CINEMA: NOVAS PERSPECTIVAS PARA O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM ATRAVÉS DA LINGUAGEM MIDIÁTICA

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1 CINEMA: NOVAS PERSPECTIVAS PARA O PROCESSO ENSINO APRENDIZAGEM ATRAVÉS DA LINGUAGEM MIDIÁTICA Adriana Aires Pereira 1 Maria Cristina Rigão Iop 2 Rodrissa Machado Marchi 3 Resumo: A linguagem midiática sob uma nova perspectiva para o processo ensino aprendizagem utiliza o cinema como ferramenta didática através do Projeto Arte e Cinema no Padre Nóbrega 4 - PACIPEN, possibilitando o debate inter e transdisciplinar em torno de temáticas atuais apresentadas através de filmes e documentários; além de oferecer momentos de lazer aos estudantes. O trabalho desenvolvido com alunos de 7º a 9º ano, na Escola Municipal de Ensino Fundamental Padre Nóbrega é executado em seis etapas, sendo duas de responsabilidade dos professores e quatro sob a coordenação dos professores e execução dos alunos: Seleção dos conteúdos a serem explorados; seleção e agendamento dos filmes e das propostas de atividade; a seção de cinema propriamente dita; o desenvolvimento dos trabalhos realizados utilizando as diversas TICs, seleção para posterior apresentação e divulgação; apresentação em Seminário das atividades desenvolvidas em sala de aula e divulgação em blog específico do PACIPEN, vinculado ao Blog da Escola. São feitos registros dos trabalhos em arquivo digital, proporcionando aos estudantes a ampliação de seus horizontes à utilização das mídias como instrumento de transformação do processo ensino aprendizagem no ambiente escolar, demonstrados através de leituras e releituras de imagens, produções literárias, análise documental, apresentações eletrônicas, vídeos, filmes e outras formas escolhidas pelos estudantes. O professor enquanto responsável por um processo ativo de aprendizagem deve estimula nos seus alunos a percepção crítica do mundo que os rodeia. A utilização das diferentes linguagens como recurso pedagógico contribui para a ampliação de práticas educacionais, incorporando-as aos processos de construção e reconstrução do conhecimento. Palavras Chave: Linguagens midiáticas, Ensino-aprendizagem, Cinema. APRESENTAÇÃO O presente artigo tem o objetivo de observar quais são as contribuições que o uso do cinema como uma ferramenta didática pode trazer para o processo de ensino aprendizagem através da linguagem midiática na disciplina de história, com turmas do 7º ao 9º anos do Ensino Fundamental da Escola Padre Nóbrega, Santa Maria - RS, e está sendo implementada desde A linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudes perceptivas: solicita constantemente a imaginação e reinveste a efetividade com um papel onde mediação primordial do mundo, enquanto que a linguagem escrita desenvolve mais o rigor a organização 1 Professora de História, Rede Municipal de Ensino de Santa Maria, RS, Mestranda em Educação UNISC, Especialista em História do Brasil pela UFSM, Especialista em Metodologia do ensino da História e da Geografia pela Uninter, Graduada em História Licenciatura Plena pela UFSM, Coordenadora do projeto PACIPEN sediado na E.M.E.F. Padre Nóbrega, Santa Maria, RS e Colaboradora do Projeto Curta Cinema no CE, UFSM. 2 Professora Rede Municipal de Santa Maria, RS. Mestranda em Educação UNISC, Especialização em Mídias na Educação UFSM e Pesquisa FAFRA, Graduada em Estudos Sociais - FIC. 3 Mestranda em Educação UNISC, Pós-graduanda em Educação Infantil - UNINTER.Pós-graduação em Gestão Escolar UNICID. Santa Maria-RS/BRASIL. 4 PACIPEN (Projeto Arte e Cinema no Padre Nóbrega), desenvolvido desde o ano de 2011, na E.M.E.F. Padre Nóbrega, Santa Maria, RS, com alunos do 7º ao 9ºanos seres finais.

2 e a analise lógica (MORAN 1995), por isso a importância do uso do cinema como linguagem para mediar o processo ensino aprendizagem. Para uma melhor compreensão das contribuições do uso didático do cinema no ensino de História, cumpriram-se as etapas de estudo; pesquisa bibliográfica, coleta de documentos, análise dos seus conteúdos e produção a partir da construção do conhecimento com a utilização da linguagem midiática. Compartilhando com a ideia de NAPOLITANO (2003) queremos, discutir não apenas com o professor interessado em iniciar-se no uso do cinema na sala de aula, mas também com aquele que deseja incrementar sua didática, incorporando filmes como algo mais do que ilustração de aulas e conteúdos. As linguagens midiáticas têm sido uma importante aliada no processo de desenvolvimento e assimilação do conhecimento. A utilização das mídias no ensino escolar vem trazendo mudanças nas formas de ensinar e aprender. Com o emprego delas nas instituições educacionais, professores e alunos direcionam novos olhares no campo comunicacional, cada um apresentando performances distintas de apropriação das técnicas de informação e comunicação, incorporando as na prática do dia-a-dia. Sobre isto, JACINSKI e FARACO (2002), ao comentarem especificamente acerca das tecnologias audiovisuais. As próprias tecnologias audiovisuais incorporam-se de tal modo nas relações sociais e na subjetividade que não podem ser encaradas como meras ferramentas, mas como novas linguagens ou novos modos de significar o mundo. A sociedade atual vem passando por profundas transformações, sendo a tecnologia a grande propulsora dessas mudanças. As tecnologias têm proporcionado a democratização do acesso à informação, comunicação entre pessoas de várias localidades e movimentações financeiras, ou seja, estão cada vez mais facilitando a vida dos indivíduos. Atualmente, é raro encontrar alguém que não tenha celular, não acesse a internet (mesmo em lan houses), não possua um aparelho de TV, nunca tenha utilizado os caixas eletrônicos de bancos, utilizado catões de crédito devido à integração das tecnologias ao cotidiano das pessoas do século XXI. Portanto, trabalhar com o cinema em sala de aula é ajudar a escola a reencontrar a cultura ao mesmo tempo cotidiana e elevada, pois o cinema é o campo no qual a estética, o lazer, a ideologia e os valores sociais mais amplos são sintetizados numa mesma obra de arte (NAPOLITANO, 2003). As tecnologias da informação e comunicação, conhecidas como TICs, estão sendo introduzidas na escola como elementos facilitadores do ensino, contribuindo para a sua melhoria. O professor, antes visto como transmissor de conhecimento assume agora o papel de orientador, mediador da aprendizagem, guiando as investigações dos alunos. De acordo com JUNIOR (2008), os filmes são instrumentos mediadores e atuam como representações sobre o passado, empregando elementos imagéticos, discursivos, sociais, políticos e econômicos ocorridos nas disputas que configuraram o contexto histórico da época. Ao refletir sobre a relação cinema-história, NOVA (1996) toma como verdadeira a seguinte premissa: todo filme é um documento, desde que corresponda a um vestígio de um acontecimento que teve existência no passado, seja ele imediato ou remoto. Ainda segundo esta renomada historiadora, ela enfatiza que o cinema, neste sentido, o uso dessas tecnologias em sala de aula é fundamental no processo de ensino-aprendizagem. Entre elas, o filme representa uma linguagem didática sendo colaboradora na construção de conhecimento. No campo educacional contemporâneo, é possível destacar a grande influência das tecnologias. Com o passar dos anos, o processo de ensino-

3 aprendizagem sofreu algumas transformações, além do uso do quadro, giz e livro didático o professor se coloca como mediador que domina as tecnologias, esta é uma exigência no campo da educação para que ele se aproxime da realidade tecnológica da vida cotidiana e de seus alunos. Alguns autores acreditam que a tecnologia está relacionada somente aos aparelhos eletrônicos, mas, no entanto, não basta o professor leva-la para a sala de aula, é necessário saber utilizá-la como uma ferramenta de ensino. Dentre as TICs (Tecnologias da informação e comunicação), que podem ser inseridas no cotidiano escolar, destacam-se o computador, a internet, a televisão, o cinema e o rádio. As pessoas tem a possibilidade de acesso a internet em qualquer lugar através dos celulares, que hoje é um instrumento prático e acessível a todas as classes sociais. Segundo NISKIER (2007) a tecnologia educacional é um instrumento de mediação entre o mundo, o homem e a educação, através do qual o educando pode descobrir ou reconstruir o conhecimento. A necessidade de saber trabalhar com essas tecnologias também é enfatizada por FRANÇA (2007), ao afirmar que a escola pode empregar esses meios para facilitar o processo de ensino-aprendizagem. No entanto, o professor deve conhecer a forma de utilização, pois cada tecnologia tem uma linguagem própria.. Vale ressaltar também que as tecnologias da informação e comunicação são estratégias pedagógicas adicionais, ou seja, não é necessário nem possível utilizá-las em todas as aulas. A tecnologia digital já faz parte do cotidiano do aluno, por isso, os recursos tecnológicos constituem uma linguagem fundamental para tornar as atividades escolares mais dinâmicas e atrativas. Segundo MORÁN (2007) os meios de comunicação audiovisuais, como a televisão, cinema e vídeo, desempenha um papel relevante na educação. Transmitem continuamente informações, mostram modelos de comportamento, ensinam linguagens coloquiais e multimídia, e privilegiam alguns valores em detrimento de outros. A relação cinema e ensino de história a partir da utilização de filmes como recurso pedagógico e linguagem didática contribuem para que os professores ampliem suas práticas educacionais, incorporando-as aos processos de construção do conhecimento histórico. O professor ao utilizar recursos audiovisuais propicia aprendizagens significativas tornando o trabalho mais dinâmico. O educador atento a isso deve propor atividades ligadas à criação, pelos alunos, onde eles representem através da arte e suas diferentes linguagens o resultado do processo aprendizagem. As tecnologias são um material de grande proximidade aos estudantes. Vídeos e cenas são gravadas, executadas, editadas e repassadas com o auxílio de um computador ou de um celular, com uma câmera e a tecnologia bluetooth, sendo colocados em sites de vídeos específicos para este fim, com grande facilidade. Os alunos devem ser conduzidos à percepção crítica do mundo que os rodeia. Portanto, o propósito da discussão é levar a reflexão sobre a complexidade que existe em um filme, considerando-o como mais uma fonte historiográfica e, como tal, submetendo-o a rigorosos procedimentos de análise deixando, assim, de aceitá-lo como verdadeiro. Ensinar a partir do cinema significa provocar o olhar do sujeito, despertar seu senso crítico e estimular seus sentidos com a imagem em movimento.

4 Ao fazer uso do recurso audiovisual nas aulas de História, tornando-a mais dinâmica, a indicação é iniciar com questionamentos, provocações, desafios, apoiando-se nas cenas de um ou mais filmes, organizando as discussões para partir do hoje/momento contemporâneo (com a produção da película e suas questões mais teóricas, envolvendo a História e o Cinema) e atingir o período histórico a ser estudado, representado nas cenas (conteúdo da História). Essa ferramenta didática fará o link com outros materiais para tratar com conceitos históricos importantes. Os alunos devem estar cientes que o filme é uma representação de um local, de uma sociedade, de um modo de vida, de uma época e o estudo que eles irão fazer, servirá para compreender uma sociedade diferente, reconhecendo que esse outro não pensava igual e nem agia do mesmo modo que os deles. As aprendizagens significativas alcançadas pelos discentes serão possíveis com os entendimentos dos processos históricos, resultando nas relações com o mundo de hoje. Muitos destes são fundamentais para dar ao aluno um conhecimento das explicações das possíveis situações enfrentadas no seu tempo. Temas e conceitos associados com a questão do tempo e de sua construção e organização, das fontes históricas e de sua seleção e perduração, da representação das sociedades e dos acontecimentos do passado e do presente devem ser usados como recurso didático. No decorrer do trabalho atentou-se em promover a relação entre debates da História e do Cinema, criando uma metodologia que permitisse levar alguns desses elementos para sala de aula, assim como para o PACIPEN. O professor de História, ao utilizar um filme ou cenas deste, possibilitará, através dos debates sobre os conceitos, fazer os discentes possuírem as conhecimentos básicos para compreender e, se for o caso, criticar e transformar o mundo em que vivem. Após o discente perceber alguns pontos mais específicos sobre a produção dos filmes históricos na escola, ele ampliará seus conhecimentos, aguçando seus sentidos frente ao mundo. O PACIPEN vai além de simplesmente assistir um filme sem discuti-lo como artefato artístico, intelectual, logo subjetivo. O objetivo do projeto é contribuir para que os alunos estejam preparados para o questionamento e não aceitem ou assimilem informações de maneira passiva e não crítica, e é função do projeto criado pelas professoras da disciplina de História e Mídias entre outras coisas, questionar versões prontas e acabadas a respeito do passado. Percebese que é preciso discutir o filme - e não só o conteúdo do filme - como artefato humano, portanto, parcial, subjetivo, comprometido com uma determinada visão de mundo; é preciso situá-lo historicamente, saber em que contexto foi produzido, quem o produziu, quem o dirigiu, enfim, perceber aquela obra como a versão de alguém sobre algo. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Cinema apresentado como uma nova perspectiva para o processo ensino aprendizagem através da linguagem midiática traz consigo elementos facilitadores do ensino e torna o professor um mediador, guiando as investigações dos alunos. A contribuição do uso do cinema como uma ferramenta didática pode proporcionar para o processo uma nova linguagem de aprendizagem histórica.

5 O cinema além de renovar este processo, permitem o desenvolvimento integral do educando, valorizando o seu lado social, emocional, crítico e imaginário, proporcionando a exploração de novas possibilidades de criação, a partir da utilização da linguagem midiática que inicia na sala de aula e estende-se para o PACIPEN. Em relação à utilização do cinema no ensino de História, é indispensável que o indivíduo faça uma leitura crítica dos fatos a partir das imagens do filme, televisão, publicidade, etc., pois elas escondem posturas ideológicas, direcionamentos políticos, valores a serem percebidos pelo observador. O acesso ao conhecimento histórico a partir da linguagem cinematográfica foi possível porque a escola estava equipada, com aparelhos de TV, DVD, datashow e videoteca. Neste espaço, o professor deve assumir o papel de mediador, tornando o aluno sujeito da aprendizagem. Foi constatado ainda que o meio audiovisual pode ser considerado uma das fontes de conhecimento histórico, portanto vale ressaltar a contribuição do uso de filmes no ensino da disciplina de História, pois a linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudes perceptivas: solicita constantemente a imaginação e reinveste a efetividade com um papel onde mediação primordial do mundo, enquanto que a linguagem escrita desenvolve mais o rigor a organização e a analise lógica (MORAN 1995) proporcionando aos educandos realizarem um diálogo crítico com as imagens e representações, construindo conhecimentos e estimulando seus sentidos, enriquecendo o processo ensino aprendizagem a partir da utilização da linguagem midiática. REFERÊNCIAS FRANCO, M.A.; CORDEIRO, L.M.; DEL CASTILLO, R.A.F. O Ambiente Virtual de Aprendizagem e sua Incorporação na Unicamp. São Paulo, SP: Educação e Pesquisa, ano/vol. 29, Nr2, JACINSKY, E.; FARACO, C.A. Tecnologias na Educação: Uma Solução ou um Problema Pedagógico? São Paulo, SP: Rev. Brás. Informática na Educação. Vol. 10, Nr 02, KISKIER, Arnaldo, Tecnologia Educacional. São Paulo, SP: Editora Vozes, MOCELLIN, Renato. História e Cinema: educação para as mídias. São Paulo, SP: Editora do Brasil, MORAN, J. M O vídeo na sala de aula. Revista Comunicação e educação, São Paulo Vl. 1, Nº2, p , Jan /Abr MORAN, J.M, Ensino e Aprendizagem Inovadores com tecnologia, São Paulo, SP: Editora Paulinas, NAPOLITANO, Marcos, Como usar o cinema na sala de aula. São Paulo, SP: Editora Contexto, NOVA, C. O. Cinema e o conhecimento da História. O olho da história Revista O Olho da História, n. 3, Salvador, BA: 1996.

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