Material Complementar Economia César Frade

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1 Analista Material Complementar Economia César Frade

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3 Sumário Sumário 1. Economia: Microeconomia x Macroeconomia Curva de Demanda Fatores que alteram a quantidade demandada Curva de Oferta Fatores que alteram a quantidade ofertada Equilíbrio Elasticidades Elasticidade-preço da demanda Elasticidade-renda da demanda Elasticidade cruzada da demanda Elasticidade-preço da Oferta Elasticidade Constante QUESTÕES PROPOSTAS QUESTÕES RESOLVIDAS

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5 Introdução Olá pessoal, Nesse curso, veremos a parte de Microeconomia para o BACEN. Possuo um estilo peculiar de dar aulas. Prefiro tanto em sala quanto em aulas escritas que elas transcorram como conversas informais. Entretanto, quando tenho que dar aulas de Teoria gosto de explicar não apenas a matéria mas também a forma como vocês devem raciocinar para acertar a questão. Acredito que todos aqui estão muito mais interessados em passar no concurso do que aprender Economia. Desta forma, estarei fazendo uma mescla entre um papo informal (papo que ocorrerá sempre que for possível) e a teoria formal. Mas nunca deixarei de ensinar qual o raciocínio que vocês devem utilizar para acertar as questões. Acredito que a matéria sendo exposta de forma informal torna a leitura mais tranquila e isso pode auxiliar no aprendizado de uma forma geral. Exatamente por isso, utilizo com frequência o Português de uma forma coloquial. Finalmente, gostaria de dizer a vocês que muito mais do que saber toda a matéria, é importante que você saiba fazer uma prova e esteja tranquilo! Portanto, tente aprender a matéria, mas certifique-se que você entendeu como deve proceder para marcar o X no lugar certo. Não interessa saber a matéria, interessa marcar o X no lugar certo e ver o nome na lista. Portanto, guarde que passa aquele que mais acerta e não aquele que mais sabe. Vocês aprender a fazer prova em primeiro lugar e esse é um dos objetivos desse curso. Tentarei ensinar a vocês o raciocínio a ser utilizado para acertar a questão no menor espaço de tempo possível. Prof. César Frade AGOSTO/2016

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7 Economia OFERTA X DEMANDA 1. Economia: Microeconomia x Macroeconomia A economia possui recursos escassos e a microeconomia estuda a melhor forma de aproveitar esses recursos que são colocados à disposição das pessoas. De uma forma simplificada, podemos dizer que enquanto a macroeconomia estuda os problemas existentes em um país, a microeconomia se preocupa com as decisões individuais das pessoas e empresas. Esse curso versará sobre as pessoas e empresas. Logo, para que você otimize o seu aprendizado, pense sempre nas suas decisões individuais para cada situação proposta no curso. Tentarei mostrar a vocês algumas situações inusitadas que ilustrariam bem cada momento. Acredito que a forma mais simples de aprendermos a microeconomia é pensando no nosso dia-a-dia, no cotidiano. Na verdade, acho que está na hora de passarmos para a matéria propriamente dita. Vamos lá? 2. Curva de Demanda A curva de demanda informa a quantidade a ser consumida de um produto a cada nível de preço. De uma forma geral, sabemos que quanto maior for o preço de um bem menos as pessoas querem adquirir daquele bem. Veja que estou falando de uma forma geral, mas é claro que existem exceções. Imagine que você adore feijão ou carne. Se o preço do quilo do feijão subir, a sua tendência não seria reduzir o consumo do bem? Pois bem, se todos pensassem e tomassem atitudes dessa forma, a demanda coletiva do bem feijão cairia com essa alta de preço. Portanto, o normal na atitude das pessoas é reduzir o consumo quando há aumento no preço do bem e aumentar o consumo quando o preço do bem for reduzido. 7

8 Ponto Importante! Geralmente, um aumento no preço reduz a quantidade demandada e vice-versa. Suponhamos que o bem esteja com o preço P 1, conforme mostrado no desenho acima. Com esse preço, os consumidores estariam demandando uma quantidade Q 1 e, portanto, estariam sobre o ponto 1 da curva de demanda. Se por um motivo qualquer (por exemplo, grande produção agrícola daquele bem) o preço cair para P 2, haverá um consequente aumento da quantidade demanda para Q 2. Imagine que o preço da carne caia 50%. Você concorda que a sua demanda por carne será aumentada? Por exemplo, ela poderá passar de Q 1 para Q 2. Esses bens que atendem à referida Lei da Demanda são chamados de Bens Comuns. Entendemos como bens comuns aqueles bens em que as pessoas reduzem o seu consumo quando ocorre um aumento no preço ou quando as pessoas aumentam o seu consumo quando os preços são reduzidos. O livro do Varian define o bem comum exatamente como expus acima. Matematicamente, podemos definir os bens comuns da seguinte forma: Bem Comum Q X D P X 0 ou ΔQ D X ΔP X 0 8

9 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade Já sei que alguns de vocês não compreenderam a equação acima. Eu explico, calma. Na verdade, essa equação está mostrando exatamente aquilo que foi dito anteriormente, ou seja, que a demanda e os preços se movimentam em direções opostas quando o bem for considerado comum. De forma simplificada, podemos dizer que o símbolo indica que estamos falando da variação, seria a diferença entre as quantidades inicial e final ou do preço inicial e final. x x Observe que a razão Q D ou ΔQ D P X ΔP é negativa e isso indica que se a variação do preço for positiva X (houver um aumento no preço), a variação da quantidade deverá ser negativa (haverá uma queda na quantidade demandada) e vice-versa. Ocorrendo tais fatos, podemos garantir que a razão será sempre um número negativo, pois + < 0 e + < 0. A dúvida agora reside na igualdade, não é mesmo. Isso é mera definição. Se o preço de um bem mudar e você continuar consumindo exatamente a mesma quantidade, esse bem será classificado como bem comum. Portanto, quando a equação informa que Bem Comum Q x D 0 P, ela está dizendo que se o bem X for comum, quando o preço cair a demanda irá subir ou ficar igual ou quando o preço subir a demanda deverá cair ou se manter constante. Além disso, indica também que sempre que o preço e a demanda se comportarem dessa forma, devemos concluir que o bem é comum. Ela não diz nada a mais, absolutamente nada. Com isso, vemos que vocês podem ficar tranquilos com relação às representações matemáticas, não é mesmo? Observe que a regra é a relação inversa entre preço e quantidade. Entretanto, existem algumas exceções. Imagine que uma farmácia esteja colocando o preço de um remédio na promoção. Será que pelo fato de o preço do remédio estar mais barato, você irá comprar e consumir mais daquele remédio? Se o preço do sal cair em 30%, isso fará com que você compre mais sal e coloque mais sal na comida? A resposta para essas duas perguntas é NÃO. As pessoas não irão alterar o consumo desses produtos porque houve variação em seus preços. Veja que esses dois casos também são exemplos de bens comuns. Você acha que uma pessoa poderá reduzir o consumo de um bem quando o preço desse bem for reduzido? Ou seja, será que a queda do preço de um produto pode induzir o consumidor a comprar menos daquele produto? É intrigante essa situação, mas a resposta é SIM. É possível que uma pessoa reduza o consumo de um bem pelo fato de o preço do produto ter caído. Fazendo isso, ela passaria a ter uma quantidade maior de recursos para adquirir outros bens. Acredito que a melhor forma de explicar tal evento é por meio de um exemplo. Veja o exemplo. Suponha que um consumidor esteja comendo batata no café da manhã, batata no almoço e batata no jantar. Ele repete esse cardápio há 30 dias. Será que se o preço da batata cair, o consumidor irá consumir mais batata? A resposta é não. Se o preço da batata cair, esse consumidor dará graças a Deus por isso, pois sobrarão mais recursos para a aquisição de outro bem e, assim, poderá reduzir a quantidade demandada de batata. 9

10 Esses são os chamados BENS DE GIFFEN. Vamos a um exemplo. Imagine que você tenha uma verba mensal de R$ 600,00 para fazer os seus almoços de um mês e deverá dividi-la entre as duas possibilidades existentes, quais sejam: sanduíche ou filé com fritas. De início, te digo que você preferiria sempre filé a sanduíche. Entretanto, o preço de uma refeição de filé custa, atualmente, R$ 30,00 enquanto que o sanduíche custa R$ 20,00. Assim sendo, se você tem esses preços e essa renda, a melhor forma que o indivíduo teria de conseguir almoçar seria comendo apenas sanduíche nos trinta dias. Dessa forma, estaria gastando a totalidade de sua verba mensal com sanduíche. Mas observe, essa pessoa prefere comer filé a sanduíche e não come filé todo dia senão os recursos acabariam em vinte dias e ela teria que ficar dez dias sem almoço. Suponha agora que o preço do sanduíche caia pela metade, ou seja, passe para R$ 10,00. A idéia inicial seria a de que se o preço do sanduíche caiu, o indivíduo deveria comer mais sanduíche, certo? Nesse caso, errado. Errado, porque a queda no preço do sanduíche fez com que sobrasse dinheiro e esse recurso poderia ser destinado a um bem que fizesse o consumidor mais feliz. Observe que se o consumidor continuar comprando apenas sanduíche, seu custo mensal de almoço passaria para R$ 300,00. Ele teria R$ 300,00 ainda para gastar. Sendo assim, qual seria a melhor escolha para o consumidor? É claro que a melhor escolha seria comer apenas filé, mas o consumidor continua sem ter recursos suficientes para isso. Assim, a melhor escolha seria comer quinze dias de filé e quinze dias de sanduíche. Dessa forma, estaria gastando R$ 450,00 (30,00 x 15) com o almoço de filé e R$ 150,00 (10,00 x 15) com o sanduíche. Observe que o sanduíche é um bem de Giffen, pois uma queda em seu preço provocou uma redução na quantidade demandada. Entretanto, tenho que ressaltar que o sanduíche é um bem de Giffen para essa pessoas e nessa circunstância narrada. No entanto, você deve guardar que um bem só pode ser classificado conforme sua situação, conforme o enredo da questão. Um bem de Giffen para uma determinada pessoa pode ser comum para outra. Quero dizer com isso que TODAS essas classificações são relativas. Certa vez, dando uma aula, um aluno me perguntou: Professor, você não vai explicar o que é Bem de Veblen? Eu respondi: Bem de quem?? Ele falou: Bem de Veblen. Respondi: Nunca ouvi falar nisso. Onde você leu isso? Ele responde: um professor me indicou um livro que fala desse bem. Enfim, esse foi o papo que tive com o aluno. Chegando em casa peguei o Varian e ele não falava nada, Pindyck não tinha nada, Mas-Colell muito menos. No dia que tinha aula na UnB (estava fazendo meu Doutorado) perguntei à minha orientadora e ela me respondeu: Bem de quem?? Ela sugeriu que eu perguntasse ao professor de micro, doutor em uma TOP 5 americana. E lá fui eu. Professor, o que é Bem de Veblen? E ele responde, nunca ouvi falar. Enfim...Só me restava uma coisa (e não era acreditar no livro que o aluno descreveu). 10

11 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade O que me restava? Procurar no Google. Lá, eu tinha certeza que acharia. E descobri, claro. Veblen era um economista nascido em 1857 e que veio a falecer em 1929 (ninguém nem sabia quem era Keynes na época). Pelo que li, ele vivia sempre em conflito com os outros acadêmicos da época e tinha ideias bastante independentes. Ficou conhecido como bem de Veblen 1 aquele bem que teria a demanda aumentada quando ocorresse um aumento no preço. Dito isso, queria dizer a vocês para ESQUECEREM isso. Não existe essa definição nem no Varian, Pindyck, Mas-Collel ou Ferguson. Logo, não podemos levar em consideração, ou melhor, não devemos levar em consideração, na minha opinião, esse tipo de bem. O Mas-Collel define bem de Giffen da seguinte forma: Matematicamente, podemos dizer que: Although it may be natural to think that a fall in a good s price will lead the consumer to purchase more of it, reverse situation is not an economic impossibility. Good L is said to be a Giffen good at (p,w) if x p,w L ( ) > 0. p L Bem de Giffen Q x D > 0 P X Vamos interpretar a equação, conforme a definição do Mas-Collel 2? Observe que ele informa que um bem L é dito bem de Giffen se a relação preço-quantidade for positiva. Apesar de a frase que foi transcrita não afirmar que se a relação for positiva o bem é de Giffen, este fato é verdadeiro também. Ou seja, vale o se, e somente se que é representado pelo símbolo " ". A equação descrita acima diz que se o preço cair e isso provocar uma redução na quantidade demanda, o bem em questão é de GIFFEN. Esse é o caso do exemplo do sanduíche, pois a razão entre dois número negativos (variações negativas) é um número positivo > 0. Por outro lado, se o preço de um determinado bem for majorado e a demanda por esse bem também crescer teremos uma relação de proporção direta entre as grandezas + + > 0, e o bem em questão também será considerado de GIFFEN, conforme a definição apresentada. Um exemplo desse tipo? Em geral, bens de ostentação possuem essa característica. Imagine que você não entende nada de quadro, nunca foi a uma exposição e nunca viu um quadro famoso. Em um leilão são apresentados dois quadros da Monalisa. O primeiro deles enorme e o segundo pequeno. A sua tendência inicial seria dar um lance maior no quadro maior, não é mesmo? Ainda mais se você olhar para os dois e não ver diferença nenhuma entre eles. No entanto, após ficar sabendo que o menor é o autêntico, é capaz de você passar a dar 1 Importante destacar que além desse conceito não estar em nenhum dos livros de vanguarda, eu nunca vi esse assunto sendo cobrado em prova e olha que já pesquisei nas provas que já foram elaboradas de 97 até os dias atuais. 2 O livro do Mas-Collel é utilizado há alguns anos nos mestrados e doutorados de algumas das melhores universidades brasileiras e americanas. 11

12 maior valor a ele pelo simples fato de poder dizer que comprou um Da Vinci. Nesse exemplo, o preço subiu e você aumentou a demanda pelo quadro. Bens de ostentação funcionam dessa forma. Ponto Importante! Se preço e quantidade forem grandezas diretamente proporcionais, consideramos o bem como sendo de GIFFEN. Se preço e quantidade forem inversamente proporcionais, o bem é COMUM Fatores que alteram a quantidade demandada São cinco os fatores que podem modificar a quantidade demandada. São eles: Preço; Renda; Preço de Produtos Relacionados; Gosto; e Expectativas a) Preço Esse princípio já foi anunciado. Em geral, uma variação no preço do produto provoca uma alteração na quantidade demandada do mesmo. Importante ressaltar que apesar de o examinador cobrar com bastante frequência questões acerca do Bem de Giffen, devemos pensar nesse bem apenas como uma exceção. Tendo em vista o fato de já termos discutido exaustivamente o seu funcionamento, a partir de agora vamos tratar dos bens que possuem uma relação preço-quantidade inversamente proporcional. Observe que a curva de demanda é uma função que exprime a quantidade demandada pelos consumidores em função do preço do bem. Matematicamente, temos: Q D a b P Sendo a e b constantes positivas. O sinal negativo mostra que a curva de demanda é negativamente inclinada, ou seja, que preço e quantidade são grandezas inversamente proporcionais. 12

13 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade Sendo assim, quando aumentamos o preço do bem, haverá uma variação na quantidade demandada do mesmo e, portanto, um deslocamento SOBRE a curva de demanda. Veja a figura abaixo. b) Renda Uma variação na sua renda poderá provocar uma alteração na quantidade demandada do bem. Se eu te perguntar, o que ocorreria com a demanda de um bem se você passasse nesse concurso público e, portanto, tivesse a sua renda aumentada? Provavelmente, você me responderia que esse aumento na sua renda provocaria um aumento na quantidade demandada do bem. Veja bem. Se atualmente você compra um curso de microeconomia do Ponto dos Concursos, será que quando você passar no concurso e a sua renda for aumentada, você irá comprar dois cursos de microeconomia? Você me disse que quando a renda aumentar você irá aumentar a demanda do bem e, assim, quando passar no concurso posso pressupor que comprará muito mais cursos do Ponto, não é mesmo? Pois bem. Já vimos que as coisas não funcionam assim. Existem alguns bens que você gosta de consumir (não é o caso de microeconomia) e existem outros que a situação te faz consumir. Muito provavelmente, quando a sua renda aumentar você irá aumentar o consumo daqueles bens que você gosta de consumir, mas que ainda não consome em uma quantidade adequada (por exemplo, viagens). No entanto, aqueles bens que você não gosta, mas consome por necessidade (como esse curso) podem ter o seu consumo reduzido com o aumento da renda. Isso dará origem a dois tipos distintos de bens. Serão os bens inferiores e os bens normais. 13

14 Se não entenderam, não fiquem preocupados. Explico de novo e de uma forma mais clara. Se um consumidor tiver a sua renda aumentada e, com isso, optar por reduzir o consumo de um bem, esse bem será chamado de inferior. Já imagino que vocês devam estar com certa dúvida. Sempre pergunto em sala: Se o seu salário aumentar, o que ocorrerá com o seu consumo dos bens. E a galera em peso responde: aumentará. No entanto, isto não está correto, como eu já disse. Imagine um bem que você não goste, mas consome porque não tem condições de comprar outro bem melhor, o que você gosta. Vou dar um exemplo que ocorreu comigo mesmo. Antes de passar em um concurso público, fui morar em Brasília para trabalhar como engenheiro. Foi uma época difícil, despesa com moradia aqui não é nada barata e o salário de engenheiro, na época, bem baixo. Portanto, era sempre necessário economizar para não ter que ficar pedindo dinheiro para meu pai. Um bem que não me agrada, em nenhuma hipótese, é carne de frango. Eu não gosto mesmo, mas quando tenho que comer, só o faço se for peito de frango. Mas duro, sem grana, morando em uma cidade cara, tinha que abrir uma exceção. Éramos 7 dividindo uma casa (uma república com três homens e quatro mulheres), todos sem dinheiro. Então, ficou decidido que comeríamos frango três vezes por semana (segunda, quarta e sexta), pois, na época, o frango custava algo em torno de R$ 1,00 / quilo. Conclusão: na minha cesta de consumo tinha o frango, entre outros bens. Um ano depois passei no concurso do BACEN. Te pergunto: Você acha que, por ter passado no concurso e estar recebendo um salário maior, eu aumentei o consumo de frango? Claro que não. Na verdade, quase deixei de comer frango. Logo, vimos que um aumento de renda pode provocar uma redução na quantidade demandada de um bem. Se isso ocorrer, dizemos que esse bem é inferior. Portanto, bens inferiores são aqueles que: Q X D < 0. Observe que se a sua renda reduzir e a R demanda pelo bem aumentar, esse bem também é inferior. Matematicamente: Bem Inferior Q X D < 0 R X Conclusão: Se a demanda pelo bem estiver em uma direção e a renda na direção oposta, esse bem será considerado inferior. Chegou a hora de explicar a equação, não é mesmo? Se o aumento da renda induzir a uma redução da demanda + < 0, a relação entre as grandezas será inversamente proporcional e a razão negativa. Assim, o bem será considerado inferior. De forma análoga, se a redução da renda provocar um aumento da demanda + < 0, o bem também é considerado inferior. 14

15 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade No entanto, alguns dos bens que eu consumia antes de passar no concurso me deixavam satisfeitos. Esses bens tiveram um aumento de consumo quando a renda aumentou. Entre eles, podemos citar, no meu caso, viagens, picanha, filé mignon, entre outros. Segundo Hal Varian: Normalmente pensaríamos que a demanda por um bem aumenta quando a renda aumenta. Os economistas, com uma falta singular de imaginação, chamam esses bens de normais. Portanto, gravem: o inverso dos bens inferiores são os bens normais. Matematicamente, dizemos que um bem é normal: Bem Normal Q X D R 0 A equação acima indica que quando a renda e a quantidade demandada de um bem forem grandezas diretamente proporcionais, o bem será considerado normal. Ou seja, se uma pessoa tiver um aumento da renda e optar por aumentar o consumo de um bem + + > 0, esse bem poderá ser considerado normal, nessa situação. Por outro lado, se uma pessoa tiver a sua renda reduzida e com isso reduzir o consumo de um bem > 0, esse bem também será considerado normal. Como foi dito anteriormente, uma mudança na renda poderá proporcionar uma mudança na quantidade demandada do bem mesmo sem que ocorra a mudança em seu preço. Como a função de demanda mostra uma relação entre o preço e a quantidade demandada de um bem, não teremos o que fazer a não ser DESLOCAR a curva para que seja possível aumentar a quantidade demandada a um determinado nível de preço. Veja na figura abaixo: Guarde uma dica. Sempre que o preço alterar a demanda, exatamente pelo fato de a curva estar em um plano PREÇO x QUANTIDADE, ocorrerá um deslocamento sobre a curva de demanda. 15

16 Qualquer outra variável que venha a modificar a quantidade demandada, exatamente pelo fato de manter o preço em um nível constante, provocará um deslocamento da curva de demanda. O último detalhe que gostaria de salientar nesse item é que todo bem de Giffen é inferior, mas nem todo inferior é de Giffen. Observe o diagrama de Venn abaixo: Observe que a totalidade dos bens que são classificados como bem de Giffen estão dentro dos bens inferiores. Tomando como referência o diagrama acima, vemos que os bens de Giffen encontram-se inseridos no círculo e a totalidade do círculo é subconjunto dos bens considerados inferiores. No entanto, é importante notar que existem alguns bens inferiores que não estão dentro do círculo. É exatamente por esse motivo que todo Giffen é inferior, mas nem todo inferior é Giffen. Tem mais um detalhe importante. Se o examinador afirmar que quando o preço de um bem cai e, consequentemente, isso provoca uma queda na quantidade demanda, sabemos que o bem é de Giffen. E como todo Giffen é inferior, podemos afirmar que se um bem tem uma queda no preço e, em consequência disso, sua demanda é reduzida, esse bem é inferior (pois é Giffen). Ultimamente tem sido muito comum o examinador colocar algumas afirmativas que não explicitam diretamente os bens de Giffen. Entretanto, nós já vimos que todo Giffen é inferior e não existe nenhum Giffen que seja normal. Logo, nenhuma normal é Giffen, certo? Portanto, se um examinador afirmar que um bem é normal, ele pode estar querendo afirmar que aquele bem não é de Giffen e as grandezas preço e quantidade são inversamente proporcionais. Na verdade pessoal essa é a grande diferença de uma aula escrita como essa. Estou sempre com o intuito de mostrar a vocês o assunto da forma mais clara e falando das tendências mais atuais dos examinadores. É assim que faremos o tempo todo do curso. Dicas e mais dicas de resolução de questões. c) Preço de Produtos Relacionados Importante ressaltar que um único bem pode ter várias classificações. Por exemplo, ele pode ser normal e comum, inferior e comum, Giffen e inferior. Ou seja, não é apenas uma classificação por cada bem. 16

17 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade Nesse tópico apresentaremos outra classificação para os mais variados bens. Imagine dois bens, por exemplo, manteiga e margarina. Suponha ainda que você é uma pessoa indiferente entre o consumo desses bens. Logo, se o preço da manteiga sobe, você irá reduzir o consumo da manteiga e substituí-la pela margarina. Sendo que esta última terá seu consumo majorado. Se o preço da manteiga cair, você vai consumir mais margarina. Pois bem, se dois bens tiverem essa característica eles são denominados de bens substitutos. Ou seja, se a mudança no preço de um dos bens provocar uma mudança na demanda do outro bem eles podem ser substitutos. Serão considerados substitutos se o aumento no preço de um bem provocar aumento da demanda do outro bem. De forma análoga, dois bens são substitutos se a redução no preço de um dos bens provocar redução na demanda do outro bem. Com isso concluímos que: Bens Substitutos Q X D > 0 P Y É importante esclarecer que o símbolo ( ) significa se, e somente se. A conclusão acima deve ser lida da seguinte forma: Os bens são substitutos se Q X D P Y > 0 for verdadeiro e se Q X D > 0, os bens são substitutos. P Y Querem a interpretação da equação? Tenho certeza de que já conseguem fazer isso sozinhos, mas vamos lá. Quando a relação entre o preço de um dos bens e a quantidade do outro bem for diretamente + proporcional, a razão entre a variação das grandezas será positiva + > 0; > 0 e, portanto, os bens serão considerados substitutos. Falta sabermos a lógica econômica, não é mesmo? Pois bem, os bens são considerados substitutos porque as pessoas acabam trocando um bem pelo outro, substituem esses bens na sua cesta de consumo. Esse é o caso da margarina e da manteiga para o consumidor em questão. No entanto, pode ser que você não considere esses dois bens substitutos, por não gostar de margarina de forma alguma, mas algumas pessoas consideram. Agora imaginemos a gasolina e o óleo de motor. Se o preço da gasolina aumentar, as pessoas tendem a andar menos de carro e, portanto, reduzem a demanda por gasolina. Se as pessoas andarem menos de carro, elas passarão mais tempo sem efetuar a troca de óleo e, assim, a demanda por óleo de motor será reduzida. Recapitulando, um aumento no preço da gasolina reduz a demanda por gasolina e, consequentemente, reduz a demanda por óleo de motor. Esses dois bens são considerados bens complementares. São complementares aqueles bens que, em geral, o consumo de um bem induz o consumo de outro. Temos vários exemplos que funcionam bem, a pinga e o limão, a goiaba e o queijo minas. Enfim, é claro que coloquei esses exemplos, até certo ponto grotestos e regionalistas, para conseguir ilustrar a questão. Com isso concluímos que: 17

18 Bens Complementares Q X D < 0 P Y Observe que está havendo uma mudança na quantidade demandada do bem X porque o preço do bem Y está sendo alterado. Dessa forma, haverá um deslocamento da curva de demanda, como ocorre no caso da renda. d) Gosto E possível que o gosto de uma pessoa altere o consumo de um determinado bem. Esse consumo poderá ser aumentado ou reduzido. Isto depende do bem e de cada pessoa. Apesar de esse ser mais um motivo para que haja alteração na quantidade demandada, não me lembro de nenhuma questão em prova que isso foi cobrado. Importante lembrar que essa alteração na quantidade demandada, tendo em vista o fato de que o preço do bem não é alterado, provoca um DESLOCAMENTO na curva de demanda. e) Expectativas As expectativas modificam a quantidade demandada. Imagine que após ler essa aula, você decidiu se matricular no curso de Micro com a convicção de que se tudo for explicado dessa forma, não haverá nada que você não consiga compreender muito bem. E aí, você optou por comprar o curso dado que isso criou uma expectativa de aumento da probabilidade de passar. Com esse aumento, você acaba indo ao Shopping fazer compra e começando a gastar por conta, pois houve uma mudança da expectativa. Enfim, assim como esse exemplo que coloquei para vocês, vários outros podem ser colocados e inventados pelo examinador. O importante é tentar notar qual dos itens está alterando a demanda. Se for a expectativa a curva de demanda também será DESLOCADA. Alguns autores afirmam que a quantidade de compradores também altera a quantidade demandada. Entretanto, tal afirmativa é encontrada, apesar de estar correta, em um pequeno número de acadêmicos. No entanto, essa afirmativa pode ser considerada correta sem o menor problema, pois aqueles que não colocam essa alternativa acabam por afirmar de forma implícita que o número de compradores foi aumentado por causa de alguma expectativa que foi gerada. Sendo assim, aqueles autores que não explicitam essa sexta característica que modifica os preços, acabam considerando-a nas EXPECTATIVAS. 18

19 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade Ponto Importante! Todo bem de Giffen é inferior, mas nem todo inferior é Giffen. Se um bem for normal, ele não será de Giffen. Se o preço de um bem for alterado, haverá um deslocamento sobre a curva de demanda. Se a mudança na demanda de um bem vier de uma alteração na renda de um indivíduo, preço de um bem relacionado, gosto ou expectativas, haverá um deslocamento da curva de demanda. Lembre-se de que o preço do bem é mantido constante. 3. Curva de Oferta A curva de oferta informa a quantidade a ser produzida de um produto a cada nível de preço. Se quando estudamos a curva de demanda estávamos raciocinando como se fossemos um consumidor, neste momento deveremos passar a raciocinar como um empresário uma vez que estamos estudando a curva de oferta. De uma forma geral, sabemos que quanto maior for o preço de um bem mais os produtores querem vender daquele bem. Veja que estou falando de uma forma geral, claro que existem exceções. Dessa forma, a curva de oferta será uma curva positivamente inclinada que se situa no espaço preço x quantidade, como demonstrado abaixo: 19

20 Observe que quando o preço do bem era P 1, havia uma quantidade ofertada igual a Q 1. À medida que o preço do bem aumentou, o empresário passou a ter um estímulo maior a aumentar a quantidade ofertada. Dessa forma, quando o preço passa para P 2, o empresário aumenta a sua produção e passa a ofertar a quantidade Q 2. Diferentemente de quando estávamos estudando a curva de demanda, na curva de oferta não temos as classificações dos bens em vários tipos, mas há uma exceção também. Exceção essa que faz com que a curva de oferta possa ser negativamente inclinada. Em geral sabemos que quanto maior o preço, maior a quantidade ofertada. No entanto, imagine uma situação em que há a criação de um site para concursos público, imaginemos a situação do Ponto dos Concursos. Há a necessidade de se fazer uma instalação inicial, contratar servidores que consigam armazenar as aulas, alugar sala, funcionários e por aí vai. Em determinado momento o site entra em contato com um professor de Microeconomia com o intuito de ministrar um curso da matéria. O professor irá dispor de uma quantidade x de horas para poder elaborar o curso e, para valer a pena, quer uma determinada remuneração. Para que essa remuneração seja conseguida, haverá uma cobrança do curso. No entanto, quanto maior for o número de alunos, menor poderá ser o preço do curso. O curso pode ser ofertado em uma quantidade muito grande e uma redução de preço pode aumentar a quantidade a ser ofertada pelo curso (pense que existe servidor em número suficiente). É mais fácil pensar neste ponto, se analisarmos a curva de oferta e de demanda juntas, pelo menos intuitivamente é isso que faremos. Imagine que sejam 50 alunos interessados no curso, assim o preço deverá ser um para cobrir os custos. No entanto, se o preço for reduzido isso induzirá a um aumento do número de alunos, mas não haverá um acréscimo tão grande no trabalho do professor ou no custo do site. Basicamente, terá um incremento nas respostas do fórum. Dessa forma, a oferta poderá ser aumentada para 100 e o preço cobrado ser mais baixo. Se o preço cair pode ser que a demanda aumente novamente e a oferta volte a aumentar com preço ainda mais baixo. Observe que para que haja uma curva de oferta negativamente inclinada, há a necessidade de ganhos de escala, fato que ocorre em cursos via internet ou tele-presenciais Fatores que alteram a quantidade ofertada São quatro 3 os fatores que podem modificar a quantidade ofertada. São eles: Preço; Preço dos Insumos; Tecnologia; e Expectativas 3 Alguns autores podem colocar vários outros fatores. Entretanto, esses quatro fatores são os apresentados pelos mais renomados. Em geral, os outros podem ser encaixados no item expectativas. 20

21 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade a) Preço Esse princípio já foi anunciado. Em geral, uma variação no preço do produto provoca uma alteração na quantidade ofertada do mesmo. Importante ressaltar que são poucas as questões que versam sobre curva de oferta negativamente inclinada. Isso é muito raro. Se examinador fizer uma pergunta e nela afirmar que a curva de oferta é positivamente inclinada, a tendência é que você marque que o item está correto, pois não foi utilizado nenhum chavão (sempre, nunca, etc). Logo, a pergunta fala de uma forma geral sobre a curva de oferta e, em geral, ela é positivamente inclinada. Observe que a curva de oferta é uma função que exprime a quantidade ofertada pelos produtores em função do preço do bem. Matematicamente, temos: Q O a + bp Sendo a e b constantes positivas. E o sinal positivo mostra que a curva de oferta é positivamente inclinada. Sendo assim, quando aumentamos o preço do bem, haverá uma variação na quantidade ofertada do mesmo e, portanto, um deslocamento SOBRE a curva de oferta. Veja a figura abaixo. b) Preço dos Insumos Uma mudança no preço dos insumos 4 provoca uma alteração na quantidade ofertada do bem. Se o preço do insumo subir, haverá um aumento no custo de produção que provocará uma redução no lucro. Essa redução no lucro faz com que o empresário tenha interesse em reduzir a quantidade ofertada do bem. Já sei. Você deve estar pensando assim: se há uma redução no lucro, seria mais interessante que o empresário aumentasse a quantidade ofertada com o objetivo de ter o mesmo nível de lucro. 4 Segundo o Mini-dicionário Aurélio, insumo é o elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços (máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.); fator de produção. 21

22 Não é assim que você deve raciocinar. Pense no lucro por unidade produzida, mas como um percentual. Se o lucro por unidade cair em termos percentuais, pode ser que seja mais interessante para alguns empresários vender a empresa e aplicar no mercado financeiro. Entendido? Grave então, se o preço de um insumo subir haverá uma redução na quantidade ofertada. Observe que haverá uma mudança apenas no preço do insumo, sendo que o preço do bem será mantido constante. Como a curva de oferta mede a relação em um plano preço do bem x quantidade ofertada do bem, para que mudemos a quantidade ofertada sem que seja feita qualquer mudança no preço do bem será necessário DESLOCAR A CURVA DE OFERTA. Portanto, um aumento no preço do insumo provoca uma redução na quantidade ofertada, deslocando a curva de oferta para cima e para a esquerda, conforme mostrado abaixo: Por outro lado, se o preço de um insumo ficar mais barato, isso provocará uma redução no custo do empresário e mantendo o preço do produto constante, aumentará o lucro. Dessa forma, o empresário terá um incentivo a aumentar a quantidade ofertada do bem. Ao aumentar a quantidade ofertada do bem, como o preço do bem está mantido constante, o empresário estará provocando um deslocamento da curva de oferta para baixo e para a direita. 22

23 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade Já sabemos que se uma alteração no preço de um bem modificar a sua quantidade ofertada haverá um deslocamento sobre a curva de oferta. No entanto, é importante destacar que qualquer outra variável que modificar a quantidade ofertada, tendo em vista o fato de que o preço é mantido constante, provocará um deslocamento da curva de oferta. Observe que para fazer qualquer tipo de análise em economia precisamos alterar uma variável e manter todas as outras variáveis constantes. Assim, podemos entender o que aquela variável sozinha pode provocar. Portanto, a nossa análise sempre será ceteris paribus 5. Segundo Mankiw: Os economistas usam a expressão ceteris paribus para dizer que todas as variáveis relevantes, exceto a que estiver sendo estudada na ocasião, são mantidas constantes. A expressão latina significa, literalmente, outras coisas sendo iguais. A curva de demanda se inclina para baixo porque, ceteris paribus, preços menores indicam uma maior quantidade demandada. Embora a expressão ceteris paribus se refira a uma situação hipotética na qual algumas variáveis são mantidas constantes, no mundo real muitas coisas se alteram simultaneamente. Por isso, quando usarmos ferramentas de oferta e de demanda para analisar fatos ou políticas, é importante ter em mente o que está sendo mantido constante e o que está mudando. c) Tecnologia Sabemos que, normalmente, há um ganho tecnológico com o passar do tempo. Esse ganho tecnológico contribui para aumentar a quantidade ofertada dos bens. Esse é o senso comum e deve ser assim que você está pensando, certo? Então me explique. Você concorda que uma TV LED é mais desenvolvida tecnologicamente que uma TV de Plasma, certo? Então, porque que a quantidade ofertada de TV LED é menor que a quantidade ofertada de TV de Plasma? Talvez você deva estar pensando: isto ocorre porque a TV LED é muito cara. Não, não é por causa disso. Se pensar assim, entraremos no problema do ovo e da galinha...rsrs Na verdade, a curva de oferta da TV de LED é uma e a curva de oferta da TV de Plasma é outra, completamente diferente. Isto porque estamos falando de produtos diferentes. Logo, possuem curvas diferentes. Observe que não estamos falando de tecnologia de produto e o exemplo que coloquei para vocês diz respeito à tecnologia do produto. Quando falamos de tecnologia provocando um aumento na quantidade ofertada, estamos nos referindo à TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO 6. E isso faz todo sentido, pois se passamos a ter uma máquina mais produtiva, mais eficiente, ela poderá contribuir para aumentar a quantidade a ser ofertada pelos empresários. É claro que, em princípio, estamos tratando o preço do bem como constante e esse aumento da tecnologia de produção provocará um deslocamento da curva de oferta para baixo e para a direita. Guarde duas coisas muito importantes aqui. 5 Alguns autores escrevem coeteris paribus. 6 É fundamental que você consiga fazer essa diferenciação. Faz toda a diferença na análise da questão. 23

24 A primeira é que o examinador vai querer te enrolar e falar de tecnologia do produto, mas você não pode, em hipótese alguma, errar uma questão desse tipo. O que altera a quantidade ofertada é a TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO. A segunda é que a tecnologia de produção provoca um DESLOCAMENTO da curva de oferta. d) Expectativas Expectativas... Quem adora questão com expectativas é o CESPE, pois assim ele pode inventar qualquer história e fazer a pergunta. Cai em todas as bancas, mas o CESPE é campeão nesse item. As expectativas modificam a quantidade ofertada. Imagine que o Ministério da Fazenda fez uma previsão de que o Brasil irá crescer 6%, em média, nos próximos quatro anos. Isso é uma indicação de que a renda da população deve aumentar e assim altera a nossa expectativa a respeito do País. Dessa forma, com a mudança da expectativa em relação à renda das pessoas, o empresário acaba aumentando a quantidade ofertada do bem. Por outro lado, se um empresário do setor hoteleiro está pensando em construir um complexo hoteleiro no nordeste com o intuito de competir com a Croácia e Emirados Árabes como destino dos europeus nas férias e escuta falar que há uma tendência de valorização da moeda nacional em relação ao Euro e ao dólar, imediatamente ele passa a ter uma expectativa pessimista em relação ao seu empreendimento. Isto ocorre porque boa parte do seu custo será em moeda nacional e está sendo criada uma expectativa de que ela fique cada vez mais forte e, portanto, o destino pode estar ficando caro para os europeus. Essa expectativa pode acabar fazendo com que haja uma redução da quantidade ofertada. Enfim, assim como esse exemplo que coloquei para vocês, vários outros podem ser colocados e inventados pelo examinador. O importante é tentar notar qual dos itens está alterando a oferta. Se for a expectativa a curva de oferta também será DESLOCADA. Esse deslocamento pode ser tanto na direção do aumento quanto da redução da quantidade ofertada. Tome nota! DICA: A primeira coisa que devemos fazer quando pegamos uma questão de oferta e demanda é tentar saber qual fator está alterando a curva. Em geral, o erro da questão está no deslocamento SOBRE a curva ou no deslocamento DA curva. 4. Equilíbrio Já estudamos tanto a curva de demanda quanto a curva de oferta separadamente. Agora, vamos juntar as duas curvas no mesmo espaço e verificar o que ocorre. É isso que chamamos de equilíbrio de mercado. Cuidado com uma coisa. Aqui estamos falando de equilíbrio parcial e não de equilíbrio geral. 24

25 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade Lembre-se que apesar de tanto a curva de oferta quanto a curva de demanda poderem ser tanto positivamente quanto negativamente inclinadas, sempre que ouvirmos falar em curva de demanda pensaremos em uma curva negativamente inclinada (descendente da esquerda para a direita). Quando ouvirmos falar na curva de oferta, devemos pensar em uma curva positivamente inclinada (ascendente da esquerda para a direita). Portanto, em geral, não se deve utilizar a curva de demanda positivamente inclinada (bem de Giffen) e a curva de oferta negativamente inclinada (ganhos de escala). Isso somente deve ocorrer quando estivermos tratando de exceções. Ou seja, se o examinador falar de uma curva de oferta ou de uma curva de demanda, devemos fazer um desenho de curvas positivamente e negativamente inclinadas, respectivamente. Veja abaixo como proceder: O ponto em que as curvas de oferta e demanda se cruzam se chama EQUILÍBRIO. Esse ponto indica o nível de preço e a quantidade que está sendo negociada de forma que não há sobra de estoque ou falta de produto. Ou seja, se o preço do bem em questão estiver cotado em P 1, tudo que for produzido pelo empresário será vendido e não haverá formação de estoques nem falta de produtos. Mais à frente veremos o que ocorre se o preço cobrado estiver acima ou abaixo de P 1. Existem tipos diversos de questões que podem ser formuladas com o equilíbrio. A primeira delas ocorre quando o examinador determina uma equação matemática que represente a demanda e uma equação que represente a oferta. Com o objetivo de encontrar o equilíbrio, basta igualarmos as equações que determinam as curvas. Observe que o equilíbrio ocorre no ponto de encontro entre as duas curvas. Assim, quando igualamos a equação da curva oferta com a equação da curva demanda estamos supondo que a quantidade ofertada iguala a quantidade demandada. Dessa forma, iremos encontrar o ponto em cada uma das retas (das curvas de oferta e demanda) que equilibra o mercado. Já sei que você deve estar se perguntando o motivo pelo qual você deve igualar as curvas, certo? 25

26 Vou te explicar. Observe que a equação que determina a demanda informa a quantidade que está sendo demandada a cada nível de preço. Por outro lado, a equação que determina a oferta informa a quantidade que está sendo ofertada a cada nível de preço. No equilíbrio, a quantidade que está sendo demandada é a mesma da que está sendo ofertada. Portanto, ao igualarmos as duas curvas, estamos dizendo que a quantidade ofertada se iguala à quantidade demandada. Dessa forma, formaremos uma equação que depende do preço, uma vez que o preço que está na equação da demanda é igual ao preço da equação da oferta. Se resolvermos a equação formada, encontraremos o preço de equilíbrio e se esse preço for o praticado no mercado, isso significa que toda a produção está sendo vendida e não sobra nem falta nenhuma unidade do produto. Vamos a um exemplo, para que vocês compreendam o procedimento a ser utilizado. Imagine que as curva de demanda e oferta sejam designadas pelas seguintes equações, respectivamente: Q D 90 6P Q O P Se estivermos interessados em encontrar o preço de equilíbrio, devemos assumir que este preço ocorrerá quando a quantidade ofertada for igual à quantidade demandada, ou seja, Q O Q D. Matematicamente, temos: Q O Q D P 90 6P 4P + 6P P 100 P 10,00 Observe que ao igualarmos as equações e resolvermos para P, encontraremos que o preço de equilíbrio será igual a R$ 10,00. Se substituirmos esse valor em qualquer uma das duas equações (oferta ou demanda), a quantidade encontrada deverá ser a mesma. Afinal de contas, saímos exatamente desse pressuposto para encontrar o preço. Vamos verificar qual a quantidade demandada se o preço for igual a R$ 10,00: Q D 90 6P Q D 90 6x10 Q D Q D 30 unidades Vamos, agora, verificar qual a quantidade ofertada se o preço for igual a R$ 10,00: Q O P Q O x10 Q O Q O 30 unidades 26

27 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade Observe que o resultado encontrado foi exatamente o que estávamos prevendo, ou seja, que ao preço de R$ 10,00 a quantidade ofertada é igual à quantidade demandada. Isso significa que se o preço do bem estiver cotado a R$ 10,00, o empresário deverá optar por produzir 30 unidades do bem. De forma análoga, se o preço estiver cotado a R$ 10,00, o consumidor irá demandar 30 unidades do bem. E, dessa forma, tudo que está sendo produzido pelo empresário está sendo adquirido pelo consumidor e, com isso, estamos com o mercado em equilíbrio. Graficamente, podemos representar da seguinte forma: Imagine a situação em que o preço do mercado esteja abaixo do preço de equilíbrio. Porque motivo? Que tal pelo fato de o Governo ter congelado os preços em um patamar inferior àquele que seria o de equilíbrio 7. Se o preço da mercadoria estiver cotado a R$ 8,00, haverá um aumento da quantidade demandada do bem uma vez que ele está custando menos e, ao mesmo tempo, uma redução da quantidade ofertada, pois o bem está com um preço mais baixo. Veja que se colocarmos esse preço na equação de demanda, teremos: Q D 90 6P Q D 90 6x8 Q D Q D 42 unidades De forma análoga, com o preço de R$ 8,00, a quantidade ofertada seria de: Q O P Q O x8 Q O Q O 22 unidades 7 Tal pressuposto nos faz relembrar o congelamento imposto pelo Plano Cruzado em

28 Portanto, vemos que quando o preço estiver abaixo do preço de equilíbrio, a quantidade demandada supera a quantidade ofertada e, com isso, faltará produto no mercado. A diferença entre as quantidades, nesse caso, será chamada de excesso de demanda ou escassez de produtos. Graficamente, temos: Por outro lado, imaginemos uma situação em que o preço de mercado se situa acima do preço de equilíbrio. Isso pode ocorrer em uma economia com livre comércio e na qual o preço de equilíbrio internacional encontra-se em nível superior ao preço de equilíbrio. Logo, este fato induzirá a um aumento no preço interno do produto, redução da quantidade demanda internamente e aumento na quantidade produzida pelo empresário. Outra opção ocorre quando o Governo opta por estabelecer um preço mínimo para um produto com o intuito de induzir a produção e não provocar o desabastecimento. Veja o que ocorrerá se colocarmos o preço de R$ 13,00 na curva de demanda: Q D 90 6P Q D 90 6x13 Q D Q D 12 unidades De forma análoga, com o preço de R$ 13,00, a quantidade ofertada seria de: Q O P Q O x13 Q O Q O 42 unidades Observe que quando o preço está acima do preço de equilíbrio, a quantidade ofertada supera a quantidade demandada e, com isso, sobrará produto no mercado. A diferença entre as quantidades, nesse caso, será chamada de excesso de oferta ou excedente de produtos. 28

29 Bacen (Analista) Economia Prof. César Frade Graficamente, temos: Vamos passar a mais uma etapa do estudo do equilíbrio, a última. Vou te fazer uma pergunta e vamos ver se você consegue me responder corretamente. O que ocorre com a quantidade demandada da cerveja Antarctica se o preço da cerveja Skol aumentar? Não vale responder que você não gosta de Antarctica e só toma Skol, está combinado? A ideia é a seguinte: se o preço da cerveja Skol aumentar, haverá uma redução na quantidade demandada por Skol e, consequentemente, um aumento na demanda por Antarctica. Afinal de contas, os dois bens são substitutos. Veja: P SKOL Q D SKOL Q D ANTARCTICA Esse aumento no preço da Skol provoca um deslocamento na curva de demanda 8 de D 1 para D 2, uma vez que essa mudança foi provocada por uma alteração no preço de produto relacionado. Veja o gráfico: 8 Já sei que você deve estar querendo saber se a curva de demanda é da Skol ou da Antarctica. Como o preço majorado foi o da cerveja Skol, só podemos deslocar a curva de demanda da Antarctica. Se estivéssemos com o gráfico da cerveja Skol, o deslocamento ocorreria sobre a curva de demanda, uma vez que a alteração ocorreu no preço do bem. 29

30 Observe que para um dado preço P 1 da cerveja Antarctica, tendo em vista o fato de o preço da Skol ter sido majorado, haverá um aumento na demanda por Antarctica para Q 2. Dessa forma, o mercado sairá do equilíbrio, pois a quantidade ofertada de Antarctica será Q 1 (representado pelo ponto 1 do gráfico) e a quantidade demandada será Q 2 (representado pelo ponto 2 do gráfico). Observe ainda que o preço da cerveja Antarctica não sofreu qualquer alteração até o momento e continua sendo P 1. Com o mercado em desequilíbrio e a quantidade demandada sendo maior que a quantidade ofertada, haverá formação de filas para a aquisição do bem e, portanto, um aumento do mesmo. Quando aumentamos o preço da cerveja Antarctica, haverá um deslocamento sobre a curva de oferta (do ponto 1 para o ponto 3) e um deslocamento simultâneo sobre a curva de demanda (do ponto 2 para o ponto 3), até que o equilíbrio seja reestabelecido. Veja o gráfico abaixo: Dessa forma, no final, haverá um aumento no preço e na quantidade de equilíbrio da cerveja Antarctica. (representado pelo ponto 3). Nesse momento, chegamos a um equilíbrio parcial. Não vou ficar repetindo esse procedimento diversas vezes. Se houver um deslocamento, seja da curva de demanda ou da curva de oferta, haverá um desequilíbrio inicial. Em seguida, as forças de mercado irão estabelecer um novo equilíbrio para o mercado. 5. Elasticidades A elasticidade tem como objetivo medir a reação ocorrida em uma variável quando uma segunda variável for modificada. Sabemos que, em geral, quando o preço de um bem aumenta, a quantidade demandada do mesmo cai. Será que um empresário, antes mesmo de aumentar o preço do seu produto, gostaria de saber como as pessoas iriam reagir a esse aumento de preços? Será que ele se 30