CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS

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1 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS LOGÍSTICA REVERSA E A RESPONSABILIDADE EMPRESARIAL Os bens industriais apresentam ciclos de vida útil de algumas semanas ou de alguns anos, após o que serão descartados pela sociedade, de diferentes formas, constituindo os produtos de pós - consumo e os resíduos sólidos em geral. Estes produtos ou materiais de pós- consumo, se não retornarem ao ciclo produtivo de alguma forma, em quantidades adequadas, constituir-se-ão em acúmulos que excederão, em alguns casos, as diversas possibilidades e capacidades de estocagem dos mesmos, transformando-se em problemas ambientais com visibilidade crescente no limiar de nosso século.( Quadro anexo) A Logística Reversa, uma nova área da Logística Empresarial, preocupa-se em equacionar a multiplicidade de aspectos logísticos do retorno ao ciclo produtivo destes diferentes tipos de bens industriais, dos materiais constituintes dos mesmos, bem como dos resíduos industriais, através de reutilização controlada do bem e de seus componentes ou da reciclagem dos materiais constituintes, dando origem a matérias primas secundárias que se reintroduzirão ao processo produtivo. As diferentes alternativas e formas de comercialização, desde a captação dos bens de pós- consumo ou dos resíduos industriais até a sua reutilização ou através do reaproveitamento de seus materiais, constituem os Canais de Distribuição Reversos. A redução do ciclo de vida mercadológico dos produtos, a introdução de novas tecnologias e materiais na constituição dos mesmos, a obsolescência precoce dos produtos, a vertiginosa febre de novos lançamentos de produtos, o alto custo de reparos face ao preço do bem, entre outros motivos, tem aumentado as quantidades de bens descartados. Este Novo Momento Histórico, de alta descartabilidade, tem gerado uma crescente sensibilidade ecológica na sociedade, pela proximidade ao seu cotidiano, causada pela visibilidade progressiva dos excessos destes descartes, somando-se à crescente proximidade dos desastres ecológicos. Esgotam-se as capacidades dos Sistemas de Disposição Final Tradicionais destes bens de pós consumo, os aterros de diversas classificações e a incineração, aumentando os custos ecológicos a serem pagos pela sociedade se não adequadamente equacionados.

2 CADEIA PRODUTIVA CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO REVERSOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO DIRETOS RECICLAGEM & REUSO RESÍDUOS INDUSTRIAIS BENS DE PÓS CONSUMO DESTINO CONTROLADO (SEM POLUIÇÃO) DESTINO NÃO CONTROLADO POLUIÇÃO POR CONTAMINAÇÃO DIRETA POLUIÇÃO PELO EXCESSO DE PÓS CONSUMO A Logística Reversa tem sido utilizada como uma importante ferramenta de aumento de competitividade e de consolidação de imagem corporativa, quando inserida na estratégia empresarial e em particular na estratégia de Marketing Ambiental, em empresas que privilegiam uma visão de Responsabilidade Empresarial em relação ao Meio Ambiente e à Sociedade. Para tanto, é necessário equacionar corretamente os diversos aspectos envolvidos no estabelecimento dos Canais de Distribuição Reversos dos materiais e produtos de pós - consumo, ambiente de atuação da Logística Reversa, estabelecer as adequadas relações de parcerias entre as empresas das cadeias reversas, o Supply Chain Reverso, estabelecer relações positivas na busca de soluções com diferentes áreas de governo, permitindo melhor aplicabilidade das Legislações Ambientais e detectar as Tendências Ecológicas da sociedade que darão o suporte às estratégias modernas de Marketing Ambiental. e valorizarão a imagem corporativa da organização.

3 Fatores Tecnológicos, Econômicos, Legislativos, Logísticos, e mais recentemente, os Ecológicos influem diferentemente na organização destes Canais de Distribuição Reversos, e as empresas necessitam planejar convenientemente suas estratégias adequando-as aos novos paradigmas e tendências de consumo da sociedade moderna. Esta atuação de Responsabilidade Ambiental, além de impactar positivamente na imagem institucional das empresas, permitirá que uma Nova Economia de negócios se intensifique com enormes possibilidades de geração de empregos, de serviços e de desenvolvimento tecnológico, tanto mais visível quanto maior a consciência da sociedade ao desenvolvimento sustentado. Diversos autores caracterizam as atitudes ou fases empresariais relativamente ao meio ambiente, entre os quais o Council of Logistics Management (C.L.M.), que em uma pesquisa junto a 17 empresas, na década de 90, constatou 3 principais atitudes empresariais neste sentido: Atitude Reativa, Atitude Pró Ativa e Atitude de Busca de Valor. A atitude empresarial reativa em relação ao meio ambiente é caracterizada pelo cumprimento da legislação e regulamentos, revelando uma visão introspectiva, ou em outras palavras, os impactos de seus produtos ou processos ao meio ambiente não fazem parte das reflexões estratégicas da empresa. No sentido de se desembaraçar de seus resíduos utiliza a venda ou a simples retirada dos mesmos evitando custos de disposição final. Desta forma a organização empresarial não prevê atividades especiais para a gestão do meio ambiente e nenhum comprometimento da hierarquia superior. Empresas que revelam uma visão pró ativa em relação à responsabilidade ambiental caracterizam-se pelo comprometimento da hierarquia superior com os problemas ambientais designando, em sua organização, áreas especializadas para o equacionamento dos problemas ligados à gestão ambiental e visando antecipar-se aos regulamentos e legislações, adquirindo experiência em sua especialidade setorial e colaborando eventualmente com os poderes públicos no correto estabelecimento destas legislações. Estabelece programas e diretrizes de gestão de resíduos e desenvolve suas redes logísticas reversas evitando os impactos negativos de seus produtos e processos ao meio ambiente. Desenvolve vantagem competitiva através de performance superior no cumprimento das legislações existentes, através de modificações em seus produtos tornando-os menos agressivos ao meio ambiente,. Empresas que se encontram na fase de agregar valor aos seus produtos, processos e serviços, através da responsabilidade ética com a sociedade e com o meio ambiente, caracterizam-se por desenvolver as atividades com visão sistêmica da empresa em sua cadeia produtiva, ou seja, desenvolveram capacidade empresarial de agregar valor aos seus produtos e serviços na medida em que sejam efetivamente perceptíveis aos clientes e à sociedade através de uma cultura empresarial comprometida com estes valores. Esta cultura permeada ao longo de todos os níveis hierárquicos garante um elevado grau de satisfação e orgulho dos colaboradores que se traduzirá em maior criatividade em suas funções e em processos de melhorias constantes. Desta forma, empresas nesta fase de desenvolvimento organizacional, elaboram suas estratégias através desta visão holística do novo ambiente empresarial, obtendo retornos em reduções de custos operacionais, ganho de competitividade, e reforço de sua imagem corporativa. Dentre suas principais ações estratégicas neste sentido incentiva as diversas áreas especializadas na concepção e

4 operação de redes de distribuição reversas, de sistemas de reciclagens internos e em parcerias nas cadeias reversas, além de outras atividades relacionadas. As empresas que apresentaram esta visão estratégica, nesta pesquisa, são as de melhor performance e normalmente líderes em seus setores de negócios, tendo como principais metas: - Criação de imagem diferenciada e de novas oportunidades de lucros através da introdução das preocupações ambientais em sua reflexão estratégica corporativa. - Busca constante de produtos e processos de menor impacto ao meio ambiente em acordo com os princípios do desenvolvimento sustentado. Selecionamos algumas atitudes típicas destas empresas líderes que buscam agregar valor às suas atividades empresariais através desta visão ética e responsável quanto ao impacto de seus produtos ao meio ambiente: - Avaliação dos produtos e processos através da Análise de Ciclo de Vida Ambiental A Análise do Ciclo de Vida Útil dos Produtos estuda o impacto ambiental dos produtos desde a extração das matérias-primas para a sua fabricação, seus insumos, transportes, distribuição direta e reversa, uso, manutenção, até a sua disposição final, tornando-se também conhecida com a expressão: análise dos produtos do berço ao túmulo. As recentes normas ISO 14000, sobre Sistemas de Gestão Ambiental, contemplam esta técnica nos capítulos referentes ao inventário, avaliação do impacto e interpretação do ciclo de vida dos produtos. A idéia fundamental é a de que se tenha um instrumento para decidir qual o nível de impacto ambiental de um produto ao longo de sua vida e poder compará-lo em todas as fases desta, o que poderá trazer muitas surpresas às considerações atuais. Altamente científico e complexo poderá tornar mais claro alguns casos clássicos como o da escolha da melhor alternativa : embalagem retornável ou descartável. Do ponto de vista econômico analisaríamos os custos comparados de produção para o mesmo volume envasado, os custos logísticos integrados, os custos administrativos, ganhos em vantagens competitivas, etc. Do ponto de vista do impacto ambiental examinaríamos que a retornável possui longa vida e portanto produção menor facilitando sua reciclabilidade,entre outros, enquanto que a descartável é mais leve e tem melhor concepção logística acarretando menor poluição no transporte,etc. Possivelmente haverá maior clareza nas decisões da sociedade sobre qual o ônus de cada agente que intervêm na forma de destinação final dos produtos. Nesta nova visão poderia ser imputado, de forma objetiva, os correspondentes custos ecológicos até a disposição final do produto, em função de sua maior ou menor reciclabilidade. Estas mesmas técnicas têm sido empregadas, mais recentemente, por organismos oficiais visando esclarecer definições e classificações ambientais dos produtos e processos, de forma a regulamentar o utilizações de rótulos ou selos ambientais, cuja tendência ao uso será crescente no mercado global.

5 - Concepção dos produtos visando reduzir impactos ao meio ambiente e facilitando o ciclo reverso do pós consumo ( Design for Recycling) O projeto dos produtos é o momento ideal para a consideração dos impactos dos mesmos e de seus materiais constituintes ao meio ambiente prevendo a facilidade de desmontagem, separação dos materiais constituintes, identificação dos mesmos. O projeto das linhas de desmontagens de automóveis, computadores, eletrodomésticos, etc., permite grandes economias e redução dos impactos ambientais. A redução dos 10 tipos diferentes de plásticos para 1 único tipo na construção dos computadores pela empresa IBM e o sistema de 1 parafuso de desmontagem utilizado nos computadores japoneses permite facilidade nas linhas reversas de desmontagens. Corresponde a desenvolver, modificar, produtos e serviços que satisfaçam às tendências de novas exigências que os consumidores passam a apresentar por maior sensibilidade ecológica. - Criação de Vantagem Competitiva através da Distribuição Reversa Utilizando-se de relações de parcerias e constituindo o verdadeiro Supply Chain Reverso estas empresas líderes e de alta responsabilidade ética têm conseguido excelente retorno mercadológico e de imagem corporativa através da criação das redes de distribuição reversas ( Take Back Products Programs ) de bens duráveis ou de seus componentes e através de diferentes formas de montagem das redes reversas de semi-duráveis e descartáveis. São conhecidos os exemplos de empresas como a Dupont e Xerox nos Estados Unidos, e diversos exemplos de empresas bem sucedidas nas áreas de descartáveis, como as embalagens de latas de alumínio, óleos lubrificantes, listas telefônicas, papel de imprensa, etc. Estas empresas antecipam-se às legislações e restrições impostos pela sua regulamentação, participando em sua concepção e se responsabilizando pela coleta e tratamento de seus produtos e materiais, terminada a sua utilidade inicial, evitando os impactos negativos ao meio ambiente. - Extensão dos Conceitos de Responsabilidade Ambiental Empresas com este posicionamento estratégico exigem comportamentos éticos e de responsabilidade ambiental de seus parceiros de negócios, rede de fornecedores e clientes. Tratando-se de uma atitude empresarial de demonstração de cultura de Qualidade Total, além da certificação ISO 14000, as empresas deverão apresentar-se com estas características na disputa de competitividade nos mercados globais. PROJETO DA REDE LOGÍSTICA REVERSA Conforme vimos, cresce o número de empresas que buscam uma posição pró ativa e de aumento de valor de seus produtos e serviços através da redução do impacto destes ao meio ambiente. Desenvolver sua rede de distribuição logística reversa diretamente ou através de parcerias, convênios com poderes públicos, em cooperativas, etc., revela-se uma das principais preocupações para a consecução destes objetivos operacionais.

6 Destacamos a seguir alguns aspectos relevantes do estabelecimento de um projeto de rede de distribuição reversa operacionalizada através da Logística Reversa. Preliminarmente deve-se estabelecer uma distinção entre os diversos canais de distribuição reversos (CDR) quanto ao tipo de bem disponibilizado e quanto à forma de reaproveitamento dos bens ou de seus materiais constituintes. Desta maneira os classificaremos em CDRs de bens duráveis, semi duráveis e descartáveis e em CDRs de materiais ou de produtos. As características do projeto serão significativamente diferentes em cada um destes casos. Produtos duráveis, com vida útil de alguns anos a algumas décadas, poderão ser disponibilizados por término de vida útil, quando o bem não apresenta interesse e funcionalidade de qualquer espécie, ou por obsolescência operacional, quando, embora em funcionamento, não apresenta interesse ao primeiro possuidor. No primeiro caso a rede de distribuição reversa estará interessada no aproveitamento de seus materiais constituintes e em seus componentes eventuais enquanto no segundo caso o objetivo do projeto de distribuição reverso será o reaproveitamento do bem em uma extensão de sua utilidade. Os bens semi-duráveis, com vida útil de alguns meses a dois anos, apresentam características intermediárias entre os duráveis e os descartáveis sendo portanto considerados em cada caso específico. Ou seja, a rede reversa poderá se constituir de reaproveitamento de componentes ou de extensão de uso (reuso) dos bens originais bem como de seus materiais constituintes. Os bens descartáveis, com algumas semanas de vida útil, apresentam interesse na reciclagem dos materiais constituintes dos mesmos, que poderão dar origem a produtos de mesma espécie ou de outras espécies do produto original. Podemos pois classificar alguns grandes grupos de projetos de redes de distribuição reversas que caracterizam os diversos tipos de Canais de Distribuição Reversos (CDRs) ou Supply Chain Reversos: a) Quanto à Similaridade do Produto Fabricado com Materiais Reciclados e do Produto de Pós Consumo Coletado. a.1. Canais de Distribuição Reversos de Ciclo Aberto. De materiais como os metais, plásticos, vidros, papéis, etc., nos quais estes materiais são extraídos de diferentes produtos de pós consumo que os contém, visando a sua reintegração ao ciclo produtivo substituindo matérias-primas novas. a.2. Canais de Distribuição Reversos de Ciclo Fechado. De produtos como latas de alumínio, latas de aço, baterias de automóvel, etc., nos quais os materiais são extraídos destes produtos de pós consumo para a fabricação de um produto equivalente. b) Quanto ao Nível de Integração Empresarial e Participação b.1. Empresas Integradas na Distribuição Reversa

7 b.1.1. Supply Chain Reverso de Pós Consumo Originados de Bens Duráveis e Semi Duráveis. Empresas se encarregam de todas as fases de distribuição reversa até o reaproveitamento dos subconjuntos ou para reposição ou para novas montagens. b.1.2. Supply Chain Reverso de Resíduos de Pós Consumo Originados de Bens Descartáveis Empresas se encarregam de todas as fases desde a coleta do pós- consumo até a reintegração dos materiais reciclados ao ciclo produtivo. b.2. Não integradas b.2.1. Supply Chain Reverso de Pós Consumo Originados de Bens Duráveis e Semi Duráveis. Empresas utilizam-se de outros agentes para a consecução das diferentes etapas de reaproveitamento dos bens de pós consumo através de comercialização de serviços ou de compra de produtos nas diversas fases. b.2.2. Supply Chain Reverso de Pós Consumo Originados de Bens Descartáveis. Empresas compram materiais processados em diversas etapas dos canais reversos. b.3. Empresas que não Utilizam os Pós Consumo Nestes casos a empresa estará interessada na montagem de uma rede logística reversa para assegurar-se do destino dos bens de pós consumo originados de seus produtos, vendendo-os ou comercializando parcerias de utilização dos mesmos nas diversas etapas reversas. Pelo exposto pode-se vislumbrar algumas opções estratégicas que devem ser examinadas no projeto de uma rede logística reversa, onde as vantagens e desvantagens de cada alternativa face ao ambiente operacional característico do mercado examinado, o posicionamento empresarial, as competências internas da empresa, além de outros fatores comuns aos estudos estratégicos empresariais deverão compor a análise. Os casos de projetos envolvendo bens de alto valor relativo observa-se uma tendência natural em soluções de ciclos fechados e integrados totalmente de forma a garantir os volumes em escala econômica de processamento empresarial além de integrar os lucros das operações individuais em cada etapa reversa. Entretanto a maior parte dos casos de projetos de redes reversas empresariais envolve decisões e ações nos ambientes externos e internos à empresa que precisam ser cuidadosamente equacionados, parcerias externas em prestação de serviços, envolvimento com associações de classe, processos de educação da sociedade, mobilizações junto aos poderes públicos, entre tantos outros aspectos a serem estudados.

8 c) Quanto aos Objetivos Principais O objetivo dos projetos de rede logística reversa poderão se constituir de um ou mais dos exemplos abaixo listados ou eventualmente de outros não específicados : c.1. Objetivo Econômico: visualização de ganhos financeiros na operação de reaproveitamento dos produtos ou materiais de pós- consumo. c.2. Objetivo Mercadológico: diferenciação de serviços de pós venda c.3. Obediência à Legislação: existentes ou futuras, visando nestes casos adquirir experiência para contribuir com a elaboração de normas e regulamentações c.4. Prevenção de risco à continuidade dos negócios: muito similar ao anterior mas neste caso a empresa visa mitigar os efeitos nocivos dos impactos dos pós consumos de seus produtos evitando que a regulamentação futura interfira nos resultados dos negócios. c.5. Ganho de Imagem Corporativa c.6. Outros eventuais.

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