Boas Práticas para Otimização de Consultas a Bancos de. Dados usando SQL Server 2005

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1 Boas Práticas para Otimização de Consultas a Bancos de Dados usando SQL Server 2005 LEONARDO FERREIRA SOARES* IREMAR NUNES DE LIMA** RESUMO Este trabalho apresenta algumas das formas utilizadas para o aprimoramento ou otimização das consultas a bancos de dados utilizando o SQL Server Palavras-chave: Banco de Dados. Otimização *Graduando em Tecnologia em Informática pelo Unicentro Newton Paiva **Professor/Orientador - Unicentro Newton Paiva 1. Introdução Em meio a um mercado extremamente competitivo as empresas vêem cada vez mais apostando em sistemas informatizados que dêem apoio à melhoria de seus processos. Dentro desse contexto os Sistemas Gerenciados de Bancos de Dados (SGBD`s) vêem com o intuito de armazenar e gerenciar as informações garantindo sua disponibilidade de forma rápida e eficaz. Mas, em geral, SGBD`s não são ferramentas auto suficientes no que diz respeito a otimização de consultas a banco de dados. Exitem vários fatores que podem influenciar o desempenho de consultas submetidas aos SGBD`s Esse artigo tem como objetivo descrever quais variáveis podem afetar o desempenho de consultas a bancos de dados utilizando o Microsoft SQL Server Antes de abordar alguns pontos sobre a otimização das consultas a banco de dados é necessário ter em mente que não existe uma fórmula exata para obter sucesso na

2 otimização de um banco de dados. Existem sim, algumas regras de boa conduta que deverão ser seguidas para que o objetivo final seja cumprido aproximando-se ao máximo do que se pode chamar de um banco de dados otimizado. Serão tratados assuntos como indexação de tabelas, fator de preenchimento (fillfactor) e análise do plano de execução de consultas SQL. 2. Otimização de Consultas A metodologia para a otimização de um banco de dados envolve identificar as consultas que consomem mais recursos, e então otimizá-las. Em geral, um número pequeno de consultas pode são responsáveis pela maior parte das atividades que ocorrem em um banco de dados (Linha de Código, 2006). É preciso lembrar que toda e qualquer consulta deve primeiro atender os requisitos de quem a usa garantindo a disponibilidade, escalabilidade e segurança das informações (Linha de Código, 2006). A seguir será mostrado algumas ferramentas importantes que ajudam na otimização das consultas. 2.1 Índices Segundo Paulo Riberio, índices são estruturas que possuem algoritmos otimizados para acessar dados em um banco de dados. Tais estruturas constituem uma ferramenta poderosa para o projetista do Banco de Dados no intuito de auxiliá-lo na melhora do desempenho das consultas. O principal papel de um índice é reduzir o número de operações de I/O (leitura e escrita) necessários para localizar os dados solicitados por uma consulta. Sendo assim, ao fazer uso dos índices, o SQL Server 2005 rapidamente localizará e disponibilizará os dados de uma consulta através de um número de I/O muito menor. Ao não utilizar índices, o SQL Server precisa realizar uma operação conhecida como Table Scan, para localizar os dados solicitados. Uma operação Table Scan é uma leitura seqüencial de todos os registros da tabela, o que implica muito mais operações de I/O no disco. As operações de

3 I/O em disco são normalmente bastante lentas quando comparadas com operações de leitura e escrita em memória (BATTISTI, 2005). Os índices podem ser criados em qualquer coluna da tabela, inclusive em uma coluna com valores calculados. O corpo de um índice é formado pelas colunas de uma tabela cujos dados se deseja classificar seguido de uma referencia conhecida como ponteiro, que serve para localizar a página de dados da tabela (BATTISTI, 2005). 2.2 Index Clustered Um clustered index armazena os dados ordenados de acordo com os valores do campo onde o índice foi definido. Ao definir um clustered index, o mesmo organiza os dados da página de acordo com sua chave. Neste caso, o índice está alterando a ordem aleatória da tabela. Este tipo de índice é bastante rápido eficiente para agilizar as operações de localização de registros. Somente podemos ter um clustered index por tabela, pois só poderemos armazenar os dados em ordem de um determinado critério (RIBEIRO). Embora o índice melhore o desempenho das consultas, existe um pequeno overhead para operações de atualização, inserção e exclusão de registro, pois estas operações podem fazer com que a ordem dos registros seja alterada, e que estes tenham que ser reposicionados para manter a ordem definida pelo índice (BATTISTI, 2005). 2.3 Non-Clutered Index Ao se criar um índice não-cluster cria-se na verdade uma estrutura que, através de ponteiros, ligará a linha do índice à correspondente página da tabela sem alterar sua ordem. Os registros estarão armazenados em uma ordem aleatória, porém poderão ser facilmente localizados através do ponteiro (RIBEIRO). A utilização desse tipo de índice é indicada quando os dados podem ser pesquisados por diferentes critérios, uma vez que podemos criar vários nonclustered index em uma tabela. Uma novidade do SQL Server 2005 é a possibilidade de ampliar a funcionalidade de um nonclustered index, através de colunas que não são chaves, como parte do último

4 nível ou camada de nós da folha de dados. Esta opção poderá melhorar consideravelmente o desempenho das consultas (BATTISTI, 2005). O SQL Server 2005 usa a chave clusterizada na página de índice para colocar o ponto do índice, e uma chave armazenando o local da informação. Tabelas que contém índices cluster e índices não cluster são muito comuns. O melhor nessas situações é criar o índice cluster primeiro (que irá organizar os dados e o índice em ordem ascendente) e depois criar o índice não clusterizado nas colunas que forem necessárias como FK`s, ou colunas muito acessadas. Deve-se tomar cuidado com a utilização dos dois tipos de índices em uma única tabela. Nesse caso o SQL acaba por utilizar os dois meios de busca gerando um I/O muito grande. 2.4 Index Keys Index Keys são as colunas utilizadas para a definição de um índice. A chave do índice é um valor que permite que o registro correspondente seja facilmente localizado. Nesse caso o valor a ser procurado será exatamente igual ao valor da chave (RIBEIRO). 2.5 Index Uniqueness Nesse tipo de índice não há unicidade nos valores armazenados. Um índice não único permite valores repetidos para a chave, porém será proporcionalmente mais efetivo quanto mais variarem os valores para o campo (RIBEIRO). 2.6 FILL FACTOR A opção fill factor determina qual a porcentagem de uma página de dados deve ser preenchido com o índice e quanto deve ser mantido em branco, reservado para inclusões e alterações. Por exemplo, se utilizarmos o fill factor igual a 80%, então o SQL Server irá apenas preencher 80% de cada página com os índices. Se alterarmos ou incluirmos dados, o SQL consegue reorganizar os índices de uma maneira mais rápida, pois ele tem 20% de espaço em branco em cada página de dados para poder preencher (Linha de Código, 2006). A decisão de usar ou não fill factor depende do número de inclusões e alterações

5 que se espera receber em uma tabela. Se o banco for utilizado somente para consulta, então a melhor coisa a se fazer é colocar o fill factor 100%, pois não há necessidade de deixar espaço em branco nas páginas de índices, já que eles jamais serão reorganizados (RIBEIRO). Imagine que uma tabela tem de registros e que, diariamente, novos registros são adicionados ou modificados. Se colocado o fill factor igual a 90%, muito provavelmente em dez dias o espaço em branco que o SQL Server reservou já foi tomado. Nesse contexto haverá uma queda de desempenho na hora de incluir registros na tabela. Agora, se colocado o fill factor igual a 70%, não teremos queda de performance durante um mês (Linha de Código, 2006). Quanto maior o fill factor maior será o tempo entre manutenções do índice do banco de dados. O fill factor ideal de um índice será aquele que causar menos fragmentação para um determinado período de analise 2.8 DBCC Database Consistency Cheker No SQL Server 2005, através da linguagem transacional, temos uma série de comando que podem ser de grande utilidade na manutenção de tabelas e índices. Entre os vários comando DBCC existentes, alguns merecem atenção maior quando falamos de otimização de consultas. Abaixo veremos quais são eles divididos por quatro categorias Comandos de Manutenção Comandos para manutenção preventiva ou corretiva no banco de dados: DBCC DBREINDEX Reconstrói os índices de uma tabela. Muito útil para manutenção de índices. DBCC DBREPAIR Apaga um banco corrompido. Use DRP DATABASE ao invés de DBCC DBREPAIR. DBCC Desfragmenta um ou mais índices de uma tabela. Melhora a

6 INDEXDEFRAG performance do índice. Fonte: PICHILIANI Comandos Gerais Possuem diversas funcionalidades, como alocação de tabela na memória, ajuda sobre outros comandos DBCC e pinagem de tabela: DBCC HELP DBCC PINTABLE Retorna a sintaxe de algum outro comando DBCC Pina a tabela, ou seja, faz o SQL Server não liberar da memória algumas informações de uma tabela. Se utilizado com cuidado, há ganho de performance. DBCC UNPINTABLE Faz o SQL Server liberar da memórias algumas informações de uma tabela que foi pinada como comando DBCC PINTABLE. DBCC ROWLOCK Simplesmente incluída por compatibilidade. A funcionalidade que este comando proporcionava já é embutida automaticamente no SQL Server 2000 DBCC TRACEON Habilita um flag de trace que é necessário para outros comandos DBCC. DBCC TRACEOFF Desabilita um flag de trace setado como comando DBCC TRACEON Fonte: PICHILIANI Comandos de Status Fazem algumas verificações de algumas configurações do banco de dados: DBCC OPENTRAN Mostra informações sobre a transação mais velha ( mais tempo executando ) em um banco de dados. DBCC SHOWCONTIG Mostra várias informações sobre os índices de uma tabela, inclusive o nível de fragmentação do índice. DBCC SHOW_STATISTICS Mostra as informações sobre as estatísticas de uma tabela. Estatísticas são muito importantes para a melhora de performance.

7 DBCC TRACESTATUS Mostra a situação dos flags de trace que foram setados com o DBCC TRACEON. Estes traces controlam configurações internas do SQL Server Fonte: PICHILIANI Comandos de validação Checagem de alguns objetos do banco de dados como tabelas, valores das colunas IDENTITY e constraints: DBCC CHECKALLOC Verifica o espaço para as estruturas de alocações internas do SQL Server. Permite alguns reparos em caso de erro. DBCC CHECKCATALOG Somente checa a consistência de algumas tabelas de sistema do SQL Server ( que compõem o Database Catalog ). Não faz reparos DBCC CHECKCONSTRAINTS DBCC CHECKDB Checa os relacionamentos de uma determinada constraint no banco de dados. Não faz reparos. Verifica erros de alocação e de consistência em vários objetos do banco de dados. Pode efetuar reparos importantes em caso de erro. DBCC CHECKFILEGROUP Muito parecido com o DBCC CHECKDB, porém só faz a verificação no nível do filegroup de um database. Não faz reparos DBCC CHECKIDENT Chega e corrige, caso necessário, valores de colunas que possuem a propriedade IDENTITY. Pode inclusive resetar o valor inicial ( seed ) da coluna que possui a propriedade IDENTITY. DBCC CHECKTABLE Checa e corrige a integridade das páginas de dados, índices, ntext, text e image para uma tabela ou uma indexed view DBCC NEWALLOC Idêntica à DBCC CHECKALLOC. Foi mantida por Fonte: PICHILIANI compatibilidade.

8 2.9 SQL Server Profiler Profiler é uma ferramenta que monitora a atividade de uma ou mais instâncias de um servidor SQL Server. Entende-se por atividade desde uma conexão efetuada por um usuário até comandos executados através de uma conexão. Com a utilização do Profiler temos a possibilidade de capturar e uma série de comandos enviados por uma determinada instância do SQL Server e armazena-las para testes futuros. Imaginando que uma aplicação faça uso de constantes consultas ao banco de dados, pode-se então armazená-las e após a criação ou reestruturação de índices, ou definição de diferentes porcentagens de fill factor, teremos a possibilidade de fazer a analise em conjunto das alterações realizadas facilitando a tomada de decisões. À captura destes comandos ou eventos dá-se o nome de trace. O trace poderá ser configurado de acordo com as necessidades do administrador do banco Configurando o Trace Após a execução da ferramenta Profiler, clicar no menu FILE NEW TRACE. Surgirá uma janela perguntando qual instância do servidor SQL Server deseja-se monitorar conforme figura 1. Após a seleção do Servidor surge a janela de propriedades do trace. Nesta janela podemos definir qual o modelo de trace será utilizado e personalizar algumas

9 características, conforme indicado na figura 1.2. Para iniciar a captura dos eventos será necessário um duplo clique no botão Run. Na figura 1.3 pode-se ver o evento de consulta Select executado no banco de dados Estatisticas de I/O As estatísticas de I/O podem ser um ótimo indicador de desempenho no processo de criação de uma consulta. Para fazer a verificação das estatísticas de uma consulta, basta, antes da

10 execução do comando transacional SQL, inserir o comando Set Statistcis IO ON. Dessa forma, após a execução da consulta estarão detalhadas as informações de estatística da mesma. Segue algumas das informações fornecidas: - Logical Reads : informa o número de páginas lidas em memória. (RIBEIRO, 2006). - Physical Reads: número de páginas lidas em disco. Se as páginas requeridas por um comando não estão em memória, devem ser lidas do disco para a memória. Quando você executa um comando pela primeira vez, podem ocorrer leituras físicas. Se você executar o mesmo comando repetidas vezes, irá notar que leituras físicas são convertidas em leituras lógicas. As leituras físicas desaparecem, permanecendo somente as leituras lógicas (RIBEIRO, 2006). - Read Ahead Reads: páginas lidas por antecipação. O SQL Server 2000 lê páginas adicionais para efeito de otimização, mantendo-as em cache para agilizar sua utilização por outras queries (RIBEIRO, 2006). - Scan Count: número de vezes que a tabela foi acionada. Dependendo da maneira como escrevemos a query, o mesmo pelo modêlo de join utilizado, uma mesma tabela pode ser acessada repetidas vezes exemplo: uma subquery na linha do select exige um acesso para cada linha lida na tabela principal, portanto o scan count das tabelas presentes na subquery será igual ao número de linhas retornadas pelo select (RIBEIRO, 2006). Server Profiler. Tais informações também poderão ser verificadas através da ferramenta SQL 3.0 Conclusão O SQL Server 2005 possui um conjunto de soluções vastas e complexas para a otimização de consultas a bancos de dados. Porém, entendendo alguns conceitos sobre criação de índices, análise de estatísticas, fator de preenchimento das páginas dos índices e outros comandos ou ferramentas apresentadas ao longo do artigo, já se pode obter um grande ganho na otimização das consultas a banco. Seja na construção ou verificação de consultas já desenvolvidas por outras

11 pessoas, percebe-se que, apesar de ser o objetivo central das consultas, não basta apenas obter as informações desejadas. É necessário que as informações sejam retornadas no menor tempo possível para que se atinja um nível de satisfação aceitável com os usuários de sistemas informatizados. REFERÊNCIAS BATTISTI, Júlio SQL Server 2005: Administração e Desenvolvimento: Curso Completo. Janeiro: Axcel Books, Linha de Código: SQL Server Índices. Disponível em Acesso em 02 Out RIBEIRO, Paulo: SQL Magazine; Entendendo e utilizando índices na otimização de queries no SQL Server. RIBEIRO, Paulo: SQL Magazine; Otimização e Tunning Parte 1. 2ª Edição. RIBEIRO, Paulo: SQL Magazine; Otimização e Tunning Parte 2. 2ª Edição RIBEIRO, Paulo: SQL Magazine; Tuning Estatísticas de I/O. Disponível em Acesso em 18 Nov PICHILIANI, Mauro: IMaster; Comandos DBCC no SQL Server. Disponível em Acesso em 18 Nov

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