ICTR 2004 CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM RESÍDUOS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Costão do Santinho Florianópolis Santa Catarina

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1 ICTR 2004 CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA EM RESÍDUOS E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Costão do Santinho Florianópolis Santa Catarina SERVIÇOS DE LIMPEZA URBANA E AS COOPERATIVAS DE CATADORES DE LIXO. O CASO DA CORESO - COOPERATIVA DE RECICLAGEM DE SOROCABA Munhoz, Christine Parmezani Rossin, Antônio Carlos PRÓXIMA Realização: ICTR Instituto de Ciência e Tecnologia em Resíduos e Desenvolvimento Sustentável NISAM - USP Núcleo de Informações em Saúde Ambiental da USP

2 SERVIÇOS DE LIMPEZA URBANA E COOPERATIVAS DE CATADORES DE LIXO O caso da CORESO Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba. Autores: Munhoz, Christine Parmezani. Mestranda em Saúde Ambiental, Faculdade de Saúde Pública USP graduada em Ciências Econômicas UNESP Araraquara, Endereço: Rua Silvia, 89 apto. 09 Bela Vista São Paulo SP. CEP Telefone: (11) Rossin, Antônio Carlos. (2) Professor do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública USP. Especialista Sênior em Controle de Contaminação Industrial e Urbana, do BID, Doutor em Tratamento de Águas de Abastecimento e Residuárias, pela University of London, RESUMO Objetivo: O gerenciamento dos serviços de limpeza urbana, no Brasil, é de responsabilidade municipal. Devido à falta de recursos, para a prestação destes serviços públicos, a alternativa encontrada pelas prefeituras é a concessão, em grande parte, para a iniciativa privada. Concomitantemente a este processo, as cooperativas de catadores de materiais recicláveis ganham crescente organização, possibilitando a inclusão destas entidades como concessionárias na prestação dos serviços de coleta de resíduos sólidos domésticos. Metodologia: Através de um estudo de caso realizado na CORESO Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba coletamos dados sobre a evolução na quantidade de material vendido, no número de pessoas e na geração de renda pela CORESO. Observamos também a criação de uma rede de reciclagem entre cooperativas de 5 municípios da região. Resultados: Em 5 anos de atividade a CORESO passou de uma média mensal de material vendido, em 1999, de 21 toneladas para 80 toneladas, em Utilizando-se de apenas 0,8% do resíduo doméstico gerado por mês em Sorocaba, a CORESO é uma oportunidade de geração de renda para 100 pessoas que obtêm uma retirada de R$ 450,00 por mês, em média. Conclusões: Apesar da crescente organização em suas atividades, promovendo a coleta seletiva em 25 bairros de Sorocaba, a CORESO não conta com apoio efetivo da prefeitura municipal. Um passo definitivo, permitido pela legislação brasileira, mas pouco utilizado, são os contratos de gestão ou parcerias, que permitem ao poder público contratar entidades ou organizações da sociedade civil, estabelecendo metas e prazos a serem cumpridos, possibilitando, com isso, um melhor controle dos resultados. PALAVRAS-CHAVE: Limpeza Urbana; Resíduos Sólidos Domésticos; Catadores de Lixo; Reciclagem. 5121

3 INTRODUÇÃO Devido à complexidade no gerenciamento dos resíduos sólidos domésticos, especialmente nos municípios de maior porte populacional, e à falta de recursos públicos a alternativa encontrada pelas prefeituras têm sido a concessão dos serviços de limpeza urbana, em grande parte à iniciativa privada. No Estado de São Paulo, entre os anos de 1992 e 1997, o número de municípios que fizeram concessão dos serviços de coleta de lixo passou de 9% para 14%, sendo mais freqüente nos municípios maiores. Entre os municípios paulistas com população superior a 200 mil habitantes, 73% realizavam a concessão, em (IPRS - Fundação Seade, 1997). Dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realizada pelo IBGE, revelam que no Brasil, das entidades que prestam serviços de limpeza urbana, 87% são da administração direta da prefeitura e 12% são constituídas por capital privado, sendo o 1% restante dividido entre empresas de capital misto e outros tipos. (IBGE, 2000). Concomitante a este processo, as cooperativas de catadores de materiais recicláveis ganham crescente organização, apesar de não existir um apoio efetivo do poder público municipal, esfera do governo responsável pela administração dos serviços de limpeza urbana. Para ilustrar este fato, realizamos um estudo de caso no município de Sorocaba. Localizado no Estado de São Paulo, com uma população de habitantes, (IBGE, 2001), está entre os municípios que realizam concessão destes serviços. São geradas 302,9 toneladas/dia de resíduos sólidos domésticos (CETESB, 2003) e não existe um programa de coleta seletiva de lixo, desenvolvido pela prefeitura. A CORESO Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba, criada há 5 anos, atua em diversos bairros promovendo a educação ambiental e a coleta seletiva, numa atuação direta com a população. Através de um estudo de caso, realizado nesta cooperativa, pudemos observar a consolidação de suas atividades, viabilizando, com isto, a inclusão desta entidade como uma possível concessionária na prestação dos serviços de coleta de resíduos sólidos domésticos. MATERIAL E MÉTODOS Os dados coletados por esta pesquisa referem-se: à quantidade de material reciclável vendido pela cooperativa, mensalmente; ao número de cooperados; e à renda mensal, em média, obtida por cada cooperado, na CORESO. Estes dados forma coletados através dos registros que a cooperativa, com o auxílio do CEADEC Centro de Estudos e Apoio ao Desenvolvimento, Emprego e Cidadania, mantém sobre suas atividades. Através destes registros pudemos calcular a média anual, com o objetivo de analisar a evolução e a organização da cooperativa desde a sua criação. Descrevemos também a existência de uma rede de comercialização solidária de materiais recicláveis, composta por 5 cooperativas de diferentes municípios da região, e os respectivos números de cooperados e renda mensal, em média, por cooperado. 5122

4 RESULTADOS Desde 1999, a CORESO Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba desenvolve um trabalho de educação ambiental com a população local, e hoje, em 25 bairros da cidade, os cooperados visitam cada casa uma vez por semana, incentivando a prática da coleta seletiva, junto à população. Criada por iniciativa da Paróquia Cristo Rei, e com o apoio da ONG CEADEC, a CORESO é formada por 100 cooperados que coletam 80 toneladas/mês, o que representa, aproximadamente, 0,8% do total de resíduos sólidos domésticos gerados no município, mensalmente. Está estruturada em 1 central de triagem, 02 núcleos de armazenamento e 31 pontos de estocagem de materiais, distribuídos pela cidade. Pelos gráficos abaixo podemos observar o histórico e a evolução nas atividades da cooperativa. Média Mensal da Quantidade de Material Vendido. 80,0 73,4 80,0 Ton. 60,0 40,0 21,0 16,7 28,4 43,8 20,0 0, Nº Número de Cooperados

5 Média Mensal da Retirada, por Cooperado. R$ 500,00 400,00 300,00 200,00 100,00-450,00 350,00 300,00 250,00 200,00 100, Em 2001, foi criada uma Rede Solidária para Comercialização conjunta dos Materiais Recicláveis, com o apoio do CEADEC, com o intuito de venda direta para as indústrias de reciclagem. A Rede engloba mais quatro municípios da região de Sorocaba, totalizando 223 cooperados assim distribuídos: Salto de Pirapora - 23 cooperados, renda média mensal R$ 300,00, estruturados em 15 pontos de estocagem e 1 central de triagem; Capão Bonito - 36 cooperados, renda média mensal R$ 200,00, estruturados em 8 pontos de estocagem e 1 central de triagem; Votorantim - 28 cooperados, renda média mensal R$ 300,00, em 1 central de triagem; Itapeva - 36 cooperados, renda média mensal R$ 250,00, em 1 central de triagem. DISCUSSÃO Utilizando-se de apenas 0,8% do resíduo doméstico gerado por mês em Sorocaba, a CORESO é uma oportunidade de geração de renda para 100 pessoas que obtêm uma retirada de R$ 450,00 por mês, em média. A importância deste valor é revelada pela comparação com a média de rendimento do emprego formal em Sorocaba, que é de R$ 776,00. (IPRS Fundação Seade, 2000). Estas pessoas atuam em condições precárias de trabalho, na informalidade do mercado de reciclagem. Apesar de serem importantes agentes na educação ambiental e na conscientização da população para o gerenciamento dos resíduos sólidos domésticos, inexiste um efetivo apoio do poder público municipal. A inclusão de cooperativas como prestadoras dos serviços de coleta de resíduos sólidos domésticos em regiões específicas e delimitadas pelo poder público ocorreram na Colômbia, caso da cooperativa Recuperar, na cidade de Medelín, relatada por Moreno, que descreve a situação dos catadores em países latino-americanos. (MOERNO, 1999). 5124

6 Apesar de estar prevista na constituição brasileira, através de contratos de gestão e parcerias, em que o poder público pode conceder serviços públicos a entidades e organizações da sociedade civil, esta prática não tem sido observada no país, mesmo quando as cooperativas são incluídas em programas institucionais de coleta seletiva de lixo. Estes contratos de gestão permitem uma maior fiscalização dos serviços prestados, através do estabelecimento de prazos e metas a serem atingidos, podendo ser revogado pelo não cumprimento das exigências estipuladas. (DI PIETRO, 2001). Iniciativas como esta obedecem ao conceito de desenvolvimento sustentável, com a inclusão e geração de renda através de políticas públicas que desenvolvam e utilizem tecnologias compatíveis com o desenvolvimento local e intensivas em mão-deobra. (SACHS, 1993) CONCLUSÕES A crescente capacitação na organização das cooperativas de catadores de lixo permite a inclusão destas entidades como prestadoras dos serviços públicos de limpeza urbana, especificamente os de coleta de resíduos sólidos domésticos. Esta alternativa é viável, pois, além de descentralizar a prestação dos serviços públicos, incentiva a participação da população na coleta seletiva, e funciona como política pública de geração de renda, produzindo conseqüências positivas na saúde ambiental, inclusive da periferia urbana. O principal obstáculo para isto é a dificuldade e a restrição oferecida na contratação, pelo mercado público, dos serviços oferecidos pelos catadores. Apesar de permitido pela legislação brasileira, mas pouco utilizado, os contratos de gestão ou parcerias permitem ao poder público contratar entidades ou organizações da sociedade civil, estabelecendo metas e prazos a serem cumpridos, permitindo, com isso, um melhor controle dos resultados. AGRADECIMENTOS Ao CNPq, à colaboração do CEADEC, especialmente ao Sr. José de Oliveira Martiniano, e aos cooperados da CORESO, em especial ao Sr. José Augusto Rodrigues de Moraes. BIBLIOGRAFIA FUNDAÇÃO SEADE. Índice Paulista de Responsabilidade Social, São Paulo Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo; IBGE. Censo Demográfico IBGE: Rio de Janeiro; CETESB. Inventário Estadual de Resíduos Sólidos Domiciliares, São Paulo: CETESB;

7 MORENO, J. A ; RÍOS, F. R.; LARDINIOS, I. Solid Waste Management in Latin America The role of micro and small enterprise and cooperatives. Lima- Peru: IPES; DI PIETRO, M. S. Direitor Administrativo. 13º ed. São Paulo: Atlas; SACHS, I. Estratégias de transição para o século XXI. In: BURZTYN, M. (org.). Para pensar o desenvolvimento sustentável. Rio de Janeiro: Ed. Brasiliense;

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