Sumário executivo. From: Aplicação da avaliação ambiental estratégica Guia de boas práticas na cooperação para o desenvolvimento

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3 Aplicação da Avaliação Ambiental Estratégica OCDE 2012 Sumário executivo 1. Introdução A ajuda ao desenvolvimento tem sido crescentemente aplicada através de intervenções estratégicas, destinadas a tornar essa ajuda mais eficaz. Para assegurar que as considerações ambientais são tidas em conta neste novo contexto de ajuda, as ferramentas já estabelecidas para a avaliação ambiental ao nível dos projetos terão que ser complementadas por abordagens adaptadas a políticas, planos e programas. A Avaliação Ambiental Estratégica cumpre esta necessidade. A AAE fornece meios práticos e diretos na prossecução do ODM 7 sobre Sustentabilidade Ambiental (acordado na Assembleia Geral das Nações Unidas em 2000), o qual convida à integração dos princípios de desenvolvimento sustentável nas políticas e programas dos países. Adicionalmente, a AAE ajuda ainda na execução do Plano de Implementação de Joanesburgo, acordado na Cimeira Mundial de Desenvolvimento Sustentável de 2002, o qual reforçou a importância de enquadramentos estratégicos e processos de decisão equilibrados [ ] para a concretização da agenda do desenvolvimento sustentável. A Declaração de Paris sobre a Eficácia da Ajuda ao Desenvolvimento, adotada em 2005, incumbe os doadores de reformaram o modo como a ajuda é prestada, a fim de melhorar a sua eficácia, através da harmonização dos seus esforços e do alinhamento com as prioridades dos países parceiros. Encoraja também os doadores e países parceiros a trabalharem em conjunto no desenvolvimento e aplicação de abordagens comuns para a avaliação ambiental estratégica aos níveis setorial e nacional. Este Guia destina-se responder a esses desafios. Baseado na experiência prática e em boas práticas estabelecidas, salienta formas de aplicação da AAE na formulação e avaliação de políticas, planos e programas de desenvolvimento. Em virtude da grande diversidade de circunstâncias presentes nos diferentes países, procura fornecer um modelo acordado e compartilhado que permita a flexibilidade no desenvolvimento de aplicações de AAE apropriadas às diversas necessidades. É apresentado num contexto de acelerado surgimento de quadros legais ao nível internacional e nacional em AAE, quer nos países desenvolvidos, quer nos países em desenvolvimento. 2. Compreender a AAE A AAE refere-se a um conjunto de abordagens analíticas e participativas destinadas a integrar considerações ambientais ao nível das políticas, planos e programas, bem como a avaliar as interligações com as considerações económicas e sociais. A AAE pode ser descrita como uma família de abordagens que utilizam diversos instrumentos, mais do que uma abordagem única, fixa e prescritiva. Uma boa AAE está feita à medida para o 17

4 Sumário executivo contexto no qual é aplicada. Isto pode ser visto como um processo de integração crescente: num extremo, o principal objetivo é o de integrar o ambiente, em simultâneo com as preocupações económicas e sociais, na tomada de decisão estratégica; no outro extremo, a ênfase encontra-se numa integração plena dos fatores ambientais, sociais e económicos, para uma avaliação holística da sustentabilidade. A AAE é aplicada logo nas fases iniciais do processo de decisão, quer ajudando a formular políticas, planos e programas, quer avaliando o potencial da sua eficácia e sustentabilidade para o desenvolvimento. Este aspeto distingue a AAE das ferramentas de avaliação ambiental mais tradicionais, tais como a Avaliação de Impacto Ambiental (AIA), que tem comprovada reputação no tratamento de ameaças e oportunidades ambientais para projetos específicos, mas que mais dificilmente é aplicável a políticas, planos e programas. A AAE não constitui um substituto, mas sim um complemento, para a AIA e outras abordagens e ferramentas de avaliação. 3. Benefícios da utilização da AAE A aplicação da AAE à cooperação para o desenvolvimento traz benefícios, quer para os processos de tomada de decisão, quer para os resultados dos processos de desenvolvimento. Fornece as evidências ambientais que permitem suportar uma tomada de decisão mais informada e que identificam novas oportunidades, pelo incentivo à análise sistemática e minuciosa das opções de desenvolvimento. A AAE contribui para assegurar que a gestão prudente dos recursos naturais e do ambiente fornece os alicerces de um crescimento económico sustentável, o qual, por sua vez, favorece a estabilidade política. A AAE pode igualmente ajudar na construção de um compromisso das partes interessadas por uma governação melhorada, facilita a cooperação transfronteiriça em torno de recursos ambientais compartilhados, e contribui desta forma para a prevenção de conflitos. 4. Rumo às boas práticas na AAE A AAE é um processo contínuo, iterativo e adaptativo, centrado no fortalecimento das instituições e da governação. Não se trata de um sistema isolado, nem de uma simples abordagem linear e técnica. Em vez disso, acrescenta valor aos sistemas já existentes nos países e reforça a sua eficácia, ao avaliar e capacitar as instituições e os sistemas de gestão ambiental. Nas situações em que a AAE é aplicada a planos e programas, pode ser utilizada uma abordagem estruturada que integre as considerações ambientais. As etapas fundamentais na condução de uma AAE ao nível de planos e programas incluem: estabelecer o contexto, empreender as análises necessárias com as partes interessadas relevantes, informar e influenciar o processo de decisão, monitorizar e avaliar. A AAE aplicada ao nível das políticas requer um enfoque particular nos contextos político, institucional e de governação, subjacentes aos processos de tomada de decisão. 5. Aplicação da AAE à cooperação para o desenvolvimento O fato de ter ocorrido uma mudança de ênfase, dos projetos de desenvolvimento para o apoio aos programas e políticas, criou um conjunto de pontos de entrada específicos para a aplicação da AAE. Este guia aponta os benefícios da utilização da AAE numa série 18 Aplicação da Avaliação Ambiental Estratégica OCDE 2012

5 Sumário executivo de circunstâncias diferentes, e enuncia 12 pontos de entrada principais para uma aplicação efetiva da AAE à cooperação para o desenvolvimento. São indicadas questões chave a serem colocadas para cada um deles, acompanhadas pelas respetivas listas de verificação, bem como exemplos ilustrativos. Os pontos de entrada para a AAE podem ser agrupados da seguinte forma: 1. Processos de planeamento estratégico conduzidos por um país em desenvolvimento: Estes incluem estratégias, programas e planos de nível superior a nível nacional; reformas políticas nacionais e programas de apoio ao Orçamento; políticas, planos e programas setoriais; planos e programas de investimento em infraestruturas; planos e programas nacionais e sub-nacionais de ordenamento do território, e planos e programas de caráter transnacional. 2. Processos das próprias agências de desenvolvimento: Estes incluem estratégias e planos de auxílio dos países doadores; acordos de parcerias com outras agências doadoras, políticas setoriais específicas dos doadores, e programas e instalações de infraestruturas publico-privadas suportadas pelos doadores. 3. Outras circunstâncias relacionadas: Estas incluem Comissões de Revisão independentes, assim como grandes projetos e planos conduzidos pelo setor privado. 6. Como avaliar uma AAE O principal resultado de uma AAE é um processo com resultados para o desenvolvimento, não um produto. Consequentemente, o controlo de qualidade leva em consideração o modo como os procedimentos foram cumpridos. Mas no longo prazo, será a obtenção de resultados para o desenvolvimento, ao garantir a sustentabilidade ambiental, que constituirá a principal medida do sucesso. Aquando da revisão de processos de AAE, as questões fundamentais compreendem: qualidade da informação, nível de participação das partes interessadas, definição dos objetivos da AAE, avaliação dos impactos ambientais, planeamento das ações de acompanhamento, e constrangimentos. As questões chave que irão ajudar os avaliadores a centrarem-se nos resultados da AAE para o desenvolvimento relacionam-se com: a precisão dos pressupostos feitos durante a AAE; a sua influência no processo de formulação de Políticas, Planos e Programas (PPP), no processo de implementação, nos objetivos de desenvolvimento e na responsabilidade; e os resultados das ações de capacitação. 7. Capacitar para o uso eficaz da AAE A experiência na aplicação da AAE tem destacado repetidamente dois desafios fundamentais: falta de consciência do valor e importância da AAE, e, quando a mesma é valorizada, falta de conhecimento de como a implementar. Estes desafios podem ser tratados adequadamente através do desenvolvimento de capacidades para a AAE, quer nas agências de desenvolvimento, quer nos países parceiros. Para o desenvolvimento de capacidades nos países parceiros, o primeiro passo é um levantamento de necessidades de capacitação. O apoio inclui atividades como formação técnica, workshops de consciencialização, apoio à institucionalização do processo de AAE e dos seus sistemas de avaliação, e trabalho em rede para partilha de experiências. Aplicação da Avaliação Ambiental Estratégica OCDE

6 Sumário executivo O desenvolvimento de capacidades nas organizações doadoras pode traduzir-se em ações de formação para os funcionários, diretrizes de AAE e apoio, bem como revisões sistemáticas e avaliações. Breve guia de referência O que é a AAE e porque é a AAE importante para a agenda internacional de desenvolvimento? Capítulos 1 e 2 Quais os benefícios potenciais de utilizar a AAE? Capítulo 3 Quais os princípios e processos básicos envolvidos na AAE? Capítulo 4 Onde é que a AAE pode ser efetivamente aplicada? Capítulo 5 Em que consiste um bom processo de AAE? Capítulo 6 Como podemos desenvolver a capacidade para a aplicação da AAE? Capítulo 7 Onde encontrar mais informação disponível? Anexos em 20 Aplicação da Avaliação Ambiental Estratégica OCDE 2012

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