Lena Lavinas (IE/UFRJ)

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1 Status e direitos para galvanizar oportunidades: desafios do combate à miséria frente às incertezas da conjuntura econômica Lena Lavinas (IE/UFRJ) ENAP/MDS Seminário internacional PROTEÇÃO SOCIAL E CIDADANIA 2011

2 DESAFIO Um país em desenvolvimento, ou um país de renda média, será capaz de reduzir a miséria a patamares muito pequenos menos de 2%, por exemplo consolidando um sistema de proteção social ainda inacabado, pouco efetivo e cuja imperfeição maior é ser excludente e regressivo?

3 Pontos em debate: 1. Oportunidades: quais as precondições para galvanizá-las e aproveitá-las? 1. Contexto macroeconômico recente: crescimento com geração de postos de trabalho, formalização e aumento dos rendimentos do trabalho, expansão do crédito. Quem ficou de fora? 2. O papel da política social: força e debilidade de sua institucionalidade na luta para tornar a miséria residual no curto e médio prazo. Oportunidades perdidas! 3. Lacunas no sistema de proteção social: desafios de curto e médio prazo na consolidação do sistema de proteção social.

4 1. OPORTUNIDADES

5 OPORTUNIDADES: Dependem de dois fatores: 1. Fatores externos => contexto de crescimento e desenvolvimento (instituições com seus valores e normatividade) 2. Aspectos individuais ou dotações: capacidade de cada um de saber apropriar-se de chances quando existem - e transformá-las em bem-estar, riqueza, patrimônio em um sentido amplo. Esse processo de autonomização requer dispor de um conjunto de dotações básicas saúde, capital humano, status, necessidades básicas satisfeitas - que ao serem mobilizadas ampliam-se e promovem mais bemestar.

6 2. CONTEXTO RECENTE - RETOMADA DO CRESCIMENTO COM EMPREGO E INCREMENTO DA RENDA... E UM CENÁRIO DEMOGRÁFICO FAVORÁVEL!

7 Taxas de Crescimento em Alta PIB: taxa real de crescimento anual ( )* (Em %) PIB - var. real anual - (% a.a.) Fonte: IBGE/CCN. *2010: Variação média real do PIB estimada em 7,0%.

8 Ineditismo: taxa de inflação em queda e desconcentração de renda do trabalho, em particular a partir de 2005

9 Evolução Recente do GINI ligeira redução, mas todavia alto! 2009 = 0, 544 e 2010 = 0,538 1 (previsao) 0,9 0,8 0,7 0,6 0,596 0,598 0,601 0,636 0,601 0,602 0,594 0,589 0,572 0,5 0,584 0,583 0,563 0,548 0,4 0,3 0,2 0, Gini Linear (Gini)

10 Crescimento com mais empregos formais Saldo de emprego formal ( )* Fonte: Caged/MTE. Saldo de emprego formal Fonte: PME/IBGE

11 Saldo líquido de novos postos de trabalho formal entre 2003 e 2010 (gestão Lula) 11,240 milhões de novos postos de trabalho formalizados em oito anos, um recorde Incremento de 60% do emprego formal em oito anos (Dedecca, 2010)

12 Razão emprego formal/informal (Dedecca, 2010 e IPEA, 2010) 2009 Para 15 postos de trabalho criados com proteção social, formalizados, foram criados 10 novos postos no setor informal A taxa de formalização passou de 44% em 2001 para 55,5% em Todos os setores econômicos registraram aumento da população ocupada, exceto o agrícola 2001 Essa relação era de 6 para 10, em 2001 < ===== NOVIDADE! Quase 90% desses empregos foram criados na faixa de até 3 salários mínimos

13 Em 2010, Brasil tem: 192 milhões de habitantes, sendo que a PEA representa quase 100 milhões ou 52% (contra PEA de 36% em 1980) Entre 2010 e 2030, Brasil vive a fase do bônus demográfico: taxas de dependência são muito baixas (logo, até 2030, o número de dependentes inativos por ativo é declinante grande potencial produtivo da população) Desses, 30 milhões vivem no campo (e 15 milhões fazem parte da PEA agrícola) Taxa de fecundidade média em 2010: 1,7 filho por mulher na faixa anos (contra 2 na França e 2,1 nos US) 10% da população tem 65 anos de idade ou mais.

14 Até entre os pobres (<R$140/mês per capita), a fecundidade é baixa

15 Recuperação dos rendimentos médios do trabalho Rendimentos Médios de Todos os Trabalhos (2009) Brasil, PNAD, mês de setembro de cada ano ANO R$ , , , , , , , , ,00 OBS. Valores reais, deflacionados pelo IPCA.

16 mar/02 jul/02 nov/02 mar/03 jul/03 nov/03 mar/04 jul/04 nov/04 mar/05 jul/05 nov/05 mar/06 jul/06 nov/06 mar/07 jul/07 nov/07 mar/08 jul/08 nov/08 mar/09 jul/09 nov/09 mar/10 jul/10 Massa Salarial, em recuperação mas ainda baixa: 34.1% do PIB em 2009 Massa Salarial (Número Índice: base mar/2002=100) Massa Salarial (Número Índice: base mar/2002=100) Fonte: PME/IBGE * Calculada a partir da multiplicação do rendimento real habitualmente recebido pelo número de pessoas ocupadas, empregadas nas RMs.

17 * Crédito: oferta aumenta e prazos para reembolso também (de R$ 317 bilhões em 2004 para R$ 871 bilhões em 2010) Operações de Crédito do Sistema Financeiro como Proporção do PIB (%) 50,0 45,0 42,3 44,8 40,0 38,0 35,0 32,4 30,0 25,0 24,8 25,0 26,7 29,4 20,0 Crédito do Sistema Financeiro (%PIB)

18 ºbim.2010 Evolução do Crédito Pessoal, em Bilhões de Reais Gráfico 8 - Participação do Crédito Consignado no Crédito Pessoal Total % 44% 45% % 41% % 33% - Participação do crédito não-consignado no c. pessoal Participação do crédito consignado no c. pessoal Fonte: BCB (elaboração própria)

19 EFEITOS MAIS IMPORTANTES DE CRESCIMENTO COM MAIS PROTEÇÃO

20 Redução dos índices de pobreza e miséria 2009: 28, 7 milhões de pessoas pobres (10 milhões no campo) Proporção de Pobres e Indigentes na População Brasileira ANO POBRES (%) INDIGENTES (%) ,3 15, ,1 8, ,2 8, ,5 6, ,1 5,4 Fonte: PNAD, IBGE, anos citados, com base na renda familiar per capita

21 Estimativas de Pobres e Indigentes LP (R$ 140,00) e LI (R$ 70,00 do Bolsa Família Em milhões de pessoas Brasil Indigentes Pobres I + P Total 14,806 27,533 42,340 Urbano 8,896 19,258 28,154 Rural 5,910 8,274 14,185 Brasil Indigentes Pobres I + P Total 10,065 18,691 28,757 Urbano 6,037 12,700 18,737 Rural 4,028 5,991 10,019 Fonte: PNAD

22 Pobres Todos os Rendimentos (inclui outras fontes) Rendimentos do Trabalho + Aposent e Pensões Apenas Rendimento do Trabalho Indigentes Todos os Rendimentos (inclui outras fontes) Rendimentos do Trabalho + Aposent e Pensões Apenas Rendimento do Trabalho Pobres Todos os Rendimentos (inclui outras fontes) 15,5 19,2 22,1 33,3 Rendimentos do Trabalho + Aposent e Pensões 18,7 21,8 24,9 34,6 Apenas Rendimento do Trabalho 30,1 33,3 36,5 45,4 Indigentes Todos os Rendimentos (inclui outras fontes) 6,5 8,2 8,5 15,6 Rendimentos do Trabalho + Aposent e Pensões 9,4 10,9 11,3 17,0 Apenas Rendimento do Trabalho 10,2 20,9 21,3 27,4 Fonte: IBGE, PNAD, 2001, 2004, 2007, 2008 Número de Pobres Proporção de Pobres (%)

23 Atividade e trabalho infantil É provável que o direito a um benefício compensatório assegurado a parcela importante da população vivendo em situação de pobreza tenha permitido que as tarefas mais degradantes e extremamente mal remuneradas tenham sido abandonadas pelos setores mais vulneráveis, fortalecendo o mercado de trabalho rural e conferindo liberdade a esses trabalhadores em recusar esse tipo de trabalho degradante. Retração acentuada do trabalho infantil: em milhões Brasil Total P + I Urbano Rural ,783 1,308 1,306 1, ,890 0,645 1,085 0,804

24 DUAS DIFICULDADES DEVEM SER OBSERVADAS NO LASTRO DESSE CRESCIMENTO RECENTE:

25 RENDA DOMICILIAR PER CAPITA MEDIANA (2009) MANTÉM-SE BAIXA R$ 465,00 Brasil R$ 277,00 Nordeste URBANO RURAL R$ 492,00 R$ 275,00 Ora, R$ 279,00 correspondem a 60% da mediana Brasil logo 50% da população rural seriam consideradas pobres

26 MUITA GENTE NÃO SE CONSEGUE APROVEITAR AS OPORTUNIDADES DO CRESCIMENTO COM QUALIDADE PNAD 2009: 10 milhões de indigentes 18,7 milhões de pobres CENSO 2010: 16,8 milhões de indigentes (N de pobres será bem maior)

27 Porém, só crescimento não basta há que redistribuir, ampliar e consolidar direitos e regular os mínimos sociais 2. DA NOVA INSTITUCIONALIDADE DA POLÍTICA SOCIAL À SUA MAIOR EFETIVIDADE

28 A Seguridade Social inovação institucional, com financiamento próprio O ponto de ruptura que vai permitir uma mudança no grau de efetividade da política social brasileira: é a criação da Seguridade Social em Sistema integrado, com regras e normas definidas e maior uniformidade Nova institucionalidade do sistema de proteção: o seguro social (benefícios previdenciários para quem contribui, com base em regras uniformes) - CONTRIBUTIVO a assistência social, para os necessitados (DIREITO X ACESSO a um mínimo social derivado da comprovação de déficit de renda) NÃO CONTRIBUTIVO a saúde, para todos, financiada a partir de tributos indiretos com incidência sobre o consumo (tal como a assistência) NÀO CONTRIBUTIVO Seguro-desemprego CONTRIBUTIVO

29 FATORES DA POLÍTICA SOCIAL QUE APOIARAM O CRESCIMENTO ECONÔMICO: 1. POLÍTICA DE REVALORIZAÇÃO DO SALÁRIO MÍNIMO, COM UMA NOVA REGRA DE REAJUSTE ANUAL

30 jan/44 jan/47 jan/50 jan/53 jan/56 jan/59 jan/62 jan/65 jan/68 jan/71 jan/74 jan/77 jan/80 jan/83 jan/86 jan/89 jan/92 jan/95 jan/98 jan/01 jan/04 jan/07 jan/10 Salário Mínimo: trajetória de recuperação com ganhos reais importantes Salário Mínimo Real* (R$) Salário mínimo real - R$ 25 por Média Móvel (Salário mínimo real - R$ ) Fonte: Ipeadata (Elaboração própria) * Série em reais (R$) constantes do último mês, elaborada pelo IPEA, deflacionando-se o salário mínimo nominal pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC)

31 Salário Mínimo (R$ 545 em 2010) Remunera o piso do trabalho; Está vinculado ao piso dos benefícios previdenciários (aposentadorias e pensões, rurais e urbanos) É o valor do BPC (assistencial) OS BENEFÍCIOS VINCULADOS AO SALÁRIO MÍNIMO CONTRIBUEM PARA A REDUÇÃO DA IGUALDADE

32 2. POLÍTICA ASSISTENCIAL INSTITUCIONALIZADA, NACIONAL, BASE ADA NA FOCALIZAÇÃO E NA COMPROVAÇÃO DE POBREZA (AUTO- DECLARADA) R$ 30,5 BILHÕES EM 2009 OU 9% OSS EXECUTADO E POUCO MAIS D 1% DO PIB)

33 Não tem regra de reajuste e não é um direito Dois programas focalizados BPC (Benefício de Prestação Continuada), desde 1996 Para idosos com 65 anos ou + e portadores de deficiência, com renda familiar per capita <= ¼ do SM Não é condicionado Alcança a 3 milhões de pessoas aproximadamente Pago mensal: 1 SM ou R$ 545,00 É um direito Bolsa Família, desde 2003 Para famílias com renda familiar per capita inferior a 140,00 (quando for indigente < R$ 70,00, ganha um benefício fixo, além dos variáveis) É condicionado Alcança a 45 milhões de pessoas Pago mensal varia entre R$ 70,00 e 240,00 por família

34 PORÉM: Déficit de cobertura altíssimo do BF, porque não é um direito há 5,8 milhões de arranjos domiciliares que são pobres, por terem renda familiar per capita inferior a R$140,00 ao mês (dados de 2009, PNAD). Desses, 2,2 milhões de arranjos domiciliares declararam não receber nenhum tipo de benefício assistencial público. Isso atinge 9 milhões de pessoas de um total estimado de quase 29 milhões de pobres (quase 1/3), um contingente massivo que não consegue benefícios ou proteção!

35 Estimativas de Não Cobertura do BF LP do Bolsa Família (140,00) Em milhões de arranjos domiciliares Brasil Total Urbano Rural Arranjos domiciliares (I + P) Não recebem transferências monetárias (Outros Rendimentos) 5,842 3,783 2,058 2,231 1,623 0,607 Fonte: PNAD 2009 Cerca de 2,4 milhões de pessoas (~25% do n de pobres estimado pela PNAD 2009)

36 Acesso ao BF Ineficiências horizontais, mesmo quando oferecem cobertura satisfatória. Isso porque a finalidade precípua da focalização não é chegar aos mais necessitados, mas reduzir a demanda através da imposição de condicionalidades e outros critérios que dificultam a habilitação de parte do público-alvo (os chamados custos de inconveniência ). Logo, ganhos de efetividade na gestão dos grandes programas de governo voltados para o combate à pobreza monetária já permitiriam uma redução ainda mais significativa da pobreza e indigência vigentes nas zonas rurais do país, favorecendo a região onde a miséria é mais disseminada e intensa, o Nordeste.

37 ALÉM DAS TRANSFERÊNCIAS DE RENDA, QUAL A DINÂMICA DAS OPORTUNIDADES DERIVADAS DO ACESSO MAIS IGUALITÁRIO À INFRA- ESTRUTURA SOCIAL?

38 Pobreza não monetária: acessibilidade Na última década, o gasto com transferências monetárias diretas foi privilegiado em relação a outras formas de gasto e se constituiu no quase tudo da política social brasileira. EVOLUÇÃO DO GASTO FEDERAL POR FUNÇÃO (em Bilhões de Reais) - NÚMERO índice 2000=100 FUNÇÃO 2000 (Valor Atualizado¹) Assistência Social Previdência Social Saúde Trabalho Educação Cultura Habitação e Urbanismo Saneamento Gestão Ambiental Ciência e Tecnologia TOTAL Fonte: SIAFI - STN/CCONT/GEINC ¹ Valor atualizado com base no IGP-DI de 2000/2010 de 2,

39 Pobreza não monetária: acessibilidade O diferencial entre provisão pública desmercantilizada, na forma de serviços gratuitos, vis a vis a concessão de benefícios monetários, é justamente permitir equalizar as condições de acesso e, assim, promover mais igualdade de oportunidade. O escopo do sistema de proteção social deixou de fora outras dimensões indispensáveis ao bem-estar e à segurança da população, como moradia e saneamento, cuja evolução ficou ainda mais refém da política macroeconômica de restrição de gastos, baixo crescimento e formação de elevados superávits fiscais primários das últimas décadas. O hiato urbano/rural permanece acentuado. O modo de vida dos pobres rurais parece agudamente precário.

40 Déficit habitacional (FJP, 2010) Déficit habitacional: 5,572 milhões de moradias 9,7% do estoque de domicílios do país Famílias com até 3 salários mínimos representam 90% do déficit 65% dos domicílios não são dotados de serviços públicos de saneamento completos Programa Minha Casa Minha Vida (2009) Fase 1 (até 2011): 400 mil moradias com subsídio integral e isenção de seguro para famílias até 3 SM ou 40% do novo estoque (600 mil para famílias com renda entre mais de 3 e 10 salários mínimos). Fase 2: correção para 1,200 mil moradias faixa até 3 salários mínimos (60% do novo estoque)

41 Domicílios POBRES com condições adequadas de saneamento, por situação de domicílio - Brasil / ,0 90,0 80,0 84,7 78,5 94,4 88,3 95,1 92,5 70,0 60,0 50,0 60,6 55,4 58,4 67,3 40,0 30,0 20,0 10,0 14,6 25,0 12,1 20,0 8,8 15,2 0,0 Água por Rede Geral Lixo Coletado Esgoto por rede ou fossa séptica Fonte: PNAD, 2004/2009 (microdados) 2004 Urbano 2009 Urbano 2004 Rural 2009 Rural Tem banheiro

42 Domicílios POBRES com acesso a luz elétrica e eletrodomésticos selecionados, por situação de domicílio - Brasil / ,0 90,0 98,2 99,2 89,2 93,4 84, Urbano 2009 Urbano 80,0 70,0 72,8 77,3 77,2 74,3 62, Rural 2009 Rural 60,0 50,0 40,0 47,1 43,6 30,0 20,0 10,0 0,0 Tem luz elétrica Tem TV Tem geladeira Tem máquina de lavar roupa Fonte: PNAD, 2004/2009 (microdados) 9,3 16,4 2,7 4,3

43 5,2 5,3 8,9 10,6 16,4 19,9 30,1 29,4 36,9 60,6 57,5 69,6 84,7 87,2 86,4 84,7 83,2 94,4 95,1 99,2 94,8 93,4 Comparativo entre características domiciliares de domicílios URBANOS POBRES e RURAIS NÃO POBRES - Brasil Água por Rede Geral Lixo Coletado Esgoto por rede ou fossa séptica Tem banheiro Tem luz elétrica Urbano Pobre Tem celular Tem TV Tem geladeira Rural Não Pobres Tem Tem máquina de computador lavar roupa Tem internet

44 Oportunidades para as mulheres pobres foram mais tímidas TOTAL POBRES TAXA DE ATIVIDADE FEMININA : 65% TAXA DE ATIVIDADE MASCULINA: 88% HORAS SEMANAIS TRABALHADAS MULHERES 20% MAIS RICAS: 41H CRIANÇAS ATÉ 3 ANOS SEM ACESSO A CRECHE: 82% TAXA DE ATIVIDADE FEMININA : 51% TAXA DE ATIVIDADE MASCULINA: 82,1% PARA AS 20% MAIS POBRES: 28H CRIANÇAS ATÉ 3 ANOS SEM ACESSO A CRECHE: 94%

45 PESQUISA REALIZADA EM RECIFE COM 121 MIL FAMÍLIAS POBRES (2008) DO CADÚNICO Não foi observada correlação entre ser beneficiária do Bolsa Família e maior empoderamento de gênero. O processo de autonomização no âmbito das relações sociais de gênero para as mulheres aparece exclusivamente para as ativas com alguma formação escolar concluída o processo emancipatório se dá pelo acesso a dotações e pelo trabalho

46 Evolução recente do sistema de proteção social no Brasil: Prevalência das transferências de renda (mais de 75% % DO GASTO SOCIAL) Programas focalizados com tempo para acabar Parâmetros distintos entre os programas assistenciais Gasto social como provisão universal cresceu pouco e a infraestrutura social é insuficiente e de baixa qualidade Apesar da institucionalidade da Seguridade, prevalece a visão do seguro social e, pior, de seguro individual Linha de pobreza muito baixa como estabelecer uma linha mais alta ou relativa?

47 BRASIL: pobreza medida pela renda capita do BF e de 60% mediana (2009) TOTAL POBRES Linha de Pobreza do BF TOTAL POBRES Linha de Pobreza 60% Mediana Brasil: 28,7 milhões pessoas (15,5%) Brasil: 70,7 milhões (37%)

48 Qual a efetividade da política social? Avanços em duas frentes de luta, a do Reconhecimento e a da Redistribuição (2 pilares da reflexão filosófica da Nancy Fraser sobre justiça social) Reconhecimento: ser visto, reconhecido e, portanto, contemplado de forma equânime. O não-reconhecimento é um status subordinado que constitui uma forma de opressão, que retira liberdades e fere o princípio de justiça. A inexistência social é fruto do não-reconhecimento

49 Redistribuição: diz respeito ao acesso a bens e serviços e a fardos ou restrições, como condições de vida adversas (mortalidade infantil, por ex.) Trata, portanto, da dimensão sócioeconômica, do direito a uma boa vida e à superação da privação, da marginalização econômica, da exploração, da falta de oportunidades.

50 LACUNAS NO SISTEMA DE PROTEÇÃO SOCIAL: DESAFIOS DE CURTO E MÉDIO PRAZO NA CONSOLIDAÇÃO DO SISTEMA DE PROTEÇÃO SOCIAL

51 Agenda pendente para o sucesso do Brasil Sem Miséria Política assistencial não garante direitos para todos e gera iniquidades entre ospobres nem todos se beneficiam do status (reconhecimento) de cidadão com necessidades, portanto, com direito a mínimos sociais. Nem todos saíram da invisibilidade social. Gasto com infra-estrutura social ainda muito aquém do necessário isso compromete oportunidades reconhecimento e redistribuição em xeque Benefícios assistenciais continuam sem regra e data de reajuste, ajustandose às exigências do Caixa do governo compromete a redistribuição! Linha de pobreza única tem de ser definida para estruturar acessos e garantir a integração das políticas sociais com cobertura universal Desconstitucionalização do Orçamento da Seguridade Social não tem sido enfrentada como prioridade, o que tende a comprometer a efetividade e o alcance da redistribuição, levando a novas zonas de opacidade social.

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