SOCIOECONÔMICOS 10 2 ASPECTOS INTRODUÇÃO PRODUÇÃO E CAPACIDADE DE ARMAZENAMENTO

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1 10 2 ASPECTOS SOCIOECONÔMICOS Loiva Maria Ribeiro de Mello INTRODUÇÃO A maçã é a fruta de clima temperado mais importante comercializada como fruta fresca, tanto no contexto internacional quanto no nacional. O cultivo da macieira é recente no Brasil e estabeleceu-se a por meio de grandes empresas atraídas por incentivos de políticas públicas. As empresas instalaram pomares e montaram toda a infra-estrutura de câmaras frigoríficas, transporte frigorífico e estrutura de comercialização. Embora a macieira tenha chegado ao Brasil com os primeiros colonizadores Europeus, sua cultura ficou limitada a pomares domésticos. Até a década de 60, somente a Região de Valinhos (SP) tinha alguns pomares comerciais, cultivados com variedades de baixo valor comercial, cuja produção era vendida em caixas de tomate. Os primeiros pomares comerciais surgiram na Região de Fraiburgo, SC, em 1969, cujos produtores foram atraídos pela Lei de Incentivos Fiscais para Reflorestamento, cujo programa incluía a macieira. No início da década de 70, houve incentivo da Secretaria da Agricultura, que criou o Programa de Fruticultura de Clima Temperado Profit, que beneficiava pequenos e médios produtores. A experiência do Profit foi posteriormente levada ao Paraná e ao Rio Grande do Sul. PRODUÇÃO E CAPACIDADE DE ARMAZENAMENTO A produção de maçã esta concentrada na Região Sul do Brasil, que é responsável por 98% da produção nacional. Em 1972, a área plantada no Brasil era insignificante (931 ha), passando a ha em 1980 e ha em O principal estado produtor é Santa Catarina com ha, seguido do Rio Grande do Sul com ha, Paraná com ha e São Paulo com 224 ha. A evolução da área plantada com macieira no Brasil, de 1986 a 2002, é apresentada na Fig. 1. Observase, que o maior incremento de área nos últimos anos ocorreu no Estado do Rio Grande do Sul. Fig. 1. Área plantada no Brasil Fonte: ABPM.

2 11 A produção de maçã no Brasil, em 1973 atingia t, passando a t em 1980 e a t em 2002 (Fig. 2). Enquanto a área plantada teve um aumento de 62% de 1980 a 1990, a produção aumentou, no mesmo período, 1.394%. Considerando o período de 1990 a 2002, o incremento da área foi de 28%, e a produção de 144% (Tabela 1). Comparando-se a Fig. 1 com a Fig. 2, observa-se nitidamente o aumento de produtividade. Esses indicadores mostram um incremento significativo na eficiência produtiva da maçã no Brasil. O Estado com maior produção também é o de Santa Catarina, que em 2002 produziu t de maçãs, seguido por Rio Grande do Sul, com t, Paraná com t e São Paulo com t. A evolução da produção de maçã por estado é apresentada na Fig. 2, e a evolução da produtividade média pode ser observada na Tabela 1. Embora tenha ocorrido um aumento na eficiência produtiva do setor pomícola no Brasil, ainda está muito aquém dos grandes produtores mundiais. Dados publicados em 1997, pela World Apple Report, em março de 1977, apresentam produtividade de 55,2 t/ha para a Austrália, 49,3 t/ha para a Alemanha, 43,3 t/ha para a Bélgica, 31 t/ha para a Nova Zelândia, 31,7 t/ha para o Chile e 38,2 t/ha para a África do Sul. A mesma publicação mostra que, em termos de competitividade, o Brasil está em quinto lugar em eficiência na produção, em sétimo lugar em infra-estrutura e insumos, em décimo-oitavo lugar em mercados e finanças, e em décimo-primeiro lugar no cômputo geral. A maior parte da produção brasileira provém de três cultivares: Gala, Fuji, e Golden Delicious. A Gala a primeira a ser colhida (fevereiro), com 46% da produção total; a Fuji, cuja colheita ocorre em abril, é a mais resistente à frigo-conservação, participando com 45% da produção; a Golden Delicious, colhida em março, representa 6% da produção total e outras com 3%. Por causa das operações manuais, a cultura da macieira é altamente demandante de mão-de-obra, seja na formação da planta, no raleio e na colheita, seja na classificação e na embalagem. Cerca de 80% do total de maçã produzida é destinada ao consumo in natura. Essa é comercializada especialmente via Ceasas, Ceagesp e grandes supermercados. A maçã que é destinada à agroindústria é de qualidade inferior e não apresenta condições de ser comercializada no mercado da fruta in natura. A maior parte da produção de maçã provém de grandes empresas, que cultivam extensas áreas, com avançado nível de integração vertical nas estruturas de classificação, de câmaras frias e de comercialização. Fig. 2. Produção brasileira por Estado. Fonte: ABPM.

3 12 Tabela 1.Evolução da produtividade da macieira nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul e no Brasil. Ano Área Santa Catarina Produção Produtiv. Rio Grande do Sul Área Produção Produtiv. Área Brasil Produção Produtiv ,3 8,8 16,6 18,0 17,0 16,1 17,6 21,4 17,1 18,7 18,3 24,7 24,2 25,6 31,6 24,6 29, ,5 8,1 16,1 16,3 11,9 10,7 15,3 20,1 21,1 21,1 23,8 25,2 29,4 26,6 36,9 22,2 25, ,9 7,9 15,5 16,0 14,4 13,1 15,7 19,6 17,4 18,9 19,7 23,8 25,0 24,9 32,1 23,1 27,6 Fonte: ABPM Parte dos pequenos e médios produtores associa-se às grandes empresas e atua sob contrato, beneficiando-se da infraestrutura dessas empresas; a outra parte está organizada em associações ou cooperativas e apresenta infra-estrutura de armazenagem, classificação e embalagem. A despeito dessa estrutura, ainda existem produtores, pequenos e médios, que encontram grandes dificuldades de competitividade e, por falta de estrutura, vendem a produção de forma individual aos intermediários, diretamente no pomar, a preços bem abaixo do mercado. A capacidade de armazenamento de maçã atual é de t, ou seja, cerca de 60% da produção nacional. Dessa capacidade, 44% utilizam tecnologia convencional e 56% atmosfera controlada (Fig. 3). O Estado de Santa Catarina detém a maior capacidade de armazenamento e a maior proporção em atmosfera controlada. MERCADO INTERNO Até a década de 70, o Brasil importava praticamente toda a maçã consumida. O aumento da produção de maçã permitiu a substituição gradativa das importações na década de 80 e início da década de 90. No entanto, apesar do aumento significativo da produção nacional, ainda importase grande quantidade de maçã, chegando a ultrapassar, em alguns anos, os 181 mil toneladas importadas por ano, em média, no período 1975/79, quando o Brasil dependia quase exclusivamente das importações para o abastecimento do mercado interno. A produção de maçã do Brasil, com uma fruta de sabor diferenciado daquela tradicionalmente importada, mudou os hábitos do consumidor brasileiro, resultando no aumento do consumo per capita, situando-se entre 3,5 e 4,3 kg per capita, da fruta in natura nos últimos quatro anos. O consumo ainda é baixo

4 13 comparando com a Áustria (32,8 kg), Turquia (71,7 kg), Bélgica (28,7 kg) e mesmo os países do Mercosul como Argentina consome 11,1 kg per capita e Chile 6,5 kg per capita. A Fig. 4 apresenta a proporção do consumo interno de maçã nacional e importada. Observa-se que, em alguns anos do período de 1986 a 2002, a maçã importada atingiu quase 40% do total de maçãs consumida no Brasil. Embora, nesses anos (1987 e 1996), a proporção da maçã importada no mercado tenha sido semelhante, em termos de quantidade, foram bem distintas. Em 1987 foram importadas 123,78 mil toneladas e 338,91 mil toneladas em 1996, ou seja quase o triplo. No último ano, a fatia de mercado da maçã importada ficou em torno de 6%. As importações brasileiras por país de origem são apresentadas na Fig. 5. Observase que praticamente toda maçã importada provém da Argentina, com alguma expressão para o Chile somente no ano de Nos primeiros anos do Plano Real, com o valor do dólar baixo, houve uma grande importação de maçã (162 mil toneladas em 1995 e 339 mil toneladas em 1996), estabilizando-se nos anos seguintes aos níveis anteriores ao Plano (Fig. 6). Fig. 3. Capacidade de armazenagem frigorífica, em toneladas. Fonte: ABPM Fig. 4. Consumo nacional, em milhões de quilos. Fontes: ABPM, SECEX-MDCI.

5 14 Fig. 5. Importações brasileiras por país de origem. Fig. 6. Quantidades importadas, em quilos.

6 15 As exportações da fruta fresca eram insignificantes até A partir de 1999 houve um crescimento expressivo das exportações, embora representem menos de 5% da produção nacional (Fig. 7). Tendo em vista a qualidade do produto ofertado, há possibilidade de expansão do comércio internacional, considerando que o Brasil já consolidou a produção integrada de maçãs, com produtores certificados, que podem usar o selo PIM em seu produto. Os principais países de destino são Países Baixos, Reino Unido, Hong Kong e Espanha, como pode ser visualizado na Fig. 8. Os preços médios de maçã praticados no mercado interno têm oscilado. Isto pode ser verificado pela Fig. 9, que apresenta os preços médios praticados no Ceagesp-SP, em dólar. POTENCIAL E PERSPECTIVAS Considerando o avanço que a pomicultura tem apresentado, a infra-estrutura de armazenamento e comercialização e a textura crocante da fruta, há perspectivas de aumento no consumo. A produção brasileira de maçãs, aponta para um crescimento anual para os próximos anos, ao redor de 10% e, já em 2000, o Brasil atingiu a auto-suficiência, com colheita de toneladas. Nos últimos anos, o Brasil deu mais atenção à qualidade da fruta implementando a produção integrada de maçã, adequandose às exigências dos consumidores da fruta para o consumo in natura. O consumo per capita ainda é muito baixo, considerando o consumo mundial, que em alguns países ultrapassa os 30 kg, no entanto o aumento no consumo dependerá de um aumento no poder aquisitivo especialmente das classes menos favorecidas. No início do Plano Real, o consumo de frutas frescas aumentou significativamente, porém, com a queda do poder aquisitivo dos últimos anos vem caindo novamente. Os eventuais excessos de produção e as frutas fora de padrão para consumo in natura tem sido absorvido pela agroindústria de sucos, que remuneram mal esta fruta em função dos baixos preços do suco no mercado mundial. As perspectivas de exportação de grandes volumes não são favoráveis, pois a produção de maçãs no mundo, vem aumentando de forma significativa. Os responsáveis por isso, são a China e o Hemisfério Sul. Os grandes consumidores são também grandes produtores. Fig. 7. Quantidades exportadas, de 1996 a 1999.

7 16 Fig. 8. Exportações brasileiras para os principais países. Fig. 9. Preços médios, em dólar, da maçã CAT1 em caixa de 18 kg. Fonte: Ceagesp-SP.

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