DELIBERAÇÃO DO CONSELHO DIRECTIVO DA ENTIDADE REGULADORA DA SAÚDE (VERSÃO NÃO CONFIDENCIAL) I INTRODUÇÃO

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1 DELIBERAÇÃO DO CONSELHO DIRECTIVO DA ENTIDADE REGULADORA DA SAÚDE (VERSÃO NÃO CONFIDENCIAL) I INTRODUÇÃO Considerando as atribuições da Entidade Reguladora da Saúde (doravante ERS) conferidas pelo artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 127/2009, de 27 de Maio; Considerando os objectivos da actividade reguladora da ERS estabelecidos no artigo 33.º do Decreto-Lei n.º 127/2009, de 27 de Maio; Considerando os poderes de supervisão da ERS estabelecidos no artigo 42.º do Decreto-Lei n.º 127/2009, de 27 de Maio; Visto o processo registado sob o n.º ERS/085/10; II DO PROCESSO A. Da reclamação 1. No dia 12 de Outubro de 2009, deu entrada na ERS a reclamação n.º, subscrita por J., visando as instalações do prestador António Manuel de Albuquerque Pereira Machado. Concretamente, alega o reclamante: a) Falta de acessibilidade; b) Necessidade de subir três lanços de escadas com a sua mãe ao colo. 1

2 B. Das alegações da entidade reclamada: 2. Instada a pronunciar-se sobre os factos alegados, a entidade António Manuel de Albuquerque Pereira Machado veio informar o seguinte: a) A utente é normalmente atendida noutra clínica na qual o problema das acessibilidades não se coloca; b) A utente foi informada aquando da marcação da inexistência de elevador ou meio ou outro meio alternativo de acesso; c) Os três lanços de escadas são curtos e muito acessíveis, equivalentes a um primeiro andar; d) Não se verifica qualquer violação das normas técnicas de acessibilidade. C. Da contestação do reclamante: 3. O reclamante não se conforma com os factos alegados pelo prestador, os quais impugna. III Das diligências adoptadas pela ERS A. Da acção da fiscalização: 4. No âmbito da instrução do processo ERS_085_10, a correr termos no DPQ, foi decidida a realização de uma fiscalização às instalações onde se encontra sedeado o consultório médico do Dr. António Manuel de Albuquerque Pereira Machado, sito no Largo Machado de Assis, 1 C, Escritório 3, Lisboa. 5. No dia 15 de Dezembro de 2010, uma comissão composta por dois elementos representantes da ERS, colaboradores directos do Departamento de Protecção da Qualidade e Direitos dos Cidadãos (DPQ) da Entidade Reguladora da Saúde, dirigiuse às instalações visadas na exposição. 2

3 6. Solicitada a apresentação do Livro de Reclamações confirmou-se que aquele livro foi adquirido pelo prestador, com termo de abertura datado de 19 de Novembro de 2008, sendo titulado por Pereira Machado, Serviços Clínicos, Lda.. 7. Constatou-se ainda que o letreiro correspondente à existência do livro de reclamações, identificando a entidade para onde devem ser remetidas as reclamações, se encontrava em local público, junto da recepção, constando a ERS como entidade competente. 8. O Dr. A., médico oftalmologista, sócio gerente da entidade fiscalizada e director clínico da mesma, respondeu com prontidão aos esclarecimentos solicitados, tendo sido notório o espírito de colaboração. 9. No que concerne à qualidade das instalações e serviços prestados, verificou-se que: a) O consultório funciona em edifício moderno, composto por rés-do-chão e vários andares, situando-se numa secção comercial do mesmo, com acesso pelo piso térreo a uma galeria de entrada, após a qual existe uma escadaria em forma de U, ampla e segura que dá acesso ao primeiro piso onde se encontra a clínica. Não existe qualquer acesso por elevador ou com facilidades para pessoas com mobilidade condicionada; b) Situa-se em meio físico salubre; c) As instalações têm áreas adequadas, respeitando as normas de segurança, higiene, conforto e respeito individual pelos utentes; d) O consultório dispõe de recepção e sala de espera; e) O consultório possui duas salas de observação e tratamentos, sendo uma com lavatório; f) Possui uma instalação sanitária, não adaptada para pessoas com mobilidade condicionada e não separada por sexos; 3

4 g) As instalações têm paredes revestidas por material lavável e o chão é forrado por material lavável e antiderrapante; h) Possui climatização, nomeadamente ar condicionado; i) Possui segurança contra incêndios e intrusão; j) Verificou-se a existência de extintores de incêndio; 10. No que concerne aos procedimentos de higiene e gestão de resíduos, verificou-se que: a) Cumpre as regras existentes para o armazenamento e acondicionamento dos materiais esterilizados; b) Possui sistema de gestão de resíduos; c) O material de uso clínico é actualizado e, quando necessário, descartável e de uso único. d) Procede-se à utilização de materiais esterilizados e dentro dos prazos de validade; e) A marquesa é protegida com papel renovável e desinfectadas entre cada utilização; 11. No que concerne à organização e funcionamento, verificou-se que: a) O consultório possui identificação em tabuleta exterior com o nome do director clínico; b) Possui Regulamento Interno; 12. Da análise dos factos relatados aparenta apenas ser necessária a implementação de um sistema de acesso ao piso em que se encontra o consultório que permita a acessibilidade para pessoas com dificuldade de mobilidade física, bem 4

5 como promover a adaptação da instalação sanitária à utilização por pessoas com mobilidade condicionada. 13. Salienta-se, ainda, que o nosso interlocutor se manifestou sempre cooperante, receptivo a acatar todas as recomendações emitidas por esta entidade, imprescindíveis à prestação de cuidados de saúde com qualidade. A) Da documentação recolhida: 14. No intuito de promover a cabal instrução do presente processo de inquérito no que à idade de construção do imóvel diz respeito e consequente enquadramento na legislação aplicável em termos de acessibilidade, foi diligenciado junto do prestador o envio da seguinte documentação, por meio de ofício remetido a : a) Alvará de licença de utilização do imóvel; b) Caderneta predial do imóvel; c) Cópia da escritura de compra venda do imóvel. 15. Com efeito, procedeu o prestador ao envio da caderneta predial urbana do imóvel e cópia da escritura de compra e venda do mesmo, permitindo assim esclarecer que este é propriedade da sociedade Pereira Machado Serviços Clínicos, Lda., da qual o prestador António Manuel de Albuquerque Pereira Machado é sócio maioritário e gerente, o que afasta a possibilidade da ocupação do imóvel se realizar a título de arrendamento. 16. No que concerne ao alvará de licença de utilização, o prestador veio aos autos informar que já anteriormente havia solicitado emissão do mesmo junto dos serviços camarários competentes, tendo ocorrido um lapso por parte dos referidos serviços que implicou a não inclusão na descrição do documento do piso onde se encontra implantado o imóvel em questão (piso 2), mas tão só informação relativa aos pisos 0 e 1 do edifício. 17. Nesse sentido informa já ter procedido ao pedido de emissão de novo alvará de licença de utilização, cujo comprovativo junta, bem como cópia do anterior alvará incompletamente emitido. 5

6 18. Da análise da documentação recolhida, mormente do alvará de licença de utilização, podemos concluir que o alvará de licença de construção que titula o edifício em questão, data de 2002, conforme número de processo 202/C/2002, cuja data de emissão é de 06/09/2002, o que releva para efeitos de aplicação do Decreto-Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto, o qual tem por objecto a definição das condições de acessibilidade a satisfazer no projecto e na construção de espaços públicos, equipamentos colectivos e edifícios públicos e habitacionais. IV Da análise factual e enquadramento jurídico 19. Nos termos do disposto no n.º 1 e n.º 2 do art. 3.º e n.º 1 do art. 8.º do Decreto-lei n.º 127/2009, de 27 de Maio, cabe no âmbito das atribuições da ERS a regulação e supervisão da actividade e funcionamento dos estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, do sector público, privado e social. 20. A entidade António Manuel de Albuquerque Pereira Machado, enquanto prestador de cuidados de saúde, está sujeita à regulação da ERS. 21. Concretizando o art. 33.º alíneas a) e c) do citado diploma que, entre outros, são objectivos da actividade reguladora da ERS em geral: - Velar pelo cumprimento dos requisitos do exercício da actividade dos estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde; - Garantir os direitos e interesses legítimos dos utentes. 22. A concretização dos poderes regulatórios da ERS, pressupõem a averiguação do cumprimento dos requisitos legais atinentes ao funcionamento e actividade do estabelecimento denunciado, da qualidade dos cuidados de saúde prestados e consequentemente da salvaguarda dos direitos dos utentes, pelo que foram adoptadas diligências de natureza distinta. 23. Especificamente, no que à temática em análise diz respeito, cumpre determinar que, de acordo com o disposto no art. 6.º, n.º 2º, alínea d), do Decreto-Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto as normas técnicas sobre acessibilidade se aplicam aos consultórios médicos. 6

7 24. Por outro lado, dispõe o n.º 2, do art.º 9 º do referido diploma, que os edifícios cujo início de construção seja posterior a 22 de Agosto de 1997, são adaptados, às exigências legalmente estabelecidas em termos de acessibilidade, dentro de um prazo de cinco anos contados a partir da data de início da vigência do referido decreto-lei. 25. A leitura do alvará de licença de utilização do imóvel em questão, especificamente o número de processo do alvará de licença de construção, n.º 202/C/2002, cuja data de emissão é , permite-nos inferir que o caso em análise se subsume ao supra citado art.º 9º, n.º 2 do Decreto-Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto. 26. Por outro lado, o art.º 26º, do mesmo decreto-lei, refere que este entra em vigor seis meses após a sua publicação, a qual ocorreu a 8 de Agosto de 2006, o que implica que a entrada em vigor se efective a 8 de Janeiro de Ora, de acordo com o vindo de expor, resulta que o prazo de adaptação do imóvel em questão se encontra ainda em vigor, apenas findando em Janeiro V Decisão 28. No seguimento da acção de fiscalização efectuada, constatada a inexistência de acessibilidade alternativa aos três lanços de degraus existentes desde a entrada do edifício até à entrada das instalações onde funciona o consultório médico, detectada a inexistência de instalação sanitária adaptada a pessoas com mobilidade condicionada, o que constitui violação ao disposto no Capítulo 2, secção e secção do anexo ao Decreto-Lei n.º 163/2006 de 8 de Agosto, respectivamente, ponderada a vigência do prazo legal para a adaptação do imóvel em análise, o Conselho Directivo da ERS delibera, nos termos e para os efeitos do preceituado no artigo 42.º, alínea b), do Decreto-Lei n.º 127/2009, de 27 de Maio, emitir uma Recomendação a António Manuel de Albuquerque Pereira Machado, nos seguintes termos: a) O prestador António Manuel de Albuquerque Pereira Machado deve adaptar as suas instalações, sitas no Largo Machado de Assis, 1C, Escritório 3, Lisboa, à legislação em vigor em matéria de promoção de acessibilidades, 7

8 Decreto-Lei n.º 163/2006, de 8 de Agosto, de modo a assegurar o acesso de pessoas com mobilidade condicionada, nomeadamente: a. Promovendo a instalação de rampa, plataforma elevatória ou equipamento equivalente susceptível de constituir alternativa ao lanço de escadas que condiciona o acesso desde a entrada do edifício até à entrada do consultório; b. Diligenciando pela adaptação da instalação sanitária de utilização geral a pessoas com mobilidade condicionada. b) O prestador António Manuel de Albuquerque Pereira Machado está obrigado, findo o prazo legalmente fixado para o efeito Janeiro de , a comunicar à ERS o teor das alterações levadas a cabo no sentido de dar cumprimento à presente recomendação 29. Mais se delibera o arquivamento do presente processo de inquérito e abertura de processo de monitorização com vista à realização de nova acção de fiscalização decorrido o período legalmente fixado para a introdução das alterações recomendadas Janeiro de A presente deliberação será publicitada no sítio oficial da Entidade Reguladora da Saúde, na Internet. O Conselho Directivo 8

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