A DIVISÃO SEXUAL NO TRABALHO E A DESVALORIZAÇÃO DO TRABALHO FEMININO

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1 A DIVISÃO SEXUAL NO TRABALHO E A DESVALORIZAÇÃO DO TRABALHO FEMININO Janaina Bezerra de Queiroz Universidade Estadual da Paraíba - UEPB Resumo No contexto histórico, a divisão sexual do trabalho é um fenômeno, que transforma e se estrutura de acordo com a sociedade da qual faz parte. Este trabalho pretende analisar a divisão sexual que ocorre no âmbito do trabalho, considerando as profundas transformações que ocorreram neste a partir dos anos noventa. Para a tessitura metodológica faremos uma investigação de pesquisas bibliográficas, como também, de documentos relacionados a publicações recentes sobre o trabalho feminino, percebe-se que desde o surgimento da humanidade, já existia distribuição de papéis diferenciados para homens e mulheres. Após a análise comprovamos que a divisão sexual do trabalho expressa uma hierarquia de gênero que aponta sempre para a desqualificação do trabalho feminino, socialmente desvalorizado. Devemos mencionar, também, que nos seios das transformações no mundo do trabalho contemporâneo, das metamorfoses da questão social, continua existindo. Assim, no mercado de trabalho, delineia-se uma nítida divisão sexual das formações e dos empregos, onde as profissões tipicamente femininas carregam em si a desvalorização social. Palavras chave: Gênero. Divisão sexual do trabalho. Relações entre gêneros. Equidade Introdução O mundo contemporâneo está marcado pelos avanços de comunicação e da informática e por várias transformações tecnológicas e científicas. Tais transformações afetam todos os setores da sociedade, inclusive o processo de trabalho e sua relação com a sociedade. Repensando nessas transformações vemos a necessidade de refletir acerca da divisão sexual do trabalho, principalmente, na influência deste para a família e nas disparidades de oportunidades de trabalho. Na história da evolução do trabalho humano, o papel da mulher tem sido consideravelmente diferenciado do papel masculino. Homens e mulheres passaram conjuntamente por formas de relacionamento de trabalho em que predominavam sucessivamente a escravatura, servidão, artesanato, a burguesia comerciante, a manufatura até as formas mais recentes de modernização industrial. Homens e mulheres

2 conheceram uma sucessão de utensílios de trabalho desde a roda até a informatizaçãodos processos produtivos resultando na diversificação de tarefas, com conseqüências sobre o estado das técnicas, natureza do trabalho e sobre os paradigmas produtivos. No entanto, as condições enfrentadas pelas mulheres como participantes do mercado de trabalho, foram sempre diferenciadas e desvantajosas em relação ao trabalho masculino e as teorias econômicas, que sofreram mudanças consideráveis no tempo. Isto se verificou porque a divisão sexual do trabalho para a manutenção da família, através das épocas, sempre atribuiu ao homem a função de principal provedor financeiro das necessidades da casa. A princípio faremos uma abordagem sobre o trabalho, como fator histórico, e indispensável para a evolução da sociedade, partindo do pressuposto que este é toda a atividade desenvolvida pelo homem sobre uma matéria prima, geralmente com a ajuda de instrumentos, com a finalidade de produzir bens e serviços. Em seguida, apresentaremos a inserção da mulher no mercado de trabalho e posteriormente, observamos o processo de distribuição de papéis diferenciados para homens e mulheres. Globalização e transformações do trabalho As transformações no mundo do trabalho e as inovações tecnológicas trouxeram grandes impactos e desafios para as diversas áreas, em especial, para a econômica. Assim, impondo grandes e profundos impactos sobre o trabalho. Trata-se, para nós, de uma "transformação paradoxal do trabalho, no qual pela insegurança no emprego devida ao desenvolvimento da flexibilidade do trabalho e ao aumento do desemprego há uma fragilidade das relações trabalhistas. Desse modo, os vínculos de emprego se tornam cada vez mais precários com o aumento do desemprego de longo prazo, de formas ditas "atípicas" de emprego e da flexibilidade no uso da força de trabalho. Essa "transformação paradoxal do trabalho" caracteriza uma situação que implica em diminuição tendencial de empregos estáveis e precariedade de uma proporção significativa da população ativa. Ela termina por configurar a situação de crise do paradigma do emprego estável e protegido. Nascimento (1996, p. 51) afirma que,

3 Outro aspecto importante foi o descontentamento operário com o trabalho alienado. Isso manifestava-se nos números cada vez maiores de faltas no emprego, pedidos de demissão, greves e sabotagens. Esses fatores fizeram com que as empresas iniciassem um processo de reciclagem e de mudanças no trabalho, inaugurando assim um novo modo de produzir. Desse modo, começaram a incorporar as inovações tecnológicas, essas sendo indispensáveis para o desenvolvimento do capital. Ao mesmo tempo, em que essa mecanização foi substituindo o esforço físico do homem, ou de outra força animal na execução de uma tarefa ou na realização de determinado trabalho. De fato, a automação é a substituição do esforço, mental e físico do homem na realização automática de determinadas operações de um trabalho qualquer. É a realização de um conjunto de operações sem a interferência imediata do homem. (NASCIMENTO, 1996, p. 53) Entretanto, devemos afirmar que os computadores não funcionam do mesmo modo que um cérebro humano, ao passo, que não consegue imitá-lo, possibilitando apenas agir por meio de decisões mentais humanas pré-programadas para processos mecânicos. Como expressamos anteriormente, devido às transformações do campo do trabalho, os trabalhadores ficaram mais vulneráveis, muitas vezes, sem nenhuma garantia trabalhista. Uma das principais características desse modelo é a terceirização das atividades. Isso significa que uma empresa pode dividir as etapas da produção entre diversas empresas, no qual cada uma ficará responsável por uma fase da produção. Desse modo, a empresa não necessitará de grandes indústrias e nem de uma quantidade massiva de trabalhadores, assim Nascimento (1996, p. 57) expressa que, Muitas empresas diminuem o tamanho das indústrias e o número de pessoas necessárias para produzir. Isso acontece principalmente devido à compactação e à racionalização dos processos de produção, à redução dos estoques, do porte dos equipamentos e ao aumento da eficiência e qualidade dos serviços e produtos. Com essa transformação, o trabalhador também passa a exercer novas funções, diminuindo a sua alienação sobre os produtos e sobre os processos de produção, passando a desempenhar múltiplas funções e tarefas. Quer dizer, o trabalhador tem que

4 ser polivalente, tendo como objetivo final a satisfação do cliente, por isso que muitas empresas possuem como logomarca o cliente em primeiro lugar. Porém, devemos afirmar que a mudança não restringe ao âmbito da empresa, mas em todos os setores envolvidos, como a educação. Nesta também, se faz necessária algumas alterações, pois ela não pode se eximir da sua responsabilidade em relação à produção. Desse modo, deve estar instrumentada para responder às demandas impostas por mudanças tecnológicas, econômicas etc. Entretanto, devemos ter certeza que não é apenas papel da escola à formação de profissionais. O papel da escola não pode se resumir à preparação imediata de profissionais. Sua contribuição decisiva situa-se no campo da produção e da transmissão do conhecimento produzido e sistematizado pelos homens em sociedade, nas mais variadas áreas da atividade humana. (NASCIMENTO, 1996, p. 62) Segundo Mészáros (2008) devemos buscar por uma educação que supere a lógica do capital, assim consideramos que quando tivermos uma escola de qualidade, que permita a todos, indiscriminadamente, o acesso ao saber historicamente produzido, organizado e sistematizado, teremos, certamente, cidadãos capacitados, não apenas para o exercício profissional, mas em condições de decidir pelo encaminhamento mais apropriado de suas vidas na relação com a sociedade. Para concluirmos, devemos ressaltar que por meio dessas transformações no trabalho, houve também, transformação com relação à mulher no trabalho, esta vista antes apenas como a dona do lar e, no início dos anos 1990, há um crescimento desta no trabalho remunerado assumindo diversas áreas, como poderemos ver a seguir. Inserção, mudanças e permanências dos componentes da família no mercado de trabalho Inicialmente, a mulher era criada apenas para desempenhar o papel perante a família e o domicílio, mas com as inúmeras transformações, e principalmente, na transição do século XIX para o século XX ocorrem grandes alterações no mercado de trabalho. Quer dizer, com a consolidação do sistema capitalista no século XIX, algumas leis passaram a beneficiar as mulheres. Mesmo com estas conquistas algumas

5 explorações continuaram a existir. Através da evolução dos tempos modernos as mulheres conquistaram seu espaço. Com relação à evolução das mulheres no mercado de trabalho devemos mencionar que anteriormente o marido era o provedor do lar, e a mulher não precisava e não deveria ganhar dinheiro, pressuposto que devemos remeter ao patriarcalismo. É importante, no entanto, ressaltarmos que a inserção da mulher no mundo do trabalho vem sendo acompanhada, ao longo desses anos, por elevado grau de discriminação, não só no que tange à qualidade das ocupações que têm sido criadas tanto no setor formal como no informal do mercado de trabalho, mas principalmente, no que se refere à desigualdade salarial entre homens e mulheres. Podemos afirmar que pouco a pouco as mulheres vão ampliando seu espaço na economia nacional. O fenômeno ainda é lento, mas constante e progressivo. A mulher deixou de ser apenas um integrante da família para se tornar o comandante dela em algumas situações. Por isso, esse ingresso no mercado é uma vitória. O processo é lento, mas sólido. Outra peculiaridade que acompanha a mulher é a sua terceira jornada. Normalmente, além de cumprir suas tarefas na empresa, ela precisa cuidar dos afazeres domésticos. Ou seja, ela acumula funções, pois quando conclui seu trabalho na empresa, começa uma nova jornada, esta com atividades domésticas e familiares. A história da mulher no mercado de trabalho, no Brasil, está sendo escrita com base, fundamentalmente, em dois quesitos: a queda da taxa de fecundidade e o aumento no nível de instrução da população feminina. Estes fatores vêm acompanhando, passo a passo, a crescente inserção da mulher no mercado e a elevação de sua renda. A redução no número de filhos é um dos fatores que tem contribuído para facilitar a presença da mão-de-obra feminina, embora isto não seja visto por alguns estudiosos como uma das causas da maior participação da mulher no mercado. A diferença comportamental entre meninos e meninas é evidente desde os primeiros anos. Pode-se dizer que esta característica é bastante clara durante toda a vida. Os líderes ainda continuam sendo os homens. São eles que mandam e detêm a vantagem no jogo. A própria estrutura social deu margem a esta tal divisão de trabalho. A regra é clara: homens são os que mandam e mulheres, as subordinadas. Após essa tessitura

6 sobre a inserção e evolução da mulher no campo do trabalho, vemos a necessidade de refletir as dificuldades e contradições da divisão sexual do trabalho. Apresentação e discussão dos dados: emprego e divisão sexual do trabalho Considerando a globalização como um processo atual e global, devemos afirmar que este traz grandes transformações para todos os âmbitos, principalmente, para a divisão sexual do trabalho. No qual, verificamos um decréscimo em relação ao emprego masculino e uma intensa evolução com correlação ao emprego e trabalho remunerado das mulheres ao nível mundial. Entretanto, sabemos que ainda há muito que se conquistar, pois não são em todos os continentes que tivemos um avanço a inserção da mulher no campo trabalhistas remunerado. Notou-se um crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho, tanto nas áreas formais quanto nas informais da vida econômica, assim como no setor de serviços. Contudo, essa participação se traduz principalmente em empregos precários e vulneráveis. Apesar desse progresso, ainda há muito que reivindicar, pois este aumento do emprego remunerado acompanhado pela sua precarização e vulnerabilidade crescentes, impõe as desigualdades de salários, de condições de trabalho e de saúde, e cientes que a divisão do trabalho doméstico não se modificou substancialmente, a despeito de um maior envolvimento nas responsabilidades profissionais por parte das mulheres, quer dizer, a mulher ganha mais função, além de ter obrigações com a casa e a família, tem que aprimorar suas habilidades para desempenhar em sua ocupação. Com relação à proteção social verificamos que as mulheres são menos protegidas, tanto pela legislação do trabalho quanto pelas organizações sindicais, assim se tornando os seres mais vulneráveis. Como na figura do trabalho informal, no qual as mulheres estão maciçamente representadas, principalmente nas funções de empregadas domésticas e diaristas, estas exercem em tempo parcial e trabalho informal, nos quais são trabalhos frequentemente instáveis, mal remunerados, com uma possibilidade quase inexistente de formação, de promoção e de carreira, e com direitos sociais limitados ou inexistentes. Dessa forma, a autora Hirata (2002) expressa

7 Duas tendências recentes da evolução do trabalho feminino podem ser apontadas: (1) a bi-polarização do trabalho assalariado feminino, ao lado de uma maior diversificação de tarefas e funções e de um crescimento da minoria significativa de mulheres pertencentes à categoria estatística "profissões executivas e intelectuais"; (2) o desenvolvimento do setor de serviços e o impacto de novas profissões também polarizadas em termos de relações de gênero, classe e raça/etnia. Entretanto, ao observar e analisarmos a divisão sexual do trabalho verificou que há áreas predominantes femininas e outras masculinas. Como setores que concentram um maior número de mulheres são os serviços pessoais, saúde e educação. Porém, essa imagem está se modificando, ao passo que a número maior de profissionais altamente qualificado, com salários relativamente bons no conjunto da mão-de-obra feminina (engenheiras, arquitetas, médicas, professoras, gerentes, advogadas, magistradas, juízas, etc.). E, por outro lado, ainda persistem as trabalhadoras ditas de baixa classificação, com baixos salários e tarefas sem reconhecimento nem valorização social. Podemos considerar que o desenvolvimento do emprego em serviços está, assim, estreitamente ligado a esse movimento e às crises econômicas e recessão que levam mulheres inativas sem qualificações reconhecidas a entrarem no mercado de trabalho. Se houve grandes transformações no campo feminino de trabalho, não podemos considerar o mesmo em relação ao trabalho domestico este sendo menores e mais lentos. Se o forte desenvolvimento das tecnologias domésticas tendeu a facilitar essas tarefas, a divisão sexual do trabalho doméstico e a atribuição deste último às mulheres, em realidade, continuaram intactas. Esta constatação de que o trabalho doméstico não trouxe mudanças significativas nos reporta ao patriarcalismo como ponto de referência. O patriarcalismo, que tem a característica de estabelecer o poder masculino, é resultado de um processo histórico que pressupõe condições ideológicas para seu estabelecimento e manutenção. Nas sociedades patriarcais, o masculino e o feminino são tidos como superior e inferior. Essa construção baseia-se em diversos sistemas filosóficos e nos mitos de origem dos seres humanos construídos por várias civilizações. E, da relação patriarcal que o homem emerge como principal ganha-pão familiar e a mulher como trabalhadora complementar tendo na reprodução da família seu

8 principal campo de atividades, partindo daí a própria construção de sua identidade. Quer dizer, perante o universo masculino, o trabalho desenvolvido pela figura feminina ainda é vista com preconceito e não é tido como trabalho, ao passo que o sustento e obrigações financeiras são deveres do homem. A sujeição da mulher ao homem não se originou no capitalismo, porém, nesse sistema, tornou-se mais virulenta e devastadora na separação entre espaço público e espaço privado. As mulheres recebiam salários mais baixos que os homens, na suposição patriarcal de que parte de seus custos de reprodução estariam cobertos pelo salário dos homens. Com a expansão capitalista, novas formas de extração de valor desenvolveramse, utilizando-se a divisão sexual do trabalho como ponto de partida (BRITO, 1991). Com relação à passagem acima devemos considerar o quanto é irregular a participação no trabalho de homens e mulheres, a utilização da força de trabalho destina as mulheres às categorias menos remuneradas, acrescentando que esse problema se refere mais ao estatuto social das mulheres do que à sua vinculação a determinada categoria profissional. Tal afirmação é comprovada desde a incorporação da mão-deobra feminina ao mundo industrial até os dias atuais. Devemos considerar que a essência da divisão social do trabalho é a desigualdade, dividindo a sociedade em proprietários e não-proprietários dos meios de produção, a divisão sexual do trabalho distribui os gêneros para atividades desiguais, onde umas são mais valorizadas que as outras, entre o mundo da produção e o da reprodução. A permanência dessa fragmentação entre o mundo do trabalho e o mundo doméstico tem como uma das causas fundamentais a ideologia, que oculta a diferenciação entre a biologia e a história, privilegiando o papel reprodutivo feminino, em detrimento da sua intervenção no mundo social. As mulheres ao desempenharem funções em casa e no mundo exterior a este, está servindo duplamente ao capital, através de sua força de trabalho trocada abaixo de seu valor e, também, através do trabalho doméstico, que possibilita que uma massa de trabalhadores chegue diariamente às fábricas, usinas, escritórios, lojas e armazéns. Para concluímos devemos enfatizar que a dificuldade de se refletir sobre o trabalho doméstico. Apresenta-se de diferentes formas, ou seja, a penalização para as mulheres dependerá da classe social a que pertence, do número de pessoas para auxiliá-

9 las, dos aparelhos eletrodomésticos que dispõe para a execução das tarefas e, principalmente, do número de pessoas na família, e a faixa etária delas, como crianças e pessoas idosas. Portanto, o impacto deste trabalho tem uma interferência decisiva na vida pessoal e profissional das mulheres, afetando sua saúde, sobretudo pela configuração de uma dupla jornada. Referências ANTUNES, Ricardo. Adeus ao Trabalho?: ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade do mundo do trabalho. 13. ed. ver. ampl. São Paulo: Cortez, BRITO I, J. C.; D'ACRILL, V. Referencial de análise para a estudo da relação trabalho, mulher e saúde. Cad. Saúde Pública. v.7, n.2, Rio de Janeiro Apr./June, 1991 CHIAVASSA, Rosana. Mulheres: as desigualdades persistem. In: PINSKEY, Jaime (org.). Práticas de Cidadania. São Paulo: Contexto, HIRATA, H. Globalização e divisão sexual do trabalho. Cad. Pagu. n.17-18, Campinas, MÈSZÁROS, Itsvan. A educação para além do Capital. 2. ed. São Paulo: Boitempo, NASCIMENTO, Aurélio Eduardo do; BARBOSA, Jose Paulo. Trabalho: História e Tendências. São Paulo: Ática, PEDRO, Joana Maria; PINSKY, Carla Bassanezi. Mulheres: Igualdade e Especifidade. In: PINSKEY, Jaime; PINSKY, Carla Bassanezi (orgs.). História da Cidadania. 3 ed. São Paulo: Contexto, 2005.

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