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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS Por: Gisele Novelli Orientador Prof. Mário Luiz São Paulo 2013 DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEI DE DIREITO AUTORAL

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU AVM FACULDADE INTEGRADA CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Gestão Pública. Por: Gisele Novelli

3 AGRADECIMENTOS Ao tutor Marcelo Oliveira, ao professor Antônio Fernando Vieira Ney e ao mentor Mário Luiz, pela orientação, apoio e incentivo durante todo o curso.

4 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho aos amigos da Caixa Econômica Federal pela dedicação e empenho diário em prol de uma sociedade melhor.

5 RESUMO Este trabalho tem como objetivo demonstrar os desafios da produção habitacional com sustentabilidade ambiental. Para tanto, destacou-se os principais passos para se chegar a uma construção sustentável, bem como seus principais desafios. Estudaremos de que forma a construção civil pode enfrentar e propor soluções aos principais problemas ambientais atuais, sem renunciar à moderna tecnologia e a criação de edificações que atendam às necessidades de seus usuários. Por fim, este estudo abordará a iniciativa da Caixa Econômica Federal com a criação do Selo Casa Azul Caixa, que é o primeiro sistema brasileiro de classificação de sustentabilidade na construção civil.

6 METODOLOGIA A metodologia aplicada para realização deste trabalho consiste em pesquisa bibliográfica, fazendo uso de leitura exploratória e seletiva em livros, artigos publicados em revistas e jornais, sítios da internet que tratem do assunto, sítios de órgãos institucionais do executivo e legislativo, pesquisa junto à Caixa Econômica Federal referente ao Selo Casa Azul Caixa, além de consulta aos módulos do curso de Gestão Pública. O Trabalho desta monografia consiste em uma pesquisa exploratória em busca de maior entendimento sobre o tema de modo a torná-lo mais claro para o autor e para os leitores. O objetivo principal deste estudo é entender de que forma é possível colocar em prática o tema proposto. Para o desenvolvimento deste estudo com base na pesquisa bibliográfica destaco as obras de Márcio Augusto de Araújo consultor do IDHEA (Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica), Marian Keeler e Bill Burke com o livro Fundamentos de Projeto de Edificações Sustentáveis, como principais fontes de pesquisa. A obra Minha Casa Sustentável Guia para uma Construção Residencial Responsável, de Heliomar Venâncio, possibilitou uma visão mais ampla e enriquecedora sobre o tema, sendo de grande valia para este estudo. Destaco, por fim, a importância da consulta ao Guia Selo Casa Azul Caixa para realização do estudo abordado no Capítulo III.

7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I - Os Desafios das Construções Sustentáveis 10 CAPÍTULO II - Principais Passos para se Chegar a uma Construção Sustentável Planejamento Sustentável da Obra Aproveitamento Passivo dos Recursos Naturais Eficiência Energética Gestão e Economia da Água Gestão dos Resíduos na Edificação Qualidade do ar e do Ambiente Interior Conforto Termo-Acústico Uso Racional de Materiais Uso de Produtos e Tecnologias Ambientalmente Amigáveis 32 CAPÍTULO III Selo Casa Azul Caixa 34 CONCLUSÃO 40 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA 43 ANEXO I Resolução CONAMA N 307 de 5 de julho de

8 8 INTRODUÇÃO O tema desta pesquisa é a importância da adoção de soluções de projetos e tecnologia em arquitetura e urbanismo com redução de custos e impactos ao meio-ambiente. Destaca-se como problema central da pesquisa o questionamento: Produção habitacional com sustentabilidade ambiental? Como hipótese norteadora, ou possível resposta ao problema formulado, estabeleceu-se que o desenvolvimento de modelos que permitam à construção civil enfrentar e propor soluções aos principais problemas ambientais atuais, sem renunciar à moderna tecnologia, e a criação de edificações que atendam as necessidades de seus usuários com redução de impactos negativos ao meio ambiente, são práticas possíveis. O tema escolhido é de extrema importância para a gestão pública, visto que, as construções sustentáveis visam à redução de custos e redução de impactos ao meio-ambiente. O compromisso com o meio-ambiente traduzse em medidas concretas para financiar o desenvolvimento de cidades mais sustentáveis melhorando a condição de vida das pessoas, à medida em que, se torna mais adequada e benéfica a relação do indivíduo com o meioambiente em que vive. Assim sendo, este estudo foi dividido em três capítulos. No Capítulo I abordaremos Os Desafios das Construções Sustentáveis onde serão apresentados os principais obstáculos para esta prática bem como os órgãos e as certificações já existentes no Brasil. Na sequência, no Capítulo II, apresentaremos os Principais Passos para se Chegar a uma Construção Sustentável. De acordo com o IDHEA (Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica) existem nove passos: O planejamento sustentável da obra; O aproveitamento passivo dos recursos naturais; A eficiência energética; A gestão e economia da água; A gestão dos resíduos na edificação; A qualidade do ar e do ambiente interior; O conforto termo-acústico; O uso

9 9 racional de materiais; O uso de produtos e tecnologias ambientalmente amigáveis. Por fim, no Capítulo III, estudaremos a Certificação Selo Casa Azul Caixa, que é o primeiro sistema brasileiro de certificação de sustentabilidade na construção habitacional, criado pela Caixa Econômica Federal. O objetivo do Selo é incentivar o uso racional de recursos naturais na construção de empreendimentos habitacionais, reduzir o custo de manutenção dos edifícios e as despesas mensais de seus usuários, bem como promover a conscientização de empreendedores e moradores sobre as vantagens das construções sustentáveis.

10 10 CAPÍTULO I OS DESAFIOS DAS CONSTRUÇÕES SUSTENTÁVEIS Em 2008, pela primeira vez na história, mais da metade da população mundial, atualmente em torno de 7 bilhões de habitantes, vivem nas cidades. E até 2030, a população urbana deverá chegar a quase 5 bilhões 60% da população mundial. (UNFPA, 2007) Contudo, segundo dados apresentados pela UN-Habitat, agência da ONU responsável por questões habitacionais, o vigente processo de urbanização não é o desejado, uma vez que em 2007 estimava-se que um bilhão de pessoas viviam em favelas espalhadas pelo mundo. Este número tenderia a seguir em crescimento, atingindo 1,3 bilhões em Apesar de em superfície, as cidades ocuparem apenas 2% da terra, estas geram um impacto ambiental gigantesco. Alguns exemplos podem ser citados, como erosões causadas pelo desmatamento e construções em áreas íngremes, impermeabilização do solo, poluição dos rios por esgoto não tratado, poluição provocada por veículos e indústrias, além da grande geração de resíduos provocados pelo alto nível de consumo da população (PAVIANI, 1999; UN HABITAT, 2007). De acordo com Baumam (2010) é importante perceber que estes impactos não são apenas da grande população urbana mundial. O atual sistema de produção e consumo vigente na maior parte dos países do mundo, inclusive aqueles em desenvolvimento, se baseia no alto consumo de todo tipo de bens, estimulando uma produção maciça e constante. A atual cultura do consumo e do crédito é estimulada especialmente nas cidades, fazendo dos seus habitantes causadores e vítimas dos problemas ambientais supracitados. Ela faz com que mesmo poucos habitantes provoquem um alto impacto ambiental, como se pode observar na comparação entre a pegada ecológica do mundo desenvolvido e do subdesenvolvido. Por estar no centro da sociedade de consumo e concentrar as melhores oportunidades de boa qualidade de vida para seus habitantes (UN

11 11 HABITAT, 2007), as cidades atraem um constante contingente de habitantes, especialmente nos países em desenvolvimento. Isto provoca também sérios impactos sociais, como as favelas, alta desigualdade social e surtos de doenças, por exemplo, uma vez que as cidades, na maior parte das vezes, não têm condições de acolher todos os novos habitantes de forma digna. Observa-se que as cidades apresentam algumas características que tornam os impactos ambientais inerentes à sua existência até os dias de hoje. Alguns deles são: a necessidade de se levar bens aos habitantes urbanos, que obrigam as cidades a terem espaços para a disposição de lixo; o papel central do comércio, que estimula o consumo dos habitantes urbanos em níveis mais altos que os observados no meio rural; e a alta densidade demográfica que gera pressões, como por exemplo, de geração de esgoto. Estes pontos mostram que as próprias características das cidades geram impactos ambientais (MEIO AMBIENTE, 2003) e quais dificuldades podem surgir na busca pela redução da poluição no ambiente urbano. Segundo Ferreira (2005), as cidades brasileiras possuem em média entre 40% e 50% de sua população vivendo na informalidade urbana, situação que incorpora inadequação físico-construtiva e ambiental da habitação, ausência de infraestrutura urbana ou ainda ilegalidade da posse da terra ou do contrato de uso. As cidades evoluíram com o poder público realizando melhorias e obras de urbanização nas regiões centrais, que acabaram se valorizando e impossibilitando sua aquisição pelas classes mais pobres. Além disso, nos planos de industrialização nas maiores cidades do Brasil, houve uma expulsão explícita da população pobre de cortiços e áreas centrais para áreas mais distantes. Esse processo gerou uma concentração de infraestrutura e serviços urbanos nas áreas centrais, que foram ocupadas pelas elites, e deixou as áreas periféricas ocupadas pela população mais pobre sem serviços básicos, reduzindo assim a sua qualidade de vida (FERREIRA, 2005).

12 12 Por outro lado, São Paulo é uma situação extrema, na qual o crescimento populacional chegou a níveis tão altos que o rico e o pobre convivem literalmente lado a lado, porém com interação mínima. O crescimento desordenado e segregado das cidades brasileiras apresenta mais dificuldades para construção de um desenvolvimento urbano sustentável, pois as cidades sofrem problemas muito distintos, mas de grande impacto em seus diferentes espaços. Os problemas advindos do crescimento desordenado são ainda ampliados com o fenômeno recente de aglomeração populacional em algumas poucas áreas, gerando o que chamamos de megacidades, cujos exemplos no Brasil são São Paulo e Rio de Janeiro (TELLO, 2011). Parte significativa da população mundial vive em um planeta aglomerado em pólos gigantescos, que se denominam megacidades. Megacidades são aglomerações urbanas com mais de 10 milhões de habitantes (GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, 2007). Segundo a ONU, estas cidades já abrigam aproximadamente 280 milhões de habitantes e são ao mesmo tempo centros cada vez mais importantes na promoção do crescimento das economias de seus países (GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, 2007) e fontes de graves problemas como desemprego e subemprego, trabalho informal, crescimento de favelas, e poluição do ar, águas e solo (LEITE, 2010). Além disso, surgem grandes desafios no que se refere governança e infraestrutura necessárias para promover a integração dos cidadãos dessas grandes extensões geográficas e estimular o crescimento econômico dessas regiões, cujas soluções demandam inovações e parcerias de todos os stakeholders (GLOBESCAN e MRC McCLEAN HAZEL, 2007). Observa-se que existem grandes desafios a serem enfrentados pelo setor da construção, muitos deles vão além da fronteira das empresas, o que demanda ações integradas nas cadeias produtivas e conscientização de profissionais e consumidores, o que demanda apoio do setor acadêmico e governamental. Só assim será possível construir as bases para a construção

13 13 de mercados sustentáveis, isto é, que privilegiam empresas com atuação responsável e punem as irresponsáveis (TELLO, 2011). De acordo com o IDHEA Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica, construção sustentável é um sistema construtivo que promove alterações conscientes no entorno, de forma a atender as necessidades de habitação do homem moderno, preservando o meio ambiente e os recursos naturais, garantindo qualidade de vida para as gerações atuais e futuras. Sabemos que hoje a sobrevivência do planeta depende de uma série de mudanças na sociedade industrial, alterando padrões tecnológicos de produção e hábitos de consumo. Na verdade é preciso mais do que isso, é preciso mudar a formar de pensar e agir, é preciso alterar as raízes culturais. No Brasil, um país onde muito se fala sobre a preservação da Amazônia, a questão da sustentabilidade parece estar voltada apenas para o problema florestal. São poucas as pessoas que tem a consciência de que é preciso estarmos atentos às atitudes do dia a dia. O hábito de apagar a luz, economizar água, a decisão dos produtos que serão consumidos, por exemplo, são pequenas atitudes, porém muitos significativas para a sustentabilidade global. A sustentabilidade tem sido aplicada em todos os setores, inclusive o da construção. O grande desafio para as construções sustentáveis é conseguir um equilíbrio entre a proteção ambiental, justiça social e viabilidade econômica. De todas as atividades praticadas pelo ser humano, a construção civil é uma das que mais tem impacto no meio ambiente. No Brasil aproximadamente 40% da extração de recursos naturais têm como destino a indústria da construção. Além disso, 50% da energia gerada são para abastecer o funcionamento das edificações e 50% dos resíduos sólidos urbanos, vêm das construções e das demolições. (BUSSOLOTI, 2010)

14 14 Felizmente já existem muitas pessoas, empresas, entidades e governos que estão se mobilizando para viabilizar o desenvolvimento de construções sustentáveis. Algumas das entidades que contribuem para uma melhoria na qualidade de vida das pessoas, promovendo a defesa e a preservação do meio ambiente, partindo de um princípio da consciência ecológica e responsabilidade social, são: - IDHEA (Instituto para Desenvolvimento da Habitação Ecológica) - Fupam (Fundação para Pesquisa Ambiental) - Ipema (Instituto de Permacultura e Eco Vilas da Mata Atlântica) - Ipec (Instituto de Permacultura do Cerrado) - Green Institute - ATA (Alternative Technology Association) Existem também, em muitos países, alguns conselhos para o desenvolvimento dos conceitos da construção sustentável, que orientam e discutem os padrões a serem seguidos em cada lugar. No caso do Brasil, foi criado recentemente, o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, formado por acadêmicos, pessoas ligadas às áreas social e financeira, construtores e representantes de organizações não-governamentais. - CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável) - USGBC (United States Green Building Council) - CaGBC (Canadá Green Building Council) - GBCA (Green Building Council Australia) - Japan Sustainable Building Consortium A certificação para as construções sustentáveis pode ser obtida por meio de algumas entidades que criaram métodos e sistemas de base que estudam e avaliam o impacto de projeto, construção e operação dos edifícios. As mais comuns são:

15 15 - BREEAM (Building Reserch Establishment Environmental Assessment Method) - LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) De acordo com Bussoloti (2010) ambas possuem métodos simplificados, facilmente formatados para serem utilizados pelo mercado e projetistas e vinculam o desempenho em formas de checklists, na qual a somatória de itens cumpridos elevam a categoria na qual o projeto se encontra. A primeira, britânica, é pioneira e serviu de base para as outras certificadoras. A segunda, de origem norte americana, foi desenvolvida pela ONG United States Green Building Council e é a mais popular, já utilizada em alguns projetos brasileiros. Existe ainda, o Selo Casa Azul Caixa objeto de estudo do Capítulo III, que é o primeiro sistema de classificação da sustentabilidade de projetos ofertado no Brasil, desenvolvido para a realidade da construção habitacional brasileira. A metodologia do Selo foi desenvolvida por uma equipe técnica da Caixa Econômica Federal com vasta experiência em projetos habitacionais e em gestão para a sustentabilidade. Um grupo multidisciplinar de professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade Estadual de Campinas, atuou como consultor.

16 16 CAPÍTULO II PRINCIPAIS PASSOS PARA SE CHEGAR A UMA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL 2.1 Planejamento Sustentável da Obra A primeira e mais importante etapa para realização de uma construção sustentável é o planejamento do empreendimento. De acordo com o planejamento do empreendimento habitacional é que serão definidas as alterações ambientais que ocorrerão durante a construção. Segundo o Guia Selo Casa Azul Caixa a escolha do local do empreendimento deve levar em consideração alguns itens: - A otimização do uso da infraestrutura e serviços existentes na cidade; - A redução do processo de espalhamento urbano (uso e ocupação do solo de forma indevida); - A conectividade com o meio urbano (provimento de bons serviços de transporte e comunicação, ou seja, transporte público para promover o acesso das pessoas às escolas, emprego, comércio, saúde; e amplo acesso à internet e telecomunicações); - A qualidade do espaço urbano; - A valorização do empreendimento; - A recuperação de áreas degradadas; - A ocupação de vazios urbanos. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, 2010) Nesta etapa de escolha da área deve-se dar preferência a planos de uso de solo que evitem áreas ecologicamente sensíveis e preservem,

17 17 melhorem ou restaurem as funções dos sistemas naturais e a vitalidade do entorno. (FREITAS, 2002) A renovação de construções existentes e a ocupação de vazios urbanos são estratégias de adensamento que otimizam o uso do solo e de infraestrutura, protegendo e preservando habitats e recursos naturais. (FREITAS, 2002) Existem 10 princípios básicos para o crescimento urbano inteligente (SMART GROWTH NETWORK, 2002, 2003): 1. Uso de solo misto. 2. Projeto compacto para edificações. 3. Variedades de alternativas e oportunidades de habitação. 4. Criação de vizinhanças orientadas para pedestres. 5. Estímulo à comunidades atraentes e diferenciadas. 6. Preservação de espaços abertos. 7. Fortalecimento e desenvolvimento das comunidades existentes. 8. Variedades de alternativas de transporte. 9. Tomada de decisão justa, com boa relação custo-efetividade. 10. Colaboração entre comunidade e partes interessadas na tomada de decisão. A construção de novos ambientes urbanos deve estar em sinergia com o ambiente já existente, ajustando-se ao entorno e às necessidades locais. A escolha da área deve considerar as relações entre o empreendimento e seu entorno, de modo que seja possível avaliar os impactos positivos da vizinhança sobre o empreendimento, visando à segurança, à saúde e ao bem estar de seus moradores.

18 Aproveitamento Passivo dos Recursos Naturais A construção sustentável é um sistema que promove intervenções sobre o meio ambiente, sem esgotar os recursos naturais, preservando-os para as gerações futuras. Tal modelo de construção utiliza ecomateriais e soluções tecnológicas inteligentes, que promovem a redução da poluição, o bom uso e a economia de água e de energia e o conforto de seus usuários. A obra sustentável deve aproveitar os passivos dos recursos naturais (como por exemplo, iluminação natural), racionalizar o uso de energia, prover sistemas e tecnologias que permitam redução no consumo de água (reuso, aproveitamento da água de chuva), contemplar áreas para coleta seletiva de lixo (reciclagem) e criar ambientes saudáveis, utilizando tecnologias para regular acústica e temperatura. Uma construção sustentável utiliza materiais e tecnologias biocompatíveis, que não agridem o meio ambiente, seja durante o processo de obtenção, fabricação, aplicação e durante a sua vida útil. Para tanto, é necessário utilizar produtos à base de água ou 100% sólidos, pois estes materiais não emitem gases nem odores quando em contato com o oxigênio. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, 2010) Segundo Márcio Augusto Araújo (2010), consultor do IDHEA (Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica), entre as características das construções sustentáveis estão: o aproveitamento passivo dos recursos naturais, tais como iluminação natural, conforto térmico acústico; eficiência energética mediante o aproveitamento de fontes de energia renováveis como a eólica (vento) e a solar; economia de água com o uso de tecnologias que permitam a recirculação da água utilizada na habitação e aproveitamento de parte da água da chuva para fins não potáveis. Trabalhar para que um imóvel seja sustentável, de acordo com Araújo (2010), é de fundamental importância para a saúde do indivíduo e do planeta. A verdadeira construção sustentável o é não apenas porque não esgota os recursos empregados para a sua edificação e uso, mas também porque sustenta aqueles que a habitam. Ela é a base para suas realizações,

19 19 segurança, alegria e felicidade. Essa visão deveria permear qualquer projeto ou idéia de construção ou habitação sustentável. 2.3 Eficiência Energética As edificações no Brasil são responsáveis por 44% do consumo total de energia elétrica do País, considerando-se os setores residencial (22%), comercial (14,5%) e público (8%) (Brasil, BEN, 2009). Dentro do consumo de energia por fonte, o setor residencial ocupa uma posição importante no consumo de energia. Para o desenvolvimento de projetos mais sustentáveis no Brasil, dentro do setor residencial, é necessário buscar uma redução no consumo de eletricidade, lenha e gás, e um aumento do uso de fontes renováveis de energia, o que leva à importância de considerar-se a eficiência energética das edificações como um dos critérios principais para o desenvolvimento de projetos de edificações mais sustentáveis no país. O projeto deverá ser desenvolvido contemplando estratégias e soluções para o uso racional da energia elétrica sem prejudicar o conforto térmico, lumínico e acústico. FONTES ALTERNATIVAS DE ENERGIA: - Aquecimento Solar: Como fonte de energia alternativa, temos como uma das principais estratégias a utilização do aquecimento solar (para algumas regiões dão país). O sistema de aquecimento solar da água é a aplicação da energia solar mais usada no Brasil e no mundo, e quase sempre este uso é para aquecer a água para banho. Basicamente o sistema é composto por coletores solares, que captam a energia solar para aquecer a água, e reservatórios térmicos, que

20 20 armazenam a água aquecida para o consumo. Um estudo realizado pela Eletrobrás e pelo Laboratório Green Solar da PUC/MG mostra que o uso da energia solar para o aquecimento de água gerou uma redução de 44% no gasto com energia. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, 2010) - Energia Solar Fotovoltaica: É a conversão de energia solar em energia elétrica através do módulo solar fotovoltaico. Há mais de dez anos na Europa, Estados Unidos e Japão, estão sendo utilizados os painéis fotovoltaicos conectados diretamente na rede de energia elétrica, tornando o recurso mais acessível, pois dispensa o uso de baterias para armazenar a energia, o que torna o processo mais caro e reduz o índice de aproveitamento. No Brasil, desde abril de 2012 a Resolução Normativa da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), regulamenta a implantação de projetos deste tipo, cuja proposta funciona da seguinte forma: o painel solar fotovoltaico é instalado na residência, capta a energia do sol e a transforma em energia elétrica e caso produza mais do que consome, o excedente é então injetado à rede e será utilizado por outros usuários, gerando créditos para quem produziu. Desta forma, é possível, num primeiro momento, uma redução nas contas de energia, uma vez que a edificação produza energia suficientem para gerar créditos que suportem o uso provindo da rede. (ECOCASA, 2013) - Energia Eólica: A energia eólica é a energia que provém do vento. É gerada por meio de aerogeradores, onde a força do vento é captada por hélices ligadas a uma turbina que aciona um gerador elétrico. A quantidade de energia transferida é função da densidade do ar, da área coberta pela rotação das hélices e da velocidade do vento. (MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE, 2013) Para que a energia eólica seja considerada tecnicamente aproveitável, é necessário que sua densidade seja maior ou igual a 500 W/m², a uma altura de 50 metros, o que requer uma velocidade mínima do vento de 7 a 8 m/s (GRUBB, 1993). Segundo a organização Mundial de Meteorologia, o vento

21 21 apresenta velocidade média igual ou superior a 7 m/s, a uma altura de 50m, em apenas 13% da superfície terrestre. Essa proporção varia muito entre regiões e continentes, chegando a 32% na Europa Ocidental. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Brasil possui 248 megawats (MW) de capacidade instalada de energia eólica, derivados de dezesseis empreendimentos em operação. O Atlas do Potencial Eólico Brasileiro, elaborado pelo Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (CEPEL), mostra um potencial bruto de 143,5 GW, o que torna a energia eólica uma alternativa importante para a diversificação do mix de geração de eletricidade no país. O maior potencial foi identificado na região litoral do Nordeste e no Sul e Sudeste. O potencial de energia anual para o Nordeste é de cerca de 144,29 TWh/ano; para a região Sudeste, de 54,93 TWh/ano; e, para a região Sul, de 41,11TWh/ano. De acordo com reportagem publicada por Marília Bugalho Pioli, em 03/11/2010 para o Portal Ambiente Energia, existem muitas questões duvidosas sobre a eficiência da energia eólica: A grande estrela das fontes renováveis no Brasil tem sido inquestionavelmente a energia eólica. Nos dois leilões realizados em agosto de 2010 (leilão de energia de reserva e leilão de fontes renováveis), 70% da energia negociada provém dos ventos. Uma das grandes vantagens alardeadas da energia eólica e são muitas é o fato de ser uma fonte eminentemente limpa e sem impacto ao meio ambiente. Contudo, já começam a circular notícias de problemas advindos dos impactos ambientais provocados pela energia eólica. Mas, afinal...a energia eólica causa ou não impacto ambiental? Sim, causa, como eu causo, você causa, os animais causam, toda humanidade e a modernidade causam. Viver causa impacto ambiental. Enfim, tudo causa impacto ambiental. Portanto, condenar a energia eólica por causar impacto ambiental é condenar tudo mais que existe no mundo completa a jornalista.

22 Gestão e Economia da Água De acordo com o IDHEA Instituto para o Desenvolvimento da Habitação Ecológica, a gestão e economia da água tem como objetivos: Reduzir e controlar o consumo de água fornecido pela concessionária ou obtido junto a fontes naturais (poços, poços artesianos, nascentes, outros); Não contaminar a água e corpos receptores; Aproveitar as fontes disponíveis; Tratar águas cinzas e negras e reaproveitá-las na edificação; Reduzir necessidade de tratamento de efluentes pelo poder público; Aproveitar parte da água pluvial disponível. A gestão e economia da água são indispensáveis para sobrevivência da humanidade, devendo a água ser considerada um insumo finito, por isso deve ser economizada para que possamos prorrogar o atendimento às necessidades dos seus usuários. O uso racional da água pela cadeia produtiva da construção deve envolver não só a promoção da educação entre seus diversos atores como também o fomento à gestão integrada (do manejo e da drenagem), ao gerenciamento equilibrado entre a oferta e a demanda em pelo menos três níveis de abrangência: macro, com a exploração racional dos recursos hídricos; médio, com a gestão otimizada dos sistemas públicos; e micro, com otimização do consumo de água nos edifícios. Fundamentalmente nas edificações, a gestão deve contemplar: o suprimento de água potável; a gestão de águas pluviais e o esgotamento sanitário. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, 2010) Nas edificações, uma das medidas indicadas para economia da água é o uso de medição individualizada, tendo em vista a redução de desperdícios e uso excessivo, já que cada um vai pagar pelo que consumir. Em relação ao esgotamento sanitário existem duas alternativas: o sistema é ligado à rede pública de coleta de esgoto sanitário ou o edifício dispõe de sistema local de tratamento de esgotos. No caso do sistema local e tratamento de esgotos, de acordo com a NBR (ABNT, 1997), quanto

23 23 mais concentrado é o esgoto mais fácil será o processo de depuração. Portanto, no planejamento de um sistema de tratamento de esgoto sanitário, é fundamental a redução do volume de esgoto, e para que isto seja possível é necessária a conservação da água nas edificações além da redução do consumo. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, 2010) O uso racional da água é fundamental para o desenvolvimento das construções sustentáveis. Dados da Agência Nacional de Águas (ANA) apontam que, dos municípios brasileiros, 55% poderão ter um déficit no abastecimento de água até Para evitar esse problema, o país precisa investir, até lá, segundo o mesmo levantamento, R$22 bilhões. Até 2025, serão necessários R$70 bilhões, com prioridade para obras nos mananciais e na coleta e tratamento de esgotos, a fim de proteger as fontes de abastecimento (rios e lagos). Somadas, essas localidades vão concentrar, em 2025, 139 milhões de habitantes ou 72% da população. 2.5 Gestão dos Resíduos na Edificação A Resolução 307, de 05/07/2002, aprovada pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente CONAMA, estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais. A construção civil é responsável por aproximadamente 50% dos resíduos gerados na sociedade. Esses resíduos podem ser reciclados, de forma que haja uma redução nos impactos negativos causados ao meio ambiente. Os resíduos que podem ser destinados à reciclagem, de acordo com a Resolução 307 Art. 2 I, são: os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas tintas, madeiras e

24 24 compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica, etc. As prefeituras municipais são responsáveis pelo recolhimento dos resíduos gerados e devem oferecer local apropriado para depósito dos entulhos. Os resíduos sempre são gerados seja para bens de consumo duráveis (edifícios, pontes e estradas) ou não duráveis (embalagens descartáveis). Neste processo a produção quase sempre utiliza matérias primas não rendáveis de origem natural (JOHN, 1999). Os resíduos se transformam em graves problemas urbanos como gerenciamento caro e complexo, considerando-se volume e massa acumulados. Os problemas se caracterizam por escassez de área de decomposição de resíduos causados pela ocupação e valorização de áreas urbanas, custos sociais, problemas de saneamento público e contaminação ambiental (JOHN, 1999). De acordo com o IDHEA, os objetivos da gestão de resíduos nas edificações são: criar área para disposição dos resíduos gerados pelos próprios moradores/usuários; reduzir geração de resíduos; reduzir emissão de resíduos orgânicos para processamento pelo Poder Público ou concessionárias; incentivar a reciclagem de resíduos secos ou úmidos. 2.6 Qualidade do Ar e do Ambiente Interior O objetivo desta etapa é de criar um ambiente interior saudável aos ocupantes, identificando poluentes internos na edificação (água, ar, temperatura, umidade, materiais) e evitando ou controlando sua entrada e atuação nociva sobre a saúde e bem-estar dos indivíduos. (IDHEA, 2013) A idéia é de se criar um ambiente saudável, onde se possa respirar melhor, um ambiente isento de poluentes (tais como partículas em suspensão,

25 25 COVs Compostos Orgânicos Voláteis), com uso de materiais biocompatíveis, naturais e/ou que não liberem substâncias voláteis. Alguns exemplos de produtos que emitem gases voláteis e que geralmente são usados nas construções convencionais são: tintas, solventes, resinas, vernizes, colas, carpetes sintéticos e espumas. No lugar desses produtos o ideal seria buscar sempre produtos à base de água ou 100% sólidos, isto é, que em contato com o oxigênio não emitem gases ou odores. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, 2013) É importante evitar também materiais que reconhecidamente estão envolvidos com graves problemas ambientais, e sobre os quais hoje há consenso entre todas as entidades sérias que trabalham com construção sustentável e Bioconstrução no mundo, como é o caso do PVC (policloreto de vinil) e o alumínio. Outros produtos considerados aceitáveis na ausência de outras opções, devem ser usados de maneira bastante criteriosa principalment no interior da casa ou apartamento, como compensados e OSBs (colados com cola à base de formaldeído). O mesmo vale para madeiras de reflorestamento tratadas por autoclave (sistema CCA), as quais são imunizadas com um veneno à base arsênico e cromo este tipo de madeira, em consenso entre a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) e fabricantes nos EUA, está proibida naquele país desde dezembro de (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, 2013) As empresas, os governos e as ONGs não são as únicas responsáveis pelos materiais de construção e pelo estado atual do meio ambiente. O consumidor, ao optar por um produto A, B ou C, é também co-responsável por todo o processo, já que é para ele que se destinam todos os produtos e, por extensão, as construções. Desta forma, a consciência do consumidor pode ajudar a alterar as regras do mercado.

26 Conforto Termo Acústico Esta etapa consiste na utilização de materiais para vedação e tecnologias naturais ou eco-eficientes para regular a temperatura e som na edificação; climatização natural ou com sistemas eco-eficientes. (IDHEA, 2013) Os isolantes térmicos e acústicos são utilizados nas construções sustentáveis por duas principais razões: primeiro pela economia de energia, segundo pela durabilidade dos isolantes, pois uma vez incorporados à edificação (principalmente na envoltória) permanecerão pelo tempo que a mesma existir, sem necessidade de substituição ou manutenção, o que reduz a quantidade de resíduos e a demanda de recursos naturais para produzir novamente. (IDHEA, 2013) De acordo com Carlos Caruy (2011) gerente técnico da Saint Gobain e diretor técnico da Abraliso, cada projeto tem sua peculiaridade. Por esse motivo é importante observar as necessidades de cada caso. Toda vez que um projetista necessita criar um ambiente com o conforto termo acústico ideal, deve levar em consideração a finalidade do ambiente, o nível de ruído interno e externo, sua localização (área urbana/rural), a incidência solar/climática, seja para reduzir a reverberação do som, a temperatura interna das edificações, ou para proporcionar menor consumo de energia, explica. Segundo Caruy (2011), existem vários tipos de materiais destinados para isolação térmica e acústica, que variam de acordo com sua composição, tipo de aplicação, necessidade a ser atendida (térmica e/ou acústica, proteção ao fogo), desempenho desejado (térmico, acústico e segurança ao fogo), atendimento à normas técnicas, custo, etc. Ele explica, por exemplo, que as lãs minerais, pelas suas características, podem ser aplicadas em praticamente todas as situações onde os isolantes térmicos e acústicos são necessários. Especificamente para o uso na construção civil, visando isolação térmica e acústica, o isolante térmico é

27 27 sempre recomendado para as coberturas, fachadas, paredes divisórias e no piso. (CARUY, 2011) Além disso, a isolação térmica também é empregada em sistema de ar condicionado (dutos, tubulações e equipamentos) e na proteção passiva ao fogo (portas, dutos de ventilação, escadas, isolamento de estruturas metálicas e de shafts, etc.). Para cada situação existem materiais específicos. Os isolantes são os materiais que propiciam o melhor retorno do investimento feito em uma edificação. Os principais benefícios são a economia de energia obtida com a isolação, a redução da necessidade de carga térmica (KWs) dos equipamentos de climatização, o conforto térmico obtido e, numa análise financeira, geralmente o retorno do investimento em isolação térmica paga-se em dias, (CARUY, 2011) Como menciona Caruy (2011), a partir de 2010 entrou em vigor a Norma de Desempenho de Edificações NBR 15575, que estipula os requisitos mínimos de desempenho termo-acústico de edificações. Embora esta série de normas seja para edifícios habitacionais de cinco pavimentos, muitos requisitos serão adotados e referenciados para outros tipos de edificações. Várias iniciativas estão sendo tomadas para tornar a construção civil menos impactante ao meio ambiente. Entidades como o CBCS Conselho Brasileiro para a Construção Sustentável, as certificações LEED e AQUA, o Guia de Compras Públicas Sustentáveis, e Regulamenteção de Eficiência Energética do Procel-Inmetro, são alguns exemplos claros deste movimento. Os diversos eventos (congressos, seminários, workshops, etc.) que estão sendo realizados sobre este tema mostram o interesse cada vez maior sobre a eco-eficiência dos materiais isolante usados nas edificações. (CONSELHO BRASILEIRO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL, 2011) Segundo Caruy (2013), a ABRALISO Associação Brasileira dos Fabricantes de Lãs Isolantes Minerais tem trabalhado muito na educação e

28 28 consciência sobre isolação térmica e acústica junto ao meio acadêmico, técnico e profissional, através de congressos técnicos, além da contribuição da associação no aperfeiçoamento de normas e regulamentações voltadas para a conservação de energia, conforto térmico e acústico. Outro ponto é que não existe nenhum tipo de incentivo oficial e fiscal para reduzir os custos de seus produtos e difundir o uso de isolantes na construção civil, por exemplo. Os isolantes ainda são vistos apenas como custo e muitas vezes cortados na execução de uma obra, sendo que as conseqüências sempre ficam para o usuário (desconforto, maior consumo de energia, ruído, etc.). Outro detalhe importante apontado por Caruy (2013) é que a correção térmica ou acústica é muitas vezes mais cara e, por vezes, inviável tecnicamente, do que a aplicação dos isolantes durante a execução da obra, conforme previsto no projeto. MATERIAIS DISPONÍVEIS NO MERCADO: - Lã de Vidro: possui um bom desempenho no tratamento acústico de ambiente graças ao seu coeficiente de absorção acústica, sendo indicada sua aplicação em forros ou na confecção de paredes duplas no processo construtivo conhecido como massa-mola-massa, substituindo com vantagens as paredes pesadas, dificultando a transmissão dos sons graças a sua descontinuidade e a grande elasticidade. As principais características são: alto poder de isolação térmica; ótimo coeficiente de absorção acústica; não propagam chamas; não deterioram ou apodrecem; estáveis mesmo em altas temperaturas; fáceis de recortar e aplicar; são inquebráveis, reduzindo as perdas nas obras. (ABRALISO, 2013) - Lã de Rocha: devido a suas características termo-acústicas atende aos mercados da construção civil, industrial, automotivos e eletrodomésticos entre outros. Garantindo conforto ambiental, segurança e aumento no rendimento de equipamentos industriais; suas principais características são: alto poder de absorção acústica; resistência ao fogo; segurança (não oferece

29 29 risco à saúde); facilidade de manuseio; boa resiliência; resistente a vibrações; não higroscópico; imputrescível e quimicamente neutra. (ABRALISO, 2013) - Barreiras Acústicas: são os polímeros minerais de alta densidade à base de EPDM e rocha basáltica, e apresentam bom desempenho acústico. Podem ser aplicadas na construção civil para isolamento acústico de pisos, paredes, tetos e diversas outras aplicações, como isolar acusticamente ruídos provenientes de tubulações de banheiros, esgotos, água fria e água quente. As barreiras acústicas conferem bons resultados com o mínimo de interferência na superfície aplicada. Assim, as espessuras das lajes e do contra piso podem ser melhores dimensionadas. (ABRALISO, 2013) - Espumas Acústicas: A espuma absorvedora acústica permite isolar ou absorver ruídos incômodos provenientes de outros ambientes ou mesmo aqueles reverberados (eco). A sua estrutura multi-celular faz com que a onda sonora seja dissipada (perca energia) em seu interior. E a sua configuração superficial permite a penetração de ondas sonoras vindas de qualquer direção. A espuma absorvedora acústica pode ser aplicada tanto em residências como em locais de trabalho. Pela sua ampla gama de atuação pode ser utilizada em lojas, bancos, restaurantes, escritórios, auditórios, estúdios de rádio e TV, ginásios, entre outros. (ABRALISO, 2013) 2.8 Uso Racional de Materiais Tem como objetivo racionalizar o uso de materiais de construção tradicionais e prevenir o uso de produtos cuja fabricação e uso acarretem problemas ao meio ambiente ou que são suspeitos de afetar a saúde humana. (IDHEA, 2013)

30 30 A construção civil exerce grande impacto sobre o meio ambiente, consumindo de 40% a 75% dos recursos naturais extraídos do planeta (sem considerar água e energia). (CONSELHO BRASILEIRO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL, 2013) As Construções Sustentáveis devem buscar a utilização de materiais sustentáveis objetivando o maior volume possível de utilização de materiais certificados, de manejo sustentável e recicláveis. Deve ainda, buscar a utilização de materiais cujos processos de extração de matérias primas, beneficiamento, produção, armazenamento e transporte causem menor índice de danos ao meio ambiente nem estejam baseados em condições de trabalho indignas para operários. A extração da maioria das matérias-primas implica a destruição de biomas importantes. Alguns produtos simples, como areia, madeira nativa obtida de forma não manejada, causam grandes impactos ao meio ambiente. Materiais de construção essenciais como a cerâmica, o cimento e todos os metais, dependem de processos térmicos, que via de regra utilizam combustíveis fósseis ou, infelizmente, de madeira extraída ilegalmente, contribuindo para a mudança climática e outros poluentes. A produção, uso e descarte de qualquer material de construção implica impactos ambientais, sociais e econômicos. O uso sustentável destes recursos depende da habilidade dos profissionais em selecionarem os produtos mais adequados e os fornecedores com maior responsabilidade ambiental e social. O CBCS Conselho Brasileiro de Construção Sustentável tem como objetivo motivar o uso sustentável dos materiais de construção civil, visando à redução de seus impactos no meio ambiente através do incentivo à compra de produtos de empresas que cumprem com suas obrigações fiscais e legais e ao estudo do melhor produto a ser utilizado em cada projeto, considerando a existência de produtos locais, forma de transporte, qualidade e desempenho, ciclo de vida do produto e durabilidade e vida útil, além de incentivar a redução do consumo de materiais através da racionalização da produção. Existem significativas diferenças no impacto ambiental entre diferentes fábricas de um mesmo produto. Alguns exemplos do mercado brasileiro: o

31 31 consumo de energia para produção de gesso varia entre aproximadamente 1,4GJ/t até 6,9GJ/t diferença agravada por variações de combustíveis; a emissão de CO2 para fabricação de clínquer da fábrica mais eco-eficiente é cerca de 30% menor do que a média; telhas de cerâmica vermelha são produzidas em fornos contínuos muito eficientes e também em fornos intermitentes. (CONSELHO BRASILEIRO DE CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL, 2013) A melhor ferramenta para selecionar produtos com base em critérios de eco-eficiência é a ferramenta de análise do ciclo de vida, que integra o conjunto de ferramentas previstas na série de normas ISO A análise do ciclo de vida realiza uma contabilidade de todas as emissões e de todo o consumo de matérias-primas e energias associados à vida do produto da sua produção ao seu descarte final. Esta ferramenta permite que os fabricantes emitam a Declaração Ambiental do Produto, apresentando em detalhes todas as emissões e consumo de recursos relevantes associadas a este, tornando possível ao profissional realizar uma seleção objetiva ponderando aspectos ambientais, econômicos e sociais. Também permite ao fabricante identificar pontos fracos e investir na melhoria do desempenho ambiental de seus processos e produtos. (CONSELHO BRASILEIRO DE COSNTRUÇÃO SUSTENTÁVEL, 2013) A aplicação desta ferramenta depende da existência de uma base de dados com as emissões e consumos das principais matérias-primas nacionais o que ainda não está disponível. O CBCS Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, junto com as empresas associadas, está colaborando com órgãos governamentais e outras entidades para criar as condições para que no futuro esta ferramenta esteja disponível no Brasil.

32 32 Amigáveis 2.9 Uso de Produtos e Tecnologias Ambientalmente No Brasil, ainda não há normas para avaliação e certificação de produtos sustentáveis ou ambientalmente corretos, com exceção das madeiras (Madeiras Certificadas) e produtos orgânicos alimentícios. De acordo com o IDHEA (2013), os objetivos desta etapa são: prever na obra uso máximo de produtos e tecnologias amigas do meio ambiente que atendam os seguintes pontos: Ecologia Coletar dados que comprovem o desempenho sustentável dos processos construtivos, produtos e tecnologias recomendados, do ponto de vista da gestão e uso de matérias-primas e insumos básicos; energia; água; emissão de poluentes; normatização; cumprimento das leis vigentes; embalagem; transportes (logística); potencial de reuso e/ou reciclagem; Economia: Recomendar ecoprodutos e tecnologias sustentáveis adequados à realidade financeira e capacidade de investimento do cliente, com prazo e taxas de retorno definidos (payback); Saúde: Avaliar a biocompatibilidade e sanidade doas produtos recomendados com o ser humano e organismos vivos em geral, com o objetivo de gerar um ambiente saudável e de elevada qualidade para seus ocupantes e vizinhança; Responsabilidade Social: Recomendar o uso de materiais que atendam às normas brasileiras e internacionais de qualidade e padronização (NBR16001), cuja fabricação contribua para inserção da população desfavorecida no mercado de trabalho e consumo, bem como para fixação do homem em sua região de origem. Na concepção do projeto a pesquisa é extremamente importante, e neste momento é possível analisar todos os materiais que serão utilizados na obra, desde as matérias-primas até os materiais reciclados ou recicláveis que

33 33 podem ser utilizados. Para melhor escolhê-los, responda a perguntas básicas como: de onde vem esse material? Qual é seu ciclo de vida? (ARAÚJO, 2005) A escolha dos produtos e materiais para uma obra sustentável deve obedecer a critérios específicos como origem da matéria-prima, extração, processamento, gastos com energia para transformação, emissão de poluentes, biocompatibilidade, dentre outros -, que permitam classificá-los como sustentáveis e elevar o padrão da obra. Essa seleção também deve atender parâmetros de inserção, estando de acordo com a geografia circundante, história, tipologia, ecossistema, condições climáticas, resistência, responsabilidade social, dentre outras abordagens e leituras do ambiente de implantação da obra. (ARAÚJO, 2005)

34 34 CAPÍTULO III SELO CASA AZUL CAIXA A Caixa Econômica Federal (2013) atua no País há 150 anos, buscando fomentar o desenvolvimento e a inclusão social em suas ações internas, na interação com o cliente e no apoio a projetos que beneficiem comunidades locais e a sociedade. É uma empresa preocupada com a responsabilidade social e a sustentabilidade ambiental. São várias as iniciativas da empresa voltadas para estas finalidades, tais como: - AÇÃO MADEIRA LEGAL: a Caixa Econômica Federal (2013), implementou em 2009, em parceria com o IBAMA e o Ministério do Meio Ambiente, a Ação Madeira Legal. O banco passou a verificar a origem da madeira de espécies nativas usada em empreendimentos habitacionais. Para preservação da floresta Amazônica, é muito importante consumir apenas madeira retirada de áreas legais, pois boa parte dessa matéria-prima é fruto de extração não autorizada ou desmatamento ilegal. - ENERGIA LIMPA: A Caixa Econômica Federal (2013) financia projetos de usinas hidrelétricas, eólicas, de biomassa e Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), que fazem parte do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica. A Caixa incentiva, ainda, a redução no consumo de energia com a oferta de crédito diferenciado para as empresas que buscam máquinas e equipamentos ecoeficientes. O uso responsável de energia nas residências também é estimulado. A instituição financia, por exemplo, o sistema de aquecimento solar da água para famílias de baixa renda, isso reduz a conta de luz em até 40%. - FUNDO SOCIOAMBIENTAL: A Caixa Econômica Federal (2013) destina até 2% de seu lucro para ações e investimentos de caráter socioambiental, ou seja, que buscam, ao mesmo tempo, proteger a natureza e incentivar o desenvolvimento humano local.

35 35 - CIDADES SUSTENTÁVEIS: Para Caixa Econômica Federal (2013) uma cidade sustentável vai além do ambientalmente responsável ela deve ser justa para todos, próspera, com boa oferta de empregos, bem projetada e construída, amigável e amplamente conectada com serviços de transportes e comunicação. É por isso que as ações e programas do banco têm forte atuação no desenvolvimento do espaço urbano e na inclusão de seus habitantes. Com o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável e contribuir para o alcance das metas nacionais dos Objetivos do Milênio, o banco financia e repassa recursos para: - Saneamento Ambiental; - Infraestrutura; - Habitação; - Ações socioambientais com a comunidade. No programa Minha Casa Minha Vida, que dá subsídios e crédito para as famílias brasileiras comprarem uma moradia, o Governo Federal e a Caixa Econômica Federal (2013) vêm incentivando medidas que garantam o bemestar dos moradores e o respeito ao meio ambiente. Até agora, são mais de 1 milhão de unidades, que, além de se transformar em lar para milhares de pessoas, também acolhem princípios de sustentabilidade. No balanço do PAC2 Programa de Aceleração do Crescimento, divulgado nesta segunda-feira (10/06/2013) pelo Ministério do Planejamento (2013), o governo federal destacou a utilização de materiais inovadores na construção de empreendimentos do Programa Minha Casa Minha Vida. Citou, por exemplo, o residencial Haragano, que está sendo construído em Pelotas, Rio Grande do Sul. As 280 unidades desse empreendimento estão sendo construídas com tecnologia que utiliza madeira de reflorestamento tratada e processada na estrutura, e fechamento das paredes em placas de cimento.

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