MI 4208 MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

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1 EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL A UNIÃO DOS ADVOGADOS PÚBLICOS FEDERAIS DO BRASIL UNAFE, pessoa jurídica de direito privado, sem fins econômicos, associação civil de âmbito nacional, destinada a defender, representar e promover os interesses profissionais e econômicos dos membros das carreiras da Advocacia Pública Federal (doc. 01), vem, por seu advogado ao final assinado (doc. 02), propor: MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO em face do Exmo. Presidente da República, com endereço para citação no Gabinete Sr. Presidente da República, situado no Palácio do Planalto, Praça dos Três Poderes, CEP: , Brasília-DF, podendo ser citado através da Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 131 da Carta Magna e Exmos. Presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, com endereços nesta capital federal, pelos fatos e fundamentos a seguir expostos:

2 I Do Objeto da Lide O presente mandado de injunção coletivo tem como objetivo o reconhecimento do estado de mora legislativa (regulamentação do art. 40, 4º, I da CF/88), garantindo aos associados da impetrante, o direito de ter o seu pedido administrativo de aposentadoria especial em razão de deficiência concretamente analisado pela autoridade competente à luz da disciplina legal aplicada aos trabalhadores do setor privado. É patente o caráter lesivo da lacuna normativa existente, uma vez que inviabiliza o acesso pelos associados portadores de deficiência ao benefício da aposentadoria especial. Portanto, verifica-se, na realidade, um retardamento abusivo na referida regulamentação legislativa do texto constitucional, o que compõe requisito autorizador do ajuizamento do presente mandado de injunção. II Da Legitimidade Ativa A União dos Advogados Públicos Federais do Brasil UNAFE, conforme dispõe o art. 1 de seu Estatuto é pessoa jurídica de direito privado, organizada pela livre associação de pessoas com afinidades de interesses, para fins não-econômicos, é uma associação civil de âmbito nacional, que congrega todos os Advogados Federais de Estado junto à República Federativa do Brasil. Ressalta-se que a autora congrega Advogados Públicos Federais e na dicção do art. 6 de seu Estatuto são considerados como tais os integrantes das carreiras da Advocacia-Geral da União e de seus órgãos vinculados -, que manifestem vontade de integrar a Associação. Assim, a UNAFE possui em seus quadros associativos: Advogados da União, Procuradores da Fazenda Nacional; Procuradores Federais, Procuradores do Banco Central membros da Advocacia-Geral da União. 2

3 Neste sentido, a UNAFE está legitimada a propor o presente writ, em substituição de seus associados, à medida que é uma entidade em âmbito nacional representativa da classe dos Advogados Públicos Federais membros da AGU nos moldes da iterativa jurisprudência dessa E. Suprema Corte que firmou-se no sentido de admitir o ajuizamento da ação injuncional coletiva por parte de organizações sindicais e entidades de classe: A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de admitir a utilização, pelos organismos sindicais e pelas entidades de classe, do mandado de injunção coletivo, com a finalidade de viabilizar, em favor dos membros ou associados dessas instituições, o exercício de direitos assegurados pela Constituição. (RTJ 166/ , Rel. Min. CELSO DE MELLO) III Do Direito Nota-se que no quadro atual há casos de servidores públicos federais portadores de deficiência que têm seu direito tolhido, diante da mora legislativa na regulamentação do 4º, inciso I do artigo 40 da Constituição Federal. É imperativo citar, de forma análoga, a existência de norma legal relativa ao direito à aposentadoria especial para aqueles que trabalham sujeitos a condições especiais que prejudicam a saúde ou a integridade física prevista no artigo 57 e respectivos parágrafos da Lei 8.213/91. Todavia, no que concerne ao artigo 40, 4º, inciso I da CF ainda não foram tomadas as providências que garantissem aos associados portadores de deficiência o direito à aposentadoria especial. Ademais, o direito ao mencionado mandado de injunção surgiu para dar concretude ao Diploma Maior ante a inércia do Legislador em regulamentá- 3

4 lo. A existência de disposições constitucionais dependentes de regulamentação levou o Constituinte de 1988, em passo dos mais salutares, a prever no art.5º da Carta Federal o mandado de injunção, fazendo-o mediante preceito a sinalizar a eficácia da impetração, tendo em conta o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania: LXXI conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Quanto à competência para julgar o Mandado de Injunção, a Constituição Federal, atribui: Art. 102 Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I processar e julgar, originariamente: q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das mesas de uma das casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal. O direito dos associados da Impetrante já é matéria de fundo consolidada na jurisprudência desse Excelso Tribunal, em suas decisões, referentes aos Mandados de Injunção de nº 1967 e nº 3322, in verbis: EMENTA: MANDADO DE INJUNÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA. 4

5 DIREITO PÚBLICO SUBJETIVO À APOSENTADORIA ESPECIAL (CF, ART. 40, 4º, I). INJUSTA FRUSTRAÇÃO DESSE DIREITO EM DECORRÊNCIA DE INCONSTITUCIONAL, PROLONGADA E LESIVA OMISSÃO IMPUTÁVEL A ÓRGÃOS ESTATAIS DA UNIÃO FEDERAL. CORRELAÇÃO ENTRE A IMPOSIÇÃO CONSTITUCIONAL DE LEGISLAR E O RECONHECIMENTO DO DIREITO SUBJETIVO À LEGISLAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE IMPOSIÇÃO CONSTITUCIONAL LEGIFERANTE E DESVALORIZAÇÃO FUNCIONAL DA CONSTITUIÇÃO ESCRITA. A INÉRCIA DO PODER PÚBLICO COMO ELEMENTO REVELADOR DO DESRESPEITO ESTATAL AO DEVER DE LEGISLAR IMPOSTO PELA CONSTITUIÇÃO. OMISSÕES NORMATIVAS INCONSTITUCIONAIS: UMA PRÁTICA GOVERNAMENTAL QUE SÓ FAZ REVELAR O DESPREZO DAS INSTITUIÇÕES OFICIAIS PELA AUTORIDADE SUPREMA DA LEI FUNDAMENTAL DO ESTADO. A COLMATAÇÃO JURISDICIONAL DE OMISSÕES INCONSTITUCIONAIS: UM GESTO DE FIDELIDADE À SUPREMACIA HIERÁRQUICO- -NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. A VOCAÇÃO PROTETIVA DO MANDADO DE INJUNÇÃO. LEGITIMIDADE DOS PROCESSOS DE INTEGRAÇÃO NORMATIVA (DENTRE ELES, O RECURSO À ANALOGIA) COMO FORMA DE SUPLEMENTAÇÃO DA INERTIA AGENDI VEL DELIBERANDI. PRECEDENTES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MANDADO DE INJUNÇÃO CONHECIDO E DEFERIDO. (MI 1967, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 24/05/2011, publicado em DJe-100 DIVULG 26/05/2011 PUBLIC 27/05/2011) EMENTA: MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO. LEGITIMIDADE DA UTILIZAÇÃO, POR ENTIDADES DE CLASSE E/OU ORGANISMOS SINDICAIS, DE REFERIDA AÇÃO 5

6 CONSTITUCIONAL. DOUTRINA. PRECEDENTES (RTJ 166/ , v.g.). SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA. DIREITO PÚBLICO SUBJETIVO À APOSENTADORIA ESPECIAL (CF, ART. 40, 4º, I). INJUSTA FRUSTRAÇÃO DESSE DIREITO EM DECORRÊNCIA DE INCONSTITUCIONAL, PROLONGADA E LESIVA OMISSÃO IMPUTÁVEL A ÓRGÃOS ESTATAIS DA UNIÃO FEDERAL. CORRELAÇÃO ENTRE A IMPOSIÇÃO CONSTITUCIONAL DE LEGISLAR E O RECONHECIMENTO DO DIREITO SUBJETIVO À LEGISLAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE IMPOSIÇÃO CONSTITUCIONAL LEGIFERANTE E DESVALORIZAÇÃO FUNCIONAL DA CONSTITUIÇÃO ESCRITA. A INÉRCIA DO PODER PÚBLICO COMO ELEMENTO REVELADOR DO DESRESPEITO ESTATAL AO DEVER DE LEGISLAR IMPOSTO PELA CONSTITUIÇÃO. OMISSÕES NORMATIVAS INCONSTITUCIONAIS: UMA PRÁTICA GOVERNAMENTAL QUE SÓ FAZ REVELAR O DESPREZO DAS INSTITUIÇÕES OFICIAIS PELA AUTORIDADE SUPREMA DA LEI FUNDAMENTAL DO ESTADO. A COLMATAÇÃO JURISDICIONAL DE OMISSÕES INCONSTITUCIONAIS: UM GESTO DE FIDELIDADE À SUPREMACIA HIERÁRQUICO- -NORMATIVA DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. A VOCAÇÃO PROTETIVA DO MANDADO DE INJUNÇÃO. LEGITIMIDADE DOS PROCESSOS DE INTEGRAÇÃO NORMATIVA (DENTRE ELES, O RECURSO À ANALOGIA) COMO FORMA DE SUPLEMENTAÇÃO DA INERTIA AGENDI VEL DELIBERANDI. PRECEDENTES DO STF. RECONHECIMENTO, EM DECISÕES ESPECÍFICAS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DO DIREITO SUBJETIVO DO SERVIDOR PÚBLICO PORTADOR DE DEFICIÊNCIA À APOSENTADORIA ESPECIAL (MI 1.613/DF, REL. MIN. EROS GRAU MI 1.737/DF, REL. MIN. ELLEN GRACIE MI 1.967/DF, REL. MIN. CELSO DE MELLO). MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO CONHECIDO E DEFERIDO, EM PARTE. 6

7 (MI 3322, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 01/06/2011, publicado em PROCESSO ELETRÔNICO DJe-107 DIVULG 03/06/2011 PUBLIC 06/06/2011) Então, é dado concluir que a jurisprudência ora mencionada, acima, não sugere dúvida quanto a existência do direito constitucional à adoção de requisitos e critérios diferenciados para alcançar a aposentadoria especial para aqueles servidores portadores de deficiência. Assim, ante a inércia do poder público, não restou alternativa à Impetrante se não o ajuizamento do presente remédio constitucional, a fim de ter o direito de seus associados à aposentadoria especial em razão de deficiência tutelado pelo Poder Judiciário, ante a falta de norma regulamentadora, tornando inviável o exercício de direito constitucional, sendo este o objeto do respectivo Mandado de Injunção. DO PEDIDO Pelo exposto, requer: a) seja reconhecida o estado de mora legislativa (regulamentação do art. 40, 4º, inciso I, da CF/88), garantindo aos associados da impetrante, portadores de deficiência, o direito de ter o seu pedido administrativo de aposentadoria especial concretamente analisado pela autoridade competente à luz da disciplina legal aplicada aos trabalhadores do setor privado, observado, para tanto, o caso análogo previsto no artigo 57, e seus parágrafos, da Lei 8.213/91, dando eficácia às normas constitucionais e efetividade ao direito dos associados da Impetrante. b) e ao final, requer a citação dos impetrados para que preste as informações necessárias, sob as penas da lei. 7

8 Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em juízo admitidos, especialmente documentais. Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (um mil reais) Nestes Termos, Pede Deferimento. Brasília, 11 de julho MAURÍCIO VERDEJO G. JÚNIOR OAB/DF

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