ÍNDICE. Introdução 4. II. Métodos, técnicas e percursos de pesquisa 20

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2 ÍNDICE Introdução 4 I. Pobreza e exclusão social no concelho de Braga O estado da questão Pressupostos, objectivos e metodologia Pobreza e exclusão social: concepção de síntese Pobreza e desigualdades sociais Enquadramento, objectivos e plano de trabalho 15 II. Métodos, técnicas e percursos de pesquisa 20 III. Dados estatísticos sobre o concelho de Braga Localização, estrutura e dinâmica demográfica: Estrutura etária da população Mais alguns indicadores demográficos População residente segundo níveis de instrução População e analfabetismo População e níveis diferenciados de escolaridade População, cultura e património Economia e desemprego Actividades económicas por sectores População empregada/desempregada Desemprego e modalidades de desemprego Alguns indicadores de bem-estar e qualidade de vida Saúde: infraestruturas, equipamentos e recursos humanos Segurança social e instituições de solidariedade social Outros indicadores de (falta de) bem-estar 50 IV. Pobreza e exclusão social no concelho de Braga: o olhar institucional Instituições: enquadramento, estruturas e recursos humanos Recursos humanos e técnicos Área geo-social de intervenção e valências Grupos vulneráveis: necessidades e problemas sociais Representações sociais sobre grupos sociais mais vulneráveis Avaliação e colaboração interinstitucional Sustentabilidade financeira, representações sociais e viabilidade sócio-política Modos e fontes de financiamento Intercâmbio e colaboração interinstitucional 80 1

3 V. Pobreza e exclusão social no concelho de Braga: o olhar dos actores sociais Caracterização da amostra Género Nacionalidade Idade Estado Civil Grau de instrução Profissão Tipo de agregado familiar Problemas de saúde e/ou deficiência Situação da amostra face ao des(emprego) Condição social Descontos Vínculo Laboral Duração do desemprego Tentativas de encontrar emprego Tipos de alojamento e condições de habitação Alojamento actual Condições de habitação Cálculos familiares: receitas e despesas Rendimento mensal Poupança mensal Destino das Poupanças Recurso a empréstimos Lazer e tempos livres Actividades dos Tempos Livres Vida associativa e tempos de cultura Associativismo Recenseamento Representações sociais da pobreza e exclusão social Responsabilidade pelo combate à pobreza Responsabilidade pela pobreza Desigualdades sociais Necessidades e problemas identificados no concelho de Braga Principais necessidades identificadas Principais problemas identificadas 112 VI. Pobreza e exclusão social no concelho de Braga: o olhar das Comissões Sociais Identificação dos problemas pelas Comissões Sociais 115 2

4 VII. Recursos e potencialidades do concelho de Braga Equipamentos e respostas da acção social por freguesia Equipamentos e respostas da acção social lucrativos Listagem de amas por freguesia Famílias de Acolhimento Plano Municipal de Prevenção Primária das Toxicodependências do Concelho de Braga Equipamentos sociais de resposta à toxicodependência Centro de Atendimento a Toxicodependentes Infraestruturas para tratamento e recuperação de toxicodependentes Equipamentos Educativos Estabelecimentos de ensino pré-escolar e 1º ciclo Estabelecimentos de ensino 2º ciclo, 3º ciclo e secundário Identificação das associações no concelho de Braga Tipo de associações do concelho de Braga Associações juvenis Caracterizações sociais efectuadas e em curso no concelho de Braga Projecto de redução de danos e minimização de riscos estudo do CAT e CVP Braga Caracterização dos utentes que frequentaram o CAT de Braga de Caracterização da população utente do Instituto de Reinserção Social Formas de Pobreza Feminização da Pobreza Pobreza absoluta e exclusão Características dos indivíduos sem abrigo Caracterização dos bairros sociais do concelho de Braga Caracterização das Juntas de Freguesia do concelho de Braga Estudos e relatórios existentes no concelho de Braga Projectos e acções em curso no concelho de Braga 198 VIII. Conclusões finais 203 IX. Siglas 208 X. Bibliografia 209 3

5 INTRODUÇÃO A melhoria das condições de vida e de integração dos grupos sociais mais atingidos pela pobreza e exclusão social é, na actualidade, uma das grandes preocupações, tanto dos Estados Membros da União Europeia e dos Governos dos respectivos países, como das organizações locais (Autarquias, Instituições Particulares de Solidariedade Social, Organizações não governamentais e outras ). De há uns anos a esta parte elevam-se objectivos e políticas sociais, inclusivamente activas para combater problemas sociais relacionados com a pobreza e a exclusão social, constatando-se na realidade, que neste domínio não se tem obtido uma grande melhoria. Ainda que a pobreza no dealbar do novo milénio parecesse dar sinais de diminuição em Portugal (Eurostat, 2001), na actualidade, continuam a persistir situações de desigualdade e de exclusão social, mormente com o aumento gravoso do desemprego e do custo de vida e a consequente perda do poder de compra de muitos grupos sociais. A questão grave que se coloca é da persistência ou possível agravamento destas situações as quais podem provocar e/ou favorecer a intensificação da pobreza, o alargamento dos grupos marginais ou socialmente desfavorecidos com todos os problemas sociais que tal situação acarreta. No enquadramento da Resolução do Conselho de Ministros nº 197/97 de 18 de Novembro, o programa Rede Social visa descentralizar e comprometer no combate à pobreza e à exclusão social, a nível local, o conjunto da sociedade, atribuindo, sobretudo, uma maior responsabilização às Autarquias Locais na implementação de políticas sociais activas capazes de intervirem na actual situação. Espera-se que, sem a criação de novos organismos, nem aumento significativo de despesas, se fomente a solidariedade social, se optimizem as diferentes capacidades de resposta e se adaptem, com base nessa dupla dinâmica, as novas medidas de política social que se vão tornando necessárias e possíveis. A Rede Social poderá contribuir decisivamente para a consciência pessoal e colectiva dos problemas sociais, para activação dos meios e agentes de resposta, para as inovações recomendáveis nos modos de agir e ainda, para promover o desenvolvimento social local. Em suma, trata-se de criar um modelo de co-responsabilidade e de gestão participada, no combate à pobreza e à exclusão social, com base territorial. 4

6 A Câmara Municipal de Braga empenhada na concretização deste Programa, anuindo a um trabalho de parceria e de intervenção local, reconhece e promove a participação e articulação de todas as forças locais interessadas em resolver os problemas existentes de forma ajustada às situações reais dos indivíduos, das famílias e dos vários grupos sociais. Neste sentido, em Abril de 2002, a Câmara Municipal de Braga apresentou uma candidatura à Tipologia do Projecto Rede Social para o Desenvolvimento, do eixo 5 do Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social do III Quadro Comunitário de Apoio (QCAIII) a qual foi aprovada e é tutelada pelo Instituto de Solidariedade e Segurança Social (ISSS). A este Instituto incumbe a responsabilidade de implementar o Programa da Rede Social designadamente, mobilizar, dinamizar e garantir o seu pleno desenvolvimento ao nível local. Com a constituição do Conselho Local de Acção Social (CLAS) em 26 de Setembro de 2002, à qual aderiram nessa fase 55 entidades, foi aprovado o seu Regulamento Interno. Actualmente, são trezentas as entidades que participam na Rede Social, sendo que 95 compõem aquele órgão (cf. anexo I). Para organizar e operacionalizar o funcionamento do CLAS foi constituído o seu Núcleo Executivo o qual presentemente é composto pelas seguintes entidades: Câmara Municipal de Braga, Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Braga, Instituto de Estudos da Criança da Universidade do Minho, Bragahabit, Junta de Freguesia de Frossos, Junta de Freguesia da Sé, Associação Amigos da Terceira Idade de Palmeira, Casa do Povo de Tadim, Associação de Solidariedade de Santiago de Fraião, NÓS - Associação para o Desenvolvimento, Sempre a Crescer - Cooperativa de Solidariedade Social. No sentido de se obter rigor e cientificidade na elaboração do Diagnóstico, considerou-se inicialmente a necessidade de uma assessoria técnica com a Universidade do Minho. Assim, foi estabelecido um protocolo entre a Câmara Municipal de Braga e o Departamento de Sociologia, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. Este trabalho decorreu sob a orientação dos professores Maria Engrácia Leandro e Manuel Carlos Silva. Perante o presente documento e, em síntese, parecem abrir-se para o concelho de Braga novas perspectivas de intervenção dos vários parceiros sociais em torno de objectivos comuns: o combate à pobreza e à exclusão social numa perspectiva do 5

7 desenvolvimento social do Concelho. O projecto de implementação da Rede Social terá que se consolidar agora em novas práticas de articulação e novos modelos de cooperação, continuando a imprimir uma intensa dinâmica o equacionar e transformar essas perspectivas em oportunidades de transformação dessa realidade, num esforço de tornar a sociedade local activa, socialmente justa e menos desigual. O presente trabalho após nota introdutória estrutura-se da seguinte forma: I. Parte: Inicia-se com uma reflexão acerca das grandes questões políticas, sociais, económicas e conceptuais que envolvem a pobreza, a exclusão social e as desigualdades sociais. É ainda referido o enquadramento, os objectivos e plano de trabalho do estudo realizado. II. Parte: são aqui definidos os objectivos, metodologias e técnicas, de recolha de informação para a construção do diagnóstico. III. Parte: apresenta-se um conjunto de informações estatísticas sobre o concelho de Braga que visa a sua caracterização, tendo em conta o seu enquadramento geográfico, as principais dinâmicas demográficas, económicas, sociais e culturais, a situação perante o (des)emprego e as características do tecido económico, as estruturas e indicadores de saúde da sua população e indicadores de bem-estar e qualidade de vida. IV. Parte: com base nos dados recolhidos e nos resultados dos inquéritos aos diversos agentes sociais com intervenção social no Concelho de Braga, identificaram-se e caracterizaram-se os sectores de maior incidência da pobreza e da exclusão social. V. Parte: a partir do olhar dos próprios actores sociais individuais, são apresentadas as representações da população bracarense sobre a pobreza e a exclusão social. Daqui decorrem várias pistas para a intervenção social que, em muitos aspectos, coincidem com outras já sugeridas pelos trabalhos anteriores. VI. Parte: Dando primazia ao local como espaço privilegiado de desenvolvimento de processos participativos propiciadores do desenvolvimento social, apresentam-se os problemas sociais por Comissões Sociais de Freguesia e Comissões Sociais Inter- 6

8 Freguesias, contribuindo com um novo olhar sobre as questões de pobreza e exclusão social. VII. Parte: Identificam-se os recursos e potencialidades existentes no Concelho desde os equipamentos sociais, educacionais, culturais, recreativos e desportivos, bem como caracterizações sociais, estudos, projectos e acções efectuados ou em curso no Concelho de Braga. VIII. Parte: finalizamos com as conclusões do trabalho desenvolvido e, tendo em conta os resultados obtidos, tanto a nível do trabalho de campo, como de outras formas de pesquisa, incluindo algumas pistas de intervenção. Integra-se ainda aqui a bibliografia e uma lista das siglas utilizadas ao longo do trabalho. 7

9 I. POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL NO CONCELHO DE BRAGA 1.1. O estado da questão O concelho de Braga sofreu, ao longo das últimas décadas, profundas transformações demográficas, sociais, económicas, políticas e culturais que tornaram a sua morfologia não só física e socio-económica como cultural e política bem diferente. Para tal concorreram as mudanças políticas nomeadamente desde o 25 de Abril, bem como o desenvolvimento de forças produtivas e, do ponto de vista dos agentes económicos e sociais, um considerável dinamismo graças à confluência de diversos factores de atracção urbana, em termos de actividades industriais e de serviços. Esta conjugação de factores fez afluir ao concelho e sobretudo à cidade de Braga migrantes internos e externos, além dos estudantes provindos da região minhota e doutras paragens do país para estudar na Universidade Católica e sobretudo na Universidade do Minho. Com os fluxos de capital, da força de trabalho e a circulação da população estudantil não só têm aumentado os postos de trabalho como bastantes dos novos residentes imigrantes e ex-estudantes acabam por fixar-se e, deste modo, contribuir para o desenvolvimento do concelho e, em particular, da cidade de Braga. Numa palavra, não obstante haver alguns focos da tradicional emigração, sobretudo a partir das zonas rurais do concelho (M. E. Leandro, 1995), Braga mantém um saldo demográfico positivo. As estruturas demográficas têm vindo a caracterizar-se por elevadas taxas de população jovem, embora essa tendência de rejuvenescimento populacional na última década se tenha algo esbatido, sofrendo também o relativo decréscimo de natalidade. Apesar desta contratendência, o saldo é, no entanto, positivo, uma vez que, segundo os Censos de 2001, a população abaixo dos 14 anos supera ainda bastante a população acima dos 65 anos: versus Braga-cidade que é apontada como a terceira cidade do país conhece contudo situações de pobreza e exclusão social, como veremos. Porém, se estendermos o olhar sobre o concelho, tal imagem ainda é mais marcada e visível que contrasta com outra Braga rica, luxuosa ou até opulenta. Não só do ponto de vista económico, como sobretudo do ponto de vista social, estamos perante a emergência duma sociedade bracarense dual que corre a duas velocidades e, como tal, é e com justeza deve ser objecto de preocupação 8

10 por parte das instituições e dos cidadãos. Os traços desta dualidade estão patentes nos últimos dados disponíveis: rejuvenescimento do meio urbano e envelhecimento de algumas freguesias rurais; bastante mão-de-obra local sem qualificação e, simultaneamente, apelo a mão-de-obra externa mais qualificada, sem que se valorize a própria força de trabalho em termos remuneratórios; culturas tradicionais rurais e até urbanas que coexistem, com alguma dificuldade, com outras culturas mais conectadas com a modernidade avançada; zonas urbanas muito bem equipadas em contraste com outras subapetrechadas em termos de infraestruturas de toda a índole, designadamente ao nível dos bairros sociais. Esta dualidade geo-social é ela própria resultado e sintoma da grande disparidade social inerente não só a determinados desequilíbrios espaciais, como sobretudo a disparidades sociais, em que sinais de riqueza e até ostentação convivem lado a lado, como referimos, com expressões gritantes de pobreza e exclusão social, fenómeno aliás não específico de Braga. Ou seja, à concentração de riqueza por parte dalguns grupos sociais uns já longamente instalados, outros emergentes nas últimas décadas opõe-se em contraste flagrante um nível de vida bastante baixo por uma parte considerável de cidadãos bracarenses. Os últimos estudos nomeadamente os levados a cabo pela Associação de Desenvolvimento Regional do Vale do Cávado (ADRVC) revelam que, em geral, o nível de vida no distrito de Braga é cerca de 1/3 do nível de vida médio nacional ou mesmo do Grande Porto. Vários indicadores demográficos, económicos e sociais dão conta não só da situação de (semi)periferia de Braga em relação não só aos países e regiões centrais mas também em relação às cidades mais centrais do país, tal como Lisboa ou Porto. Particularmente em zonas rurais periféricas, tais situações, em relação à deficiência ou insuficiência de infraestruturas e equipamentos de vária ordem, são ainda observáveis. Não basta, porém, ficar-se por simples referências impressionistas. Importa conhecer in loco e avaliar até que ponto persistem situações de subdesenvolvimento, de pobreza e exclusão social. Por isso, as primeiras questões que se colocam são as seguintes: Qual o lugar da cidade e do concelho de Braga no quadro da região do Minho, quer em relação aos indicadores médios do país, quer em relação a outros concelhos da região? Em que medida é que a posição de desenvolvimento intermédio, próprio da economia e sociedade portuguesa, é também visível no concelho de Braga? E por fim mas não 9

11 menos importante - em que medida o concelho de Braga conhece situações de pobreza, senão absoluta, pelo menos relativa, e de exclusão social? Não sendo possível no quadro da actual modelo de desenvolvimento desigual a nível mundial, nacional e regional-local, erradicar as desigualdades sociais, a questão que se coloca no horizonte de curto e médio prazo é o de saber em que medida e através de que meios é possível e exequível minorar e diminuir os fossos de desigualdade, os níveis de pobreza e exclusão social, em especial no acesso a infraestruturas, equipamentos, bens e serviços disponíveis às populações, nomeadamente do concelho de Braga. A partir deste breve e sucinto relance introdutório ao concelho de Braga no contexto regional, pretendemos nas rubricas subsequentes reunir alguns elementos para elaboração do relatório visando a identificação dos problemas e carências sociais do concelho. Este relatório enquadra-se também num plano de pesquisa sobre a pobreza e exclusão social no concelho de Braga, o qual, por sua vez, se integra num Plano Local de Desenvolvimento que, sem deixar de ter em conta os constrangimentos e bloqueios internos e externos, procure, por um lado, desenhar algumas potencialidades e fragilidades da situação e, por outro, potenciar e articular em rede as diversas instituições públicas e privadas sem fins lucrativos no combate à pobreza, à exclusão social e às desigualdades sociais Pressupostos, objectivos e metodologia Neste relatório deixamos de lado o tratamento dos modelos teóricos e seus pressupostos sobre a pobreza e a exclusão social para lhe fazermos uma ligeira referência através de uma breve incursão sobre o problema e de uma explicitação dos conceitos de pobreza, exclusão social e desigualdades sociais. Para além dos diferentes paradigmas e independentemente do significado e alcance atribuído, consideramos que a pobreza e a exclusão social constituem realidades sociais que, salvo para os liberais mais ortodoxos, constituem preocupações crescentes de grande parte dos teóricos e dos próprios políticos desde os reformistas ou reformadores sociaisdemocratas aos marxistas e outras correntes críticas. Trata-se de realidades nefastas ou disfuncionais a que importa fazer face, pelo menos nas suas manifestações mais flagrantes, socialmente injustas e violentas. 10

12 1.3. Pobreza e exclusão social: concepção de síntese Até aos anos oitenta era habitual a designação de países ou regiões pobres e países ou regiões ricas, do mesmo modo que se atribuía o qualificativo de pobres a pessoas ou grupos de pessoas que não possuíssem os meios e bens necessários para adquirir o mínimo de calorias indispensáveis à sobrevivência. Esta terminologia, ainda que imprecisa e bastante descritiva, era também utilizada na comparação dos níveis de vida entre países/regiões e grupos sociais nomeadamente em torno dos fossos de desigualdade social existentes entre, por um lado, o Primeiro Mundo e o Segundo Mundo, respectivamente os países capitalistas ocidentais e os países ditos socialistas do Leste Europeu, e os países e regiões do Terceiro Mundo da África, Ásia e América Latina com os seus níveis de pobreza relativa e absoluta. Pobreza é um fenómeno multidimensional que pode ser definido e analisado de diversos pontos de vista: (i) o enfoque biológico em torno da sobrevivência, o qual, enquanto conceito meramente descritivo, implica a assunção de um conjunto nutricional mínimo de bens ou calorias sem o qual uma pessoa é considerada pobre em termos absolutos por não conseguir sobreviver sem esse mínimo vital (pobreza absoluta) ou apenas sobreviver com rendimento abaixo de metade do rendimento médio nacional (pobreza relativa) (M. Drulhe, 1996; 2001); (ii) o enfoque com base no conceito de privação relativa, o que implica relacionar as situações dos pobres com os sistemas de desigualdade social, ou seja, confrontar as situações dos pobres com os não-pobres (G. Simmel, 1998; S. Paugam, 1997); (iii) uma concepção cultural de pobreza que, em contraponto com a concepção objectiva e socio-económica, releva sobretudo as representações, os hábitos e os sentimentos dos próprios pobres face à sua situação de pobreza e privação (cf. B. da Costa 1985, Lewis 1970). O conceito de pobreza manteve-se e mantém-se, sendo utilizado indiferentemente por diversos quadrantes políticos e ideológicos, ainda que com posicionamentos e perspectivas diferenciadas. A própria Comunidade Económica Europeia adoptava esta terminologia nomeadamente ao baptizar deste modo os sucessivos Planos de Luta contra a Pobreza, os quais deram lugar a experiências relevantes constitutivas de reflexão no arranque e no percurso dos projectos (Torres et al 1993). No entanto, foram alguns países europeus nomeadamente a Alemanha que, partindo do pressuposto ideológico de que sociedades ditas da abundância e do progresso como as ocidentais não poderiam albergar no seu seio 11

13 situações de pobreza e, por isso, aplicar o conceito de pobreza e de pobres a estes países seria à primeira vista um contra-senso. Foi neste contexto e nesta óptica que o termo exclusão social veio substituir o de pobreza, sendo mesmo apresentado o conceito de exclusão como uma espécie de patente do modelo social europeu, cuja política visaria eliminar não só a pobreza como as várias formas de exclusão social, embora a primeira diga respeito a uma situação económica e a segunda a uma ruptura com o laço social (S. Paugan, 1995). A exclusão social é vista como algo resultante da dinâmica de um sistema pregnante de riscos (U. Beck, 2001), imprevisibilidades e incertezas, sem que se pretendam descortinar as causas e a natureza do referido sistema: o sistema capitalista, uma designação que se evita ou eufemisticamente se substitui pelo termo de modernidade tardia ou, mais recentemente, pelo conceito de globalização. A retórica ideológica em torno da exclusão social contagiou e até contaminou os discursos teóricos, políticos e correntes do quotidiano, de modo que praticamente banalizou-se ao ponto de se pressupor tratar-se de um nova linguagem associada a uma estratégia de combate à exclusão social. Ora, de facto, não só a realidade da exclusão social é bem antiga e presente ao longo dos diversos modos de produção na história até ao presente como a própria conceptualização em torno da exclusão social é também ela própria tributária dos fundadores e teóricos clássicos da Sociologia, em particular das abordagens que se reivindicam das tradições durkheimianas, do legado weberiano e da abordagem (neo)marxista, tal como Silva (2001, 2003) o demonstra e desenvolve num texto sobre as desigualdades sociais em Portugal e sobretudo no relatório da disciplina Solidariedade e Exclusão Social. Em forma de síntese, se para a tradição (neo)durkheimiana a exclusão social representa a perda ou ruptura do laço social e moral de determinados indivíduos ou grupos em relação ao todo sociétal e para os (neo)weberianos exclusão significa o processo de fechamento ou de usurpação com o subsequente afastamento dos demais actores sociais na posse e no controlo de recursos e recompensas, para os (neo)marxistas a exclusão retém um significado mais amplo na medida em que excluídos seriam todos aqueles que, em maior ou menor grau, estão desprovidos do controlo dos meios de produção e das formas de poder institucional. Feita esta breve introdução ao conceito e suas diversas interpretações, a discussão teórica em torno do conceito de exclusão social não será aqui desenvolvida por não ser estritamente necessária para levar a cabo o Programa da Rede Social, o qual tem uma forte componente pragmática no processo de investigação-acção e de intervenção social. Este 12

14 programa, independentemente das diversas visões teóricas e ideológicas e para além dalgumas críticas que se lhe poderiam fazer, apresenta um abrangente denominador comum, cujas vertentes sociais e políticas são de tal ordem relevantes que merecem o máximo de concentração de esforços e a mobilização de sinergias em face dos problemas graves da velha e da nova pobreza e exclusão social. O móbil nuclear da motivação e da mobilização dos responsáveis políticos, dos técnicos e dos demais cidadãos deverá residir na fundamental razão de ser da Rede Social: os próprios pobres e socialmente excluídos e, por conseguinte, vítimas de desigualdades sociais que são, por vezes gritantes, nas sociedades do luxo, da abundância e do esbanjamento para uns e da sobrevivência, das privações e da miséria para muitos outros Pobreza e desigualdades sociais Um dos dados relevantes do último inquérito, prosseguido na fase do diagnóstico, tem que ver com a associação que os inquiridos - independentemente da sua condição social, embora uns mais que outros - fazem entre a pobreza, a exclusão social e as desigualdades sociais. Trata-se de uma questão social de grande importância, logo que se visa implementar um programa de intervenção social que procura, senão banir a pobreza e a exclusão social, pelo menos minorar a sua extensão e intensidade. As desigualdades sociais são tudo menos uma realidade recente e, em grande parte dos casos, tendem a atravessar toda a vida dos indivíduos e das sociedades. Jean-Jacques Rousseau (1971) no princípio do seu livro Discurso sobre a origem e os fundamentos das desigualdades entre os homens formula uma distinção que para ele é irredutível. Considera, assim, que na espécie humana há dois tipos de desigualdade: uma que designa de física ou natural, porque é estabelecida pela natureza e que consiste na diferença de idade, de saúde, das forças do corpo, nas qualidades do espírito ou da alma e a outra que se pode designar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma forma de convenção, que se manifesta nos diferentes privilégios que alguns usufruem em prejuízo dos outros. Tal é, por exemplo, o caso de ser mais rico, mais honrado, mais poderoso, mais respeitado, de se poder fazer obedecer, de ter melhores condições de vida e, inversamente, ser pobre, desprezado ou pelo menos indiferente, obrigado a ser submisso, viver em condições humanas e sociais deficitárias ou mesmo infrahumans e assim por diante. Mais ainda. Adianta que não vale a pena interrogar-se sobre as razões da origem 13

15 das desigualdades naturais, porque a resposta encontra-se na simples definição da palavra. Pode-se perguntar, então, que relação existe entre as designadas desigualdades naturais e as desigualdades sociais. Se há dois séculos e meio se poderia, de algum modo, compreender este raciocínio filosófico, que de resto ainda hoje é corroborado pelo senso comum, segundo o qual as desigualdades físicas estão inscritas no corpo como uma essência natural, em contrapartida todos os cientistas sociais que se ocupam desta problemática são unânimes em reconhecer que tanto as disparidades físicas, ditas naturais, como as disparidades sociais são determinadas pelas desigualdades instituídas pela sociedade (P. Aiach, D. Cebe, 1991; M. Drulhe, 1996; F. Dubet, 2001). Quanto às primeiras o que se pode dizer é que não se nasce, cresce, vive, goza de saúde ou adoece e morre da mesma maneira quando se pertence a esta ou àquela condição social ou se adopta este ou aquele modo de vida M. Drulhe, 1996; M. E. Leandro, 2001, 2002). No que se refere às segundas, nos nossos dias, as sociedades democráticas afirmam o valor do princípio da igualdade pelo menos num registo que se considera como essencial: a igualdade dos direitos, das liberdades ou ainda das oportunidades e das capacidades. De facto, desde a filosofia das Luzes, todas as filosofias políticas inclusive as mais liberais que, de resto, se pode pensar que legitimam as desigualdades reais postulam uma igualdade de qualquer coisa (Sen, A., 2000). Entre nós este ideal assumiu ainda novo vigor com a revolução de 25 de Abril de Ora, o que se tem vindo a verificar é que as desigualdades sociais permanecem praticamente estáveis, apesar de decorridos 30 anos de mudanças políticas, económicas e sociais. Basta pensarmos que ainda em 1980, antes da entrada de Portugal na então designada Comunidade Europeia, o leque de rendimentos era de 1 para 40 (M. E. Leandro, 1981, Sorbonne Paris V). Em 1995 a situação mantinha-se. Assim, entre os países da União Europeia, Portugal continuava a apresentar a maior distância de rendimentos entre os muito ricos e os muito pobres, ou seja, 1 para 40 contra 1 para 33 da média da União Europeia e de 1 para 25 para a Dinamarca, aliás, país que apresenta o melhor nível de vida entre os países comunitários (Eurostat, 1996). Em 2001, segundo o Eurostast (2001) o número de famílias pobres havia passado de 26% para 20% em Portugal, mas logo esta diminuição tem mostrado tendência para aumentar. A nível político, justifica-se tal situação com os discursos da crise sócio-económica que o país atravessa, querendo também associa-la a uma recessão económica mais vasta que grassa a 14

16 nível internacional e que, de algum modo, tem que ver, também, com o processo de globalização moderna em curso que tem não só contribuído para acentuar as desigualdades sociais internas e externas como para multiplica-las (F. Dubet, 2001). Actualmente, constatamos que as desigualdades sociais continuam a acentuar-se sob muitos aspectos que se prendem com os processos de escolarização, o acesso ao emprego, à habitação e às suas condições sanitárias, à saúde, aos rendimentos, à segurança no trabalho, aos benefícios da segurança social, ao lazer, em suma à disparidade dos modos de vida, entre outros aspectos. Deste modo, há uma discrepância enorme entre os princípios igualitários e as múltiplas desigualdades que podemos detectar e deplorar numa sociedade e num concelho que se organizam de forma fortemente desigual, como nos revelam os dados recolhidos e o sentir dos nossos inquiridos aquando da aplicação do inquérito, na fase do diagnóstico, junto de um conjunto de actores sociais de condição social modesta e/ou desfavorecida e uma outra fracção de melhor condição social. Este movimento e esta consciencialização acerca desta questão não é um simples reflexo da designada crise económica que o país atravessa, da quantidade de empresas que fecham as suas portas ao emprego, designadamente, daqueles que são de condição social modesta ou mesmo fortemente desfavorecida, da dificuldade dos jovens acederem ao primeiro emprego ou dos desempregados de longa duração, sobretudo os mais pobres, poderem voltar a empregar-se, o que não é a mesma coisa para os que usufruem de outra condição social. Trata-se de um movimento que está no centro das tensões que fazem parte da nossa vida social. Logo, torna-se necessário identificá-lo na experiência dos actores para que daí se possam retirar algumas consequências sociais e inscrevê-lo na ordem da análise sociológica que nos é solicitada e da intervenção social que se perfila no quadro da Rede Social no Concelho de Braga. Numa coesão de esforços, vislumbra-se que este trabalho possa contribuir para o combate à pobreza e à exclusão social que mais não é que a luta pela diminuição, quiçá, abolição das desigualdades sociais nesta área sócio-geográfica. 1.5 Enquadramento, objectivos e plano de trabalho Importa referir que este relatório resulta de vários contributos que se prendem, por um lado, com um projecto de pesquisa através de recolha de elementos de caracterização do 15

17 concelho de Braga, prosseguido por uma equipa da Universidade do Minho, sob a coordenação dos professores Maria Engrácia Leandro e Manuel Carlos Silva. Procurou fazer-se numa primeira abordagem o conhecimento da realidade social do concelho no concernente às situações de pobreza e exclusão social e sobretudo no registo e na análise das potencialidades e dos constrangimentos de desenvolvimento local e municipal. Numa segunda fase, o objectivo estratégico consistiu em que fossem profundados e desenvolvidos aspectos focados na primeira fase, avançados outros e sobretudo delineada uma estratégia que contribuísse para traçar um modelo de desenvolvimento social mais consentâneo com as necessidades e aspirações das populações, sobretudo das mais carenciadas. Se todo e qualquer trabalho ou relatório de teor académico não é inócuo à realidade social, seja no sentido da sua manutenção, seja no da sua mudança ou transformação, também este não é axiologicamente neutro. Sem perder de vista um certo sentido pragmático e de respeito da diversidade na unidade de acção, também a este programa, para ser coerente, deverão estar-lhe subjacentes premissas teóricas e políticas de emancipação social. Neste sentido não deve ser visto como mais um simples estudo sem consequências práticas. Se, em primeiro lugar, ele visa fornecer um conhecimento o mais ajustado possível das condições de pobreza, exclusão social e desigualdades sociais sofridas por determinadas categorias sociais e, na medida do possível, das causas dessa situação, ele pretende, em última instância, fornecer pistas de intervenção, por parte das entidades e parceiros envolvidos, de modo a conseguir uma actuação planeada e articulada com as diversas instâncias de combate à pobreza, à exclusão social e às desigualdades sociais. Estamos firmemente convictos que, a par das intervenções institucionais designadamente estatais, nenhum plano de combate à pobreza e exclusão social surtirá os efeitos desejados, se os próprios pobres e excluídos sociais não forem envolvidos, a começar pela emissão das suas opiniões e percepções favoráveis ou desfavoráveis ao poder, o que significa que eles deverão participar activamente nas estratégias de inserção social e profissional. Por outro lado, na própria recolha de dados junto das instituições, tivemos experiências diferenciadas: enquanto algumas mostraram interesse em colaborar, outras mostraram-se mais reservadas, posicionamento que também dificultou a recolha de informação, mas cujas posições não podem ser ignoradas. 16

18 Quanto ao plano de trabalho, consideramos que, uma vez feita uma primeira radiografia sobre os problemas identificados e as potencialidades do concelho, importa fazer um levantamento das fragilidades e constrangimentos das diversas instâncias, instituições públicas e privadas, de modo, senão a eliminar ou erradicar as situações de acesso desigual a bens e serviços, pelo menos atenuar tais situações, para que todos os cidadãos bracarenses possam aceder e fruir das condições mínimas de cidadania e dignidade cívica, em termos económicos, sociais, políticas e culturais. Numa primeira fase, optamos por privilegiar a análise estatística e documental das características socio-demográficas e socio-económicas do concelho. Os restantes capítulos da IV parte foram construídos com base nos resultados da aplicação de um inquérito junto das instituições do CLAS Conselho Local de Acção Social. Os resultados obtidos foram objecto de análise especificada por cada item do questionário. Se a visão das instituições constitui, no nosso entender, a primeira e imprescindível base de conhecimento duma realidade simultaneamente visível e oculta, os resultados obtidos deverão ser vistos como um ponto de partida fundamental para diversas análises. Antes de mais, porque as hipóteses e os resultados obtidos deverão ser confrontados junto de diversos tipos de actores não-institucionais e sobretudo junto dos próprios pobres e excluídos sociais. Em segundo lugar, porque os resultados terão de ser lidos sob o escrutínio da interpretação crítica, para o que se impõe dar conta, de modo sucinto, do modelo interpretativo adoptado, o qual fornece as bases de compreensão e explicação dos fenómenos de exclusão social. Foi, por este motivo, que, tal como já referimos, antes de proceder ao tratamento dos dados empíricos obtidos, equacionámos no capítulo I o problema da pobreza, da exclusão social e das desigualdades sociais, em termos teóricometodológicos, dissecando, de modo breve, estes conceitos e fazendo uma sumária referência a alguns dos mais importantes trabalhos científicos que em Portugal e até noutros países europeus têm sido realizados sobre o tema da pobreza e da exclusão social. Sendo necessário prolongar o conhecimento da situação social do concelho de Braga através de estudos e monografias de vária índole, há contudo algum conhecimento acumulado na sequência de diversos estudos realizados por parte de cientistas sociais provindos nomeadamente da sociologia, da antropologia e da economia. 1 Em termos de 1 A nível concelhio, poder-se-ão referir, entre algumas dezenas de trabalhos, algumas obras efectuadas sobretudo nas duas últimas décadas no campo da economia e sociologia do desenvolvimento regional e local com temas tais como a integração europeia do Minho como região (semi)periférica e o limitado impacto positivo da integração europeia no desenvolvimento regional (cf. Fernandes 1994, Costa, Felizes e Neves 1999); o 17

19 pesquisa empírica sobre o espaço concelhio de Braga, nesta primeira abordagem estatística, baseando-nos nos dados do INE e doutras instâncias tais como a Agência de Desenvolvimento de Regional do Vale do Cávado (ADRVC) que amavelmente nos cedeu alguma informação estatística, pretendemos numa primeira parte: (a) caracterizar e analisar a estrutura e dinâmica demográfica da população, tendo em conta a densidade populacional, a evolução demográfica entre 1991 e 2001 na base de critérios tais como o sexo, a idade, os níveis de instrução e escolaridade e considerando as taxas de natalidade, mortalidade, nupcialidade e índices de envelhecimento; (b) proceder a uma caracterização sumária do espaço físico e das actividades socioeconómicas por sectores: primário, secundário e terciário; (c) registar e avaliar os diversos tipos de equipamentos no campo da saúde e da segurança social e outros índices de bem estar e qualidade de vida. Num segundo tempo, com base não só nos dados e resultados obtidos por questionário e encontros com diversos actores sociais locais colectivos e individuais, procuramos apurar a situação real dos sectores de maior incidência da pobreza e exclusão social e, em especial, quais os grupos e categorias sociais mais vulneráveis ou susceptíveis de situações de risco social. Proceder-se-á ao enquadramento jurídico-institucional das entidades envolvidas nesta problemática, as suas infraestruturas e demais recursos humanos e técnicos, bem como a sua área geo-social de intervenção com as respectivas valências. De seguida aferiu-se como é feita a avaliação e a colaboração inter-institucional no combate à exclusão social, apurando também quais as percepções dos representantes das instituições no terreno. ordenamento regional, o processo de regionalização e a relativa homogeneidade regional do Minho até ao sul do rio Douro (Figueiredo 1985); a economia e o desenvolvimento regional e local (Ribeiro 1984), o planeamento urbano e o desenvolvimento agrícola, a indústria e a inovação tecnológica no desenvolvimento regional nomeadamente do Vale do Cávado (cf. Ribeiro et al 2000, Silva e Cardoso 2003). Estes trabalhos, entre outros, não se cingem a reflexões teóricas mas propõem algumas pistas, constituindo mesmo instrumentos fundamentais para a intervenção social em prol de um desenvolvimento que vise o bemestar das populações. Podemos ainda juntar a estes trabalhos um amplo conjunto de relatórios de natureza teorico-empírica, sobre muitas destas temáticas ou outras similares correlacionadas com o fenómeno da pobreza e da exclusão social na região, elaborados pelos alunos da licenciatura em Sociologia no âmbito do estágio curricular. Estes trabalhos poderão ser consultados na Biblioteca do CCHS do ICS da Universidade do Minho. 18

20 Analisou-se a sustentabilidade financeira das instituições e a sua viabilidade sociopolítica, bem como aferir sobre a responsabilidade e as formas de intervenção das instituições no terreno, de modo a minorar as situações de pobreza e exclusão social. São ainda apresentados os dados relativos aos resultados do inquérito aos actores sociais, tendo-se em linha de conta as grandes prioridades de intervenção que decorrem dos resultados desse. É importante referir que, principalmente no que respeita à identificação dos problemas no concelho, há uma perfeita coincidência entre os dados recolhidos junto do CLAS, das Comissões Socais e dos próprios actores sociais. Após a identificação dos problemas e necessidades procedeu-se ao levantamento dos recursos e potencialidades do concelho, bem como o levantamento de estudos, projectos e acções concretas levadas a efeito para resolução dos problemas. Na conclusão, serão definidas as linhas orientadoras de intervenção face aos problemas e dinâmicas identificados nesta área sócio-geográfica que visem sobretudo a mudança e a implicação das organizações e dos actores nos objectivos definidos, os quais se traduzem no combate aos principais factores de pobreza e exclusão social no Concelho de Braga. 19

21 II. MÉTODOS, TÉCNICAS E PERCURSO DE PESQUISA Em termos metodológicos, utilizámos, no âmbito deste relatório, alguns dos métodos correntes nas ciências sociais nomeadamente a análise estatística e documental e sobretudo o inquérito, tanto na fase do pré-diagnóstico como do diagnóstico. Para a elaboração e a construção do pré-diagnóstico foram delineadas três subfases, as quais se integram no plano geral do diagnóstico em curso plano esse exposto a traço grosso na planificação inicial do projecto e que consistiram nas seguintes operações e tarefas a seguir discriminadas: (a) elaboração dum plano de trabalho durante o mês de Janeiro e reelaboração de um inquérito (Anexo II), o qual foi readaptado a partir de um outro já existente elaborado pela Rede Europeia Anti-Pobreza (REAPN), o qual nos foi amavelmente cedido. (b) implementação de uma série de encontros junto de alguns Presidentes de Junta de Freguesia que se mostraram disponíveis para colaborar neste trabalho, tarefa esta levada a cabo por recém-licenciadas em Sociologia pela Universidade do Minho. (c) aplicação de um inquérito junto dos responsáveis das instituições de Solidariedade Social que integram o Conselho Local de Acção Social (CLAS) no concelho de Braga, tendo colaborado e respondido a este inquérito, também administrado pelas referidas colaboradoras, 61 instituições, uma das quais, por ter respondido fora do prazo estabelecido, não pôde ser contemplada, pelo que foram inseridos e tratados os dados relativos a 60 instituições; (d) a inserção dos dados em SPSS pelas colaboradoras atrás referidas, sendo posteriormente feito o tratamento dos dados pelos responsáveis do projecto. (e) a recolha e o tratamento de grande parte dos dados estatísticos a cargo dos responsáveis do projecto, os quais puderam também contar para este efeito, nalguns itens, com a colaboração da Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Cávado (ADRVC); (f) por fim, a análise e a redacção deste relatório que ficou a cargo e sob a responsabilidade dos responsáveis científicos do projecto, a saber, dois investigadores do Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. Tal como foi mencionado, o lançamento do inquérito tinha em vista, antes de mais, fazer um levantamento geral e institucional da situação social do concelho como primeira 20

22 aproximação para um conhecimento das instâncias sociais que têm como principal objectivo a solidariedade social neste concelho e, consequentemente, detectar as principais carências e/ou as áreas prioritárias de intervenção social. Entre estas sessenta instituições contaram-se não só Instituições pertencentes ao CLAS do concelho, mas também algumas Juntas de Freguesia não aderentes, Centros Sociais e Paroquiais e a Cáritas Arquidiocesana. Para assegurar a representatividade desta amostra de ¾ das instituições existentes inquirimos não só as instituições sediadas na zona urbana como também as da zona periférica do concelho. O inquérito foi administrado durante os meses de Fevereiro a Maio de Relativamente às freguesias nas quais foram aplicados os inquéritos, começamos pela parte norte do concelho - a zona pintada a roxo no mapa em Anexo - em Adaúfe, Navarra, S. Paio de Pousada, Crespos e Sta. Lucrécia, onde é possível realçar um certa continuidade e contraste entre o rural e o urbano. As actividades destas freguesias são, maioritariamente, desenvolvidas pelas Juntas de Freguesia, onde estas assumem um papel de extrema importância, dado que existem poucas colectividades. (Anexo IV) A Comissão Social Inter-Freguesia pintada a cor amarelo claro no mapa Gualtar, Este (S. Pedro) Este (S. Mamede) - apresenta traços relativamente próximos do grupo anterior. Há, porém, um aspecto a salientar e a demarcar das anteriores que se prende com o elevado crescimento populacional, o que faz acrescer outras necessidades. Uma outra Comissão Social, ponteada de cor verde no mapa em Anexo, representa freguesias urbanas tais como Lamaçães e Nogueiró que mostram um acentuado contraste com as restantes freguesias de Espinho, Sobreposta e Pedralva. Na Comissão Social Inter-Freguesia de Arcos (S. Paio), Esporões, Ferreiros, Fraião, Lomar e Nogueira, na zona ponteada a cor de laranja no mapa, foi privilegiado o contacto com o Centro de Saúde da área, o qual referiu tratar-se de uma zona com problemas sociais bastante significativos. 21

23 Dos restantes agrupamentos, pode afirmar-se, em termos sociais uma relativa cobertura de equipamentos sociais. Referimo-nos à Comissão Social pintada a cinzento a qual na zona sul evidencia maior número de respostas sociais do que a norte. Por fim, as zonas pintadas a amarelo escuro, rosa escuro, verde e verde escuro, representando o centro da cidade e Palmeira, apresentam características que se distinguem das restantes, quer em termos da rede de equipamentos, quer em relação a todo tipo de actividades, envolvendo os mais diversos tipos de problemas sociais. A identificação exploratória dos problemas sociais de concelho foram apresentados e debatidos numa sessão pública pelos parceiros e representantes de diversas Instituições envolvidas na Rede Social. Tendo presente que o conjunto das Instituições na área do concelho de Braga são 80 e que de entre estas foram inquiridas 60 instituições consideramos que a cobertura do inquérito foi suficientemente representativa, o que nos permite fazer algumas afirmações com elevado grau de segurança a partir dos dados obtidos. Obviamente, importa ter presente que se trata de posicionamentos, representações e opiniões de responsáveis institucionais e, como tal, podem apresentar algum parcialidade institucional. Porém, como se trata não só de informantes qualificados como de pessoas atentas, sensíveis e empenhadas na minoração dos problemas sociais, as suas representações e opiniões constituem um excelente ponto de partida para fundamentar a credibilidade deste trabalho. Foi, de resto, tendo em conta a importância da capacidade de mediação, observação e análise sobre as situações de pobreza e exclusão social por parte dos técnicos/as representantes destas instituições integrantes do CLAS que os responsáveis científicos do projecto, a pedido dos próprios interessados técnicos e responsáveis institucionais, assentiram à necessidade de formação mais avançada por parte destes técnicos e mediadores mais directamente comprometidos com a intervenção social nesta área. Neste sentido, teve lugar a realização de um seminário de formação que granjeou o interesse de todos os participantes, sendo de augurar a produção de resultados positivos não só em termos de conhecimento da realidade social Bracarense como da implementação da Rede Social e das respectivas intervenções sociais no seio das populações do concelho. Foi aplicado um outro questionário dirigido directamente aos actores sociais (Anexo III), durante os meses de Outubro e Novembro, junto de uma amostra constituída por

24 pessoas de ambos os sexos, sendo 300 classificados de população de condição social modesta e/ou desfavorecida (pobreza relativa, desempregados, excluídos, marginais) e 300 de condição social favorável (classe média e alta). No presente estudo, não foi possível abranger uma população representativa de todas as freguesias do concelho, daí que para a selecção desta amostra por razões de vária ordem, não fosse possível seguir as regras probabilísticas da composição duma amostragem representativa das características populacionais do Concelho de Braga, embora esta preocupação não passasse despercebida aos coordenadores científicos deste programa de trabalho. Assim, à partida, tendo presente os critérios de pertença social e de sexo acima referenciados, recorremos a informadores privilegiados, tal o caso dos Presidentes da Junta de Freguesia, pedindo que nos fornecessem uma lista de pessoas a inquirir na sua área sócio-geográfica. Na sua totalidade, este inquérito foi prosseguido em 42 freguesias, ou seja, 2/3 do total das freguesias do concelho de Braga (62). A caracterização da amostra, tendo em conta o sexo, a idade, a nacionalidade, a profissão, o estado civil, o grau de escolarização, a profissão e a pertença a grupos sócio-profissionais é apresentada no Capítulo V. São considerados dez objectivos fundamentais subjacentes à aplicação do inquérito aos referidos actores sociais: proceder à sua identificação individual e sócio- económica; caracterizar o tipo de agregado familiar em que vivem integrados, pois, de maneira geral, a família constitui o principal barómetro da situação social dos indivíduos; conhecer a situação de saúde dos inquiridos e das suas famílias; avaliar a sua situação perante o trabalho tendo em conta a situação de emprego/desemprego, a qualidade do vínculo laboral e a respectiva relação com os serviços da Segurança Social; detectar as condições de alojamento e a avaliação que os inquiridos fazem dessa situação; estabelecer uma grelha que permita aos inquiridos avaliarem os seus rendimentos mensais, os seus projectos relacionados com a poupança e o destino que esta lhes merece ou, ao invés, em que condições recorrem ao crédito; quisemos também saber da ocupação que fazem do seu tempo livre; avaliar o modo como se empenham nas actividades cívicas; avaliar as representações sociais dos actores acerca da pobreza, da exclusão social, das desigualdades sociais e a quem atribuem a responsabilidade por este estado de coisas; perceber quais são os problemas identificados pelos actores na freguesia e no concelho e as suas principais necessidades; avaliar, por um lado, como interpretam e responsabilizam as instâncias políticas e civis que condicionam a pobreza e a exclusão social e, por outro, 23

25 quais as medidas que em sua opinião deveriam ser tomadas, senão para banir esta situação, pelo menos para a minorar no Concelho de Braga. Por ser um instrumento que resulta da participação dos diversos parceiros, foi apresentado e debatido em sessão plenária do CLAS. O planeamento da intervenção para o desenvolvimento social depende do conhecimento da realidade social das freguesias. Para fazer uma primeira identificação e organização dos problemas, evidenciando grandes eixos temáticos ou territoriais foram utilizadas técnicas de visualização como a nuvem dos problemas permitindo uma consciencialização comum dos parceiros quanto aos problemas identificados e na facilitação da sua compreensão e hierarquização de prioridades. Foram também utilizadas outras técnicas como o preenchimento e discussão pelos parceiros de uma grelha de identificação de problemas. Com o recurso a técnicas metodológicas diversificadas, com dimensões distintas e dirigidas a actores e interventores sociais diferenciados, podemos afirmar que se constitui como premissa a obtenção do máximo de informação possível para a elaboração do presente Relatório. 24

26 III - DADOS ESTATÍSTICOS SOBRE O CONCELHO DE BRAGA 3. Braga em contexto regional: caracterização demográfica e socio-económica O concelho de Braga, com forte predominância urbana, tem uma matriz simultaneamente urbana e rural e detém hoje 26.9% de área urbana, 37% de área agrícola e 17.5 % de área florestal. Braga possui, por um lado, um notável centro urbano do ponto de vista arqueológico, arquitectónico e patrimonial, historicamente marcante e, por outro, um perímetro de raíz rural com fortes e persistentes tradições que têm vindo a sofrer uma considerável erosão não só nos espaços físicos periurbanos mas inclusive noutros mais afastados que delimitam com outros concelhos e cidades circunvizinhas. 3.1 Localização, estrutura e dinâmica demográfica: O concelho de Braga, situado na região norte do país, é parte integrante do distrito de Braga, o qual, com Km 2 equivalente a apenas 3% da área continental portuguesa tem correlativamente uma maior importância estratégica nesta região por albergar a capital de um distrito que se estende geograficamente das terras marítimas de Esposende à zona montanhosa de Bastos, cuja distribuição em termos de área, população, freguesias e densidade populacional se pode ver no quadro 1. Possui uma extensão de 183,2 Km2, repartida por 62 freguesias, com uma população residente de distribuída por alojamentos e com a densidade populacional de 896,3 hab/km2. Esta densidade populacional do concelho de Braga, ainda que menor em relação a cidades como Lisboa ou Porto, destaca-se largamente dos demais concelhos do distrito de Braga, sobretudo dos concelhos do interior, ainda que seja seguida de perto por outras densidades como as dos concelhos de Guimarães e Vila Nova de Famalicão, tal como se pode ver do quadro 1. 25

27 Quadro 1 Área, População, Freguesias e Densidade Populacional Concelhos Área Total (Km 2 ) População Residente (total) Freguesias (N.º) Densidade Populacional (Hab/Km 2 ) Amares Barcelos 378, ,3 Braga 183, ,3 Cabeceiras de Basto 241, ,8 Celorico de Basto 181, Esposende 95, ,3 Fafe 219, ,8 Guimarães 241, ,1 Povoa de Lanhoso 132, ,8 Terras de Bouro 277, ,1 Vieira do Minho 218, ,4 Vila Nova de Famalicão 201, ,2 Vila Verde 228, ,7 Vizela 23, ,6 Total (Média) 352,9 Fonte: INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, Braga, que sofreu nos anos sessenta e setenta uma quebra demográfica de 32% devido às migrações maciças para Lisboa e Porto e sobretudo para a Europa nomeadamente França e Alemanha, tem recuperado nas últimas décadas. Entre 1971 e 1981 Braga conheceu um aumento populacional de 16% e, no último Recenseamento Geral da População verificado em 2001, a taxa de crescimento efectivo da população do concelho, em comparação com o Censo de 1991, foi de 16,2%, sendo os valores mais elevados de todos os concelhos do distrito de Braga, como podemos constatar através dos dados insertos no quadro 2 e

28 Quadro 2 População residente: comparação e evolução entre 1991 e 2001 Concelhos População Residente em 1991 (H+M) População Residente em 2001(H+M) Variação Populacional (%) entre 1991 e 2001 Amares ,8 Barcelos ,3 Braga ,2 Cabeceiras de Basto Celorico de Basto ,7 Esposende ,7 Fafe ,2 Guimarães ,8 Povoa de Lanhoso ,8 Terras de Bouro ,2 Vieira do Minho ,7 Vila Nova de Famalicão ,6 Vila Verde ,7 Vizela ,9 Total Distrito (Média) 6,5 Fonte: INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, Do quadro 2 se infere que, enquanto há concelhos do interior, sobretudo os mais rurais tais como Terras do Bouro, Vieira do Minho, Celorico de Basto, têm perdido população, outros como Famalicão, Guimarães, Esposende, Fafe, Barcelos e sobretudo Braga e inclusive alguns concelhos limítrofes de Braga como Amares, Póvoa de Lanhoso ou Vila Verde têm conhecido um aumento populacional devido à combinação da proximidade de Braga e da qualidade de habitação e envolvente paisagística. Braga tem sido de longe o concelho que demograficamente mais tem crescido. Embora as áreas predominantemente urbanas e outras periurbanas ou medianamente urbanas tendam a crescer de modo mais acentuado que as rurais periféricas e mais afastadas, o concelho de Braga no seu conjunto e, em especial, a cidade de Braga constitui o principal centro polarizador e catalizador duma inúmera quantidade de actividades socio-económicas, políticas e científico-culturais. A esta posição de relativa supremacia não será estranho o 27

29 facto de Braga, embora seja semiperiférica em relação a Lisboa ou ao Porto, deter, apesar de tudo, uma relativa centralidade geo-social e política, na sua posição a norte do Porto e enquanto terceira cidade do país. Quadro 2.1 População residente por freguesia: comparação e evolução entre 1991 e 2001; Taxa de crescimento efectivo Freguesia População Residente População Residente Taxa de crescimento Efectivo População Urbana 2001 Taxa de Urbanização 2001 Tipologia da área* Adaúfe ,27% % APU Arcos (S. Paio) ,06% % APU Arentim ,83% 0 0% AMU Aveleda ,51% % APU Cabreiros ,69% % APU Celeirós ,80% % APU Cividade ,51% % APU Crespos ,08% 0 0% AMU Cunha ,51% 0 0% AMU Dume ,09% % APU Escudeiros ,38% 0 0% AMU Espinho ,28% % APU Esporões ,47% % APU Ferreiros ,55% % APU Figueiredo ,16% % APU Fraião ,43% % APU Frossos ,04% % APU Gondizalves ,71% % APU Gualtar ,28% % APU Guisande ,66% 0 0% AMU Lamaçães ,49% % APU Lamas ,67% % APU Lomar ,05% % APU Maximinos ,69% % APU Mire Tibães ,08% % APU Morreira ,77% 0 0% AMU Navarra ,34% 0 0% AMU Nogueira ,04% % APU Nogueiró ,92% % APU Padim Graça ,22% % APU Palmeira ,94% % APU Panoias ,02% % APU Parada Tibães ,14% % APU Pedralva ,40% 0 0% AMU 28

30 Pousada ,08% 0 0% AMU Priscos ,69% % APU Real ,45% % APU Ruílhe ,87% % APU Sta. Lucrécia de Algeriz ,35% 0 0% AMU Penso Sto. Estevão ,56% 0 0% AMU S. João Souto ,08% % APU S. José S. Lázaro Passos - S. Julião S. Mamede Este ,48% % APU ,05% % APU ,46% % APU Merelim - S. Paio ,22% % APU S. Pedro Este ,01% % APU S. Pedro Merelim ,93% % APU Oliveira - S. Pedro ,78% 0 0% AMU S. Vicente ,87% % APU S. Vicente (Penso) ,48% 0 0% AMU S. Victor ,16% % APU Sé ,98% % APU Semelhe ,56% % APU Sequeira ,68% % APU Sobreposta ,84% % APU Tadim ,79% 0 0% AMU Tebosa ,98% 0 0% AMU Tenões ,12% % APU Trandeiras ,18% % APU Vilaça ,56% % APU Vimieiro ,59% % APU Fradelos ,18% 0 0% AMU Fonte: Base de dados da Câmara Municipal de Braga, Janeiro de 2003 *APU Área Predominantemente Urbana *AMU ÁREA Mediamente Urbana Como se depreende deste quadro, Nogueiró é a freguesia que apresenta maior taxa de crescimento efectivo atingindo 76%. A freguesia de Frossos segue-lhe em taxa de crescimento atingindo 51% logo seguida de Real (47%), Lamaçães (41%) e Lomar (37%). Relativamente a valores negativos as freguesia de São João de Souto, Sé são as que apresentam valores mais significativos rondando os 25%. Seguem lhes as freguesias de Penso (S. Vicente), Sta. Lucrécia de Algeriz, Dume, sendo estas freguesia periféricas ao centro do concelho. 29

31 Um outro aspecto demográfico relevante é o relativo à distribuição da população por sexo, o que nos é dado pelo quadro 3: Quadro 3 População residente segundo o sexo Concelhos Homens Mulheres Total Amares Barcelos Braga Cabeceiras de Basto Celorico de Basto Esposende Fafe Guimarães Povoa de Lanhoso Terras de Bouro Vieira do Minho Vila Nova de Famalicão Vila Verde Vizela Total ,6% 51,4% 100% Fonte: INE, Recenseamento Geral da População e Habitação, 2001 Tal como nos mostra o quadro 3, a população residente, no concelho de Braga, é maioritariamente do sexo feminino (51,9%), o que aliás se verifica em cada um dos concelhos do distrito. No concelho de Braga o rácio por sexo é de homens para mulheres, ou seja, de 48.7% homens para 51.3% de mulheres. 3.2 Estrutura etária da população No que respeita à estrutura etária da população, a nível do concelho de Braga, poderse-á dizer que se trata de um concelho bastante jovem, se tivermos em conta a relação entre pessoas com idade inferior a 25 anos e as pessoas com idade superior a 65 anos, o 30

32 que nos é dado ver pelo seguinte quadro relativo não só ao concelho como ao próprio distrito de Braga: Quadro 4 População Residente segundo Grupos Etários Grupos Etários (anos) Concelhos Menos de a a ou mais Total anos anos anos anos Amares Barcelos Braga Cabeceiras de Basto Celorico de Basto Esposende Fafe Guimarães Povoa de Lanhoso Terras de Bouro Vieira do Minho Vila Nova de Famalicão Vila Verde Vizela Total(2001) ,3% ,4% ,5% ,8% % Região Norte (1998) 18.4% 16.3% 52.5% 12.8% 100% Continente (1998) 16.6% 15.2% 52.8% 15.4% 100% Fonte: INE, Censos 2001 A nível do concelho de Braga, enquanto as pessoas com menos de 25 anos perfaziam 34,9% do total, as com idade superior a 65 anos somavam apenas 10,8%, o que representa um saldo fisiológico positivo em favor da população infantil, adolescente e jovem, dado o facto de o movimento de natalidade superar, como veremos, o da mortalidade. Esta mesma tendência é aliás visível a nível do distrito de Braga, que apresenta um índice de rejuvenescimento maior que o conjunto geral do Continente. Em 2001, enquanto no território nacional a população com idade inferior a 25 anos era de 30.3% do total, a 31

33 nível do distrito atingia 35,7% do total da população aí residente. Por outro lado, importa ter presente que se verifica um aumento bastante significativo do escalão etário dos 65 e mais anos, passando de indivíduos para indivíduos em Ora esta evolução revela uma dinâmica, aliás não só distrital mas inclusive nacional, de envelhecimento acelerado da população. Além disso, o grupo dos anos acompanha a evolução dos idosos, apresentando um aumento de 2,5% em relação a 1997 ( indivíduos), tendência sintomática dum maior envelhecimento no interior da população activa. Dentre as dezoito unidades distritais, Braga é contudo daquelas em que a situação se revela menos preocupante, uma vez que o crescimento do escalão etário dos 25 aos 64 anos é inferior à média nacional (3,3%) e ainda inferior à verificada para os idosos (65 e mais anos), cujo aumento entre 1991 e 2001 ao nível nacional foi de 2,8%, ao passo que no distrito foi de 1,4%, como é possível ler do quadro 4. Assim, quer a nível concelhio, quer a nível distrital, a estrutura etária a norte do país é, em comparação com a média nacional, a mais jovem. A proporção da população com menos de 25 anos (35% a nível do concelho e 30.3% a nível distrital) representam valores dos mais elevados no continente, ao passo que a dos idosos representa simultaneamente a mais baixa (10.8% a nível concelhio e 11.8% a nível distrital) em relação à média nacional de 14% em 2001 (11.4% em 1998). O índice de envelhecimento no concelho de Braga é de 60 idosos por cada 100 jovens, índice este bastante baixo quando comparado com o índice a nível distrital e nacional. A nível distrital, a correlação é de 77.3 idosos por cada 100 jovens. Com efeito, à excepção do concelho de Terras do Bouro, os índices de envelhecimento nos concelhos do distrito de Braga apresentam valores mais baixos que o índice de envelhecimento nacional que, em 2000, por cada 100 jovens apresentava 102 idosos. A tendência de envelhecimento da população só se conseguirá atenuar, mas não evitar, conjugando saldos migratórios positivos e níveis de fecundidade mais elevados, como acontece no cenário de rejuvenescimento, no qual se prevê que o índice de envelhecimento ronde os 190 idosos por cada 100 jovens em Não se conjugando saldos migratórios e aumento dos níveis de fecundidade, poderá ocorrer um cenário mais gravoso de forte envelhecimento em 2050, em que o cálculo de probabilidades aponta que se possa atingir os 395 idosos por cada 100 jovens, ou seja, quase quadruplicando face a 2000, duplicando por volta dos anos

34 3.3 Mais alguns indicadores demográficos A fim de completarmos o quadro da estrutura e sobretudo da dinâmica demográfica do concelho de Braga no contexto regional e nacional, avançamos com alguns dados extraídos dos resultados dos Censos de 20001, tal como se pode ver do quadro 5: Quadro 5 Natalidade, mortalidade, nupcialidade, divórcio, envelhecimento Indicadores Concelhos Taxa de Natalidade (%) Taxa de Mortalidade (%) Taxa Média Mortalidade Infantil entre e 2000 (%) Taxa de Nupcialidade (%) Proporção Casamentos Católicos (%) Taxa de Divórcio (%) Índice de Envelhecimento (%) Amares 12,2 7,8 6,9 7,9 75,7 0,6 71 Barcelos 14 6,7 8,3 8,3 83,2 1,1 59,4 Braga 14,1 6,5 7,3 7 73,8 1,5 60 Cabeceiras de Basto 12 11,2 2,6 8,4 78,9 0,6 76,8 Celorico de Basto 10,2 9,5 9,9 7,8 93,7 0,5 83,1 Esposende 14,4 7,7 7,8 8,4 80,2 1,1 96,4 Fafe 12,8 9,2 9,4 8 82,7 1,8 97,4 Guimarães 13,6 6,7 7,5 8,3 83,3 1,3 56,1 Povoa de Lanhoso 12,2 8,8 7,6 7,9 79,2 0,9 72,7 Terras de Bouro 11,3 14,7 11,2 8,1 73,5 0,4 108 Vieira do Minho 10,3 11,4 11,6 7,5 52,7 0,2 100,3 V. N. Famalicão 13,3 6,5 6,6 7,6 79,5 1,1 65,5 Vila Verde 13,3 9 7,2 7,6 83 0,3 98,2 Vizela 13,6 5,4 3, ,2 37,2 Distrito 12,7 8,7 7,7 7,3 72,8 0,8 77,3 INE, Censos de

35 Pelos dados do quadro 5 se infere que a taxa de natalidade do distrito com 12,7% é superior quer à taxa de natalidade do território nacional que, segundo o Censo de 2001, é de 10,9%, quer à taxa de natalidade da Região Norte com 11,4%. A nível do concelho de Braga, os dados de 2000 apontam para a existência de 2248 nados vivos dos quais 1147 homens e 1101 mulheres aos quais, sendo deduzidos 1037 óbitos, perfaz o saldo positivo de 1211 pessoas. Ou seja, sendo a taxa de natalidade de 14.1/oo e a de mortalidade de 6.5/oo, infere-se que o saldo fisiológico conhece um excedente de vidas em 7.6/oo. Para este resultado não será certamente indiferente a significativa influência da Igreja Católica nos hábitos e nos modos de vida e sobretudo nas visões ético-religiosas dos crentes que se repercute também nos índices de natalidade, ainda que não de modo tão absorvente e determinante como, por vezes, se julga. Esta influência é contudo também visível na baixa taxa de divórcio que é de 0.8 em 1000 casamentos, na elevada taxa de nupcialidade (7,3 ), superior à taxa de nupcialidade a nível nacional (5,7 ) e na elevada proporção de casamentos católicos (72,8%). No entanto, a nível do concelho de Braga, vislumbram-se, com base nos censos de 2001, algumas tendências para a adopção de comportamentos demográficos, cujas taxas, ainda que inferiores, se aproximam das taxas a nível nacional. Assim, a taxa de mortalidade no distrito com 8,7 é mais baixa que a taxa de mortalidade em Portugal com 10,2, sendo esta também aliás a taxa de mortalidade da Região Norte. Em contrapartida, a taxa de mortalidade infantil no distrito registava, em 2000, 7,7, um valor superior à média nacional: 5. A situação no concelho de Braga segue com uma ligeiríssima diferença as tendências do distrito, o que não deixa de suscitar questões ao nível dos modos e das condições de vida, das condições de saúde e da educação para a saúde. 3.4 População residente segundo níveis de instrução Sendo os níveis de instrução e formação um dos requisitos básicos para aferir das condições necessárias ao desenvolvimento socio-cultural e ao avanço científicotecnológico o que, por sua vez, influencia o nível de produtividade e o nível de vida, fixar-nos-emos nalguns indicadores relativos aos níveis de instrução, desde as taxas de analfabetismo até aos níveis superiores de formação. 34

36 População e analfabetismo Considerando que a nula ou mínima taxa de analfabetismo é hoje um importante indicador de desenvolvimento, importa avaliar, no quadro regional e nacional, qual a situação do concelho de Braga em relação a esta variável. Embora Portugal, não obstante os progressos feitos, apresente uma taxa de analfabetismo superior à de outros países, o concelho de Braga, no quadro regional e mesmo nacional, não é dos piores, apresentando uma taxa inferior à maior parte dos concelhos do distrito, tal como se pode ver do seguinte quadro: Quadro 6 Situação da população do Distrito de Braga perante o analfabetismo Taxa de Concelhos Analfabetismo (%) Amares 10,8 Barcelos 7,6 Braga 5,8 Cabeceiras de Basto 16 Celorico de Basto 16,6 Esposende 7,3 Fafe 9,9 Guimarães 7,4 Povoa de Lanhoso 11,7 Terras de Bouro 15,6 Vieira do Minho 12,8 Vila Nova de Famalicão 6,7 Vila Verde 11,9 Vizela 7,9 Total Média 10,6 Fonte: INE, Censos de

37 Sendo a taxa de analfabetismo extraída da relação entre a população com 10 ou mais anos que não sabe ler e escrever e a população com 10 ou mais anos, em Portugal essa taxa era de 9%, inferior aos 11% de O distrito, embora tenha acompanhado essa tendência, apresenta contudo uma média superior à média nacional, ou seja, 10.6%. Porém, no interior do distrito há discrepâncias notáveis: enquanto há uma maior incidência de taxas de analfabetismo em concelhos do interior tais como Celorico de Basto (16,6%), Cabeceiras de Basto (16%), Terras de Bouro (15,6%) e Vieira do Minho (12,8%), outros concelhos minhotos apresentam taxas de analfabetismo inferiores à média nacional, sendo de destacar por ordem decrescente o de Vizela (7.9%), Barcelos (7.6%), Guimarães (7.4%), Esposende (7.3%), Vila Nova de Famalicão (6.7%) e Braga (5.8%), dados estes que mostram uma correlação entre a proximidade de infraestruturas, equipamentos e recursos humanos acessíveis e disponíveis para as populações. Mais uma vez, o concelho de Braga apresenta, neste aspecto, uma ligeira vantagem face a concelhos com estruturas de ensino semelhantes e certamente mais acentuada em relação a concelhos mais afastados dos principais centros urbanos minhotos. Braga, que já em 1991 possuía 6.9% de analfabetos, via descer em 2001 para 5.8%, o que, ainda não sendo satisfatório, representa um pequeno progresso População e níveis diferenciados de escolaridade Relativamente ao nível de ensino atingido pela maior parte da população o qual contempla os indivíduos que tenham concluído um qualquer nível de ensino, os que não o completaram e os que frequentam determinado nível de ensino, os resultados variam consoante o grau de ensino. Mais uma vez, apresentamos uma tabela relativa aos resultados dos censos de 2001 por concelho do distrito de Braga, incidindo, porém, particular atenção e comentário aos resultados do concelho de Braga: 36

38 Quadro 7 População residente segundo os níveis de escolaridade Níveis de Escolaridade Concelhos 1ºCiclo 2ºCiclo 3ºCiclo Ens. Ens. Ens. Nenhum E.B E.B E.B Sec. Médio Sup. Total Amares Barcelos Braga Cabeceiras de Basto Celorico de Basto Esposende Fafe Guimarães Povoa de Lanhoso Terras de Bouro Vieira do Minho V. N Famalicão Vila Verde Vizela Total ,5% 36,7% 17,6% 11,3% 12,1% 0,5% 7,3% 100% INE, Censos de 2001 A nível do concelho de Braga, tal como se pode ler, os dados traduzidos a percentagens permite-nos concluir que os níveis de escolaridade inferiores ao ensino superior apresentam taxas inferiores às do distrito, o que à partida denota alguma vantagem comparativa do concelho de Braga em relação aos demais concelhos do distrito. Ou seja, dado que o conjunto populacional por concelho ou distrito forma no total 100%, resulta daí que quanto maior a taxa nos níveis superiores, menores as taxas nos níveis inferiores. Assim, começando pelo conjunto de cidadãos que ou são analfabetos ou sabem ler e escrever mas não obtiveram sequer o grau do ensino básico, a taxa de 12.3% é inferior à média distrital (14.5%), o que se compreende, tendo sobretudo em conta, como já referimos, que a taxa de analfabetismo em Braga é inferior à de outros concelhos do distrito, sobretudo de concelhos do interior. A nível do 1º ciclo, enquanto o concelho de Braga apresenta 30.1% de pessoas que o completaram, a nível distrital somam-se 36.7% do total. O mesmo se passa ao nível do 2º 37

39 ciclo, em que 13.8% de cidadãos do concelho de Braga atingiram este nível de escolaridade, enquanto ao nível distrital completaram-no 17.6%. Em relação ao 3º ciclo, a taxa alcançada pela população do concelho de Braga é relativamente próxima da obtida pela população a nível distrital, a saber, 11.5% no concelho de Braga versus 11.7% no distrito. Já, porém, quanto ao nível do ensino secundário, do ensino médio e do ensino superior, notam-se algumas disparidades relativas entre as taxas a nível do concelho e as taxas a nível distrital. Assim, enquanto entre a população do concelho de Braga 17% da pessoas completaram o ensino secundário, a nível distrital tal se ficou pelos 12.1%, uma média inferior à média nacional de 15.7%. Quanto ao nível do ensino médio, este foi obtido por 0.99% da população de Braga, enquanto a nível distrital alcançaram-no apenas 0.5%. A nível do ensino superior, a discrepância é ainda maior, pois, enquanto no concelho de Braga 14.4% da população conseguiu completar o ensino superior, a nível do distrito apenas o completaram 7.3%, de resto uma taxa de valor inferior à média nacional (10.8%). Por isso, quer a nível do ensino secundário, quer a nível do ensino superior, as taxas de escolaridade no distrito são inferiores às médias nacionais. Tal não significa que fechemos os olhos aos relativos progressos significativos verificados entre 1991 e 2001, quer a nível distrital, quer sobretudo a nível do concelho de Braga. Não obstante os dados relativos à escolaridade no concelho de Braga serem algo mais satisfatórios que nos restantes concelhos do distrito, em particular, os mais interiores e distantes dos principais centros urbanos minhotos, se os compararmos com as médias nacionais e sobretudo internacionais nos diversos níveis de escolaridade sobretudo até ao ensino superior, há ainda um longo caminho a percorrer no sentido duma necessária e maior qualificação dos cidadãos bracarenses. Em termos de equipamentos, impõe-se fazer um registo preciso do quantitativo de unidades escolares. Pelo que foi possível apurar, a partir das opiniões de diversos representantes das instituições, as maiores necessidades e lacunas situar-se-iam ao nível da cobertura de unidades de educação pre-escolar (creches e jardins de infância) e respectivos equipamentos e recursos humanos. 38

40 3. 5 População, cultura e património Quanto à fruição de bens culturais, em 1999, o concelho de Braga possuía várias estações radiofónicas com 24 horas de emissão por dia, uma tiragem anual de 67 jornais por habitante, 110 sessões de cinema por 1000 habitantes. Em termos de infraestruturas culturais fixas há no concelho de Braga 10 bibliotecas por habitantes (Anuários Estatísticos Regionais, in ADRVC, 2003). A presença de duas Universidades A Universidade Católica e sobretudo a Universidade do Minho embora seja, em regra, referenciada como mui importante factor pela sua componente científico-técnica e cultural no arranque e no desenvolvimento socioeconómico e cultural, exige um estudo para aferir a intrigante simbiose e seus efeitos duplos nos dois sentidos entre o tecido socio-económico e cultural e o meio político e cultural e viceversa. É contudo evidente que o meio cultural e científico corporizado no universo escolar nomeadamente nas Universidades e em diversos estruturas de IDT (IDITE-Minho) e Agências e Associações de Desenvolvimento Regional (ADRVC) e outras Associações Empresarias (AIMinho, UEMinho) e sindicais (USB) têm tido impactos indiscutíveis que se têm repercutido positivamente nos sistemas produtivos, na expansão urbanística em termos de circulação e distribuição de bens e serviços e no próprio volume e nível de consumos, de lazer e novos estilos de vida. Em termos político-culturais, a dominância de ancestrais culturas de forte inspiração religiosa e eclesiástica mantém-se e convive certamente com instalados poderes cívico-políticos laicos, mas, por outro lado, ela tem de coexistir cada vez mais com emergentes e crescentes manifestações de secularização e laicismo. A sensibilidade de preservação do património arqueológico, histórico e patrimonial é hoje um dado adquirido por parte dos diversos quadrantes político-partidários e, em particular, por Associações orientadas para a defesa do património: Unidade Arqueológica da Universidade do Minho, a Fundação Bracara Augusta, a ASPA, entre outras. Poder-se-á dizer com propriedade que hoje mais do que nunca Braga é uma cidade cada vez mais plural, na medida em que, a par da sua riqueza e do seu património histórico e arquitectónico tradicional, a conjunção de diversos factores fazem do concelho e, em especial, da cidade de Braga um local atraente não só para trabalhar e estudar mas também para o lazer e o turismo. 39

41 3.6 Economia e emprego/desemprego A estrutura do tecido produtivo, quer ao nível do concelho, quer ao nível do distrito de Braga, é claramente marcada pelo predomínio dos sectores secundário (indústrias e construção civil) e sobretudo terciário (comércio e serviços), quer sob o ponto de vista do número de empresas localizadas no território, quer sob o ponto de vista da estrutura do emprego (trabalhadores por conta de outrem/ emprego estruturado não público). Nesta rubrica daremos conta da estrutura produtiva por sectores, seguindo-se, em função da temática social deste relatório, alguns dados sobre emprego e desemprego, quer a nível distrital, quer sobretudo a nível do concelho de Braga, tomando sobre o desemprego como eixos principais de análise o desemprego por grupos etários e o desemprego por anos de escolaridade Actividades económicas por sectores A estrutura empresarial do concelho é composta por empresas sediadas no concelho de Braga e caracteriza-se por forte presença de micro e pequenas empresas. Vista a distribuição das actividades por sectores, podemos verificar que predominam de longe os sectores secundário e terciário, quer a nível do concelho, quer a nível distrital. Em termos económicos, o concelho de Braga apresenta, em finais do ano 2000, um considerável dinamismo através da sediação de 3676 sociedades, predominantemente do sector secundário e terciário. Assim, enquanto só 0.9% das sociedades inscritas eram provenientes do sector primário, 30.4% pertenciam ao sector secundário, incluindo a construção, e 68.6% ao sector terciário. Também a nível distrital predominam as micro e pequenas empresas em que 42% das empresas sediadas têm menos de dez trabalhadores e apenas 0,1% das empresas têm mais de duzentos trabalhadores. Quanto à distribuição por sectores, em 1998 a distribuição era de 6% para a agricultura e pescas, 33% para indústria e construção civil e 61% no comércio e serviços (INE 1998 e MTS 1997), o qual é responsável por 24,8% do emprego estruturado. Em termos sectoriais, a estrutura empresarial é claramente dominada pelo comércio por grosso e a retalho (37,5%), pela indústria transformadora (20,3%) e pelo sector da construção (10,8%). Ainda com alguma representatividade surgem os sectores da agricultura, 40

42 produção animal, caça, silvicultura e pescas (5,5%), o sector do alojamento e restauração (8,8%) e as actividades imobiliárias, alugueres e serviços prestados às empresas. A nível interno e sectorial, o agrupamento de concelhos do Ave aparece como o mais industrializado do território, concentrando cerca de 53,2% das empresas industriais do distrito. Os concelhos do Cávado assumem, no interior do distrito e a nível global, uma maior expressão nas actividades primárias, concentrando 60,2% das empresas existentes neste ramo de actividade. De uma maneira geral, a estrutura produtiva do distrito, nomeadamente no que concerne o número de empresas e a estrutura do emprego, está claramente representada pelo conjunto dos centros urbanos mais dinâmicos (Braga, Barcelos, Guimarães e Vila Nova de Famalicão), concentrando estes cerca de 72,6% do total das empresas do distrito e 85,5% do emprego não estruturado. A nível do tecido empresarial de concelho de Braga, podemos avançar alguns dados relevantes. Em 1999 o volume das sociedades sediadas era de milhares de euros na posse de cerca de empresas com trabalhadores por conta doutrem. Entre as empresas sobressaem 84 filiais de bancos, caixas económicas e caixas de crédito agrícola mútuo, arrecadando euros de depósitos e tendo concedido ,2 milhares de euros de crédito. O número de empresas por NUT III representa 1.3% do total de empresas no Continente. A capacidade de alojamento no concelho de Braga era de camas por 1000 habitantes. O consumo de electricidade para fins industriais representava 0.98% do consumo total do Continente e o consumo de electricidade para fins industriais por consumidor era de GWh por consumidor. Por cada habitantes havia em finais de ,18 estabelecimentos hoteleiros e o número de dormidas por hóspede nos estabelecimentos hoteleiros era de 1.55 dormidas por hóspede. (Anuários Estatísticos Regionais, INE, in ADRVC, 2003) População empregada/desempregada De acordo com os Censos de 2001, o distrito possui uma população economicamente activa de indivíduos, dos quais encontram-se empregados e desempregados. O emprego no distrito está principalmente afecto ao sector secundário. 41

43 Apesar de recentemente muitas fábricas terem encerrado, inclusive na região do Vale do Ave, o sector dos têxteis e do vestuário, da electricidade e da construção civil são predominantes neste distrito. O sector têxtil e do vestuário emprega basicamente mulheres, sendo a sua estrutura etária bastante jovem, embora a estrutura do emprego por sexos se apresente, em geral, mais penalizadora para o trabalho feminino. Quadro 8 População empregada População População Taxa de actividade Concelhos economicamente economicamente (M+F) activa (M+F) activa e empregada (M+F) Amares Barcelos ,4 Braga ,9 Cabeceiras de Basto ,9 Celorico de Basto ,4 Esposende Fafe ,5 Guimarães ,8 Povoa de Lanhoso ,9 Terras de Bouro ,8 Vieira do Minho ,4 Vila Nova de Famalicão Vila Verde ,7 Vizela ,7 Total ,6 INE, Censos A nível do concelho de Braga, a população empregada em relação à população activa é de 93.1% e, a nível de distrito, esta relação é de 94.4%. Quanto à relação da taxa de actividade por sexo é de 51.9 homens para 48.1 mulheres para o concelho de Braga e 45.6 homens versus 53.4 mulheres, o que mostra o predomínio das mulheres, quer em actividades do sector primário, quer do sector secundário, sobretudo nas indústrias têxtil e vestuário, quer ainda em certas áreas do comércio e serviços (ensino, segurança social, serviços de limpeza). 42

44 Desemprego e modalidades de desemprego Se pretendermos ter um retrato da estrutura do emprego/desemprego para o concelho de Braga, os dados cedidos pela Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Cavado (ADRVC) mostram-nos o seguinte quadro: Quadro 9 População desempregada no último trimestre de 2002 População Concelhos Desempregada (M+F) Amares 626 Barcelos Braga Cabeceiras de Basto 914 Celorico de Basto 970 Esposende 690 Fafe Guimarães Povoa de Lanhoso 740 Terras de Bouro 459 Vieira do Minho 562 Vila Nova de Famalicão Vila Verde Vizela 853 Total IEFP, Estatísticas do Emprego, 4º Trimestre Segundo os dados do IEFP, o conjunto dos desempregados no concelho de Braga em Maio de 2003 é de 560 desempregados à procura do primeiro emprego, de 8100 desempregados à procura de novo emprego. Incidindo a análise do desemprego a nível distrital, poder-se-á dizer que o distrito de Braga apresenta elevados índices de desemprego, podendo neste quadro verificar e comparar as diversas taxas de desemprego por concelho: 43

45 Quadro 10 População desempregada em 2001 População Desempregada (M+F) Taxa de à procura à procura desemprego Concelhos de 1º de novo total (%) emprego emprego Amares ,8 Barcelos ,3 Braga ,9 Cabeceiras de Basto ,9 Celorico de Basto ,6 Esposende ,9 Fafe ,5 Guimarães ,3 Povoa de Lanhoso ,5 Terras de Bouro ,3 Vieira do Minho ,2 Vila Nova de Famalicão ,2 Vila Verde ,4 Vizela ,9 Total ,2 INE, Censos A taxa de desemprego a nível do concelho de Braga é de 6.9%, uma taxa ligeiramente superior à taxa de desemprego a nível distrital (6.2%). Se compararmos a evolução da população total desempregada desde o início de 2001 que registava indivíduos desempregados até ao último trimestre de 2002 que somava indivíduos, tal significa que, nesse período de tempo, o distrito conheceu um aumento de 9380 de desempregados, ou seja, um aumento de cerca de 40%. O distrito de Braga é, assim, o quarto com maior número de desempregados, após os de Lisboa, Porto e Setúbal. Perspectivada a evolução das taxas de desemprego nomeadamente entre 1991 e 2001, podemos comprovar como, nesta última década, se verificou um relativo agravamento, passando de 4.9% de desempregados em 1991 para 6.9% em Contrariando a ideia de que o desemprego afecta sobretudo os trabalhadores com mais idade, os dados relativos ao desemprego registados em Novembro de 2002 traduzem a ideia 44

46 nuclear que o desemprego atinge particularmente os jovens, assumindo números preocupantes: cerca de 30% dos novos desempregados inscritos em Novembro de 2002 tinham menos de 25 anos. Os trabalhadores com idades entre os 25 e os 34 anos representam entre 20% a 30%. Por isso, para os que entram no mercado de trabalho e para os que entraram há menos tempo a conjuntura não é nada fácil. Em 2001, de acordo com os dados insertos no quadro 9, as taxas de desemprego atingiam 6,9% da população activa; porém, esta taxa está a aumentar, se tivermos em conta os dados revelados pelo quadro 10 atinentes ao último trimestre de Analisada a situação dos desempregados por grupos etários, o seguinte quadro, com base nos dados fornecidos pela ADRVC, dá-nos conta da distribuição dos desempregados pelos seguintes escalões etários: Quadro 11 População Bracarense desempregada por grupos etários Concelho de Braga 16 a 25 anos 25 a 44 anos Grupos Etários (anos) 45 a 54 anos 55 ou mais anos Total Março de Abril de Maio de % % % % % Fonte: IEFP, ADRVC, 2003 Considerando a evolução apenas do primeiro trimestre de 2002, verifica-se um aumento progressivo do desemprego, sendo de salientar que praticamente metade dos desempregados encontram-se em idade activa dos 25 a 44 anos, As restantes parcelas distribuem-se pelos demais escalões, afectando de resto não só o escalão de pessoas com 55 ou mais anos (15.3%) mas também desempregados jovens entre os 16 e 25 anos (16.5%). 45

47 Quadro 12 População bracarense desempregada por anos de escolaridade Concelho de Anos de escolaridade Braga Total anos anos anos anos Março de Abril de Maio de % % % % % Fonte: IEFP, ADRVC, 2003 Incidindo a atenção na configuração dos desempregados por nível de escolaridade poder-se-á inferir que, mesmo não entrando em linha de conta com casos sem qualquer escolaridade ou outros com elevada qualificação, se, por um lado, os mais afectados serão no conjunto os trabalhadores menos qualificados (63.5%), por outro, não escapam à exclusão social pela via do desemprego trabalhadores semi-qualificados ou até qualificados com 9-12 anos de escolaridade. 3.7 Alguns indicadores sociais de bem-estar e qualidade de vida Em Portugal, como noutros países, embora de modo mais acentuado, verifica-se uma desigual distribuição territorial de infraestruturas, equipamentos e recursos humanos, quer no tocante aos serviços de saúde, quer no concernente a outros indicadores sociais, desde o número de acidentes de viação, passando pelo consumo de energia e tipo de habitação, até ao acesso a bens culturais (bibliotecas, museus, cinema) Saúde: infraestruturas, equipamentos e recursos humanos A acentuada desigualdade territorial no acesso a bens da saúde verifica-se a nível nacional, pelo que são os grandes centros urbanos Lisboa, Porto e Coimbra a concentrar a grande parte dos meios e do pessoal (para)médico, em particular, o pessoal mais altamente especializado. Esta lógica de concentração e desigualdade territorial à escala nacional reproduz-se a nível regional e subregional nomeadamente a nível distrital e concelhio. O 46

48 acesso à saúde está, por isso, não apenas dependente das condições socio-económicas das diferentes classes ou grupos sociais, mas também da desigual distribuição territorial de infra estruturas, equipamentos e pessoal de saúde, o que penaliza mais uma vez as populações residentes em zonas mais recuadas e isoladas geográfica e socialmente, tal como aliás se pode ler do seguinte quadro que engloba os diversos concelhos do distrito: Quadro 13 Hospitais, Centros de saúde, postos médicos, médicos Concelhos Hospitais Oficiais Particulares Centros de Saúde Com Internamento Sem Internamento Extensões dos Centros de Saúde Postos Médicos Oficiais Médicos por 1000 Habitantes Médicos por Concelho de Residência Amares ,6 11 Barcelos ,8 97 Braga ,8 608 Cabeceiras de ,8 14 Basto Celorico de Basto ,3 7 Esposende ,7 55 Fafe ,8 41 Guimarães ,6 252 Povoa de ,4 10 Lanhoso Terras de Bouro ,5 4 Vieira do Minho ,6 9 Vila Nova de ,2 155 Famalicão Vila Verde ,3 16 Vizela X X Total Fonte: INE, 2001, ADRVC, 200 Através dos dados do quadro 13 verifica-se que os maiores centros populacionais, de cariz mais urbano apresentam-se mais e melhor apetrechados em termos de infraestruturas de saúde, verificando-se o mesmo quanto ao pessoal médico. Com efeito Barcelos, Braga, Fafe, Guimarães e Vila Nova de Famalicão possuem não só um maior número de hospitais (oficiais e particulares) e de Centros de Saúde, incluindo Extensões e Postos Médicos, como, juntamente com o concelho de Esposende pela sua situação litoral, registam valores mais elevados quanto ao número de médicos por cada 1000 habitantes. 47

49 De entre todos os concelhos referidos Braga é aquele em que a situação de melhor apetrechamento em infraestruturas e equipamentos e o rácio médico/habitantes são mais favoráveis, o que nos é confirmado por outras fontes, nomeadamente pelos dados obtidos e cedidos pela ADRVC. O concelho de Braga, em finais de 1998, possuía 2.6 hospitais por habitantes na prática tem três hospitais particulares e um hospital central público, 6.58 camas por 1000 habitantes com uma ocupação de 76.23%; em 2000 tinha 1.86 centros de saúde por habitantes, 6.2 extensões de saúde, 3.72 postos médicos e farmácias por habitantes numa média de 2.1 farmácia por habitantes. Por último, mas não menos importante, o concelho de Braga tem 3.77 médicos por 1000 habitantes, o que o coloca acima da média nacional de 3 médicos por 1000 habitantes e bastante acima da média dos demais concelhos do distrito 3 (cf. INE, Anuários Estatísticos Regionais, , ADRVC, 2003) Segurança Social e instituições de solidariedade social No campo da Segurança Social, a primeira consideração a fazer seria a de que as prestações da Segurança Social, em geral, são bastante baixas e nesse sentido o concelho de Braga, como todos os demais, sofre das carências e insuficiências do sistema de segurança social a nível nacional. Por exemplo, se a nível nacional, em 2001, havia 23.8% pensionistas em 100 habitantes, no concelho de Braga, havia em 2000 e, em 2001, 17.6 pensionistas por 100 habitantes, cuja média das prestações se reduzia a cerca de 2533 euros por ano, ou seja, a 212 euros (=42.000$00) por mês. Não entrando, porém, em consideração com as insuficiências gerais do sistema de segurança social, o concelho de Braga apresenta contudo mais uma vez uma situação de relativa vantagem a outros concelhos do interior. Considerando as necessidades sociais a nível da infância, em 2000 o concelho de Braga tinha creches e jardins de infância por habitantes, o que, não sendo certamente suficientes para as necessidades, representa uma média superior a outros concelhos limítrofes e sobretudo do interior minhoto. No conjunto do continente o número de utentes das creches e jardins de infância representava 2.99% do total destas infraestruturas a nível nacional. 3 cf. INE, Anuários Estatísticos Regionais, , ADRVC, Quanto às médias de médicos por 1000 habitantes nos demais concelhos minhotos, verifica-se uma disparidade considerável em relação a Braga: 0.3 para Vila Verde, 0.3 para Póvoa de Lanhoso, 0.3 para Celorico de Basto, 0.5 para Terras do Bouro, 0.6 para Cabeceiras de Basto, 0.6 para Amares, 0.7 para Vieira do Minho, 0.7 para Barcelos, 0.8 para Fafe, 1.2 para Vila Nova de Famalicão, 1.3 para Guimarães, 1.4 para Esposende, médias estas bastante distantes da média nacional de 3 por 1000 e mais ainda de Braga com 3.7 por 1000 habitantes (cf. Governo Civil de Braga, 2001). 48

50 Tomando em conta um outro importante grupo etário carente de cuidados específicos o grupo dos idosos verifica-se que no concelho de Braga o número médio de lares de idosos é de por habitantes, representando os utentes dos lares de idosos no concelho de Braga apenas 1.39% dos utentes a nível nacional, colocando-se, portanto, abaixo do volume relativo de população bracarense no conjunto nacional. Nem todos os idosos e suas famílias uns por hábitos tradicionais, outros por falta de meios se dispõem a internar em lares os seus familiares idosos, pelo que a existência deste quantitativo de lares é também dependente do nível da procura. Por outro lado, mais nos lares que nas creches e jardins de infância, a componente de prestação de serviços de cariz privado e com orientação para o lucro significa que apenas determinados segmentos populacionais podem usufruir dos cuidados prestados nos lares de terceira idade. Uma categoria social que tem sido objecto de algum apoio social é o conjunto de beneficiários do Rendimento Mínimo Garantido (RMG) que, implementado desde 1997 por Lei da Assembleia da República aprovada pelos grupos parlamentares do PS e do PCP, representou um alívio financeiro para necessidades básicas de cerca de 6000 famílias e indivíduos no distrito de Braga, sem qualquer outra fonte de rendimento, das quais uma boa parcela residente no concelho de Braga. O RMG, enquanto mecanismo de combate à exclusão social, visa, em última instância, superar a concepção assistencialista e caritativa tradicional e, através de implementação de regras gerais e universais, articular o apoio social com um programa de inserção social e profissional, por forma a assegurar aos indivíduos e seus agregados familiares recursos que contribuam para a satisfação das suas necessidades mínimas e para o favorecimento de uma progressiva inserção social e profissional (art. 1, Lei 19-A/96). Como se pode observar pelo mapa a seguir apresentado, baseado nos dados fornecidos pelo Centro Distrital de Solidariedade e Segurança Social de Braga (CDSSSB) em Janeiro de 2003, existem no distrito um total de 302 entidades privadas de solidariedade social que possuem acordos de cooperação com este Centro. Estas entidades encontram-se em maior quantidade nos concelhos mais populosos, de carácter mais urbano, o que se pode inferir pelo facto de os concelhos de Braga, Barcelos, Guimarães e Vila Nova de Famalicão reunirem 64,6% do total das instalações, destacando-se o concelho de Braga com 80 entidades. 49

51 Outros indicadores de (falta de) bem-estar Para completar os dados já fornecidos, acrescentaremos alguns dados indicativos do nível de bem-estar e qualidade de vida em termos socio-económicos e em termos culturais e de lazer. Começando pelo índice do poder de compra per capita, o concelho de Braga situa-se no índice 103, considerando 100 a média a nível do continente, superando bastante outros índices concelhios, não só de concelhos do interior minhoto (28.3 para Celorico de Basto, 34.7 para Terras do Bouro, 37.6 para Vieira do Minho, 39.6 para Cabeceiras de Basto, 41.3 para Vila Verde, 44 para Amares, 45.5 para Póvoa de Lanhoso, 51 para Fafe), mas também outros industrializados e urbanizados tais como Barcelos com 53.2, Famalicão com 65.2, Guimarães com 67.7 e Vizela com (cf. INE, Anuário Estatístico, 1997, Distrito de Braga, 2001 ). Começando pelos indicadores energéticos, o consumo de electricidade para fins domésticos no concelho de Braga é, em 2001, de 2.5 GWh/consumidor e o consumo total de electricidade por consumidor é de 6.52 GWh/consumidor. Em termos de construção de edifícios para habitação, no concelho de Braga houve 5.42 licenças por 1000 habitantes (cf. Market Sales Index in ADRVC, 2003). E, quanto a construções novas, no concelho de Braga, em 1999, foram de 4.92 por 1000 habitantes e fogos por 1000 habitantes numa média de 3.07 fogos por edifício de habitação. Mesmo quando algumas habitações construídas o sejam por razões de mercado ou até especulativas, este aumento de edifícios é um outro indicador do aumento populacional no concelho e, em particular, na cidade de Braga. Em relação à taxa de mortalidade versus a da natalidade, no concelho de Braga, o rácio era, em 1999, de 1.99% e, em termos de sinistralidade, o número de acidentes com vítimas era, em 1999, no concelho de Braga, de 4.2 vítimas por 1000 habitantes. A taxa de mortalidade infantil apresenta, para o quinquénio de , a taxa de 7.3 %o e, em 2001, esta descia para cerca de 6%o. Um outro indicador socio-demográfico importante para aferir a qualidade de vida é o que resulta da esperança de vida à nascença que, em relação ao concelho de Braga, não se afasta da média nacional: 78.7 anos para as mulheres e 71.4 para os homens, daí resultando uma média global de 75 anos. Por fim, a nível de equipamentos de apoio a determinadas categorias etárias, o concelho de Braga conta com 89 equipamentos para a infância e juventude e 36 para idosos. 50

52 IV- POBREZA E EXCLUSÃO NO CONCELHO DE BRAGA: O OLHAR INSTITUCIONAL Tomando a devida precaução no sentido de assumir como indicativos e sintomáticos duma primeira abordagem a acumulação e o contraste das posições das diversas instituições ocupadas com os problemas da pobreza e da exclusão social, estes primeiros resultados constituem, como já referimos, a base principal para um pré-diagnóstico da situação, onde serão apresentadas as principais necessidades e problemas, os constrangimentos e as potencialidades e oportunidades, de modo a avaliar os pontos fortes e pontos fracos da actual situação das categorias e grupos sociais mais afectados pela pobreza e exclusão social Instituições: enquadramento, infraestruturas e recursos humanos Antes de registar e analisar as principais necessidades e problemas com que as instituições se defrontam, importa previamente caracterizar, do ponto de vista jurídico e da sua composição social, as instituições que se têm ocupado no concelho dos problemas da pobreza e da exclusão social. Gráfico 1- Natureza jurídica da instituição (em %) 35 33, , , ,3 5 3,3 3,3 3,3 1,7 1,7 0 IPSS Junta de freguesia Instituições de natureza pública ONG/ sem fins lucrativos Associação Centro Social Instituições de natureza religiosa Cooperativa Outros Fonte: ILPES, Braga,

53 Tendo em conta as posições apresentadas sobre a natureza jurídica das instituições inquiridas ressaltam, por um lado, as IPSS com (33%), as quais, acrescidas de um conjunto de associações de carácter ora privado ora comunitário somam uma fatia maioritária de instituições e organizações sem fins lucrativos (53.2%) e que detêm um papel relevante de interesse social e parapúblico na medida em que as suas acções se destinam a cobrir necessidades e enfrentar problemas sociais. Por outro lado, há a relevar as organizações de carácter declaradamente público, tal como é o caso das Juntas de Freguesia e outras instituições de carácter público. Mesmo quando não especificamente nem principalmente vocacionadas para a resolução de problemas sociais concretos, elas são directa ou indirectamente envolvidas neste tipo de problemas e são certamente importantes na procura de soluções para problemas de emergência não só colectiva mas familiar e individual. Gráfico 2- Instituições e tipos de organismos de integração REAPN, UCNOD, APHM, RNAJ, OCPLP, Confederações, Cáritas... 15% 15% 38% União das IPSS ANAFRE Ministérios 7% 25% Em nenhum Outros Fonte: ILPES, Braga, 2003 Em relativa consonância com a natureza jurídica das instituições, a maior parte delas está integrada na União das IPSS e/ou noutros organismos de cúpula, ora de vocação comunitária como o REAPN ou de interestatal como a OCPLP ou nacional (UCNOD, RNAJ) perfazendo no total 53%, ficando 7% das mesmas sob tutela ministerial e 25% no 52

54 quadro da Associação Nacional das Freguesias (ANAFRE) e, enquanto tal associadas num Organismo nacional de carácter público. Restam apenas 15% que não se encontram enquadradas em nenhuma instituição municipal, nacional ou internacional. Uma das bases de sustentabilidade das instituições para o exercício permanente e eficaz das suas actividades consiste em saber em que medida elas possuem sede própria ou têm-na arrendada ou cedida por outra instituição ou entidade particular, o que nos é dado pelo gráfico 3: Gráfico 3 - Instituições e tipos de sede Arrendada - 8,3% Cedida - 15% 23% Sim Não 77% Fonte: ILPES, Braga, 2003 Da leitura do gráfico podemos afirmar que a grande maioria (77%) das instituições inquiridas têm sede própria, distribuindo-se as restantes entre 8,3% de sedes arrendadas e 15% de cedidas. Estes dados denotam, por um lado, uma estratégia bem marcada de implantação e relativa consolidação económico-financeira pela qual a grande maioria das instituições, por meios próprios ou subsidiada, obteve uma base de relativa autonomia com a aquisição de sede. Há, porém, 23% de instituições que conhecem situações mais precárias ou se têm visto na necessidade de arrendar sede ou manter actividade graças à generosidade ou boa vontade de certas pessoas ou instituições que graciosamente cederam as instalações. 53

55 A fim de aferir o grau de dinamismo das instituições nas actividades a desempenhar, procuramos saber a frequência em que mantêm aberta a sede, indicador que, embora não decisivo, é contudo sintomático do volume e intensidade de actividades: Gráfico 4- Tempos de abertura da sede (em %) 60 51, , Todos os dias Alguns dias Só durante a semana Fonte: ILPES, Braga, 2003 Procurando aferir a frequência e a intensidade de actividades nas instituições pode concluir-se que, salvo uma minoria de 15% que abrem as suas sedes alguns dias na semana e, em regra, em períodos compatíveis com outras actividades profissionais dos seus dirigentes ou sócios colaboradores, a grande maioria está aberta ou todos os dias (33%) ou, pelo menos, todos os dias da semana (52%), o que significa que 85% das instituições estão regularmente abertas na prossecução dos seus objectivos e realização das suas actividades. A disponibilidade e a rapidez na intervenção em certos casos foi evidenciada por vários representantes das instituições. 54

56 Para levar a cabo as actividades não basta possuir uma sede, de preferência própria, mas são precisas outras condições infraestruturais, o que nos é dado constatar pelo gráfico 5: Gráfico 5- Condições infraestruturais da instituição 58, ,7 0 Boas Razoáveis Deficientes Más Fonte: ILPES, Braga, 2003 Em termos de condições infraestruturais, das respostas dos representantes das instituições inquiridas foi possível inferir que estas, na sua maioria, estão relativamente satisfeitas com a qualidade das condições infraestruturais, considerando-as boas em 58% dos casos e razoáveis em 35% dos casos, havendo apenas uma percentagem residual de 7% que as considera deficientes ou más. 4.2 Recursos humanos e técnicos Para além das condições infraestruturais de carácter físico, importa indagar sobre os recursos humanos e técnicos indispensáveis para levar a cabo as actividades previstas, o que se prende com o número de postos de trabalhos, a começar por funcionários recrutados para as respectivas instituições, tal como nos mostra o gráfico 6: 55

57 Gráfico 6- Número de funcionários (em %) não possui funcionários 18,3 1 a 5 26,7 6 a 10 13,3 11 a 20 11,7 21 a 50 18,3 mais de 50 11, Fonte: ILPES, Braga, 2003 Em relação ao número de funcionários, ressalta, no conjunto, por um lado, o grupo de instituições que possuem entre 1 a 5 funcionários (27%) e, por outro, o das instituições com 21 a 50 funcionários (18%). Em termos médios mas ainda significativos, importa realçar que 25% de instituições têm entre 6 a 20 funcionários. Por fim, já em termos mais extremados, temos no escalão superior cerca de 12% de instituições com mais de 50 funcionários, cuja dimensão e alcance são já consideráveis em termos de objectivos, actividades e recursos. Num outro extremo, constata-se a existência de 18% de instituições que não têm qualquer funcionário, podendo daí inferir-se as dificuldades de funcionamento ou então estarem dependentes de voluntariado. Quadro 14- Número de funcionários por natureza jurídica das instituições IPSS Centro social Associação Junta freguesia Cooperativa ONG Instituição de natureza pública Ins tituição de natureza religiosa (0-5) 25-12,5 31, ,8 12,5 (6-10) 12,5 12,5-37,5-37,5 - - (11-29) 57, , , ,1-18,2 - mais de 50 57,1 14, ,6 - Não possui funcionários ,8-18,2 - - Fonte: ILPES, Braga,

58 Neste quadro, em que se correlacionou o número de funcionários pela natureza das instituições, ressaltam dois extremos: por um lado, o grupo das IPSS que possuem, na sua maioria, mais de 20 funcionários (27%) e, por outro, o das Juntas de Freguesia que, na sua grande maioria, não possuem funcionários nomeadamente para efeitos de apoio social, mesmo quando não raro sejam interpelados a tal. Outras organizações (ONG s) e associações de cariz voluntário (centros sociais, cooperativas e associações de cariz social ou religioso) possuem, na sua maioria, entre 1 a 10 funcionários, denotando também um alcance mais limitado de actividades ou de recursos. Pretendendo saber quais os tipos de recursos humanos e técnicos ao dispor das instituições e organizações e, em particular, os perfis e graus de qualificação, foi possível inferir os seguintes resultados expostos no gráfico 7: Gráfico 7 Tipo de recursos humanos e técnicos 38,3 Psicólogos Técnicos de Acção Social Pessoal de Apoio Geral Professores Pessoal de Apoio Técnico 16, ,3 11,7 21,7 21, Enfermeiros e auxiliares Terapeutas Fonte: ILPES, Braga, 2003 Predominam de longe psicólogos (35.%) e técnicos de acção social (30%), seguindose, em menores percentagens, pessoal de apoio geral e, para determinadas tarefas específicas, professores, enfermeiros, terapeutas e pessoal de apoio técnico. Embora não constitua nem uma realidade nova nem específica no país ou na região, é contudo algo surpreendente, interessante e susceptível de várias leituras a constatação de 57

59 cerca de 48% das instituições no concelho de Braga terem respondido que desenvolviam práticas de apoio social com base no voluntariado, cujo número e pertença por sexo pode ser precisada com base nos dados obtidos e trabalhados no seguinte gráfico: Gráfico 8 Número de voluntários por sexo 25 23,3 23, ,3 6,7 6,7 5 3,3 1,7 1,7 1,7 1, [0-9] [10-19] [20-29] [30-39] [70-79] [80-89] mais de 100 Masculino Feminino Fonte: ILPES, Braga, Nas actividades levadas a cabo por voluntários destaca-se um notável contingente de homens e mulheres inseridos nas mais diversas instituições ou organizações de orientação social, sobressaindo as IPSS s (44.8%) e as ONG s sem fins lucrativos (13.8%). Como se pode ver do gráfico, é de assinalar que são as instituições de pequena dimensão (de 1 a 9 funcionários) e grande dimensão (com mais de 20 funcionários) as que apresentam um maior envolvimento de voluntários nas actividades das respectivas instituições. Uma parte considerável das instituições conta com 1 a 9 voluntários equitativamente distribuídos por sexo, seguindo-se algumas outras em que há mais de 10 voluntários, umas com predomínio de homens e, nas instituições de maior dimensão, com a quase exclusiva dedicação de mulheres. Numa época de crise de valores em que as velhas práticas de entreajuda e solidariedades primárias próprias das sociedades de interconhecimento, sobretudo em meio rural, se encontram em fase de erosão (cf. Silva 2002), é relevante constatar como, é predominantemente em meio urbano onde emergem com relativa expressão acções voluntárias de solidariedade para com os pobres e excluídos, em particular, com determinadas 58

60 franjas ou categorias mais vulneráveis. Este fenómeno com novos contornos e surgidos num quadro do crescente individualismo moderno pode e deve suscitar importante motivo de reflexão como uma das grandes potencialidades de solidariedade intergrupal e intergeracional. No entanto, contrariamente às propostas neoliberais, ele não deverá nem poderá constituir um pretexto para as teorias neoliberais aliviarem as obrigações estatais do Estadoprovidência para com os mais desprovidos económica e socialmente. Relevante também é constatar, dentre os voluntários, quais as categorias etárias e sua distribuição por sexo, o que nos é dado ler pelo seguinte gráfico: Gráfico 9 Idade dos voluntários por sexo ,7 31, ,3 26,7 31,7 31, ,7 26, anos anos Fonte: ILPES, Braga, anos anos mais de 55 anos Feminino Masculino Do gráfico poder-se-á inferir que as acções voluntárias de entreajuda e solidariedade provêm de todas as categorias etárias e, em maior ou menor grau, tanto praticadas por homens como por mulheres em proporções relativamente próximas ou até idênticas, sobretudo nos escalões de pessoas com mais de 45 anos. Caracterizando os voluntários segundo o sexo e a idade, constata-se que a implicação dos homens é menor antes dos 25 anos (21,7% contra 26,7% para as mulheres) mas ultrapassa a das mulheres entre os anos (cerca de 30% e 27% respectivamente). A partir dos 45 59

61 anos o envolvimento de homens e mulheres revela-se em grau semelhante. As diferenças por idade e sexo neste tipo de actividades sociais parecem correlacionar-se com o ciclo de vida: por exemplo, as mulheres que parecem menos activas no voluntariado entre os 25 e 45 anos estarão mais ocupadas com encargos e tarefas da própria família, enquanto quer antes dos 25, quer após os 45 surgem mais disponíveis. Após os 45 anos e sobretudo após os 55 anos parece haver mais homens e mulheres disponíveis a apoiar voluntariamente acções de solidariedade social. Pelas observações de tipo qualitativo e pelas conversas havidas no terreno foi possível deduzir que bastantes dos voluntários são cidadãos em período de pré-reforma ou reforma com habilitações e/ou com profissões passadas ou presentes qualificadas. A maioria dos voluntários desempenha tarefas de carácter técnico, com maior expressividade nos voluntários do sexo feminino. Reproduzindo práticas correntes em diversos tipos de organizações também nestas os cargos de direcção recaem ou são preenchidos com maior frequência por voluntários do sexo masculino. 4.3 Área geo-social de intervenção e valências Questionados os representantes das instituições sobre a área de intervenção foi possível inferir que, na sua grande maioria, a área de intervenção das instituições circunscreve-se ao nível da freguesia, de várias freguesias ou do próprio concelho, tal como podemos verificar pelo gráfico

62 Gráfico 10 Área geográfica de intervenção Freguesia 36,7 Concelho 26,7 Inter-freguesias 15 Dis tr ito 11,7 Nacional 6,7 Outras 3, Fonte: ILPES, Braga, 2003 Quanto à área de intervenção, a maioria circunscreve-se ou à freguesia (37%), a um conjunto de freguesias (15%), na maioria geograficamente próximas, o que perfaz cerca de 52% das instituições que actuam ao nível mais local ou inter-local. Seguidamente, surgem 27% de instituições que têm um raio de acção municipal, as quais acrescidas de cerca de 12% somam no âmbito concelhio e regional 39%, sendo igualmente pouco significativas as instituições de âmbito nacional. Se, porém, fizermos uma correlação entre as instituições e a área de intervenção, obtemos a seguinte distribuição reflectida no quadro 15: Fonte:ILPES, Braga, 2003 Quadro 15 Área geográfica de intervenção por instituição Área Geográfica de Intervenção Instituição Freguesia Junta de freguesia (77,3%) Inter-freguesias IPSS (66,7%) Concelho IPSS (37,5%) Instituições de natureza pública (31,3%) Distrital Instituições de natureza pública (42,9%) Nacional IPSS 61

63 Deste quadro se infere que, enquanto as Juntas de Freguesia estão circunscritas no seu raio de acção à freguesia, já, porém, as IPSS têm um alcance maior a nível de várias freguesias ou do próprio concelho e as de natureza pública ou semi-pública têm um alcance mais vasto a nível distrital ou mesmo nacional. Passando da área geográfica para o âmbito social atinente aos grupos ou público-alvo objecto de intervenção, os dados dos inquéritos mostram os seguintes resultados expressos no gráfico 11: Gráfico 11 Público-alvo da instituição (em %) Jovens Crianças 55 56,7 Idosos 51,7 Famílias 40 Toxicodependentes Deficientes Grupos étnicos desfavorecidos Desempregados Outros 28,3 28,3 26,7 26, Fonte:ILPES, Braga, 2003 Quando procuramos saber qual o público-alvo que as respectivas instituições têm em vista nas suas actividades e objectivos de intervenção foi possível inferir que as principais categorias que foram objecto de acção e intervenção foram os jovens (57%), as crianças (55%) e os idosos (52%), a que se segue o apoio a nível familiar a agregados domésticos com diversos tipos de carências e, embora numa percentagem mais reduzida mas ainda significativa, os toxicodependentes (28%), deficientes (28%), grupos étnicos desfavorecidos (27%) e desempregados (27%). 62

64 A orientação das actividades para estes grupos-alvo dão já conta sobre quais as valências predominantes em funcionamento nas respectivas instituições ocupadas com necessidades ou problemas de ordem social, tal como se pode ver pelo gráfico 12: Gráfico 12 Valências em funcionamento (em %) Infância 31,7 Jovens 28,3 3.º Idade/ Idosos 26,7 Minorias étnicas Deficientes Dependências 8,3 (ex)reclusos 5 Sem abrigo 3,3 Seropositivos 1, Fonte: ILPES, Braga, 2003 Em relativa consonância com os grupos-alvo, as valências em funcionamento têm também como prioridade as crianças (31.7%), os jovens (28.3%) e os idosos (26.7%), e, em menor percentagem, as minorias étnicas (10%), deficientes (10%) e outros. Fonte: ILPES, Braga, 2003 Quadro 16- Valências por natureza jurídica IPSS Centro social Associação Junta freguesia Cooperativa ONG Instituição Instituição de natureza de natureza pública religiosa Infância 36,8 5,3-31,6 5,3-15,8 5,3 Jovens 47,1 5, ,9 41,2 - Idosos 62,5 12,5-6,3 6,3 6,3 6,3 - Deficientes 33,3-16, ,7 33,3 - Sem-abrigo Dependências Seropositivos Minorias étnicas Ex reclusos ,3 66,7-63

65 É nas IPSS s e nas instituições de natureza pública que podemos encontrar a maior parte das valências, sobretudo dirigidas à infância, à juventude e à terceira idade, mas é de realçar, também, o papel das ONG s sem fins lucrativos no trabalho desenvolvido com as minorias étnicas e dos Centros Sociais no trabalho com ex-reclusos e os seropositivos. Incidindo a atenção nos tipos de actividades desenvolvidas, o gráfico 13 dá-nos conta das seguintes actividades de tipo transversal: Gráfico 13 Actividades transversais (em %) , ,7 8,3 4 1,7 2 0 Projectos de luta contra a pobreza Projectos de desenvolvimento local e regional Formação escolar/ profissional Habitação Atendimento integrado Outras acções Fonte:ILPES, Braga, 2003 O grosso das actividades realizadas pelas instituições consiste no atendimento integrado que atende a um conjunto de necessidades e problemas dos cidadãos carentes. Seguem-se acções orientadas para a formação escolar ou profissional (13.3%) projectos de desenvolvimento local e regional (10%) e projectos de luta contra a pobreza (6.7%). 4.4 Grupos vulneráveis: necessidades e problemas sociais Os objectivos centrais da intervenção social consistem justamente em detectar e conhecer, por um lado, quais os grupos sociais mais vulneráveis e, por outro, quais as principais necessidades e problemas, de modo a fazer-lhes face na medida das possibilidades e 64

66 recursos disponíveis, mesmo tendo consciência de, em variadas situações, haver um sentimento de impotência para a sua resolução adequada e justa Representações sociais sobre grupos sociais mais vulneráveis No leque dos grupos sociais mais vulneráveis à pobreza e à exclusão social 4 independentemente do quadro teórico assumido - procuramos saber, a partir das próprias instituições envolvidas com estes tipos de problemas, quais os grupos ou categorias mais afectados, bem como o grau de vulnerabilidade a que estão expostos: Gráfico 14- Grupos sociais muito vulneráveis (%) Idosos 44,1 Toxicodependentes 40,7 Alcoólicos 33,9 Desempregados 25,4 Grupos étnicos 23,7 Deficientes 22 Jovens à procura 1.º emprego 18,6 Imigrantes Doentes crónicos 15,3 15,3 Trabalhadores situação precária Famílias monoparentais 8,5 8,5 Trabalhadores baixos salários 6,8 Famílias extensas 3,4 Fonte: ILPES, Braga, Do gráfico acima exposto é possível deduzir que os grupos muito vulneráveis à exclusão social são pela ordem decrescente os idosos (44%), os toxicodependentes (41%), os alcoólicos (34%), seguidos, em percentagens menores, pelos desempregados (25%), grupos étnicos (24%), deficientes (22%) e outros tais como jovens á procura de primeiro emprego, imigrantes, doentes crónicos, trabalhadores em situação precária, famílias monoparentais. 4 Para uma classificação e análise dos modos e mecanismos de exclusão e destituição social, bem como dos principais grupos sociais mais excluídos em Portugal, cf. Fernandes (1991), Almeida et al. (1992), B. da Costa (1998) e Capucha (1998). 65

67 Se acrescentarmos ao muito vulnerável o bastante vulnerável e o vulnerável, então as percentagens sobem a 80% para os idosos, 83% para os toxicodependentes, 80% para os alcoólicos. Ou seja, a par da dupla dependência o alcoolismo como uma dependência culturalmente arraigada e a toxicodependência como dependência maciçamente emergente nas últimas décadas surge o problema dos idosos com o seu isolamento, o qual é agravado em caso de se conjugar com a doença crónica (Leandro e Pinto 2000). Seguem-se, por ordem decrescente, os problemas relativos aos jovens à procura de primeiro emprego (83%), aos trabalhadores com baixos salários (73%), aos grupos étnicos (73%), aos deficientes (73%), aos imigrantes (72%), aos trabalhadores em situação precária (61%), aos desempregados (59%), aos doentes crónicos (59%), às famílias monoparentais (51%), às famílias extensas (51%). Gráfico 15- Problemas sociais identificados (%) Toxicodependência 22 20,3 25,4 Pobreza 18,6 27,1 Desemprego Alcoolismo 10,2 11,9 16, ,7 28,8 Problemas habitacionais 8,5 23,7 37,3 Violência Familiar 6,8 10,2 15,3 Delinquência 3,4 18,6 23,7 Fonte: ILPES, Braga, Muito grave Bastante grave Grave Os representantes das instituições, quando questionados sobre quais os principais problemas com que se defrontam e que reputam de muito grave ou bastante grave acharam que deveriam ser apontados os problemas da toxicodependência (46%), da pobreza (37%), do 66

68 alcoolismo (34%), da habitação (32%), do desemprego (29%) e, em menores percentagens, o da delinquência (22%) e o da violência familiar (17%). Se levássemos em conta a percepção de grave então os índices dos referidos problemas subiriam respectivamente a 68%, 64%, 56%, 69%, 58%, 46%, 32%. Perante os resultados do inquérito, se quisermos destacar os três problemas mais importantes numa escala gradativa do mais grave são a toxicodependência, a pobreza e os problemas habitacionais os que se afiguram como prioridades para a intervenção. Outros problemas como o alcoolismo, o desemprego e a delinquência seguem contudo de perto os três primeiros indicados. Na prática estes problemas surgem interligados e interdependentes, arrastando-se uns aos outros. Mesmo quando se tem consciência que determinados problemas não possam ser erradicados porque tal exigiria transformações estruturais na sociedade. Será preciso modelar rotas de intervenção (Carmo 1996), o que pressupõe aplicar diversos meios, recursos e modos de intervenção, actuando as instituições em rede e em sintonia, de modo a minorar os efeitos sobre as pessoas ou cidadãos pobres, excluídos ou marginalizados. Este é um dos objectivos centrais da Rede Social. Uma outra questão prende-se com a prioridade de abordagem sobre que problemas incide a intervenção social das instituições. Certamente não haverá a este respeito receitas préfabricadas e tal dependerá de cada situação ou caso e da gravidade dos respectivos problemas. Em todo o caso, questionados os representantes sobre a prioridade dos problemas a serem enfrentados ou debelados, foi possível extrair os seguintes resultados: 67

69 Gráfico 16- Tipo de problemas prioritários (%) Formação/educação 45 Pobreza 40 Questões de saúde 18,3 Toxicodependência Habitação Desemprego Alcoolismo Delinquência 8,3 8,3 13, ,3 a) - Abusos sexuais (fisicos e psicologicos) e negligênica - Idosos - Deficientes - Melhoramento de espaços físicos - Discriminação Violência Familiar 1,7 outros 44, a) Descrição dos outros Fonte: ILPES, Braga, 2003 A partir das respostas dos representantes das instituições sobre as quais os problemas prioritários da sua acção ou intervenção, foi possível inferir que 45% dos respondentes visavam melhorar o nível de formação e educação das pessoas, a que se seguiram as acções a minorar situações de pobreza em 40% dos casos. Outros problemas, ainda que em menor percentagem mas também com algum alcance foram os relativos a questões de saúde (18%) e toxicodependência (18%), habitação (15%), desemprego (13%), alcoolismo (8.3%) e delinquência (8.3%). O baixo grau de formação e de educação resultante de abandono escolar precoce ou de insucesso escolar persiste como o principal obstáculo à superação da pobreza e exclusão social que ocorre pela inacessibilidade ou dificuldade de acesso ao mercado de trabalho, empurrando para o desemprego ou mesmo para situações de marginalidade adultos e jovens não qualificados. Tal significa que se tornam necessárias acções de formação e retoma da escola, de modo a qualificar essas pessoas para perfis solicitados no mercado de trabalho e, deste modo, sair do círculo da pobreza pela inserção profissional. 68

70 Gráfico 17- Modos como a instituição detecta os problemas sociais ( em %) 80 76,7 68, , Através de estudos/investigação Dados provenientes de fontes exteriores à instituição Contacto directo com população Solicitações directas da população Através de outras instituição Outras vias Fonte:ILPES, Braga, 2003 Instituições que se pretendam interventivas nem sempre podem ficar à espera que os cidadãos acorram às suas sedes, mas terão de estar atentas aos sinais, de modo a detectar os problemas e ir de encontro a estes. Quando questionados sobre o modo como detectaram determinados problemas sociais, em cerca de 77% dos casos tais problemas foram detectados através do contacto directo com a população, denotando processos de cooperação e inserção social das instituições. Outros meios menos significativos foram os contactos havidos com outras instituições ou através de investigações efectuadas no terreno. 4.5 Avaliação e colaboração interinstitucional Um dos meios de melhorar a qualidade de prestação dos serviços das instituições é o de as respectivas instituições fazerem uma (auto)avaliação e, de preferência, avaliarem a sua actuação em parceria com outras instituições, o que nos é dado aferir pelos resultados obtidos por inquérito junto das instituições: 69

71 Gráfico 18- Auto e hetroavaliação das instituições quanto à solução dos problemas (em %) 70 65,5 60, , ,9 1,7 0 Contribuição efectiva e directa Fonte: ILPES, Braga, 2003 Contribuição efectiva e directa com 1 ou 2 parcerias Contribuição efectiva e directa com parceria alargada Incapacidade de intervenção Não contribui para a resolução No caso do município de Braga, 66% das instituições ocupadas com os problemas de pobreza e exclusão social revelam ter uma auto-imagem positivamente valorizada na medida em que afirmam ter contribuído efectiva e directamente para a resolução dos problemas em que intervêm. É de realçar o facto de, salvo o facto de 6,9% das instituições denotarem a impossibilidade ou incapacidade de avaliação e intervenção para a resolução de problemas, a grande parte destas instituições consideram que o trabalho em parceria com outras instituições permite encontrar a resposta para os problemas com que se deparam, quer de forma mais restrita a nível de uma ou duas parcerias (60.3%), quer de forma mais alargada (46,6%). Ora estes dados constituem um bom indício para a implementação da Rede Social, uma vez que esta apela com insistência ao trabalho em equipa e em parceria. Considerando a complexidade dos problemas e a impossibilidade de fazer face aos mesmos de modo isolado ou atomista, cada vez mais se impõe, de facto, a colaboração não só a nível institucional mas também formando parcerias e redes que potenciem as diversas sinergias das entidades e actores colectivos e individuais. Para saber qual o âmbito e o grau de colaboração inter-institucional foram os representantes das instituições inquiridos sobre quais as instituições ou organizações com quem têm colaborado ou recebido colaboração, o que nos é possível concluir através dos resultados obtidos por inquérito: 70

72 Gráfico 19- Colaboração e intercâmbio inter-institucional (em %) Camara Municipal Centro Regional de Segurança Social Estabelecimentos educativos IPSS Junta de Freguesia Serviços locais de Segurança Social Outras associações sem fins lucrativos Centros de Emprego Instituto da Juventude IEFP ,7 48,3 46, ,3 41, Fonte: ILPES, Braga, 2003 A questão da colaboração, intercâmbio ou apoio inter-institucional convoca outras nomeadamente as que dizem respeito à troca de informações, à cedência e usufruto de espaços e equipamentos, à colaboração pontual em projectos de intervenção social ou de desenvolvimento social em meio local. Começando pelo intercâmbio ou troca de informações, obtivemos os seguintes resultados: 71

73 Gráfico 20- Intercâmbio de informação (em %) Camara Municipal Centro Regional de Segurança Social IPSS Estabelecimentos educativos Outras associações sem fins lucrativos Junta de Freguesia Serviços locais de Segurança Social Centros de Emprego Instituto da Juventude IEFP 16, , , ,6 37,5 35, Fonte:ILPES, Braga, 2003 As entidades com que as instituições inquiridas colaboram trocando informações são a Câmara Municipal (37.5%), a Segurança Social (36%) e as IPSS (33%), seguindo-se outras com menor frequência mas ainda significativas tais como os Estabelecimentos Educativos (27%), as Associações sem fins lucrativos (25%), Juntas de Freguesia (25%), os Centros de Emprego (24%) e o Instituto Português da Juventude (22%). As próprias instituições inquiridas salientaram que o intercâmbio de informação constitui um dos tipos de colaboração mais frequentes. Outra forma corrente de intercâmbio consiste no uso de espaços e equipamentos por troca ou cedência, geralmente gratuita e/ou compensada com outras trocas, cabendo mais uma vez às duas principais instituições públicas (Câmara Municipal e CDSSS) e às IPSS a tarefa de preencher tais necessidades ou carências de espaços e equipamentos, tal como se pode comprovar pelos dados obtidos por questionário: 72

74 Gráfico 21- Troca/cedência de espaços e equipamentos (%) Camara Municipal 40,9 Centro Regional de Segurança Social IPSS Estabelecimentos educativos Outras associações sem fins lucrativos Serviços locais de Segurança Social Centros de Emprego Instituto da Juventude 27, , ,6 35,6 IEFP Junta de Freguesia 0 16, Fonte: ILPES, Braga, 2003 A respeito do uso de espaços e equipamentos trocados ou cedidos, com ligeiras variações percentuais retiram-se sensivelmente as mesmas conclusões que as referentes à troca de informação. A troca, cedência e usufruto de espaços é um tipo de colaboração que está presente, principalmente, com a Câmara Municipal (41%), a Segurança Social (36%), as IPSS (33%), os Estabelecimentos Educativos (27%) e Associações sem fins lucrativos (25%). O mesmo ocorrerá com colaboração em projectos de intervenção social, mudando apenas as três primeiras instituição de posição relativa, tal como se pode ver no gráfico 22: 73

75 Gráfico 22- Colaboração pontual em projectos de intervenção social (em %) IPSS 32 Centro Regional de Segurança Social Camara Municipal Instituto da Juventude Estabelecimentos educativos Centros de Emprego Serviços locais de Segurança Social Outras associações sem fins lucrativos IEFP Junta de Freguesia 16,7 15,7 25, , ,5 28,9 28, Fonte: ILPES, Braga, 2003 Como se pode ver do gráfico, no tocante à colaboração em projectos de intervenção social, as IPSS e a Segurança Social que noutras acções ocupavam o segundo e terceiro lugar passam para primeiro (32%) e segundo lugar (29.5%) respectivamente, enquanto a Câmara Municipal que ocupava o primeiro lugar passa a terceiro lugar (29%). De resto, a colaboração pontual em projectos assume-se como um tipo de colaboração transversal a todos os organismos, sendo de destacar, para além das três instituições referidas, o IPJ (29%), os estabelecimentos de ensino (25.5%) e os Centros de Emprego (24%). Também em acordos de cooperação volta a ser a Segurança Social a protagonizar a colaboração com as instituições inquiridas, o que se compreende pela sua especificidade institucional, seguida, em menor medida, pela Câmara e pelas IPSS: 74

76 Gráfico 23- Acordos de cooperação (em %) Centro Regional de Segurança Social 35,7 Serviços locais de Segurança Social 23,3 Camara Municipal IPSS Instituto da Juventude Outras associações sem fins lucrativos Estabelecimentos educativos Centros de Emprego Junta de Freguesia IEFP 8,7 7,3 7,3 6,8 6,5 6 15,4 14, Fonte: ILPES, Braga, 2003 Os acordos de cooperação apresentam-se, também, como um tipo de colaboração menos frequente, salvo a mais estreita colaboração e apoio institucionais prestados pela Segurança Social (35.7%), seguidos, embora em percentagens menos significativas, pela Câmara Municipal (15.4%) e pelas IPSS (14.6%) e pelo IPJ (8.7%). A ordenação de colaboração, por parte de instituições, tratando-se de colaboração ou desenvolvimento regular de projectos, volta a colocar a Câmara Municipal em primeiro plano, o que é compreensível, dada a amplitude e a diversidade de intervenções da Câmara nas mais múltiplas iniciativas em torno de projectos de desenvolvimento local ou municipal: 75

77 Gráfico 24- Colaboração/desenvolvimento regular de projectos (%) Camara Municipal 27,5 Estabelecimentos educativos Centros de Emprego IPSS IEFP Instituto da Juventude Outras associações sem fins lucrativos Centro Regional de Segurança Social Junta de Freguesia Serviços locais de Segurança Social 5,4 8,8 8, , ,8 17,5 17, Fonte: ILPES, Braga, 2003 A colaboração e o desenvolvimento regular de projectos é um tipo de colaboração menos comum. Mesmo assim, tal como seria de esperar, é a Câmara a instituição que dá maior colaboração no arranque e no desenvolvimento regular dos mais diversos projectos (27.5%), no que é acompanhada, em percentagens menores, pelos Estabelecimentos Educativos (19%), pelos Centros de Emprego (18%), pelas IPSS (17.5%), pelo IEFP (17%) e pelo Instituto de Juventude (15%). Esta liderança de colaboração da Câmara ocorre também noutros projectos e parcerias com grupos de trabalho relacionados com a acção social, tal como se evidencia no gráfico 25: 76

78 Gráfico 25- Parcerias em grupos de trabalho e acção social ( em %) Camara Municipal Centro Regional de Segurança Social Serviços locais de Segurança Social IPSS Outras associações sem fins lucrativos Junta de Freguesia Estabelecimentos educativos Centros de Emprego Instituto da Juventude IEFP 4,4 4, ,3 14,3 12, ,5 32, Fonte: ILPES, Braga, 2003 Gráfico 26- Instituições que deviam dar mais apoio (%) Camara Municipal Centro Regional de Segurança Social Governo Civil Serviços locais de Segurança Social 30 Centro de Saúde IEFP Empresas privadas Centros de Emprego Junta de Freguesia 26,7 23,3 23,3 23,3 21, Fonte: ILPES, Braga,

79 No que concerne aos outros tipos de colaboração, os mais apontados pelas diversas instituições são os apoios financeiros, financiamento de projectos e desenvolvimento de actividades (Centros de Estágio, visitas de estudo, entre outras) 4.6 Sustentabilidade financeira, representações sociais e viabilidade socio-política Nesta última rubrica procuramos dar uma imagem de como as instituições se olham do ponto de vista da sua sustentabilidade financeira, das representações sociais que se fazem sobre a exclusão social, sobre as formas de intervenção e, em particular, sobre os beneficiários da segurança ou apoio social. Por fim, impõem-se umas breves notas sobre a viabilidade social e política destas instituições, em especial aquelas que são particulares mas de interesse público como, por exemplo, as IPSS Modos e fontes de financiamento Preocupação dos poderes públicos financiadores das mais diversas instituições e projectos consiste em saber em que medida estas instituições que visam diminuir os fenómenos de pobreza e exclusão social têm sustentabilidade financeira e viabilidade social e política no quadro do moderno Estado-providência. Do mesmo modo, do ponto de vista das instituições, um dos pontos fulcrais para a sobrevivência e eventual expansão das actividades das instituições são os recursos financeiros e a manutenção da sua fonte de alimentação, questão que nos levou a perguntar até que ponto os meios financeiros são ou não suficientes. Gráfico 27- Financiamento de projectos 8% 24% Suficientes Insuficientes Razoáveis 68% Fonte: ILPES, Braga,

80 Quando questionados sobre a (in)suficiência de meios financeiros, só 24% dos representantes das instituições afirmaram ter recursos financeiros suficientes e 8% meios financeiros razoáveis, pelo que a grande maioria (68%) é de opinião que os meios ou recursos financeiros são insuficientes. Estas opiniões confirmam uma forte tradição, por parte destas organizações sociais e instituições, em sobreviverem graças a uma acentuada dependência do Estado ou doutras instituições paraestatais ou civis. Tal se pode aliás inferir das respostas sobre as principais fontes de financiamento destas instituições. Gráfico 28-Principais fontes de financiamento (%) Governo Fundos próprios (utentes, sócios) Doações/ donativos Câmaras Fundos Estruturais/ comunitários Associações Receitas próprias Campanhas Fundações 3,3 1,7 1,7 1, ,3 41, Fonte: ILPES, Braga, 2003 Neste domínio releva e de forma extremamente significativa o Governo e suas instâncias como a principal fonte de financiamento em 70% dos casos. Não é contudo de menosprezar o papel e a fonte de alimentação das instituições pela via dos fundos próprios (42%) ou pela via das doações ou donativos de sócios ou particulares beneméritos ou benfeitores (35%). O apoio pela via de fundos públicos nomeadamente camarários é razoável na ordem dos 33%, a que se seguem fundos estruturais provindos da União Europeia. As restantes fontes nomeadamente por parte de Associações ou Fundações ou campanhas específicas são residuais. 79

81 4.7 Intercâmbio e colaboração interinstitucional Uma outra questão importante é a de saber em que medida as instituições vivem autocentradas ou interagem trocando informação com outras instituições, questão, cujas respostas dadas através do inquérito permitiram obter os seguintes resultados: Gráfico 29- Relações externas com outras instituições 12% Trocas de informação - 72,2% Contactos para apoio social - 68,5% Contactos para intercâmbio de experiências - 63% Contactos de nível recreativo - 46,3% Contactos de nível cultural - 46,3% 88% Sim Não Fonte:ILPES, Braga, 2003 As respostas foram maioritariamente (88%) no sentido de trocarem informações com outras instituições principalmente em contactos necessários para efeitos de obter apoio social (68.5%), intercâmbio de experiências (53%) e com fins de ordem recreativa (46%). Em todos os projectos e, com maioria de razão, nestes que dizem respeito aos próprios beneficiários dos projectos e programas de luta contra a pobreza e exclusão social, a vertente de informação e da participação é imprescindível não só por razões de princípio mas também por razões de eficácia. De modo geral, a respeito da colaboração inter-institucional, inquiridas as instituições sobre este aspecto, pudemos obter os seguintes resultados: 80

82 Gráfico 30- Participação em projectos/programas de âmbito Nacional e/ou Comunitários (em %)! Principais programas com as quais as diversas Instituições colaboram: Equal, IIIQCA, POEFDS, PEETI, PIDAC, PAAJ, Programas de Prevenção na área do abandono escolar, da toxicodependência e da exclusão social 39% Sim Não 61% Fonte: ILPES, Braga, 2003 Das respostas se infere que 39% das instituições participam em projectos de âmbito nacional ou comunitário, sendo de referenciar, entre estas, programas tais como o Equal, III Quadro Comunitário de Apoio, Programa Operacional de Emprego e Desenvolvimento Social (POEDS), Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PEETI), Programa de Investimentos (PIDAC), Programa de Apoio à Juventude (PAAJ) e outros programas relacionados com a prevenção do abandono escolar, da toxicodependência e da exclusão social. Não obstante a adesão a estes programas por parte de 39% das instituições, 61% das instituições não participam em programas de âmbito nacional ou comunitário, justificando a sua não participação por inacessibilidade de informação aos programas (23%), por razões técnicas e financeiras (26.5%), por os objectivos dos programas não se coadunarem com os objectivos da respectiva instituição (12.5%). A não participação não significa contudo ausência de vontade de participação ou até promoção de projectos. Assim, 92% destas instituições estão interessadas em participar em projectos deste âmbito, principalmente em parceria com outras instituições (66,7%) e, inclusivamente, como promotoras de parcerias com outras (25,9%). 81

83 Gráfico 31- Responsabilidade pela resolução dos problemas sociais (em %) Governo 80 Sociedade Civil 45 Autarquias 20 Família Assembleia da República União Europeia 8,3 8,3 11,7 Indivíduos 3, Fonte: ILPES, Braga, 2003 Para 80% dos inquiridos o governo será o principal agente institucional para a resolução dos problemas sociais, ao qual se segue em 45% a sociedade civil. Num plano com menor frequência surgem, num plano institucional, as autarquias (20%), a Assembleia da República (8.3%) e a União Europeia (8.3%) e, num plano societal, as famílias (11.7%). Se delimitarmos a um lado o conjunto de respostas que reivindicam ou convocam as instituições para assumirem as responsabilidades sociais e as relativas à sociedade podemos concluir que predomina a incidência sobre as instituições como principais responsavéis da resolução dos problemas da pobreza e da exclusão social. Porém, não deixa de ser relevante que 45% dos respondentes consideraram a sociedade civil como responsável que, acrescidos dos 11.7% atribuíveis às famílias, reflecte concepções ou de teor neoliberal ou, mais provavelmente, orientação social e religiosa que apela à co-responsabilização e/ou solidariedade dos indivíduos e grupos sociais mais providos. Questionados os responsáveis institucionais sobre quais os beneficiários preferenciais da intervenção social foi possível obter os seguintes resultados: 82

84 Gráfico 32- Beneficiários preferenciais da intervenção desenvolvida pela instituição (%) 57, , , , Grupos socialmente mais desfavorecidos Grupos em situação de risco Outras instituições de solidariedade A população em geral Fonte: ILPES, Braga, 2003 Das respostas se torna evidente que são os grupos socialmente desfavorecidos (57.6%) e os grupos em situação de risco (44.1%) que são objecto de uma maior incidência preferencial de intervenção por parte das instituições inquiridas, sem que sejam desprezáveis determinadas intervenções que visam beneficiar a população em geral. Por esta análise torna-se evidente haver uma clara consciência, por parte dos responsáveis das instituições inquiridas, no sentido de ser feita uma maior e intensiva intervenção social, a fim de procurar atenuar os efeitos das situações de pobreza, exclusão ou marginalidade social em termos familiares e pessoais. Há, porém, também a percepção em bastantes dos inquiridos que mais importante que dar o peixe é ensinar a pescar, tal como dizia Confucius: Se deres um peixe a um homem matas-lhe a fome uma vez, se o ensinares a pescar, pescará toda a vida. Por outras palavras, mais que colmatar lacunas ou remendar situações de pobreza e/ou exclusão social, importa reconstruir o poder social ( empowerment ), de modo a que as pessoas sejam sujeitos e cidadãos de pleno direito capazes de realizarem a mudança das situações que as afectem ou diminuam na sua capacidade e liberdade de decisão. 83

85 V - POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL NO CONCELHO DE BRAGA: O OLHAR DOS ACTORES SOCIAIS A mobilização de todos os actores e, sobretudo, daqueles que objectivamente, enfrentam situações de pobreza e exclusão social, no respeito das respectivas competências constituí uma componente fundamental de uma estratégia integrada e participativa de luta contra a pobreza e exclusão social. A atenuação destes fenómenos tem de ser feita em colaboração e implicação directa das próprias pessoas em situação de vulnerabilidade, no sentido de se combaterem as causas e de as políticas implementadas darem respostas concretas às suas reais necessidades. Mais do que o olhar das entidades que intervêm nestas problemáticas é necessário ouvir os próprios beneficiários dessa intervenção. Procedeu-se, assim, a um questionário aplicado junto da população Bracarense. 84

86 Quadro 17 Distribuição dos inquiridos pelas freguesias do concelho de Braga Freguesias Áreas Predominantemente Áreas Medianamente Urbanas Urbanas S. Victor Cabreiros Adaúfe Cividade Crespos Aveleda Maximinos Esporões Celeirós S. João Souto Figueiredo Dume S. Lázaro Merelim S. Pedro Ferreiros S. Vicente Morreira Fraião Sé Navarra Gondizalves Oliveira S. Pedro Padim da Graça Passos S. Julião Penso Sto. Estevão Pousada Priscos Ruílhe Sta. Lucrécia Gualtar Lamaçães Lomar Nogueira Palmeira Real Tenões S. Mamede Este S. Pedro Este Sequeira Tadim Trandeiras Vimieiro Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, O quadro 17 garante-nos uma perspectiva geral da distribuição das respostas obtidas pelas freguesias. O critério de selecção das mesmas, foi feito com base na distribuição geográfica do concelho de Braga e a sua relação com o raio de influência em relação ao centro 85

87 urbano. Assim, segundo a classificação do INE, foram seleccionadas 7 freguesias de Áreas Predominantemente Urbanas e 35 de Áreas Medianamente Urbanas, num total de 42 freguesias. Sendo o concelho de Braga formado por 62 freguesias, isto significa que foram prosseguidos inquéritos em 2/3 das mesmas Caracterização da amostra Género Gráfico 33 Distribuição dos inquiridos por género Sexo dos inquiridos Masculino 41,3% Feminino 58,7% Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, A caracterização da amostra relativamente ao género permitiu-nos aferir, conforme o gráfico 1, que o género feminino assume maior representatividade (58,7%) face ao masculino (41,3%). Os valores referidos são, em parte, justificados pela própria distribuição por género que acontece no concelho de Braga (51,3% feminino e 48,7% masculino), mas também pelo facto de o sexo mais representado se encontrar mais receptivo à administração do inquérito. 86

88 5.1.2 Nacionalidade A nacionalidade dos inquiridos é maioritariamente portuguesa sendo que apenas 1,3% da amostra respondeu outras nacionalidades. Querendo conhecer qual a origem dos inquiridos que responderam outra nacionalidade concluímos, pela análise do quadro 13, que existe uma maior diversidade de nacionalidade na amostra dos inquiridos de condição social modesta. Assim, verificamos que os inquiridos que possuem outras nacionalidades são, essencialmente, dos países de língua oficial portuguesa e ainda de países do leste europeu. Quadro18 Nacionalidade dos inquiridos Nacionalidade Frequência % Portuguesa ,3 Angolana 1 0,2 Francesa 2 0,3 Brasileira 3 0,5 Búlgara 2 0,3 Ucraniana 2 0,3 Total Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense,

89 5.1.3 Idade Gráfico 34 Distribuição dos inquiridos por grupos etários N.º de Casos 600 Média 44,25 Mediana 42,00 Moda 45 Idade mais baixa 16 Idade mais alta 91 população bracarense, 2003 N.º de casos Idade dos inquiridos > 80 Idade Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à Com base no gráfico 34 é possível verificar que a maioria dos inquiridos pertence ao grupo etário de 25 aos 65 anos (78,3%). Esta mesma tendência é visível a nível do concelho de Braga Estado civil Quadro 19 Distribuição da amostra segundo o estado civil (%) Estado Civil Classe Média Classe Modesta Solteiro(a) 21 20,3 Casado(a) 63,3 51,7 Viúvo(a) 4 16,3 União de facto heterossexual 1,7 3 União de facto homossexual 0,3 0 Divorciado(a) 7,7 5 Separado(a) 1,3 3 Não respondeu 0,3 0,7 Total Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense,

90 A partir da observação do quadro verifica-se que a maioria dos inquiridos (tanto da condição média como da mais desfavorecida) são casados, facto que não depende tanto da condição social mas da região do país na qual Braga se insere e onde a influência da religião católica é bastante intensa Grau de instrução 40 Gráfico 35 Distribuição dos inquiridos segundo o grau de instrução (%) Gráfico - % Grau de instrução por categorias sociais % Não pobres % Pobres Não sabe ler nem escrever Não freq escola, mas sabe ler e escrever 4.ª classe Antiga 6.ª classe Antigo 5.º ano/9.º ano Antigo 7.º ano/12.º ano Curso médio Curso superior(licenciatura) Mestrado Douturamento Outro Não respondeu Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Da leitura do gráfico acima pode-se observar que o grau de instrução dos inquiridos se concentra nos níveis mais baixos de escolaridade (4.ª classe). O cruzamento das duas condições sociais analisadas, com a variável grau de instrução revelou particularidades que revestem interesse de análise. Assim, dando particular relevo à diferença registada entre a condição social modesta e a classe média, percebe-se que naquela as habilitações literárias distribuem-se apenas pelos graus de instrução mais baixos. 89

91 Paralelamente, a classe média apresenta uma distribuição mais homogénea pelos vários graus de instrução, conseguindo particular realce em habilitações literárias superiores (curso médio e licenciatura). Um outro aspecto que importa ressalvar é que a variável idade tem um peso significativo no grau de instrução. Deste modo, à medida que aumenta a idade verifica-se um decréscimo de habilitações, independentemente da condição social. Uma análise mais aprofundada revelou que existe uma correlação directa entre a média de idade dos inquiridos e o seu grau de instrução. Isto deve-se sobretudo, ao efeito geracional uma vez que os inquiridos que registam a escolaridade 4.ª classe pertencem, na maior parte dos casos, a uma época em que essa era a escolaridade obrigatória. Concuminantemente, é importante ter em linha de conta que só a partir dos anos 70 é que se assiste, em Portugal, à democratização da escola. Não obstante, verifica-se, na nossa amostra, um elevado grau de analfabetismo (13%), ao mesmo tempo que apenas 15% dos inquiridos possuem uma licenciatura e cerca de 1% o doutoramento e mestrado Profissão Quadro 20- Distribuição dos inquiridos por grupos profissionais Distribuição dos indivíduos por grupos profissionais empresários com profissões intelectuais, científicas e técnicas A empresários da indústria, comércio e serviços Total 10 B pequenos patrões da indústria pequenos patrões do comércio e serviços Trabalhadores industriais e artesanais independentes prestadores de serviços e comerciantes independentes 68 C empresários do sector primário pequenos patrões do sector primário Trabalhadores industriais do sector primário assalariados do sector primário Trabalhadores não qualificados do sector primário 23 90

92 D profissionais intelectuais e científicos independentes profissionais técnicos e intermédios independentes directores e quadros dirigentes do Estado e empresas dirigentes de pequenas empresas e organizações quadros intelectuais e científicos 72 E quadros técnicos intermédios quadros administrativos intermédios empregados administrativos do comércio e serviços trabalhadores administrativos do comércio e serviços não qualificados pessoal das forças armadas 271 F operários qualificados e semi-qualificados operários não qualificados 98 G Estudantes Domésticas Reformados 46 Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, O quadro mostra a distribuição dos inquiridos pelas categorias sócio-profissionais que foram analisadas no presente estudo. Importa salientar que as categorias seleccionadas são, de igual forma, aquelas que assumem uma maior representatividade no concelho de Braga. 91

93 Gráfico 36 Distribuição dos Inquiridos por Grupos Sócio-Profissionais (%) Gráfico - % Distribuição dos inquiridos por Grupos Sócio-profissionais 8% 2% 12% Empresários com Profissões intlectuais e tecnológicas 17% 4% Pequenos trabalhadores e comerciantes independentes 12% Sector primário: empresários e pequenos patrões assalariados Quadros intlectuais e tecnológicos Quadros intermédios Operários 45% Pessoas sem profissão Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, No gráfico respeitante aos grupos sócio- profissionais verifica-se que as profissões que registam maior frequência pertencem aos quadros intermédios. Sublinhe-se que a percentagem obtida no presente gráfico é de acordo com a panóplia das categorias definidas. Importa registar ainda que, relativamente à distribuição dos inquiridos pelos grupos sócioprofissionais seleccionados, 76% das respostas revelam um predomínio da população activa nos sectores secundário (indústria) e em certa áreas do comércio e serviços. 92

94 5.1.7 Tipo de agregado familiar Quadro 21 Tipo de Agregado Familiar Tipo de Agregado Frequência % Sozinho 50 8,3 Com irmãos 10 1,7 Sem laço conjugal 10 1,7 Casal sem filhos 85 14,2 Casal com filhos ,7 Viúvo(a) 10 1,7 Viúvo(a) com filhos 30 5,0 Solteiro(a) com filhos 6 1,0 Com alargamento ascendente 1 0,2 Com alargamento descendente 4 0,7 Outro 92 15,3 Não respondeu 4 0,7 Total ,0 Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, A partir do quadro anterior é possível ver que existe uma maior incidência de agregados compostos por pessoas casadas, com e sem filhos (63,9%). Além disso, constata-se uma percentagem significativa na opção que se relaciona com outro tipo de agregado, que na maior parte dos casos se refere a formas de família monoparentais (cerca de 15,3%). Através de uma análise comparativa entre os dados obtidos na nossa amostra e os dados estatísticos oficiais concluímos que o tipo de agregados que predomina na nossa análise são típicos desta região do país. Neste sentido, os dados aqui indicados deixam parecer que com algum atraso de calendário esboçam-se no concelho de Braga atitudes e comportamentos que se inscrevem nas mudanças familiares em curso nas sociedades ocidentais e em Portugal. 93

95 A partir da caracterização e composição dos agregados familiares constatámos que os agregados de condição social mais baixa registam maiores problemas de saúde e/ou situações de deficiência (cf. Gráfico 37) Problemas de saúde e/ou deficiência Gráfico 37 Problemas de saúde e deficiência no grupo social modesto (%) Nr 3,0% Não 46,7% Sim 50,3% Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, De entre o conjunto de problemas de saúde e deficiências identificadas pelos inquiridos destacam-se as incapacidades motoras, visuais e ainda outros problemas de saúde. Convém referir que em outros problemas de saúde referidos os mais mencionados são os problemas cardíacos, de toxicodependência, diabetes e outras doenças degenerativas. As doenças degenerativas estão mais relacionadas com o envelhecimento. No entanto, aqui nem sempre aparece esta correlação, o que nos permite dizer que um certo número de inquiridos contraem mais precocemente estas doenças, decerto, em consequência dos modos de vida. Em suma, grosso modo verificam-se aqui dois eixos que se prendem com os dois tipos de doença que mais impacto têm nas sociedades de modernidade avançada: a) nas idades jovens as questões relativas à toxicodependência; b) noutras idades denota-se grande impacto das doenças degenerativas como, por exemplo, os problemas cardíacos em idades que, em média, se revelam ainda precoces para este tipo de 94

96 doenças. O caso é particularmente notório para os indivíduos de condição social modesta ou com poucos recursos, o que pode indiciar que se trata de doenças associadas a comportamentos sociais, modos de vida, isto é, condições de existência que se relacionam com as condições habitacionais e de trabalho mais desgastante, hábitos alimentares, pouco investimento nos cuidados preventivos e pouca disponibilidade e meios para as actividades de lazer Situação da amostra face ao des(emprego) Condição Social Gráfico 38 Situação face ao emprego por condição social (%) Gráfico - % Situação face ao emprego Nunca trabalhou Estudante Estudante-trabalhador Empregado Desempregado Reformado Baixa Outra Não Pobres Pobres Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Apesar do desemprego que afecta todo o país, inclusive a região norte, podemos constatar a partir da leitura do gráfico podemos constatar que a maioria dos indivíduos encontra-se empregada, sendo de estacar que destes 35,7% pertencem à condição social modesta e 79% à classe média. Tal como noutros domínios o emprego/desemprego é discriminatório: os de melhor condição social têm melhor acesso ao emprego e são, por conseguinte, menos atingidos pelo desemprego. Este, sendo mais apanágio dos desfavorecidos tende a acentuar a sua situação de pobreza sobre um duplo aspecto: salários muito mais baixos e consequentes regalias sociais e 95

97 a ausência total de rendimentos, ainda que porventura possam vir a ter acesso ao subsídio de desemprego, que nestes casos é muito mais baixo do que nos outros. Relativamente à fonte de rendimento verifica-se que em 50% das respostas o emprego/salário surge, exclusivamente, como a única fonte de rendimento dos inquiridos. Quando este falta a pobreza e até a miséria podem vir a instalar-se. Entre os desfavorecidos denota-se uma tendência para a instalação no desemprego, o que compromete toda a vida do presente e do futuro. O pior que podia acontecer a alguém, em termos sócio-económicos, é não ter projectos. Ora, em situação de pobreza o que há é uma preocupação de viver o dia-a-dia e, como tal, não há capacidade de conceber projectos que abram outras perspectivas de vida. Importa referir que ao contrário da classe média, a população da condição social modesta não faz descontos sobre os rendimentos auferidos. Deste modo, constata-se que 48% dos inquiridos de condição social modesta não realiza qualquer tipo de descontos Descontos Quadro 22 Distribuição dos inquiridos face aos descontos efectuados Condição média Condição modesta Descontos Frequência % Frequência % Sim , ,7 Não Não Resposta 5 1,6 4 1,3 Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Esta situação poderá ser explicada através do tipo de vínculo a que estão sujeitos, questão através da qual se percebeu a precariedade do emprego. Os valores indicados no seguinte quadro dizem respeito ao total das respostas válidas. 96

98 5.2.3 Vínculo laboral Quadro 23 Vínculo laboral dos inquiridos Vínculo laboral Total Contrato a prazo Contrato efectivo Recibos verdes Sem contrato de trabalho escrito Outro Não respondeu Frequência % 31 26, ,5 4 3, ,2 6 5,1 5 4, ,0 Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Duração do desemprego Gráfico 39 Duração do desemprego Grafico - % Tempo no Desemprego 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% < 6 meses 6 meses a 1 ano >1 a 3 anos >3 a 5 anos + 5 anos Não respondeu Pobres Não Pobres Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Da leitura do gráfico 39 observa-se que existe uma maior concentração de respostas dos inquiridos, que se encontram na situação de desemprego, no período compreendido entre um e três anos. 97

99 No respeitante ao desemprego de longa duração constata-se que os inquiridos de condição social modesta/desfavorável são os únicos afectados Tentativas de encontrar emprego Gráfico 40 Tentativas de Encontrar Emprego Gráfico - Tentativas de encontar emprego Sim Não Não respondeu Não Pobres Pobres Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Quando questionados sobre as tentativas empreendidas na obtenção de emprego, os inquiridos de condição social modesta são os que respondem afirmativamente e em maior número. Como já foi referido anteriormente, os inquiridos de condição social mais desfavorável são os mais afectados pelo desemprego, sendo portanto também os que mais encetam tentativas de conseguir um emprego. 98

100 5.3 - Tipos de alojamento e condições de habitação Alojamento actual Gráfico 41 - Alojamento actual dos inquiridos da classe média (%) Outro,7% Casa/moradia própria 41,0% Gráfico - Alojamento actual Quarto alugado,7% Lar de estudantes,3% Casa sub(alugada) 20,0% Casa herdada/doada 5,0% Casa emprestada/cedi 4,3% Apartamento próprio 26,7% Gráfico Alojamento Actual dos Inquiridos mais desfavorecidos Gráfico - Alojamento actual Quarto alugado,3% Outro 2,7% Casa/moradia própria 14,3% Lar de Instituiçãoso 2,7% Lar de estudantes,3% Apartamento próprio 12,7% Casa emprestada/cedi 3,7% Casa herdada/doada 3,7% Casa sub(alugada) 59,7% Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense,

101 Através das representações gráficas anteriores, relativas à habitação, é possível constatar as grandes disparidades entre as duas condições sociais. Desta forma, a maioria dos inquiridos d e boa condição social vivem em casa/moradia/apartamento próprio (68%). Ao invés, a condição social modesta afirmou maioritariamente habitar em casa (sub) alugada (60%) Condições de habitação Quadro 24 Condições de habitação Classe média Classe modesta Condições de Habitação Frequência % Frequência % Muito boas ,3 Boas , ,7 Nem boas, nem más 62 20, ,3 Más 1 0, ,3 Muito más ,7 Não respondeu 1 0,3 2 0,7 Total Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Com base na elencagem dos equipamentos e condições de habitabilidade notou-se nos inquiridos uma incapacidade em auto-definir as suas condições de habitação. Assim como podemos constatar no quadro anterior existe uma homogeneidade de respostas em classificar as suas habitações como boas, independentemente da condição social. Não obstante, observase uma tendência na condição social pobre em posicionar-se no item mais intermédio da escala, contrastando com a opinião da classe não pobre que se tende a deslocar para a extremidade mais positiva. Do grupo dos mais desfavorecidos, 59,7% vivem em casa alugada e alguns mesmo em casa sub-alugada, não podendo, assim, dispor de uma habitação familiar individualizada. 100

102 5.4 Cálculos Familiares: receitas e despesas Rendimento Mensal Gráfico 42 e Rendimento familiar mensal em euros Classe Média Condição Social Modesta % 0 % >2000 euros 1751 a 2000 euros 1501 a 1750 euros 1251 a 1500 euros 1001 a 1250 eur os 751 a 1000 euros 501 a 750 euros 251 a 500 euros <250 euros <250 euros 1501 a 1750 euros 1251 a 1500 eu ros 1001 a 1250 euros 751 a 1000 euros 501 a 750 euros 251 a 500 euros Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Na análise do rendimento mensal em euros e comparando as duas condições sociais percebe-se nítidas diferenças nos rendimentos auferidos. Se por um lado, na condição social modesta os inquiridos situam 87% das suas respostas nos intervalos compreendidos entre 251 e 500 euros e entre 501 e 750 euros; por outro, a maioria dos inquiridos (77%) da classe média tem rendimentos superiores a 751 euros, sendo que destes 27% possui rendimentos mensais superiores a 2000 euros. Quanto mais se sobe na escala hierárquica dos rendimentos assiste-se à diminuição do número daqueles que possuem rendimentos elevados. Inversamente, para os desfavorecidos a base de rendimentos baixos ou nulos é muito extensa. 101

103 5.4.2 Poupança Mensal Quadro 25 - Valor que os Inquiridos Poupam mês (%) Poupança mensal % Classe média % Classe modesta 0 euros 32, a 125 euros 36,7 18,3 126 a 250 euros 15, a 375 euros 2, a 500 euros 5 0 >500 euros 3,7 0 Não respondeu 4 0,7 Total Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, No respeitante à poupança mensal efectuada pelos indivíduos da amostra percebem-se, de igual modo, diferenças significativas entre as duas condições sociais. Assim, 36,7% de indivíduos pertencentes à condição social média poupam entre 1 a 125 euros. Ainda nesta classe, 32,7% não poupam sequer 1 Euro. Logo, é possível afirmar que a maior percentagem desta condição, poupa valores entre o intervalo de 1 a 125 euros. Já, em relação à classe modesta a sua maioria (75%) não poupa rigorosamente nenhum valor. 18,3% de indivíduos inquiridos da classe modesta consideram poupar algum valor no intervalo de 1 a 125 euros, sendo que esta percentagem se posiciona num intervalo amplo, o que pode alterar a leitura dos dados. Assim, se o intervalo desta classe fosse menor, tornar-seia possível analisar mais profundamente estes dados. Do mesmo modo, 6% refere poupar 126 a 250 euros sem ser conhecido o facto de, eventualmente, o agregado poder poupar num mês para despender esse valor no mês seguinte. Logo esta variável deverá ser aprofundada em futuros estudos, atendendo à relatividade dos dados apresentados. 102

104 5.4.3 Destino das Poupanças Gráfico 43 Destino das poupanças Gráfico - Destino das Poupanças Não Pobres Pobres Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, O grupo amostral não revela diferenças consideráveis entre as duas condições sociais, no que concerne aos destinos para onde canalizam as suas poupanças. O destino das poupanças é essencialmente orientado para a família com particular destaque para proporcionar uma melhor educação aos filhos (26%), ajudar familiares (16%), comprar casa (16%), e carro (11%). São estas as dimensões mais referidas pelos inquiridos que afirmaram poupar dinheiro. Isto demonstra um investimento num projecto pessoal e familiar. Entende-se por outro destino (13%) colocar dinheiro no banco, casar, comer, passar férias, investir em negócios, viajar e pagar a casa. 103

105 Recurso a empréstimos Gráfico 44 Recurso a empréstimos (%) Gráfico - Recurso a empréstimos 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 64,3% 51,3% 38,3% 22,3% 13,3% 10,3% Sim Não nr Não Pobres Pobres Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Pela observação do gráfico 44 denota-se que a população média é a que recorre mais ao crédito, facto que poderá estar relacionado com a sua situação face ao emprego que lhe possibilita a obtenção de empréstimos. Quanto à finalidade dos empréstimos, tal como nas poupanças, destina-se ao investimento pessoal e familiar como, por exemplo, construir/comprar casa, comprar carro ou os dois em simultâneo. 104

106 5.5 - Lazer e tempos livres Actividades dos tempos livres Quadro 26 Ocupação dos tempos livres dos inquiridos, por condição social Ocupação dos tempos livres Classe média Classe modesta Estar em casa Ir ao café Passear Ir ao futebol Visitar familiares Ir a bares/discotecas Estar em clubes/associações 29 5 Praticar Desporto Ir ao Cinema/Teatro Visitar museus/exposições 41 7 Fazer compras/supermecado Fazer um trabalho extra Fazer uns biscates em casa Outra Total Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, O quadro anterior mostra a forma como os inquiridos distribuem os seus tempos livres. A partir do número de respostas numa e noutra condição social foi possível perceber que os inquiridos de condição social mais favorecida têm tempos livres mais diversificados. Se na condição social modesta as respostas se centram em torno de opções ligadas à esfera pessoal e familiar, como estar em casa, ir ao café, passear reúnem 47% das respostas, na condição social mais favorecida denota-se um número mais significativo de opções de ocupação de tempos livres mais orientadas para a esfera social, cultural e associativa. 105

107 5.6 Vida Associativa e tempos de cultura Associativismo Gráfico 45 Condição social média Gráfico 45.1 Condição social modesta Não respondeu 1,7% Sim 9,3% Não respondeu,7% Sim 25,0% Não 74,3% Nã o 89,0% Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, 2003 Tal como se pode constatar nos gráficos 45 e 45.1, há uma maior percentagem de indivíduos ligados a movimentos associativos na condição social mais favorável. Tal afirmação poderá ter por base a forma como organizam os tempos livres bem como com questões relacionadas com a cidadania. Existe, de facto, um maior compromisso dos indivíduos de melhor condição social, o que poderá estar relacionado com o próprio grau de instrução e a cultura, em geral. Quanto ao carácter das associações a que os inquiridos pertencem destacam-se, por um lado, as associações culturais, sociais, recreativas e desportivas para a condição social média e, por outro, a condição social modesta opta por associações de moradores e ainda outras de cariz desportivo. 106

108 Recenseamento Gráfico 46 População recenseada entre os inquiridos Gráfico - População inquirida recenseada 0,2% 4,5% 95,3% Sim Não Não respondeu Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, A partir do gráfico 46 podemos concluir que a maioria da população inquirida (95,3%) está recenseada. Quando questionados sobre se costumavam votar, constatou-se que 70% dos inquiridos respondeu afirmativamente. O nível de abstenção situa-se nos 15%, sendo que a restante percentagem representa as não respostas. 107

109 5.7 - Representações Sociais da Pobreza e Exclusão Social Responsabilidade pelo combate à pobreza Gráfico 47 Responsabilidade pelo combate à pobreza Gráfico - Responsabilidade no combate à pobreza Outro Indivíduos Pobres Empresas Não Pobres Sociedade Civil Família Igreja/Confissões Religiosas Sindicatos Autarquia Partidos Políticos Governo Assembleia da República União Europeia Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Para um maior número de indivíduos (38%) o Governo será o principal agente institucional responsável pelo combate da pobreza, seguido de 16% pelas Autarquias, a União Europeia e a Sociedade Civil, com 8% e 7% respectivamente. Atentando, ainda, na principal escolha para a resolução dos problemas sociais, verifica-se no gráfico 47 que os inquiridos da condição social não pobre atribuem menos responsabilidades ao governo no combate à pobreza e co-responsabilizam a sociedade civil. Mesmo assim denota-se que a maioria dos inquiridos têm uma nítida percepção que terão de ser as instituições governativas (Governo, Autarquias e União Europeia) que mais terão que se empenhar no combate à pobreza e exclusão social. A estas instâncias sucede a sociedade civil no seu conjunto. É interessante verificar que as instituições que tiveram no passado um papel importante na assistência aos mais desfavorecidos são muito pouco percepcionadas no lugar que podem ocupar no combate à pobreza e à exclusão social. Isto é tanto mais importante quanto se sabe que no concelho de Braga, a grande maioria das IPSS são de cariz religioso. Denota-se, pois, aqui mais um papel assistencial do que propriamente promocional ou de intervenção no sentido de fazer reverter a ordem social vigente. Há ainda um número significativo que compromete os próprios indivíduos nesta tarefa. 108

110 Responsabilidade pela pobreza Gráfico 50 Opinião dos inquiridos sobre a responsabilidade pela pobreza Gráfico - Responsabilidade pela Pobreza Pobres Não pobre Não Respondeu Por vontade de Deus Por culpa do governo Por as suas famílias não terem oprtunidades de vida Por incapacidade dos pobres em administrar bem e pouparem Por razões de origem de classe desfavorável Por os ricos não contribuirem com mais impostos P or os pobres serem incapazes/incompetentes Por haver pessoas/grupos que os exploram Pelos pobres serem preguiçosos Por haver pessoas demasiado ricas Por culpa dos pobres Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Se da leitura do gráfico anterior é possível concluir que o Governo é, na perspectiva dos inquiridos, a entidade mais capaz de solucionar o problema da pobreza, na questão em análise, relativa à opinião porque é que existem pobres, o Governo é, desta vez, apontado como o principal responsável pela existência desse mesmo problema social. Poderá então afirmar-se que o grande responsável por este estado de coisas é o Governo, seguido pela fuga aos impostos por parte dos ricos, as condições de classe que não permitem melhorar estas situações, sendo que desta forma as famílias não têm possibilidades de inverterem os seus modos de vida e condições sociais. Há ainda quem considere os pobres incompetentes, preguiçosos ou incapazes de inverterem a sua situação esquecendo, porém, que são os processos de socialização de que são alvo e as condições de existência em que sempre ou quase sempre viveram, associadas à organização da sociedade que mais contribuem para este estado de coisas. Em Portugal, secularmente, têm sido os emigrantes os que se têm mostrado mais apostados em fazer inverter a ordem do destino que lhes parecia estar reservado. Para os 109

111 países onde imigram procurando melhores salários e regalias sociais, terão mais oportunidades de modificar a sua situação económica e social Desigualdades Sociais Gráfico 51 Opinião dos inquiridos face às desigualdades sociais Gráfico - Desigualdades sociais Não respondeu Opinião sobre as desigualdades Há indiv que açambarcam os recursos p/si Há indiv que têm mais mérito Às diferentes capacidades dos indiv Há classes que exploram os outros Há diferentes tarefas a cumprir Indivíduos são egoístas N.º inquiridos Pobres Não pobres Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense, Através da representação gráfica é possível ver que a maioria dos indivíduos (38%), independentemente da condição social, tende a responsabilizar as classes sociais exploradoras pela existência de desigualdades sociais. Em relação à classe média, além de responsabilizarem as classes exploradoras reconhecem que há muito egoísmo individualista nas sociedades dos nossos dias. Isto poderá estar relacionado com as teorias de cariz neo-liberal que tendem a ilibar o Estado destas responsabilidades e a apelar à solidariedade dos grupos sociais com maiores recursos. 110

112 5.8 - Necessidades e problemas identificados no concelho de Braga Principais necessidades identificadas Gráfico 52 Necessidades por área geográfica 120 Gráfico I - Necessidades das freguesias A c e s s ib ili d a d e s S a n e a m e n to B á s i c o A b a s te c im e n to d e á g u a H a b i t a çã o s o c ia l In fr a e s tru t u ra s T ra n s p o r te s p ú b l ic o s C e n tr o d e S a ú d e E q u ip a m e n to s p / In fâ n c ia E s c o l a s d o E n s in o B á s ico E s c o l a s c+ s E q u ip a m e n to s D e sp o r t iv o s E s p a ç o s v e r d e s C e n tr o s o c - cu lt /l a z e r A c tiv id a d e s p / ju v e n t u d e E q u ip a m e n to s p / id o s o s F a r m á c i a C a p i ta l p r i v a d o p / in v e s ti r M ã o - d e - o b r a ñ q u a li f ic a d a M ã o d e o b r a q u a l ifi c a d a O u tra perif rural urbana Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense,2003. Relativamente às necessidades identificadas pelos inquiridos, consideram que estas estão relacionadas com o meio geográfico onde estão inseridas (urbano, rural e periférico). Os inquiridos da área urbana queixam-se maioritariamente da falta de espaços verdes; seguindo-se necessidades ligadas à ocupação de tempos livres dos idosos e de equipamentos igualmente direccionados a esse grupo social e outros destinados a práticas desportivas. A zona periférica referiu, em maior número, a necessidade que reveste a habitação social e a falta de capital privado para investir. As necessidades mais prementes para os inquiridos da população rural são a falta de transportes, de um centro de saúde e farmácia, tal como equipamentos orientados para o apoio da população idosa. No entanto, há aspectos que são transversais às três zonas geográficas, sendo a necessidade de equipamentos para idosos o mais premente. 111

113 Principais problemas identificados Pob reza Ana lfabetism o Gráfico 53 Problemas identificados por área geográfica Violên cia Fa milia D es em prego In s uces so esc olar C ons umo de d rog a T rá fic o de dro gas Gráfico II - Problemas das freguesias Ex p lo raç ão do t ra ba lho infa Baixo s salário Delinquên cia H abitação Formação /Educaçã Alcc olismo Acesso às tecnologias de I Poluiç ão A m bien t Falta de Associativism Défice de mocrátic Aba ndono da agricu ltur O utro s Fonte: UM/ICS - Dados relativos dos inquéritos aplicados à população bracarense,2003. perif rural urbana Apresenta-se no gráfico anterior as principais dificuldades identificadas nas freguesia pelos inquiridos, sendo de realçar que as freguesias, tal como o fizemos anteriormente, estão agrupadas por meio geográfico (Áreas Predominantemente Urbanas e Áreas Medianamente Urbanas). Assim, a partir dos dados representados graficamente, pode-se concluir que a pobreza, o desemprego, a exploração do trabalho infantil e os baixos salários são problemas comuns referidos pelos inquiridos em todos os meios sócio-geográficos. Relativamente ao meio urbano, os problemas de consumo/tráfico de drogas, alcoolismo e delinquência são assumidas como umas das principais dificuldades, ao passo que nos meios periféricos são as questões do equipamento para Idosos, a necessidade de mais Centros de Saúde e de Farmácias que mais preocupam esta população. 112

114 VI - POBREZA E EXCLUSÃO SOCIAL: O OLHAR DAS COMISSÕES SOCIAIS O Programa da Rede Social concretiza-se a nível local, através da criação das Comissões Sociais Freguesia (C.S.F.) e Comissões Sociais Inter-Freguesias (C.S.I.F.). Estas têm como objectivo principal a resolução de problemas concretos, através da participação e articulação de todas as entidades locais na definição de prioridades de intervenção e na promoção do desenvolvimento local. O Núcleo Executivo da Rede Social de Braga, seguindo o principio da subsidiariedade, iniciou em Outubro de 2002 algumas reuniões de sensibilização junto dos Presidentes de Junta de Freguesia para a constituição das C.S.F. ou C.S.I.F. Em Julho de 2003 e após alguns ajustamentos geográficos estavam criadas três Comissões Sociais de Freguesia e dez Comissões Sociais Inter-Freguesias, com a seguinte configuração: 113

115 114

116 6.1. Identificação dos problemas pelas Comissões Sociais Terminada esta fase, o seu acompanhamento e dinamização concretizou-se através da definição do seu funcionamento e organização, da elaboração de um plano de trabalho como instrumento de planificação de actividades com vista à concretização dos seguintes produtos: identificação dos problemas no sentido de definição de prioridades de intervenção e resolução de problemas sociais sinalizados localmente. O planeamento da intervenção para o desenvolvimento social depende do conhecimento da realidade social das freguesias. Para fazer uma primeira identificação e organização dos problemas, evidenciando grandes eixos temáticos ou territoriais foram utilizadas técnicas de visualização como a nuvem dos problemas permitindo uma consciencialização comum dos parceiros quanto aos problemas identificados e na facilitação da sua compreensão e hierarquização de prioridades. Foram também utilizadas outras técnicas como o preenchimento e discussão pelos parceiros de uma grelha de identificação de problemas. Do resultado da participação de todos os parceiros foram identificados os seguintes problemas sociais relativamente : - COMISSÃO SOCIAL DE FREGUESIA DE SÃO JOSÉ DE SÃO LÁZARO Dependências: Alcoolismo e Consumo de Drogas Isolamento em Idosos Desalojados, imigrantes sem-abrigo Desemprego 115

117 Dificuldades Económicas Sobreposição de respostas e recursos Doenças (paramiloidose; Sida) Dificuldades de Inserção Sócio-profissional Prostituição - COMISSÃO SOCIAL DE FREGUESIA DE PALMEIRA Falta de soluções habitacionais economicamente acessíveis Inexistência de um plano integrado e global de intervenção socio-psico-educativa junto da infância e juventude N.º significativo de toxicodependentes Alcoolismo N.º significativo de Deficientes Insuficiência de estruturas físicas e sociais para resolução dos problemas dos Idosos Tráfico de Drogas: existência de locais críticos 116

118 - COMISSÃO SOCIAL DE SÃO VICTOR Falta de Equipamentos e Respostas Sociais: infância; idosos; pessoas c/deficiências; saúde mental Desemprego Dependências: alcoolismo e consumo de drogas Pobreza Insegurança na via Pública, em zonas de semáforos devido a práticas de mendicidade por parte de ciganos romenos Desestruturação Familiar Prostituição Reacção da População Local a Comportamentos e Atitudes de alguns Imigrantes Ausência de meios de subsistência dos estudantes e famílias dos PALOP s 117

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