EFEITOS ISOLADOS E CONJUNTOS DA MAMONEIRA (Ricinus communis L.), EM FUNÇÃO DE NITROGÊNIO E TEMPERATURA NOTURNA EM AMBIENTES DIFERENTES

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1 EFEITOS ISOLADOS E CONJUNTOS DA MAMONEIRA (Ricinus communis L.), EM FUNÇÃO DE NITROGÊNIO E TEMPERATURA NOTURNA EM AMBIENTES DIFERENTES Wilton Nunes de Queiroz1, Uilma Cardoso de Queiroz2, Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão, Renilson Targino Dantas4 1 UFCG, 2UFPB, Embrapa Algodão, 4UFCG, RESUMO - A mamoneira (Ricinus communis L.) é uma oleaginosa bastante tolerante à seca, heliófila, pertencente à família das Euforbiáceas. Objetivou-se verificar e quantificar efeitos isolados e conjuntos dos fatores adubação nitrogenada e temperatura noturna, com elevada umidade relativa do ar, simuladas em câmara de crescimento, frente ao ambiente natural de Campina Grande, PB. Conduziuse o experimento em condições de ambiente natural e câmara de crescimento pertencente ao Centro Nacional de Pesquisa de Algodão CNPA EMBRAPA, em Campina Grande PB, nos meses de Julho e Agosto de Utilizou-se o delineamento de blocos ao acaso com quatro repetições e oito tratamentos, em distribuição fatorial, sendo os fatores quatro doses de Nitrogênio (0; 60; 120 e 180 kg/ha) e duas temperaturas noturnas alta (1 C) e baixa (entre 17 a 20 C). O crescimento inicial da mamoneira, cultivar BRS Paraguaçú, foi dependente da adubação nitrogenada e das condições ambientais impostas às unidades experimentais. Em condições controladas, há um estímulo ao crescimento vegetativo à medida que as condições do ambiente se aproximam do encontrado nas áreas litorâneas do Nordeste e se elevam a dose de nitrogênio até 180 kg/ha. INTRODUÇÃO Coiderada como uma planta de elevada tolerância à seca, a mamoneira é muito comum no semi-árido brasileiro. Apesar de apresentar o seu fitossistema de elevado nível de organização morfológico, é bastante seível a diversos fatores, entre eles o climático. De acordo com Larcher (2000) e Levitt (72), geralmente, o agente estressor leva a planta a sair da condição de normalidade do metabolismo e estabelecer um novo ponto de equilíbrio, sendo que a resposta da planta ao estresse. Apresenta um forte sistema radicular que coegue atingir uma profundidade superior a três metros (POPOVA e MOSHKIN, 86). Apesar do zoneamento da mamona para a região Nordeste do Brasil, contemplar a altitude, que deve ser de pelo menos 400 metros, além da precipitação pluvial, mínima de 500 mm/ano, com pelo menos quatro meses de chuvas, e temperatura média do ar entre 20 e 0 C, há escassez de informações sobre os efeitos da temperatura noturna e da umidade relativa do ar, à noite, no metabolismo e crescimento desta espécie, principalmente das novas cultivares, como é o caso da BRS Paraguaçú, recomendada pela Embrapa para o plantio em todo semi-árido, nos

2 municípios zoneados. Neste trabalho, objetivou-se estudar e quantificar os efeitos isolados e conjuntos dos fatores dose de nitrogênio e temperatura noturna baixa e elevada no número de folhas da mamoneira. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido em condições de ambiente natural e câmara de crescimento (Fig. 1) pertencente ao Centro Nacional de Pesquisa de Algodão CNPA EMBRAPA, em Campina Grande PB, nos meses de Julho e Agosto de Os dados de temperatura e umidade relativa do ar, no interior da câmara de crescimento, foram obtidos por um termohidrográfo. Na câmara de crescimento a temperatura média durante todo o experimento foi cotante a 0ºC e a Umidade Relativa também foi cotante a 70%, no período de 17 horas da tarde a 5 horas da manha. A variedade de mamona utilizada foi a BRS Paraguaçú. O delineamento experimental foi em blocos casualizados com quatro repetições e oito tratamentos, em distribuição fatorial, sendo os fatores quatro doses de Nitrogênio (0; 60; 120 e 180 kg/ha) e duas temperaturas noturnas alta (0 C) e baixa (21 C). Semanalmente foi avaliado a variável número de folhas, utilizando-se para análise, régua milimetrada e paquímetro. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os efeitos principais de temperatura e doses foram significativos em todas as datas analisadas, havendo interação entre esses fatores a partir dos 26 dias após a emergência (Tab. 1). A maior temperatura noturna favoreceu o aumento do número de folhas (Fig. 2), provavelmente por um estímulo no metabolismo da planta. Usando-se as épocas como variável independente, pode-se verificar que houve maior produção de folhas no ambiente simulado, sendo crescente a diferença entre os ambientes testados até aos 44 dias da emergência das plântulas (Figura ). O ambiente natural coiderado é o de Campina Grande-PB, com alta altitude (551m à nível do mar), temperatura noturna baixa, orvalho e umidade relativa do ar média; já o ambiente simulado em câmara de crescimento é aquele do litoral nordestino, baixa altitude, com temperatura noturna elevada (0 C). Este ambiente simulado favoreceu o crescimento vegetativo da mamoneira à semelhança do que vem sendo observado, em condições de campo, para algu cultivos de mamona em algumas localidades litorâneas com o plantio efetuado no período das chuvas. Nesses locais, a mamoneira cresceu demasiadamente, produzido abundante massa vegetativa e muito poucos frutos.

3 As doses de nitrogênio usadas aumentaram o crescimento vegetativo de forma crescente com a idade da planta (Fig. 4). Assim, o número de folhas foi ampliado à medida que aumentava a idade da planta e se incrementava a dose do nutriente. Dessa forma, as maiores doses permitiram a formação de maior biomassa vegetal no período analisado. A dosagem correta do nutriente no cultivo da mamona é de extrema importância. Em solos deficientes de nutrientes, a adubação correta aumenta a produtividade; entretanto, se as doses forem excessivas pode ocorrer crescimento excessivo, grande produção de biomassa e baixa produtividade. CONCLUSÃO O crescimento inicial da mamoneira, cultivar BRS Paraguaçú, foi dependente e alterado pela adubação nitrogenada e pelas condições ambientais impostas às unidades experimentais. Em condições controladas, há um estímulo ao crescimento vegetativo à medida que as condições do ambiente se aproximam do encontrado nas áreas litorâneas do Nordeste e se elevam a dose de nitrogênio até 180 kg/ha. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS EMBRAPA. BRS 188 (PARAGUAÇU). 99. (Folder); LARCHER, W. Ecofisiologia Vegatal. Capitulo 5, p São Carlos,2000. LEVITT, J. Respoes of plants to enviromental stresses. N ew York, USA: Academic Press p. POPOVA, G.M.; MOSHKIN, V.A. Botanical classification. In: MOSHKIN, V.A. (ed.). Castor. New Delhi: Amerind Publishing, Co. Put. Ltd. 86. p SEVERINO, L.S; CARDOSO,G.D.; VALE,L. S.;SANTOS.J.W. Método para determinação da área foliar da mamoneira. In: Revista Brasileira de Oleaginosas e fibrosas. Campina Grande, v.8,n.1,p.75762,jan-abr.2004.

4 (A) (B) Figura 1. Plantas condicionadas ao ambiente simulado (A) e ao ambiente natural (B) temperatura denominadas de Campina Grande, PB, Tabela 1. Resumos das análises de variância do número de folhas nas várias épocas de avaliação (dias após emergência), em função dos fatores temperatura ambiente e doses de Nitrogênio. Quadrado médio Épocas de avaliação(dias após emergência) ,5000 ** 205,01 ** 44,51 ** 258,781 ** 5,208 * 109,781 ** 266,6146 ** 6,8646 ** Fatores GL Temperatura (T) Doses (D) 1 TxD Tratamentos 7,08 9,9 Blocos Resíduos CV (%) 21 0,708 1,111 17,05 42,6979 ** 94,684 7,1146 5,051 21,61 : Não significativo pelo teste F a nível de 1 % de probabilidade ** : Significativo pelo teste F a nível de 1 % de probabilidade. * : Significativo pelo teste F a nível de 5 % de probabilidade. Ambiente Natural Ambiente Simulado 79,1146 ** 7,884 6,8646 9, ,87 81,8646 ** 216,4241 9,6146 9, ,8

5 Figura 2. Plantas da mamona nas duas condições de ambiente testadas em Campina Grande, PB, ambiente natural (ESQ) e ambiente simulado. Com temperatura noturna elevada, 0º C, tratamento (DIR), ambas com doses de Nitrogênio de 60 Kg/ha. 16 Número de Folhas T1 = 2, ,1699*X 4 R2 = 0, Épocas (dias após emergência) T1 = Ambiente natural T2 = Câmara de crescimento Figura. Número de folhas da planta (cm) até 44 dias da emergência em função da temperatura, nos ambientes natural e câmara de crescimento. D0 = - 0, ,4649**X - 0,0078**X2 Número de Folhas 25 R2 = 0,70 D1 = - 11, ,75**X - 0,0181**X2 R2 = 0, D2 = 1,412 +,0700**X R2 = 0, D = - 1, ,5520**X R2 = 0, Épocas (dias após emergência) D0 = 0 kg/ha D1 = 60 kg/ha D2 = 120 kg/ha D = 180 kg/ha Figura 4. Análise do número de folhas da planta até 44 dias de emergência, em função das doses de Nitrogênio.

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