AVALIAÇÃO DOS FATORES DE RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES DOS FREQUENTADORES DE PARQUES DA CIDADE DE SÃO PAULO

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1 Ciências da Vida - Nutrição AVALIAÇÃO DOS FATORES DE RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES DOS FREQUENTADORES DE PARQUES DA CIDADE DE SÃO PAULO Fernanda Cristina Guevara 1 Camila Maria Melo 2 Tatiane Vanessa de Oliveira 3 Palavras-chaves Adulto; Exercício; Nutrição; Parque público; Risco cardiovascular. INTRODUÇÃO As doenças cardiovasculares (DCV) são consideradas como uma importante causa de morte tanto em países desenvolvidos como em desenvolvimento e, seu crescimento e impacto principalmente nas classes menos favorecidas alertam para a necessidade de intervenções eficazes, de baixo custo e caráter preventivo (RIQUE et al., 2002). Os fatores de risco envolvidos na etiologia das DVC que mais se destacam são hipertensão arterial, as dislipidemias, a presença de hipertrofia ventricular esquerda, a obesidade, o diabete melito e alguns hábitos relacionados ao estilo de vida, como dietas hipercalóricas, rica em gorduras saturadas, colesterol e sal, o consumo de bebida alcoólica, o tabagismo e o sedentarismo (CERVATO et al., 1997). A mudança de hábitos alimentares e a prática de atividade física podem auxiliar na redução dos fatores de risco para DCV. O exercício físico regular atua na prevenção e controle das DCV, influenciando em quase todos os seus fatores de risco, e, associado as modificações na alimentação, deveria ser meta prioritária nos programas de prevenção das DCV (RIQUE et al., 2002). Portanto, o presente trabalho teve como objetivo, identificar os fatores de risco para DCV em freqüentadores de parques da cidade de São Paulo. OBJETIVOS Verificar a presença de fatores de risco para doenças cardiovasculares; Identificar a prevalência de sobrepeso e obesidade; Avaliar hábitos alimentares referente ao consumo de fibras, gorduras saturadas, gorduras insaturadas, açúcares e sódio; Avaliar a frequência da prática de atividade física. Estudante do curso de Nutrição; Professora Colaboradora da Universidade Bandeirante de São Paulo; Professora Orientadora da Universidade Bandeirante de São Paulo;

2 METODOLOGIA Foram avaliados 212 indivíduos adultos de ambos os sexos frequentadores do parque Villa Lobos ou Ibirapuera da cidade de São Paulo, com participação espontânea e aberta a todos os indivíduos adultos maiores de 18 anos. Os voluntários responderam a um questionário formulado pelo Ministério da Saúde que avaliou os hábitos alimentares e a prática regular de atividades físicas. Também foi realizada uma avaliação antropométrica dos indivíduos, na qual, verificou-se peso, estatura, IMC (Índice de Massa Corporal) e circunferência da cintura abdominal. Os voluntários foram pesados descalços, com o mínimo de vestimentas em balança digital portátil com capacidade mínima de 0,10 kg e capacidade máxima de 150 kg. A estatura foi verificada com o auxílio de uma fita métrica inelástica, com o voluntário em posição ereta, descalço, com os pés juntos, braços estendidos ao lado do corpo e cabeça posicionada num ângulo de 90. Para verificação da circunferência da cintura abdominal, utilizou-se uma fita métrica inelástica, de material resistente, com o indivíduo despido nesta região, em pé, com os pés juntos, braços estendidos ao lado do corpo e abdômen relaxado, sendo aferida na altura da cicatriz umbilical. Os pontos de cortes utilizados para a classificação da circunferência da cintura abdominal foram os sugeridos pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O cálculo de IMC foi feito através de quociente do peso (kg) e da estatura ao quadrado (m²) e, classificado de acordo com os pontos de corte da OMS. Os fatores de risco cardiovasculares considerados foram: sexo/idade se mulheres com mais de 55 anos ou homens com mais de 45 anos, sedentarismo, obesidade, circunferência da cintura aumentada, dieta rica em gorduras saturadas e sódio e ingestão de bebida alcoólica. Os dados foram coletados no período de julho a agosto de 2011 aos finais de semana (sábados e domingos). Para análise dos dados a população foi divida em dois grupos: homens e mulheres e os dados foram expressos em média, desvio padrão e valores percentuais. A partir dos dados coletados, foi realizada uma análise descritiva e correlações entre os fatores de risco cardiovascular, hábitos alimentares e prática de atividade física. O projeto foi aprovado pela Comissão de Ética - CEP/UNIBAN. RESULTADOS E DISCUSSÃO A população estudada totalizou 212 indivíduos e os dados de caracterização da população encontram-se na tabela 1. Entre os fatores de risco, observa-se para homens e mulheres, respectivamente: 45,1 % e 22,2% o fator sexo/idade, 12,3 % e 12,2 % de sedentários, 62,3% e 46,6% de excesso de peso, 43,4% e 67,8% de circunferência da cintura aumentada ou muito aumentada. Percebe-se que, as taxas de sedentarismo são semelhantes e relativamente baixas em ambos os sexos, fato que pode ser devido ao local escolhido para estudo. Os parques são locais propícios para a prática de atividades físicas e, segundo Oliveira et al., 2008, tem sido evidenciado que 30% dos indivíduos praticantes o fazem nos parques. A questão do parque também pode estar relacionada à presença do fator sexo/idade, pois com o aumento da idade pode haver preferência por atividades mais moderadas como a caminhada geralmente realizada nos parques. Entretanto, os resultados referentes à circunferência da cintura e excesso de peso são alarmantes para ambos, principalmente para as mulheres, devido à adiposidade abdominal associar-se a um maior risco cardiovascular decorrente

3 da maior incidência de diabetes melito, hipertensão arterial, dislipidemia e síndrome metabólica (STEEMBURGO et al., 2007). Existe um alto percentual de excesso de peso, apesar da maioria da população (87,7% dos homens e 87,8% das mulheres) realizar exercícios pelo menos duas vezes na semana, fato que pode estar relacionado à intensidade do exercício. Para que a atividade seja realmente benéfica é necessária a combinação da frequência, intensidade e duração do exercício (RIQUE et al., 2002). Em relação a avaliação dietética constatou-se que 38,5% dos homens consomem açúcares de duas a cinco vezes por semana e 17,2% diariamente e, entre as mulheres, 32,2% consomem de duas a cinco vezes por semana e 22,2% diariamente. As dietas com alto índice glicêmico diminuem a sensibilidade à insulina, associam-se a hipertrigliceridemia e diminuição das concentrações de HDL-c (SANTOS et al., 2006). Referente à ingestão de gorduras saturadas, verificou-se o consumo de alimentos ricos neste tipo de gordura, resultando nos seguintes dados para homens e mulheres respectivamente: consumo de carnes com gordura aparente/aves com pele: 30,3% e 11,1%; consumo de leite integral: 48,4% e 35,6%; uso de banha animal ou manteiga para cocção de alimentos: 0,8% e 2,2%; consumo de alimentos industrializados ricos em gorduras saturadas mais que duas vezes por semana: 41,8% e 32,2%. Podemos observar que, embora o consumo esteja elevado para ambos, a população masculina obteve maior consumo destes alimentos, resultado semelhante ao obtido no estudo de Cervato et al que verificou consumo de dietas ricas em ácidos graxos saturados altamente aterogênicos entre os homens. Tabela 1: Caracterização dos freqüentadores de parques da cidade de São Paulo em relação aos fatores de risco para desenvolvimento de doenças cardiovasculares (DCV). Parâmetros Homens (n= 122) Mulheres (n= 90) Idade (anos) 43,5 ± 13,7 43,2 ± 13,8 Peso (kg) 78,7 ± 13,6 65,3 ± 13,0 Estatura (m) 1,74 ± 0,1 1,64 ± 0,3 IMC (kg/m²) Desnutrição Eutrofia Sobrepeso Obesidade grau I Obesidade grau II Obesidade grau III Circunferência da cintura (cm) Classificação Risco DCV (%) Sem risco para DCV Risco aumentado para DCV Risco muito aumentado para DCV Freqüência Prática de atividade física (%) Diariamente 2-4x/semana Não pratica Freqüência da Ingestão de álcool (%) Não consome <4x/mês 1-6x/semana Diariamente Fonte: acervo pessoal. 26,1 ± 3,8 0,8% 36,1% 50% 10,7% 1,6% 0,8% 92,5 ± 10,8 56, ,4 41,8 45,9 12,3 27,3 42,1 26,4 4,1 25,1 ± 4,2 2,2% 51,1% 36,7% 7,8% 1,1% 1,1% 84,0 ± 11,0 32,2 25,6 42,2 34,4 53,3 12,2 38,9 43,3 16,7 1,1

4 O consumo de sódio também foi avaliado e constatou-se entre os homens e as mulheres, respectivamente, que 18,9% e 14,4% fazem adição de sal no prato (além do sal já adicionado no cozimento); 41,8% e 32,2%, consomem alimentos industrializados ricos em sódio mais que duas vezes por semana. Uma dieta que favoreça menor ingestão de sal torna-se essencial, pois, a mesma exerce um importante papel tanto na prevenção quanto no tratamento da hipertensão arterial (STEEMBURGO et al., 2007). Além disso, a influência do cloreto de sódio na pressão arterial aumenta com a idade (RIQUE et al., 2002). Os dados relacionados ao consumo diário de álcool correspondem a 4,1% dos homens e 1,1% das mulheres. Os percentuais são baixos, porém há uma limitação nesta questão, o ideal seria identificar a quantidade de drinks ingerida diariamente. Segundo Rique et al. 2002, acredita-se que o consumo moderado de álcool tem efeito protetor nas coronariopatias, através do aumento da HDL-c e redução do fibrinogênio, entretanto, o consumo de mais de três drinks diários estão relacionados a eventos como arritmia, hipertensão arterial, derrame hemorrágico e morte súbita. Em relação aos bons hábitos alimentares podemos observar os seguintes resultados para homens e mulheres, respectivamente: 32% e 33,3% consomem três ou mais frutas diariamente; 18% e 13,3% consomem oito colheres de sopa ou mais de legumes e verduras diariamente; 34,4% e 32,2% consomem peixes duas vezes ou mais semanalmente; 97,5% e 95,6% utilizam óleo vegetal para cocção dos alimentos. Com exceção da utilização do óleo vegetal, o consumo de alimentos protetores das DCV apresenta-se baixo em ambos os sexos. A American Heart Association enfatiza o consumo de vegetais, frutas e grãos integrais, confirmando a importância das fibras alimentares, antioxidantes e outras substâncias na prevenção e controle da DCV. Além disso, os ácidos graxos insaturados ômega-3 encontrados principalmente nos peixes de água frias como salmão, arenque, atum e sardinhas, reduzem os níveis de triglicerídeos séricos, melhoram a função plaquetária e promovem ligeira redução na pressão arterial em indivíduos hipertensos (RIQUE et al., 2002). CONCLUSÃO Os resultados mostram que grande parte da população apresenta fatores de risco para DCV relacionados às práticas alimentares, além disso, mais da metade da população, em ambos os sexos, apresentam fatores de risco independentes como o excesso de peso e circunferência de cintura aumentada. Os bons hábitos alimentares como o consumo de fibras e gorduras protetoras das DCV também se apresentaram de forma insatisfatória. A prática de atividade física mesmo que ineficiente para perda de peso esteve presente em quase 100% da população. Tal resultado mostra que, grande parte dos praticantes de atividades nos parques analisados, apresenta fatores de risco para DCV, sugerindo a importância da prescrição e orientação da prática de exercícios em parques públicos de São Paulo. REFERÊNCIAS CERVATO, A.M. et al. Dieta habitual e fatores de risco para doenças cardiovasculares. Rev Saude Publica, vol 31, n 3, p OLIVEIRA, G.F. et al. Risco cardiovascular de usuários ativos, insuficientemente ativos e inativos de parques públicos. Rev. Bras. Cineantropom. Desempenho Hum., vol 10, n 2, p

5 RIQUE, A.B.R.; SOARES, E.A.; MEIRELLES, C.M. Nutrição e exercício na prevenção e controle das doenças cardiovasculares. Rev Bras Med Esporte, vol 8, n 6, p SANTOS, C.R.B. et al. Fatores dietéticos na prevenção e tratamento de comorbidades associadas à síndrome metabólica. Rev. Nutr., vol 19, n 3, p STEEMBURGO, T. et al. Fatores dietéticos e síndrome metabólica. Arq Bras Endocrinol Metab, vol 51, n 9, p

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