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2 ISSN da Educação Instituto de Pesquisas e Administração da Educação

3 4 INDICE Editorial 6 Educação para o Século 21 João Roberto Moreira Alves 7 A sala de aula, desconectada Silvio Meira 9 Consultores Educacionais: Febre ou Necessidade para a Escola? Paulo Antonio Gomes Cardim 11 A educação na sociedade de mercado Wagner Siqueira 13 Os 20 Mandamentos da Boa Gestão Fernando Portella 19 CRM - Gestão de Relacionamento com o Cliente (Customer relationship management) 21 Fatos e destaques no processo de gestão educacional Normas para publicação da Educação 25 27

4 5 Perfil Institucional O Instituto de Pesquisas e Administração da Educação é uma organização social de iniciativa privada que tem como objetivo o desenvolvimento da qualidade da educação. Atua nas áreas de Administração da Educação, Informações Educacionais, Direito Educacional, Tecnologia em Educação,Educação a Distância e Pesquisas da Educação Publicação do Instituto de Pesquisas e Administração da Educação Exemplares arquivados na Biblioteca Nacional de acordo com Lei nº , de 14 de dezembro de 2004 (Lei do Depósito Legal). ISSN (International Standard Serial Number) nº conforme registro no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT (Centro Brasileiro do ISSN), vinculado ao Ministério de Ciência e Tecnologia. Editora do Instituto de Pesquisas e Administração da Educação cadastrada no ISBN (International Standard Book Number) sob o nº conforme registro na Biblioteca Nacional. Permitida a reprodução e disseminação, desde que citada a fonte. Editor Responsável - João Roberto Moreira Alves Consultores: Achilles Moreira Alves Filho; Agostinho Bacha Rizzo; Alexandre Domene Kuaik; Augusta Isabel Junqueira Fagundes; Aurora Eugênia de Souza Carvalho; Bruno Lannes Aguiar Pacheco; Cayo Vinicius Honorato da Silva; Cleiton Evandro Corrêa Pimentel; Cristiano George Campos Heinzel; Dalton da Silva e Souza ; Danilo Figueira Gonçalves; Daruiz Castellani; Eduardo Desiderati Alves; Heloisa Teixeira Argento; Heraldo Pereira Duarte; Joice Raddatz; José Alexandrino Neto; Juan Marcos A. Yañez; Luciano Santos da Silva; Luis Felipe Camêlo de Freitas; Luiz Kelly Martins dos Santos; Marcia Romana de Oliveira Grassi; Marinaldo Baia Corrêa; Silvailde de Souza Martins da Silva; Mathias Gonzalez de Souza; Mônica Ferreira de Melo; Neuza Maria Thomaz; Ney Stival; Roberto Desiderati Alves; Roger Bédard; Sergio Henrique de Alcântara; Silvia Maria Pinheiro Bonini Pereira; Simone Marie Itoh de Medeiros Teresa da Silva Rosa; e Wagner Digenova Ramos. Edição e Administração Instituto de Pesquisas e Administração da Educação Av. Rio Branco, Conjunto CEP Rio de Janeiro - RJ - Brasil FICHA da Educação - Nº 1 (mar. 2000). - Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisas e Administração da Educação - N.1 ; 29.5 cm - Bimestral Publicação do Instituto de Pesquisas e Administração da Educação. 1. Educação - periódico I. Instituto de Pesquisas e Administração da Educação. CDU37.312(05)

5 6 Editorial A da Educação iniciou sua circulação em março de 2000 e sempre teve por objetivo editar artigos e realizar análises sobre temas atuais aplicáveis no âmbito da gestão da educação. Referido periódico se soma a um conjunto de trabalhos publicados pelo Instituto de Pesquisas e Administração da Educação e representa um importante suporte ao Sistema Integrado de Informações Educacionais, que é mantido pela entidade. Numa primeira fase seus números eram impressos e remetidos na forma convencional, pelos correios. Em função dos avanços tecnológicos foi possível transformá-la em virtual e, com isso, permitir que educadores e demais pessoas interessadas em conhecer os sistemas de aprendizagem pudessem acessá-la de qualquer parte do mundo. Atualmente a página eletrônica do IPAE, onde a revista está inserida, é visitada por milhares de pessoas de mais de 150 países, nos cinco continentes. É um veículo de comunicação que alterna trabalhos científicos e informações gerais sobre a educação. A partir da edição de julho/agosto de 2011 passa a ter um novo formato, mais moderno e com acessibilidade pelos "tablets" e similares. Um dos fatores que merece registro é que, ao longo de suas quase três décadas, nunca existiu interrupção. Esse é um fato raro nas revistas educacionais que, infelizmente, por diversas razões, têm frequentes paralisações. Por fim outra decisão importante: o acesso passa a ser gratuito. O IPAE acaba de aderir ao movimento mundial de manter publicações abertas. Esse sistema, iniciado recentemente na Europa, tem sido seguido, ainda, por poucas nações. Queremos agradecer a todos os colaboradores da Educação que, no passado e no presente, sempre envidaram os melhores esforços para que existisse o desenvolvimento da qualidade da educação. (*) João Roberto Moreira Alves IPAE 205 (07/11)

6 7 Educação para o Século 21 João Roberto Moreira Alves (*) Resumo: O artigo aborda tendências da educação no novo século, a partir de estudos e pesquisas realizadas junto à entidades brasileiras e estrangeiras. Analisa os "pilares do conhecimento" e discorre sobre a vivência da UNESCO para o setor. Palavras chave: Século 21, educação comparada, tendências da educação A Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura, dentro de sua importante missão de analisar o desenvolvimento do setor em todo o Mundo, constituiu uma Comissão Internacional que teve por meta estudar a "Educação para o Século 21". O grupo, constituído por especialistas de todos os Continentes, foi liderado por Jacques Delors, ex-ministro da França e ex-presidente da Comissão Européia. Durante um longo período foram procedidos estudos acerca de tendências que se apresentam para esse novo século. O relatório final fornece as principais pistas e recomendações para o delineamento de uma nova concepção pedagógica. Logo de início o documento salienta que "o século submeterá a educação a uma dura obrigação que pode parecer, à primeira vista, quase contraditória. A educação deve transmitir, de fato, de forma maciça e eficaz, cada vez mais saberes e saber-fazer evolutivos, adaptados à civilização cognitiva, pois são as bases das competências do futuro. Simultaneamente, compete-lhe encontrar e assinalar as referências que impeçam as pessoas de ficarem submergidas nas ondas de informações, mais ou menos efêmeras, que invadem os espaços públicos e privados e as levem a orientar-se para projetos de desenvolvimento individuais e coletivos. À educação cabe fornecer, de algum modo, os mapas de um mundo complexo e constantemente agitado e, ao mesmo tempo, a bússola que permita navegar através dele. Nessa visão prospectiva, uma resposta puramente quantitativa à necessidade insaciável a educação - uma bagagem escolar cada vez mais pesada - já não é possível nem mesmo adequada. Não basta, de fato, que cada um acumule no começo da vida uma determinada quantidade de conhecimentos de que possa abastecer-se indefinidamente. É, antes, necessário estar à altura de aproveitar e explorar, do começo ao fim da vida, todas as ocasiões de atualizar, aprofundar e enriquecer estes primeiros conhecimentos, e de se adaptar a um mundo de mudanças. Para poder dar resposta ao conjunto das suas missões, a educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. É claro que estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta. Mas, em regra geral, o ensino formal orienta-se, essencialmente, se não exclusivamente, para o aprender a conhecer e, em menor escala, para o aprender a fazer. As duas outras aprendizagens dependem, a maior parte das vezes, de circunstâncias aleatórias quando não são tidas, de algum modo, como prolongamento natural das duas primeiras. A Comissão destacou que cada um dos "quatro pilares do conhecimento" deve ser objeto de atenção igual por parte do ensino estruturado, a fim de que a educação apareça como uma experiência global a levar a cabo ao longo de toda a vida, no plano cognitivo no prático, para o indivíduo enquanto pessoa e membro da sociedade.

7 O estudo é reflexivo e encorajador, podendo ser aplicado a todos os povos do mundo. As recomendações são feitas por intermédio de nove capítulos: 1. - Da comunidade de base ä sociedade mundial; 2. - Da coesão social à participação democrática; 3. - Do crescimento econômico ao desenvolvimento humano; 4. - Os quatro pilares da educação; 5. - A educação ao longo da vida; 6. - Da educação básica à universidade; 7. - Os professores em busca de novas perspectivas; 8. - Escolhas na área da educação: o papel do político e 9. - A cooperação internacional: educar a aldeia global. O relatório é um documento que deve ser debatido por todos os grupos de interesse no setor educacional, independentemente de níveis e segmentos. Sua edição, lançado agora em língua portuguesa, merece servir de referência para definição não só das políticas públicas, como também nas escolas de educação básica e superior, das redes estatais e da livre iniciativa. O mais importante é que a UNESCO, por intermédio de um Secretariado específico, fornecerá apoio para que entidades governamentais e não-governamentais possam organizar reuniões a fim de serem debatidas as diretrizes e, mais do que isso, para que objetivo pôr em prática algumas das recomendações da Comissão Internacional. Passa-se da teoria à prática, o que é altamente relevante para que as idéias se transformem em verdadeiras ações. 8 (*) Presidente do Instituto de Pesquisas e Administração da Educação. IPAE 206 (07/11)

8 9 formação de docentes. A sala de aula, desconectada Silvio Meira (*) Resumo: Os avanços da tecnologia são mostrados no texto que analisa a necessidade de significativos investimentos na formação e na atualização permanente dos professores e demais profissionais que atuam no setor. Aborda aspectos antigos que já poderiam ter sido solucionados através de políticas públicas brasileiras. Palavras chave: Tecnologia educacional, políticas públicas para educação, Não podemos ignorar, no processo de aprendizado escolar, as tecnologias de informação e comunicação. Trinta anos depois do primeiro PC, só 7% dos coordenadores pedagógicos das escolas brasileiras acreditam que seus professores sabem preparar uma apresentação em PowerPoint. Há 15 anos na era das redes, só 20% dos professores dizem estar na web, a partir da escola, quase todos os dias. Tal estado de coisas só não é mais preocupante porque 69% dos professores com menos de 30 anos revelam estar na rede a partir de casa, todo dia ou quase, realizando atividades associadas ao seu papel na escola. Os dados são da pesquisa sobre as TICs (tecnologias da informação e comunicação) nas escolas, empresas e domicílios, publicada pelo CGI.br (Comitê Gestor da Internet brasileira) -ver o link bit.ly/ra829z Você poderia dizer que o papel dos professores, na escola, é "dar aulas". Mas não, não é. O principal papel dos professores, em todos os níveis, é conduzir processos de criação de oportunidades de aprendizado. E isso pode ser feito de muitas formas, entre as quais a aula. Mas a aula à qual estamos acostumados -normalmente a explanação de um texto conhecido, quando não a repetição pura e simples, na escola, do material que os alunos poderiam ter lido em casa para discutir em sala- já deveria ter sido proibida há décadas. Talvez "proibida" seja muito forte neste contexto. Mas você já imaginou a quantidade de tempo e de gente que se perde, mundo afora, ouvindo o professor recitar, e muitas vezes mal, um texto que poderia ser lido antes da aula, especialmente pelos maiores, para um debate em sala? Será que o processo de aprendizado mudaria significativamente se todos os professores soubessem preparar e realizar uma apresentação em PowerPoint, talvez resultado de terem mais acesso à internet na escola? Não necessariamente, até porque o domínio da tecnologia para expressar o conteúdo não significa domínio do conteúdo. E estamos cansados de saber que um dos maiores problemas dos professores dos primeiros níveis de ensino é sua formação, em cursos de pedagogia que, se têm pouco a ver com as necessidades reais das escolas, estão quase sempre abaixo da crítica no que tange à qualidade de seu próprio processo educacional. Ainda por cima, de que adiantaria preparar uma apresentação computacional, gráfica e interativa, se apenas 4% das salas de aula têm um PC para apresentá-la? Ocorre que as tecnologias de informação e comunicação não podem mais ser ignoradas no processo de aprendizado, até porque são parte da linguagem dos aprendizes. Internet, redes sociais, jogos digitais, smartphones não são uma raridade exótica na realidade dos alunos. Mais de 85% das residências têm celular, 35% têm computador, 31% estão ligadas à internet.

9 A sala de aula, coitada, está desconectada. Entre os 44% dos brasileiros que usam computadores com alguma frequência, 50% sabem usar uma planilha e manipular som e imagem e, surpreendentemente, 18% têm alguma competência em programação. Aí é que a escola, os professores e a sala de aula ficaram, em termos de competências em TICs, muito atrás da média da população. O que quer dizer, também e auspiciosamente, que as oportunidades de aprendizado pularam o muro da escola e foram para a rua, onde estão situadas, do ponto de vista das TICs, mais competências do que no sistema educacional. Isso é bom, porque indica que pessoas e empresas não estão dependendo só da escola e de sua dinâmica para aprender, o que realmente deveria ser o caso em uma sociedade "em rede", de informação e conhecimento. Mas quer dizer também que a escola é quase irrelevante para o aprendizado de um vasto conjunto de fundamentos e de técnicas que são essenciais no trabalho e na vida de qualquer um, hoje e no futuro, qualquer futuro. O estudo do CGI.br aponta problemas antigos, crônicos e diagnosticados há anos, que já poderiam ter sido tratados de múltiplas formas, se o sistema educacional tivesse a prioridade que deveria ter em um país que, se no passado era "do futuro", quer, no presente, estar "no futuro". 10 (*) cientista e fundador do Porto Digital IPAE 207 (07/11)

10 11 Consultorias Educacionais: febre ou necessidade para a escola? Paulo Antonio Gomes Cardim (*) Resumo: O texto aborda aspectos gerais e específicos acerca da necessidade das consultorias educacionais num mundo moderno, onde os estabelecimentos de ensino têm que se dedicar tanto à aspectos administrativos, como financeiros, pedagógicos e de outras áreas. Analisa opções de consultoria externa ou interna e destaca a importância das tomadas de decisão serem feitas pela direção das organizações. Palavra chave: Administração da educação, consultoria educacional, tomada de decisões. O papel de uma consultoria é cercado de inúmeras atividades que irão orientar e ajudar o gestor a tomar as melhores decisões para o futuro da instituição. Fica a cargo dessas empresas levantar as necessidades da escola (de ensino superior ou da educação básica), identificar soluções e recomendar ações, tendo presente a legislação, normas educacionais, indicadores e padrões de qualidade adotados para a avaliação institucional e de cursos. Os serviços das consultorias podem, ainda, envolver ações mais complexas, contemplando a implantação, desenvolvimento e viabilização de projetos diversos, de acordo com a necessidade de cada instituição. É imprescindível que para o sucesso desse processo haja a participação da comunidade escolar, pois o consultor precisará de todo suporte e informações que os gestores e educadores detém, para traçar estratégias adequadas, que visem o desenvolvimento da instituição e sua perenidade no setor educacional. Antes de sair por aí contratando os serviços de uma consultoria, é importante compreender o seu conceito, encarar esse trabalho como uma transferência de conhecimento, habilidades e atitudes que permitem ao cliente uma melhor interação com o mercado. Interna ou externa? Existem atualmente duas maneiras de usufruir desses benefícios. Uma, mais econômica, é institucionalizar uma consultoria interna. A segunda é contratar uma entidade especializada. A vantagem dessa última opção é que, consultorias externas trazem para os dirigentes educacionais um olhar de fora, uma observação fria do especialista sem os envolvimentos emocionais e, até, sentimentais, de analisadores internos. Porém, ao escolher esses serviços externos, um instrumento contratual detalhado precisa ser elaborado, a fim de se evitar constrangimentos ou conflitos, a partir de interpretações unilaterais do que seja o papel da consultoria e até onde vai a responsabilidade do consultor e do gestor nas ações implementadas. Devido aos benefícios que as consultorias educacionais têm proporcionado a seus clientes, elas estão se tornando cada vez mais comuns no ambiente escolar. A ênfase, é claro, fica a cargo das organizações de médio e grande porte, tendo em vista a complexidade desse tipo de instituição. Contudo, é importante ressaltar que esses serviços não são privilégio exclusivo de entidades com o perfil descrito acima. As pequenas escolas da educação básica ou as faculdades podem conseguir excelentes resultados com a contratação de empresas desse ramo, adequadas ao seu porte e à sua área de atuação. Enfim, esse tipo de assessoria não representa uma febre ou modismo. É uma necessidade real das instituições de ensino frente aos desafios do mundo moderno, já que ocorrem mudanças de paradigmas com uma periodicidade frequente, alterações constantes na legislação aplicável e uma concorrência cada vez mais feroz e às vezes predatória.

11 Todavia, a parceria consultoria e instituições de ensino somente terá sucesso quando as últimas se sentem donas da solução e das metas. Tanto é verdade esta assertiva que há quase cinco séculos Maquiavel afirmou : Um príncipe que não é sábio não pode ser sabiamente aconselhado. 12 (*) Presidente da ANACEU (Associação Nacional dos Centros Universitários), Vice-presidente da CONFENEN (Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino) e reitor do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. IPAE 208 (07/11)

12 A educação na sociedade de mercado 13 Wagner Siqueira (*) Resumo: O artigo evidencia as mudanças conjunturais existentes num mundo cada vez mais globalizado, onde o papel do professor e da escola se transformam a cada momento. Analisa aspectos sobre avaliação dos sistemas educacionais e permite uma reflexão sobre perspectivas a serem enfrentadas nos próximos anos..palavras-chave: Sociedade de mercado, educação, avaliação, tendências educacionais. A escola se submete, cada vez mais, a enormes pressões para que se conforme aos novos paradigmas da globalização e da lógica da sociedade de mercado. A competição econômica mundial se torna o imperativo categórico a que todas as instituições educacionais devem se subordinar se quiserem sobreviver. A escola ao se moldar por este paradigma - reduz-se ao restrito papel de formação do capital humano necessário à eficiência das organizações, ao aumento dos padrões de desempenho e de produtividade. Por sua vez, os alunos são crescentemente constrangidos a participar e a demandar essa metamorfose do papel social das escolas. Contribuem para abrir espaço à mercantilizaçao dos saberes e das aprendizagens, e à cristalização de iniqüidades formadas e graduadas como os novos bacharéis da sociedade do conhecimento. Diante de tal contexto, os verdadeiros mestres pouco a pouco capitulam. A escola vive uma crise crônica, em que os amplos debates no seio da sociedade, entre pais, alunos, educadores, políticos e a opinião pública em geral, praticamente têm por consenso a colocarem em estágio de morte clinica. Ou pior: a escola está morta, apenas para me reportar ao clássico de Ivan Illich e Everett Reimer publicado aqui no Brasil nos idos de 1975 pela Francisco Alves Editora. O discurso dominante, o senso comum sustenta que é inadiável uma profunda reforma educacional, que resgate o papel da escola para as reais necessidades dos tempos presentes. Reforma educacional, eis aí a solução mágica, o Abra-te Sésamo para todas as dificuldades! Mas reforma para edificar que tipo de escola? E uma escola destinada a que tipo de sociedade? Ora, uma nação que não tem projeto de país educa sem direção e sentido, não constrói a trajetória de sua existência. Certamente, não pode ser uma escola voltada à formação de quadros para as organizações transformadas em verdadeiras tribos ou cults de auto-adoração e de auto-veneração, verdadeiras seitas de deificação do trabalho. Certamente, também não pode ser uma escola que pretenda formar gerentes, gestores, empreendedores e líderes empresariais para o desempenho do papel de educadores corporativos de seus funcionários, agora chamados de colaboradores, inoculando-lhes a lógica, a doutrina e a ideologia das organizações empresariais modernas da sociedade de mercado. A educação, mais do que nunca, fundamenta-se na racionalidade tecnológica e nas necessidades interpostas pelo o que deseja o mercado. À semelhança dos operários do Século XIX, os profissionais de hoje, forjados nas ambiências universitárias sofisticadas, os que ainda conseguem emprego, são agora igualmente apêndices humanos dos aparatos tecnológicos, soi-disant máquinas modernas de produção. Devem ser também formados para garantir a eficiência e a produtividade do sistema produtivo.

13 É todo cabedal conceptual, ideológico e operacional do taylorismo e do fordismo, agora de fraque e cartola, revisitado pela formação acadêmica como requisito mínimo para os empregos das empresas-cidadãs, sempre com seus programas de responsabilidade social, de desenvolvimento sustentável e de ética empresarial. Dispensa-se a formação intelectual, crítica e cultural. Enfatiza-se apenas a que sustente ou estimule a racionalidade instrumental ou técnica do trabalho a ser executado. É evidente que o domínio da tecnologia é imprescindível à felicidade e à liberdade humana. Mas aquele que desenvolve uma postura intelectual restrita à tecnologia é levado a identificar-se com os aparatos e as máquinas, a mitificá-los e a sacralizá-los, e, assim, a derivar satisfação psicológica apenas por fazer o trabalho bem feito, o que lhe é propiciado pela capacitação técnica pessoal e pelo instrumental tecnológico disponível. A técnica é apenas extensão do braço humano e, por isso, fundamental. Mas não se constitui num fim em si mesmo. Ainda que também seja produto da inventividade humana, não expressa e não esgota todas as faculdades e qualidades inerentes ao homem. A cultura se converte também em mercadoria. Deixa de ser inerente à formação, não se incorporando mais aos indivíduos como pessoas humanas únicas e singulares. A cultura tecnicista instrumentaliza os indivíduos, e não mais os forma. Em verdade, os deforma. A formação em sua integralidade e inteireza se dá a partir da incorporação da cultura pelos indivíduos. Não se pode conceber a pessoa dela dissociada. Essa cultura tecnicista convertida em mercadoria só pode ser adquirida como valor de troca. E, assim, os indivíduos se formam para aumentar o seu valor no mercado, e não mais para a diferenciação, para a compreensão da sociedade em que vivem e para o compromisso com a sua transformação, com vistas a torná-la mais justa, equitativa e em plenitude de liberdade. A obtenção da cultura como um fim em si mesmo, em contrapartida, não permite, por si só, que a pessoa seja capaz de compreender as circunstâncias em que se encontra. Igualmente, a cultura que transmite apenas o instrumental para a adaptação e a sobrevivência imediata também não possibilita que o indivíduo se torne capaz de compreender e de transformar as suas circunstâncias. A educação transformada em mercadoria é claramente expressa quando se dá absoluta relevância aos índices nacionais de classificação das melhores escolas. Sistemas como o ENADE e o ENEM, em que pese a sua legitimidade e contribuição na busca da melhoria da educação no País, não deixam de expressar de forma contundente este viés. Assim, diretores, professores e alunos se dedicam exaustivamente à competição por uma melhor classificação como prova de que oferecem ao mercado as melhores mercadorias educacionais os alunos formados -, o que, por sua vez, vai lhes levar ao paraíso do emprego e da ocupação profissional. Tendemos ainda a julgar que uma formação, mesmo que precária, é melhor do que nenhuma. Mas este é um equívoco: a falsa formação ou a formação precária nos leva a pensar que sabemos o que não sabemos, que somos capazes de fazer o que efetivamente não somos. É preciso denunciar a falsa formação educacional que se pratica generalizadamente em nosso País, em especial as condições objetivas que a engendram; não insistir no equívoco de que para superá-la seja somente e tão-somente uma responsabilidade individual de cada um. 14 O Ocioso por Excesso de Capacidade A economia mundial não se mostra capaz de absorver o crescente aumento do nível educacional da força de trabalho. Os formandos e graduados dos centros acadêmicos tornam-se ociosos por excesso de capacidade. E as organizações aumentam ainda mais os requisitos educacionais para a ocupação dos

14 postos de trabalho. As pessoas passam a aceitar trabalhos e empregos anteriormente ocupados por pessoas bem menos qualificadas. E a escola reafirma assim ainda mais a sua diretriz de ensino: não mais se orienta pelo humanismo indispensável centrado no universalismo do livre pensar a atividade humana e na qualificação intelectual do aluno. Perde-se o senso crítico da realidade no sentido de transformá-la para se ganhar competências e habilidades específicas de interesse do mundo do trabalho. Não mais forma quadros para uma elite pensante. O aluno não é mais o diamante bruto a ser lapidado como um intelectual. Aprendem-se as competências do produzir e do fazer e perde-se a capacidade de pensar autonomamente. Nunca se falou tanto em criatividade e inovação, louva-se o ócio criativo, mas os contextos educacionais e de trabalho nunca os restringiram tanto. O discurso das organizações empresariais e educacionais é o de que vivemos o apogeu do humanismo, mas certamente a realidade é bem distinta: o discurso superficialista da humanização organizacional esconde o auge do desrespeito à centralidade do homem no mundo da educação e do trabalho. A sociedade de mercado priva o homem de sua essencialidade humana. Desumaniza-o! 15 A Principal Função da Escola Após o foco da escola na formação do crente, após o foco da escola na formação do cidadão, e após o foco na formação do homem comprometido com o ideal humanístico, a industrialização e a mercantilização da existência humana redefinem o homem como um ser essencialmente econômico e um individuo essencialmente privado. A principal função da escola passa a ser formar quadros para o crescimento econômico e o mercado. É preciso continuar a formar quadros adestrados para o mercado: os exércitos de reserva de mão de obra - antes na Revolução Industrial pela capacitação dos trabalhadores manuais especializados, agora pelos profissionais de qualificação acadêmica. Antes, os operários manuais fabris. Agora, os operários acadêmicos do conhecimento. O novo compromisso da escola: prestar serviço ao mundo econômico e atender à lógica do mercado. Formar cidadãos passa a ser um simples efeito colateral. Aprender a aprender A escola deixa de ser a fonte do saber e do conhecimento. Restringe a sua ação pedagógica a fazer o aluno aprender a aprender as competências necessitadas pelo mercado que lhe garanta hoje, e pode pretensamente lhe garantir amanhã, o tão desejado emprego. Ah, sim! Agora se fala na empregabilidade e no empreendedorismo, ou seja: Vire-se! O importante é a capacidade de o profissional continuar a aprender por toda a sua existência o que seja útil ao mercado e, portanto, que lhe permita exercer atividades remuneradas. Ora, na sociedade do conhecimento a obsolescência das competências e das habilidades é muito mais rápida. Mudam-se os processos de trabalho, e, em conseqüência, obsoletizam-se todos. É preciso aprender a aprender novas competências, que logo vão ficar ossificadas, ultrapassadas, e que, por isso, vão exigir, por sua vez, a reciclagem permanente para a aquisição de novas competências do fazer e do produzir. Eis aí a educação continuada e permanente de que tanto se fala hoje: não se destina a desenvolver cidadãos mais conscientes, cônscios de si mesmos, mas a capacitar, treinar e adestrar a mão-de-obra em competências necessárias ao desempenho de atividades remuneradas pelo mercado.

15 Este novo paradigma da pedagogização da existência responsabiliza o cidadão pelo dever de aprender. É o século da volta à escola para aprender a aprender a prestar melhores serviços ao empregador. Não é para aprender a explorar e a aprofundar a sua humanidade. Aprender torna-se uma obrigação pessoal de sobrevivência no mercado de trabalho, muito mais do que uma resposta às necessidades de autonomia e de florescimento intelectual decorrente de um compromisso com o bem comum e da vontade coletiva da sociedade. 16 Educação: um bem individual e privado A escola, na sociedade de mercado em que vivemos, concretiza um modelo escolar que considera a educação como um bem essencialmente privado, particular, individual, cujo valor é antes de tudo econômico, a serviço do mercado. Não é mais a resultante de uma sociedade que tem como vontade política a garantia da educação cidadã de todos os seus membros. São os indivíduos que devem capitalizar a educação em seu próprio beneficio, como um bem essencialmente particular e pessoal. Sobretudo, o custo da educação deve ser rentável, com retorno para as empresas que utilizam os quadros profissionais formados pelas escolas. Aluno: cidadão ou cliente? Certamente é cliente de um mercado educacional destinado à formação e à produção do capital humano das empresas. Hoje a nova escola está a serviço da economia na formação de quadros profissionais para o mercado, quando deveria ser uma escola destinada a atender às necessidades de desenvolvimento de uma sociedade mais justa e fraterna, mais cidadã, com níveis decrescentes de iniqüidades. Universidades: a serviço dos interesses do mercado. De forma geral, um novo campo de acumulação de capital se abre com a transformação das universidades em fábricas de produção do saber eficaz, ou seja, a serviço dos interesses comerciais do mercado. Este é o destino da produção do conhecimento e do saber: ser modelado por um capitalismo universitário a serviço dos interesses comerciais e econômicos das empresas que, o mais das vezes, sustentam os aparatos acadêmicos. O desenvolvimento científico, as pesquisas em particular, se submete cada vez mais às exigências da valorização do capital. A subordinação do saber à economia e ao mercado se representa pela multiplicação dos laboratórios e centros de pesquisa privados, e pela estreita relação entre os interesses das empresas e os das universidades. Essa integração de interesses, em vez de gerar prioritariamente ganhos para a sociedade, resulta em mais e maiores lucros e ganhos para as empresas e seus acionistas. Os interesses das indústrias e do mercado acabam por contaminar e dominar a produção do saber no desenvolvimento das pesquisas aplicadas. Elas dão o tom e ditam o ritmo, dizem o que fazer e o que não fazer, limitam a ciência, controlam o seu desenvolvimento. As pesquisas acadêmicas deixam de ter o foco no interesse público, no interesse do cidadão, para se circunscrever aos interesses econômicos empresariais. Ou seja: o interesse empresarial dá o tom do que se vai ou não pesquisar, e, portanto, do que vai se transformar em produtos ou serviços. Não é mais o interesse do bem comum.

16 A produção do conhecimento se transforma numa atividade mercantil específica, financiado pelo capital privado, estampando o seu logotipo, a sua marca e a sua propriedade industrial, em centros de pesquisa de alto prestígio dos centros acadêmicos, tanto de instituições de ensino e pesquisa públicas quanto particulares. Hoje, em muitíssimos casos, já não mais se sabe distinguir o que são laboratórios acadêmicos e os que são empresariais. São as sempre louvadas parcerias universidade/empresa do mundo da globalização: cada vez mais entram recursos públicos para os benefícios privados. A característica dominante do capitalismo moderno é precisamente o fomento e o financiamento direto da pesquisa com base no interesse particularista da empresa privada. O desenvolvimento cientifico é, cada vez mais, subjugado aos desígnios de vontade dos interesses privados empresariais. E, assim, um novo ator entra em cena: o lobbismo acadêmico e o pesquisador como garoto propaganda das multinacionais e das grandes ONG s, e, também, das fundações globais para as quais estão igualmente a serviço. A universidade se presta agora a representar o papel de rede de proteção dos interesses econômicos das organizações empresariais. Aporta a sua autoridade científica e o seu logotipo às operações comerciais e ao lobbismo empresarial. Os professores e pesquisadores, conscientes ou não, o mais das vezes muito conscientes, transformam-se em porta-vozes e garotos-propaganda dos interesses empresariais privados. Se os centros de pesquisas não desempenharem esse papel, correm o risco de terem as suas pesquisas e atividades descontinuadas, sem financiamento. É o seqüestro do saber a serviço dos interesses exclusivistas do mercado! A ciência passa a ter relações promíscuas com o mercado. Financiada e patrocinada cada vez mais se coloca a serviço do lucro. E, assim, o controle sobre a natureza que a tecnologia possibilita ao homem moderno é pago com a sua escravidão a ela. 17 A Época do Capital Humano É uma ilusão pretender conferir ao conceito de capital humano uma acepção estritamente técnica. O capital humano é contaminado pela ideologia do mercado, pelo interesse, pela ganância e pela voracidade econômica das empresas e de seus acionistas. Essa doutrina dominante em educação encontra hoje o seu centro de gravidade nas teorias do capital humano. Mobiliza-se o saber, cada vez mais diversificado e especializado, como fator de produção e como mercadoria. O capital humano é, assim, o estoque dos conhecimentos que têm valor econômico. Incorporam-se às pessoas, como um bem privado individual. Atuam como fator de produção e mercadoria, à disposição para a venda ao mercado. É a nova versão, agora no Século XXI, do conceito de mais valia de que nos falava Karl Marx há quase dois séculos. Conformação às regras de aprovação social.

17 O homem não age propriamente, mas se comporta. Ou seja: vivendo numa organização, o homem é condicionado a conformar-se com as regras de aprovação social. No caso particular das organizações empresariais, os seus funcionários têm que se submeter às regras de conduta impostas pela aristocracia do capital, que detém o poder nas organizações. A educação na sociedade do conhecimento não mais educa para desenvolver plenamente o potencial do individuo, mas para ensiná-lo a comportar-se em sociedade, a como sair-se bem no mundo do trabalho, a como atuar no universo das organizações. Abandona o conteúdo intrínseco da formação do cidadão e do intelectual, para cuidar prioritariamente da forma, da formação da conduta humana, do desenvolvimento de atitudes como predisposição para se comportar e não necessariamente para agir. Por isso, cada vez mais a seleção de quadros se dá pelo filtro do critério da atitude e menos pelo do conhecimento. O grande desafio passa a ser identificar e ensinar quais são as atitudes adequadas para ingressar no mundo do trabalho? E, assim a escola educa para a conformação. 18 (*) Atual Presidente do Conselho Regional de Administração do Rio de Janeiro e Membro da Academia Brasileira de Ciências da Administração. Foi Secretário de Administração da Prefeitura do Rio de Janeiro, Presidente do Centro de Convenções RIOCENTRO, Secretário de Assistência Social da Prefeitura do Rio. É Consultor de organizações e autor de livros e diversos artigos sobre as ciências da Administração. IPAE 209 (07/11)

18 19 Os 20 Mandamentos da Boa Gestão Fernando Portella (*) Resumo: A administração, em qualquer área, depende de adoção de técnicas que permitem resultados mais ou menos positivos. São enumerados vinte itens que possibilitam, em quaisquer áreas de gestão, que se evidencie um bom processo com reflexos em todas as organizações..palavras-chave: Gestão de empresas, processo de administração, resultados. Essas são algumas dúvidas que volta e meia tiram o sono de qualquer profissional. Algumas delas são fáceis de solucionar, outras, no entanto, demandam muito esforço. Para facilitar um pouco este trabalho, desenvolvemos ao longo de nossa carreira profissional os 20 Mandamentos da Boa Gestão. São ideias e soluções capazes de nortear a trajetória em tempos de crise, que mesmo que muitos digam que já passou, ainda afeta o dia a dia das companhias ao redor do mundo. Embora o talento prevaleça, uma gestão competente ainda é primordial. Ao adotar estas regras um gestor pode garantir além do próprio sucesso, maior rentabilidade para sua empresa, fazendo com que ambos passem pela crise sem solavancos. São elas: 1 - O mercado é absoluto: acompanhe o concorrente, mas não necessariamente siga-o. 2 - Cash is king. Jamais esqueça. 3 - Retorno sobre o capital investido será sempre cobrado. Só você será culpado se o "payback" não aparecer. 4 - Somente lucros constantes e crescentes preservam uma relação sustentada entre executivos e acionistas. 5 - Seja político, mas não faça política na empresa. 6 - A decisão sempre é financeira. Mesmo sendo estratégica, ela tem que ser respaldada por base quantitativa. dirige. 7 - Seja cuidadoso, mas transparente. 8 - Preserve sempre o brilho nos olhos. 9 - Domine os números de sua área Entenda sempre o modelo econômico e os fatores críticos de sucesso do negócio/setor que 11 - Faça sempre o crivo das questões fiscais e legais que suportam suas decisões. Entenda o risco, mas não tenha medo de tomar a decisão. 12- Nunca abra mão dos juros. Renegocie o principal, nunca os juros Não diga não aos acionistas, diga que é prematuro Não leve problemas aos acionistas. Leve um diagnóstico claro do problema, sua recomendação para solucioná-lo, os resultados esperados e um plano de ação.

19 15 - Você pode ter a caneta, mas o tinteiro está com os acionistas. Use a exata quantidade de tinta que lhe é dada, nem mais nem menos. Seus resultados é que vão lhe assegurar uma quantidade crescente de tinta Seu aprimoramento profissional deve ser constante Formação acadêmica é essencial. Não pare nunca de estudar, formal e informalmente Tenha hobbies" e amigos fora do seu dia a dia de trabalho. Construa "network" dentro e fora do setor que você atua Tenha sempre empatia Foque sempre no "red issue" (o que está tirando seu sono). Energia é escassa e deve ser usada com foco. 20 Seguindo essas dicas, você terá um caminho mais promissor. Só uma última dica: esteja alinhado com seu objetivo 24 horas por dia, 7 dias por semana, o ano inteiro. (*) CEO da Organização Jaime Câmara, maior grupo de mídia do Centro-Norte do Brasil e conselheiro da Oi, Iguatemi Empresa de Shopping Center e da Intermédica Sistema de Saúde. É ex-vicepresidente do Citibank Brasil e ex-ceo do Grupo O Dia de Comunicação. IPAE 210 (07/11)

20 21 CRM - Gestão de Relacionamento com o Cliente (Customer relationship management) Customer Relationship Management (CRM) é uma expressão em que pode ser traduzida para a língua portuguesa como Gestão de Relacionamento com o Cliente (Gestão de Relação com o Cliente, em Portugal). Foi criada para definir toda uma classe de ferramentas que automatizam as funções de contacto com o cliente, essas ferramentas compreendem sistemas informatizados e fundamentalmente uma mudança de atitude corporativa, que objetiva ajudar as companhias a criar e manter um bom relacionamento com seus clientes armazenando e inter-relacionando de forma inteligente, informações sobre suas atividades e interacções com a empres Definição O Customer Relationship Management é uma abordagem que coloca o cliente no centro do desenho dos processos do negócio, sendo desenhado para perceber e antecipar as necessidades dos clientes atuais e potenciais, de forma a procurar supri-las da melhor forma. Trata-se, sem dúvida, de uma estratégia de negócio, em primeira linha, que posteriormente se consubstancia em soluções tecnológicas. É assim um sistema integrado de gestão com foco no cliente, constituído por um conjunto de procedimentos/processos organizados e integrados num modelo de gestão de negócios. Os softwers que auxiliam e apoiam esta gestão são normalmente Sistemas de CRM. Os processos de gestão que assentam em CRMs estão, sem dúvida, na linha da frente em termos estratégicos não apenas em termos de marketing, mas também, a médio prazo, ao nível econômico-financeiro. Com efeito, empresas que conhecem profundamente os seus clientes, o que precisam, em que o perfil de consumidor se enquadra, conseguem criar respostas personalizadas, antecipando as suas vontades e respondendo de forma precisa aos seus desejos atuais. A tecnologia responderá apenas à estratégia da empresa a este nível, auxiliando na captura de dados acerca do cliente e fontes externas e na consolidação de uma data warehouse central, de modo a tornar a estratégia global de CRM mais inteligente. Adicionalmente, integra o marketing e as tecnologias de informação já existentes, de forma a dotar a empresa de meios eficazes e integrados de atender, reconhecendo e cuidando do cliente em tempo real. As aplicações de CRM transformam os dados recolhidos em informação que, quando disseminada permite a identificação do cliente e a compreensão do seu perfil. As plataformas de CRM alicerçam-se em processos centrados no cliente, disseminados por toda a organização. Verifica-se uma utilização exaustiva de informação relacionada com o cliente, integrando as áreas de marketing, vendas e serviços, verificando-se a criação de valor para o cliente. Antes de implementar, importa perceber qual o modelo de relacionamento com o cliente que a empresa pretende adotar, sendo necessário, várias vezes, redesenhar os processos de atendimento. Aqui importa perceber dimensões como: Como será feita a abordagem ao cliente? Que procedimentos ou eventos devem ser gerados? Qual o plano de comunicação a adotar? De forma a responder a estes desafios, procede-se ao levantamento rigoroso dos processos existentes e sua documentação, de montante a jusante, podendo ser necessário redesenhar ou levar apenas a um reenquadramento dos mesmos e eventualmente a adição de mais-valias, pelo fato de passar a existir suporte de tecnologia de informação orientada para o cliente. A partir daqui é selecionada a solução de informação e consequente implementação. A seleção da solução de informação é baseada nas fases anteriores, sendo validadas as características das soluções disponíveis, determinada pelo modelo de relacionamento a seguir no futuro.

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