Programa de Pós Graduação em Artes Visuais Universidade do Estado de Santa Catarina

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1 Apontamentos para lembranças Juliana Crispe 1 Programa de Pós Graduação em Artes Visuais Universidade do Estado de Santa Catarina Resumo Este artigo procura considerar fatores que revelam memórias, lembranças, reminiscências, autobiografias e fabulações presentes na minha própria produção visual, baseando-se em um vídeo específico intitulado (i)mobilidade do olhar. Propõe pensar no personagem real, ou seja, personagem de si mesmo, que revela, aponta suas lembranças através de suas produções visuais, tomando como base para criação o processo de recordações e o entendimento sobre os mecanismos da memória. Palavras-chave Memória; fabulação; autor-personagem; infância. Mecanismos da memória e os apontamentos para lembranças: A memória entendida como reminiscência 2, a que nos interessa aqui, consiste na possibilidade de evocar conhecimentos passados, lembranças, e atualizá-las, tornandoas presente. Trata-se da memória como recordação ou lembrança. No livro, Questões sobre memória (2004), Iván Izquierdo, doutor em Medicina e professor titular de Bioquímica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, nos aponta algumas explicações sobre o processo de funcionamento da memória. A memória é aquilo que nos caracteriza como indivíduos. Nosso comportamento é a manifestação daquilo que sabemos, ou seja, daquilo que lembramos. Nossa forma de pensar, de agir, de planejar depende deste processo, formando de nós, seres humanos compostos por arquivos mentais e pela capacidade de atualização dos fatos que vivenciamos. 1 Juliana Cristina Pereira. Pseudônimo: Juliana Crispe. Mestranda em Artes Visuais pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Graduação em Licenciatura em Artes Visuais, 2009, pela UDESC. Graduação em Bacharelado em Artes Plásticas, 2006, pela UDESC. 2 Reminiscência: (latim reminiscentia, -ae, lembrança, recordação) s. f. 1. Faculdade de reter e reproduzir conhecimentos adquiridos. = MEMÓRIA; 2. Lembrança vaga e quase apagada.; 3. Coisa de que se guardou memória inconscientemente. Fonte: Pesquisado em: 20/10/10 1

2 Izquierdo deixa claro que, esse tema, ainda é misterioso, para qualquer estudioso que se arrisque a estudá-lo, seja na área da medicina, ou em qualquer outra área. Podemos entender memória, segundo Ivan Izquierdo, como:...aquisição, conservação e evocação de informações. A aquisição se denomina também aprendizado. A evocação também se denomina recordação ou lembrança. Só pode se avaliar a memória por meio da evocação. 3 A partir desta definição, pode-se compreender a memória como toda atividade mental. Incluindo o aprendizado, o uso do conhecimento e também a evocação e reinvenção do passado. Além da função material da memória, do corpo físico, da aquisição, como visto nos estudos introdutórios de Izquierd, usaremos aqui também a perspectiva filosófica do teórico francês, Henri Bergson ( ). Na obra Matéria e Memória ensaio sobre a relação do corpo com o espírito, publicada em 1896, Henri Bergson busca superar o dualismo matéria-espírito, ao refletir sobre a memória, sendo esta noção de memória a mais importante para o entendimento dos processos artísticos aqui apresentados. Para Bergson é o cérebro que faz parte do mundo material, e não o mundo material que faz parte do cérebro 4, ou seja, Bergson opõe-se ao materialismo. Meu corpo é portanto, no conjunto do mundo material, uma imagem que atua como as outras imagens, recebendo e devolvendo movimento, com a única diferença, talvez, de que meu corpo parece escolher, em uma certa medida, a maneira de devolver o que recebe. 5 Importante distinguir dois tipos de memória: a memória mecânica corporal, aquela que consiste na repetição, funções automáticas, e a memória pura, que consiste de imagens das lembranças e sensações. Como dito anteriormente, esta segunda, é que nos interessa estudar, por ser ela, a responsável pela evocação de certos momentos, que aqui serão estudadas. 3 IZQUIERDO, Ivan. Questões sobre memória Coleção Aldus 19. São Leopoldo RS: Editora Usinos, p BERGSON, Henri. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. Tradução de Paulo Neves, 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p Idem, p.14. 2

3 Essa memória pura, não tem uma localização física definitiva em nosso cérebro. Segundo Bergson, não há e nem pode haver no cérebro uma região onde as lembranças se fixem ou acumulem. A pretensa destruição das lembranças pelas lesões cerebrais não é mais que uma interrupção do processo contínuo através do qual a lembrança se atualiza 6. Ou seja, a memória ainda carrega consigo mistérios inatingíveis pela ciência, não sabemos como esta se aloja em nosso cérebro e nem tão pouco sabemos quais são as fagulhas que provocam sua manifestação para iniciar determinada lembrança. Para Bergson, o que provoca o reaparecimento de certas lembranças a consciência, é a evocação através de algo do presente. Para que uma lembrança reapareça à consciência, é preciso com efeito que ela desça das alturas da memória pura até o ponto preciso onde se realiza a ação. Em outras palavras, é do presente que parte o apelo ao qual a lembrança responde, e é dos elementos sensório-motores da ação presente que a lembrança retira o calor que lhe confere vida. 7 Apesar de vivermos em um mundo coletivo, o sujeito conhece a si mesmo, a partir das suas experiências, da auto-referência, e da experiência deste corpo no espaço. Uma obra construída a partir de lembranças (seja ela escrita ou visual) é carregada de signos pessoais e sensações que nem sempre atinge a quem a olha. A realidade e a ficção se mesclam, e entre elas existe um mundo de experiências que pode ser visível ou invisível. Nosso cérebro age como uma espécie de arquivo destinado a transmitir alguns sinais, não é a vida propriamente espiritual, tão pouco apenas a matéria, mas a junção entre o corpo e o espírito e as relações que este conjunto estabelece que atualiza e configura a memória para além de uma percepção que a torna mais tênue, para um fenômeno essencialmente diferente e provocado pela vivências (ou supostas vivências). Nossas ações provêm de nossa personalidade e nossas ações, o ato do eu, é inteiramente livre e este ato compõe e concretiza em cada um de nós, lembranças distintas entre cada ser. 6 Idem, p Idem, p

4 Quanto a nossas lembranças, é impossível partilhar tudo que nos é visível, individualmente falando, a lembrança será sempre parcial, para nós mesmos (os personagens reais) que a experimentamos e para o espectador, quando a lançamos por meio dos processos comunicacionais (seja através de livros, trabalhos artísticos, filmes, etc.). Através dos processos criativos, nossas lembranças se fazem gestos, e assim, fazemo-nos pensar por meio de criações. Há um jogo presente nos mecanismos da memória entre a visibilidade e a invisibilidade. Ora o que é invisível se torna visível, quando surgem lembranças geradas ao acaso, sem as evocarmos (memória espontânea); e o que é visível, continua a esconder algo, pois a visibilidade de uma lembrança sempre carrega falhas. Sobre essa memória espontânea, Bergson nos releva que esta se esconde por trás da memória voluntária. Essa lembrança espontânea, que se oculta certamente atrás da lembrança adquirida, é capaz de revelar-se por clarões repentinos: mas ela se esconde, ao menor movimento da memória voluntária 8. A memória voluntária é memória consciente, da inteligência, responsável pelos nossos desenvolvimentos motores, pelo conhecimento adquiro, pelos hábitos, como: andar, dirigir, nadar, etc. A utilizamos diariamente em nossas atividades. É também uma memória recente, de um passado próximo, onde os acontecimentos são mais fáceis de rememorar, ela é incapaz de trazer a tona lembranças mais profundas, quem as traz são as sensações presentes que evocam as passadas, fazendo reviver momentos passados, através da memória involuntária. Essa memória involuntária, memória espontânea, é inconsciente. Ela é responsável por registrar os acontecimentos e os evoca através de imagens, sons, olfatos, tatos, gostos, que nos remetem a um passado, trazendo-o novamente. Ela é involuntária, ou seja, não premeditada. Ela imerge do nosso inconsciente e por ela somos invadidos, sendo ela, normalmente, parcial, pois, nem sempre a lembrança ao se manifestar, nos mostra realmente o fato ocorrido. 8 Idem, p.96. 4

5 No movimento entre este dois tipos de memória, emerge um espaço, um entre que se instala no visível e no invisível. Este entre abre espaço para fabulações, ficções, do autor-personagem e para o espectador que também é perceptor. Sobre perceptor, refiro-me aqui ao outro que não é apenas um espectador passivo da obra, mas sim, aquele que se integra a ela, a experimenta, vivencia e que a busca completar com algo de si, mesmo que esta manifestação de participação seja apenas mental (interior), sem manifestações verbais, corporais, gestuais; mas, que de alguma maneira o afeta, o atravessa, e cria um campo de sensações e relações. Esse entre ao qual me refiro é o que está no meio de; no intervalo de; dentro de; especificamente aqui, esse entre se instala na visibilidade e na invisibilidade, esse entre está entre um mundo de significações individuais e coletivas, entre o que se pode ver e o que não se pode ver, o que pode se tocar e o que não se pode tocar. A memória também pode criar situações inexistentes, tornando alguns momentos vivenciados em verdadeiras fábulas, situações imaginadas e configuradas por nós por muito tempo tendem a ser percebidas como verdades. O que se vê está reportado ao mapa do visível, o que o mundo visível não tem alcance, ganha visibilidade através da imaginação. Independente de problemas cerebrais detectados, todos nós temos lapsos de memória, falhas, esquecimentos, e esses, muitas vezes, são completados por ficções que transformamos como verdades, sem ao menos nos darmos conta. O ato de recordar constitui um obstáculo perfurado, feito de vazios, um vazio que nos olha, e em certo sentido nos constitui, nos reinventa. É no vazio que buscamos preencher as coisas. Neste sentindo, o ato de esquecer é tão importante para a memória quanto o ato de recordar, sendo entre o lapso e a ausência que as lembranças se intersectam com a imaginação criando situações fictícias. A invisibilidade também opera como um quadro de pensamentos que cria uma representação do mundo, o que é visível à mim (ao meu eu), em minha imaginação ou experiências individuais, é invisível ao outro, mas pode se tornar visível com possíveis trocas, quando eu entro no espaço do outro através da criação. O trabalho artístico, desta forma, pode capturar olhares, produzir sensações, de mundos singulares que acabam se conectando através desta não ocultação do eu. 5

6 A memória pode ser definida sobre um olhar de um passado, representando o mundo por um novo modo de olhar, um olhar que primeiramente é interiorizado e que traz para o presente o seu significado, de um olhar que se exterioriza através da criação. O tempo das criações que se utilizam da memória, não é nem absolutamente estável, nem muito menos definitivo, está a se fazer a cada instante. Refere-se a uma certa condição espacial, a um lugar que é simultaneamente fixo e móvel, um lugar específico e simultâneo, lugares reais e imaginários, conduzidos pelo tempo/espaço. Sobre o tempo, Gilles Delleuze e Félix Guattari, no livro O que é filosofia, nos dá uma concepção vertiginosa da temporalidade, o tempo como mosaico, composto de fragmentos, começo e fim não formam uma seqüência linear. Tempo é concebido como devir, causado por acontecimentos que se constituem em um entre-tempo e todos os entre-tempos se superpõem. Quando o tempo passa e leva o instante, há sempre um entre-tempo para fazer o acontecimento. É um conceito que apreende o acontecimento, seu devir, suas variações inseparáveis, ao passo que uma função apreende um estado de coisas, um tempo e variáveis, com suas relações segundo o tempo. 9 Os acontecimentos e sua relação com o tempo é o que traz de volta certas lembranças calcadas no real, porém, muitas vezes a realidade independente da temporalidade fica enevoada, cedendo à impressão do passado ininterrupto. A realidade quer desaprender pela reminiscência, olvidar tudo aquilo que, um dia, permeou na memória. Para Bergson o tempo real, aquele vivido pela consciência, sempre se modifica, e esta mudança esta relacionada à própria mudança do ser e sua percepção. Nossa percepção pura, com efeito, por mais rápida que a suponhamos, ocupa uma certa espessura de duração, de sorte que nossas percepções sucessivas não são jamais momentos reais das coisas, como as supusemos até aqui, mas momentos de nossa consciência. O papel teórico da consciência na percepção exterior, dizíamos nós, seria o de ligar entre si, pelo fio contínuo da memória, visões instantâneas do real. Mas, na verdade, não há jamais instantâneo para nós. Naquilo que chamamos por esse nome existe já um trabalho de nossa 9 DELEUZE, Gilles & GUATTARI Félix. O que é a filosofia? Ed. 34, 1992, p

7 memória, e conseqüentemente de nossa consciência, que prolonga uns nos outros, de maneira a captá-los numa intuição relativamente simples, momentos tão numerosos quanto os de um tempo indefinidamente divisível. 10 Essa memória vai além da memória psicológica, retornando em um futuro gerando novos afetos, configurando-se como uma memória que permeia os tempos passado-presente e se constituirá também no futuro, penetram um no outro. Essas lembranças atualizadas através da evocação produzem subjetividades, fazendo com que percorramos um caminho do passado para o presente, da lembrança para a percepção. O passado não é algo que fica retido em um certo tempo, no olhar para trás apenas, ele não passa e o poder de atualizá-lo no presente é o que dá ao tempo a imagem mais próxima da eternidade, ou sua ilusão. (i)mobilidade do olhar Se por muitas vezes temos a ilusão do retorno, e este só é possível pela capacidade de lembrar e esquecer, a memória realiza no ser humano o poder de reativar certas experiências, não vivenciá-las em suas formas reais, mas, atualizá-las e até mesmo transformá-las. O ser humano é dotado de estratégias para que certas lembranças permaneçam. O ponto de partida para essas estratégias vistas aqui nesta pesquisa, serão exploradas através do processo de criação artística. Bergson fala que a vida psicológica do homem é, sobretudo, afetiva, portanto quando há uma carga emocional em determinadas lembranças, elas se fixam mais profundamente na memória. Um conjunto de lembranças que carrega em si o afeto, que se torna presente na experiência quase como um processo onírico é o que gostaria de relatar, através de uma produção videográfica de minha autoria. (i)mobilidade do olhar (2005) evoca imagens da memória, lembranças, recordações transportadas para a linguagem visual da vídeo arte. (i)mobilidade do olhar 10 BERGSON, Henri. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. Tradução de Paulo Neves, 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p.73. 7

8 é um vídeo que olha para um passado imóvel, remoto, cujo tempo não pode ser mudado. A memória busca resgatar esse tempo perdido, trazendo-o para o presente e criando assim possibilidades de torná-lo móvel novamente. Como resultado, vemos fragmentos, pedaços, lugares, muitas vezes silenciosos, destruídos pelo tempo, pela ausência de referência espacial e temporal. Através da imagem videográfica, busca-se transcrever para a matéria os mecanismos da memória, no processo que se constituem algumas imagens mentais de minha infância. As sensações em meio ao passado trazem imagens sem tempo e espaço definidos, onde o espectador é convidado a se inserir através de um olhar imóvel, que procura na imagem o que está por vir. As imagens apresentam transparências, e distorções, criando uma atmosfera em torno das imagens como se fosse uma névoa que se instale e encobre as lembranças, instigando nossa imaginação a preencher os espaços vazios que não podemos perceber. 8

9 Still do vídeo (i)mobilidade do olhar ( ), 9 minutos e 6 segundos, Juliana Crispe As imagens usadas no vídeo são fotografias de acervo familiar. A sensação de movimento conferida às imagens fotográficas, foi alcançada através do movimento de uma pedra posicionada em frente a lente da câmera, conferindo atmosfera onírica à sequência de fotografias. O vídeo se constitui da apropriação e resignificação de fotos antigas que registram a vida de minha avó paterna, Lia, desde sua infância até o momento de sua morte, juntamente com imagens de seus familiares e fotografias minhas com a idade de 13 anos, quando esta veio a falecer. Estes fragmentos de um arquivo íntimo e pessoal, recontextualizados no trabalho artístico, se transformam em um novo arquivo, íntimo e público ao mesmo tempo. Assim sendo, as imagens presentes no vídeo, me jogam para o tempo e espaço da infância, onde um mundo de significações e afetos foi construído e continua presente, marcado por um dos principais personagens reais presente em minha vida, ela, Lia, que impulsiona para muitas das criações e imaginações produzidas por minhas lembranças. As imagens no vídeo simbolizam o local de passagem entre dois estados, entre dois mundos, entre o conhecido e o desconhecido, entre o corpo e o espírito, recriam o exercício constante da memória, os reflexos que se abrem. Os mecanismos da memória são capazes de gerar infinitas sensações, produzir estímulos externos e internos, reconstruir possibilidade ilusória a partir do real, na tentativa de capturar o que já não é mais visível, muito menos palpável. Os lugares e pessoas estão lá, como um instante 9

10 eterno, mas que não se pode mais tocar. A memória é parcialmente resgatada, mas, também mostra seu esquecimento, revelando a impossibilidade de se recordar completamente. Apropriando-me de álbuns de família, pude traçar uma passagem de alguém levado pela morte. A seqüência de imagens no vídeo assemelham-se a imagens de ultrasonografia, mas ao invés de dar visibilidade a um feto em desenvolvimento, revela imagens associadas à morte, um misterioso destino comum a todos, evocando uma espécie de visão interior e subjetiva, que acrescenta e suprime informações, que reconstrói e recria a memória. Trata-se não da morte propriamente dita, mas sim da lembrança infantil, que resgata na memória certos momentos que foram perdidos no tempo, transformando-os ao relembrá-los. Roland Barthes, no livro Câmara Clara: nota sobre a fotografia (1984) dá à fotografia a propriedade de tentar reconstruir aquilo que já se foi. A Fotografia não fala (forçosamente) daquilo que não é mais, mas apenas e com certeza daquilo que foi. Essa sutileza é decisiva. 11 Busca-se no vídeo também a tentativa de reconstruir e reconhecer a identidade do ser, como nos recursos e processos da fotografia através da construção das imagens. Para Henri Bergson, a imagem é o meio de caminho entre o concreto e a representação, pois a representação do objeto está muito além da imagem:...a imagem retida ou rememorada não chega a cobrir todos os detalhes da imagem percebida, um apelo é lançado às regiões mais profundas e afastadas da memória, até que outros detalhes reconhecidos venham a se projetar sobre aqueles que se ignoram. 12 Muitos artistas se utilizam de arquivos, de registros já existentes, dando-lhes novas configurações, trazendo a essas imagens novos usos e significados. A fotografia e o vídeo abrangem muitos paradoxos, que permitem explorar formas de fazer visível o que se tem na lembrança, jogando com sensações contraditórias, de ausência e presença, 11 BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. Tradução de Júlio Castañon, 2. ed. Rio de Janeiro : Editora Nova Fronteira, 1984, p BERGSON, Henri. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. Tradução de Paulo Neves, 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999, p

11 o permanente e o transitório, recordações e esquecimentos, o eterno e o efêmero, o público e o privado. As lembranças, fragmentos de imagens, retornam sempre como fantasmas que percorrem o labirinto do ser e trazem de volta imagens quase perdidas. A linguagem fotográfica e videográfica servem muitas vezes como suporte para registrar essas lembranças para que não caiam no esquecimento, retendo a imagem, garantindo sua permanência. Jean Baudrillard ( ) fala sobre a criação da imagem: Criar uma imagem consiste em ir retirando do objeto todas as suas dimensões, uma a uma: o peso, o relevo, o perfume, a profundidade, o tempo, a continuidade e, é claro, o sentido. A custo dessa desencarnação, desse exorcismo, a imagem ganha esse fascínio, a mais, essa intensidade, torna-se o medium da objetalidade pura, torna-se transparente a uma forma de sedução mais sutil. 13 Esse poder de sedução da imagem é a permanência, além da estética. O ser humano percebe as ações das imagens exteriores e as isola numa espécie de enquadramento, guardando ou ignorando o que não interessam, realizando sempre modificações produzidas pelo corpo. Criar imagens como meio para repensar as recordações do passado e a ordenação das lembranças acaba sendo uma estratégia para o não esquecimento e um meio de sedução. Assim, a memória cria e recria imagens a todo o momento. O distanciamento entre passado e o presente, a temporalidade implicada na imagem videográfica e fotográfica, é onde se impregnam de ficção nossas recordações, buscadas no passado, mas carregadas de impressões presentes. Este vídeo, (i)mobilidade do olhar, foi apresentado na mostra à deriva, no dia 1º de julho de BAUDRILLARD, Jean. A arte da desaparição. Tradução Anamaria Skinner. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997, pg Com curadoria de Silvana Macedo, a exposição efêmera reuniu 18 trabalhos em vídeo, propostos por 24 artistas: Carolina Nunes, Janaína Zunino e Letícia dos Santos; Clara Vieira, Eduardo Vidal e Rodrigo Born; Cláudia Washington e Lúcio de Araújo; Coletivo Arte na Periferia; Daniel Yencken; Fabíola Scaranto; Francini Gaspolini Zimmermann; Iam Campigotto e Sérgio Beck; Janice Martins Sitya Appel; Juliana Crispe; Karina Zen; Lílian Babron; Maria Araujo; Maria Ivone dos Santos; Meg Tomio Roussenq; Nicole Lima; Pamella Queiroz; Roberta Tassinari. 11

12 Esta mostra foi realizada como intervenção no contexto urbano no centro Florianópolis, na qual as imagens foram projetadas da Fundação Cultural Badesc, sobre a fachada lateral do edifício do Flop Florianópolis Palace Hotel. As projeções foram visíveis para o público do museu, para os transeuntes e moradores próximos ao hotel Flop. O interessante nesta apresentação é a situação criada, entrando no espaço urbano e nas variações de deriva. Estes vídeos trabalharam com a proposição de deriva 15, baseado nos conceitos situacionistas. Porém, além das deambulações entre o espaço urbano, tema encontrado na maioria dos vídeos desta mostra, outros exploraram a deriva de uma maneira mais subjetiva, com uma deriva do pensamento, como devaneio poético, e no caso do vídeo apresentado por mim, uma deriva que vagueia sobre o movimento de lembranças, num caminhar na memória. A memória saboreia o tempo, busca a imagem como uma repetição do pensamento, um movimento de palavras, ações, gestos, reminiscências, um eterno regressar. A partir da memória consciente de um corpo que filma o próprio movimento, que desenha a existência, há uma realização temporal em que o eu compreendido é um rasto da viagem percorrida. Baudrillard fala que:...a realidade não é nunca senão um mundo encenado A diferença entre o real e a ficção é algo sutil e muitas vezes imperceptível. 15 Para os situacionistas, a deriva é um modo de comportamento experimental ligado às condições da sociedade urbana: técnica de passagem rápida por ambiências variadas. Diz-se também, mais particularmente, para designar a duração de um exercício contínuo desta experiência. 16 BAUDRILLARD, Jean. A arte da desaparição. Tradução Anamaria Skinner. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1997, pg

13 (i)mobilidade do olhar ( ), 9 minutos e 6 segundos, Juliana Crispe Neste trabalho o pensamento passa a ser uma cartografia do tempo e do espaço e a lembrança, a espessura que traz novamente lugares e pessoas. Todos os tempos são espaços memoriais, mas, o tempo presente é o tempo improvável, de uma cartografia afetiva. A memória age no vídeo como uma ponte entre o momento já vivido e o momento do processo de criação agenciada pelo passado. Referências bibliográficas BARTHES, Roland. A câmara clara: nota sobre a fotografia. 2. ed. Tradução de Júlio Castañon, Rio de Janeiro : Editora Nova Fronteira, BAUDRILLARD, Jean. A arte da desaparição. Tradução Anamaria Skinner. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, BERGSON, Henri. Matéria e memória: ensaio sobre a relação do corpo com o espírito. 2. ed. Tradução de Paulo Neves, São Paulo: Martins Fontes, BOURGEOIS, Louise. Destruição do pai / reconstrução do pai. Tradução: Álvaro Machado e Luiz Roberto Mendes Campos. São Paulo: Cosac Naify, DELEUZE, Gilles & GUATTARI Félix. O que é a filosofia? Tradução de Bento Prado Jr. E Alberto Alonso Muños, 2. e (3º Reimpressão 2004). Rio de Janeiro: Ed. 34,

14 IZQUIERDO, Ivan. Questões sobre memória Coleção Aldus 19. São Leopoldo RS: Editora Usinos, KOURY, Mauro Guilherme Pinheiro. Imagem e memória. Rio de Janeiro: Ed. Garamond,

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