UNIR. FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA NÚCLEO DE SAÚDE DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA CURSO DE EDUCAÇÃO FíSICA

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1 UNIR FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA NÚCLEO DE SAÚDE DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA CURSO DE EDUCAÇÃO FíSICA OS BENEFÍCIOS DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA PARA A SOCIALIZAÇÃO DOS ALUNOS DE 5ª e 6ª SÉRIES DA ESCOLA D JARU-UARU. Adevair Martins Gouveia Carlos José de Souza Nelton Rodrigues de Lima Orientador: Profº. Ms. Ricardo F. S. Canto MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO Jaru - RO 2007

2 OS BENEFÍCIOS DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA PARA A SOCIALIZAÇÃO DOS ALUNOS DE 5ª e 6ª SÉRIES DA ESCOLA D`JARU-UARU Autores: Adevair Martins Gouveia Carlos José de Souza Nelton Rodrigues de Lima Orientador: Profº Ms. Ricardo F. S. Canto Monografia apresentada ao Departamento de Educação Física, Núcleo de Saúde, da Universidade Federal de Rondônia UNIR, Curso de Licenciatura Plena em Educação Física. Orientador: Profº. Ms. Ricardo F. S. Canto JARU-RO 2007

3 FICHA CATALOGRÁFICA GOUVEIA, Adevair Martins. SOUZA, Carlos José de. LIMA, Nelton Rodrigues de. OS BENEFÍCIOS DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA PARA A SOCIALIZAÇÃO DOS ALUNOS DA ESCOLA D`JARU-UARU / Adevair Martins Gouveia, Carlos José de Souza e Nelton Rodrigues de Lima Jaru (RO): s.n., fls. Monografia (Graduação) Departamento de Educação Física (UNIR). Área Social. Orientador: Profº. Ms. Ricardo F. S. Canto. 1 Educação Física. 2. Socialização. 3. Ensino Fundamental.

4 Elaborada Por: Adevair Martins Gouveia Carlos José de Souza Nelton Rodrigues de Lima Título: Os Benefícios das Aulas de Educação Física para a Socialização dos Alunos da Escola D`Jaru-Uaru Data da defesa: 06 / 12 / 2007 BANCA EXAMINADORA Profº. Ms. Ricardo Farias Santos Canto - Orientador Avaliação: Assinatura: Profº. Ms. Angeliete Garcez Militão Avaliação: Assinatura: Profº. Ms. Ramon Nunez Cardenas Avaliação: Assinatura: NOTA: ( )

5 DEDICATÓRIA As nossos familiares e amigos que sempre nos apoiaram ao nosso lado, nos apoiando direta ou indiretamente durante toda essa jornada. Sem este apoio tudo teria sido mais difícil!

6 AGRADECIMENTO Agradecemos primeiramente a Deus, pela proteção que tem nos assistido. Aos nossos familiares, que nos auxiliaram direto e indiretamente. Ao orientador Professor Ms. Ricardo F. S Canto, por sua compreensão e paciência durante todo o processo de elaboração desta pesquisa. A direção da escola pesquisada, pela compreensão e confiança por esta o- bra. Aos alunos, pois sem eles não teria sido realizado a pesquisa. A todos que colaboraram, direta ou indiretamente para a execução deste trabalho.

7 SUMÁRIO RESUMO SUMMARY 1.INTRODUÇÃO JUSTIFICATIVA OBJETIVOS OBJETIVO GERAL OBJETIVOS ESPECÍFICOS QUESTÕES DE PESQUISA REFERENCIAL TEÓRICO EDUCAÇÃO FÍSICA NA ATUALIDADE PROCESSOS SOCIAIS PRINCÍPIOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR BENEFÍCIOS SOCIAIS DA EDUCAÇÃO FÍSICA NA ESCOLA EDUCAÇÃO FÍSICA E SAÚDE CARACTERÍSTICAS E NECESSIDADES DOS ALUNOS DE 5ª E 6ª SÉRIES METODOLOGIA CAMPO DE AÇÃO POPULAÇÃO E AMOSTRA INSTRUMENSTOS DE COLETA DE DADOS PROCEDIMENTOS RESULTADOS E DISCUSSÕES CARACTERÍSTICAS DA AMOSTRA RELATÓRIO DE OBSERÇÃO RESULTADOS DOS QUESTIONÁRIOS CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES CONCLUSÕES RECOMENDAÇÕES REFERÊNCIAS ANEXOS

8 LISTA DE SIGLAS CONFEF = Conselho Federal de Educação Física; LDB = Lei de Diretrizes e Base; PCN = Parâmetros Curriculares Nacionais; PNE = Portadores de Necessidades Especiais;

9 RESUMO OS BENEFÍCIOS DAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA PARA A SOCIALIZAÇÃO DOS ALUNOS DE 5ª e 6ª SÉRIES DA ESCOLA D`JARU-UARU Autores: Adevair Martins Gouveia Carlos José de Souza Nelton Rodrigues de Lima Orientador: Professor Ms. Ricardo Faria Santos Canto Esta pesquisa teve como objetivo verificar a contribuição das aulas de Educação Física no Ensino Fundamental, para desenvolver a socialização dos alunos da 5ª e 6ª séries da Escola D Jaru-Uaru. Para atingir o objetivo proposto nesta obra, observaram-se quatro aulas de cada série para identificar o comportamento social dos alunos nas aulas de Educação Física e aplicou-se um questionário com questões de múltipla escolha aos 60 alunos sendo 30 da 5ª e 30 da 6ª série, o qual teve por finalidade identificar a contribuição da Educação Física para o desenvolvimento social de acordo com suas opiniões. Depois de acompanhar as aulas das duas séries em questão, chegou-se a conclusão que os alunos da 6ª série apresentam um comportamento social melhor. Eles aceitam as aulas com maior satisfação, têm maior facilidade de relacionamento inter-pessoal, são mais cordiais uns aos outro, interagem de forma simultânea. Com exceção, surgiram alguns casos isolados de comportamentos desagradáveis nas atividades competitivas, principalmente no futebol como: desavenças, xingos e pequenas agressões físicas. Segundo a opinião dos alunos, a pesquisa deixa claro que as aulas de Educação Física contribuem para o desenvolvimento social dos mesmos, porque após análise do questionário, percebe-se maior índice de desenvolvimento geral dos educando que tem participado com maior freqüência das aulas de Educação Física, ou seja, período de dois anos. Eles compreendem em maior percentual que as atividades físicas são essenciais, não somente porque o professor dá falta e outros, como a necessidade que a mesma tem para prolongar a ausência de sintomas de doenças em suas vidas. A presença da socialização foi diagnosticada pelo fato de que os alunos cooperam melhor, aceitam os outros companheiros em suas aulas, respeitam a individualidade de seu semelhante, vêem a derrota como parte do processo competitivo e se sentem 100% contentes em participar das aulas. Outra contribuição significativa é a formação do cidadão consciente de seus direitos e deveres. Os resultados mostraram que os alunos se tornaram mais críticos e reflexivos. Nota-se que a Educação Física na Escola D Jaru-Uaru tem contribuído para a socialização do educando, pois em todos os aspectos pesquisados ainda de forma irrisória houve avanço. Palavras chave: Educação Física, Socialização, Ensino Fundamental. UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM EDUCAÇÃO FÍSICA Monografia de Graduação em Educação Física Jaru, 03 de dezembro de 2007.

10 SUMMARY THE BENEFITS OF LESSONS OF PHYSICAL EDUCATION FOR SOCIALIZAÇÃO OF STUDENTS IN 5 th and 6 th SERIES OF SCHOOL D `JARU UARU Authors: Adevair Martins Gouveia Jose Carlos de Souza Nelton Rodrigues de Lima Advisor: Professor Ms. Ricardo Faria Santos Corner This research aimed to determine the contribution of lessons for Physical Education in primary education, to develop the socialization of students from the 5 th and 6 th series of the School D 'Jaru-Uaru. To achieve the goal in this work, it is noted four classes of each series to identify the social behavior of the students in class and applied for Physical Education is a questionnaire with multiple choice questions of the 60 pupils and 30 of the 5 th and 30 of the 6 th series, which aim to identify the contribution of Physical Education for social development in accordance with their views. After accompany lessons of the two series in question, it is the conclusion that the students in the 6 th series have a better social behavior. They accept the classes with greater satisfaction, have greater ease of inter-personal relationships are more cordial to each other, interact at the same time. Except, a few isolated cases of unpleasant in competitive activities, especially in football as: estrangement, speak evil and small physical assaults. According to the opinion of the students, the research makes clear that the lessons of Physical Education contribute to the social development of the same because after analysis of the questionnaire, she is more general index of development of educating that has participated more frequently of the lessons of Physical Education, or two-year period. They comprise a greater percentage that the physical activities are essential, not only because of the teacher shortage and others, and the need that it has to prolong the absence of symptoms in his life. The presence of socialization was diagnosed by the fact that students cooperate better, accepts the other companions in their classes, respects individuality of his neighbor, sees the defeat as part of the competitive process and feel 100% happy participate in the classes. Another significant contribution is the formation of citizens aware of their rights and duties. The results showed that students became more critical and reflexives. Note that the Physical Education at the School D 'Jaru-Uaru has contributed to the socialization of educating, as in all aspects surveyed still so ridiculous there was progress. Keywords: Physical education, socialization and citizenship. UNIVERSITY OF FEDERAL RONDÔNIA COURSE OF LICENCIATURA FULL IN PHYSICAL EDUCATION Monograph of Graduate Education in Physics Jaru, 03 December 2007.

11 1. INTRODUÇÃO As relações que se estabelecem entre a Educação Física no contexto educacional e a sua contribuição para a sociedade de modo geral, são de suma importância. É um direito da criança e do adolescente ter padrões de qualidade de vida adequados as suas necessidades físicas e de desenvolvimento social. Assim estará garantida aos mesmos, uma formação de qualidade, a qual permite maior desempenho cognitivo, afetivo e motor. O respeito a esse direito é fundamental, pois contribui para o bem-estar do indivíduo de forma íntegra em sua vida adulta. Quando os padrões de vida do indivíduo são desrespeitados ou desconhecidos pelos professores de Educação Física e demais profissionais da área educacional, evidentemente prejuízos e mais prejuízos ocorrerão em conseqüência do descaso. Segundo os PCN (1997 p. 22), a partir do Decreto n , de 1.971, relacionada ao âmbito escolar, contemplou-se a Educação Física como a atividade que, por seus meios, processos e técnicas, desenvolvem e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando. Assim compete a Escola oferecer a Educação Física de forma eficiente e bem planejada aos seus educandos. O papel do Educador neste contexto é de grande valia. A partir do momento que suas aulas são bem planejadas, em função do aluno, adequando espaço físico e recursos didáticos necessários, o aluno estará recebendo a oportunidade de crescer na vida. Dessa forma ele poderá adquirir novos valores sociais, ou até mesmo, desenvolver aqueles que ao longo da vida conseguiu obter, considerando que muitos desses valores a criança aprende com a família, na igreja, nas ruas e outros. A escola não é o único local onde a criança adquire os valores sociais, porém ela é responsável para que essa aprendizagem seja oferecida aos seus alunos. Fica claro que a aprendizagem social é um bem precioso que precisa estar presente na vida de todo e qualquer cidadão integrante a sociedade. Isso permite maior e melhor desempenho da cidadania. Segundo OLIVEIRA (2.001, p.57), Cidadão é, pois, aquele que está capacitado a participar da vida da cidade e, extensivamente, da vida da sociedade. De acordo com esta perspectiva, o profissional de Educação Física deve saber de sua utilidade. Ele é a ferramenta indispensável para facilitar a aprendizagem de seus alunos. Neste contexto a Educação Física tanto no ensino fundamental como de-

12 mais níveis de ensino, deve propiciar a formação do indivíduo de forma gradativa e aperfeiçoada. Só assim, a escola consciente do papel que lhe confere e o professor integrado num processo educacional Histórico Crítico, é que teremos mais igualdade social, integração, cooperação, autonomia e menor índice de violência em nosso Planeta. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1.997), a Educação Física na escola poderá favorecer a autonomia dos alunos para monitorar as próprias atividades, regulando o esforço, traçando metas, conhecendo as potencialidades e limitações. Possibilita ainda, a socialização, desfrute de atividades lúdicas e contribuem para o bem-estar coletivo. A cada dia que passa a Educação Física vem conquistando seu espaço, inclusive pelo ganho exemplar na qualidade de vida, daqueles que estão inseridos nessa disciplina. É uma problemática que ainda existam profissionais da Educação que não reconhecem o verdadeiro valor do exercício físico. De acordo com os PCN (1997), nas escolas, embora já seja diagnosticada como uma área essencial, a Educação Física ainda é tratada como marginal que pode, por exemplo, ter seu horário empurrado para fora do período que os alunos estão no estabelecimento de ensino aprendizagem ou alocada em horários convenientes para outras disciplinas e não de acordo com as necessidades de suas especificidades (algumas aulas, por exemplo, são no último horário da manhã, quando o sol está a pino). Outra realidade em que essa marginalidade se manifesta, é no momento do planejamento, discussão e avaliação do trabalho, no qual raramente a Educação Física é integrada. Paradoxalmente, o profissional dessa área é uma referência importantíssima para seus alunos, pois a Educação Física propícia uma experiência de aprendizagem peculiar ao mobilizar os aspectos afetivos, sociais, éticos e de sexualidade de forma intensa e explicita, o que faz com que o professor de Educação Física tenha um conhecimento abrangente de seus alunos. Levando em conta essas questões e considerando a importância da própria área, evidencia-se cada vez mais, a necessidade de integração. Esta pesquisa dá mais ênfase ao enfoque social que vem sendo desenvolvido com os alunos do ensino fundamental da Escola Jaru-Uaru. A prática didáticopedagógico neste contexto merece um olhar especial, pois é a partir do trabalho concreto e bem aplicado que se colhem os frutos esperados. A maneira de conduzir as aulas de Educação Física é que permite a socialização aluno/aluno, aluno/professores, aluno/familiares e por excelência, aluno/sociedade. É óbvio, que o ser humano que participa de aulas eficientes na Educação Física, além de melhorar seu corpo de forma íntegra, estará adquirindo benefícios sociais que darão infinitas oportunidades de crescimento e cidadania.

13 Através da integração dos alunos nas aulas de Educação Física, as competências sociais adquiridas pelos educandos durante sua trajetória, indiferente do sexo, raça, cor e religião, servirão de subsídios para que haja mais socialização e aprendizado do grupo, tanto de forma lúdica quanto técnica e tática. Durante nossa vida diária nos deparamos com vários processos sociais. Eles podem ser associativos e dissociativos. E claro, os associativos são benéficos a todo coletivo. Os principais são: cooperação, acomodação, assimilação. Por outro lado temos os processos sociais dissociativos, que na maioria das vezes causa fatores desagradáveis. Os principais são: competição e conflito. Segundo Oliveira (2001), processo é nome que se dá à contínua mudança de algo numa direção definida. Processo social, portanto designa interação social, movimento, mudança. Os processos sociais são diversas formas pelas quais os indivíduos e os grupos atuam uns com os outros, a forma como os indivíduos se relacionam e estabelecem relações sociais. Afirma VILA, (1.999, p.161). O processo social mais importante é a interação. Todos os processos sociais são diferentes tipos de interação. Por isto, a interação é o processo social geral. A interação é o processo de influência recíproca ou unilateral entre dois ou mais agentes sociais. Este trabalho será feito para verificar a contribuição da Educação Física para a socialização dos alunos de 5ª e 6ª séries. Os alunos de 1ª à 4ª séries não recebem aulas especificas da disciplina em questão. Somente ao ingressar na 5ª série é que o aluno recebe o oferecimento das aulas de Educação Física. Ao pesquisar as duas séries acima citadas, queremos analisar a contribuição que as aulas têm proporcionado para os alunos de 6ª séries, pois os mesmos já estão inseridos aproximadamente a dois anos nas aulas de Educação Física, enquanto a 5ª série esta preste a completar seu primeiro ano de aula nesta disciplina. Com base nessa pesquisa de cunho qualitativo e diante da grande importância concedida à educação física, questiona-se: De que maneira as aulas de Educação Física estão contribuindo para a socialização dos alunos de 5ª e 6ª séries da Escola D Jaru-Uaru. 1.1 Justificativa A Educação Física é uma disciplina tão importante quanto às demais. Ela proporciona maior e melhor desenvolvimento das forças físicas, morais, cívicas, psíqui-

14 cas e sociais do educando. Por isso este estudo tem por finalidade pesquisar os benefícios sociais adquiridos ou mesmo desenvolvido com a prática da educação física de qualidade aplicada no ensino fundamental.. A aprendizagem social permite ao indivíduo maior interação na sociedade. Assim o mesmo poderá usufruir com melhor precisão dos processos sociais cabíveis ao exercício de sua cidadania. Segundo, os PCN (1.997), o trabalho de Educação Física é fundamental, pois possibilita aos alunos, a oportunidade de desenvolver habilidades corporais e de participar de atividades culturais, como: jogos, esportes, lutas, ginástica e dança, com finalidade de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções. Além disto, a Educação Física, se bem planejada, com conteúdos pertinentes a cada faixa etária, correta e bem aplicada, proporciona ricas experiências, como valores, habilidades e vivências sociais e ainda auxilia no controle emocional e no bem-estar dos seus participantes. E isso requer convívio democrático, para que haja intercâmbio constante de experiências entre todos os envolvidos no processo, dentro e fora da escola. A partir do estudo aqui proposto, espera-se que as aulas de Educação Física estejam desenvolvendo nos alunos: o senso crítico, a superação, habilidades motoras, relacionamento afetivo, cognitivo e a socialização íntegra de cada membro inserido neste contexto. Dessa forma, qualquer que sejam as competências dos alunos, estas estarão ajudando-os a desenvolver seu conhecimento de forma satisfatória. É claro, o profissional de Educação Física neste processo, deve portar-se de maneira exemplar, com dedicação, profissionalismo e sobre tudo, como facilitador do ensino-aprendizagem. É de grande relevância, que a troca recíproca de conhecimento se estabeleça entre as partes envolvidas no âmbito educacional. Para que o trabalho tenha êxito, a integração é um processo social imprescindível para alcançar o verdadeiro sucesso. O que aqui importa não é fazer comparações entre uma escola e outra, professor x com professor y, mas sim, planejar de forma eficiente, para que o trabalho alcance o seu ápice, seu verdadeiro objetivo. De acordo com os PCN, apresentação dos termos transversal e ética (1997), os princípios básicos para uma educação escolar comprometida com a cidadania são: dignidade da pessoa humana, igualdade de direitos, participação, e coresponsabilidade pela vida social. Outra relevância a ser destacada diz respeito à população que se pretende investigar. Relatar como os alunos estão interagindo entre si, com os demais membros da comunidade escolar em que vive a partir das aulas de educação física planejada numa visão Histórico-Crítica e Matriz de Ensino Dialogal.

15 Esta pesquisa, que pretende apresentar dados obtidos com relação à socialização dos alunos, após interagir com aulas de Educação Física, durante um semestre aproximadamente, tem como finalidade servir de subsídios para outros profissionais da área. Os resultados deste trabalho, em caso positivo, servirão de modelos para os demais estabelecimentos de ensino e outros. Caso os resultados da pesquisa sejam negativos, é preciso uma avaliação rigorosa dos trabalhos realizados. Assim é possível propor novos procedimentos metodológicos para realmente as aulas de Educação Física alcance seu verdadeiro auge. 1.2 Objetivos Geral: Verificar a contribuição das aulas de Educação Física no ensino fundamental, para desenvolver a socialização dos alunos da Escola D Jaru-Uaru Específicos: Identificar o comportamento social dos alunos nas aulas de Educação Física das turmas de 5ª e 6ª séries. Verificar a contribuição da Educação Física no desenvolvimento social dos alunos segundo suas opiniões. Estabelecer a relação do comportamento social e a contribuição da Educação Física no desenvolvimento social entre os alunos de 5ª e 6ª séries. 1.3 Questões de Pesquisa 1 Qual comportamento social pode ser identificado nos alunos de 5ª e 6ª séries do Ensino Fundamental da Escola D Jaru-Uaru? 2 De que forma a Educação Física contribui para o desenvolvimento social dos alunos, segundo as suas opiniões? 3 Que relação pode ser estabelecida entre o comportamento social e a contribuição da Educação Física no desenvolvimento social?

16 2 REFERENCIAL TEÓRICO Ao folhear este trabalho, o leitor versará linhas sobre os processos sociais no âmbito escolar, competências sociais, princípios da Educação Física, práticas sociais entre outras. Portanto como referencial teórico serão utilizados obras que aprofundam os conhecimentos sociológicos em questão, os quais nortearão esta pesquisa voltada aos benefícios sociais inerentes às aulas de Educação Física. A escola deverá sempre estar voltada ao aluno. A este, por excelência será dirigido este estudo. 2.1 Educação Física na atualidade A parir da década de 30, a Educação Física é mencionada na constituição, quando passa a ser incluída como prática educativa obrigatória, porém não é reconhecida como disciplina. Somente do decreto nº /71, considerou a Educação Física como atividades que, por seus meios, processos e técnicas, desenvolvem e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando. (PCN, 1997 p. 22). No plano nacional a Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB), nº de 20/12/96, determina a obrigatoriedade da Educação Física nas práticas escolares na Educação Básica, Ensino Fundamental e Médio. A Lei de Diretrizes e Base deixa claro no Artigo 26, 3º, que a Educação Física integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias às condições da população escolar, sendo facultativo nos cursos noturnos. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), o trabalho na área da Educação Física exige os fundamentos nas concepções de corpo e movimento, ou seja, a qualidade no trabalho que se desenvolve nessa área esta relacionado com a compreensão desses dois conceitos. Segundo LESNIESKY, (2006, p 19), O grande desafio da Educação Física é propiciar ao individuo conhecimento do seu corpo, usando-o como instrumento de expressão e satisfação, respeitando suas experiências anteriores e

17 dando-lhe condições de adquirir e criar novas formas de conhecimento. Nos dias atuais as aulas de Educação Física têm tomado novos rumos e sentidos mais significativos para a vida do aluno. Estudos têm mostrado que as práticas de exercícios físicos têm influenciado cada vez mais na qualidade de vida das pessoas que o praticam. Professores que trabalham apenas atividades rotineiras, como futebol e queimada, que não procura inovar as suas aulas estão perdendo espaço, pois segundo uma reportagem da Revista Nova Escola [...] Hoje as aulas de Educação Física é mais do que moldar a estrutura física do aluno. Ela deve contribuir para a atividade intelectual e para formação do cidadão. (2006, p.40). Conforme SANTIN apud CANTO ( 1991), o termo Educação Física, um substantivo adjetivado parece limitar a sua própria abrangência, ou seja, existir uma e- ducação apenas do físico, como se o homem não tivesse mente e espírito. A Educação Física que nos referimos trata da educação das atitudes e procedimentos utilizados em nosso cotidiano considerando o ser humano na sua totalidade. Portanto as aulas não podem ser resumidas apenas em atividades que movimentam o corpo de uma forma simplesmente mecânica, mas deve partir do principio que leva o educando ao conhecimento do próprio corpo e de seus limites, não só no aspecto físico, mas também no cognitivo, mental e espiritual. Observa-se que em várias escolas a Educação Física não está funcionando de forma satisfatória, tratando o aluno como objeto através de atividades extremamente tecnicista utilizando os esportes de forma elitistas ou excludentes. Alem disso os horários destinados às aulas de Educação Física não são adequados aos seus objetivos, sendo destinado na maioria das vezes os horários mais quentes mesmo sendo uma disciplina obrigatória, percebemos a falta de apoio das direções da maioria das escolas que não dão o devido valor à disciplina, tratando-a como se fosse um tapa buraco, ocupando apenas um espaço vazio. 2.2 Processos sociais De um modo geral os processos sociais estão presentes em nosso dia-adia. Simplesmente pela necessidade que temos de nos relacionarmos uns aos outros,

18 permite dizer que estamos inseridos aos processos sociais, ainda que seja com partilaridade peculiar de cada pessoa. Segundo OLIVEIRA (2001) os processos sociais se dividem em dois grupos: associativos e dissociativos. Até mesmo pelo fato de que na sociedade os indivíduos e os grupos se reúnem e se separam, associam-se e dissociam-se. Os principais processos sociais associativos são: cooperação, acomodação e assimilação. Já os principais dissociativos são: competição e conflito. Nas aulas de Educação Física, para que haja sucesso é necessário que o professor tenha domínio de cada processo social, pois só assim ele tirará proveito de qualquer um deles que seja apresentado por alguns alunos ou mesmo pelo coletivo. Para isso, o objetivo da aula, traçado com antecedência, ajudará e muito, no desenvolvimento da interação entre o grupo. Dessa forma a aprendizagem fluirá com mais facilidade. A cooperação é um processo social que merece destaque, porque sem ele não é possível a realização de uma aula, realizar uma celebração festiva, etc. De acordo com OLIVEIRA, (2.001, p.32) a cooperação é a forma de interação social na qual diferentes pessoas,grupos ou comunidade trabalham juntos para um mesmo fim. De acordo com esse autor, reunião de vizinhos para limpar uma rua, um grupo religioso que se reúne para organizar uma festa, mutirão de moradores uma aula prática, exemplifica processo social de cooperação. Para VILA (1.999), a cooperação é o processo social essencial à organização social. Observa-se que os dois autores acima citados, comungam a mesma idéia a respeito do processo social cooperação. Isso reforça o entendimento do leitor a respeito do assunto pesquisado e comparado. A acomodação é o processo social em que indivíduo ou grupo chega à conclusão de uma situação de conflito, sem que haja transformações internas. No entanto a acomodação é o ajustamento de indivíduos ou grupos tão somente nos aspectos externos do seu comportamento. Ela ameniza o conflito. Mas o mesmo só desaparece com a assimilação (VILA, 1.999). Como complemento do processo acomodação, a assimilação é a solução definitiva e tranqüila do conflito social. Pela assimilação, os conflitos são superados (OLIVEIRA, 2.001, p.42). A competição e o conflito são os principais processos dissociativos. O conceito da palavra competição na forma como ela é estudada na natureza, entre os animais, nas áreas de estudo, a Ecologia: A competição é uma relação ecológica desar-

19 mônica, em que pelo menos uma das espécies envolvidas é prejudicada. (...) O conceito ecológico de competição para os grupos humanos, encontram muitas semelhanças (OLIVEIRA, 2001, p.33). São exemplos de competição entre humanos: melhoria de situação econômica, disputa por um posto de trabalho, conquista de fregueses (caso do comércio), nas escolas (caso dos jogos, brincadeiras) e até mesmo por extinto de sobrevivência. A escola, enquanto entidade social, deve trabalhar o processo social competição com autonomia concreta do conhecimento. Ela está presente em varias situações no cotidiano escolar, até mesmo de forma inconsciente, porém compete aos profissionais qualificados entender quando e como esse processo manifesta. Assim é possível tirar proveito do mesmo, para que cresça mais um grau no contexto social do educando, ou seja, concretização de um novo aprendizado. Na Educação Física, por exemplo, às vezes o próprio profissional provoca a competição durante a execução das suas aulas. Às vezes alguém pode perguntar se é correta essa prática. Qualquer profissional de Educação Física qualificado, conhecedor dos objetivos propostos para suas aulas diria que sim. Nesse caso pouco importa a competição e sim a interação entre os envolvidos. É aí que entra função do professor, fazer daquilo que até então era vista como desumanismo, num ato lúdico, palco de aprendizagem social. Segundo OLIVEIRA, (2001) quando a competição assume características de alta tensão social, ocorre o conflito. Pode dizer que o conflito é um processo social consciente, é peculiar e emocional. É claro que o conflito gera violência ou ameaça de violência. Na sociedade de modo geral as pessoas em conflito umas com as outras estão conscientes de suas indiferenças, havendo entre os mesmos sentimentos adversos, como rivalidade, ódio, antipatia e crítica altamente carregada de emoção. Somos plenamente conscientes de que o conflito na sociedade, gera muitas coisas desagradáveis, no entanto, é necessário como disse anteriormente nesse texto, aplicar os conhecimentos específicos, conteúdos apropriados de forma bem planejada para solucionar o problema. Após reflexão do mesmo é possível que as partes envolvidas cresçam a partir do processo social chamado conflito. Mais uma vez entra o papel do mediador. Em particular nas aulas de Educação Física, na maioria das vezes essa tarefa centra na pessoa do facilitador da aprendizagem. Segundo GUARESCHI,(2.001,p.108), (...) E aqui chegamos à palavra principal: diálogo. O diálogo, para ser verdadeiro, tem de dar em igualdade de posições. Isto é, o verdadeiro diálogo exige que um esteja ao lado do outro e não que um se coloque em oposição de superioridade, como é o caso

20 do professor que está convencido que sabe. O diálogo exige respeito total ao mundo do outro, exige verdadeira democracia. E somente quando um está ao lado do outro, é possível na pergunta e resposta, a formação o reconhecimento das posições cognitivas, mentais de ambos. Nessa reciprocidade, na provocação de um para com o outro, dá-se o verdadeiro diálogo que leva ao crescimento mútuo, ao conhecimento dos esquemas lógicos subjacentes a cada um. Esse é o grande por que do emprego da Matriz Dialogal. Matriz de ensino que estimula o educando, planeja para ele e com ele. Permite que o mesmo, até nos momentos de conflito, se torne reflexivo, crítico e ativo. É dessa forma que acorre a- prendizagem social dos alunos envolvidos nesse processo social e outros. Através de o ato divertir a criança/adolescente pode satisfazer seus desejos, seja de ordem afetiva, relacionados à estima ou a realização de objetivos e finalidades. Embasado na prática lúdica, a criança exercita suas capacidades de relacionamento, aprende a ganhar, a perder, a opor-se, expressar suas vontades e desejos, negociar, pedir, recusar, compreende que não é um ser único e que necessita viver em grupo respeitando regras e opiniões contrárias; enfim, adquire perfeição. Brincando educa sua sensibilidade para apreciar seus esforços e tentativas, o prazer que atinge quando consegue concretizar uma tarefa (pegar um colega ou desvendar um quebra-cabeça) faz com que se sinta realizada por atingir uma meta, levando-a, a auto-estima. A brincadeira desafia a criança e a leva a alcançar níveis de realização acima daquilo que se pode conseguir normalmente (FERREIRA, 2007). Ao analisar os processos sociais é necessário refletir esta afirmação assim, não se trata de advogar a idéia de que, mais vale qualquer Educação Física do que nenhuma. Não é bem isso (JÚNIOR, 1.998, p.48). É preciso mais. Só assim a Educação Física estará auxiliando para superar as contradições citadas anteriormente, e o mesmo tempo, servindo ao homem concreto, ou seja, aquele homem inserido no contexto social e que, certamente, é vitima do atual sistema de organizações da produção (JÚNIOR, 1.998). A verdadeira aprendizagem social, indiferente do processo social que a criança se encaixa, implica na participação direta do professor. Com planejamento eficiente e boa aplicabilidade do mesmo, considerando as diferenças de cada pessoa, qualquer processo social que desponte permite interação. E este é ponto chave da questão, se bem trabalhado, não nega os frutos.

21 2.3 Princípios da Educação Física Escolar A Educação Física, como campos específicos desse estudo, é uma área do conhecimento que trabalha o ser humano como um todo. Na sua dimensão ela tem como finalidade promover: o lazer, a qualidade de vida, desenvolvimento do senso crítico, equilíbrio emocional, afeto, cidadania, democracia e outros. Isto é possível quando ela toma seus conteúdos e as capacidades que se propõe a desenvolver como produtos socioculturais, declara como direito de todos os acessos a eles. Ainda mais, elege uma perspectiva metodológica de ensino e aprendizagem que requer o desenvolvimento da autonomia, a cooperação, a participação social e a afirmação de valores e princípios democráticos. A pratica da Educação Física busca espaço para que se aprofundem discussões interessantes sobre aspectos éticos e sociais, alguns dos quais merecem destaque, (PCN 1997). A inclusão do aluno, de maneira especial na Educação Física, é o principio visto como eixo fundamental que norteia a concepção e a ação pedagógica escolar, levando em conta todos os aspectos ou elementos, seja na sistematização de conteúdos e objetivos, seja no método de ensino e aprendizagem, para previnir a exclusão ou alienação na relação com a cultura corporal do movimento. Além disso, direciona uma perspectiva metodológica de ensino e aprendizagem que visa o desenvolvimento da autonomia, a participação social, a cooperação e a afirmação de valores e princípios democráticos (PCN, 1997). Segundo os PCN, (1997), para propor uma educação comprometida com a cidadania, foram eleitos, baseados no texto constitucional, princípios segundo os quais nortearam a educação escolar: Dignidade da pessoa humana, igualdade de direitos, participação e co-responsabilidade pela vida social. A Educação Física, enquanto disciplina que visa melhores condições de vida na área da saúde, desempenho das habilidades motoras, cidadania e outros, precisa estar atento a todos estes princípios básicos. Por exemplo, seria impossível trabalhar o exercício da cidadania, sem a orientação necessária no que tange o principio da eqüidade. Para trabalhar a dignidade humana, é preciso respeitar qualquer tipo de relacionamento. Seria falta de ética, o profissional de qualquer disciplina, inclusive Educação Física, achar que os princípios básicos não orientam para a verdadeira troca de saberes, ou seja, aprendizagem social. Além disso, é necessidade primordial que cada profissio-

22 nal da educação, indiferente da área que tenha domínio preciso dos princípios básicos que orientam nossa Educação. Quando o aluno tem noção de cidadania ativa, ou seja, da complementaridade entre a participação popular no espaço público e a representação política, na compreensão que não se trata de uma sociedade igualitária e sim marcada por diferenças de classe, étnicas, religiosas, econômicas, etc. (PCN 1997). É sinal de que o mesmo tenha conhecimento prévio dentre outros, do principio democrático participação. A partir do momento que o indivíduo começa agir com responsabilidade, relacionar melhor com os demais que estão a sua volta e integrando ao coletivo, prova que houve avanço. Para que se concretize a verdadeira aprendizagem social, é questão de tempo, continuidade de aulas bem planejadas e oportunidade. A educação para a cidadania requer, portanto, que questões sociais sejam apresentadas para aprendizagem e reflexão dos alunos, (PCN, 1997, p.29). É uma pena, que por razão ou outra, encontre na educação brasileira, diagnósticos de profissionais envolvidos em atos ilícitos, desumanos, com nossos educandos. Por falta, às vezes de estabelecer princípios básicos, o educador impede a prática de um bom convívio social. Isso é bom? Pelo contrário, péssimo! E mais ainda, pode deixar seqüelas irreversíveis no individuo. Os PCN apontam a escola como lugar possível para aprendizagem da democracia, se promover à convivência democrática no seu cotidiano, pois se aprende a participar, participando, (1.997). É preciso que todo corpo docente da escola, de maneira exemplar e intelectual, possa agir de forma sábia perante os problemas existentes, dentro ou fora do estabelecimento de ensino. Como foram citadas nesta obra, várias literaturas apontam caminhos para promover a aprendizagem social, porém só isso não basta. É preciso somar a participação de todos que estão compromissados de uma forma ou de outra, com a educação do ser humano e fazer diferença. Ficam claro que todos os precipícios que norteiam a educação, se bem trabalhados, são contribuições importantes ao educando, para um bom conhecimento das capacidades afetivas, cognitiva, física ou social, para interagir e transformar o local, adotando hábitos saudáveis como um dos aspectos básicos da qualidade de vida e agindo com responsabilidade em relação ao coletivo e também à sua saúde.

23 2.4 Benefícios Sociais da Educação Física na Escola Ao fazer uma escala das necessidades vitais para o ser humano, o exercício físico deverá ocupar um lugar considerável, ou seja, insubstituível nesta ordem. Atividades físicas qualquer pessoa faz a todo o momento, porém, a pratica de exercícios físicos, estes sim, são benéficos a todos participantes. Ao contrário, a atividade física poderá estar sendo desenvolvida sem proporcionar nenhum benefício àquele que está praticando-a. Ao saber que o exercício físico de forma sistematizada traz vantagens para o praticante, a este, sem dúvida deveremos dar maior crédito. É válido ressaltar que existe uma grande diferença com relação à pessoa responsável pela prescrição. O exercício físico deverá somente ser prescrito por uma pessoa habilitada na área, o profissional de Educação Física. É muito arriscado praticar exercícios físicos sem o acompanhamento de uma pessoa qualificada para a execução do mesmo. Neste contexto, a Educação Física é a única disciplina que de forma regulamentada na escola, oferece profissional capaz de conduzir todos e quaisquer conteúdos que requer a pratica de exercícios físicos específicos. Afinal Educação Física não é apenas brincar. Brincar faz parte do contexto desta disciplina, portanto é preciso olhar com olhos miúdos, para esta definição; Educação Física é... São inúmeros os benefícios advindos à prática de exercícios físicos. Com base nos conhecimentos adquiridos em minha trajetória na educação e principalmente no curso de graduação em Educação Física, do qual estou cursando o oitavo período, concordo plenamente neste relato a seguir. Segundo o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF, 2.002), o profissional de Educação é um especialista em atividades físicas, nas mais diversas manifestações, tendo como propósito prestar serviços que favoreçam o desenvolvimento da educação e da saúde, contribuindo para a capacitação e/ou restabelecimento de níveis adequados de desempenho e condicionamento fisiocorporal dos seus beneficiários, prevendo a consecução do bem-estar, da consciência, da expressão e estética do movimento, da prevenção de doenças, de problemas posturais, da compensação de distúrbios funcionais, contribuindo ainda para a consecução da autonomia, auto-estima da solidariedade, da interação, da cidadania, das relações pessoais, da preservação do nosso habitat, na visão de conseguir melhor qualidade de vida e outros.

24 2.5 Educação Física X Saúde A saúde é um direito de todos. Esta afirmação é do conhecimento total da sociedade, senão, da grande maioria. São alarmantes os casos de doenças por sedentarismo, obesidade, desconhecimento postural do corpo, alimentação inadequada, hábitos de higiene precários, stress, deficiência física e outros. A Educação Física é um processo de Educação em saúde, seja por vias formais ou não formais, pois ao promover uma educação efetiva para a saúde e uma ocupação saudável do tempo livre de lazer, constitui-se em um meio efetivo para conquista de um estilo de vida ativo e conseqüentemente, favorece a obtenção de qualidade de vida digna, ou seja, ausências de sintomas de doenças por um período mais extenso. A prática dos exercícios físicos, se bem orientados, indiferente do local, quer seja em escolas ou não, contribuem e muito no controle de várias doenças. Segundo AZEVEDO et al. (2004), a Educação Física é a disciplina do conhecimento corporal que introduz e integra os alunos na cultura corporal do movimento, com vários objetivos, dentre eles a socialização com finalidade de lazer, de expressão e sentimentos, afetos e emoções e de manutenção e melhoria da saúde. As relações que se estabelecem entre saúde e Educação Física são perceptíveis. A partir do momento que diagnosticamos o desenvolvimento físico, mental, a construção do auto-estima, ao cuidado do corpo, desempenho no exercício da cidadania, interação social e outros, é possível afirmar que a Educação Física estar-lhe-á beneficiando o grupo inserido nesse processo a um objetivo coletivo: promover uma qualidade de vida favorável. Intimamente ligado à saúde das crianças e demais participantes, os exercícios físicos contribuem para a melhoria de condicionamentos específicos e gerais dos mesmos. Com isso, o ganho é formidável, pois um bom preparo físico garante melhor equilíbrio, destreza, resistência e outros. GALDINO (2004) exemplifica que o treinamento de força nas crianças e nos participantes em geral, auxilia na profilaxia das lesões articulares, proporcionando assim, benefícios oriundos a saúde. A educação, assim como demais áreas de ensino, às vezes precisada auxílio de profissionais de outras áreas. No caso dos portadores de necessidades especiais (PNE s) por exemplo, dependendo do caso, o profissional de Educação sabe que precisa buscar orientação médica, a supervisão de um especialista em fisioterapia, um neurologista, psicomotricista ou psicólogo, (PCN, 1997). Embora seja dever da escola proporcionar a inclusão dos deficientes físicos em todas as áreas do ensino, sabemos que isso

25 para muitos PNE s continua sendo utopia. O preconceito, o receio ou mesmo discriminação tem impedido que muitas pessoas cresçam socialmente e tenha melhores qualidades de vida. Existem várias formas de incluir os casos especiais nas aulas de Educação Física. Basta que o profissional seja flexível e consciente dessa necessidade. Segundo os PCN, a participação nessa aula pode trazer muitos benefícios a essas crianças, particularmente no que diz respeito ao desenvolvimento das capacidades afetivas, de interação e inserção social (1.997, p.40). Hoje vemos pessoas em cadeira de roda, com muletas, sem parte dos membros inferior-superiores, participarem de várias modalidades recreativas, esportivas e outras. Na visão de muitos, isto seria impossível ser realizado, porém, o que falta na maioria das vezes é oportunidade. Fazer parte do processo é algo imprescindível para que haja melhoria de vida geral. E porque não dizer, também na saúde! A Educação Física, enquanto disciplina obrigatória da grade curricular tem se tornado não apenas mais uma disciplina, mas sim, um instrumento valioso para solucionar vários problemas no âmbito escolar. De acordo com os PCN (1.997), a aula de Educação Física pode favorecer a construção de uma atitude digna e de respeito mútuo entre os participantes, além disso, capacitar o educando para agir com perseverança na busca de conhecimento, no exercício da cidadania e adotar hábitos saudáveis em relação à sua saúde e à saúde coletiva. Entre todas as obras consultadas, que abordam temas no âmbito da Educação Física, principalmente os PCN, não deixam dúvidas que esta disciplina é de suma importância para o desenvolvimento do educando em todos os níveis. São várias vantagens participar dos exercícios físicos, dentre elas, vale ressaltar o bem à saúde individual e coletiva. O empenho do professor e do coletivo é primordial para alcançar todos os objetivos almejados. Neste sentido é preciso inovar sempre, planejar com eficiência e fazer a diferença. 2.6 Características e Necessidades dos Alunos de 5ª e 6ª Séries O ser humano de acordo com a faixa etária em que se encontra, geralmente tem características e necessidades específicas. Segundo HURTADO, assim como o Professor de Educação Física deve possuir condições essenciais a sua formação curricular que lhe dá condições de exercer a sua função profissional de ser facilitador da aprendizagem de forma organizada e eficiente, o aluno, alvo desse processo educacional, deve ter

26 também condições, aptidões ou características básicas que lhe possibilitem aprender e bem desempenhar-se das solicitações de conteúdos próprios da disciplina, se não com êxito total, ao menos parcial para, assim, sentir-se estimulado, adquirir autoconfiança e adequar esses conhecimentos e experiências educativo-físicas aos seus interesses e as áreas afins, como meio de ajustamento e desenvolvimento harmônico e integral de suas potencialidades psíquicas e físicas na comunidade social em que se insere, (1983). Essas aptidões ou características básicas, segundo OBERTEUFFER¹, apud (HURTADO, p.87). São: o fenômeno da forma do corpo, o sexo, a idade, o crescimento e o desenvolvimento e a postura. Todas elas do ponto de vista funcional, concorrem para o desenvolvimento normal dos exercícios ou atividades educativo-físicas, bem como para o desempenho de habilidades concernentes a esportes individuais, coletivos e outras. Daí que o professor não só deve conhecê-las, como também deve identificá-las em tempo hábil para assim, empregar estratégias de ensino-aprendizagem adequadas as aptidões ou características básicas dos alunos eventuais praticantes da Educação Física. O educando de 5ª e 6ª séries na grande maioria encaixa-se na faixa etária dos 11 aos 14 anos. Nesse período o corpo do mesmo sofre várias transformações. É nesse período que ocorre a transição da infância para a fase adolescência. É chamada fase pré-puberal. De acordo com (PINI 1978), nessa fase (12 a 14 anos para os meninos e 10 a 12 para meninas), há um rápido crescimento em peso e altura. O crescimento em peso se faz mais pela concentração de tecido adposo do que pelo aumento de massas musculares, porém, com relativo aumento da força muscular. Tem alterações do psiquismo, com a instalação de pequenos conflitos emocionais. Conseqüentemente aparecem os primeiros sinais que caracterizam o sexo. O educando de 5ª e 6ª séries ou pouco depois, apresentam características físicas marcantes para eles, como exemplo menarca para as meninas e espermatogênese para os meninos e outras. O Educador precisa estar atento a essas mudanças e assim planejar de forma satisfatória para a faixa etária em que se encontram seus educandos. De acordo (HURTADO 1983) apesar da importância de que se revistem os campos psicomotores e cognitivo, eles não são os únicos a que devemos prestar atenção no trabalho a realizar-se nas escolas. O professor de Educação Física deve estar atento também para o campo afetivo e levar em consideração, no desenvolvimento de suas tarefas escolares e na realização de atividades educativo-físicas, as necessidades mais pre-

27 mentes. As necessidades que nos referimos são: segurança material, segurança emocional, amor, segurança intelectual e recreação. De acordo com os PCN (1997), o professor deve planejar levando em conta tanto as características como as necessidades dos alunos do ensino fundamental e demais ciclos de ensino-aprendizagem. Para isso as aulas devem ser prazerosas, informativas contextualizadas, abordando conteúdo em forma de jogos, exercícios, atividades rítmicas, danças, lutas, ginásticas e brincadeiras. A afirmação de HURTADO a seguir merece um olhar especial, "se essas necessidades forem satisfeitas, a criança terá maior possibilidade de crescer equilibrada e de se tornar um adulto mentalmente sadio" (1983. p. 98).

28 3. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa de campo do tipo descritiva com enfoque social, com dados quantitativos e de cunho qualitativo. 3.1 Campo de ação A pesquisa foi realizada na Escola pública D Jaru-Uaru, Tarilândia Jaru-RO. O estabelecimento de ensino se enquadra na realidade da maioria das escolas do nosso município, os quais não dispõem de locais adequados para a prática de atividades físicas. Cada entidade escolar se adequa a sua própria realidade. 3.2 População e amostra A população estudada durante essa pesquisa constituiu-se por alunos do ensino fundamental no total de 60 alunos das duas séries sendo 30 da 5ª A e 30 da 6ª A, por considerar-se um número significativo para alcançar os objetivos propostos e facilitar maior entendimento com relação aos dados apresentados nessa obra. 3.3 Instrumentos de coleta de dados Para a coleta de dados inerentes a essa pesquisa aplicou-se um questionário semi-aberto, devidamente elaborado, testado e validado para essa investigação à cada aluno em estudo e também um roteiro de observações as aulas de Educação Física em

29 consonância com o questionário e o referencial teórico. Para a aplicação desses instrumentos, foi solicitado através de ofícios a autorização da direção da escola. 3.4 Procedimentos Inicialmente foi elaborado um questionário com dez questões de múltiplaescolha para que fosse analisada posteriormente a sua aplicação, a contribuição das aulas das aulas de Educação Física para o desenvolvimento social dos alunos. E para o enriquecimento dessa pesquisa foi elaborado também um roteiro para a observação do comportamento geral dos educandos nas aulas de Educação Física, num período de quatro aulas. A equipe se dirigiu até a direção da escola para solicitar a realização da pesquisa em questão. Para o desfecho legal do processo foi entregue ofício à direção, solicitando autorização a realização dessa pesquisa. Ainda no decorrer da semana foi aplicado a questionário a cinco alunos, para efeito de validação do mesmo. Depois do instrumento validado foi aplicado a 60 alunos do ensino fundamental, sendo 30 membros da 5ª A (série) e 30 da 6ª A (série). Após aplicar o questionário o corpo acadêmico acompanhou e registrou o comportamento social dos educandos das duas séries acima citada durante quatro aulas de Educação Física seguindo o roteiro de observação para esta finalidade. Os dados coletados através do questionário foram expressos em tabelas e transformados em gráficos estatísticos para facilitar a análise. Já os dados coletados no roteiro de observação durante o período designado para essa finalidade foram apresentados em forma de relatório. Vale ressaltar que esse trabalho foi realizado pela equipe de forma consciente e natural, uma vez que a turma pesquisada foi a mesma trabalhada anteriormente por cada acadêmico responsável por essa monografia, durante a prática de ensino I nas fases de observação, participação e regência. O conhecimento com os alunos, corpo docente e direção da escola contribuiu e muito, para que esse trabalho realizasse de modo natural e da melhor forma possível. Tudo transcorreu normalmente, a equipe não teve nenhum problema na escola, pelo contrário, foi muito bem recebida pelos diretores, docentes de outras disciplinas, professores de Educação Física e alunos.

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