GESTÃO DE OPERAÇÕES E LOGÍSTICA GOL

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1 1 GESTÃO DE OPERAÇÕES E LOGÍSTICA GOL TÍTULO MODELO DE CANAL REVERSO PARA BATERIAS DE CELULARES: ESTUDO SOBRE OS CANAIS EXISTENTES NO CENTRO DE ANGRA DOS REIS/RJ

2 2 RESUMO Este trabalho tem como objetivo propor um modelo de canal reverso para baterias de celulares em Angra dos Reis/RJ. Para alcançar este objetivo foi preciso identificar como está organizado o fluxo reverso para esse tipo de material no município, verificando a existência de informações sobre as quantidades vendidas e devolvidas, os pontos de devolução/recebimento, e o tempo médio que este volume leva até ser encaminhado para tratamento ou disposição final em local adequado. Para a coleta de dados, utilizou-se de entrevistas com perguntas abertas e não estruturadas. Os resultados obtidos apontaram para a existência de um canal reverso para as baterias, porém com 50% de funcionalidade, mostrando-se também em desacordo com a Resolução CONAMA Nº.257 (junho/1999) que exige a prestação do serviço por todos os comerciantes e assistência técnica para este material. No entanto, mesmo ineficiente, possui capacidade ociosa, pois apenas 8,77% do montante vendido, ou seja, inserido no meio, é devolvido em forma de descarte nos pontos de recebimento identificados, levando, aproximadamente, 1,4 mês até serem coletados. Palavras Chave: Logística Reversa, Bateria de Telefone Celular, Canal Reverso. ABSTRACT The aim of this work is to propose a model of reverse channel for cell phone batteries in Angra dos Reis/RJ. First, we had to know how the reverse flow of this type of material was organized, verifying all information about quantities sold and returned, the points of return/receipt, and the average time that this takes up to be sent for treatment or final disposal in the appropriate place. For data collection, we used interviews with open and unstructured questions. The results pointed to the existence of a reverse channel for cell phone batteries, but with only 50% of functionality, since the regulations imposed by CONAMA (Resolution 257/June 1999) requires the service provided by all traders and technical assistance for this material. However, even inefficient, it has idle capacity, because only 8.77% of the amount sold, return in the form of disposal, spending 1.4 months, approximately, until being collected. Key-Words: Reverse Logistics, Phone Cell Battery, Reverse Channel

3 3 1 Introdução Com a velocidade dos avanços tecnológicos, o acesso rápido aos mesmos e a estabilidade econômica do país, grande parte da população desfruta de poder de compra que lhe permite adquirir e renovar os bens de consumo com maior facilidade e rapidez. Como resultado, o que até pouco tempo se considerava como artigo de luxo ou representativo de status vem se tornando aquisições comuns e corriqueiras. Essa transformação de valores e cultura consumidora muda também o cenário do mundo produtivo, resultando em grandes quantidades de resíduos gerados por esses produtos que se acumulam diariamente ao nosso redor. Nesse contexto, problemas associados ao destino final dado a esses materiais passam a representar uma preocupação, uma vez que estes estão se avolumando nos vazadouros clandestinos aumentando o risco de contaminação do solo, nascentes e águas subterrâneas. A crescente preocupação com as questões ecológicas, e as novas legislações ambientais, vem incentivando a criação de canais reversos que solucionem esse problema. Assim, a logística reversa, dentre seus propósitos, visa à redução, a disposição e o gerenciamento desses resíduos, tóxicos e não tóxicos. (GOMES e RIBEIRO apud OLIVEIRA e GUARNIERI, 2004). Ballou (2001) alega que embora seja fácil pensar em logística para o gerenciamento do fluxo de produtos até os clientes, há um canal logístico reverso que também deve ser gerenciado. Complementando, Lambert et al apud Daher et al (1998) alegam que o reaproveitamento e remoção de refugo e a administração de devoluções fazem parte diretamente da logística reversa. Neste sentido e influenciado pelos fatores legislativos e ecológicos, a logística reversa de pilhas e baterias são regulamentados no Brasil pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), através da Resolução Nº.257 de junho de Segundo esta resolução, as pilhas e baterias que possuam chumbo, cádmio, mercúrio e seus compostos devem ser entregues aos comerciantes que as comercializam, ou à rede de assistência técnica, para serem processadas, ou, de uma forma adequada, descartadas. No entanto, parece não haver um canal logístico reverso bem definido para este tipo de material. Assim, tendo em vista o grande consumo de baterias e aparelhos telefônicos celulares, este estudo tem como objetivo propor um modelo de canal reverso para este tipo de material em Angra dos Reis/RJ. Porém, para alcançar este objetivo foi preciso identificar como está organizado o fluxo reverso para esse tipo de material no município, verificando a existência de informações sobre as quantidades vendidas e devolvidas, os pontos de devolução/recebimento, e o tempo médio que este volume leva até ser encaminhado para tratamento ou disposição final em local adequado. 2 Revisão bibliográfica 2.1 Logística reversa Logística reversa engloba todas as operações e atividades de coletar, desmontar e processar produtos, materiais e peças usadas visando assegurar uma recuperação sustentável, ou seja, amigável ao meio ambiente (LEITE, 2003). Neste mesmo contexto, porém focada num aspecto diferente, Bowersox e

4 Closs apud Chrusciak (2006) alegam que as necessidades da logística reversa também provêm das legislações que proíbem o descarte indiscriminado de resíduos no meio ambiente. É importante lembrar que a logística reversa pode ser ainda dividida em duas áreas de atuação: logística reversa de pós-venda e logística reversa de pósconsumo. A primeira pode ser entendida como a área da logística reversa que trata do planejamento, do controle e da destinação dos bens sem uso ou com pouco uso, que retornam à cadeia de distribuição por diversos motivos: devoluções por problemas de garantia, avarias no transporte, excesso de estoques, prazo de validade expirado, entre outros. Já a logística reversa de pósconsumo pode ser vista como a área da logística reversa que trata dos bens no final de sua vida útil, dos bens usados com possibilidade de reutilização (embalagens) e os resíduos industriais (GUARNIERI et al, 2005). No que diz respeito ao fluxo reverso de pós-consumo, Leite (2003) alega que existem cinco fatores que corroboram para a sua prática, sendo eles divididos em dois grupos: a) Fatores necessários: Econômicos, tecnológicos e logísticos; b) Fatores modificadores: Ecológicos e legislativos O fator econômico está diretamente ligado ao resultado da operação ser economicamente interessante. Não basta apenas o valor do produto ser vantajoso, é necessário um sistema de captação, transporte, armazenagem e manipulação eficiente para tornar o produto interessante sob o aspecto econômico. Alguns materiais exigem um tipo de transporte especial, manuseio seletivo ou outro componente cujos custos oneram muito o processo tornando a sua captação inviável ou desinteressante financeiramente. O fator tecnológico se refere à existência de métodos e tecnologia de processamento a um custo compatível, independente de haver abundância de materiais. Já o fator logístico está ligado a existência e disponibilidade de uma estrutura logística que possibilite a concretização da cadeia reversa, desde o consumidor final até a sua origem, possibilitando o retorno dos materiais com qualidade e a um custo compatível. O fator ecológico está voltado à consciência empresarial, governamental e do próprio consumidor por meio de suas práticas e postura, e o fator legislativo, como regulamentador da cadeia reversa, visando reduzir custos sociais importantes como a geração de resíduos nocivos à sociedade. (MORO et al, 2007). Rogers e Tibben-Lembke (1998) alegam que a logística reversa deve ser vista e gerenciada da mesma forma que a logística tradicional, ou seja, tendo como objetivo a criação/recuperação de valor. Os autores destacam ainda a importância de se prever e criar canais reversos bem definidos, pois em algum momento e de alguma forma os bens serão descartados. Os canais reversos podem ser para: retornar ao fornecedor; revender; recondicionar; reciclar; descarte (figura 1). 4

5 5 Figura 1: Processo logístico reverso Fonte: Adaptado de Rogers e Tibben-Lembke, 1998 Assim, Rogers e Tibben-Lembke (1998) definem logística reversa como sendo o processo de planejar, implementar e controlar o ativo, o custo efetivo do fluxo de matérias-primas, o processo de inventário, produtos acabados e informações relativas do ponto de consumo até o ponto de origem, com o propósito de recapturar valor ou destinar a disposição apropriada. 2.2 Canais reversos O canal de distribuição reverso se caracteriza pelas formas e meios necessários para que os produtos, devido a defeitos de fabricação, prazo de validade ultrapassado ou após extinta a sua vida útil retornam ao ciclo produtivo ou de negócios, pelo reuso ou pela reciclagem, ou sejam tratados e adequadamente encaminhados para uma disposição final (LEITE, 2003). Para Dowlatshahi apud Estival e Távora (2004), pode-se considerar o estudo dos canais reversos como um novo conceito na logística e no gerenciamento da cadeia de suprimentos, ganhando notoriedade como uma estratégia de negócio lucrativa e sustentável, como sendo uma forma de se obter vantagem competitiva para as indústrias, serviços e gerenciamento de resíduos. Conforme apontado por Mendes e Silva (2005), as destinações principais dadas aos materiais deste canal são: Retorno ao fornecedor ou fabricante: são os bens ou produtos devolvidos por apresentarem defeito, insatisfação do consumidor ou para reparo; Revenda: materiais descaracterizados com valor agregado de retorno muito alto, sendo comercializados no estado em que estiverem; Recondicionamento: produtos que necessitam de retrabalho para novamente serem comercializados em sua forma original; Reciclagem: produtos e materiais que podem ser segregados, reprocessados e reciclados para geração de matéria prima ou novos produtos; Descarte: materiais e produtos que chegam ao final da vida útil, não havendo tecnologia ou processos de reciclagem que permitam sua reconfiguração para novas utilizações.

6 6 2.3 Ciclo de vida útil de produto O mercado de telefonia móvel, por exemplo, vem em constante evolução, sendo esta acompanhada pela também constante adaptação dos modelos e recursos oferecidos pelos aparelhos celulares. Estas inovações aceleram a obsolescência dos produtos, reduzindo os seus ciclos de vida, caracterizando uma clara tendência de descartabilidade. Desta forma, esta linha de produtos se mantém quase que permanentemente no estágio de maturidade, promovendo e estimulando o desejo de consumo em intervalos muito curtos de tempo, sendo este mais um fator contribuidor da geração de produtos pós-consumo (CHURCHILL, 2000). Segundo Leite (2003), a análise do ciclo de vida útil dos produtos estuda o impacto ambiental gerado por estes desde o momento da extração das matériasprimas e outros insumos utilizados para a sua fabricação até sua disposição final, motivo pelo qual também é conhecida como análise do produto do berço ao túmulo. Os produtos de pós-consumo podem ser destinados para disposições finais seguras ou inseguras do ponto de vista ambiental. Os aterros sanitários e a incineração são considerados disposições finais seguras, e as demais formas são consideradas inseguras, uma vez que acarretam poluição ambiental. A redução do ciclo de vida mercadológico dos bens de consumo de utilidade, devido à inclusão de novos materiais, à obsolescência planejada, à grande variedade de novos lançamentos, à busca de redução de custos de distribuição, à redução de custos de embalagens, e ao elevado custo relativo dos serviços de manutenção, tem gerado excessos de bens e materiais descartados pela sociedade e contribuído para o esgotamento acelerado dos meios tradicionais de disposição final dos mesmos, e em conseqüência, aumentado as disposições inseguras, geradoras de poluição ambiental (ANSOFF apud LEITE, p. 40, 2003). 3 Metodologia Para Silva e Menezes (2005), uma pesquisa pode ser classificada quanto a sua natureza, quanto à forma de abordagem, quanto a seus objetivos e quanto aos seus procedimentos técnicos. No que diz respeito à natureza deste trabalho, caracteriza-se como uma pesquisa aplicada. A pesquisa aplicada objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática e dirigida à solução de problemas específicos, evolvendo verdades e interesses locais. Os autores acima citados alegam que a pesquisa quanto a sua forma de abordagem pode ser classificada como quantitativa ou qualitativa. Esta pesquisa possui predominantemente uma abordagem qualitativa, pois a mesma, conforme a definição destes, possui uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade que não pode ser traduzida em números. Quanto aos objetivos da pesquisa, Silva e Menezes (2005) afirmam que a mesma pode ser uma pesquisa exploratória, descritiva ou explicativa. Pode-se

7 7 considerar esta como sendo do tipo descritiva, pois visa descrever as características de determinada população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Relativo aos procedimentos técnicos, este estudo adotou a pesquisa de campo. Para Silva e Menezes (2005), a pesquisa de campo envolve um estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo e detalhado conhecimento. Como técnica de coleta de dados primários, esta pesquisa se utilizou de entrevistas com perguntas abertas e não estruturadas, objetivando capturar as estruturas dos canais reversos de cada estabelecimento entrevistado. Foram entrevistados doze estabelecimentos, entre lojas comerciais, de departamentos e lojas de assistência técnica dentro da região central de Angra dos Reis/RJ. Os dados coletados sofreram análise de conteúdo de forma a se obter os dados que permeassem o objetivo da pesquisa. 4 Análise dos dados 4.1 Características dos estabelecimentos quanto à logística reversa de baterias de celulares Os dados e informações coletados pelo estudo estão traduzidos em análises e resultados categorizados e numéricos no quadro comparativo da figura 2, apresentando percentuais e proporcionalidades dos elementos do serviço de coleta de baterias de celulares. Através da interpretação a ser dada nos tópicos subseqüentes será possível o melhor entendimento das representações expressas na figura.

8 8 Estabelecimento Ponto de Recebiment o Registra Devolução? Tempo de Coleta (Mês) Quantidad e Vendida (Mês) Quantidad e Rotornada (Mês) Casa e Vídeo Não possui Ponto TIM Possui Não Ponto Frio Não possui Angra Data Não possui Casas Bahia Não possui - - N/C 0 Lojas CEM Não possui Loja Própria VIVO Loja OI Technocell Possui Não 0, Possui Não Loja TCI Celular Não possui Loja Digital Lasy Possui Não 0,5 N/C 40 Angra Cell Possui Não Angra Fone Possui Não Proporções 50% 0% 1, (8,77%) Figura 2 - Quadro Comparativos: Elementos do Serviço de Recebimento de Baterias Celulares Pode-se observar que somente 50% dos estabelecimentos entrevistados possuem ponto de recebimento de baterias de celulares. Porém, destes 50%, nenhum deles registram a devolução do material. A média de freqüência de recolhimento das baterias nos estabelecimentos é de 1,4 mês, ou seja, este é o tempo máximo que uma bateria fica no estabelecimento após ser devolvida. A pesquisa mostrou também que em média são colocados no mercado mensalmente cerca de novas baterias (acopladas aos celulares). Em contrapartida, somente 214 baterias em média no mês são devolvidas, ou seja, do total de baterias de celulares colocados no mercado, somente 8,77% retornam (figura 3).

9 9 Não Coletam (50% dos pontos) Canal Reverso (50% dos pontos) Capacidade Ociosa 82,46% Volume Total 2440 unidades vendidas por mês 2226 Não Recolhido 91,23% 8,77% 214 Recolhido Canal Reverso x Capacidade Vendido x Recolhido Figura 3 - Quantidades x Capacidade do Canal Reverso 4.2 Modelo de Canal Reverso A partir de uma análise dos procedimentos de coleta e destino das baterias pelos estabelecimentos que oferecem este serviço, pode-se desenvolver um modelo de canal reverso genérico para este material (figura 4).

10 10 Usuário Modelo Proposto de Fluxo Reverso Estabelecimento Terceirizado INÍCIO Depositar bateria na URNA da loja Recolher baterias da URNA Isolar pontos de contato e envelopar as baterias Atividades preferencialmente diárias, de forma a manter dados atualizados e evitar acúmulo de trabalho no momento da coleta, além de manter o controle e monitoramento das quantidades e do estado e condição do material depositado Transp. para emp. de tratamento FINAL Identificando marca e nome da loja no envelope Registrar dados: data, marca e quantidade Transferir para depósito Após as atividades anteriores, esvaziar a URNA da loja e transferir as baterias para um compartimento de maior capacidade e com isolamento adequado, preferencialmente no depósito da loja Armazenar A indicação para uso de empresa terceirizada se deve ao fato de as mesmas possuírem forma de transporte segura e adequada para o tipo de material (bateria) Solicitar coleta por empresa terceirizada Registrar informações de data, destino e quantidades são para utilização estatística e de análise para auxílio à planos de melhoria do mecanismo Registrar montantes despachados Legenda: Terminal Processo Armazenamento Espera Transferência Decisão Comunicação oral Figura 3: Modelo Proposto de Canal Reverso O modelo inicia com a conscientização do cliente (usuário) em devolver (descartar de forma correta) a bateria que não será mais utilizada em uma urna dos estabelecimentos que possuem pontos de coleta. No estabelecimento, as baterias devem ser recolhidas diariamente da urna, isolando os pontos de contato e envelopando as baterias. Após estes procedimentos, o estabelecimento deve transferir as baterias para um compartimento de maior capacidade e com isolamento adequado. Próximo de alcançar a capacidade máxima do compartimento de baterias, deve-se solicitar a coleta do material por uma empresa especializada, que possua um transporte seguro e adequado. Deve-se também registrar os montantes despachados de forma que se possa mensurar o processo e buscar uma constante melhoria. Após o recolhimento, a empresa responsável pelo mesmo deve dar o tratamento final às baterias, seja para reciclagem, seja para descarte.

11 11 Para melhoria dos aspectos ainda pouco eficientes encontrados pelo estudo, conforme designado pela Resolução CONAMA Nº.257 de junho de 1999, primeiramente em cumprimento da determinação legal, e não menos importante, pela responsabilidade social e ambiental, sugere-se, na forma de um fluxo padrão, um processo de coleta que contemple locais adequados de armazenamento, deslocamento seguro e apropriado e o registro do mínimo necessário de informações sobre as atividades do funcionamento de um canal reverso na região pesquisada, seguindo os seguintes passos: Informar aos usuários de aparelhos celulares, e também a comunidade de uma forma geral, através de campanhas informativas e instrutivas, inseridas nas campanhas promocionais ou de divulgação promovidas pelos estabelecimentos, sobre a importância de uma forma adequada de descarte destes produtos, incentivando a utilização dos recipientes adequados e disponíveis nos pontos de recebimento, que farão a guarda do material até a sua coleta, de forma a não oferecerem risco ao ambiente e nem às pessoas durante o período em que estiverem no local de depósito. Ainda dentro desse fluxo proposto, aliar a adoção de uma forma, de registro mínimo dos dados das devoluções ocorridas, possibilitando a geração de informações estatísticas dos principais aspectos e elementos desse caminho reverso. A partir desse novo modelo, uma base poderá ser constituída, servindo como parâmetro comparativo para medições e projeções do comportamento do canal, orientando a formulação de medidas necessárias para sua melhoria, ou de ações corretivas em virtude de desvios ou de alterações das diretrizes legais reguladoras. 5. Conclusões Pelas análises e resultados obtidos por este estudo, se pôde chegar aos objetivos propostos, tendo sido identificada a existência do canal reverso para baterias de aparelhos celulares na região central da cidade de Angra dos Reis/RJ, e as formas e quantidades desse material que são movimentadas em períodos mensais. Algumas relações puderam ser estabelecidas, mostrando aspectos como um número muito pequeno de baterias devolvidas, frente ao montante vendido no mesmo período de tempo, o que demonstra uma área com um potencial muito grande ainda por ser explorado. A relações entre a capacidade de operação do canal e a amplitude que o mesmo deveria ter, aponta para sua ineficiência, uma vez que apenas metade dos estabelecimentos que comercializam baterias e aparelhos celulares recebem esse material descartado ou devolvido pelos usuários e consumidores. Este estudo permitiu perceber nos entrevistados um entendimento da importância em se estar retirando de circulação, e dos locais de depósito comuns, o material que não tem mais utilidade, porém impõem risco de contaminação. No entanto, se mostraram totalmente alheios às formas adequadas, e mais importante, a legislação ambiental que prevê penalidades pelo descumprimento das normas e obrigações desses estabelecimentos. Não existe a preocupação nem o interesse em divulgar os meios oferecidos de captação de baterias. O consumidor é ávido por realizar seus desejos, adquirir tecnologia, mas precisa ser orientado para como dispensar o refugo do seu

12 12 consumo, e que benefícios isso trará. Para tanto, é necessário informar aos usuários de aparelhos celulares, e também a comunidade de uma forma geral, através de campanhas informativas e instrutivas, inseridas nas campanhas promocionais ou de divulgação promovidas pelos estabelecimentos, sobre a importância de uma forma adequada de descarte destes produtos, incentivando a utilização dos recipientes adequados e disponíveis nos pontos de recebimento, que farão a guarda do material até a sua coleta, de forma a não oferecerem risco ao ambiente e nem às pessoas durante o período em que estiverem no local de depósito. Essa providência não só trará um aumento do material recolhido como, estrategicamente, pode representar ganho para as empresas, colocando-as no hall das contribuidoras para com as questões ambientais, e até mesmo um ganho financeiro pela possibilidade encaminhamento para reprocessamento e reciclagem. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALIGLERI, L; CÂMARA, M. R.; ALIGLERI, L. A. Responsabilidade Social na Cadeia Logística: Uma Visão Integrada para o Incremento da Competitividade. In: Encontro Nacional de Estudos Organizacionais, 2, 2002, Recife. Anais..., Recife: Observatório da Realidade Organizacional: UFPE: ANPAD, maio BALLOU, R. H. Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos Planejamento, Organização e Logística Empresarial, Editora Bookman, Porto Alegre, CHRUSCIAK Szilagyi, D.; GUARNIERI, P.; SCANDELARI, L.; HATAKEYAMA, K.; OLIVEIRA, I. L.; BELMONTE, D. L. WMS- Warehouse Management System: Adaptação Proposta para o Gerenciamento da Logística Reversa. Rev. Produção, São Carlos - SP, v. 16, n. 01, p , DAHER, C. E.; SILVA, E. P. S.; FONSECA, A. P. Logística Reversa: Oportunidade para Redução de Custos através do Gerenciamento da Cadeia Integrada de Valor. Universidade de Brasília, Brasília, ESTIVAL, K. G. S.; TÁVORA Júnior, J. L. Análise do Canal de Distribuição Reverso de Pós-Consumo da Embalagem de Vidro no Brasil. XXIV Encontro Nacional de Engenharia de Produção, Florianópolis, 3 a 5 nov GIL, A. C. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. São Paulo: Atlas, HERRERA, V. É.; TEIXEIRA, M. A.; BARBOSA, D. H.; LOPES, L. O. A Logística Reversa Como Fonte de Vantagem Competitiva no Segmento de Máquinas e Equipamentos Agrícolas: Estudo de Caso da Empresa X. XIII SIMPEP, Bauru, 6 a 8 nov MENDES, J.; SILVA, P. M. C. Uma Visão do Gerenciamento de Suprimentos para a Questão Ambiental, suas Práticas e seus Conceitos Operacionais. Trabalho de Conclusão de Curso (MBA International Program) Programa FGV Management, Fundação Getúlio Vargas, Campus Jacarandás, 2005.

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