A MOEDA SOCIAL COMO INSTRUMENTO ECONÔMICO PARA POTENCIALIZAR O DESENVOLVIMENTO LOCAL/REGIONAL

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1 A MOEDA SOCIAL COMO INSTRUMENTO ECONÔMICO PARA POTENCIALIZAR O DESENVOLVIMENTO LOCAL/REGIONAL Romualdo Kohler 1 Marcos Prestes de Oliveira 2 Resumo: Este ensaio 3 apresenta uma reflexão teórica sobre o papel econômico das moedas sociais no dinamismo da produção local/regional, a partir das especificidades do território na determinação de sua base monetária. Em outras palavras, se procurou avaliar teoricamente a importância das moedas sociais, sua relação com a base monetária local e/ou na aceleração da velocidade de circulação da moeda, no intuito de prospectar sua capacidade de se constituir como um instrumento complementar para dinamização da economia local/regional, ocupando recursos ociosos, principalmente com a inclusão da parcela da sociedade que se encontra na periferia do processo econômico. Para tal, metodologicamente, se procurou resgatar o debate teórico acerca da questão monetária e da formação da base monetária na economia local para, por fim, balizar a reflexão sobre a dinâmica das moedas sociais nesse ambiente. O ensaio aponta para a oportunidade desse tipo de moeda como mais um instrumento para potencializar o desenvolvimento da economia local/regional, por ser capaz de, segundo seu enquadramento, incrementar a base monetária ou aumentar a velocidade de circulação da moeda, por substituição de importações e estímulo a geração de emprego e renda por novas atividades econômicas, ao ocupar recursos inutilizados ou subutilizados. Palavras-chave: moeda social, economia local/regional, desenvolvimento regional, base monetária local. Introdução Ao longo do tempo, vem surgindo iniciativas mundo afora de introdução de instrumentos monetários para interferir no desenvolvimento local/regional, geralmente em comunidades carentes decididas a mudar sua realidade. Esses instrumentos monetários são as chamados de moedas sociais que, em tese, tendem a dinamizar pequenas economias 1 Professor do Curso de Economia do DACEC/UNIJUI - Economista com graduação em Administração de Empresas, Ciências Jurídicas e Sociais e Ciências Econômicas, Mestrado em Desenvolvimento Regional - UNISC e Doutorado em Administração pela Universidad Nacional de Misiones - UNaM, Misiones/Argentina. 2 Bacharel em Economia - UNIJUÍ - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. 3 Artigo encaminhado para submissão na Revista Redes - Revista do Desenvolvimento Regional do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional da Universidade de Santa Cruz do Sul RS/Brasil.

2 periféricas, ocupando recursos ociosos, aumentando renda e reduzindo a relação entre necessidades efetivas e necessidades satisfeitas. Para avaliar os efeitos destes instrumentos na economia real, se resgatou o debate teórico da economia monetária, desde seus primórdios até o confronto de idéias entre clássicos e keynesianos, em especial, em torno da neutralidade ou não da moeda sobre a parte real da economia e da exogeneidade ou endogeneidade da oferta de moeda. Posteriormente, se avançou para a caracterização da base econômica local a partir da estruturação de uma balança de pagamentos que retrata a dinâmica real e monetária do local com seu exterior. Por fim, se procurou enquadrar as moedas sociais nesse contexto, por ser um tema com potencial exploratório com vistas à dinamização da economia local/regional, com epígrafe na hipótese de que esse tipo de instrumento tenha a capacidade de ampliar a base monetária local e/ou acelerar a velocidade de circulação da moeda. 1. O papel da moeda na economia A evolução da moeda ao longo o tempo serve de base para afirmar as funções e as características necessárias para que um instrumento monetário desempenhe bem o seu papel na economia. Embora sem um conceito consensual, se pode definir a moeda como qualquer bem ou instrumento que, aceito por uma coletividade, serve como intermediário de trocas, se constitui em uma unidade de conta e representa uma reserva de valor. Portanto, a moeda pode adquirir uma materialidade física num bem ou apenas se constituir em um instrumento intangível qualquer servindo de véu às transações, desde que atenda sua condição básica de ser aceito por um coletivo, ou seja, reconhecido como tal pela sociedade como um todo ou mesmo por um grupo de agentes que se relacionam economicamente. Atendida essa condição, o conceito remete às funções da moeda. Primeiramente, temos a função de intermediária de trocas como o principal papel que a moeda cumpre no sistema econômico. Na origem, esse papel permitiu que a moeda fosse a responsável por um maior grau de especialização e de divisão social do trabalho, por reduzir o tempo empregado nas transações e eliminar os inconvenientes da necessidade da dupla coincidência de desejos exigida nas economias de escambo. Na contemporaneidade, é

3 impossível imaginar nossa dinâmica de trocas sem um instrumento que se constitua em um véu às transações econômicas, apesar da tendência de sua total intangibilidade. A segunda função é a de ser uma unidade de conta, ou seja, todos os bens e serviços disponíveis têm seu valor referenciado na moeda, o que facilita a efetivação das transações em si, a comparabilidade na valoração de diferentes mercadorias e a possibilidade de construção e estruturação de informações pela padronização, quer em âmbito microeconômico, quer macroeconômico. Já a reserva de valor indica que, segundo Lopes e Rossetti (2005, p.22), por sua liquidez e pelos graus de incerteza quanto às possibilidades futuras de conversão de outras formas de ativo, a moeda é um reservatório por excelência de poder de compra. Neste contexto, na história, o desenvolvimento de um instrumento monetário eficiente ocorreu em paralelo ao desenvolvimento da sociedade, contudo, sempre foi objeto de debate e polêmica. Antes mesmo do nascimento da ciência econômica vários filósofos já haviam inferido algumas proposições sobre o papel da moeda. Aristóteles, por exemplo, formulou a ideia de moeda como meio de troca e padrão de valor. Segundo John F. Bell (apud Lopes e Rossetti, 2005) Aristóteles que deduziu que: Muitas coisas necessárias à vida não são facilmente transportáveis, razão que levou os homens a empregar em suas transações algo intrinsecamente útil e facilmente aplicável aos propósitos comuns da vida, como o ferro, a prata e coisas similares; esses bens são um veículo de troca e um repositório de valor, de vez que constituem um padrão universal de medição, sobre o qual há geral concordância. Suas idéias foram mais bem entendidas do qualquer outro pensador durante mais de mil e quinhentos anos após sua existência (LOPES, ROSSETTI, 2005, p. 185). O fato é que durante um longo período de tempo o pensamento econômico a respeito da moeda permaneceu estagnado, ficando muito mais focado em aspectos de moral e ética, sobre o acúmulo de riqueza e da cobrança de juros sobre empréstimos de moeda. Somente após o surgimento do Mercantilismo e sua premissa básica de acúmulo de metais preciosos se registra na história novas reflexões. A rápida expansão do comércio entre as diferentes nações durante a época do Renascimento exigiu um expressivo aumento da base monetária, que naquele momento constituía-se de moedas metálicas, mais especificamente de metais preciosos, como o ouro e a prata, cunhados em moedas, lingotes ou barras. Como a quantidade disponível desses metais era cada vez mais insuficiente para o volume de comércio, exigiu das nações uma incessante busca pelos mesmos, conformando assim a tese central da política econômica dos Estados Nacionais, de que o

4 acúmulo de metais preciosos se constituía na forma representativa de riqueza. Talvez seja a partir deste ponto da história que o homem comece a criar dentro de sua mente um fetichismo pela moeda, fruto em grande parte dessa tese e do poder de troca imediato que a moeda concede. Que a riqueza consista no dinheiro, isto é, no ouro e na prata, é uma ideia popular que deriva naturalmente da dupla função do dinheiro, como instrumento de comércio e como medida de valor. Pelo fato de ser instrumento de comércio, quando temos dinheiro temos maior facilidade de conseguir mais prontamente, do que por meio de qualquer outra mercadoria, tudo aquilo de que possamos ter necessidade. Pensamos sempre que o grande problema e o grande negócio é ter dinheiro. Dispondo dele, não há dificuldade alguma em fazer qualquer outra compra. Pelo fato de ser o dinheiro a medida do valor de outras coisas, calculamos o valor de todas as demais mercadorias pela quantidade de dinheiro pela qual podem ser trocadas. Dizemos que um rico vale muito dinheiro, e que um pobre vale muito pouco dinheiro (SMITH, 1996, p. 415). Sucedâneos, os economistas clássicos rejeitaram totalmente a tese central do pensamento mercantilista de que a riqueza de uma nação era fundamentada pela quantidade de metais preciosos e enveredaram em defesa da linha de pensamento expressa pela teoria quantitativa da moeda, qual seja, de que a quantidade de moeda é definidora do nível de preços da economia. Essa transição do mercantilismo para o liberalismo clássico, ficou a cargo de filósofos como David Hume, que afirmavam que a verdadeira riqueza de uma sociedade era sua força de trabalho e as mercadorias resultantes dessa interação, além de destacar que o preço é uma relação entre o nível de moeda e o nível do produto, podendo variar mediante qualquer alteração dessas variáveis. Adam Smith, o principal expoente na estruturação do pensamento liberal, em sua obra mais conhecida, Wealth of Nations, foi enfático ao afirmar que a riqueza de uma nação não era dada pelo nível de estoques de metais preciosos e que moeda serviria apenas de véu para as transações do produto. A moeda era considerada simplesmente um meio de pagamento e o aumento dos estoques desses metais acabariam ocasionando a elevação interna dos preços, com o consequente aumento das importações e o fluxo desses metais para fora do Estado. As afirmações de Smith que a moeda é simplesmente um meio de pagamento e que um sistema de papel-moeda bem gerido supre até com maior eficiência essa demanda nos revela a centralidade de seu pensamento, a moeda é neutra em relação ao produto,

5 visto que o sistema sempre opera em equilíbrio, portanto somente interfere no nível geral de preços, mas não nos preços relativos que está relacionado à alocação de recursos. Se, não obstante tudo isso, o ouro e prata em algum momento estivessem aquém da demanda efetiva, em um país que tivesse com que comprar esses metais, seria muito mais fácil substituí-los do que importar, em geral, qualquer outra mercadoria. Se houver falta de matérias-primas para a indústria, esta tem que parar. Se faltarem os gêneros alimentícios, a população passa fome. Mas se faltar dinheiro, o escambo supre a sua falta, embora com muitos inconvenientes. Para remediar esses inconvenientes, poder-se-á comprar e vender a crédito, ou então, os diversos comerciantes poderão compensar seus créditos entre si, uma vez por mês ou uma vez por ano. Por outro lado, um sistema de papel-moeda bem organizado pode suprir a falta de dinheiro em moeda, não somente sem inconveniente algum, mas até, em certos casos, com algumas vantagens. Em qualquer eventualidade, portanto, nunca a preocupação do Governo seria tão supérflua como quando está voltada para vigiar a conservação ou o aumento da quantidade de dinheiro em um país (SMITH, 1996, p.421). A principal controvérsia, tanto na teoria como nas emissões de papel-moeda dos bancos centrais, passou a ser qual seria o nível ótimo da oferta monetária que não gerasse distúrbios inflacionários. Dois blocos antagônicos foram formados, de um lado a Currency School e de outro a Banking School, sendo que essa divergência teve como principal deflagrador a suspensão da conversibilidade das notas emitidas pelo Banco da Inglaterra. O evento que deu origem à controvérsia foi a suspensão, determinada pelo Banco da Inglaterra, do resgate de suas notas por barras de ouro, durante o período das guerras napoleônicas. Com isso, desde o final do século XVIII e durante as primeiras décadas do século XIX, a taxa de câmbio da moeda inglesa (libra esterlina) se depreciou e os metais preciosos eram cotados a preços superiores em relação à moeda-papel. Essa tendência se acentuou ainda mais com o entesouramento do ouro e a consequente necessidade de suplementação da oferta monetária por notas de emissão do Banco da Inglaterra (LOPES; ROSSETTI, 2005, p. 189). A Currency School afirmava que emissões de papel-moeda em excesso acabariam por gerar distúrbios nos preços, depreciando ao mesmo tempo a moeda e a taxa de câmbio, sendo recomendado o controle da oferta de moeda. Portanto, a moeda era considerada uma variável exógena e neutra, sendo determinada pelas autoridades monetárias que deviam zelar pelo seu poder de compra e que o nível geral de preços da economia estava em função da oferta monetária. Em linhas gerais, este entendimento de que a moeda somente tem efeitos nos preços, inspirou a Escola Clássica, considerada a primeira escola científica do pensamento econômico, assim como, em especial, as sucedâneas neoclássica e monetarista.

6 Já a Banking School posicionava-se de forma totalmente contrária, afirmando que a moeda seria endógena ao sistema, pois deveria atender as necessidades dos negócios, ou seja, estes deveriam determinar sua quantidade e um controle na oferta não era benéfico, já que sua falta poderia reduzir as trocas. Merece antecipar nesse momento, que a valorização da moeda como um instrumento factível para intervir na produção atribui a estes pensadores, nessa especificidade, a precursoriedade da Escola Keynesiana. Portanto, a despeito de suas divergências históricas quanto à endogeneidade ou exogeneidade da oferta de moeda, os clássicos foram categóricos em afirmar que a moeda é neutra no longo prazo em relação às variáveis reais da economia, ou seja, a produção e o emprego não são afetados pelo aumento ou diminuição da base monetária, ao contrário dos preços implicados em relação direta. A moeda no modelo clássico serve apenas de véu para as transações, visto que a economia opera sempre no pleno emprego e uma oferta bem regulada a partir de uma política monetária eficaz é suficiente para manter o nível de preços dentro do nível tolerado. No contraponto teórico aos clássicos, o inglês John Maynard Keynes foi considerado um divisor de águas no pensamento econômico por rejeitar a passividade do modelo clássico na solução dos problemas econômicos e ao introduziu novos aspectos com relação à moeda. A moeda ganha um papel importante na sua teoria, por seu aspecto de não neutralidade no dimensionamento das variáveis reais da economia, sendo considerada não apenas como um meio de troca para as transações, mas também se caracterizava por ser uma importante reserva de valor. Portanto, para Keynes a moeda deixa de ser mera coadjuvante no sistema econômico, já que defende que sua interferência indireta na demanda agregada, via formação da taxa de juros, acaba por condicionar os investimentos que, por fim, afetam a produção e o nível de emprego. Este debate teórico está longe de acabado, ficando aos sucedâneos dos clássicos e de Keynes o desafio da definição no entorno da neutralidade ou não da moeda na atividade econômica. Longe de querer encurtar ou esgotar o debate, para os propósitos dessa reflexão como, no curto prazo, já existe um mínimo consenso de que a moeda pode afetar a parte real da economia, se assume essa faculdade no trabalho, pois, como diria Keynes, o longo prazo é formado de curtos prazos.

7 2. A formação da base monetária local O acalorado debate teórico, antes referenciado, tem como foco uma macroeconomia nacional, porém, como o objetivo central dessa investigação é a indagação de como se forma a base monetária em uma economia local, cabe questionar se neste território particular valem as mesmas premissas teóricas? Segundo os questionamentos de Kohler (2003) e assumindo-se o pressuposto keynesiano de que a moeda condiciona o desenvolvimento de atividades econômicas, é procedente questionar quais os determinantes da oferta monetária na economia local? Seria ela endógena ou exógena? Este questionamento é de relevância para o entendimento desse tipo de economia e ganha epígrafe pela referencia de que tudo acontece em nível municipal, seja no âmbito social ou econômico. É exatamente neste espaço que a roda da economia gira, com a consequente geração de empregos e renda, produção e consumo, que objetivam o bem estar e satisfação da sociedade. Para Kohler (2003), as economias locais têm especificidades próprias quando comparadas ao nível macro dos Estados Nacionais, porque suas economias são extremamente abertas às transações para fora do território, com livre fluxo de bens, serviços, capitais, rendas e fatores de produção. Especificamente em relação aos municípios, o habitat das unidades familiares, encontra-se um modelo ideal de economia aberta visto que o fluxo dos fatores de produção e de bens e serviços é totalmente livre, sem barreiras alfandegárias, tributação diferenciada ou outro condicionante (KOHLER, 2003, p. 96). A evolução da organização econômica via divisão do trabalho e especialização produtiva, por um lado, dinamizou as atividades produtivas e, por outro, proporcionou o despertar de novas necessidades humanas, concomitante a impossibilidade da autossuficiência, tanto as famílias quanto aos territórios: No sistema capitalista, quanto menor for uma região ou um espaço socioeconômico determinado, menor a possibilidade de produção relativa às necessidades de consumo interno, tornando-se providencial a obtenção de recursos para a importação de bens e serviços de outras regiões (KOHLER, 2003, pg. 85). Assim, o fluxo de comércio ganha importância, visto que, no local, é necessário importar bens e serviços (M) que não são produzidos internamente e são demandados pelas famílias. A premência de importar bens e serviços não produzidos internamente e,

8 consequentemente, enviar renda interna para fora dos limites territoriais, implica, por consequência, que há a necessidade de se gerar renda para cobrir estas demandas, seja ela gerada pela dinâmica interna de produção para exportação, seja pela entrada de capitais externos que financiem esse processo. Esse aspecto, de que o crescimento econômico local ocorra pela promoção de um setor exportador, é trabalhado pela Teoria da Base Exportadora que distingue dois setores na atividade econômica local: o básico, que se refere às atividades de produção de bens e serviços alocados externamente e que agregam renda externa à economia local e, o nãobásico, das atividades que dependem da dinâmica do primeiro e destinadas ao abastecimento do mercado interno.. Souza (1980) aponta que as atividades básicas independem do nível da renda interna, pois esses bens e serviços são consumidos no exterior, ou seja, são condicionados pela demanda externa. Segundo o autor, o setor básico constitui então o motor do crescimento local por irradiar efeitos multiplicadores sobre as atividades não básicas, por sua agregação de renda externa. Por outro lado, as atividades não básicas estarão condicionadas pela dependência ao setor dinâmico e pela distribuição de renda internamente. Uma base exportadora dinâmica e diversificada, historicamente, tem estimulado o crescimento de diferentes regiões e países, não apenas porque elas constituem parte do produto total, mas principalmente porque exercem efeitos multiplicadores sobre o crescimento do setor de mercado interno (SOUZA, 2008, p. 273). Tendo como foco a economia local podemos inferir então que a presença de um setor exportador dinâmico irá irradiar efeitos positivos de caráter direto, indireto e induzido nesta economia. Diretamente, pela valorização econômica da produção de uma nova atividade, por exemplo, novos empregos e consequentemente o seu efeito renda. Indiretamente, pelos efeitos de encadeamentos, tanto para frente como para trás, exercidos sobre a mesma cadeia produtiva e, finalmente, pelos efeitos induzidos da renda gerada a partir da nova atividade têm sobre outras. O impacto das exportações no setor não básico da economia local é o de acelerar as transações do mercado interno pelo duplo beneficio da entrada de renda externa, além de seu benefício por si só, gera um aumento do consumo interno, renda e emprego.

9 Ainda segundo Souza (1980), da Teoria da Base Exportadora se fundamenta a Teoria da Base Econômica, que amplia a fonte de agregação de renda, ou seja, as exportações deixam de ser única variável de explicação da dinâmica interna. Surgem outras variáveis, como o nível de investimentos nas atividades locais, as construções residenciais, o nível de gastos do governo local que são importantes na determinação da renda interna. De outra forma, pelo lado da agregação de renda externa, se conformam outras fontes: transferências de governos, investimentos diretos externos, turismo, recursos financeiros externos, entre outras formas de ingresso de rendas de fora para dentro. Nesse sentido, é comum fazer-se uma distinção entre os termos base econômica e base exportação; enquanto o segundo termo só se refere às exportações, o primeiro engloba, além destas, as demais variáveis independentes que explicam parcialmente de maneira significativa o nível do produto local (SOUZA, 1980, p.2). Neste contexto, as rendas convergentes referenciadas na base econômica seguem na mesma direção das rendas da base exportadora, por disponibilizar recursos que potencializam a dinâmica econômica. Descortina-se o palco para ampliar o debate com a estruturação de uma balança de pagamentos que retrate esses fluxos monetários com o exterior, conforme defendido por Kohler (2003): Todo o desdobramento anterior corrobora a simbiose entre a parte real e a parte monetária de uma economia, à luz dos preceitos econômicos visualizados por Keynes (1982) e utilizados na Contabilidade Social contemporânea. Assim, devemos sublinhar que, em primeira aproximação, já vislumbramos que as relações com o exterior são determinantes da base econômica local em uma pequena economia aberta e federada. Como as relações econômicas com o exterior são captadas, na macroeconomia tradicional, pelo Balanço de Pagamentos, devemos também seguir nesta direção (KOHLER, 2003, p. 96). Neste contexto, reproduzimos a estruturação proposta por Kohler (2011) de uma Balança de Pagamentos Local que captura os fluxos de renda oriundos do comércio, de serviços de fatores e não fatores de produção, de rendas e de capitais, buscando conformar todos os fluxos de renda resultantes da comunicação dessa economia com o exterior.

10 Quadro 1: Modelo de Balança de Pagamentos para a economia local BALANÇA DE PAGAMENTOS DA ECONOMIA LOCAL I - Conta de Transações Correntes (CTC) = (Bb + Bs + Br) 1- Balanço de Bens (Bb) 1.1- (Xb) Agregação por exportação de bens 1.2- (Mb) Desagregação por importações de bens 2- Balanço de Serviços de Não-Fatores (Bs) 2.1- (Xs) Agregação por exportações de serviços 2.2- (Ms) Desagregação por importações de serviços 3- Balanço de Rendas (Br) 3.1- (Rr) Agregação de rendas (transferências públicas, juros, lucros) 3.2- (Re) Desagregação de rendas (tributos estaduais e federais, juros, lucros) II - Conta de Capitais (CK) = (Bka + Bm) = (-) (CTC) 4- Balanço de Capitais Autônomos (Bka) 4.1- Empréstimos e Financiamentos 4.2- Amortizações de Dívidas 4.3- Investimentos Diretos 5- Balanço monetário (Bm) = (-) (CTC + Bka) 5.1- Reservas em papel-moeda 5.2- Reservas bancárias Movimentos no Estoque Financeiro (Ef) = (CTC) = (-) (CK) Movimentos no Estoque Monetário (Em) = (-) (Bm) = (CTC+ Bka) Fonte: Kohler (2011, p.203). De acordo com Kohler (2011) a estrutura proposta procura contemplar os movimentos a partir de duas contas básicas: a conta de transações correntes, que contempla todos os movimentos reais da economia com seu exterior; e, a conta de capitais, com os movimentos monetários e financeiros, que se constituem na contrapartida monetária aos fluxos reais das transações correntes. Defende: Assim, a primeira conta, a de transações correntes, tem o propósito de abarcar os movimentos reais de bens, serviços e rendas, de igual forma à estrutura tradicional. A principal inovação proposta está na categorização das rendas dos fatores de produção como um balanço de rendas, visto a especificidade da economia local na nossa estrutura federada. Entendemos que, nessas economias, a movimentação de rendas de fatores de produção e, em especial, de tributos, por nossa convenção, assume uma dimensão considerável em relação ao produto, merecendo uma deferência especial. Desta forma, os bens ou produtos tangíveis que entram e saem da economia se expressam no balanço de bens, assim como, no balanço de serviços de não-fatores os produtos intangíveis compreendido pelos diversos serviços. No balanço de rendas, a agregação e desagregação por fatores de produção, trabalho (salários) e capital (aluguéis, juros e lucros), e por transferências privadas (como donativos, previdência privada, seguros) e públicas (como tributos, benefícios sociais). (Kohler, 2011, p. 202). Por sua vez, na conta de capitais o autor aponta que: Isso indica que a conta de capitais significa o financiamento, ou a contrapartida de crédito e/ou monetária, das transações correntes efetivadas com o exterior. Esse financiamento se dá através de movimentos

11 de capitais, apontados no balanço de capitais (Bka) e/ou nas reservas monetárias, expressas no balanço monetário (Bm). (Kohler, 2011, p. 206). Desta forma, a estruturação proposta indica que as reservas em papel-moeda, que se traduzem em papel-moeda em poder do público local e os depósitos à vista de residentes nos bancos, registram os ingressos e saídas efetivos de moeda e, portanto, definem a base monetária da economia local. Para os propósitos desse trabalho, vale também destacar: Aqui temos mais um registro de particularidade da economia local, a base monetária e os meios de pagamento são iguais, pois não existe a garantia de criação local de moeda escritural e, se houver, se formata como um empréstimo na Balança de Capitais Autônomos que altera positivamente o Balanço Monetário. Ocorre assim, porque, em nossa economia aberta e pela estrutura financeira nacional, um depósito local à vista não implica necessariamente em um empréstimo local à prazo para desencadear a mecânica do multiplicador dos bancos, fonte primária da moeda escritural na macroeconomia nacional (KOHLER, 2011, p. 207). Além dos fatores exógenos e endógenos que determinam a base monetária temos, por fim a questão da velocidade de circulação da moeda, que para os economistas clássicos é constante, mas para Keynes, a partir da introdução da demanda especulativa, esta se torna variável no curto prazo. A partir do estudo de Kohler (2003, 2011) o estoque de moeda é limitante do crescimento, assim como a velocidade de sua circulação, que, em conjunto, conformam o véu da atividade econômica local. 3. Avaliação dos efeitos econômicos das moedas sociais Acompanhado do debate teórico antes referenciado, descortina-se o palco para um ensaio reflexivo sobre o papel das moedas sociais na dinâmica da economia local/regional. Para além dos efeitos sociais basilares dessas iniciativas, se defende que esse mecanismo potencializa as relações de troca de um determinado local, especialmente nas atividades no setor não básico, via substituição de importações. Busca-se corroborar a premissa de que esse tipo de instrumento amplia a base monetária local e/ou acelera a velocidade de circulação da moeda. Mundo afora, há várias modalidades de moedas sociais, desde clubes de trocas até as que centralizam no microcrédito a perspectiva de dinamização da economia local, via inclusão no sistema de produção e consumo àqueles desprovidos de moeda pelo sistema

12 de mercado. Em tese, as necessidades por bens e serviços providos internamente tenderão a aumentar, pelo fato das pessoas passarem a consumir localmente, condicionados pela circulação e abrangência da moeda social. O fundamento lógico é que a introdução de moedas sociais em âmbito local, por sua circulação restrita e com objetivos específicos formulados por seus participantes, deixam implícitos impactos econômicos positivos como aumento do poder de compra e a inclusão dos indivíduos excluídos do processo econômico. Para Freire (2009) as moedas sociais inserem uma nova tecnologia de autofinanciamento e desenvolvimento endógeno territorial ou setorial, um instrumento de natureza e estrutura contratual, como potencial para resolver ou atenuar o problema do desencaixe entre disponibilidade de capital (recursos disponíveis) e necessidades não atendidas. Estas seriam um meio alternativo para viabilizar o acesso aos direitos econômicos. Quadro 2 Diferenças de características e funções da moeda nacional e da moeda social. MOEDA NACIONAL (1) Moeda fiduciária oficial; (2) Três funções: unidade de conta, meio de troca e reserva de valor; (3) Curso legal e uso obrigatório por lei, garantida e monopolizada pelo Estado; (4) Conectada diretamente com as finanças públicas (dívida pública e direito público); (5) 95% - moeda bancária privada (propriedade privada e dívida privada), Depósitos bancários; Juros compostos; Crescimento exponencial. (6) Exclusão social; Pessoas não bancarizadas; Alto custo do crédito; Concentração financeira. MOEDA SOCIAL (1) Complementar à moeda fiduciária oficial; (2) Não cumpre todas as funções da moeda = meio de troca. (3) Ninguém é (ou pode ser) obrigado a aceitar uma moeda social ou a participar de um sistema de moedas sociais; (4) Direito dos contratos e direito das obrigações (obrigações privadas e direito privadas); (5) Reciprocidade, mutualismo (propriedade comunitária); Diversos tipos de incentivos à circulação local; Evita efeitos associados aos juros compostos; Crescimento similar ao da economia real; (6) Inclusão social; Geração de emprego e renda; Crédito sustentável; Desconcentração financeira. Fonte: Freire, Marusa Vasconcelos, 2009, I Fórum Banco Central, Inclusão Financeira. A moeda social, não tem a ambição de substituir a moeda oficial, porque entre suas características não está o curso forçado e o poder liberatório da moeda nacional, visto que só é utilizada pelos participantes do projeto. Com a ressalva no item 3 do quadro, visto que se entende que a moeda social cumpre todas as funções da moeda nacional, a autora retrata comparativamente a moeda

13 oficial e a moeda alternativa. Segundo Freire (2009) as moedas as moedas sociais podem ser utilizadas como instrumento de políticas públicas de finanças por que são compatíveis com a política monetária sob a responsabilidade do Banco Central, já que, pela sua abrangência não afeta o poder do Banco Central em controlar a quantidade de moeda e de crédito na economia nacional, não ameaça o sistema de pagamentos, ou seja, por sua pequenez não coloca em risco a estabilidade do sistema financeiro. Freire (2009) ainda afirma que estas iniciativas criam condições favoráveis para o desenvolvimento das economias locais, sendo que suas afirmações são indiretamente corroboradas pelo limite do princípio da endogeneidade da oferta de moeda defendida por Kohler (2003). A inexistência de um setor básico indutor de crescimento de uma pequena economia, ou mesmo a simples exclusão de uma parcela da sociedade no contexto econômico, em um ambiente com forças centrífugas de moeda, há a possibilidade de lançar mão deste tipo de iniciativa, que aumenta a base monetária e/ou a velocidade de circulação da moeda. Nesta direção, Freire (2009) aprofunda o debate, incluindo os seguintes argumentos para incrementar o dinamismo econômico local: Represamento de recursos na economia local (circuito fechado) em função de um mercado de trabalho local; Organização (ou reorganização) da produção, circulação, distribuição e consumo locais. Recursos locais subutilizados são direcionados para atender às necessidades locais não atendidas; Criação de riqueza a partir de recursos que se encontram disponíveis na economia real. Aumento da quantidade de moeda social corresponde ao aumento das transações realizadas pelos participantes na economia real; Aumento do potencial de arrecadação tributária dos municípios (ISS, taxas e contribuições de melhorias); Redistribuição de recursos por meio do comércio local interlocal ; Portanto, a introdução da moeda social potencializa os recursos na economia local, com reflexos diretos no mercado de trabalho, na produção e na formação e distribuição da renda. Fatores de produção não utilizados ou mesmo subutilizados e disponíveis na

14 economia local tendem a ser direcionados para atender necessidades pontuais ainda não atendidas. O aumento da base monetária local, via moeda social, ou mesmo a simples aceleração de sua velocidade de circulação tende a oxigenar as transações realizadas na economia real, ou seja, as transações de compra e venda potencializam a satisfação de necessidades até então não atendidas via moeda nacional e empregam novos recursos, novos fatores de produção, antes não utilizados. Assim, a centralidade do problema está na verificação da premissa de que a introdução de moedas sociais, de caráter inclusivo e produtivo, potencializa as condições de desenvolvimento das economias locais, principalmente pela ocupação de recursos humanos em atividades de produção, propiciados pela ampliação da demanda pelos excluídos do sistema, ou seja, determinada pela expansão da base monetária local e o aumento da velocidade de circulação da moeda. Neste contexto, diversas experiências afloram mundo afora, desde os clubes de trocas, de abrangência mais restrita por serem caracterizados essencialmente pela figura dos prossumidores, participantes que são ao mesmo tempo produtores e consumidores, até experiências de moedas sociais de espectro mais amplo, geralmente emitidas por bancos comunitários e repassadas à comunidade local por meio de empréstimos e saques. No caso dos primeiros, se trata de um sistema de moeda baseado no escambo, onde os participantes, demandantes e ofertantes, definem entre si uma unidade monetária comum a todos e sem lastro em moeda oficial. Os participantes descrevem os bens e serviços definíveis para venda assim como os que desejam adquirir, todos referenciados na moeda comum, sendo que não é necessário haver a dupla coincidência de desejos para efetivar a transação, além do mais é possível adquirir algum bem ou serviço mesmo sem haver crédito na conta, mesmo sem ter vendido algum bem ou serviço. Atualmente conhecidos por LETS, Local Exchange Trade System, os clubes de troca que surgem em 1983 por iniciativa de Michel Linton, na Ilha de Vancouver no Canadá, Colúmbia Britânica, se estruturam fundamentalmente pelas trocas entre associados: A organização da LETS atua somente como uma câmara de compensação de obrigações e como serviço de informações. Os membros inscrevem-se, pagam uma pequena taxa de iniciação para abrir uma conta e descrevem bens e serviços que eles estão buscando ou oferecendo, com todas as

15 ofertas e pedidos publicados periodicamente numa lista impressa distribuída aos participantes. A diferença principal com o escambo primitivo é que os indivíduos não são obrigados a achar uma correspondência direta entre os itens desejados. Os membros podem negociar entre si sem a necessidade da dupla coincidência de vontades. Os itens podem ser vendidos e comprados em um preço aceito mutuamente de acordo com a unidade monetária comum, todas as transações sendo informadas para um contador comum que debita a conta do comprador e credita a conta do vendedor, simultaneamente (FREIRE apud COHEN, 2011, p. 235) Facilmente se observa que nestas situações se introduz um novo instrumento de troca na economia local, o que caracteriza uma ampliação da base monetária local, já que a moeda alternativa se soma a moeda oficial de curso forçado. Nesta direção, o novo meio de troca potencializa a economia local, haja vista a premissa keynesiana, aqui assumida, de que a moeda afeta a parte real, ou seja, a moeda social não lastreada em moeda oficial corrente, pelo princípio da não neutralidade, se constitui em um instrumento com capacidade de dar dinamismo à produção e a consequente geração de renda. Existem outras formas de moedas sociais, com os mesmos efeitos econômicos dos LETS por não serem lastreados na moeda oficial, como, por exemplo, a ITHACA HOURS, que surge, em 1991, por iniciativa de Paul Glover, na cidade de Ithaca, estado de New York - EUA, e que possui papel-moeda para viabilizar as transações, ou seja, também possibilita os negócios sem a compatibilidade de desejos. No caso, para emitir a moeda é necessário que um novo indivíduo filie-se ao programa ou após um tempo pré-determinado de participação, dá direito a um bônus, em Ithaca, através da deliberação do conselho que administra a iniciativa. As notas tem referência em horas de trabalho, estão estratificadas de um oitavo de hora até duas horas e cada hora tem o valor de $10,00, o valor médio de uma hora de trabalho em 1991, ano de sua criação. Desta forma, a Ithaca também não possui lastro em moeda oficial Como num programa de LETS, os participantes podem negociar entre si sem a necessidade de uma dupla coincidência de vontades. Mas no ligar das entradas contábeis, as transações resultam simplesmente na transferência de uma quantia apropriada do papel-moeda de Glover. Para controlar a oferta per capita das Horas de Ithaca, novas notas são normalmente produzidas somente quando um novo indivíduo torna-se membro ou periodicamente após um tempo contínuo de participação...o programa parte do princípio de que a hora de trabalho de qualquer pessoa dentro do sistema equivale ao de qualquer outra...nesse aspecto, no entanto, o sistema também é dotado de certa flexibilidade, reconhecendo que determinadas habilidades são diferenciadas e podem valer mais que uma Ithaca Hour...(FREIRE, 2011, p ).

16 De outra forma, as experiências contemporâneas de moedas sociais no Brasil se associam aos chamados bancos comunitários e se somam, segundo Freire (2011), em mais de 50 moedas que circulam em pequenos municípios ou bairros país afora, com nomes bastante diversificados, palmas, castanha, cocal, maracanã, guará, girassol, entre outros. A característica comum é que são lastreadas em nossa moeda oficial, o real, como, por exemplo, a Palmas, de Fortaleza, Ceará, a mais antiga experiência brasileira em circulação: Os palmas têm lastro em moeda nacional, o Real (R$). Ou seja, para cada moeda Palmas emitida existe, no Banco Palmas, um valor correspondente em Reais (R$) (MELO NETO SEGUNDO; MAGALHÃES, 2005, p.18). O incentivo à troca de reais por palmas ocorre a partir do momento em que são firmadas parcerias com os empresários locais a fim de oferecer estímulos comerciais para que o pagamento de transações ocorram através da moeda social, principalmente em bens e serviços essenciais a população, como transporte coletivo, gás de cozinha, gêneros alimentícios e gasolina, entre outros. Os comerciantes que aceitam a moeda concedem, com foco na fidelização da clientela, descontos entre 2% e 9% aos consumidores, atraindo os moradores a transacionar em palmas, pagando menos pelos mesmos bens e serviços pagos anteriormente em reais: Todas as operações feitas com a moeda social circulante local palmas estão lastreadas na proporção de 1 x 1 em relação aos reais, ou seja, só são emitidas palmas que estejam lastreadas em moeda corrente. Como incentivo ao uso da moeda local, os pagamentos e as compras feitas com uso de palmas recebem desconto de 5% no seu valor de face. Dessa forma, boa parte do produto da região fica retida e é utilizada para retroalimentar e ampliar a circulação de bens e serviços na economia local (MELO, 2009, p. 79). Ao contrário dos LETS, esse tipo de moeda social não expande a base monetária local, já que a emissão se dá pelo condicionamento ex-ante do lastro em moeda oficial, na relação de troca de 1 por 1. Contudo, os mecanismos utilizados na atração dos consumidores, permitem acelerar a velocidade de circulação da moeda na economia local, pela tendência de substituição das importações, o que privilegia a produção e geração de renda no território. De outra forma, a aceitação da moeda social pelos residentes participantes do processo estimula o consumo local e desperta o empreendedorismo, com a produção interna de bens e serviços adeptos ao véu do instrumento de troca próprio. A

17 aceleração se dá por substituição de importações, já que ocorre em detrimento do consumo de alguns produtos de fora do território, desagregadores de moeda. Por fim, nos dois tipos categorizados, os de ampliação da base monetária ou os de aceleração da velocidade de circulação da moeda, se verificam condições de potencialização de efeitos diretos, indiretos e induzidos na economia local, para além de permitir a valorização dos indivíduos no campo sociológico. Considerações Finais A evolução da moeda como instrumento de troca refletiu a capacidade do homem de ampliar o leque de bens e serviços ofertados e possibilitou a realização de um infindável número de transações. Fruto do processo de especialização produtiva, este instrumento foi se tornando intrínseco ao sistema econômico, na medida em que o progresso econômico só foi possível na presença de um fluído mediador das transações. Na tentativa da elucidação dos seus efeitos na economia, divergências teóricas separaram pensadores na história econômica e, ainda hoje, é campo fértil para incursões investigativas, em especial, sobre a neutralidade ou não da moeda no produto. Neste ensaio, se corroborou a posição Keynesiana da não neutralidade, assim como, resgatando os trabalhos de Kohler ( ), se defendeu a tese da endogeneidade da oferta da moeda local, determinada pelo fluxo monetário com seu exterior. As moedas sociais, por sua vez, surgem como um instrumento alternativo para dinamizar a economia local/regional e para viabilizar a inclusão dos marginalizados socioeconomicamente. A reflexão converge na direção de que, tanto as experiências que aumentam a base monetária local, quanto as que aceleram a velocidade de circulação da moeda, potencializam os efeitos diretos, indiretos e induzidos na economia local, por estimular a produção de bens e serviços e a geração de renda. Essas não têm o papel de resolver por completo as dificuldades de economias empobrecidas, porém confere mais um instrumento para ações de intervenção, com vistas ao desenvolvimento endógeno.

18 Referências Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira, I, 2009, Salvador. Anais do I Fórum Banco Central sobre Inclusão Financeira. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/microfinancas/anais_i_forum_inclusao_financeira%20indd.pdf> FREIRE, Marusa Vasconcelos. Moedas Sociais: Contributo em Prol de Um Marco Legal e Regulatório para as Moedas Sociais Circulantes Locais no Brasil Tese, Universidade de Brasília, Brasília: Disponível em: <http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/9485/1/2011_marusavasconcelosfreire.pdf> KEYNES, Jonh Maynard. Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda. Traduzido por Mário R. da Cruz. São Paulo: Atlas, Tradução de: The General Theory of Employment, Interest and Money. KOHLER, Romualdo. Os fundamentos da macroeconomia local. G&DR, n.3, Taubaté, v.7, p , set./dez KOHLER, Romualdo. Simulações acerca da relação entre ofertas de moeda e crescimento de pequenas economias locais abertas. Santa Cruz do Sul: Edunisc, KOHLER, Romualdo; SOUZA, Nali de Jesus de. A Oferta de Moeda e sua Relação com Crescimento Econômico Local. Desenvolvimento em Questão, n.4, Ijuí, p , jul./dez LOPES, João do Carmo; ROSSETTI, José Paschoal. Economia Monetária. 9.ed. São Paulo: Atlas, MELO, Joaquim, NOVOS PARADIGMAS DE DESENVOLVIMENTO: FELICIDADE INTERNA BRUTA, 2009, Fortaleza. A Experiência do Banco Palmas e a Rede Brasileira de Banco Comunitários. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/pre/evento/arquivos/2009_11_61/10joaquimdemeloaexperienciadobancopalmasearedebrasileiradebancoscomunitarios.pdf> MELO NETO SEGUNDO, João Joaquim; MAGALHÃES, Sandra. O Poder do Circulante Local: A Moeda Social no Conjunto Palmeira. Fortaleza: Instituto Banco Palmas, RICARDO, David. Princípios de Economia Política e Tributação. Traduzido por Paulo Henrique Ribeiro Sandroni. São Paulo: Nova Cultural, Tradução de On the Principles of Political Economy and Taxation. SILVA JÚNIOR, Jeová Torres. et al. Avaliação de Impactos e de Imagem: Banco Palmas 10 Anos. Juazeiro do Norte: Disponível em: <http://www.banquepalmas.fr/img/pdf/rapport_jeova_evaluation_bp.pdf> SMITH, Adam. A Riqueza das Nações: Investigação sobre sua Natureza e suas Causas. Traduzido por Luiz João Baraúna. São Paulo: Nova Cultural, v.1. Tradução de An Inquiry into the Nature and Causes of the Wealth of Nations. SOUZA, Nali de Jesus de. Conceito de Aplicação da Teoria da Base Econômica. Perspectiva Econômica, São Leopoldo, v. 10, n.25, p , março Disponível

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