Angola BPI ESTUDOS ECONÓMICOS E E FINANCEIROS. Junho 2014 ANGOLA - A CAMINHO DA DIVERSIFICAÇÃO

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1 BPI ESTUDOS ECONÓMICOS E E FINANCEIROS Angola Junho 2014 ANGOLA - A CAMINHO DA DIVERSIFICAÇÃO O cenário macroeconómico para Angola apresenta-se positivo, apesar de a actividade continuar relativamente vulnerável face aos desenvolvimentos no sector do petróleo. De acordo com as nossas projecções, o crescimento económico em 2013 deverá ter ficado nos 4.5% (acima das expectativas do FMI, ainda que aquém das estimativas do executivo), para depois acelerar para 5.3% em 2014 (com algum risco de revisão em baixa). De uma maneira geral, no médio prazo, Angola deverá beneficiar de um período de crescimento económico mais moderado, mas que deverá permanecer vigoroso. Assim, durante este período, Angola deveria intensificar os seus esforços para diversificar a actividade económica, de forma a reduzir a dependência do sector petrolífero, obtendo um crescimento económico mais inclusivo e sustentável. Embora existam alguns sinais que sugerem que a diversificação da actividade económica está a avançar, a indústria petrolífera continua a ter um peso considerável na economia, deixando o país exposto a diversos riscos externos relacionados com o sector petrolífero. Neste contexto, apresentamos neste relatório um artigo especial com uma análise aprofundada do sector petrolífero. Os dados mais recentes sobre a execução orçamental de 2013 (de acordo com os dados publicados no ultimo relatório do FMI) indicam que o sector público deve ter registado um défice pela primeira vez desde 2009, estimado em -1.5% do PIB, apesar de significativamente abaixo do orçamentado. A execução orçamental, aquém do previsto, continua a ser justificada pela subestimação das receitas e pela fraca capacidade de execução das despesas de investimento. Em geral, a política fiscal parece estar a tomar a direcção certa, já que as autoridades se continuam a mostrar empenhadas em aumentar o investimento público de forma a melhorar as infra-estruturas, mas estes planos voltaram a ficar constrangidos pela fraca capacidade institucional. Sendo assim, é necessário melhorar a planificação e execução do orçamento através do reforço dos sistemas de gestão das finanças públicas. Para 2014, as autoridades prevêem que o défice fiscal aumente para 4.8% do PIB, assumindo que se deverá prosseguir com o plano de investimento em infra-estruturas. No entanto, face à dificuldade de execução das despesas, é possível que o défice não atinja este nível, mas em qualquer dos cenários, a dívida pública manter-se-á sustentável. O sector externo deverá continuar dependente das exportações de petróleo, mas os esforços das autoridades para reduzir esta dependência, deverão começar a reflectir-se neste sector. A introdução da nova pauta aduaneira, por exemplo, foi um passo importante para desincentivar as importações e desenvolver a indústria local, apesar de se esperar que este processo seja lento face às restrições do lado da oferta. Ao mesmo tempo as autoridades têm mantido uma política conservadora de acumulação de reservas internacionais, que apesar de recentemente terem caído ligeiramente, ainda são suficientes para cobrir cerca de 7 meses das importações. Para além disso, o desenvolvimento de infra-estruturas parece estar a acelerar, contribuindo para colocar Angola como um destino cada vez mais atraente para os investidores estrangeiros. Isto por sua vez pode ajudar a atrair IDE e contribuir para o desenvolvimento da indústria local. A política do BNA manteve-se eficaz, conseguindo manter a inflação em níveis baixos. A inflação em Abril caiu para um novo mínimo histórico de 7.22% y/y. O impacto da introdução das novas tarifas aduaneiras sobre os preços ainda não foi perceptível, já que a legislação entrou em vigor apenas no início de Março. No entanto, acreditamos que este impacto seja reduzido, uma vez que de acordo com o Ministério das Finanças, cerca de 70% dos bens afectados pelas novas tarifas, pertencem a sectores que estão cobertos pela produção interna. Finalmente, 6 meses depois de a última fase da nova lei cambial ter entrado em vigor, a redução da utilização do dólar na economia tem continuado, com o kwanza a ganhar cada vez mais relevância nas transacções locais. Paula Gonçalves Carvalho Luisa Teixeira Felino Nuno André Coelho

2 Angola - Parque Nacional de Kissama ÍNDICE Pág. ANGOLA - A CAMINHO DA DIVERSIFICAÇÃO CONJUNTURA EXTERNA E PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DA REGIÃO 03 PERSPECTIVAS DE CRESCIMENTO ECONÓMICO 05 Desenvolvimentos recentes no sector das indústrias extractivas 07 POLÍTICA ORÇAMENTAL 09 Resultados preliminares da execução orçamental de Orçamento de Estado para CONTAS EXTERNAS 12 POLÍTICA MONETÁRIA E SECTOR FINANCEIRO 14 SECTOR PETROLÍFERO EM ANGOLA: ALGUNS FACTOS E PERSPECTIVAS 16 O sector petrolífero 16 Breve contextualização histórica 16 Petróleo pré-sal 17 Capacidade de refinação 17 Dependência da economia do sector petrolífero 19 Perspectivas de médio prazo 21 Factores do lado da oferta 21 Factores do lado da procura 22 Evolução do preço 23 BASE DE DADOS 25 Research Department Paula Gonçalves Carvalho Chief Economist Luisa Teixeira Felino Nuno André Coelho Pedro Miguel Mendes Teresa Gil Pinheiro TECHNICAL ANAL NALYSIS Agostinho Leal Alves Tel.: Fax:

3 CONJUNTURA EXTERNA E PERSPECTIVAS ECONÓMICAS DA REGIÃO De acordo com o relatório World Economic Outlook de Abril, a actividade económica global tem vindo a melhorar progressivamente esperando-se que o crescimento acelere ligeiramente em , sobretudo impulsionado pela performance das economias avançadas. Nessa altura, o FMI antecipava que o crescimento global acelerasse de 3% em 2013 para 3.6% e 3.9% em 2014 e 2015 respectivamente, acompanhando a aceleração do crescimento da economia americana e a manutenção de um crescimento robusto por parte das economias emergentes. Este cenário deverá provavelmente vir a ser revisto em baixa, de acordo com indicações da própria instituição, reflectindo informações mais recentes, designadamente relacionadas com o comportamento pior que o antecipado da economia do Estados Unidos, desaceleração da China e desenvolvimentos desfavoráveis noutras economias emergentes (Brasil, por exemplo). Perspectivas económicas globais (percentagem) Global economias avançadas Angola Font e: FM I O pior desempenho da economia global em 2014 deverá estar relacionado com factores temporários e específicos, relacionados, por exemplo, com condições climatéricas muito adversas nos primeiros meses do ano nos EUA, antecipandose que a dinâmica de expansão se fortaleça ao longo do segundo semestre. Todavia, continuam a existir alguns riscos de deterioração deste cenário, nomeadamente relacionados com a possibilidade de a inflação ficar aquém das expectativas nas economias avançadas e com a volatilidade nos mercados financeiros das economias emergentes resultante da retirada dos estímulos de política monetária. Principais Projecções Económicas do FMI para a África Subsaariana Crescimento do PIB Inflação S. Conta Corrente (%, variação anual) (%, variação anual) (% PIB) África Subsaariana Exportadores de Petróleo Nigéria Angola Guiné Equatorial Gabão Républica do Congo Países de Rendimento Médio África do Sul Gana Camarões Costa do Marfim Botswana Senegal Países de Rendimento Baixo Etiópia Quénia Tanzânia Uguanda Rep. Dem. Do Congo Moçambique Fonte: FMI (WEO Abril 2014). Apesar da moderação do cenário global, acredita-se que numa evolução tendencialmente positiva para a região de Africa Subsaariana. No relatório de Abril, o FMI antecipava que o crescimento da actividade económica na região Subsaariana acelere de 4.9% em 2013 para 5.4% em 2014, reflectindo melhores perspectivas tanto para os países exportadores de petróleo como para os países de mais baixo rendimento. A actividade económica deverá continuar a ser suportada pelos 3

4 elevados investimentos em infra-estruturas e exploração de recursos naturais, ao mesmo tempo que os fundamentos macroeconómicos se fortalecem. A inflação deverá permanecer contida, e as posições fiscais tenderão a melhorar, mas os saldos das balanças de conta corrente podem deteriorar-se (em média) face a um aumento considerável das importações, que decorrerá dos fortes investimentos em infra-estruturas (embora este saldo deva ser essencialmente compensado pelo investimento directo estrangeiro). Ao mesmo tempo, este cenário vem acompanhado de alguns riscos. Relativamente ao sector externo, os países mais abertos ao comércio internacional e exportadores de recursos naturais apresentam-se vulneráveis a uma possível desaceleração do crescimento da China, a uma quebra da procura por parte das economias avançadas e a preços mais baixos nas principais commodities. Como resultado, o relatório alerta para a importância de os países se manterem focados em manter estabilidade macroeconómica, de forma a terem margem para ajustar as suas políticas fiscais na eventualidade de terem de responder a choques externos adversos. O cenário macroeconómico para Angola está em consonância com a média regional, com o FMI a projectar um crescimento de 5.3% em 2014 e em 5.5% em O processo de desinflação deverá também continuar, estimando-se que a taxa de inflação anual caia para 7.7% em 2014 enquanto o excedente da balança corrente tenderá a diminuir. Apesar das fortes relações comerciais com a China, os riscos relativamente ao sector externo parecem não ser elevados já que se espera que a procura por petróleo por parte da China se mantenha relativamente elevada (as ligações entre os dois países são bastante evidentes - Angola exporta cerca de metade do petróleo produzido para a China, e representa o seu maior fornecedor de petróleo). Por outro lado, a actividade económica deve continuar extremamente vulnerável à volatilidade nos preços do petróleo. Paralelamente, aproveitando este período de crescimento económico robusto no médio prazo, o principal desafio das economias da África Subsaariana incidirá sobre a sua capacidade de assegurar que o crescimento se torna inclusivo e sustentável. Tal como foi reconhecido neste estudo, face à melhoria das políticas macroeconómicas e à estabilidade política, muitos destes países conseguiram melhorias substanciais em termos de desenvolvimento humano (apesar de alguns destes países não terem sido capazes de atingir as metas definidas pelos objectivos de Desenvolvimento do Milénio para 2015). Por exemplo, Angola foi um dos países que mais se destacou por ter alcançado melhorias notáveis em termos de desenvolvimento humano comparando com outros países da África Subsaariana (o IDH de Angola avançou de em 2000 para em 2012, permitindo-lhe subir da posição 22 para 13 entre 37 países da região Subsaariana), apesar destas melhorias ainda esconderem elevadas desigualdades entre a população. Como resultado, de forma a colocar estas economias numa trajectória de desenvolvimento sustentável, estes países deveriam aproveitar esta fase de rápido crescimento para se debruçarem sobre a implementação de mudanças estruturais, tais como a melhoria da eficiência das despesas públicas e a implementação de reformas com vista à diversificação da actividade económica e ao desenvolvimento do capital humano. 4

5 PERSPECTIVAS DE CRESCIMENTO ECONÓMICO As previsões mais recentes das autoridades angolanas (tal como apresentadas no Orçamento de Estado pelo Ministério do Planeamento) sugerem que o processo de diversificação da economia continuou a avançar moderadamente em 2013, com o sector não petrolífero a crescer mais rapidamente do que o sector petrolífero. Para o sector agrícola, prevê-se um crescimento robusto de 8.6%, ainda que abaixo da média histórica, indicando uma recuperação da seca de Por outro lado, apesar do aumento dos investimentos para melhorar o sector de logística (em particular com a construção de portos e reabilitação de caminhos de ferro), o crescimento no sector da construção deverá ter sido mais fraco em 2013 (7.6% comparado com uma taxa de crescimento de 11.7% em 2012), o que poderá estar relacionado com a fraca execução orçamental. Em contrapartida, o sector energético cresceu a um ritmo robusto de 22.4%, ao mesmo tempo que foram feitos investimentos significativos para construir e reabilitar infra-estruturas de energia (para produção e distribuição de energia). As autoridades antecipam também um cenário positivo para 2014, suportado por uma melhor performance tanto do sector petrolífero como do sector não petrolífero, estimando que a taxa de crescimento económico acelere para 8.8% em 2014, que compara com os 5.1% estimados para De acordo com as projecções do executivo, o crescimento económico em 2014 deverá ser suportado por uma aceleração do crescimento no sector petrolífero para 6.5%, acompanhado por um crescimento robusto no sector não petrolífero de 9.9%. Crescimento do PIB (em volume) (percentagem) Crescimento real do PIB por sector (estimativas 2013) (percentagem) Entretanto, o FMI apresentou recentemente estimativas mais cautelosas para o crescimento económico de Angola. De acordo com esta entidade, a performance da economia angolana durante 2013 foi marcada por um ligeiro abrandamento da actividade provocado por um abrandamento do sector do petróleo e por uma fraca execução orçamental. A actividade no sector petrolífero foi afectada pelas flutuações nos preços do petróleo e por uma quebra da produção, que esteve parcialmente relacionada com problemas operacionais nos maiores campos petrolíferos. Ao mesmo tempo, o crescimento no sector não Previsões de crescimento (em volume) Min. Fin. (OE 2014) FMI * OCDE/BAD BPI Nota: * sob revisão. petrolífero foi moderado, cerca de 5.8% de acordo com as estimativas do FMI, que compara com um crescimento médio de 8% nos 4 anos anteriores (média considerando os dados do FMI), resultado da fraca execução orçamental. Assim, considerando o peso elevado do sector petrolífero no PIB, o crescimento da economia deverá desacelerar de 5.2% em 2012 para 4.1% em As projecções para 2014 são baseadas no pressuposto que a produção de petróleo irá aumentar em cerca de 3% para 1.8 milhões de barris por dia, enquanto os preços internacionais do petróleo se devem manter relativamente estáveis. Assim, apesar da desaceleração da produção de petróleo em 2013, espera-se que as novas concessões on-shore e a produção de GNL (gás natural liquefeito) contribuam para uma aceleração da actividade neste sector. Por seu turno, o sector não petrolífero deverá expandir rapidamente à medida que os investimentos públicos vão criando oportunidades para crescimento nos sectores da construção e da energia. O FMI refere que o governo está a avançar com diversos projectos de investimento no sector energético, contando aumentar a capacidade de produção de energia eléctrica em cerca de 380 MW através do investimento na construção de centrais eléctricas, nomeadamente de hidroeléctricas. Para além disso, a recuperação do crescimento no sector agrícola, depois da seca de 2012, também deverá conduzir a um crescimento robusto no sector não petrolífero, enquanto o desenvolvimento do sector financeiro deverá ser um vector chave para o crescimento no sector dos serviços. A OCDE e o BAD apresentaram também recentemente o seu cenário de perspectivas para a economia Angolana. De acordo com os dados destas instituições, o crescimento económico para 2013 deverá fixar-se nos 5.1%, e acelerar para 7.9% em 2014 e 8.8% em 2015, sustentado por preços do petróleo mais elevados e aumento dos fluxos de investimento estrangeiro. 5

6 As nossas projecções são mais conservadores do que as das Produção industrial autoridades nacionais, apontando para um crescimento de 4.5% em 2013 e de 5.3% em 2014 com possibilidade de (taxa de variação homóoga) revisão em baixa atendendo à evolução recente da produção petrolífera e ao encerramento da fábrica de LN6. De uma maneira geral, Angola deverá passar por um período de crescimento económico mais moderado que, contudo manterse-á elevado e deverá ser mais sustentável. Apesar de existirem alguns sinais de que a diversificação da economia tem prosseguido, o peso do sector petrolífero ainda é considerável, o que deixa a economia vulnerável a diversos factores (o sector petrolífero pesava cerca de 43% no PIB de 2012 e representa uma percentagem esmagadora das receitas do Estado e das exportações). No médio prazo, a procura por petróleo deverá manter-se relativamente estável mas as receitas do petróleo continuarão vulneráveis às variações nos preços internacionais. Para além disso, a dependência da importação de bens de consumo deixa o país vulnerável a alterações nos preços internacionais dos produtos alimentares, se bem que a recente introdução de pautas aduaneiras pode compensar parcialmente este efeito. A nível interno, apesar dos esforços do governo para promover a produção local, o investimento por parte do sector privado continua constrangido pelo nível baixo do capital humano, pela fraca regulamentação e pela insuficiente capacidade de produção energética. O Instituto Nacional de Estatística publicou em Fevereiro uma nova série de dados das contas nacionais para o período de De acordo com estes números, o crescimento económico foi fixado nos 5.8% em 2012, ligeiramente acima das estimativas anteriores que apontavam para um crescimento de 5.2%, de acordo com o Ministério das Finanças. Por outro lado, o crescimento médio estimado para o período foi mais baixo do que as estimativas anteriores do governo (7.9% vs. 10.6%). Estes novos dados confirmaram que se observou durante este período uma ligeira modificação na estrutura da economia. Ainda que o sector petrolífero mantenha uma posição central no crescimento da economia, será importante notar que o peso do sector do petróleo na economia caiu de um máximo de 49.7% do VAB em 2008 para 43% em Em particular, os sectores da indústria transformadora, da construção e da energia parecem ter ganho uma maior relevância na composição da economia. Índice de conjuntura económica (índice) Valor acrescentado bruto por sector de actividade (percentagem do total do valor acrescentado bruto) Agricultura Pescas e Derivados Diamantes e Outros Petróleo Indústria Transformadora Construção Energia Serviços total dos quais: Comércio dos quais: Serviços públicos Fonte: INE 6

7 A evolução do índice de produção industrial, publicado pelo INE, deve ser interpretada com cautela, já que o indicador global apresenta essencialmente a performance do sector do petróleo (o peso deste sector no cálculo do índice total é de cerca de 94%). Contudo, o índice desagregado mostra que os avanços nos sectores da indústria transformadora e da energia, gás e água têm sido maiores do que no sector do petróleo. O índice para as indústrias extractivas cresceu em média 0.4% nos quatro trimestres de 2013, comparado com um crescimento médio durante o mesmo período de 12.5% para a indústria transformadora e de 36% para a distribuição de electricidade, gás e água. Mesmo assim, no último trimestre de 2013, o índice global caiu 2.2% em termos homólogos, devido a uma quebra de 2.9% y/y no sector das indústrias extractivas. Outro ponto menos positivo foi o facto de o crescimento no sector da indústria transformadora ter desacelerado, de acordo com os últimos dados, já que seria importante manter um crescimento vigoroso neste sector de forma a desenvolver a capacidade produtiva interna. Paralelamente, o indicador de confiança dos empresários também sugere algumas melhorias em alguns dos sectores de actividade. O índice de conjuntura económica publicado pelo INE no último trimestre de 2013 registou uma queda em todas as categorias (excepto no turismo) face ao impacto da desaceleração da actividade do sector petrolífero nos restantes sectores de actividade. Ainda assim, o índice manteve uma evolução positiva em vários sectores de actividade importantes para o desenvolvimento da produção interna, em particular no turismo, transportes e vendas a retalho, enquanto o sector da construção continuou a ser pressionado pelos constrangimentos do lado da oferta. DESENVOLVIMENTOS RECENTES NO SECTOR DAS INDÚSTRIAS EXTRACTIVAS De acordo com o Ministério das Finanças, a indústria petrolífera produziu uma média de 1.73 milhões de barris por dia (Mb/d) em 2013, apenas ligeiramente acima da produção de 2012 de cerca de Mb/d e de 1.63 Mb/d em 2011, enquanto as receitas das exportações caíram de USD 69.8 mil milhões em 2012 para USD 67.8 mil milhões em Mesmo assim, considerando o nível actual de reservas provadas, a produção deverá permanecer elevada nos próximos anos - a empresa estatal Sonangol indica que as reservas provadas estão estimadas em cerca de mil milhões de barris, que deverão ser suficientes para cobrir cerca de 20 anos de produção, assumindo que se mantem o mesmo nível de extracção. As projecções do governo apontam para um aumento da produção de petróleo para 1.79 Mb/d em 2014 e para 2.01 Mb/d em 2015, mas existe uma probabilidade grande de que a produção evolua de forma mais moderada. De facto, a expansão do sector dos hidrocarbonetos poderá ser conturbada, tal como tem acontecido nos últimos anos, já que o objectivo de elevar a produção para a meta de 2 Mb/ d tem sido frequentemente adiado devido a problemas técnicos. Os dados mais recentes apontam para uma queda da produção: em Maio, as exportações de petróleo atingiram o volume mais baixo desde Maio 2011, enquanto os preços do petróleo estagnaram (o preço médio por barril era de USD em Maio, relativamente estável face ao preço médio de 2013 de USD 107.5), provocando uma quebra das receitas de 6.4% y/y. A produção média durante os primeiros três meses do ano caiu para 1.56 Mb/d, consideravelmente abaixo da média do trimestre anterior de 1.68 Mb/d e da média de 1.74 Mb/d do trimestre homólogo. Ao mesmo tempo, as receitas do governo também se deterioraram face à baixa produção petrolífera, com as receitas a caírem 17% no primeiro trimestre em termos homólogos. Produção de petróleo (milhões de barris por dia) Projecções para os preços do petróleo (USD/bbl) Finalmente, as projecções para os preços do petróleo globais também não parecem ser muito prometedoras. De acordo com o FMI (no relatório Commodity Market Review), o preço 7

8 médio do petróleo caiu ligeiramente em 2013 para USD/bbl 104.1, face a USD/bbl 105 em 2012, depois de uma recuperação contínua dos preços desde Assumindo que a procura se deverá manter relativamente estável e que a oferta mundial tenderá a aumentar devido a um aumento da produção por parte de países não pertencentes à OPEP, as projecções sugerem que o nível dos preços manter-se-á estável em 2014 numa média de USD/bbl 104.2, devendo depois diminuir consideravelmente em Neste contexto, espera-se que a produção média continue a crescer mas a um ritmo lento, restringindo assim o crescimento da actividade económica como um todo, dada a dependência da economia das receitas do sector. Por outro lado, os novos investimentos no sector poderão transformar este cenário para a indústria petrolífera. Recentemente, a empresa estatal Sonangol anunciou um concurso para atribuição de licenças de exploração para 10 novos campos on-shore localizados nas bacias do Baixo Congo e do Cuanza, sendo que a produção nestes novos blocos deverá arrancar em Paralelamente, a operadora Total anunciou um investimento de USD 16 mil milhões para exploração de um bloco de águas-profundas localizado a cerca de 260 km de Luanda. Este projecto acrescentará 230 mil barris por dia ao total da capacidade de produção a partir de 2017, explorando reservas de cerca de 650 milhões de barris. Para além destes projectos, esperase que a actividade da fábrica de processamento de GNL em Soyo (um dos maiores investimentos no país, de cerca de USD 10 mil milhões) possa trazer um importante valor acrescentado para o sector. No entanto, ainda não se sabe quando poderá a fábrica produzir em plena capacidade, dado que este projecto também tem enfrentando diversos problemas operacionais: o primeiro carregamento de gás foi expedido em Junho de 2013, mas devido a questões técnicas (que levaram recentemente ao encerramento da fábrica), espera-se que a produção este ano fique ainda abaixo de metade da capacidade. 8

9 Política Orçamental Resultados preliminares da execução orçamental de 2013 De acordo com os dados avançados pelo FMI, o défice orçamental do sector público acabou por fixar-se em 1.5% do PIB em 2013, registando-se um défice pela primeira vez desde 2009, depois de ter registado um excedente médio de 5.7% do PIB nos três anos anteriores. Mesmo assim, o défice do último ano ficou abaixo do valor inicialmente previsto no orçamento, que previa um défice de 3.8% do PIB. Esta fraca execução orçamental pode ser explicada em parte pelos factores que se seguem. Do lado da receita, apesar de a produção de petróleo ter ficado ligeiramente abaixo do estimado no Orçamento de Estado de 2013 (as estimativas do orçamento apontavam para exportações de petróleo na ordem dos 673 milhões de barris, mas ficaram-se pelos 630 milhões de barris), o preço médio efectivo do barril de petróleo foi significativamente mais elevado do que o nível estimado no orçamento (USD 107 vs. USD 96), conduzindo as receitas fiscais petrolíferas a excederem os objectivos do orçamento (29.6% do PIB vs. 26.9% do PIB), ainda que as receitas tenham diminuído face ao montante arrecadado no ano anterior (em que o total das receitas petrolíferas tinha chegado a 37.3% do PIB). Receitas fiscais petrolíferas (percentagem do PIB) Receitas fiscais não petrolíferas (percentagem do PIB) Por outro lado, as receitas não petrolíferas deverão ter-se fixado em cerca de 7% do PIB em 2013, ficando abaixo do objectivo do governo de 9.2% do PIB, devido essencialmente a atrasos na implementação da reforma fiscal (apesar dos avanços nomeadamente no regime de impostos sobre o património imobiliário e de rendimentos de capitais, o novo Código Geral Tributário ainda se encontra em discussão na Assembleia da república 1 ) e a um pressuposto sobrestimado para o crescimento do PIB. No lado da despesa, os gastos correntes mantiveram-se relativamente estáveis, mas a execução das despesas de investimento voltou a desapontar. As despesas de capital, que se referem essencialmente ao Programa de Investimentos Públicos, caíram de 11.8% do PIB em 2012 para 10.7% do PIB em 2013, apesar de o executivo ter projectado aumentar a despesa para 14.3% do PIB. De uma maneira geral, as receitas ficaram acima do orçamentado, acrescentando cerca de 0.7 p.p. ao total de receita estimada no orçamento de 37.4% do PIB. Por outro lado, as despesas ficaram 1.5 p.p. abaixo dos 41.1% do PIB previstos no orçamento devido à fraca execução orçamental, o que sugere que os esforços para diversificar a economia deverão ter ficado aquém do esperado. Orçamento de Estado para 2014 As autoridades antecipam no Orçamento de Estado para 2014 que o défice público se agrave para 4.8% do PIB, dado que tencionam avançar com um programa de investimento ambicioso, ao mesmo tempo que as receitas do sector petrolífero deverão cair ligeiramente. No entanto, dada a dificuldade de execução das despesas de capital, o FMI estima que o défice se deva fixar em apenas 2% do PIB. Tal como nos anos anteriores, as autoridades continuam a apresentar pressupostos bastante conservadores quanto aos preços do petróleo (por exemplo, o orçamento para 2014 assume que o preço médio do barril de petróleo rondará os USD 98, apesar de as projecções do FMI indicarem um preço médio de USD104), enquanto as projecções para o crescimento do PIB se mantiveram relativamente optimistas. Como resultado, as receitas do petróleo podem estar subestimadas e as receitas não petrolíferas sobrestimadas. Além disso, o orçamento prevê um crescimento das receitas não petrolíferas, no pressuposto de que as reformas tributárias devem prosseguir. No entanto, mesmo considerando receitas tributárias adicionais (como resultado das receitas das novas tarifas aduaneiras e da tributação sobre o imobiliário), o objectivo para esta rúbrica parece bastante ambicioso, uma vez que a capacidade de cobrança dos impostos é ainda reduzida e pode ser dificultada caso não se procedam com os avanços na reforma tributária geral. Por outro lado, o objectivo de aumentar as despesas de capital para 13.1% do PIB é bastante ambicioso, mas pode também ser difícil de executar. 1 As reformas em discussão incluem o Código Geral Tributário, o Código de Processo Tributário e o Código das Execuções Fiscais. 9

10 De uma maneira geral, a política orçamental parece estar a tomar o rumo certo, dado que as autoridades querem aumentar a despesa de forma a realocar recursos para outros sectores de actividade, de forma a prosseguirem com o objectivo de diversificar a economia, embora a fraca capacidade de execução orçamental esteja a atrasar este processo. Assim, tendo em conta estes objectivos, o governo deveria apostar em melhorar o planeamento e a execução orçamental, através do fortalecimento dos sistemas de gestão das finanças públicas. Neste sentido, deve reconhecer-se que nos últimos anos foram dados importantes passos no sentido de reforçar a transparência e a responsabilização no domínio da gestão das finanças públicas. Tal como foi indicado no relatório do FMI, as autoridades têm feito bons progressos no sentido de incluir as operações quase-orçamentais no Orçamento de Estado, nomeadamente ao melhorarem a transparência relativamente às transferências de receitas do petróleo da Sonangol para o governo. O FMI reconheceu que também se observaram melhorias significativas na resolução dos atrasos nos pagamentos, apesar de o actual stock de atrasos ainda ser considerável, nomeadamente no sector da construção (no final de 2013 o total de atrasos verificado ascendia a USD 1.6 mil milhões). Por outro lado, a organização alertou para a necessidade de se continuar o processo de reconciliação das receitas do petróleo, dado que este é um elemento fundamental para melhorarem as previsões orçamentais. Além de reforçar as capacidades administrativas em matérias fiscais, a prossecução com outras reformas poderia também ajudar a prevenir contra uma possível deterioração das finanças públicas no futuro. Em primeiro lugar, seria importante prosseguir com as reformas direccionadas para o sector não petrolífero, de forma a melhorar as receitas através do alargamento da base tributária e da redução do peso do sector informal na economia. Por enquanto, as receitas do sector não petrolífero têm crescido apenas ligeiramente, mas à medida que a economia se desenvolve esta rúbrica deverá ganhar uma maior relevância e tornar-se crucial para a planificação do orçamento, uma vez que este tipo de receitas tenderá a ser mais estável e menos volátil do que as receitas petrolíferas. Assim, Angola devia intensificar o processo de aprovação de reformas fiscais no sector não petrolífero (de facto, já têm vindo a ser feitos alguns progressos neste sentido, mas a aprovação de um conjunto importante de legislações tem sido constantemente adiada). Em segundo lugar, o FMI sugere que se deveria separar a função de concessionária da Sonangol relativamente às suas actividades comerciais, e definir uma compensação mais adequada aos serviços da Sonangol como concessionária (as autoridades já reduziram em 2013 esta contribuição para cobrir os custos da actividade da Sonangol de 10% para 7%, mas de acordo com a instituição o próximo passo deverá passar por avançar para um sistema em que os reembolsos são feitos com base nos custos incorridos efectivamente). Finalmente, o governo deve rever o peso dos subsídios aos combustíveis, já que estes são considerados regressivos e representam uma despesa elevada para o governo (cerca de 4.8% do PIB). Contas Públicas Orçam. Prel. FMI Orçam. Prel. FMI Orçam. Prel. FMI Orçam. Prel. FMI (AOA mil milhões) (% PIB) Receitas totais 3,295 4,776 5,054 4,570 4,474 4,745 5, Impostos 3,094 4,528 4,826 4,400 4,291 4,540 4, Petrolíferos 2,500 3,817 4,103 3,282 3,472 3,313 3, Não-petrolíferos , , Outras receitas Total da despesa 3,034 3,928 4,490 5,021 4,647 5,375 5, Despesa Corrente 2,166 2,935 3,191 3,341 3,396 3,674 3, das quais: juros Despesas de Capital ,299 1,680 1,251 1,701 1, Saldo fiscal Dívida (bruta) do sector público 3,017 3,298 3,225 4,000 3,129 4,420 3, Dívida externa pública 1,641 1,925 2,120 2,530 2,034 2,959 2, Dívida interna pública 1,376 1,372 1,105 1,470 1,095 1,461 1, Saldo fiscal prim. não-petrolífero -1,984-2,627-3,153-3,500-3,395-3,641-3, Fonte: FMI. Apesar da deterioração do saldo fiscal, a dívida pública deve manter-se relativamente estável, estimando-se que o total da dívida pública aumente para 29.2% do PIB (cerca de USD 38 mil milhões) em 2014, comparado com 26.6% do PIB em 2013 e 29.3% do PIB em A dívida interna deve avançar de 9.3% do PIB em 2013 para 10.5% do PIB em 2014, enquanto se estima que a dívida externa cresça a um ritmo mais rápido, subindo de 17.3% do PIB em 2013 para 18.7% 10

11 do PIB em Apesar de a divida externa ter um peso considerável no total da dívida (cerca de 65% do total da divida publica), Angola continua a manter uma considerável "almofada financeira", considerando a acumulação de reservas internacionais (cerca de USD 30 mil milhões) e a criação do Fundo Soberano de Investimento, que representam importantes salvaguardas na eventualidade de terem que enfrentar choques externos imprevistos. Além disso, o governo está a avançar com medidas que têm em vista o desenvolvimento do mercado obrigacionista local, prevendo emitir a primeira Eurobond em

12 CONTAS EXTERNAS O Instituto Nacional de Estatísticas (INE) publicou recentemente as contas do comércio externo para o último trimestre de De acordo com o relatório divulgado, o excedente comercial diminuiu para USD 8.4 mil milhões nos últimos três meses do ano por comparação com USD 10.8 mil milhões no trimestre anterior, embora superior aos USD 6.7 mil milhões registados no período homólogo. A redução do excedente comercial está principalmente relacionada com a quebra nas receitas derivadas com a exportação de petróleo (-5.4% q/q) enquanto as importações continuaram a aumentar a um ritmo elevado (+20.6% qoq). A desaceleração da produção petrolífera ao longo do ano e a lenta recuperação do sector agrícola face ao período de seca em 2012 justificam a redução do valor das exportações no conjunto do ano. Por outro lado, as importações diminuíram em 2013, embora esta diminuição tenha sido inferior à redução das exportações. Consequentemente, o excedente comercial diminuiu de USD 41.9 mil milhões em 2012 para USD 40 mil milhões no ano passado. Apesar de os dados referentes à balança de pagamentos de 2013 ainda não terem sido divulgados, as estimativas do FMI apontam para que a deterioração do saldo comercial tenha contribuído para a redução do saldo da balança corrente para apenas 5%, por comparação com 9.2% em A redução do saldo comercial reforça a necessidade de diversificação das exportações. As importações continuam a ser dominadas por máquinas, veículos e combustíveis, apesar dos produtos agrícolas terem vindo a ocupar uma percentagem cada vez maior do total de produtos importados (contabilizando actualmente 11% das importações). A redução significativa das importações de bens de capital sugere que o investimento está a diminuir, reflectindo o fraco desempenho dos sectores da construção e dos transportes. Por outro lado, a redução das importações de bens alimentares em bebidas no ano passado, na ordem dos 14%, sugere uma substituição do consumo de bens com origem no exterior por bens produzidos localmente. Com base nestes resultados, a pauta aduaneira, introduzida em Março de 2014, poderá constituir um estímulo adicional ao desenvolvimento das indústrias locais. A nova legislação aduaneira, que implicou um aumento selectivo das tarifas sobre os produtos importados (por exemplo, a tarifa máxima, aplicada à cerveja, água engarrafada, motociclos e tabaco, foi aumentada de 30% para 50%), procura desincentivar o consumo de bens importados e apoiar o desenvolvimento da produção local, embora os avanços na indústria local continuem a ser penalizados por vários constrangimentos estruturais da economia, nomeadamente ao nível das infra-estruturas. Comércio internacional (variação homóloga - 3m.m.a.; milhões de USD 3m.m.a.) Composição das importações de bens (2013) (percentagem do total) 11% 11% 7% 7% Prod. Agric. 5% Alimentos Prod. Quim. 3% Plásticos Metais 26% 10% M áquinas Veículo s 20% Combustíveis Outro s Fonte: INE Reservas internacionais e taxa de câmbio (milhões de de USD; AOA/USD) O banco central mantém uma política conservadora de acumulação de reservas internacionais, de forma a reduzir a vulnerabilidade da economia face a choques externos adversos. Neste sentido, as reservas em moeda externa fixaramse em USD 30.2 mil milhões em Maio de 2014, inferior ao máximo de USD 34 mil milhões atingido em Maio do ano passado, mas ainda assim suficientes para cobrir cerca de 7 meses de importações, de acordo com dados do FMI. A redução das reservas a partir do final de 2013 tem resultado em parte na transferência de recursos do Fundo Petrolífero para Infra-estruturas (FPI) para o novo Fundo Soberano de Angola (FSA), como parte do financiamento do último. Apesar de o FSA ter sido criado em Outubro de 2012, foram feitos reduzidos progressos na sua implementação. Apenas recentemente foi confirmada a nomeação de um auditor independente para analisar as contas do fundo e, apesar de as 12

13 autoridades continuarem a promover a transparência e responsabilidade pela prestação de contas, têm sido divulgados poucos detalhes acerca do seu financiamento. De acordo com o último comunicado divulgado, os primeiros investimentos do FSA, que deverão incluir instrumentos de taxa fixa emitidos por soberanos e títulos de participação e investimentos alternativos em mercados globais e emergentes, deverão ocorrer em A informação referente à balança de pagamentos, divulgada pelo BNA, mostra um aumento do investimento directo estrangeiro (IDE) em 2012 para USD 15.1 mil milhões, superior aos USD 14.1 mil milhões do ano anterior. Ainda não foram divulgados dados referentes à balança de pagamentos em 2013, embora estimativas preliminares do Banco Africano de Desenvolvimento sugiram que o IDE deverá ter aumentado para USD 15.5 mil milhões. O último relatório divulgado pela Agência Nacional para o Investimento Privado também sugere um aumento do IDE no país, indicando que foram aprovados 181 novos projectos de investimento em 2013 (69% financiados por capital externo), totalizando USD 4.7 mil milhões, cerca do dobro do que tinha sido aprovado em Os projectos aprovados destinam-se a vários sectores de actividade, embora 46% do investimento total tenha sido canalizado para o sector petrolífero. Por outro lado, os sectores da indústria transformadora e dos serviços financeiros receberam 12% do investimento total aprovado pela ANIP e a agricultura absorveu 10%. Com o desenvolvimento das infra-estruturas, principalmente com a construção de portos marítimos e aeroportos, Angola torna-se num destino de investimento cada vez mais atractivo, o que deverá contribuir de forma significativa para a estratégia nacional de diversificação. Investimento privado por sector de actividade (2013) (milhões de USD) Ind. Extr. Activ. Fin. Aloj. Rest. Serv. P rest. Outro s Ind. Transf. Agricultura Const. Comércio Fonte: ANIP Por último, de acordo com um estudo recente elaborado pela consultora EY ("EY's 2014 Africa Attractiveness Survey"), Angola é actualmente o quarto destino mais atractivo para investimento estrangeiro em África. O ranking continua a ser liderado pela África do Sul, seguida pela Nigéria e pelo Quénia - estes três países em conjunto absorvem cerca 40% do investimento total em África, enquanto Angola detém uma quota de 6.9%. Do outro lado, o Reino Unido é o principal investidor em África, seguido pelos EUA e pela África do Sul. De acordo com o mesmo relatório, o IDE aumentou na África Subsariana (+4.7% face a 2012) mas reduziu-se no Norte de África (-3.1%) devido à crescente incerteza política. Notase também que os projectos estão a ser direccionadas para outras actividades para além das indústrias extractivas, assinalando-se ainda um aumento do investimento intra-africano, impulsionado pela necessidade de construção de uma cadeia de valor no continente. Balança Comercial 3T13 4T milhões USD milhões USD % total % q-o-q % y-o-y milhões USD Exportações 17,599 16, % -6.3% 66,422 70,842 67,770 Petróleo 17,275 16, % -6.5% 65,192 69,708 66,599 Prod. Agrícolas % Outros % 0.9% 1,209 1,107 1,122 Importações 6,849 8, % -25.1% 20,791 28,916 27,689 Prod. Agrícolas % -35.7% 2,392 3,498 3,078 Produtos Alimentares % -35.0% 1,499 2,263 1,948 Qu micos % -36.3% 1,044 1,710 1,405 Plásticos e Borrachas % -43.7% 624 1, Metais Comuns % -41.8% 2,031 3,508 2,750 Máq., Equip., e Aparelhos 1,577 1, % -46.4% 4,328 6,812 5,505 Ve culos e O. Mat. Transp , % 62.5% 4,070 5,260 6,973 Combustíveis 1, % -24.0% - 1,130 2,070 Outros % - 4,805 4,658 3,098 Balança de Bens 10,750 8, ,631 41,925 40,081 Fonte: INE. 13

14 POLÍTICA MONETÁRIA E SECTOR FINANCEIRO A política monetária seguida pelo BNA continua a apoiar a redução da taxa de inflação sem comprometer a estabilidade do sector financeiro. De acordo com o INE, o índice de preços na cidade de Luanda aumentou 0.62% entre Abril e Maio, mantendo a tendência de redução da taxa de inflação anual, que atingiu um novo mínimo histórico de 6.95%, inferior aos 7.22% registados em Abril. O impacto da nova pauta aduaneira sobre o nível de preços doméstico tem sido limitado, devendo continuar-se a observar com atenção a evolução dos preços nos próximos meses uma vez que a nova legislação só entrou em vigor no início do mês de Março. Os preços dos bens alimentares, que constituem quase 40% do cabaz utilizado no cálculo do IPC, continuam a influenciar decisivamente a variação global do nível de preços, tendo contribuindo com 0.24 pontos percentuais para a variação mensal do indicador. O impacto das novas tarifas deverá continuar reduzido, uma vez que, segundo dados do Ministério da Indústria, a produção local é suficiente para cobrir 70% das necessidades do mercado interno. Por outro lado, a estabilidade de preços poderá ser comprometida pela política orçamental expansionista ao longo do ano. Depois de ter reduzido a taxa básica em 100 pontos base ao longo de 2013, o BNA tem mantido a principal taxa de juro de referência nos 9.25% desde Novembro suportado pela redução da taxa de inflação (no orçamento de Estado para 2014, as autoridades definiram um intervalo objectivo para a inflação anual definido entre 7 e 9%). A acomodação da política monetária tem sido permitida pela estabilização da inflação, que por sua vez tem sido determinada pela estabilidade cambial, pelo crescimento lento do crédito e pela reduzida execução orçamental. Em linha com o objectivo de aumentar a quantidade de recursos financeiros disponíveis para conceder empréstimos à economia, o BNA decidiu em Janeiro diminuir o rácio de reservas obrigatórias aplicável aos depósitos em moeda local de 15% para 12.5% (mantendo, por outro lado, o rácio das reservas obrigatórias aplicável aos depósitos em moeda externa em 15%). Em Março, o BNA reduziu a taxa de cedência de liquidez em 25 pontos base para 10%, ao mesmo tempo que aumentando a taxa de absorção de liquidez para 10.5% com o objectivo de incentivar os empréstimos interbancários e o crédito à economia. Na última reunião de política monetária, referente ao final de Maio, o BNA manteve todas as taxas inalteradas. Neste sentido, no mercado monetário interbancário, as taxas LUIBOR continuam a apresentar uma tendência decrescente, mais acentuada no prazo overnight, cuja taxa se situa inferior a 3%. A taxa LUIBOR overnight diminuiu 1.75 pontos percentuais desde o início do ano e 3.2 pontos face ao período homólogo. LUIBOR (percentagem) Depósitos e empréstimos em moeda estrangeira (percentagem do total) Crescimento do crédito total (variação percentual homóloga) A política monetária seguida tem também suportado uma aceleração do crédito à economia. O crédito total interno cresceu a uma taxa de variação homóloga média de 13% nos últimos 12 meses até Março, inferior ao crescimento médio de 16% nos 12 meses anteriores, com o crédito ao sector público a crescer a um 14

15 ritmo mais acelerado do que o crédito ao sector privado. O crédito continua a ser canalizado principalmente para actividades sociais e pessoais (que absorveram 23% do crédito total), para particulares (19%), para o sector do comércio (18%) e para o sector do imobiliário e serviços prestados às empresas (10%). Apesar do aumento da massa monetária em circulação, as taxas de juro aumentaram ligeiramente, de 12.86% em Fevereiro para 12.90% em Março em empréstimos a sociedades não-financeiras com prazo superior a 1 ano, e de 11.83% para 12.43% em empréstimos a particulares (também por prazos superiores a 1 ano). A redução da utilização do dólar na economia continua em curso, 6 meses depois da última fase da nova lei cambial ter entrado em vigor, com o kwanza a ganhar relevância nas transacções locais. De acordo com dados do BNA, o rácio de empréstimos concedidos em moeda externa (em relação ao total de empréstimos) diminuiu significativamente, de 44% em Dezembro de 2011 para apenas 30.2% em Março deste ano, o que significa que os empréstimos concedidos em kwanzas já representam quase 70% dos empréstimos totais. A tendência tem sido semelhante no caso dos depósitos, com os depósitos em moeda estrangeira (em percentagem do total de depósitos) a diminuírem de 50% para 35% no mesmo período. O sector bancário mantém-se sólido e robusto, apresentando elevados níveis de capital, com o rácio de capital ponderado pelos activos ajustados pelo risco a fixar-se em 19.5% no final do ano passado. Por outro lado, o crédito mal parado continua a aumentar, tendo atingido cerca de 10% do crédito total em Dezembro de No entanto, este valor reflecte em parte alterações regulamentares aos critérios para a classificação dos empréstimos e poderá estar também relacionado com o atraso nos pagamentos do governo e com uma exposição crescente ao sector imobiliário. Distribuição do crédito total por sector (percentagem do crédito total) 0% 5% 10% 15% 20% 25% Agricultura Ind. Extractivas Ind. Transformadora Co nstrução Comércio Transportes Activ. Fin. Activ. Imob. Serviços sociais Individuos Outros Crédito vencido/crédito Total (percentagem) 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% Jan-14 Fev-14 Mar-14 Fonte: BNA Dec-10 Jun-11 Dec-11 Jun-12 Dec-12 Jun-13 Dec-13 Credito vencido /Crédito Total Fonte: BNA 15

16 SECTOR PETROLÍFERO EM ANGOLA: ALGUNS FACTOS E PERSPECTIVAS Desde o final da guerra civil em 2002, a produção de petróleo em Angola aumentou exponencialmente, crescendo de uma média diária próxima de 900 mil barris (bbl/d) até um máximo de 2.0 milhões bbl/d em O país tornou-se no 2º maior produtor de petróleo em África, logo atrás da Nigéria, e no 15º maior produtor a nível mundial, com reservas estimadas em 9.1 mil milhões de barris. Como resultado, o sector petrolífero representa uma importante fonte de receita para o país mas também uma fonte de instabilidade, uma vez que a economia se tornou dependente da extracção de petróleo e actividades relacionadas, como ficou provado com a desaceleração do crescimento económico após o choque de Apesar de as autoridades terem vindo a aumentar os esforços para diversificar a economia, o sector petrolífero ainda é responsável por quase metade da produção interna total e continua a deixar a economia vulnerável a choques externos. Perante a perspectiva de desaceleração do crescimento da procura mundial por petróleo e de redução dos preços a nível internacional, a contribuição do sector para o crescimento e desenvolvimento angolano estará agora mais do que nunca em foco. O SECTOR PETROLÍFERO Breve contextualização histórica O início da era petrolífera remonta a 1910, ano em que foi concedida a primeira licença para exploração de hidrocarbonetos. No entanto, apenas vários anos mais tarde, em 1955, foi descoberto o primeiro campo petrolífero com valor comercial, na área onshore da Bacia do Kwanza pela petrolífera Belga Petrofina (foi também neste ano que a refinaria de Luanda começou a ser construída). A descoberta de vastas reservas petrolíferas nos campos offshore na província de Cabinda nos anos 60 e a descoberta de vários campos em águas profundas nos anos 90 foram também determinante para o desenvolvimento do sector. Foi também durante os anos 60 que as áreas de exploração actuais foram definidas, com a área onshore a corresponder a 2.95 mil km 2 na Bacia do Congo e a mil km2 na Bacia do Kwanza e com a área offshore a corresponder a 4.84 mil km 2 no Congo e a mil km 2 no Kwanza. A produção actual provém principalmente dos campos offshore de Cabinda e dos campos de águas profundas na Bacia do Baixo Congo (veja-se a figura apresentada em baixo) 1. A concessionária pública do sector petrolífero, a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), foi criada em 1976 com o objectivo de regular a exploração de hidrocarbonetos no país, e um ano mais tarde, em 1977/78, foi criado o Ministério dos Petróleos, responsável pela supervisão do sector petrolífero. Ao mesmo tempo, foi implementada a Lei Geral das Actividades Petrolíferas (Lei 13/78) 2, que definia os primeiros princípios para a regulação da exploração de petróleo e concedeu à Sonangol a exclusividade da exploração e direitos de propriedade sobre os hidrocarbonetos, mantendo-se o Estado como o único proprietário de todos os recursos minerais. Crescimento da produção de petróleo em linha com aumento das reservas provadas (mil milhões de barris diários; mil milhões de barris) Foi apenas a partir de 2002, com a estabilidade proporcionada pelo final da guerra civil de 27 anos, que a produção de petróleo registou um crescimento notável, até atingir os níveis actuais. De facto, em 1976 eram extraídos apenas cerca de 100 mil bbl/d 3 e a maior parte da produção derivava da área Produção de petróleo bruto Reservas provadas (ELD) Font e: EIA offshore de Cabinda e das áreas offshore do Congo e do Kwanza. Entre 2002 e 2008 (quando a produção de petróleo atingiu um máximo de 2.0 milhões bbl/d), o sector cresceu a uma taxa média anual de 14% como resultado do início da produção nos vários campos de águas profundas descobertos nos anos 90 (o início da exploração em águas profundas ficou marcado pela concessão do bloco 16 em 1991), o que compara com uma taxa média de crescimento anual de 8% no período Devido ao conflito interno de longa duração, a exploração onshore tem sido muito limitada, apesar dos recentes avanços. Angola tornou-se membro da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) em Janeiro de 2007 e assumiu a sua presidência em De acordo com a lei actual, as operadoras petrolíferas são obrigadas por lei a estabelecer uma parceria com a Sonangol (que por sua vez pode decidir participar directamente na exploração ou apenas como sócia, apoiando o financiamento dos A exploração de petróleo é principalmente efectuada em profundidades superiores a 1,200 metros. De acordo com a Sonangol, cada poço de águas profundas tem um custo estimado de USD milhões. 2 A lei inicial seria substituída em 2004 pela Lei das Actividades Petrolíferas. 3 A produção de petróleo tinha atingido um máximo de 172 mil bbl/d em 1974, imediatamente antes do fim do período colonial. 16

17 projectos e ficando com o direito de receber uma fracção dos lucros) de modo a terem permissão para explorar os recursos do país. A maioria dos acordos contratuais entre as operadoras petrolíferas e a Sonangol são efectuados sob a forma de Contratos de Partilha de Produção (Production Sharing Agreements), em que o governo concede a exploração às empresas que, por sua vez, podem deduzir uma parcela da produção e cobrir os custos de investimento (a propriedade do petróleo permanece do governo). O sector está dominado por operadoras multinacionais, como a Total, Exxon Mobil, Chevron e BP, devido aos elevados custos de exploração e à necessidade de tecnologia moderna (a maior parte dos inputs têm que ser importados). Angola é actualmente o segundo maior produtor de petróleo em África, com uma produção aproximada de 1.8 milhões bbl/d em 2013 (a maior parte da qual - cerca de 97% - corresponde a petróleo em bruto e é derivada das áreas offshore da Bacia do Baixo Congo e da Bacia do Kwanza), apenas atrás da Nigéria, com uma produção equivalente a 2.4 milhões bbl/d. Por sua vez, as reservas provadas (quantidade de recursos que podem ser extraídos com algum grau de certeza), estimadas em 9.1 mil milhões de barris Principais produtores mundiais de petróleo País Produção (2013) Reservas provadas (mil milhões de barris/dia) (mil milhões de barris) Arábia Saudita Russia China Canada Irão EAU Iraque México Kuweit Brasil Venezuela Nigeria Catar Algéria Angola Fonte: EIA. pela US Energy Information Administration, estão entre as maiores a nível mundial 4. A Sonangol tem como objectivo atingir uma produção média de 2 milhões bbl/d até 2015 como resultado do início da exploração em vários poços de águas profundas. No entanto, problemas técnicos reportados recentemente têm resultado numa desaceleração da produção, o que coloca em risco esse objectivo. Petróleo pré-sal 5 Angola tem estado no centro das atenções nos últimos anos depois de ter sido comprovado que a sua costa oeste apresenta algumas semelhanças com a costa este do Brasil, onde se estima que as formações pré-sal acumulam vastas reservas de petróleo. Esta teoria, baseada na separação das placas tectónicas de África e da América do Sul durante o período Cretáceo Inferior, tem dinamizado os planos de investimento para exploração das formações pré-sal no país. As primeiras descobertas de petróleo pré-sal datam de 1983 e 1996, apesar de muitos dos blocos pré-sal actualmente em exploração apenas terem sido concessionados em Janeiro de 2011, quando a Sonangol conduziu um leilão de 11 blocos de águas profundas e ultra-profundas na Bacia do Kwanza (em Fevereiro de 2014, existiam 17 blocos a explorar as formações pré-sal do país, de acordo com a EIA). Em Maio de 2014, a operadora petrolífera Cobalt International Energy anunciou a descoberta de quantidades significativas de petróleo nas formações pré-sal em águas profundas da área offshore da Bacia do Kwanza, marcando a maior descoberta até à data. De acordo com as estimativas da operadora, as reservas nesta área situam-se entre 400 e 700 milhões de barris. Capacidade de refinação Angola apenas possui uma pequena refinaria a operar em Luanda. Apesar de as suas reservas provadas estarem entre as maiores a nível mundial, a capacidade de refinação do país, que se tem mantido estável em 30 mil bbl/d desde 1999, é apenas a 88ª maior do mundo (de acordo com a EIA). A construção de uma segunda refinaria - a Sonaref, na cidade do Lobito - começou em Dezembro de 2012, mas deverá ficar operacional apenas em 2017, com uma capacidade de refinação inicial de 120 mil bbl/d. Em 2018, a capacidade de processamento da refinaria deverá aumentar até aos 200 mil bbl/d. Com um consumo de produtos petrolíferos equivalente a 94 mil bbl/d (em 2012, de acordo com a informação mais recente da EIA) e reduzida capacidade de refinação, Angola tem que importar mais de metade dos produtos consumidos. Neste sentido, as importações de combustíveis fixaram-se em USD 2.1 mil milhões em 2013 (7.5% do total das importações), um valor muito superior aos USD 1.1 mil milhões de A procura por combustíveis e outros produtos petrolíferos deverá aumentar em uníssono com o crescimento da procura interna, o que reforça a necessidade de existirem investimentos direccionados para aumentar a capacidade de refinação local. 4 De acordo com estimativas do Ministério das Finanças divulgada em Abril de 2014, as reservas provadas correspondem a 12.6 mil milhões de barris. 5 De acordo com a página de internet da Petrobras: "O termo pré-sal refere-se a um conjunto de rochas localizadas em águas ultra-profundas de grande parte do litoral do Brasil, com potencial para a geração e acumulação de petróleo. Convencionou-se chamar de pré-sal porque forma um intervalo de rochas que se estende por baixo de uma extensa camada de sal, que em certas áreas da costa atinge espessuras de até 2 mil metros. O termo pré é utilizado porque, ao longo do tempo, estas rochas foram sendo depositadas antes da camada de sal. A profundidade total destas rochas, que é a distância entre a superfície do mar e os reservatórios de petróleo abaixo da camada de sal, pode chegar a mais de 7 mil metros." 17

18 Fonte: Sonangol 18

19 Dependência da economia do sector petrolífero Apesar dos recentes esforços das autoridades com o objectivo de diversificação da economia, o sector petrolífero ainda corresponde a quase metade da produção interna (considerando apenas efeitos directos, ou seja, excluindo efeitos de contágio para os restantes sectores de actividade) 6. Em 2012, o sector petrolífero era responsável por 43% do PIB do país, apenas ligeiramente inferior ao peso que ocupava em 2002 (45%). Ainda assim, o peso do sector no PIB ainda aumentou entre 2002 e 2008, quando atingiu o máximo de 50%, antes de o choque petrolífero global ter provocado a queda da produção no ano seguinte. O sector petrolífero ainda ocupa uma fatia considerável do PIB (% do PIB) Imobiliário 5.9% Admin. pública 9.0% Outros 15.9% Transportes e comun. 2.8% Comércio 10.7% Construção 5.5% 2002 A gricultura 5.9% Petróleo 44.5% Outros 15.9% Imobiliário 4.5% Transportes e comun. 5.4% Admin. pública 11.9% Comércio 5.0% 2012 Construção 9.3% Agricultura 5.0% Petróleo 43.0% Font e: INE A dependência da economia no sector petrolífero reflecte-se também no saldo externo e nas contas públicas. Por um lado, as exportações de produtos não petrolíferos são residuais (tendo sido responsáveis por apenas 2% do valor total exportado no ano passado), enquanto as exportações de petróleo são a principal fonte dos excedentes da balança corrente, tendo contribuindo com USD 69.7 mil milhões para o excedente de USD 13.9 mil milhões em Por outro lado, dada a dependência das receitas orçamentais no sector petrolífero (de acordo com a execução orçamental preliminar de 2013, os impostos derivados da actividade do sector geraram 76% do total das receitas orçamentais), o investimento público torna-se bastante vulnerável às receitas petrolíferas, que por sua vez é uma fonte considerável de flutuações no ciclo económico. A sustentabilidade da dívida pública está também dependente do sector, com o saldo orçamental primário não-petrolífero (em percentagem do PIB não-petrolífero) fixado em 48.1% no ano passado, ainda assim inferior aos 55.0% de Neste contexto, toda a actividade económica se tornou bastante dependente nas receitas originadas pelo sector petrolífero, pelo que uma redução não esperada nos preços internacionais pode provocar uma desaceleração significativa do crescimento da economia, como ficou comprovado com o choque petrolífero de 2008 e pelo abrandamento de Com o preço spot do Brent (o preço de referência para o petróleo Angolano) a cair de um máximo de USD por barril em Julho de 2008 para apenas USD 40 por barril em Fevereiro de 2009, o crescimento económico de Angola desacelerou consideravelmente, de uma média anual de 15.2% entre 2002 e 2008 para apenas 2.4% em Por sua vez, a desaceleração inesperada do crescimento da economia no ano passado (a previsão inicial do governo para um crescimento de 7.1% acabou por ser revista em baixa para 5.1%, ainda assim mantendo-se superior à nossa estimativa de um crescimento de 4.5%) foi em parte O preço do petróleo Angolano segue de perto o preço spot do Brent (USD por barril) justificada pela diminuição do preço médio por barril exportado de USD em 2012 para USD e pela subsequente quebra nas receitas petrolíferas, o que ditou a reduzida execução do investimento público (por sua vez já penalizado por problemas estruturais da economia, como a falta de qualificação dos trabalhadores em geral e pela excessiva burocracia) Brent spot Preço do petróleo Angolano Jan-09 Jan-10 Jan-11 Jan-12 Jan-13 Jan-14 Fonte: M inist ério das Finanças, Bloomberg 6 Têm sido apresentados vários planos estratégicos de desenvolvimento e de investimentos direccionados para o objectivo de diversificação da economia. Por exemplo, as despesas previstas no Orçamento de Estado com o Plano de Investimentos Públicos aumentaram 11.8% em 2014 quando comparadas com a execução preliminar de Num outro exemplo, foi apresentado, em Maio de 2014, o Plano Geológico de Angola, com o objectivo de construir o mapeamento dos recursos minerais do país e de aumentar o potencial de extracção. 19

20 As receitas petrolíferas são também uma fonte de instabilidade macroeconómica. De facto, as reservas em moeda externa do banco central são bastante correlacionadas com o preço spot do Brent, sugerindo que um choque adverso sobre os preços internacionais do petróleo tem um impacto negativo sobre as reservas e por sua vez sobre a estabilidade cambial. As reservas líquidas, que atingiram um máximo de USD 20.1 mil milhões em Novembro de 2008 antes de diminuírem mais de 40% para apenas USD 12.0 mil milhões em pouco mais de um ano, estão novamente a ser penalizadas pela desaceleração do preço do petróleo e pela respectiva quebra nas exportações 7. Depois de ter atingido um novo máximo de USD 34.4 mil milhões em Maio de 2013, o stock de reservas diminuiu para USD 30.2 em Maio deste ano, enquanto no mesmo período as exportações petrolíferas caíram 11.2% (em volume). Os gráficos apresentados em baixo procuram ilustrar a sensibilidade das principais variáveis macroeconómicas (crescimento real da economia, receitas orçamentais, saldo da balança corrente e reservas de moeda externa) a flutuações no preço do petróleo. A análise efectuada mostra que a correlação do preço spot do Brent com as receitas orçamentais e com as reservas é quase perfeita (próxima de 1), sugerindo que o preço do petróleo, as receitas e as reservas variam quase simultaneamente na mesma direcção. Por sua vez, também se encontrou uma correlação bastante elevada entre o preço do Brent e o saldo da balança corrente, e a correlação negativa encontrada com o crescimento do PIB, embora inferior (em magnitude), também é significativa. Preço do petróleo (spot Brent) vs crescimento económico saldo da balança corrente (%; USD por barril) 25 correlação = (USD mil milhões; USD por barril) 15 correlação = Crescimento real do P IB Brent spot (ELD) Saldo da balança corrente Brent spot (ELD) receitas orçamentais reservas (AOA mil milhões; USD por barril) correlação = ,000 5,000 4,000 3,000 2,000 1, Receitas orçamentais B rent spo t price (ELD) (USD mil milhões; USD por barril) correlação = Reservas em moeda externa Brent spot (ELD) Sources: BNA, IMF A (ainda) elevada utilização de dólares da economia é também consequência do elevado peso da exploração de petróleo no conjunto da actividade económica, embora o kwanza tenha vindo gradualmente a ganhar peso nas transacções locais ao longo dos últimos meses. As operadoras petrolíferas apenas ficaram obrigadas a efectuar os pagamentos aos trabalhadores e fornecedores locais através das instituições domésticas e em kwanzas muito recentemente, depois da aprovação da nova lei cambial no início de 2012 (a lei só ficou totalmente implementada em Outubro de 2013, depois de 7 O stock de reservas de moeda externa está também a ser reduzido devido ao esquema de financiamento do Fundo Soberano de Angola, que consiste em parte em transferências do governo. 20

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