é fatalista e indiferente à saúde é uma idéia preconcebida que não pode ser aceita, a menos que as pessoas que assim o fazem sejam desatualizadas ou defendam algum tipo de interesse excuso. Muitas pessoas ainda acreditam que a maneira de manter a saúde e evitar ou curar doenças é usando algumas formas de magia, feitiçaria, amuletos e substâncias mágicas que sejam capazes de afugentar ou aplacar os espíritos daninhos.

5 A SAÚDE Conceito Global de Saúde Conceitos de saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) Como um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. O gozo do melhor estado de saúde que seja possível atingir constitui um dos interesses fundamentais de todo ser humano, sem distinção de raça, religião, opinião política, condição econômica e social. A saúde de todos os povos é condição fundamental para a consecução da paz e da segurança e depende da mais estreita cooperação de indivíduos e de Estados.

6 A SAÚDE Conceito Estratégico e Ecológico O estado de saúde pode ser entendido como o resultado de um contínuo e bem sucedido equilíbrio entre o indivíduo e o meio que o cerca. Os fatores que influenciam a saúde podem ser esquematizados, por quatro grupos de elementos condicionantes da saúde: a) a Biologia Humana; b) o Meio-Ambiente; c) os Hábitos de Vida; e d) a Organização dos Cuidados de Saúde.

7 A SAÚDE Doença Doença é considerada por todos como um evento indesejável que pode levar à morte, provoca dor, sofrimento e, freqüentemente, acarreta incapacidade, que pode ser temporária ou permanente, total ou parcial. O fato é que não é possível falar em prevenção com um paciente que sofre, sem aliviar a sua doença e torna-se infrutífero fazer o discurso da promoção de saúde sem atender, razoavelmente, às necessidades sentidas de uma população.

8 A SAÚDE Saúde e Produtividade É antieconômico permitir que indivíduos que tenham alcançado a fase produtiva se tornem improdutivos devido à doença ou aos acidentes em especial os do trabalho, ou tenham seus anos de produtividade limitados por uma expectativa de vida curta. Será lógico e econômico, então empregar o máximo de esforço em relação àqueles que nascem e aos que estão na fase de produção e nela permanecem o maior tempo possível uma vez que é nesta fase que terão a possibilidade de fazer um verdadeiro reembolso das despesas feitas na fase inicial.

9 A SAÚDE Ciclo Econômico da Saúde Círculo Virtuoso da Saúde PRODUÇÃO ALTA Círculo Vicioso da Doença PRODUÇÃO BAIXA MAIOR ENERGIA E CAPACIDADE MAIOR SOBREVIDA MAIS SAÚDE SALÁRIOS ALTOS MENOR ENERGIA E CAPACIDADE INCAPACIDADE E MENOR SOBREVIDA MAIS DOENÇA SALÁRIOS BAIXOS GRANDE INVERSÃO EM SANEAMENTO E PREVENÇÃO BAIXA INVERSÃO EM SANEAMENTO E PREVENÇÃO RIQUEZA BAIXOS GASTOS EM TRATAMENTO ALIMENTAÇÃO E EDUCAÇÃO ADEQUADAS POBREZA ALTOS GASTOS EM TRATAMENTO E HABITAÇÃO POBRE ALIMENTAÇÃO E EDUCAÇÃO INSUFICIENTES SAÚDE DOENÇA

10 A SAÚDE Conquistas e Paradoxos As ciências médicas vêm progredindo de maneira notável nestes últimos decênios, colocando a serviço da saúde uma variedade e quantidade enorme de poderosas armas que visam não somente sua proteção, como sua reabilitação. Educação para a Saúde A educação para a saúde surge como um instrumento capaz de valorizar o homem e colocá-lo em condições de produzir e de trabalhar para um futuro mais esperançoso e de maior compreensão humana.

11 A SAÚDE Realidade Brasil Resultado da pesquisa do MS e IBGE, pela PNAD, em 1998, para geração de informações populacionais atualizadas sobre o consumo dos serviços de saúde no país: 1/3 da população não tem sistema de saúde; A porta de entrada varia de acordo com a idade, sexo e principalmente renda; Cerca de 5% não tem recursos; Cerca de 1 em 5 brasileiros nunca foram ao dentista; 1/2 da população usa o SUS e 1/3 Plano de Saúde; 7 em 100 pessoas foram hospitalizadas; As internações decrescem como aumento da renda.

12 TRABALHO Trabalho é entendido como todo o esforço pelo qual o homem, no exercício de sua capacidade física e mental, age para atingir seus objetivos em consonância com princípios éticos.

13 TRABALHO Aspecto Individual O trabalho é uma maneira de engrandecer a vida e não deve se transformar pelo modo como é realizado e pelas condições do ambiente em que é executado, num caminho para a invalidez ou para o encurtamento da vida. Aspecto Social Socialmente considerado, é um dos imperativos da vida coletiva, cuja subsistência exige o esforço comum para o seu desenvolvimento, e, por conseguinte, reclama da atividade humana um labor eficiente para o aumento das fontes de riqueza expressa pela produção. Aspecto Jurídico A Constituição de 1988 consagrou a saúde como direito de todos e dever do estado criando princípios que devem ser respeitados pela legislação trabalhista garantindo aos trabalhadores condições seguras e salubres nos ambientes de trabalho. Até o momento não houve a adaptação da CLT aos postulados constitucionais. Por isso a CLT deve ser corrigida e atualizada.

14 TRABALHO Competição Global Em meados do século XX imaginou-se que no final dele as pessoas trabalhariam menos e disporiam de um tempo maior para lazer, as artes, a natureza e a família. A competição global levou a adoção da prática do melhor resultado ao menor custo possível: instalou-se o downsizing, a terceirização, a reengenharia, just-in-time processos que levaram à redução de pessoal. Quem ficou teve suas obrigações aumentadas e passou a trabalhar muito mais.

15 TRABALHO Valorização do Trabalhador O desenvolvimento empresarial e social precisa de pessoas competentes em todas as atividades. Vivemos uma era na qual o conhecimento é valorizado e investir no próprio capital intelectual é tão ou mais importante que investir no mercado financeiro. Reformulação do Comportamento Tendo-se colocado a si mesmo como centro exclusivo e único da vida, perdeu o homem padrões superiores de referência, desenvolvendo, dessa forma, uma atitude egoísta e destrutiva do seu meio ambiente e de seus semelhantes. Assim, vivemos não somente uma crise econômica, política ou social, mas fundamentalmente uma crise moral e ética.

16 TRABALHO Participação A participação é considerada como um processo que oferece àqueles que a ela se entregam um papel decisivo na elaboração das decisões e na execução dos programas de prevenção dos infortúnios do trabalho. Ela é encarada como um elemento essencial no relacionamento interpessoal da organização, não só como um meio, mas também como um fim como um instrumento de tomada de consciência para a preservação da saúde e da vida. Desafios Globais Os desafios impostos ao nosso País, em decorrência de seu próprio processo de evolução e, conseqüente, maior interdependência com a economia mundial, estão a exigir um número cada vez maior de profissionais e trabalhadores convenientemente qualificados e ajustados para o desempenho do trabalho.

17 REVOLUÇÃO? PORQUÊ? A Temporalidade e o Homem Quem não conhece a história, não faz a história. Uma afirmação do Engº André Lopes Netto, companheiro de muitas jornadas. A história só não será uma sucessão de acontecimentos sem ordenação e desprovidos de sentido, se não for a expressão de uma determinação, do conjunto de vontades e da defesa da liberdade, isto é, quando há evidente possibilidade da razão, ser a condutora do lento progresso da humanidade.

18 REVOLUÇÃO? PORQUÊ? Marco Definidor A Revolução de que estou falando é o marco que define a disposição moral para o progresso por parte da comunidade de trabalho no Brasil. Ela tem sua razão de ser no combate às condições adversas do trabalho em sua ação agressiva sobre os trabalhadores.

19 A NOVA ORDEM MUNDIAL O Mundo em Crise A situação que se viveu no mundo por cerca de 50 anos, manteve em segundo plano uma série de problemas vitais para a sobrevivência da humanidade, pelo menos nos padrões que o ocidente desenvolveu e nos quais estamos inseridos e habituados. Com o fim do conflito, tais problemas: acesso a bens essenciais ao desenvolvimento, crescimento demográfico e seus reflexos no meio ambiente, rebeliões étnicas, fronteiras políticas, graves epidemias, desemprego e, mais que todos, as desigualdades sociais afloraram no primeiro plano das preocupações também daqueles que se interessam pela saúde dos trabalhadores.

20 A NOVA ORDEM MUNDIAL A Globalização A globalização hoje dominante parece irreversível, foi facilitada pela capacidade de pesquisa das universidades subsidiadas por elas, o enorme desenvolvimento dos meios de transporte e, sobretudo dos meios de comunicação. A produção em massa de bens de consumo, beneficiando-se das vantagens de escala, não teria sido possível sem os atuais meios e custos de transporte e sem a padronização de gostos, costumes e a moda que a disseminação universal da informação e da propaganda propicia. Não nos esqueçamos das padronizações estabelecidas pelas ISO.

21 A NOVA ORDEM MUNDIAL Resumo de uma situação complicada Vejamos a posição do Brasil no mundo atual e o seu avanço social. Status Social No ano 2000 Brasil México China Índia População (milhões) População urbana (%) Índice de desenvolvimento humano (1999) PIB per capita, PPP (%) Mortalidade Infantil (a cada nascidos) Escolarização (%) Progresso social no Brasil Ano Pobreza (%) Pobreza extrema (%) Mortalidade Infantil (a cada 1000 nascidos) Expectativa de vida (anos) Escolarzação Fonte: Banco Mundial e IPEA/IBGE

22 DISCIPLINA LEGAL Princípios O ajustamento e a organização social foram os processos de recuperação da qualificação do trabalhador, em que os Governos e o Estado tiveram que abandonar a sua cômoda posição política liberal e tomar firme diretriz na questão trabalhista e social, quando as correntes socialistas, principalmente as do socialismo científico, ameaçaram solapar as bases do capitalismo.

23 DISCIPLINA LEGAL Esforços que objetivaram encontrar soluções para a questão operária - O Capital _ Karl Marx/ Rerum Novarum - Papa Leão XIII/ Declaração Universal dos Direitos do Homem - ONU/48 - A OIT e OMS se reunem em Genebra/57 - estabelecem conceitos básicos

24 DISCIPLINA LEGAL Situação no Brasil O quadro de cobertura da prevenção dos riscos do trabalho veio modesta e gradativamente se completando no Brasil, não em nível de uma real efetividade, mas no que respeita a sua disciplinação legal, com lacunas em termos de conceituação e de aplicação. Desse modo, o movimento em prol da saúde das pessoas em suas ocupações e de melhores condições de trabalho começou a se corporificar como um movimento social depois da Primeira Grande Guerra, quando a comunidade política e trabalhista assim o consideraram como um direito natural.

25 DISCIPLINA LEGAL Situação no Brasil Constituição Federal A Consolidação das Leis do Trabalho e as Normas Regulamentadoras ( criada e aprovada na época de Getúlio Vargas/1943) Decreto de 25/07/1972 que tratava do Programa Nacional de Valorização do Trabalhador Portaria 3237 de 17/07/1972 do Ministério do Trabalho Portaria nº 3214 de 8/06/1978 que aprovou as Normas Regulamentadoras (NR), Portaria nº 3067 de 12/04/1988 que aprovou as Normas Regulamentadoras sobre trabalho rural Legislação Previdenciária e Acidentária Lei Orgânica da Saúde/1990 Conselho Federal de Medicina

26 Brasil Colonial Povoado inicialmente por um número de aproximadamente dois milhões de indígenas, o Brasil assiste a chegada dos portugueses em Abandonando a terra aos especuladores particulares, que a princípio eram atraídos pelo Pau-Brasil (ibirapitanga, arabutã dos indígenas), a região começou a ser conhecida pelo nome dessa madeira vermelha dada pelos portugueses, assim como aqueles que lidavam com tráfico do produto, passaram a ser conhecidos como brasileiros.

27 Brasil Colonial - A chegada dos escravos negros A convivência dessas três etnias foi marcada por graves e sangrentos conflitos, devido as grandes divergências e preconceitos existentes naquela época. Os negros estavam desenraizados de sua cultura e escravizados. Os indígenas assistiam ao deplorável espetáculo que consistia no desmoronamento de seus hábitos e costumes. Juntando-se a isso, os colonizadores de caráter voluntarioso, o resultado era um número constante de mortes devido aos conflitos.

28 Brasil Colonial Os escravos nos canaviais e Engenhos Olhando para o passado remoto - o Brasil Colonial - vamos encontrar, principalmente, a figura do negro escravo trabalhando nos canaviais e engenhos. Os escravos se amontoavam nas senzalas em péssimas condições de higiene e salubridade. Portugal era visto no mercado mundial como principal produtor de açúcar e os engenhos brasileiros produziam acima de arrobas (1 arroba = 15 quilos) anuais desse produto. E existe o relato de casos em que, se inadvertidamente, algum deles deixava entrar a mão na boca da moenda, o feitor lhe decepava o braço, com um machado, de modo a evitar que a máquina o engolisse.

29 Brasil Colonial - Primeiras manifestações trabalhistas Contudo, já nesta época podem ser identificados, os primeiros movimentos de cunho trabalhista, sem o sentido moderno de reivindicar direitos amparados em lei, mas, somente, no de se instituir algumas vantagens ou melhorias de condições de vida, fosse ocupacional ou social Em 1713, no Piauí, liderado por um índio batizado de Manuel; Durante a ocupação holandesa e por volta de 1640; Em 1720, reivindicações, protestos e insubordinação ocorridos em Minas Gerais, liderados por Felipe dos Santos (executado e esquartejado por ordem do Conde de Assumar); Em 1791, a paralisação dos trabalhadores da Casa de Armas do RJ.

30 A Monarquia no Brasil Primeiro Grande acidente de Trabalho Por volta de 1765, no Distrito Diamantino, um dique erguido para extração de diamantes do leito do rio, arrebentou e matou sessenta negros que trabalhavam no local. Foi o primeiro grande acidente do trabalho registrado na história da mineração em Minas Gerais e no Brasil.

31 A Monarquia no Brasil Revolução Industrial e Ramazzini Mas vale prevenir do que remediar Coincidentemente é a época da publicação do livro de Adam Smith O Inquérito sobre a Natureza e Causa da Riqueza das Nações (1.776). Trazemos esse fato para mencionar que ao criticar os problemas de salário e produção, esse célebre economista e escritor, ocupa uma página inteira de seu livro sobre economia, com considerações relativas a influência dos problemas de saúde dos trabalhadores sobre a produção. Ele refere especificamente a obra de interesse médico-social De Morbis Artificum Diatriba de Bernardino Ramazzini (Modena 1.700).

32 A Monarquia no Brasil Com o estímulo de D. João VI o trabalho de naturalistas, artistas, cientistas foi, grandemente favorecido, eles percorriam o Brasil revelando seus segredos ao mundo. Foi dessa época (1808) a criação da Escola Superior de Matemática, Ciências, Física e Engenharia; a Escola Médico-Cirúrgica; A Imprensa Régia; o Jardim Botânico e o Real Hospital Militar. A seguir veio a Real Biblioteca e a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios (1816). Em dez anos a população do Rio de Janeiro que era de habitantes passou para mais de

33 A Monarquia no Brasil Derrotado Napoleão e com a normalidade que voltou a Europa, não havia mais justificativa para permanência da corte no Brasil. Com o apoio das províncias que não desejavam a recolonização D. Pedro I proclama a independência do Brasil em 7 de setembro de 1822 e a organização do estado Monarquista brasileiro. A maioridade de D.Pedro II foi declarada em 23 de julho de 1840 quando tinha quatorze anos.

34 A Monarquia no Brasil A primeira norma sobre Acidente de Trabalho Código Comercial de 1850, sob a influência européia: Os acidentes imprevistos e inculpados, que impedirem aos prepostos o exercício de suas funções, não interromperão o vencimento de seu salário, contanto que a inabilitação não exceda três meses contínuos. Lançava-se no Brasil, a primeira semente de proteção social ao trabalhador brasileiro.

35 A Monarquia no Brasil Governo D. Pedro II Em 28/09/1871 veio a chamada Lei do Ventre-Livre. Surgiram várias organizações de caráter assistencial aos trabalhadores, como a Caixa de Pensão dos Carpinteiros, com vistas a proteger e amparar os trabalhadores incapacitados. Fundava-se no Rio de Janeiro a Liga Operária e a União Operária dos Trabalhadores do Arsenal de Marinha, como tímidas manifestações do espírito associacionista urbano e reivindicador de certos trabalhadores livres. Há notícia de que nesta mesma época foi fundada uma União Operária congregando trabalhadores de várias categorias, com o propósito de promover trabalho livre e digno. Essas foram manifestações iniciais do posterior surgimento do movimento sindical.

36 A Monarquia no Brasil Influência das Migrações Entretanto a ampla utilização de mão-de-obra e a corrente imigratória iniciada por volta de 1850 e que se prolongaria até meados do século seguinte, constituída principalmente de europeus (portugueses, espanhóis, italianos e alemães), de sírios e libaneses, aliada aos interesses agro-exportadores, permitiu que a empresa brasileira tivesse um relativo crescimento e se iniciasse alguma preocupação com o combate e a prevenção de umas poucas doenças endêmicas

37 República Trabalhos Médicos de Destaque São desta época alguns trabalhos médicos que advertiam sobre os perigos para a Saúde Pública de determinados procedimentos, que eram levados a efeito nas pequenas fábricas que se espalhavam pelas cidades. Algumas teses: Em 1850, autor Dr. José do Nascimento Garcia de Mendonça, com o título: Das fabricas de charuto e de rapé, da Capital e dos arrebaldes Em 1852, o Dr. Antônio do Nascimento Silva tratou do seguinte tema: Que moléstias predominarão naqueles que se empregam nas fábricas de tabaco e charutos? Teve várias outras, todas oriundas da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro.

38 República Com a República opera-se a primeira grande transformação no Estado brasileiro. No plano social, amplia-se a classe média urbana, compondo a burocracia e as forças armadas. No plano político, intensifica-se o discurso de protesto regional e ganham voz as idéias republicanas e federalistas. A abolição do trabalho escravo afeta gravemente os interesses agro exportadores e o patriarcado rural se desinteressa pelo Império, aspirando mesmo sua substituição. O Estado Imperial, cumprida sua missão, dissocia-se das forças sociais em que se apoiara, perdendo sentido histórico e capacidade de decisão.

39 República Incipiente estrutura industrial Havia, na época, 636 fábricas empregando 54 mil operários. Destas, 60% eram indústrias têxteis, 15% indústrias alimentícias, 10% indústrias químicas, 4% de madeiras, 3,5% de vestuário, 3% metalúrgicas. As condições de trabalho nas fábricas eram duríssimas; muitas das estruturas, que abrigavam as máquinas, não haviam sido originalmente destinadas a essa finalidade; além de mal iluminadas e mal ventiladas, não dispunham de instalações sanitárias. As máquinas se amontoavam uma ao lado das outras, e suas correias e engrenagens giravam sem proteção alguma.... (A industrialização de São Paulo, de W. Dean).

40 República Interesse pelos Trabalhadores O Chefe do Governo Provisório, Marechal Deodoro da Fonseca, criou em 17 de Janeiro de 1891, pelo Decreto nº. 1313, a chamada Inspeção do Trabalho com a finalidade de verificar unicamente as condições de trabalho das crianças nas fábricas, mas a questão mais abrangente da proteção à saúde no trabalho só viria a ganhar atenção por meio do Decreto nº , de 31 de Dezembro de 1923.

41 República Antonio Neves da Rocha Nesse período, cabe destacar a figura do médico oftalmologista Antônio Neves da Rocha, ( ) precursor dos estudos sobre Medicina do Trabalho e da Medicina Social que, no Rio de Janeiro a partir de 1905 e por muito tempo, bateu-se pela implantação de uma lei acidentária e pelos cuidados com a visão no trabalho e que recebeu, merecidamente, o cognome de Ramazzini Brasileiro. Título esse que, por direito e tradição, lhe pertence e que é um dever de nossa parte aqui relembrar, para que nunca lhe seja indevidamente usurpado pela vaidade de exploradores da boa-fé de alguns poucos colegas, desconhecedores da História.

42 República Saúde Pública A relação entre o trabalho e a saúde no Brasil, tem sido disciplinada pelo Estado através de políticas sociais, que conformam um quadro institucional e uma legislação específica, cuja configuração começa a se definir no começo de 1900.

43 República Sanitaristas Oswaldo Cruz a oportunidade de combater a febre amarela/1902 Emílio Marcondes Ribas em São Paulo.

44 República A luta pelo direito trabalhista Movimentos arrasados ferozmente pelas forças policiais a soldo das oligarquias dominantes, ainda de origem agrária, e ainda fechadas às novas idéias que surgiam principalmente na Europa. Eram movimentos paredistas envolvendo reivindicações trabalhistas específicas como fixação de jornada de 8 horas de trabalho, repouso semanal remunerado, proibição de trabalho de menores de 14 anos, pagamento de salário mínimo e reconhecimento das associações de trabalhadores.

45 República A gripe espanhola Em 1918 acontece a grande epidemia da gripe espanhola que só no Rio de Janeiro fez cerca de mortos. Voluntários e presidiários faziam nos cemitérios às vezes dos coveiros, em número insuficientes ou então, eles próprios, vítimas da epidemia para enterrar tanta gente. Grandes valas de cerca de 300 metros foram abertas para receber os cadáveres que eram transportados amontoados, em caminhões e bondes da Light, após serem recolhidos no meio-fio das ruas.

46 República Com o final da Primeira Grande Guerra em 1918, o Estado começa a intervir nas relações de trabalho. A partir de 1919, a saúde do trabalhador aparece como questão social e passa a despertar interesse e preocupações nas diversas áreas que compõem o Governo. A indústria evoluía, novos processos perigosos eram introduzidos nas fábricas, novas máquinas traiçoeiras eram instaladas. Em 15 de janeiro de 1919 foi aprovado o Decreto Legislativo nº 3.724, sancionado pelo Presidente Delfim Moreira, tornando compulsório o seguro dentro da chamada Teoria do Risco Profissional.

47 República Surge em Genebra (1918), dentro da Liga das Nações ao final da 1ª Grande Guerra, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) como um produto do Tratado de Versalhes, mas também como resultado do movimento organizado internacionalmente pelos trabalhadores para defesa de seus direitos.

48 República Carlos Chagas Marco importante na evolução sanitária brasileira foi a reforma promovida por Carlos Chagas na estrutura da Saúde Pública brasileira, pois ao reorganizar os seus serviços pelo Decreto Legislativo nº 3.987, de 2 de janeiro de 1920, criou o Departamento Nacional de Saúde Pública através do qual se integrou, no conceito oficial da saúde, as atividades de medicina do trabalho e salubridade ambiental. Ampliava-se, assim, o campo de proteção à saúde do trabalhador brasileiro.

49 República Primeiro livro - Patologia no Trabalho Eu ignorava que eras assim, meu caro Jeca, por motivo de doenças tremendas. Está provado que tens no sangue e nas tripas todo um jardim zoológico da pior espécie. Jeca Tatu - Monteiro Lobato

50 República Prof. João de Barros Barreto Em 1925, começou a funcionar a disciplina de Higiene Industrial no Curso de Saúde Pública da Faculdade Nacional de Medicina, no Rio de Janeiro, ministrada pelo Prof. João de Barros Barreto, pioneiro do ensino da Medicina do Trabalho e da Salubridade Ambiental no Brasil.

51 República Era Vargas Nas mudanças efetuadas pela Revolução de 1930 são criados, pelo Decreto n.º de 23/11/30, o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, e, pelo Decreto de 14/11/30, o da Educação e Saúde. Cria-se pelo Decreto n.º , de 4/2/1931, o Departamento Nacional do Trabalho. Lei da Sindicalização de 1931 (Decreto ).

52 República - Era Vargas Conquistas trabalhistas O movimento grevista, ao contrário do que diz a história oficial, foi intenso durante esse período e, como conseqüência, os trabalhadores conquistaram inúmeras vantagens trabalhistas, como a lei das férias, descanso semanal remunerado, jornada de 8 horas, regulamentação do trabalho da mulher e do menor etc. Frise-se que algumas dessas leis já existiam mesmo antes de 1930, porém limitadas a algumas categorias como ferroviários e portuários.

53 República - Era Vargas Inspetores Médicos do Trabalho Foi criado, então em 1934, o cargo de Inspetor Médico do Trabalho no Ministério do Trabalho com atribuições de administrar os problemas de saúde de uma razoável parcela da população, os trabalhadores

54 República - Era Vargas O Estado Novo e a Ditadura Prevalece, no ciclo fechado que vai de 1937 a 1945, visão orgânica do Estado e da Sociedade comandados ambos por um presidente soberano. É a época de Lindolfo Collor e da criação das bases da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que se consolidaria em 1943.

55 República - Era Vargas Prof. Dr. Benjamin Alves Ribeiro Em 1934 começa a funcionar, no Instituto de Higiene da Universidade de São Paulo, a cadeira de Higiene Industrial, da qual é titular o médico Prof. Dr. Benjamim Alves Ribeiro.

56 República - Era Vargas Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes -ABPA Em 1941 começa a funcionar, no Rio de Janeiro, a Associação Brasileira de Prevenção de Acidentes (ABPA), formada por um grupo de indústrias capitaneadas pela Light and Power. Tinha como objetivo principal difundir as práticas da prevenção de acidentes, principalmente os do trabalho. Médico do Trabalho O decreto-lei nº de 9 de maio de 1944 criou a carreira de Médico do Trabalho no Quadro Único do Ministério do Trabalho Indústria e Comércio, era o começo do reconhecimento oficial da atividade.

57 República - Era Vargas Associação Brasileira de Medicina do Trabalho - ABMT No dia 14 de dezembro de 1944 compareceram ao auditório do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio na cidade do Rio de Janeiro, na época capital da República, cerca de 34 médicos e engenheiros, para discussão dos estatutos e eleição da Diretoria da Associação Brasileira de Medicina do Trabalho - ABMT - idealizada pelo sanitarista Décio Parreiras.

58 República - Era Vargas 2a. Guerra Durante a 2ª Grande Guerra acentuaram-se as contradições da ditadura Vargas, pois se, por um lado, apoiava as nações aliadas nas ações de guerra, por outro mantinha um governo com características fascistas.

59 República SESI Em 1946, começou a funcionar em São Paulo, através de legislação própria, o Serviço Social da Indústria (SESI), organização destinada a prestar assistência social e a saúde para os trabalhadores da indústria, particularmente da média e pequena empresa.

60 República Industrialização Vive o país um segundo surto de industrialização, com indústrias de base e, posteriormente, indústrias de bens de consumo - o automóvel, como marca desse período.

61 República A volta de Getúlio Eleito para a Presidência da República em 1950 e empossado em 31 de Janeiro de Reforçam-se revigorados pelo voto, o populismo e o nacionalismo e, à sua frondosa sombra floresce o estatismo. Surge a Petrobras com a Lei 2004 em outubro de Na mesma época propõe-se a criação da Eletrobrás.

62 República O fim de Getúlio Eu era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não será mais escravo de ninguém Eu vos dei minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História. (Getúlio Vargas)

63 República Atividades médicas nas empresas A prática da Medicina do Trabalho, no seu aspecto propriamente médico, pode se avaliar nessa época pelos serviços que se desenvolviam nas empresas. O inquérito preliminar do Estado do Rio verificou que em 90% das indústrias que desenvolviam algum tipo de atividade médica, a Medicina do Trabalho lhes era estranha ou ignorada em seus objetivos.

64 República Década de 50 Na década de 1950, o país já contava com um razoável parque industrial e com uma sociedade estruturada diferentemente da década de Já estava socialmente mais definida uma classe média e os trabalhadores urbanos começaram a reivindicar maior participação política e melhores condições de trabalho.

65 República Governo Juscelino Com o slogan cinqüenta anos de progresso em cinco anos de governo, Juscelino dirigiu a política econômica incentivando a entrada de capital estrangeiro e de novas tecnologias no país. Sua mensagem é o otimismo e a confiança, e seu símbolo: Brasília.

66 República Governo Juscelino Para as massas trabalhadoras urbanas mantém-se a tutela - por intermédio do Vice-Presidente João Goulart, herdeiro de Vargas e de suas organizações sindicais - associada à política salarial generosa, mas sem nenhum cuidado ou planejamento com a infraestrutura social. Proliferam as favelas e a marginalização por falta de estrutura nas cidades para receber as migrações internas estimuladas pela industrialização e pelo surto crescente da construção civil. Muitos dos problemas que ainda hoje preocupam os profissionais de medicina do trabalho e salubridade ambiental começaram a ser pesquisados nesta década: absenteísmo, doenças profissionais; silicose, asbestose, intoxicações por produtos químicos; exames periódicos; limites de exposição a agentes insalubres; alcoolismo; reabilitação profissional, etc.

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