Palavras-chave: Agricultura Familiar, Fruticultura, Assistência Técnica, Metodologia Participativa, Agroecologia.

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1 Experiências de Assessoramento a Fruticultores da Região de Itaberaí GO, realizado pelo Grupo de Ensino, pesquisa e Assistência à Agricultores Familiares. RIBEIRO, Gessyane Guimarães¹; HAROLD, Carlos Alexandre da Silva²; OLIVEIRA, Ricardo Ferreira³; MATOS, Ana Rezende 4, SOUSA; Jonas dos Santos 5 ; BRITO, Leonardo Pimenta Arão de 6. Palavras-chave: Agricultura Familiar, Fruticultura, Assistência Técnica, Metodologia Participativa, Agroecologia. Introdução Os agricultores familiares, devido a condições historicamente restritivas e adversas como a dificuldade de acesso a mercados, baixa remuneração do trabalho, insegurança alimentar, distância do mercado, isolamento em períodos de chuva e entressafra, alta variação de preços, riscos relacionados a fatores climáticos, falta de financiamento, entre outros, tende a buscar uma maior diversificação e uma produção voltada ao autoconsumo (BUAINAIN et al., 2007). Mas, nos últimos anos, parte dessas condições está sendo relativizada e observa-se que alguns agricultores têm buscado maior inserção no mercado, produzindo mercadorias de mais valor agregado e elevando seu grau de especialização. (MORAES, MACEDO, MENDES, VENDRUSCULO & SOUZA, 2007). A Agricultura Familiar se distingue por adotar atividades diversificadas e metodologias alternativas de manejo da produção, como a utilização de adubos orgânicos e inseticidas naturais. Uma atividade que possibilita a inserção destas práticas mais econômicas é a fruticultura, a qual é crescente em propriedades familiares. As propriedades familiares mais diversificadas e com a presença de fruticultura têm obtido melhores rendas, quando comparados às propriedades que trabalham com horticultura e bovinocultura de leite em Goiás (Medina, et. al. 2012). Resumo revisado por: Gabriel Silva Medina Titulo : Grupo de Ensino, Pesquisa e Assessoria à Agricultura Familiar. SIEC: Universidade Federal de Goiás Universidade Federal de Goiás Universidade Federal de Goiás Universidade Federal de Goiás -

2 Quanto a comercialização dos produtos, o que está auxiliando e animando os produtores a tecnificar, dinamizar e qualificar seus produtos, são os programas governamentais, como o PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e PNAE (Programa Nacional da Alimentação Escolar. O PAA é um programa que busca incentivar a agricultura familiar por meio de formação de estoque ou de compra direta com doação simultânea a instituições e espaços organizados que atendem pessoas em insegurança alimentar e nutricional, incluindo aqui escolas públicas. O PNAE busca a inclusão de agricultores (as) e empreendedores (as) familiares rurais na oferta de alimentos para a alimentação escolar. Para que os produtos cheguem ao mercado, os agricultores necessitam passar por uma longa e trabalhosa jornada de: preparo do solo, plantio, manejo de adubação, controle de pragas e doenças, colheita e pós-colheita. Nesse momento o gargalo da produção é sem dúvida ter a garantia de um bom preço e, para isso, o fruticultor precisa ter um escalonamento periódico de produção, qualidade, tanto sanitária como nutricional do seu produto, tudo isso com investimento acessível a ele. É aqui que o Grupo de Ensino, Pesquisa e Assistência à Agricultura Familiar (GEPAAF), entra, ajudando o produtor a articular sua produção da melhor forma possível. Observando a realidade da assistência técnica no estado de Goiás, alunos da Escola de Agronomia da Universidade Federal de Goiás, fundaram em 2008, o Grupo de Ensino, Pesquisa e Assistência à Agricultura Familiar, com o intuito de oferecer assistência técnica aos agricultores de Goiás de forma participativa, com aprendizado mútuo, e de forma gratuita ao agricultor. O GEPAAF atende hoje dois assentamentos de reforma agrária: O Assentamento Dom Fernando Gomes dos Santos, localizado no município de Itaberaí GO e o Assentamento Palmares, localizado no município de Varjão- GO, e agricultores tradicionais do município de Inhumas - GO e Caturaí - GO com um atendimento médio de 25 famílias no total, de forma direta. A fruticultura está mais adensada no assentamento Dom Fernando, em Itaberaí, nesta área há agricultores que cultivam citros, banana, maracujá e mamão. Os

3 agricultores assistidos pelo grupo são produtores de mexerica, laranja e banana. Objetivos Criar uma metodologia que aproxime o produtor do técnico, e vise a independência do agricultor no que diz respeito à produção de frutas no assentamento Dom Fernando em Itaberaí - GO. Assim, auxiliando o desenvolvimento das famílias assessoradas. Metodologia de atuação do GEPAAF Os trabalhos com assistência técnica do GEPAAF se dão de forma participativa, as propostas são feitas passo a passo com cada produtor, preferencialmente na companhia de sua família para que juntos possam chegar à uma conclusão. Então a assistência é feita de modo personalizado, valorizando a importância da família, e de todos os membros participantes das discussões, garantindo envolvimento de todos os membros, na criação de ações individualizadas e próprias de cada família, na adoção total de todas as propostas criadas, e na inserção de conhecimentos técnicos e profissionais na rotina dos agricultores. O manejo das frutas foi trabalhado em conjunto, levando em conta os conhecimentos técnicos dos extensionistas e a experiência dos agricultores, assim sendo desde a escolha dos insumos utilizados até o manejo de pragas e doenças. No começo das atividades realizou-se um diagnóstico nas propriedades, observando e discutindo com o produtor os potenciais de cada atividade e os pontos positivos e negativos da mesma, suas peculiaridades, e os objetivos, metas e sonhos do produtor. Depois de compreendida a situação de cada propriedade, a forma com que o agricultor chegou a esta atividade, as suas conquistas, os seus fracassos, o ponto que ele quer chegar, e aquilo que ele tem condição de investir, realizou-se um plano de desenvolvimento individualizado. Nesse plano são traçadas ações seqüenciais, cronológicas, e participativas para que ao fim de um ano de atendimento, as metas sejam alcançadas.

4 A primeira ação se deu com a pesquisa de preços dos insumos convencionais e não convencionais necessários para a produção. Realizou-se análise química dos solos em cada propriedade, ensinando a eles como deve ser feito. E se fez uma avaliação das várias formas de manejo, como métodos de adubação orgânica e química, utilização de inseticidas comerciais e caldas naturais, repelentes de insetos pragas, e por fim apresentou-se a toda à família, as alternativas viáveis, os pontos positivos e negativos de cada escolha, e em conjunto selecionou-se aquela que por opção da família será usada. Esta metodologia foi aplicada na adubação de cobertura dos pomares de mexerica e banana nas propriedades fruticultoras de Itaberaí. Resultados Os resultados dessas ações ainda são incipientes, pois como se trata de frutíferas qualquer trabalho deve estar pautado na obtenção de resultados em longo prazo por conta do ciclo da cultura. Como se trata também de uma maioria de ações relacionadas com plantio, no caso de Citrus e Banana, ambas são culturas que não se pode esperar obtenção de resultados de produtividade antes dos 4 anos, e 2 anos respectivamente. Como resultado inicial, se teve a aceitação e índice de adoção das propostas máximo, com 100% das propostas utilizadas pelos produtores. Tevese também uma visível melhora da autoestima das famílias atendidas, visto que quando se começou os trabalhos na propriedade o objetivo era conseguir com que o agricultor sobrevivesse da terra e de alguma atividade extra. Atualmente os objetivos são maiores, como aumento de renda, influindo em uma melhor qualidade de vida, adoção de técnicas e metodologias de produção condizentes com a realidade de cada propriedade e estas sendo eficientes, práticas e úteis às atividades. Outro fator que foi trabalhado foi a necessidade de acompanhamento da propriedade como um todo. Não apenas na atuação de uma atividade em especifico, mas na gama de necessidades que a família apresenta. Foi observado que propriedades familiares que apresentam muitas atividades, conseguem melhor renda, e tem obtido maior sucesso. Aproveitando melhor a

5 terra e sua capacidade produtiva. Diante dessa demanda, é latente a necessidade de técnicos capacitados para a atuação na assistência à diferentes atividades agrícolas, ou da necessidade de assistência à propriedade não de um técnico, mas de uma equipe técnica multidisciplinar. Tratando-se de agricultura familiar, não é possível trabalhar com um pacote tecnológico ou uma solução pronta, assim se obtem baixa adoção pelos produtores, e dentre os que adotam poucos obtem sucesso. Com a forma de atuação realizada pelo GEPAAF foram observados que em muitos casos, principalmente relacionados à adubação, não se realizou aquilo que se chamava de ideal. Pois tivemos dificuldade de aceitação da quantidade de adubos indicados pelos livros, mas conseguimos que todos os agricultores realizassem adubações de plantio e cobertura, respeitando regras básicas de manejo e conservação dos solos. Foi observado avanços também na área de controle de pragas e doenças. Sendo a adoção ou não de práticas agroecológicas ficou a escolha do agricultor. Os que optaram por controle orgânico tiveram situações em que uso de extrato de Nim, de caldas (Bordalesa e Sufocálcica), e de urina de vaca tiveram algum resultado. Mas mesmo dentre os produtores que optaram pelo controle químico, convencional, tivemos avanços no que se trata de uso de equipamentos de proteção permanentes, que antes não eram usados, e a utilização de químicos menos agressivos ao meio ambiente, menos perigosos quanto a manipulação, e alguns até mais eficazes no combate as pragas e doenças. Conclusões Nestes dois anos de acompanhamento foi possível tirarmos como lições principais a necessidade de uma abordagem holística, com uma visão global de toda propriedade e de todas as potencialidades presentes nela. Também da necessidade de assistência técnica nas pequenas propriedades, e de uso de metodologias participativas, que não só resolvam os problemas, mas que construam uma relação de independência com os agricultores. Foi observada a

6 eficiência de algumas práticas agroecológicas de sistemas orgânicos, e as peculiaridades da agricultura familiar em Goiás e suas tradições. Fonte Financiadora Agradecimentos ao CNPq que financia este projeto. Referências bibliográficas MEDINA, Gabriel; et. AL. Agricultura Familiar em Goiás: Lições para o Assessoramento Técnico. Goiania: Kelps, p. RUAS, Elma Dias; et.al. Metodologia Participativa de Extensão Rural para o Desenvolvimento Sustentável (MEXPAR). Belo Horizonte, março de p. E. ; BUAINAIN, A. M. ; DI SABBATO, A. ; SOUZA, A. C. ; GUANZIROLI, C. MORAES, M. A.S.; MACEDO, D.H; MENDES, C. I. C; VENDRUSCULO, L. G; SOUZA, M. I. F. Limites e potenciais da adoção de TI pela agricultura familiar: perspectivas para micro e pequenas empresas de software

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