Sobre o cenário da sustentabilidade das ONG no Brasil

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1 Sobre o cenário da sustentabilidade das ONG no Brasil Cristina Câmara Rio de Janeiro, 07 mar. 2012

2 Um grupo social organizado é movido por uma causa, estabelece alianças políticas com outros atores sociais em defesa de interesses coletivos e visa algum tipo de mudança social

3 Missão Crenças comuns e razão de sua existência Quando trabalhar a missão? Quando a razão de ser da organização/redeestá confusa Quando falta o sentido da competência institucional Quando as motivações estiverem em baixa

4 Como definir a missão? Por que e para quem existe e, principalmente, o que quer realizar? Qual o objetivo da organização/rede? Características distintas e competência

5 Sustentabilidade Manutenção institucional e agenda política Sustentabilidade um continuum entre as dimensões sociopolítica, financeira e institucional Sustentabilidade sociopolítica Interlocuções e parcerias entre ONG, governos, Agências e setor privado Participação de PVHIV na formulação de políticas públicas

6 Sustentabilidade institucional Equipe regular e capacitada Descentralização interna de poder Capacidade de gestão instalada de tal modo que possa ser assumida por outros indivíduos, além de seus dirigentes atuais Ter como exercício periodicamente fazer um rodízio das responsabilidades internas

7 Sustentabilidade financeira Captação de recursos Atividade de médio e longo prazos e exige planejamento Atenção ao desenvolvimento institucional e ànecessidade de equilibrar gestão e sustentabilidade

8 Sustentabilidade financeira Atuação: ações de ajuda mútua, advocacy, democratização da informação, pressão política, ativismo e controle social, entre outros. Por sua vez, quando a referência éà instituição fala-se em: recursos humanos, estrutura organizacional, gestão, sustentabilidade e accountability (prestação de contas: financeira e política)

9 Sustentabilidade financeira Diversificar fontes de financiamento Ganhar, mas também minimizar gastos (em bens e serviços) Premiações

10 Sustentabilidade financeira Apoio a projetos Geração de renda Doação através da Internet Shows beneficentes, bazares, brechós... Transparência e prestação de contas de todos os recursos financeiros utilizados

11 Um debate atual no mundo das ONG e sua relação com o setor privado

12 Primeiras informações: Setor privado O setor privado tem focalizado o mundo do trabalho e esta não éuma tendência restrita ao nosso debate Possível inversão futura no Brasil debate GIFE e Abong sobre o papel do investimento social privado

13 A atenção dos doadores (em geral) Intervenções intersetoriais estão em evidência, sendo valorizadas nos projetos para HIV/Aids A sustentabilidade futura da proposta A valorização de projetos executados em rede ou consórcio, não significa que sejam explicitamente incentivados ou ressaltados Resultados mensuráveis, forte capacidade de M&A e impacto do projeto (associando-se resultados a mudanças) têm sido exigências explícitas por parte de diferentes doadores, públicos e privados

14 DN-DST/Aids e HV- Descentralização Recursos parados nos estados A maioria não tem lançado editais Muita burocracia Alguns estados sinalizaram não ter interesse de fazer editais para OSC Grande maioria das OSC não atendem às exigências de documentação (certidões negativas INSS, RF) Alguns Conselhos de Saúde não concordam que as ONG recebam recursos governamentais

15 Cooperação nãogovernamental Desde início dos anos 90 mudanças na cooperação internacional com ONG e na presença das Agências de Cooperação Internacional no Brasil ONGs Abong são reflexo das parcerias com essas Agências Entre queda na cooperação internacional, mas as ONG conseguiram manter seu volume de recursos no período

16 Cooperação nãogovernamental Entre as 189 associadas da Abong, enquanto a Cooperação internacional caiu 66% em seu orçamento, aumento 71% de recursos públicos federais Do mesmo modo, tendência de crescimento de apoio de empresas, institutos e fundações empresariais: 8,3% (2003) para 21,3% (2007) Preocupação com fontes instáveis (2008): cooperações multi e bilaterais; recursos públicos estaduais; e, contribuições associativas

17 Cooperação nãogovernamental Fontes que nos últimos sete anos tem tendência a crescimento: empresas, institutos e fundações empresariais; recursos públicos municipais; e, doações de indivíduos Doações de indivíduos: 12,2% (2000) para 42,4% (2007) para educação, justiça e promoção de direitos e trabalho e renda

18 Setor privado: Institutos; Fundações e Empresas Censo GIFE : 102 instituições (25 empresas, 63 associações ou fundações empresarias e 14 fundações e associações familiares, independentes e comunitárias) Área prioritária de atuação 82% Educação 60% Cultura e arte/formação para o trabalho 58% Meio ambiente (em crescimento)

19 Setor privado: Institutos; Fundações e Empresas *Apesar de cultura aparecer em 2ºlugar, apenas quatro dos 102 investem prioritariamente em cultura. Entretanto, dos 19 que investem, 68% financiam ONG ou organizações comunitárias Lei Rouanet, principal lei de incentivo utilizada, não éa principal via nem condicionante para o investimento em cultura

20 Setor privado: Institutos; Fundações e Empresas Desde abr-2010 o GIFE incentiva a diversificação Novidades - Prospecção Visão 2020 Temáticas atuais saturadas. Épreciso ir além do padrão corporativo Ampliar sua legitimidade, diversificar temáticas, regiões e públicos Papel social do GIFE com relação às ONG

21 Setor privado: Institutos; Fundações e Empresas Áreas temáticas Defesa de direitos e comunicação ainda recebem pouca atenção sexualidade (Juventude) 18% dos associados saúde (excluindo sexualidade) 15% dos associados

22 Parcerias com Universidades Fortalece o capital social Pode ampliar a produção de conhecimento, dando visibilidade ao trabalho da ONG e seu diferencial Mais experiências americanas (ONG inglesas, p.ex., parecem utilizar-se mais de especialistas como consultores)

23 Algumas constatações no cenário mais amplo O debate sobre as parcerias entre ONG e setor privado estána ordem do dia De modo geral, em todos os perfis de doadores, observa-se a exigência por impactos dos projetos financiados Planos de M&A, ou pelo menos a apresentação de resultados esperados e como se pretende alcançá-los éuma exigência constante

24 Em síntese Éimportante divulgar conquistas, resultados e uso dos recursos Identificar as condições técnicas da organização para participar de uma seleção de projetos Debater a sustentabilidade em seu continuum Considerar a captação de recursos através de outras fontes, além do financiamento de projetos Setor privado, voltado ao mundo do trabalho, mas, no Brasil,também repensando seu papel social como corpo coletivo (GIFE) Universidades (Identificar núcleos e linhas de pesquisa; pesquisadores interessados)

25 Exercício 1 Como manter uma organização sustentável?

26 Exercício 2 Que tipo de recursos são importantes para uma organização? (Análise SWOT)

27 Mobilização e captação de recursos: elaboração de projetos, campanhas e outros

28 Planejando Elaborar um Plano de Mobilização/Captação de Recursos Considerar diferentes fontes de doação, como: Indivíduos; Fundações; Empresas; e, Governos. Determinar quem, quando, como e quanto pedir Desenvolver estratégias para fazer o pedido, estabelecer prioridades e criar relações *Atenção: Procurar não comprometer mais de 30% do orçamento anual da organização com um único tipo de fonte de doação.

29 Planejando... Identificar e desenvolver uma lista de possíveis doadores. Essa identificação permite à ONG desenvolver estratégias adequadas de aproximação dos doadores e fazer sua solicitação Avaliar seu potencial Envolver/cultivar a relação com os mesmos Solicitar a doação e cuidar, ou seja, fazer o monitoramento, agradecer e reconhecer. *O público alvo da captação de recursos não éo público alvo da organização

30 Ferramentas de captação Contato pessoa a pessoa Mala direta/doação através da Internet Telemarketing Doação por telefone Participação em eventos Programas de associados Apoio a projetos Geração de renda Shows beneficentes Eventos beneficentes (almoço, jantar, festa...) Bazares, brechós... *Transparência e prestação de contas de todos os recursos financeiros utilizados

31 Elaboração de projetos Observe se o potencial doador não oferece um formulário padrão a ser seguido. Caso contrário, os principais itens de um projeto social são: Introdução Breve histórico da ONG Justificativa do projeto onde de aparecer o problema a ser enfrentado Objetivos Estratégias Atividades Resultados esperados Indicadores de monitoramento e avaliação Cronograma Orçamento

32 Campanha Conhecida por ser um momento para reunir pessoas que doam naquele momento específico Diferenciar campanhas anuais de campanhas capitais Novo: recomendação para que a organização crie uma cultura de campanhas anuais de captação de recursos, considerando recursos necessários para o desenvolvimento de projetos, mas também de toda a entidade

33 Campanhas ANUAIS Envolvem recursos para projetos e para a organização em geral Écentral no Plano Anual de Captação, que deve visar recursos necessários para cobrir o orçamento anualda ONG São definidas as cotas de doação *Ideal: criar a cultura de campanhas anuais CAPITAIS Recursos para uma determinada situação Recursos que fogem do orçamento da organização Tem começo, meio e fim Ex.: construção, compra de equipamento caro, viagens com um fim específico, etc.

34 Alguns exemplos Cases GRAACC e Droga Raia Oxfam e PizzaExpress (marketing relacionado à causa) Greenpeace Brasil (somente doações individuais) Médicos Sem Fronteiras e Outback Steakhouse Fundação Abrinq: Vending machine do Bem (vídeo da Campanha) Site da ABCR, :

35 Referências ARMANI, D. Mobilizar para transformar: a mobilização de recursos nas organizações da sociedade civil. São Paulo: Peirópolis; Recife, PE:Oxfam, CÂMARA, C. Aids e sustentabilidade: sobre as ações das organizações da sociedade civil. Brasília: Ministério da Saúde, Disponível em: CÂMARA, C., FREITAS, K.B. (Orgs.). Sustentabilidade: Aids e sociedade civil em debate. Brasília: Ministério da Saúde, Disponível em: CRUZ, C.M., ESTRAVIZ, M. Captação de diferentes recursos para organizações sem fins lucrativos. São Paulo: Global, (Coleção Gestão e Sustentabilidade)

36 Referências DEGENSZAJN, A. (Coord.). Censo GIFE São Paulo: Gife, Disponível em: 20(baixa).pdf ESTRAVIZ, M. Um dia de captador. São Paulo: Zeppelini Editorial, Disponível em: GOUVEIA, T. (Coord.). Sustentabilidade das ONGs no Brasil: Acesso a recursos privados. Rio de Janeiro: ABONG, Disponível em: LAFER, I.M. Dicas para captação de recursos para projetos. IDIS Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social. Disponível em:

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