Novas tecnologias na educação Os problemas do Ensino à Distância

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1 SINPRO - Sindicato dos Professores do ABC outubro/2006 edição no 04 Novas tecnologias na educação Os problemas do Ensino à Distância Crise do Gás em entrevista Antonio Carlos Spis explica a situação e fala da auto-suficiência brasileira Filosofia e Sociologia no Ensino Médio Uma nova resolução obriga o ensino das disciplinas nas escolas brasileiras 1

2 Diga SIM pro SINPRO ABC SINDICALIZE-SE Ao longo dos anos O SINPRO-ABC obteve várias conquistas em prol da categoria, basta dizer que antes da fundação do Sindicato não existia pagamento de janelas, garantia semestral de salários, hora-atividade, pagamento de férias adiantadas e o abono de 1/3, entre outros. Hoje, lutamos para que esses direitos sejam cumpridos pelas escolas, mantidos e ampliados nas próximas convenções coletivas. As categorias profissionais mais organizadas formam sindicatos mais fortes, e conquistam melhores condições de trabalho e salários. Categoria unida é direito garantido! 2

3 SINPRO - Sindicato dos Professores do ABC outubro/2006 edição n o 04 ENTREVISTA 5 INTERNACIONAL 10 Paraguai: Receita para aniquilar a luta pela terra por Igor Ojeda NACIONAL 12 SAÚDE 14 Crise do Gás: a situação atual e a autosuficiência brasileira Entrevista com Antonio Carlos Spis Mudanças na aposentadoria Lei pode por fim al fator previdenciário Problemas na voz Pesquisa feita na rede particular de ensino de São Paulo revela o mau uso da voz nas salas de aula ESPECIAL 16 Novas tecnologias: Novos Rumos para a educação EDUCAÇÃO ARTIGO º Congresso do SINPRO ABC discute as novas tecnologias As Cooperfraudes da Educação Por Thalita Pires Lei determina que escolas públicas e privadas ensinem a Libras para alunos surdos Uma nova resolução obriga o ensino de Filosofia e Sociologia no Ensino Médio Israel X Palestina: Quem é o terrorista? Por Sheikh Ahmad Mazloum O Rato Pensador e seu percurso de descobertas e reflexões Por Maria Silvia Betti 3

4 editorial As novas tecnologias... a mídia... o terrorismo... quantas discussões... quantas conexões! Estamos vivenciando um período confuso e conflituoso. Terrorismo, guerras, imperialismo, violência... em alguns momentos parece-nos que o mundo está de pernas para o ar. Entretanto, não é somente desses sustos que temos nos alimentado. E, se de um lado a balança empurra-nos para baixo, de outro, encontramos alguns contrapesos que nos mostram que é preciso confiar, pois, ainda existe esperança. Esta edição da Revista do Professor nos traz um pouco para essa reflexão, qual é o papel das novas tecnologias? Não deveriam elas instrumentalizar professores e instituições no sentido de caminharmos, em direção à tão debatida, almejada e necessária qualidade do ensino, alavancando a Educação Nacional? Porém, apesar de nossas convicções, o que temos visto é o avanço neoliberal e, portanto, irresponsável das novas tecnologias visando, exclusivamente, ao lucro das Instituições que se dizem educacionais, e, pior, com a anuência e regulamentação do MEC. Essa situação preocupa-nos, sobremaneira, pois a regulamentação das novas tecnologias e sua utilização de forma indiscriminada, estão apontando para o prejuízo profissional de toda uma categoria, que, preconceituosamente, vem sendo achacada, não somente pela sociedade, mas principalmente pelos governos neoliberais que imputam a ela as mazelas da Educação Nacional. Nesse sentido, de realçar os preconceitos, muito a mídia tem contribuído, uma vez que empresta sua voz aos governantes, que irresponsavelmente, não investem em Educação, não aplicam as leis vigentes, não valorizam a profissão, não respeitam os educadores, mas tecem suas críticas, muitas vezes, infundadas, para maquiar a situação deplorável a que nossos governos permitiram que chegasse a Educação do país. Não é somente contra os professores que a mídia se manifesta. Mais recentemente, percebemos um ataque desmedido ao presidente Lula, então candidato à reeleição. Temos consciência de que a grande imprensa tem um papel fundamental na formação da opinião pública, e por isso mesmo deveria cumprir seu verdadeiro papel, contribuindo para a construção de uma sociedade melhor e mais justa. Porém, o que vimos durante todo o processo eleitoral, foi uma sucessão de equívocos (se é que podemos caracterizá-los assim), uma ação desrespeitosa contra a democracia, contra a liberdade de pensamento, um ataque à inteligência popular, além, é evidente, de um preconceito de classes que evidenciou-se na forma como foi tratada a candidatura do PT. É óbvio que o primeiro período do governo Lula foi conturbado, porém, se não cumpriu, exatamente sua plataforma de governo, deixando descontentes seus eleitores, é inegável que houve avanços. Se não conseguiu uma melhor distribuição de rendas é imperativo que se destaque a diminuição da pobreza através de suas políticas sociais. E, somente não enxergam isso aqueles cujos interesses estão acima da classe trabalhadora, do povo analfabeto, que segundo a mídia, reelegeu o atual presidente. O terrorismo está presente em todo o mundo, é uma ameaça constante, é uma mazela da sociedade atual, porém é muito mais perigoso, muito mais pernicioso quando entra em nossas casas, sorrateiramente, através de jornais, revistas e dos telejornais, que, nem mais escondem suas conexões com a burguesia e seu desprezo pela luta de classes. Nossa revista, traz, ainda, muitas discussões de interesse da categoria: falamos sobre saúde vocal, sobre Educação, sobre conjuntura, enfim, diferentemente da grande mídia, queremos instrumentalizar, organizar e valorizar você, professor! Boa leitura e até a próxima... expediente Revista do Professor - Ano I - Número 4 - Set/Out SINPRO ABC - Sindicato dos Professores do ABC - Gestão 2004/2007 Diretoria executiva: Aloisio Alves da Silva, Célia Regina Ferrari; Denise Filomena L. Marques, José Carlos Oliveira Costa, José Jorge Maggio, Paulo Cardoso de Souza, Paulo Ostroski e Paulo Roberto Yamaçake; Presidente: Aloisio Alves da Silva; Diretora de Imprensa: Denise Filomena L. Marques -Edição e reportagem: Josane Beckman - Mtb Projeto Grágico: Imprensa SINPRO ABC Tiragem: exemplares ISSN SINPRO ABC - Rua Pirituba, 61 - Bairro Casa Branca - Santo André - CEP São Paulo 4

5 entrevista Nacionalização na Bolívia: Impacto nas relações internacionais com o Brasil Por Josane Beckman Evo Morales tem o direito de dominar as suas reservas minerais. A Bolívia conta com isso como estratégia para fortalecer sua própria economia, só tem isso de riqueza nacional para garantir a implementação de políticas sociais e consolidar infraestrutura no país. 5 Antonio Carlos Spis diretor do Sindicato dos Petroleiros do Estado de São Paulo

6 A mais recente crise política e institucional da Bolívia teve origem na mudança da tributação da exploração de petróleo e gás, hoje uma das principais riquezas do país. O atual presidente boliviano, Evo Morales, honrando uma promessa eleitoral feita ao empobrecido país, nacionalizou a indústria de petróleo e gás natural da Bolívia. Embora tenha apoio nacional, a decisão foi muito criticada aqui fora. Em entrevista a Revista do Professor, Antonio Carlos Spis, diretor do Sindicato dos Petroleiros de São Paulo, esclarece a crise, fala sobre a Petrobrás e declara a posição dos petroleiros do Brasil. Spis é também 1º tesoureiro da CUT e representante da CUT na Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS). Além disso, foi o primeiro coordenador nacional da Federação Única dos Petroleiros (FUP), onde liderou a greve contra o governo Fernando Henrique Cardoso em Revista do Professor - A medida de nacionalização adotada pelo presidente Evo Morales, anunciada no dia 1º de maio, causou mal-estar entre Brasil e Bolívia. O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, chegou a afirmar logo após o início da nacionalização, que a empresa não iria mais investir na Bolívia. É essa a vontade da Petrobrás? Antonio Carlos Spis - Não. Na verdade quem deu a primeira informação pública na imprensa fui eu. Depois, o Gabrielli seguiu uma posição que eu tomei em nome dos petroleiros do Brasil e também do Ildo Sauer que é o nosso diretor de energia da Petrobrás. Qual é a nossa idéia enquanto governo Lula na América Latina e no Caribe? Temos que implementar uma estratégia solidária e integradora. Até o governo Fernando Henrique, a Petrobrás através dela própria e do BNDES, e aí é tudo governo, tinha uma inserção com o objetivo de dominar reservas estratégicas de recursos minerais principalmente petróleo e gás. O Fernando Henrique queria se tornar o grande líder da América Latina e do Caribe. Porque o Brasil é realmente a maior potência da região. A nossa visão não é essa. Mas não mudou ainda no governo Lula, isso não mudou pelo Itamaraty nem pelo próprio governo. É preciso ter uma mudança gradual. Qual foi a nossa primeira preocupação? O Evo Morales tem o direito de dominar as suas reservas minerais. A Bolívia conta com isso como estratégia para fortalecer sua própria economia, só tem isso de riqueza nacional para garantir a implementação de políticas sociais e consolidar infra-estrutura no país. Nós achamos que desde a construção do gasoduto Brasil-Bolívia, que foi na época da ditadura brasileira, esse gás vem praticamente de graça para cá. Então era preciso rediscutir o preço sim. É claro que a medida foi drástica em defesa da soberania da Bolívia. Nós defendemos a soberania brasileira também e não gostamos muito da maneira que foi feito, da surpresa num momento onde já havia integração do presidente Lula com Chávez, com Evo, com o Kirshner e diversos governos progressistas. Mesmo assim, nós apoiamos a posição do Evo, primeiro porque foi uma decisão de um presidente eleito pelo povo cumprindo uma posição de programa de governo, ele disse que nacionalizaria. Segundo por entender que o povo boliviano merece concretizar seu desenvolvimento, de crescimento baseado nos recursos 6 minerais que ele tem lá, principalmente do gás natural. Agora, é claro que existe um contrato comercial internacional, um contrato assinado que não pode ser rompido, tem que ser renegociado. As duas refinarias que existem lá são brasileiras, a Petrobrás comprou. O gasoduto é da Petrobrás, é do Brasil. O gás que é produzido lá não tem condição de ir para nenhum país do mundo, sem passar pelas refinarias, sem ser tratado. Não tem demanda na Bolívia para o próprio gás. A Bolívia não tem saída para o mar. A Bolívia depende do mercado brasileiro, por isso não deveria ter colocado essa estratégia com tanta truculência... é preciso negociar. E já estão negociando. Revista do Professor - Mas o presidente boliviano Evo Morales, replicou dizendo que a Petrobrás faz chantagem ao afirmar que não faria novos investimentos no país vizinho por causa da nacionalização. O que você acha disso? Antonio Carlos Spis - Não vai parar de investir. Acho que o Gabrielli disse isso no calor do debate, mas hoje a Petrobrás e o BNDES, na verdade mais o BNDES, investem muito...hoje o nosso segundo maior banco de fomento do mundo tem mais ou menos três bilhões de dólares na América Latina e no Caribe e está ampliando esses investimentos para cinco bilhões de dólares. O perigo é nos transformarmos num país imperialista (um mini-imperialista) contra os países latino-americanos e caribenhos. Somos xingados por isso. Têm campanhas na Bolívia, na Venezuela e no Equador, que vivenciei lá, chamando o Brasil de assassino. Morrem dois petroleiro(a)s por mês em plataformas marítimas e nas refinarias do Brasil, desde Lá a Petrobrás faz esse papel. A inserção brasileira, através da Petrobrás e do BNDES não pode ser uma inserção dominadora para conquistar liderança latino-americana e caribenha. Tem que ser integradora e solidária. É claro que você não muda essa estratégia de uma hora para a outra e nem o Lula tem poder para fazer isso num estalar de dedos. A transformação é lenta e gradual, mas é essa a visão dos petroleiros do Brasil, da Federação Única dos Petroleiros, da CUT inclusive, que corroborou com essa posição, e também da Petrobrás e do Lula. O presidente Lula depende hoje dos governos latinoamericanos, assim como os governos latino-americanos dependem do Lula, numa integração onde é possível crescer com a renovação do mandato desses governos e afastar os perigos dos países do G7, representado principalmente pelos Estados Unidos. Os EUA estão invadindo, matando e ocupando países para buscar recursos minerais, petróleo principalmente. Aqui no Brasil começamos a construir uma unidade, que não pode ser na linha anterior de dominação através dessa empresa e também do banco, pois inviabiliza essa integração. Nós temos muito petróleo aqui e na Venezuela. No Brasil, temos muita água potável. E logo vão aparecer muitas guerras por causa de água potável. Nós temos que construir uma unidade latino-americana e caribenha, não só entre os governos, porque os governos estão pensando nisso, o Lula lançou o G20, o Chávez vem para o Mercosul, mas também entre os trabalhadores e trabalhadoras, garantindo a resistência frente aos blocos econômicos. Temos que discutir de cabeça erguida, com soberania e ninguém vai construir um bloco para se isolar

7 aqui e achar que nós vamos ser totalmente independentes. Então nós temos que transformar essa visão. Não só de ajuda ao governo e ao povo boliviano, mas também que haja uma integração nacional. O gás de lá tem que ir para outros países, mas a preços condizentes. Houve um acordo muito desvantajoso para a Bolívia da ditadura para cá. Revista do Professor - O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeu, admitiu mês passado que o Brasil pode aceitar um reajuste no preço do gás boliviano, caso La Paz comprove que há desequilíbrios no contrato atual. Isso discorda das declarações recentes de executivos da Petrobrás na imprensa, para quem não há espaço para aumentos. O governo e a Petrobrás não estão de comum acordo? Antonio Carlos Spis - O governo manda na Petrobrás. A Petrobrás não é uma empresa estatal, é uma empresa de economia mista onde o governo tem a maioria das ações, com direito a voz de voto, ou seja, tem o poder acionário. E o Lula defende a integração, então isso será resolvido muito mais pela política do que pela questão comercial. Eu não tenho cópia do contrato que foi feito de venda de gás, mas duvido que tenha algum contrato no mundo que não preveja algum reajuste, ainda mais com preços monitorados pelo dólar em mercados internacionais. O barril de petróleo é cotado em dólar, o metro cúbico de gás também... Então eu acho que espaço para negociação tem. O que criou um certo constrangimento é que houve uma aliança do Evo com o Chávez, os venezuelanos foram para a refinaria, tomaram tudo e os petroleiros foram pegos de surpresa com a nacionalização. Mesmo assim, o problema está sendo contornado com negociações, o Lula é muito hábil para fazer negociação internacional. A melhor política, talvez, do governo Lula é a modificação da visão internacional, se inserindo em muitos países, abrindo leque com possibilidades comerciais e principalmente com essa respeitabilidade que existe aqui com os países que foram muitos explorados e saqueados, desde Então há uma respeitabilidade entre os governantes. A partir daí, a política resolve. É claro que quanto à questão comercial, a Petrobrás vai lá e defende os interesses da Empresa, é o papel do gerente da maior empresa brasileira mostrar sua posição, mas eu acredito que essa questão está sendo resolvida na política. Revista do Professor - A Petrobrás já injetou, desde 1996, US$ 1,5 bilhão na Bolívia, além de US$ 2 bilhões para trazer o gás para o Brasil. É a maior empresa na Bolívia e responde por 15% do PIB do país. Parar de investir na Bolívia seria realmente um grande prejuízo mesmo com a nacionalização, não? Antonio Carlos Spis - Sim. A Petrobrás comprou as duas únicas refinarias do país, são pequenas inclusive, e construiu um gasoduto para trazer o gás. Nós, se continuarmos investindo pesado aqui no Brasil, não precisaremos do gás da Bolívia dentro de pouco tempo, também seremos autosuficientes em gás natural. Não há nenhum problema, nós temos muitas reservas não só para o povo brasileiro, mas para exportar também. Nessa área de reservas minerais, onde existe petróleo tem também gás natural junto. Eles estão lá concentrados por bilhões e bilhões de anos no subsolo. Na hora que você fura saem os dois, pode ser até que haja, mas gás do que petróleo e pode até não ter nada de petróleo mais tem gás. E é um campo finito (não vai haver segunda safra). Calcula-se que em 50 anos acabe, em 40 ou 35. Ninguém sabe ao certo mensurar quando vai acabar o petróleo, por isso essas reservas são cuidadas com muito carinho. Às vezes vale a pena investir em outro país e preservar o seu. Ao contrário do que as multinacionais fazem conosco. Quando são implementados leilões de petróleo os petroleiros ficam indignados, vão para as ruas, chamam o MST, chamam o governo de entreguista, crime de lesa pátria, etc e tal. E vamos fazer isso de novo em novembro no oitavo leilão de petróleo. Pelo mesmo motivo que xingamos as empresas que vem para cá, somos xingados lá fora. Nós queremos preservar nosso bem natural e explorar os dos outros. Por isso a questão é essencialmente política, não só comercial. Quem fez o contrato comercial foi a ditadura. Então precisamos adicionar uma relação mais humana, mais solidária, com a visão de que América Latina e o Caribe já foram explorados por muitos séculos. E vamos continuar ainda? Não, vamos preservar o que é nosso. Vamos construir uma unidade latino-americana e caribenha. Revista do Professor - A imprensa divulgou, após a posse de Evo Morales, que Os petroleiros do Brasil apóiam a estatização das reservas de gás na Bolívia. Essa é a posição atual de toda a classe petroleira? Antonio Carlos Spis - Sim, sem dúvida. Eu tinha acabado de ir num seminário na Venezuela, onde os petroleiros pediram para eu falar em nome da FUP. E eu construí um roteiro de debate, nessa linha, junto com a assessoria internacional aqui da CUT e os petroleiros. É claro que eu não defendi, lá, a estatização, mas eu defendi a questão solidária e integradora. Falei do BNDES, falei do Banco Mundial, falei do que a Petrobrás faz no Equador. O que a Petrobrás faz lá você não imagina. A Petrobrás está em reservas indígenas no Equador, está agredindo reservas ambientais. Tem muitos vídeos no Equador e na Bolívia chamando a Petrobrás de assassina. É criminoso quando uma empresa pratica ação predatória. Quando você acha um poço de petróleo, os geólogos e técnicos determinam a vida do poço. Por exemplo, eles concluem que um poço vai render 500 mil barris de petróleo por dia e vai durar 50 anos. Se você extrair 500 mil barris de petróleo por dia ele não vai durar 50 anos. Você tem que combinar extração com preservação, combinando com tratamentos químicos para manter a longevidade do poço. Isso acontece em países que querem preservar o seu patrimônio. Se alguma empresa encontrar petróleo aqui, como vem ocorrendo com a Shell, que tira 50 mil barris de petróleo por dia numa plataforma da Bacia de Campos... o Brasil não vê a cor desse petróleo. Eles pagam a taxa, o navio sai direto da plataforma em alto mar e vai para o país de origem. Sabe-se lá como eles estão explorando, daqui a pouco acaba o petróleo lá e fecha o poço. Porque não têm amor pelo poço, o poço não está no país deles. A multinacional trata como lucro a qualquer custo e o máximo possível. Então quando um país abraça as suas reservas e quer preservá- 7

8 Pelo mesmo motivo que xingamos as empresas que vem para cá, somos xingados lá fora. Nós queremos preservar nosso bem natural e explorar os dos outros. las, em benefício do seu próprio povo, nós temos que apoiar. Por isso eu saí a campo, não é que eu quis sair à frente de todo mundo. A imprensa me ligou e eu não vacilei. Eu sei da posição, a FUP e a CUT acompanharam. Mas isso não é também nenhum privilégio, qualquer pessoa da FUP, ou mesmo se tivessem entrevistado nosso coordenador nacional, Hélio Seidel, teria dito a mesma coisa que eu disse, com certeza! Se tivessem entrevistado um petroleiro de dentro da refinaria de Paulínia, que não é da direção de nenhum sindicato, teria dito: está certo ele. Nós temos uma cultura, um princípio de defesa do patrimônio público, de área estratégica, consciência de que nós estamos numa empresa pública que não é nossa, é do povo. Respeitamos o patrimônio da empresa, fazemos greve para preservar o patrimônio. Tem poço aqui que você fura e ele não pára de sair produto (poços surgentes), se você o fechar em greve, talvez ele não volte mais a produzir. Então a gente mantém funcionando. É uma das especificidades da área de energia e petróleo, quem está dentro da área sabe bem a importância que isso tem para uma empresa e para um país. Revista do Professor - A empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) determinou o aumento imediato do imposto sobre o gás de 50% para 82% e regularização das empresas estrangeiras com novos contratos em um prazo de 180 dias. Como estão as negociações com o Brasil? Antonio Carlos Spis - Eu não sei direito. Mas eu acredito que essa questão vai ser muito mais resolvida na política do que nessa coisa de dar prazo. Qual a primeira coisa que a grande imprensa fez? Ah, o Lula é um trouxa! Fica apoiando e o cara tomou uma medida lá que ele nem sabia e se aliou ao Chávez. A questão é estritamente política. Nós achamos (em nome dos petroleiros do Brasil) o seguinte: é preciso fazer uma adequação do preço sim. Pagar um preço justo. O gás não era vendido nem a preço de banana, era de casca de banana. E ao mesmo tempo nós temos que investir. Por mais que possamos ser amigos da Bolívia e solidários com a Bolívia, nós temos que ter auto-suficiência também em gás natural. E não é difícil atingir a auto-suficiência. Nós temos muitas reservas e as prospecções estão avançando. Revista do Professor - O presidente da YPFB, Jorge Alvarado, afirmou que a promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de conquistar a auto-suficiência em gás até 2008 é um conto de fadas. Você acha possível? Antonio Carlos Spis - Acho que ninguém deve achar absurdo o que se discute no Brasil a respeito do petróleo. Na década de 40 diziam que não havia uma gota de petróleo aqui. Mesmo com grandes avaliações de geólogos internacionais nós fomos crescendo na campanha O petróleo é nosso. Na década de 50 foi constituído o Conselho Nacional de Petróleo, a Petrobrás 8 e hoje, nós somos uma potência no mundo na área de energia. Ninguém no mundo consegue tirar petróleo na profundidade que tiramos no mar, ninguém. O Brasil está na Holanda, está no mar do Norte, onde tem Shell, Texaco, BP... e ninguém perfura na profundidade que nós perfuramos. Isso é tecnologia brasileira, pesquisada em nosso Centro de pesquisa CENPES, em nosso Departamento de Produção DEPRO e temos petroleiros e petroleiras que são valorosos e especialistas nessa questão. Portanto, a Bolívia não pode dizer isso do Brasil. Seguramente nós seremos auto-suficientes em gás natural no momento em que planejarmos e formos autorizados a utilizar o próprio lucro da empresa. Nós podíamos ter atingido a auto-suficiência em petróleo há muito mais tempo, mas até o governo Fernando Henrique éramos impedidos de reinvestir o próprio lucro, uma enorme parte do lucro da empresa era para pagar a dívida externa. Então com a chegada do Lula, a nacionalização de plataformas, investimentos aqui, contratação de funcionários e a diminuição da terceirização, foram criadas as condições para se chegar à auto-suficiência do petróleo e vamos chegar a autosuficiência de gás. Eu duvido que esse presidente da estatal boliviana esteja falando com todos os dados geológicos que nós temos aqui no país. Ele vai ser desmoralizado porque nós chegaremos á auto-suficiência. Não sei se até 2008, porque esse contrato vai permanecer, os contratos internacionais não se rompem assim. Revista do Professor - Então antes o Brasil não tinha interesse em se tornar auto-suficiente porque o gás vinha muito barato, saía mais barato comprar do que investir aqui? Antonio Carlos Spis - Sempre existiu interesse. Mas sai mais barato sim, se você tem o produto pronto e pode têlo à disposição a, baixo custo, é mais barato do que fazer investimento. Investimento na área de petróleo é muito caro, mas não que não sejam feitos, tanto é que a Petrobrás descobre poços a cada dia. Grandes regiões agora no Espírito Santo, Rio Grande do Norte, na Bacia de Santos que vai do litoral paulista até Santa Catarina. A partir do momento que você faz a detecção de que tem gás ou petróleo ali, a pesquisa geológica demora muito tempo, para virar comercial às vezes demora 20 anos. Então são áreas da economia que são muito demoradas para dar retorno, apesar de que o retorno, quando vem, é muito positivo, é muito importante. Seguramente, nós temos como chegar também à auto-suficiência de gás natural, não sei dizer o ano. Depende muito da economia acompanhar junto, porque o Brasil tem muitas áreas de infra-estrutura para serem reconstruídas também. Então tem uma estratégia toda de governo que não depende só da empresa, não é uma empresa privada que o Gabrielli pode decidir o que vai investir. Tem uma política nacional da área de energia integrada com energia eólica, energia elétrica, energia solar, energia atômica,

9 quer dizer, tem que ser combinado. Aí depende, talvez seja mais interessante num determinado ano não se investir tanto e deixar para o caixa do outro ano. Não é uma disputa, não é um campeonato para ver quem conquista a auto-suficiência, depende de fatores nacionais/internacionais. Revista do Professor - Mas hoje a dependência do gás da Bolívia é quase total? Antonio Carlos Spis - Não é não. Nós dependemos, sim, do gás da Bolívia porque se há um contrato e tem a garantia daquele volume de milhões de metros cúbicos por décadas, você está com aquilo garantido. Eles não têm para quem vender, eles só têm o mercado brasileiro. Não que isso seja uma truculência nossa, é a realidade. Eles não têm demanda nem na própria Bolívia para esse gás. Então vai ser feito um reajuste do preço e vão continuar repassando para o Brasil. Pode ter certeza de que o Brasil depende menos deles. Primeiro que nós temos gás natural aqui também, não com o volume necessário, mas você pode importar, você compra. Esse mercado de energia é muito caro, principalmente se você não faz contratos de longo prazo. E tem também o mercado que se chama spot, que são navios vagando pelos oceanos cheio de produtos e você paga a peso de ouro e está disponível no dia seguinte. Chega no seu porto e descarrega. Na greve dos petroleiros a Petrobrás comprou muitos navios desses porque nós bloqueamos os portos também aqui, em Então há um grande mercado de energia no mundo, só que é muito caro, é caríssimo. Mas não tem esse perigo de ruptura com a Bolívia, eu não acredito nisso, pois há uma integração muito grande. Evo Morales precisava demonstrar a sua autoridade para o povo boliviano que tinha acabado de elegê-lo. É necessário fazer uma adequação nos preços, a Bolívia entende que sim, e o Brasil entende que sim. Vai ser feito. Não vejo problema da autodeterminação dos povos que a Bolívia tem o direito de fazer e o fez nacionalizando. Nacionalizar o que é? Todas as empresas viram nacionais, viram estatais. Não vai mais precisar da Petrobrás? Não acredito! Vão continuar produzindo gás, a Petrobrás tem o interesse em comprar...a Bolívia não vai querer vender? Revista do Professor - Parece que havia uma proposta de ressarcir a Petrobrás pela estatização pagando em gás, é verdade? Antonio Carlos Spis - O Brasil já fez isso. O Brasil já mandou empresa embora, comprou e pagou mixaria pelas empresas (governo Brizola no RS). Toda vez em que a Petrobrás investe num país corremos riscos. Você corre riscos não só de estar sujeito às legislações dos países, mas também de repente mudar a política lá e você não tem autoridade sobre a política do país. Então há sempre um risco. Mas nessa integração que existe hoje de Brasil, Bolívia, Venezuela, Argentina, Uruguai significa uma unificação muito grande em torno do Mercosul, o Chile também está integrado. São países que foram muito explorados e estão tentando resgatar a sua soberania. Nessa linha, uma unidade contra o Bush, contra a ALCA, contra o imperialismo norte-americano unifica muito esses países. E é claro que cada um tem as suas riquezas minerais, cada um tem as suas estratégias e políticas de governo. Mas não acredito, em hipótese alguma, na ruptura entre Brasil e Bolívia. Não acredito que pare de vir gás para cá. Não porque eles não tenham para onde mandar, mas pela integração, pela solidariedade. Eles não têm mar, não têm gasoduto, o gasoduto é do Brasil. Construir outro gasoduto, outras estruturas não é uma tarefa fácil. Uma refinaria custa cerca de 5 a 6 bilhões de dólares. Essa que vai ser feita em Pernambuco, agora, combinada entre Brasil e Venezuela, é mais ou menos nesse patamar, para refinar 300 mil barris de petróleo por dia. É uma integração Brasil e Venezuela. Não é assim que você nacionaliza e de repente vira tudo seu e você começa a operacionalizar. Os bolivianos têm que aprender a manusear tudo, claro que nas refinarias tem vários bolivianos não são todos brasileiros, mas os postoschaves são todos brasileiros, a tecnologia é toda brasileira. Revista do Professor - Mas essa posição do Brasil é uma posição do governo Lula. Se nessas eleições houver uma mudança de governo, essa relação entre esses países corre o risco de mudar? Antonio Carlos Spis - Até lá o Brasil ainda não será auto-suficiente, ainda vai precisar comprar gás. Se existe um contrato, um próximo presidente não romperia esse contrato, porque é vantajoso para o Brasil. Acho que essas medidas unilaterais não acontecem. Nós estávamos numa ditadura e foi montada uma estratégia comercial com a Bolívia. Mudou a ditadura, redemocratizamos o país e o contrato permaneceu. Já tivemos muitos presidentes de direita e porque não se rompeu? Porque as coisas não são assim. Também existem os tribunais internacionais que podem ser acionados. A posição da CUT e da FUP é de que o Brasil não vá a nenhum tribunal internacional para impedir que haja um reajuste de preços. Porque nós não vemos no horizonte que a Bolívia vai tomar as refinarias, a nacionalização não significa que vão tomar todos os bens. Então não acho que vai ocorrer uma indenização e um caiam fora daqui brasileiros!. Não vai acontecer isso. Acho que foi uma medida política que será resolvida politicamente. Não é no militarismo nem no radicalismo que essa questão será resolvida. Revista do Professor - A Bolívia já havia anunciado medida similar de nacionalização em duas ocasiões anteriores, em 1937 e Ambas ocorreram durante regimes militares. Você acha que dessa vez o processo será definitivo? Antonio Carlos Spis - O Brasil não estava lá nesses dois momentos. Depende da infra-estrutura. Acho que a infraestrutura boliviana é pequena do ponto de vista da transferência do produto e do tratamento do gás, mas ela tem a ajuda da Venezuela, do Brasil, de Cuba, do Uruguai, da Argentina. Então, hoje essa integração possibilita que ela cresça. Cada um tem que preservar seu território, sua independência e autonomia. Esse momento é muito especial com o Chávez, com o Lula, com o Evo, com Kirshner. Nunca vivemos um quadro com diversos governos progressistas e se eles renovarem os mandatos a partir do Lula agora, todo mundo vai crescer um período muito grande, principalmente na questão da soberania, da relação entre os países, na preservação de recursos minerais e políticas sociais. 9

10 internacional Paraguai: Receita para aniquilar a luta pela terra Observadores internacionais constatam repressão a movimentos sociais e militarização imposta pelos EUA Quem anda pelas ruas de Assunção, a capital paraguaia, experimenta uma forte sensação de opressão. Em algumas partes da cidade, principalmente vizinhanças dos cinturões de pobreza, há militares fortemente armados e policiais em quase todas as esquinas. Como se o país estivesse em guerra. Desde a posse, em agosto 2003, do presidente Nicanor Duarte Frutos, do Partido Colorado, que há 60 anos controla a nação, a militarização da sociedade paraguaia cresce a cada dia. Apenas 12 dias depois de assumir o comando, Duarte emitiu o decreto 167, que autoriza as Forças Armadas a atuar conjuntamente com a Polícia Nacional em ações de segurança interna. A partir de então, movimentos sociais, sobretudo camponeses, vêm sendo duramente reprimidos. A reportagem do Brasil de Fato acompanhou a Visita de Observação Internacional convocada pela Campanha pela Desmilitarização das Américas (Cada) e pelo Serviço Paz e Justiça do Paraguai (Serpaj-Py). Durante os dias 16 a 20 de julho, observadores estiveram no Paraguai para verificar denúncias de violações aos direitos humanos e investigar a possível relação dessas ações com a assinatura de um convênio entre Paraguai e Estados Unidos, promulgado como Lei nº 2594 em maio de Esse acordo prevê, entre outras coisas, exercícios militares estadunidenses em qualquer parte do território paraguaio, capacitação e treinamento das Forças Armadas do Paraguai conduzidos pelas tropas dos EUA e imunidade judicial para soldados estadunidenses. Cartilha estadunidense Ações na capital são constantes, principalmente contra movimentos organizados dos bañados, áreas onde barracões são erguidos às margens do Rio Paraguai. Mas é no campo que a militarização e a conseqüente criminalização de organizações sociais e de seus líderes são mais graves. A delegação internacional entrevistou diversos representantes dos camponeses, que denunciaram a truculência das forças conjuntas contra as comunidades rurais. Ramón Medina, dirigente da Mesa Coordenadora Nacional de Organizações Camponesas (MCNOP), entidade da Via Campesina, associa o convênio firmado entre EUA e Paraguai ao aumento da repressão e do terrorismo de Estado. Segundo ele, o treinamento do exército paraguaio por parte dos EUA 10 tem como objetivo instruir as forças nacionais a combater o terrorismo. Na cartilha estadunidense estariam os passos para a desarticulação e a aniquilação dos movimentos sociais. Não é outra coisa que uma forma de pressionar e perseguir dirigentes de comunidades e assentamentos camponeses, acusa Medina, para quem o governo fascista de Nicanor Duarte trouxe de volta práticas da ditadura ( ). Dirigentes ouvidos pela missão confirmaram o aumento da repressão desde a assinatura do convênio. Além das Forças Armadas, os trabalhadores rurais também têm que enfrentar os Conselhos de Segurança Cidadã, criados em 2004 pelo Ministério do Interior paraguaio, supostamente para combater o crime. Na prática, esses novos corpos formados por cidadãos financiados e armados oficialmente pelo governo, e extra-oficialmente por fazendeiros funcionam como grupos paramilitares, que atuam na proteção à propriedade privada, ou seja, ao latifúndio, sobretudo do criador de gado e do produtor de soja. Segundo os camponeses, são os Conselhos os principais autores das repressões, despejos, queimas de casas e inclusive estupros de mulheres e assassinatos de dirigentes e integrantes de organizações camponesas. Nos últimos dois anos, há informações de 49 mortos e vários desaparecidos no campo. Cerca de 2 mil camponeses respondem a processos na Justiça (presos ou livres) no Paraguai. Líderes camponeses estimam que os Conselhos de Segurança Cidadã são compostos por 22 mil homens, presentes em sua maioria em territórios onde há conflitos de terra. Para se ter uma idéia do que isso significa, de acordo com a página na Internet das Forças Armadas do Paraguai, o exército mantém entre 8 mil e 12 mil militares. Criminalização A decisão do governo de criar os Conselhos de Segurança, na opinião de Medina, está relacionada com o surgimento, há dois anos, de duas frentes de luta social: uma encabeçada pela MCNOP e outra pela Federação Nacional Camponesa (FNC). Ambas elaboraram um plano de ação que incluía ocupações de terras e protestos pela reforma agrária e contra as privatizações. O governo justifica o uso do Exército em operações policiais e

11 a criação dos corpos de segurança pela falta de infra-estrutura e de recursos da polícia nacional, que não teria capacidade de combater o crime e, principalmente, as supostas guerrilhas e grupos terroristas. A estratégia é conhecida: acusar movimentos sociais de ligações com o terrorismo e considerar atos contra a segurança nacional ações como marchas, bloqueio de estradas e ocupações de terra. Quem sentiu o drama na pele foi o secretário-geral da Central Nacional de Organizações Camponesas e Indígenas do Paraguai (Cenocip), Tomás Zayas. Em abril, houve uma tentativa de vincular sua imagem às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pela fabricação de uma testemunha falsa, por meio de um suborno que previa um pagamento de 50 mil dólares no ato e dólares mensais. Para sua sorte, Ciriaco Rotela Chaparro, que seria subornado, denunciou o plano e o envolvimento de funcionários do Ministério do Interior e da Agricultura e de um homem ligado ao Partido Colorado. A estratégia é conhecida: acusar movimentos sociais de ligações com o terrorismo e considerar atos contra a segurança nacional ações como marchas, bloqueio de estradas e ocupações de terra O Departamento (equivalente a Estado, no Brasil) de Concepción, no Norte do país, é onde ocorre o maior número de violações aos direitos humanos dos camponeses, considerados guerrilheiros pela governadora, Ramona Mendoza. No entanto, integrantes da missão que viajou ao interior não encontraram indícios de grupos desse tipo na região. Um deles, Aton Fon Filho, advogado da Rede Social de Direitos Humanos do Brasil, conta que o próprio chefe de polícia departamental afirmou categoricamente que lá não existem grupos guerrilheiros, apenas delinqüentes comuns. Caminho aberto para a monocultura da soja Em uma rua do bairro de Sajonia, na zona Oeste de Assunção, um homem e uma mulher estão sentados no degrau de casa em uma conversa em guaraní, o único idioma de 79% dos 6,5 milhões de paraguaios, segundo o último censo, de Outros 20% falam guaraní e espanhol, enquanto 1% só o último. Desses 1%, esclarece Carlos Rolón, do Serpaj-Py, 99% fazem parte da elite dominante. Elite dominante composta basicamente por latifundiários. Criadores de gado e produtores de soja. No Paraguai praticamente não existe indústria. É um país agroexportador. De acordo com Orlando Castillo, também do Serpaj-Py, 77% das terras paraguaias estão nas mãos de 1% da população. E, desde a década de 1990, a soja sustenta a economia. Antes ocupando os campos próximos às fronteiras com o Brasil e com a Argentina, o cultivo avança cada vez mais para o interior do país. Brasiguaios Edilberto Salcedo, dirigente da Cenocip para o Departamento de Concepción, estima que na safra a área ocupada pela soja quase toda transgênica irá dobrar em relação a Conforme a fronteira agrícola avança, extingue a pequena propriedade de produção familiar: os camponeses ou vendem suas terras ou são expulsos dela. Resultados: algo entre 200 mil e 300 mil famílias sem-terra no país, como estima Castillo, e um grande fluxo migratório para as cidades, o que contribui para a criação de cinturões de pobreza nas áreas urbanas. Para Castillo, os fazendeiros brasileiros são os principais responsáveis por esse processo. Como o Paraguai não conta com uma lei de segurança fronteiriça, os chamados brasiguaios compram grandes extensões de terra, usadas principalmente para o cultivo de soja, diz. Certamente não por coincidência, as ações militares e paramilitares se concentram nas áreas do território paraguaio onde os camponeses estão mais organizados e onde há maior número de conflitos agrários, entre pequenos proprietários e latifundiários. Segundo relatos de líderes sociais entrevistados pela missão internacional, estes últimos lançam mão de uma empresa de segurança privada, denominada Guardas Rurais S.A., para expulsar os camponeses de suas terras, em grande parte não regularizadas. Tudo sob a vista grossa do Estado. Os dirigentes camponeses não hesitaram em afirmar que a intenção clara da repressão é tirar os camponeses do campo e abrir, ainda mais espaço, para a soja, lembrando que os políticos do Partido Colorado, há seis décadas no poder, estão profundamente vinculados aos latifundiários do setor, quando eles próprios não são grandes proprietários rurais. Por sua vez, o governo de Nicanor Duarte se beneficia com as divisas geradas pela exportação de soja e sustenta o modelo econômico agro-exportador. A vinculação da imagem dos camponeses com a guerrilha e com grupos terroristas conta ainda com a ampla contribuição da imprensa paraguaia. Mas, de acordo com Arístides Ortiz, do Sindicato dos Jornalistas do Paraguai (SPP), tal tipo de comportamento não é casual: Os principais jornais e TVs do país são de propriedade de famílias da oligarquia rural. Igor Ojeda Brasil de Fato 11

12 nacional Mudança na aposentadoria Lei pode por fim ao fator previdenciário A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou, em decisão terminativa e por unanimidade, o projeto de Lei 296/03 do senador Paulo Paim (PT-RS), que acaba com o fator previdenciário. O fator previdenciário é aquela fórmula de cálculo de aposentadorias criada pelo governo Fernando Henrique Cardoso para estimular os segurados a retardar a sua aposentadoria, por meio da redução do valor pago a quem se aposenta antes de atingir determinada idade. Por isso, atualmente, o valor pago em aposentadoria de segurados mais jovens é menor do que dos empregados que preferem esperar mais alguns anos para se aposentar, já que se leva em conta a expectativa de vida do segurado. Segundo o IBGE, a expectativa de vida do brasileiro está aumentando. A mulher para mais e o homem para pouco menos de 70 anos, em média. De acordo com o novo projeto, o salário de benefício voltaria a ser calculado apenas com base na média aritmética simples dos últimos 36 salários de contribuição, apurados em período não superior a 48 meses. Como expõe o autor da proposta, senador Paulo Paim, pretende-se resgatar os critérios anteriores de cálculos dos benefícios previdenciários, evitando a utilização da Previdência Social como instrumento de ajuste das contas públicas, em evidente prejuízo para seus beneficiários. Com o fator, o valor das aposentadorias por tempo de contribuição foi reduzido paulatinamente (cerca de 0,5% a cada mês) entre dezembro de 1999 e novembro de Após 60 meses, a redução média atingiu 30%. O fim do fator previdenciário ocasionaria, imediatamente, efeito oposto ao da reforma, ou seja, aumento dos mesmos 30% no valor inicial das futuras aposentadorias por tempo de contribuição. Ainda que rejeitado pela maioria da sociedade, o corte no valor das aposentadorias foi a solução encontrada pelo governo para tentar reduzir os seguidos déficits da Previdência Social. Segundo Paim, estamos dando um passo importante em favor dos direitos dos trabalhadores. O fim do fator previdenciário é uma vitória histórica. Ele estima que o fator reduza em cerca de 30% as aposentadorias por tempo de contribuição dos homens e em 35% as das mulheres. O projeto do senador Paulo Paim estava arquivado desde 1999 quando foi rejeitado no senado. Agora aprovado pela Comissão, ele argumenta que deve-se de forma definitiva retirar da legislação brasileira esse crime contra o aposentados. É preciso de uma vez por todas acabar com essa engenharia maquiavélica que só é adotada para os pobres. Para os altos salários como os do legislativo não é adotada, é uma injustiça. 12 Agora que o projeto passou pelo Senado, ele será examinado pela Câmara. O texto precisa ser aprovado pelo plenário da Câmara para virar lei. Mas Paim acredita que a aprovação não aconteça este ano. Ano que vem quando ocorrer a Reforma da Previdência, teremos a chance definitiva de por fim ao fator beneficiário. Eu vou enfrentar esse debate como sempre enfrentei, conclui. Benefícios achatados O fim do fator previdenciário deve provocar uma avalanche de processos judiciais por parte dos aposentados a partir do final de Com a aplicação do fator (que leva em consideração o tempo de contribuição do trabalhador, sua idade e sua expectativa de vida na data da aposentadoria) desde 1994, o benefício inicial foi fortemente achatado. Para ter uma idéia desse achatamento, um homem com 55 anos de idade e 35 anos de contribuição, que pagou ao INSS pelo teto desde julho de 94, teria hoje direito de receber R$ Com o fator, o valor cairia para 74%, ou seja, cerca de R$ por mês. A perda é de 26%, ou R$ 620. No passado, um trabalhador ficava contribuindo por 32 anos com base no salário mínimo ou um valor um pouco acima. Nos últimos três anos ele contribuía pelo teto e obtinha uma aposentadoria muito maior. É importante ressaltar que essa anomalia era permitida pela legislação. O objetivo maior do fator previdenciário (estimular os segurados a retardar a aposentadoria) vem sendo alcançado. Ao final de 99, a média geral de idade dos aposentados era de 51,7 anos (52,4 para homens e 50,1 para mulheres). Em 2005, era de 53,3 anos (54,4 e 51,3 anos, respectivamente). Redução do valor inicial da aposentadoria por tempo de serviço em decorrência do aumento de expectativa de vida e da aplicação do fator previdenciário nov/99 100% 77,29% 76,96% 76,63% 69,17% 68,91% 68,38% 64,31% 58,03% 63,83% 63,60% 57,84% 63,36% 57,45% 53,85% 53,50% 53,33% 52,99% 49,39% 49,10% 48,95% dez/99 77,97% dez/00 dez/01 dez/02 dez/03 dez/04 homens mulheres e professores educação básica professores educação básica dez/05

13 Exemplo de perdas com o Fator Previdenciário para o Professor Exemplo de perdas com o Fator Previdenciário para o Professora Com 30 anos de contribuição Fator Previdenciário Com 25 anos de contribuição Fator Previdenciário Idade Fator 0,5843 0,6054 0,6276 0,6511 0,6756 0,7020 0,7296 0, ,8231 0,8581 0,8953 0,9354 0,9776 1,0232 Cumprido apenas o tempo constitucionalmente exigido, qualquer que seja a idade, a mulher continua perdendo até 41,5% do seu benefício, caso se aposente antes dos 59 anos, com 30 de contribuição total. Idade Fator 0, ,6054 0,6276 0,6511 0,6756 0,7020 0,7296 0,7590 0,7901 0,8231 0,8581 0,8953 0,9354 0,9776 1,0232 Perda 41,5% 39,5% 37,5% 35% 32,5% 30% 21% 24% 21% 27,7% 14,2% 10,1% 6,5% 2,2% Com 35 anos de contribuição Fator Previdenciário Com 30 anos de contribuição Fator Previdenciário Idade Fator 0,8100 0,8418 0,8757 0,9115 0,9495 0,9899 1,0327 Tempo de contribuição real + idade necessárias, a partir dos 45 anos, para neutralizar o fator: 56 anos de idade e 34 de contribuição real, ou 58 anos de idade com 31 de contribuição Idade Fator 0,6744 0,6987 0,7243 0,7514 0,7796 0,8100 0,8418 0,8757 0,9115 0,9495 0,9899 1,0327 Cumprido apenas o tempo constitucionalmente exigido, qualquer que seja a idade, a professora continua perdendo até 41,5% do seu benefício, caso se aposente antes dos 59 anos, com 25 de contribuição total. Tempo de contribuição real + idade necessárias, a partir dos 45 anos, para neutralizar o fator: 54 anos de idade e 32 de contribuição real 13

14 saúde Problemas na voz Pesquisa feita na rede particular de ensino do estado de São Paulo revela o mau uso da voz nas salas de aula Por Josane Beckman Uma das profissões com maior incidência de problemas vocais é a de professor e sua disfonia tem sido considerada como doença profissional na maioria dos países. As condições de uso vocal do professor são, na maioria das vezes, inadequadas, pois falam constantemente durante horas em intensidade elevada, competindo com o ruído ambiental. Um estudo inédito, feito em São Paulo, mostra que 63% dos professores da rede particular já tiveram problemas de voz. A pesquisa, feita pelo Centro de Estudos da Voz em parceria com o Sindicato dos Professores de São Paulo, é o primeiro estudo epidemiológico que aborda o tema no país. Os sintomas mais apontados pelos docentes no levantamento foram garganta seca (51,7%), rouquidão (35,1%) e pigarro (35,1%). Foram entrevistados 250 docentes do ensino particular de São Paulo, do infantil ao superior, e 250 profissionais de outras áreas. Enquanto no primeiro grupo mais de 60% disseram já ter tido problema vocal, o percentual cai para 38,5% no segundo grupo. Até o final do ano, a pesquisa brasileira irá abranger as redes pública e particular de todo o país. O problema vocal dos professores também foi analisado por um outro estudo, feito pela Unifesp e pelo Ministério do Trabalho. A pesquisa, que envolveu entrevistas com docentes da rede privada de ensino superior, foi apresentada num congresso em setembro. Uma das conclusões é que 70% dos educadores têm chances de perder dias de atividade devido a problemas na voz. As conseqüências da falta de conhecimentos e cuidados com a voz podem trazer prejuízos maiores para a saúde vocal, desde alterações quase imperceptíveis auditivamente, até alterações vocais severas, muitas vezes impedindo que o professor continue na regência. Os problemas chegam a ser tão preocupantes que 15,4% dos docentes afirmaram que pensam em largar as aulas devido às dificuldades com a voz, segundo a pesquisa apresentada na Unifesp. Os problemas de garganta acompanham a professora Fernanda Salotti constantemente há nove anos. Aos 30 anos de idade, ela dá aulas de português desde os 21. Se a situação causa 14 incômodo em qualquer pessoa, imagine o significado disso para uma professora de Ensino Fundamental, cujo principal instrumento de trabalho é a voz. Há sete anos, ela submeteu-se a uma cirurgia para retirada de um nódulo na garganta e passou por seis meses de terapia com um fonoaudiólogo. Eu não tinha nenhuma disciplina, não usava a voz corretamente, conta. A rouquidão e irritação na garganta ainda fazem parte do cotidiano da professora que, há um mês, voltou ao consultório de fonoaudiologia para outra terapia. Segundo Fernanda, suas cordas vocais ficam inchadas por causa da alergia ao giz e à poeira, existente na biblioteca, um dos lugares onde ministra aulas. Os distúrbios de voz causados pelo exercício da profissão que atingem a professora Fernanda fazem parte do cotidiano de muitos outros professores. Eles dão aulas em salas lotadas, inalam pó de giz, competem com o barulho da rua, do arcondicionado e da conversa dos alunos. Aliado à falta de condições adequadas de trabalho está o desconhecimento dos profissionais de como cuidar da voz, que contribui para a dor e a irritação na garganta. Quanto maior o número de alunos, maiores as chances de desenvolver distúrbios vocais. O grande número de professores com problemas na voz tem como causas a extensa jornada de trabalho, o número excessivo de alunos. Assim como qualquer estrutura do corpo, as cordas vocais - responsáveis pela vibração que produz a voz ficam sobrecarregadas quando são muito exigidas. Por isso, as pessoas mais afetadas por problemas de voz são os profissionais que dependem dela para trabalhar, como os professores, por exemplo. Alguns sintomas podem ser indicativos de que algo não vai bem. Rouquidão persistente por mais de 15 dias, pigarros, dores constantes de garganta, sensação de incômodo ao engolir alimentos e perda da voz são alguns dos sinais que servem de alerta. Uma produção vocal alterada pode reduzir a qualidade da fala, além de criar no ouvinte um impacto negativo e certo incômodo,

15 resultando, então, em problemas na relação do professor com os alunos, bem como sociais, emocionais e econômicos. Segundo a fonoaudióloga Evelise Pataro, após utilizar a voz por muito tempo, o professor pode ter modificações vocais devido à fadiga muscular podendo ocorrer perda de projeção, abafamento, rouquidão e soprosidade. Também podem ocorrer alterações cinestésicas geralmente referidas como desconforto, dor, ardor, sensação de corpo estranho e acúmulo de secreção na laringe. Vários fatores podem interferir na qualidade da voz, como condições do ambiente (ventilação, poeira, ruídos externos), sintomas negativos (cansaço, voz áspera, ardor, rouquidão), problemas alérgicos, falta de conhecimento sobre cuidados gerais com a voz e higiene vocal, explica a fonoaudióloga. Além disso, os pontos que agravam a situação da voz dos professores são a carga horária intensa com salas sem preparo acústico. Alguns professores têm utilizado um recurso extremamente eficaz que é o microfone, mas para isso precisa ser orientado, pois muitos continuam usando a intensidade elevada da voz mesmo com a amplificação, diz Evelise. O mau uso da voz e a comunicação inadequada, além de comprometer o conteúdo didático do professor, podem afastálo das atividades em sala de aula. A prevenção é o remédio para aulas sem a qualidade desejada, para os gastos com remuneração de professores afastados por ordem médica e prejuízos com indenizações trabalhistas. Apesar de apresentar um significativo aumento no nível de consciência das pessoas sobre os problemas relacionados à voz, o Brasil ainda está entre os países que têm as maiores incidências de câncer de laringe. São, ao todo, 15 mil casos diagnosticados por ano, mais da metade deles fatais. PREVENÇÃO O professor é um profissional da voz, ou seja, a voz é seu principal instrumento de trabalho, através do qual transmite ensinamentos. Por isso é importante um conhecimento sobre cuidados gerais com a voz e higiene vocal. O importante para ter uma boa qualidade vocal é utilizar-se de algumas medidas profiláticas. A fonoaudióloga Evelise Pataro dá as dicas: Fatores que podem interferir na qualidade da voz: U condições do ambiente (ventilação, poeira, ruídos externos) U sintomas negativos (cansaço, voz áspera, ardor, rouquidão) U problemas alérgicos U falta de conhecimento sobre cuidados gerais com a voz e higiene vocal São considerados hábitos saudáveis: U consultar anualmente o serviço de fonoaudiologia e otorrinolaringologia para prevenir possíveis problemas U fazer exercícios de aquecimento e desaquecimento vocal sob orientação de um fonoaudiólogo U Ter alimentação saudável evitando alimentos mais pesados no período de aula U articular bem as palavras U tomar água em temperatura ambiente U evitar café e bebidas gasosas por serem irritativos para a laringe U evitar fumar, as toxinas e a temperatura elevada da fumaça são extremamente prejudiciais U utilizar recursos como áudio visual e maior participação do aluno para não ter que falar durante muito tempo U utilizar os períodos de intervalo para descansar a voz U evitar o contato direto com o pó de giz (para apagar a lousa procurar afastar o rosto e usar o apagador no sentido de cima para baixo U evitar o consumo em excesso de derivados do leite, pois deixam a saliva mais viscosa podendo levar a pigarrear, o que é muito agressivo para as pregas vocais U ter uma atividade física ou procurar reservar alguns minutos para alongamento pois podem contribuir para minimizar as tensões diárias São considerados hábitos prejudiciais: U gritar - é inviável querer competir com ruídos muito intensos U pigarrear causa forte atrito entre as pregas vocais, levando à irritação U falar enquanto escreve na lousa há a tendência a um aumento da intensidade da voz e maior aspiração do pó de giz U sussurrar - envolve um esforço muito grande da musculatura da laringe U tomar líquidos muito quentes ou muito gelados. U usar receitas caseiras algo que pode ser bom para um indivíduo não quer dizer que terá efeito positivo para todos U uso de roupas que apertem a região do abdômen e pescoço U usar balas fortes ou pastilhas sem indicação médica quando estiver com irritação na garganta pois devido ao efeito anestésico pode haver mascaração do sintoma e aumentar ainda mais a irritação 15

16 especial Novas tecnologias: novos rumos para a educação Por Josane Beckman Demissão 16 Recentemente, na década de 1990, algumas pessoas afirmaram que o mundo estava passando por uma Terceira Revolução Industrial, impulsionada, do ponto de vista tecnológico, pelo surgimento de novas Tecnologias de Informação (TIs). O conceito ainda é polêmico e divide opiniões. Mesmo assim, há um consenso: as TIs têm causado profundas transformações na organização do trabalho em todo o mundo. O termo talvez seja um exagero, pois atualmente essas grandes mudanças englobam muito mais do que a indústria. No caso da primeira e segunda revolução, o termo ainda se aplica já que se tratavam de épocas em que a sociedade e o progresso da humanidade giravam, apenas, em torno das fábricas. O impacto das novas tecnologias, no entanto, tem provocado mudanças em várias áreas da sociedade, como na Educação, por exemplo, que não tarda a incorporar os últimos recursos tecnológicos direcionados ao setor. A integração de novas mídias como televisão e Internet já não é mais novidade em muitas salas de aula e, hoje, dão novos rumos para a criação de novas estratégias de ensino, aprendizagem e autocapacitação. As aulas expositivas, o papel, as pesquisas de campo, os trabalhos de laboratórios, as consultas à internet são recursos complementares, que devem ser utilizados de maneira integrada e inteligente pelas escolas. Com esse avanço, se exige do professor uma preparação e

17 atualização com intuito de fornecer as ferramentas para motivar o aluno e ajudá-lo a produzir seu conhecimento. O contato com essas novidades amplia o horizonte dos educadores e acena com novas possibilidades pedagógicas. A grande revolução que o computador promove é disponibilizar uma infinidade de informações servindo como uma importante ferramenta para a educação. Com o passar dos anos é bem provável que o ensino não se reduza ao livro didático. Os livros estarão melhores e adequados à informática, até mesmo com sugestões de sites e atividades. Mas junto com as vantagens vêm também os problemas. Há uma polêmica em torno do assunto no meio docente, a ameaça de que professores sejam substituídos por máquinas preocupa. Segundo Divina Salvador Silva, Pedagoga especializada em Orientação, Supervisão e Administração Escolar, o profissional em educação não deve pensar que irá perder seu emprego por conta da informática e sim utilizá-la como um meio para melhorar a qualidade de ensino. O papel do profissional em educação é mostrar ao aluno para que serve o conhecimento. Ele precisa enxergar-se, apenas, como uma parte do processo de aprendizado afirma. Apesar dos tempos modernos, a escola continua sendo uma instituição mais tradicional que inovadora. A cultura escolar tem resistido bravamente às mudanças. Muitas escolas têm equipamentos, mas ainda engatinham na maneira de utilizálos. Para a dominação dessa tecnologia é preciso dispor de algum tempo, o problema é que nesse período de tempo, novas tecnologias serão desenvolvidas, seria necessário acompanhar o ritmo do desenvolvimento. Os alunos, em sua maioria, já estão prontos para a multimídia, os professores, em geral, não. Os professores sentem cada vez mais claro o descompasso no domínio das tecnologias e, em geral, tentam segurar o máximo que podem, fazendo pequenas concessões, sem mudar o essencial. Muitas instituições também exigem mudanças dos professores sem dar-lhes condições para que eles as efetuem. Freqüentemente algumas organizações introduzem computadores, conectam as escolas à Internet e esperam que só isso melhore os problemas do ensino. Os administradores se frustram ao ver que tanto esforço e dinheiro empatados não se traduzem em mudanças significativas nas aulas e nas atitudes do corpo docente. O uso da tecnologia no contexto escolar requer a formação, o envolvimento e o compromisso de todos os profissionais do processo educacional (professores, diretores, supervisores, coordenadores pedagógicos), no sentido de repensar o processo de ensino e aprendizagem para a sociedade do conhecimento. Estes profissionais têm papéis distintos e, portanto, o uso da tecnologia deve atender às suas especificidades, de tal forma que, suas ações sejam articuladas para favorecer o desenvolvimento do aluno como cidadão participativo e crítico lidando com as inovações tecnológicas. A realidade é que a cada dia, mais pessoas estudam em casa, pois podem, de lá, acessar o ciberespaço da formação e da aprendizagem à distância, buscar fora a informação disponível nas redes de computadores interligados, serviços que respondem às suas demandas de conhecimento. Pesquisa virtual As novas tecnologias contribuíram para o surgimento das bibliotecas virtuais. O portal Google, por exemplo, lançou a versão em português de sua ferramenta de busca em livros, chamada de Google Pesquisa de Livros, que permite pesquisar textos de livros brasileiros com base em palavras chave. Os downloads são gratuitos, no entanto, não são exclusividade do Google. Outros sites que promovem livros em formatos eletrônicos como o brasileiro Ebook Cult trazem arquivos de clássicos para download, além de links para outros sites que prestam o mesmo serviço. A Biblioteca Virtual do Estudante de Língua Portuguesa, organizada pela Escola do Futuro, também possui um acervo online de mais de 200 obras literárias brasileiras, artigos, documentos, literatura estrangeira, imagens, sons e vídeos. Há também downloads gratuitos de 10 mil obras. Atualmente, todo o conteúdo desenvolvido nas universidades públicas brasileiras pode ser consultado por qualquer pessoa conectada à internet. O acesso pode ser feito por meio do Portal Mundo Acadêmico, projeto-piloto lançado pelo Ministério da Educação em parceria com o Fundo das Nações Unidas para Infância e Juventude (Unesco) e com a Universidade de Brasília (UnB). Até o momento, só as instituições de ensino superior de Brasília, Rondônia e do Mato Grosso instalaram o sistema. Além do programa de publicação usado pelos professores, a página também oferece uma ferramenta de busca, por meio da qual o usuário poderá encontrar qualquer conteúdo desenvolvido pelas universidades federais. De acordo com a Unesco, o fato de os professores serem os responsáveis pela publicação do conteúdo dará credibilidade e garantirá a qualidade das informações. O portal funciona como uma ferramenta a mais a ser utilizada no processo de inclusão digital. Endereços: Portal Mundo Acadêmico br/mundoacademico Biblioteca Virtual: Google pesquisa de livros: 17

18 EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA (EaD) O ensino à distância tem crescido acima de 100% nos últimos anos no Brasil. Os dados são do Programa de Educação à Distância da Fundação Getúlio Vargas, que aponta como o ensino à distância triplicou de 2004 para 2005, devendo dobrar o número até fim deste ano. Entretanto, apesar dos avanços no setor, esse tipo de educação ainda apresenta deficiências. Com os processos convencionais de ensino e com a atual dispersão da atenção da vida urbana, torna-se muito difícil a autonomia e a organização pessoal, indispensáveis para os processos de aprendizagem à distância. Um aluno desorganizado, por exemplo, pode deixar passar o tempo adequado para cada atividade, discussão, produção e poderá sentir dificuldade em acompanhar o ritmo de um curso. Isso atrapalhará sua motivação, sua própria aprendizagem e a do grupo, o que criará tensão ou indiferença. Alunos assim, aos poucos, poderão deixar de participar, de produzir e muitos terão dificuldade, à distância, de retomar a motivação, o entusiasmo pelo curso. Na aula presencial, uma conversa dos colegas mais próximos ou do professor poderá ajudar aos que queiram voltar a participar do curso. À distância será possível, mas não será fácil. Para o professor Aloísio Alves da Silva, presidente do SINPRO ABC, o ensino à distância, enquanto complemento de pósgraduação é positivo, mas como graduação é extremame nte negativo. É um tipo de curso para quem tem maturidade, para quem tem acima de tudo disciplina. No curso presencial, muitas vezes o aluno já não corresponde. Imagine um aluno chegando em casa depois de um dia de trabalho, cansado, tendo a opção de sair com os amigos ou namorar, ele não vai preocupar-se em estudar, explica. Se já era difícil manter a motivação dos alunos em aulas presenciais, muito mais difícil será na proposta virtual, se não envolver os alunos em processos participativos, afetivos, que inspirem confiança. Em sala de aula, é mais fácil observar os problemas que acontecem e procurar dialogar ou encontrar novas estratégias pedagógicas. No virtual, o aluno está mais distante, normalmente só acessível por , que é frio, não imediato, ou por um telefonema eventual, que embora seja mais direto, num curso à distância acabará encarecendo o custo final. Segundo Aloísio, outro problema a ser pensado é que as escolas estão partindo do princípio de que todos estão incluídos na era digital. É um equívoco muito grande. As pesquisas recentes mostram que a maioria, absoluta, das pessoas não tem um computador em casa. A oportunidade de usar um computador está na própria escola. E se o aluno precisa ir à escola para usar o computador porque não pode ter um professor para dar orientações?, questiona. A regulamentação do ensino à distância também precisa ser discutida. Existem muitas dúvidas sobre o gerenciamento dos cursos. O professor, por exemplo, terá que estar sempre pronto a atender dúvidas de alunos, então, se receber um seja à meia noite ou em horário de almoço, deverá responde-lo no mesmo momento? Até agora a preocupação dos sindicatos, em geral, é estabelecer como será regulamentado o ensino à distância no que diz respeito à jornada de trabalho, número de 18 alunos que cada professor irá atender e quem irá responder a isso, um monitor ou o professor? Outra preocupação dos sindicatos é de como será o contato do sindicato com o professor a partir da implantação desse novo sistema educacional. Os sindicatos acreditam que vai afetar a própria organização do trabalhador. Hoje há uma dificuldade, principalmente no ensino superior, de encontrar o professor na sala de aula, uma vez que, no intervalo, ele já está atendendo ao aluno, tirando dúvidas, fazendo encaminhamento de trabalhos e pesquisas da própria utilização das novas tecnologias. Como vai ficar o trabalho do sindicato se o professor não está dentro da sala de aula? Perde-se a idéia de classe, afirma o presidente do SINPRO ABC. O ensino à distância não é algo novo. Em todos os seus formatos, ele exclui a relação humana. No inicio, existiam cursos, principalmente profissionalizantes, através de revistas pelo sistema de apostilas. Depois vieram os tele-cursos, onde se tinha uma tv e não um professor. Isso prejudica à qualidade de ensino. Que certeza o professor terá de que um trabalho foi feito, de fato, pelo aluno? Quando se tem o contato direto com o aluno, o professor pode conhecê-lo melhor e saber dos seus limites e capacidade. Para o sindicato, a implementação da EaD é uma questão, exclusivamente, relacionada ao lucro. A tecnologia é uma invenção da burguesia, do setor produtivo, do setor de serviços. Infelizmente no capitalismo a educação virou uma mercadoria como outra qualquer. Eles estão buscando exatamente isso, a idéia da competitividade, que não se pauta na qualidade e sim no custo. O argumento que as mantenedoras estão usando é esse: o nosso sistema está caro e para isso cobramos mensalidades mais caras, como o aluno busca um curso mais barato, eu tenho que baixar o custo. Então eu diminuo a carga presencial desse curso, e passo a adotar esse sistema, explica Aloísio. Pensando nisso, o 6º Congresso do Sindicato dos Professores do ABC fez a primeira discussão sobre o assunto diretamente com sua base. O objetivo desse congresso foi despertar nos professores essa discussão e ouvir deles como isso já está ocorrendo, como estão sendo afetados, para que não seja apenas especulação e, a partir daí, determinar como será a luta partindo desse novo recurso, de forma a não gerar prejuisos ao trabalhador, e, prncipalmente garantindo os direitos trabalhistas. Essa é uma situação irreversível. E não adianta querer ressuscitar aquele movimento, de anos passados, dos sindicatos, quando se entendia que o problema era a máquina. Teremos que aceitar as inovações, mas exigindo uma regulamentação que não traga prejuízo ao trabalhador. A luta do SINPRO ABC tem sido nesse sentido, explica Aloísio. O recurso do ensino à distância, mais do que descrição de um projeto futuro é realidade em várias faculdades e universidades do País, que começam a colocar em prática uma modalidade de ensino autorizada pelo Ministério da Educação (MEC): ministrar por meio de aulas à distância até 20% da carga horária dos cursos regulares de graduação. Não é possível saber quantas faculdades usam o método, já

19 Para o sindicato, a implementação da EaD é uma questão, exclusivamente, do lucro. A tecnologia é uma invenção da burguesia, do setor produtivo, do setor de serviços. Infelizmente no capitalismo a educação virou uma mercadoria como outra qualquer. que o MEC não precisa dar uma autorização especial para elas. No entanto, os exemplos vão aparecendo e já chegam a algumas dezenas. Universidade de Brasília (UnB), Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Anhembi-Morumbi, UniFMU e algumas universidades federais, como as da Bahia, Alagoas e Espírito Santo, estão entre as pioneiras. A Faculdade Sumaré, em São Paulo, é um exemplo de adesão total: aplicou os 20% à distância a todas as suas 15 carreiras. A permissão é válida para todos os cursos superiores, desde que sejam seguidas algumas regras. As avaliações das disciplinas têm de ser presenciais, o conteúdo deve contar com uma pedagogia voltada para a internet, é obrigatória a presença de um tutor e de encontros regulares. Garantido isso, alunos e professores devem adaptar-se a uma inserção da tecnologia em cursos em que, até então, o computador era apoio para atividades extracurriculares. Sem uma legislação ampla que oriente o sistema federal de ensino, as regras vêm sendo estabelecidas através de decretos e portarias, influenciadas, muitas vezes, por interesses econômicos e políticos. A situação é agravada pelo crescimento vertiginoso das ofertas de Ensino à Distância (EaD). Seguindo a mesma lógica dos cursos presenciais, as regras são permissivas e a possibilidade de fazer parcerias com outros estados viabilizou que elas se espalhassem a tal ponto que o próprio MEC reconhece que a situação é complicada, já que a legislação permite que uma única instituição atue em todo o território nacional, impossibilitando o acompanhamento. No decreto Nº 5.773, de 9 de maio de 2006, o governo restringe suas responsabilidades às funções de regulação, supervisão e avaliação. Sem muitas novidades na legislação, o MEC aposta no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes). Mas, como o processo de avaliação não caminha na mesma velocidade com que são aprovados os credenciamentos de novas instituições, a expectativa de um marco regulatório mais rígido parece distante. Os cursos que se limitam à transmissão de informação, de conteúdo, mesmo que estejam brilhantemente produzidos, correm o risco da perda de motivação em longo prazo e, principalmente, de que a aprendizagem seja só teórica, insuficiente para dar conta da relação teoria/prática. Mesmo com tecnologias de ponta, ainda existem dificuldades no gerenciamento emocional, pessoal, e organizacional, o que dificulta o aprendizado rápido. As mudanças na educação dependem, mais do que das novas tecnologias, de educadores, de alunos curiosos, entusiasmados, abertos, que saibam motivar e dialogar. A professora de jornalismo da Universidade Metodista e PUC-SP, Marli dos Santos, viveu a experiência do ensino à distância no ano passado. Marli ministrou uma disciplina com carga horária de 40h para a turma do 2º semestre do curso de Jornalismo. O curso contava com, apenas, cinco aulas presenciais. Nas aulas virtuais os alunos dispunham de fórum de discussão, de grupo, textos com áudio, indicação de bibliografias e exercícios. No ínicio os alunos não aceitaram muito o novo método. É como se um titã colocasse seu enorme punho em nossa frente e dissesse: semipresencial, disse um dos alunos. Eu acreditava naquele momento que a gente pudesse ter uma experiência, que fosse uma metodologia para auxiliar, não substituir. Eu achava que os alunos deveriam vivenciar pelo menos um mês para dizer que isso não funciona, explica Marli. O resultado foi um problema de autonomia e organização de tempo por parte dos alunos. Segundo a professora Marli, houve falta de empenho dos alunos. Muitos alunos disseram que era complicado se concentrarem nas explicações dadas por um computador, conta. No que diz respeito aos docentes, esse sistema reflete na precarização das condições de trabalho. Há uma precarização do trabalho. Se eu fico em casa por duas horas gravando um áudio, isso significa mais tempo dedicado a elaboração que mesmo assim não dá conta da complexidade do ato da comunicação com os alunos, afirma a professora Marli. Outra variante que atinge professores e alunos é a redução da duração dos cursos, abalizada pelo parecer 329/2005 do Conselho Nacional de Educação (CNE). Essa orientação acaba gerando maior volatilidade à iniciativa privada, porque forma alunos em menos tempo. O que não acontece no restante da América Latina, onde os alunos continuam com cursos de duração plena de quatro e cinco anos. Não há um movimento contra as novas tecnologias, mas entendemos que as tecnologias têm que ser utilizadas como ferramenta que irão contribuir para a qualidade do ensino do ministrado pelo professor, não devendo substituí-lo, o que acarretaria no agravamento da precarização do processo ensino/aprendizagem, conclui Aloísio. 19

20 educação 6º Congresso do SINPRO ABC discute as novas tecnologias Preocupado com problemas de terceirização e condições de trabalho dos professores, o SINPRO ABC abordou o tema "a influência das novas tecnologias na Educação" no seu 6º Congresso realizado nos dias seis e sete de outubro, no Pampas Palace Hotel, em São Bernardo do Campo. Segundo o presidente do SINPRO ABC, Aloísio Alves da Silva, o objetivo do sindicato ao organizar o congresso foi despertar nos professores essa discussão e ouvir deles como estão sendo afetados e a partir daí discutir como será a luta com esse novo recurso, para que não acarrete em prejuízos ao trabalhador. Foi um momento em que os professores puderam expor as suas experiências e levantar mecanismos de como atuar. Essa é uma situação irreversível. E não adianta querer ressuscitar aquele movimento, de anos passados dos sindicatos, quando se entendia que o problema era máquina. Teremos que aceitar as inovações, mas exigindo uma regulamentação que não traga prejuízo ao trabalhador. A nossa luta tem sido nesse sentido, explica Aloísio. A abertura do congresso contou com a participação da diretoria do sindicato, além de convidados como José Jorge Maggio representando a FEPESP, Maria Clotilde Lemos Petta representando a CONTEE e João Batista representando a CUT. O tema do congresso é próprio e ideal para esse momento para saber como os trabalhadores devem se posicionar diante dessas mudanças, principalmente do Ensino à Distância, declarou Maria Clotilde Petta. Para falar sobre a conjuntura nacional foram convidados o jornalista Altamiro Borges, editor da revista Debate Sindical, e João Batista Gomes, diretor do Sindicato dos Servidores de São Paulo. Em sua palestra, Altamiro Borges fez um alerta para o momento delicado que o Brasil e o mundo estão passando. Segundo ele, hoje o mundo possui 3,5 bilhões de habitantes aptos a trabalhar, sendo que 1,2 bilhões estão desempregados ou subempregados. 990 milhões de pessoas moram em barracos, onde todos os dias morrem milhares de crianças de fome. É evidente que esse mundo em que estamos vivendo não vai dar certo. Mais hora menos hora vai explodir. Ou nós interferimos nisso ou esse mundo vai caminhar aceleradamente para total barbárie, para total degradação, alertou Altamiro Borges. Ele também ressaltou que é preciso discutir o sindicalismo. Para ele, depois do avanço neoliberal os sindicatos caíram na total defensiva. Está difícil ter assembléia, está difícil ter gente para montar chapa para o sindicato, e quando monta está difícil ver gente trabalhar. O 20 movimento sindical está precisando fazer uma grande auto-crítica de forma fraterna e madura, afirmou. No segundo dia de congresso, estiveram presentes a socióloga Vanuzia Almeida Rodrigues, a jornalista Marli dos Santos, professora da Universidade Metodista e PUC-SP e Hélio Siedel, coordenador da Federação Única dos Petroleiros (FUP), para contar suas experiências com Ensino à Distãncia.. A professora Marli, que teve uma experiência recente com Educação à Distância, disse que as novas tecnologias devem ser encaradas como ferramentas e não como solução de educação. Para ela, há uma precarização do trabalho do professor já que é preciso passar mais horas em casa desenvolvendo o trabalho e não será pago para isso. Eu acredito que se houver um desenvolvimento, se houver um investimento para transformar a Educação à Distância naquilo que ela tem de melhor que é eliminar o espaço e promover a interatividade será possível, talvez, haver uma qualidade de ensino. Também é importante um aluno com autonomia e maturidade para poder se adaptar a essa realidade, explicou Marli. Para Hélio Siedel, é importante nos adaptarmos às novas tecnologias para nos mantermos no mercado. Ou a gente se apropria dela ou o capital se apropria e domina a gente, disse. Hoje, o ensino à distância é uma realidade em várias faculdades e universidades do país. O resultado é uma proliferação de cursos sem qualificação e precarização do trabalho do professor, pois não existe uma regulamentação para essa nova modalidade de ensino. Para falar sobre o assunto, foram convidados o professor Santana, diretor do Sinpro Goiás, professor Faro, diretor do Sinpro SP e Cecília Farias, diretora do Sinpro Rio Grande do Sul. Segundo o professor Santana, os professores não estão protegidos pela legislação brasileira. Existem apenas sete artigos da CLT que referem-se ao direito dos professores. Alguns artigos estão defasados outros são vigentes, mas não possuem eficácia. Um exemplo é o 323 que diz que não é permitido o funcionamento de escola que não remunere dignamente os seus professores, explica. Segundo ele, o contrato de trabalho diante das novidades como Educação à distância, só tende a piorar. O professor pode dar aula para milhares de alunos, à distância, e vai receber como? Por aula. Mas não é só isso, o professor é obrigado a produzir material veiculado pelas instituições e não recebe nada por isso, nem direito autoral, revela Santana. Para a professora Cecília Farias, a Educação à Distância está voltada mais para a classe alta do que a menos favorecida. Ela não cumpre o papel principal que é o de incluir pessoas que não podem cursar o ensino tradicional por uma questão financeira ou por estar distante dos grandes centros. E, afirma que essa modalidade de ensino contribui para piorar a qualidade da educação, já que a maior parte das escolas não investe nos cursos para obter mais lucro e oferecer mensalidades a baixo custo. As aulas não podem ser por meio de baratemento de custo. A Educação à Distância de qualidade exige um alto investimento, conclui.

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