Boletim Informativo Ambiental - BIA

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1 Boletim Informativo Ambiental - BIA Direito Ambiental NESTA EDIÇÃO 1 Possibilidade de retorno econômico de projetos REDD desponta como fator decisivo para decisões estratégicas por proprietários de terras 2 Vício pode resultar na anulação da multa aplicada pelo Ibama contra empresa americana voltada à exploração e à produção de petróleo 3 Suspensão dos licenciamentos ambientais na região de Campinas e Paulínia já completou 18 meses sem solução e prejudica empresas 4 Nova instrução deve regulamentar procedimentos para acelerar Termos de Compromisso em Cumprimento às Obrigações de Compensação Ambiental 5 Empresas do setor de cosméticos mostram-se pioneiras em ações de logística reversa e assumem liderança natural no gerenciamento do lixo 6 Conama limita emissões de poluentes em decisão que vai contribuir para a melhoria da qualidade do ar no entorno das indústrias 7 Superior Tribunal de Justiça confirma obrigação do titular da propriedade de recuperar área de reserva legal 8 ONU alerta sobre novo recorde do nível dos gases do efeito estufa em 2010 e a necessidade de buscar tecnologias para evitar aumento das emissões 1 Possibilidade de retorno econômico de projetos REDD desponta como fator decisivo para decisões estratégicas por proprietários de terras O retorno econômico com a conservação de florestas tropicais, em particular para proprietários de terras nos estados amazônicos, a partir de gestão florestal com projetos REDD (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal) e prestação de serviços ambientais - como, por exemplo, biodiversidade -, tende a ser, cada vez mais, importante ponto favorável para a tomada de decisão pela execução desse tipo de projeto por parte desses proprietários.

2 Isso sem que se configure, ressalte-se, impedimento de se implantar nas propriedades operação de manejo madeireiro sustentável em paralelo com a prestação de serviços ambientais. Aos proprietários, a primeira medida fundamental recomendada é a definição de planejamento jurídico envolvendo o diagnóstico dos aspectos legais das propriedades frente aos padrões e metodologias para o enquadramento em projetos REDD, o levantamento de entraves originados de questões fundiárias envolvendo as propriedades e a realização de gestão jurídica ambiental junto aos órgãos competentes para o licenciamento ambiental. Sobre o REDD Em 2007, em Bali, durante a 13ª Reunião das Partes da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP 13), a relevante contribuição das florestas para o combate aos efeitos das mudanças climáticas globais foi reconhecida, tendo surgido o mecanismo conhecido como REDD, que compreende salvaguardas e ações para atingir o objetivo conceitual. A lógica do REDD, em síntese, se baseia na quantidade de CO 2 que determinada área de floresta é capaz de absorver. Converte-se essa quantidade em valor monetário, registra-se e comercializa-se de variadas formas. O REDD+ acrescenta aos objetivos do REDD a realização de esforços direcionados para as ações de conservação e manejo sustentável das florestas e atividades que propiciam o aumento dos estoques de carbono nas florestas nativas. A inclusão de práticas de agricultura em prol do não desmatamento fica enquadrada no REDD++. 2 Vício pode resultar na anulação da multa aplicada pelo Ibama contra empresa americana voltada à exploração e à produção de petróleo A ausência da elaboração de laudo técnico ambiental do incidente pelo Ibama, no caso do vazamento de óleo pela Chevron, deve ser o argumento central utilizado na defesa administrativa da empresa para obter a anulação da multa aplicada, de R$ 50 milhões. A multa aplicada teve como embasamento dispositivos previstos na Lei Federal nº 9.966/2000, conhecida como Lei do Óleo, que dispõe sobre a prevenção, o controle e a fiscalização da poluição causada pelo lançamento de óleo e outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional, bem como o art. 36 do Decreto Federal 4.136/2002, que regulamentou referida lei.

3 Segundo a legislação, considera-se infração o ato de efetuar, via navios ou plataformas com suas instalações de apoio, a descarga de óleo, misturas oleosas e lixo, sem atender determinadas condições, como as exigências previstas no licenciamento ambiental. Para a aplicação de multa fundamentada no artigo 36, é condição a elaboração de laudo técnico ambiental do incidente, com a identificação da dimensão do dano envolvido e as conseqüências advindas da infração, laudo esse que não foi feito pelo Ibama. A companhia petrolífera estaria sujeita à multa prevista no art. 61 do Decreto Federal nº 6.514/2008, que é aplicada em casos que resultem em grande poluição, entendidos como os que possam provocar danos à saúde humana, mortandade de animais ou a destruição significativa da biodiversidade. 3 Suspensão dos licenciamentos ambientais na região de Campinas e Paulínia já completou 18 meses sem solução e prejudica empresas A ausência de Plano de Manejo e de Zona de Amortecimento fundamentaram decisão judicial liminar proferida em junho de 2009, que suspendeu os licenciamentos ambientais de empreendimentos que estejam localizados num raio de 10km da Unidade de Conservação Mata de Santa Genebra, inicialmente, e, posteriormente, de 2km, com a publicação da Resolução Conama 428/2010. Em 23 de agosto de 2011, o Ministério do Meio Ambiente constituiu um Grupo de Trabalho com a finalidade de elaborar ato normativo para regulamentar os arts. 2º, XVIII, 25 e 27, 1º da Lei 9.985/2000, que dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Integram o Grupo de Trabalho a Secretaria de Biodiversidade e Florestas, que o coordena, a Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio. A indefinição da competência legislativa para delimitar a Zona de Amortecimento, somada ao entendimento do Poder Judiciário - especificamente no caso Ministério Público Federal x Fundação José Pedro de Oliveira, ICMBio, Prefeitura de Campinas, Secretaria Estadual do Meio Ambiente, expressado pelo Juízo Federal da 2ª Vara da Justiça Federal de Campinas -, resulta na paralisação de licenciamentos ambientais de mais de 300 empresas, localizadas em Campinas e Paulínia. A adoção de medida judicial por parte dessas empresas, bem como a realização da defesa jurídica de seus interesses junto aos órgãos envolvidos, vêm se mostrando como os meios mais eficazes para a resolução mais célere desse conflito.

4 4 Nova instrução deve regulamentar procedimentos para acelerar Termos de Compromisso em Cumprimento às Obrigações de Compensação Ambiental O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiverdidade (ICMBIO) publicou, no dia 22 de novembro passado, a Instrução Normativa n.º 20, que regula os procedimentos administrativos para a celebração de Termos de Compromissos em Cumprimento às Obrigações de Compensação Ambiental dirigidas a unidades de conservação federais. Referida regulamentação se aplicará aos empreendimentos de significativo impacto ambiental como, por exemplo, as indústrias químicas, petroquímicas e de mineração, que deverão apoiar a implantação e a manutenção de unidade de conservação, em caso de licenciamento ambiental. O empreendedor poderá celebrar Termo de Compromisso para o Cumprimento de Compensação Ambiental por meio de instauração de processo administrativo, que poderá ser pelo ICMBIO, pelo empreendedor ou ainda pelo órgão licenciador. Além disso, a lei também menciona a Certidão de Cumprimento de Compensação Ambiental, a ser emitida pelo Instituto para atestar o cumprimento integral ou parcial de obrigações constantes do termo ou das obrigações de compensação ambiental decorrentes de instrumentos celebrados anteriormente à Instrução. Para cumprimento da compensação ambiental fixada, os empreendedores poderão optar pela execução por meios próprios, por meio de bancos oficiais, ou ainda depositar em contas escriturais de compensação ambiental junto à Caixa. Os empreendedores serão fiscalizados pela Coordenação de Compensação Ambiental quanto à execução do contido nos Termos de Compromisso. Aqueles que, eventualmente, não conseguirem cumprir com as obrigações no tempo acordado poderão apresentar justificativa ao ICMBIO, a fim de que seja concedido novo prazo possível para compensação ambiental. 5 Empresas do setor de cosméticos mostram-se pioneiras em ações de logística reversa e assumem liderança natural no gerenciamento do lixo A lei que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, considerada um dos aparatos mais modernos do mundo neste tema, não foi novidade para a maioria das empresas do setor de cosméticos. Isso porque a legislação pretende aliviar os aterros sanitários, acabar com os lixões, aumentar a reciclagem e promover a inclusão social, mas, devido ao fato de ter tramitado pelo Congresso durante quase 20 anos, já chega antiga para algumas empresas, que se adiantaram na questão de gerenciamento do lixo.

5 A tendência é que, nos próximos anos, as embalagens também passem por inovações para alcançar a diminuição de peso e tamanho e os produtos com refil e material biodegradável estejam mais presentes no mercado. A forma ideal de fazer com que o material reciclável seja mais competitivo é diminuir os impostos. Em 2007, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) liberou R$ 450 milhões para investimentos nas cooperativas, treinamento e compra de aparelhos, mas, até o momento, apenas R$ 40 milhões foram utilizados para essas finalidades, pois são necessárias ainda algumas regularizações e adaptações das empresas do setor de cosméticos às normas vigentes no País. Em agosto passado, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo publicou a Resolução 38 para tratar da questão dos resíduos sólidos e da responsabilidade pós-consumo. Teve como objetivo acelerar o processo, meta para a qual as empresas apresentaram um plano de gestão compartilhado dos resíduos. O setor de cosméticos foi considerado o líder no projeto, em virtude de suas propostas já concretizadas e a demonstração do envolvimento de outros autores. 6 Conama limita emissões de poluentes em decisão que vai contribuir para a melhoria da qualidade do ar no entorno das indústrias Indústrias, refinarias de petróleo e termoelétricas que entraram em operação antes do ano de 2007 serão obrigadas a reduzir emissões de poluentes, no prazo de 5 a 15 anos, de acordo com a atividade. Referida decisão advém da 104ª Reunião Ordinária do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), realizada em 24 de novembro de 2011, que aprovou resolução para preencher a lacuna deixada pela Resolução nº 382. O objetivo é definir os limites de emissão para poluentes atmosféricos provenientes de processos de geração de calor, originalmente projetados para combustão externa de gás natural. Com a execução dessas medidas, haverá redução dos níveis de poluição em áreas diretamente afetadas pelas empresas destes setores, uma vez que as emissões de gases tóxicos, como o sulfúrico, o nítrico e fosfórico serão limitadas e monitoradas, garantindo a qualidade do ar nestas regiões. A partir de agora, o desafio das empresas dos respectivos setores será a adoção de sistema de monitoramente capaz de assessorar a efetividade da resolução. Por outro lado, a adoção das providências terá reflexo direto na modernização e competitividade do parque industrial brasileiro.

6 7 Superior Tribunal de Justiça confirma obrigação do titular da propriedade de recuperar área de reserva legal A Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou o entendimento do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo que afirma que é obrigação do titular atual da propriedade recuperar a área de reserva legal degradada, ainda que esse dano ambiental seja anterior à aquisição do imóvel. O STJ manteve o posicionamento no sentido de preservação da área de reserva legal, resultado de uma consciência ecológica em razão dos efeitos dos desastres naturais ocorridos ao longo do tempo, fruto da degradação do meio ambiente efetuada pelo homem. Prevalece o julgamento de que a obrigação de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel não compreende apenas as propriedades que contenham vegetação nativa, mas também aquelas nas quais a vegetação já foi desmatada, independente da exploração ter sido feita ou não pelo atual proprietário. Essa exigência legal incide sobre a propriedade em si, e configura um dever jurídico que se transfere automaticamente ao novo titular da propriedade, podendo, em consequência, ser imediatamente exigível do proprietário atual, independentemente de qualquer outra indagação. 8 ONU alerta sobre novo recorde do nível dos gases do efeito estufa em 2010 e a necessidade de buscar tecnologias para evitar aumento das emissões De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), os níveis de gases do efeito estufa na atmosfera alcançaram um novo recorde em Houve uma alta de 39% de dióxido de carbono, 158% de metano e 20% de óxido nitroso. A OMM é uma agência da Organização das Nações Unidas e tem por objetivo recolher informações por meio de sua rede de Acompanhamento Atmosférico Global (GAW) para conhecer melhor as alterações que a atmosfera sofre e, portanto, que afetam o clima do planeta. Divulgou-se que entre os anos de 1900 e 2010 houve um aumento de 29% na força de irradiação derivada dos gases do efeito estufa. O grande responsável por esse aumento é o dióxido de carbono (cerca de 80%). O CO 2 é hoje o gás de efeito estufa mais presente na atmosfera e representa cerca de 64% do total das causas de variação no clima.

7 Depois do CO 2, o metano (CH 4 ) contribui com 18% da força de irradiação, um aumento de 158% em relação à era pré-industrial. Este forte aumento se deve principalmente à pecuária, à produção de arroz e à exploração dos combustíveis fósseis. A atividade humana é responsável hoje por 60% das emissões de metano, enquanto o restante procede de fontes naturais, como as terras úmidas. Para que essa situação não se agrave, é necessário o comprometimento dos empresários, na busca pela melhor tecnologia a ser empregada, evitando assim uma emissão abusiva de poluentes. Departamento Ambiental Advogados Responsáveis Luiz Paulo Fazzio Patrícia Morais Nepomuceno Maina Drighetti Suelen Pongelupp Pacecka dos Santos Rua Padre João Manoel, º Andar Cerqueira César São Paulo - SP Tel.: (11) Fax: (11) Rua Padre João Manoel, º Andar Cerqueira César São Paulo - SP Tel./Fax: (11) Av. Dep. Jamil Cecílio, º Andar Sl. 508/ Goiânia - GO Tel.: (62) Fax: (62) SAUS Quadra 5 Bloco K, 17 Sl Ed. OK Office Tower Brasília - DF Tel./Fax: (61)

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